Quem tem medo que o sistema financeiro internacional entre em colapso definitivo?

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“Vivemos uma triste realidade, TODOS estamos dependentes do dinheiro mas reconhecemos que existem fatores deste sistema que nos complicam muito a Vida.

No entanto, ninguém, nenhum Político, nenhum Líder de opinião, nenhum Gestor ou Professor de Finanças, tem a coragem de propor um sistema alternativo que tenha um caráter Humano.

Sejamos claros, dinheiro não representa Valor representa DÍVIDA. Quanto mais Dívida houver mais dinheiro estará em circulação. É com esta crua realidade, que tem suportado todo o sistema financeiro, que temos vivido. É um mundo virtual que alguns desenvolveram em seu benefício para prejuízo de TODOS.

A verdade é que TODOS os Países, TODAS as economias, TODAS as Pessoas estão dependentes do dinheiro e do mundo financeiro. O emaranhado e os estímulos financeiros criados foram de tal ordem que o mais comum dos Cidadãos não é capaz de fazer nada sem pedir um empréstimo. Seja para comprar uma casa, um carro, uma mobília, uma viagem, um curso superior, um mestrado ou um doutoramento, as Pessoas vão empenhar o seu Futuro para TER o que consideram ser importante e urgente na sua vida.

Significa isto que o Valor atribuído ao seu trabalho profissional, à sua dedicação a uma causa não é suficientemente remunerado, e/ou, os impostos que se pagam ao longo da vida e nas mais variadas circunstâncias, não lhes permite ter uma capacidade de bem-estar adequada. A grande maioria das Pessoas sobreendividou-se para satisfazer o seu Ego e todas as atrações e aliciamentos de um mercado que usa a obsolescência programada para ‘agarrar’ TODOS os consumidores.

E o mercado tornou-se ainda mais sofisticado, muito ‘bem acompanhado’ por uma criatividade financeira dos Bancos, que não tem caráter Humano.

Resumo e conclusão criaram e transformaram uma maioria de Pessoas em dependentes do sistema, sem contrapartidas Humanas e de Futuro dignas de nota.

Eu pergunto; Porque tem de ser assim? Afinal de contas, o Sistema Financeiro Internacional (SFI) tem ‘presenteado’ os Cidadãos do mundo, de há décadas e décadas até hoje, com tanta realidade ruim e danosa do Valor Humano, que se torna muito difícil de aceitar que qualquer Ser Humano, culto, sábio, sensível, de espírito global e respeitador da Vida, aceite esta situação sem a poder alterar.

Na realidade o SFI representa, para o bem e para o mal, um PODER inquestionável! Ninguém mais questiona ou pretende alterar significativamente este sistema. É um PODER que está nas mãos de muito poucos (menos de 1% da População Mundial), muito bem defendidos de TUDO e de TODOS os que pretendam causar-lhes dano.

No entanto, o que podemos constatar é que de facto esta atividade financeira internacional, tal como se encontra, tem produzido:

  1. MÁS influências nas Economias dos Países;
  2. Guerras económicas que acabam por degenerar em Guerras violentas entre Seres Humanos;
  3. Destruição do Ambiente e dos equilíbrios da Biosfera;
  4. MÁS influências nas atitudes e comportamentos das Pessoas (ganância, avareza, prepotência, arrogância, escravidão Humana, vícios vários, corrupção, perda de Liberdades e Dignidade Humanas, …);
  5. Dependências várias sejam de natureza Económica ou Financeira, sejam sobre a VIDA das Pessoas;
  6. O rol poderia continuar.

Mas então este sistema não tem trazido nada de bom? Perguntarão alguns! Poderei dizer que tem trazido muito desenvolvimento tecnológico e algum Desenvolvimento Humano, mas de tal maneira condicionado que podemos perguntar que sentido estão a querer dar ao Futuro da Humanidade?

Sobretudo tem trazido um Desenvolvimento Humano carente em Valores Humanos. Será propositado?

É que o Futuro da Humanidade não devia ser decidido por este Sistema nem pelos Políticos que o apoiam. Esta é uma matéria demasiado importante e fundamental para o Homem que não deveríamos permitir que fosse delegada desta maneira.

Mas há um aspeto que muitos de nós falamos, nos indignamos, nos revoltamos e não aceitamos, mas que na realidade não resolvemos NADA com essas atitudes. O que está aqui em causa são as desigualdades sistemáticas e crescentes entre Seres Humanos ricos e pobres, ou, com grandes rendimentos e poucos rendimentos.

Desigualdade

Esta desigualdade acaba por traduzir-se em dificuldades de acesso a elementos básicos de VIDA HUMANA:

  1. Ao sistema Educacional, apesar de estar desajustado do Futuro;
  2. A um sistema de Saúde digno para TODOS;
  3. Ao sistema de Justiça igual para TODOS;
  4. À segurança e integridade dos Cidadãos;
  5. Aos recursos básicos de VIDA (água, alimentos, energia, informação, etc.);
  6. A uma habitação digna e higiénica de cada família;
  7. A um Futuro condigno de Ser Humano com expectativas e sonhos para realizar.

Perante esta triste realidade para os Seres Humanos, não só temos o Direito de questionar como se vão produzir mudanças significativas no Sistema, como temos o dever de o alterar. A não ser que consideremos que está tudo bem como está e que podemos continuar ‘escravos’ desse mesmo sistema. Ou será que temos medo?

Agora que o SFI está em crise profunda, quase agonizante, o objetivo primordial de políticos e financeiros é o de evitar o risco de um colapso. O mais triste de tudo isto é que quem paga a crise são os inocentes que acreditaram no sistema.

Perdeu-se uma excelente oportunidade de iniciar um trabalho profundo para substituir o atual SFI por outro com características mais Humanas e que respeite a sustentabilidade da Biosfera.

Haverá quem afirme que sem o SFI seria o caos total. Mas que fraca consideração demonstram pelas capacidades dos Seres Humanos!

Outros dirão que uma dívida é para a VIDA (e em muitos casos para a morte, pois mesmo morto tem de pagar), e tem de ser paga mesmo que os juros usurários aplicados sobre essa dívida já tenham ultrapassado há muito o valor original desta.

Mas que raio de sistema este em que nos deixámos envolver, que ficámos prisioneiros sem possibilidade de negociação e sem dignidade como Seres Humanos!

Será que nos desenvolvemos em tantas outras áreas do saber e, no entanto, permanecemos tão dependentes deste sistema, como viciados, que não somos capazes de nos libertar do vício?

Por um lado, esses medos de caos, desorganização, falta de autoridade, etc. representam uma falta de genialidade criativa no desenvolvimento de organizações colaborativas e humanitárias. Por outro, representam um argumento preconceituoso, gerado pelo poder do dinheiro sobre aqueles que vivem numa dependência total do dinheiro dos outros.

Mas há ainda o medo de represálias, dos responsáveis pelo SFI, sobre os Países não-alinhados. Não é por acaso que alguns desses atores são apelidados de ‘senhores da guerra’, tal é influência que detêm sobre o poder político dos Países.

Temos assistido a tentativas de reformas demasiado cautelosas (para não dizer medrosas) do SFI por parte de Países, Federações de Estados ou da Comunidade Europeia, mas acabamos por verificar que pouca coisa muda. Os paraísos fiscais continuam, os mercados financeiros comandam as dívidas soberanas dos Países, os Bancos continuam a desenvolver atividades duvidosas, etc.

E assim vamos, ‘cantando e rindo’, até um Futuro desconhecido e sem a participação dos Cidadãos.

Eu não me conformo com esta realidade e pretendo influenciar uma mudança de Paradigma do Futuro Coletivo do Ser Humano. Daí ter decidido escrever sobre o Valor Humano.

A particularidade essencial do sistema baseado no Valor Humano é que não está dependente do SFI, mas apenas do real VALOR de cada um de nós na construção de raiz de uma Vida com Futuro digno, sem o atual conceito dinheiro.

Em linhas gerais, que desenvolverei detalhadamente mais adiante, considero que os eixos principais do referencial do Valor Humano:

  1. É intrínseco a cada um de nós. É o resultado daquilo que somos, como nos comportamos em Sociedade, como gerimos o nosso Futuro e nos integramos no Futuro Coletivo.
  2. Representa a nossa capacidade em desenvolver uma atividade profissional, de criar uma família, ou, se preferir se manter celibatário, de nos relacionarmos positivamente com os outros.
  3. Também está relacionado com o respeito de cada Ser à Biosfera, ao Ambiente e à Sustentabilidade.

Assim sendo, cada um de nós será avaliado pelos nossos pares, qualificados e certificados para o efeito, com a frequência considerada necessária. O resultado dessa avaliação será transformada em Valor, que passará a estar indissociado da Pessoa em questão.

Não existirá limite para o Valor Humano. Quanto maior for a capacidade demonstrada de afetar positivamente a vida dos outros, maior será o Valor gerado.

Por outro lado, a cada Ser Humano avaliado será atribuído um Valor base que lhe permitirá alimentar-se e ter uma Vida digna com recursos básicos. Todo o Valor acrescido a este básico é da exclusiva responsabilidade do próprio, pelas decisões e iniciativas que tomar, pela realidade que construir, etc.

A TODOS será dada a oportunidade de, nos primeiros 20 anos de Vida, desenvolver as competências básicas, criatividade e conhecimentos que melhor estiverem adequados ao seu Ser, bem como uma formação em Valores Humanos que lhe permita desenvolver uma personalidade e um caráter, para estar preparado para uma vivência positiva em Sociedade.

O Valor Humano adquirido ao longo da Vida de cada Ser tem várias particularidades:

  1. Não pode ser emprestado;
  2. Não pode ser dado;
  3. Não vence juros;
  4. Não é possível obter crédito de Valor;
  5. Apenas pode ser trocado por produtos, serviços ou formação extra;
  6. Pode ser utilizado em actos futuros de renovação de infraestruturas e de desenvolvimento humano;
  7. É possível utilizar Valor excedentário da própria Pessoa, em investimentos criativos (arte, cultura), produtivos (fábricas, oficinas, etc.) e empresariais (agrícolas, serviços, formação, saúde, justiça, segurança, etc.) ou, em desenvolvimento humano e ambiental, projetos que sejam potenciadores de Valor para o próprio, ou, outras Pessoas que adiram.

O Valor Humano NÃO É DINHEIRO, É VALOR CONCRETO. Tem caráter universal e intransmissível e deve ser um sistema Global. Existirão leis que impedirão a utilização de mecanismos monetários e financeiros aplicados ao VALOR HUMANO.

E você caro Leitor, teria medo que este sistema, baseado no Valor Humano, se desenvolvesse?

Tenho fundamentos para acreditar que uma utopia de caráter Humanista contribuirá para grandes mudanças na Sociedade do Futuro.

Alfredo Sá Almeida                                                                                       24 de Março de 2015

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3 thoughts on “Quem tem medo que o sistema financeiro internacional entre em colapso definitivo?

  1. Boa tarde Alfredo,

    Agradeço o facto de se preocupar com este tema.
    Surgem no entanto algumas questões que me parecem ficar por responder.
    Com base na sua afirmação – “…cada um de nós será avaliado pelos nossos pares” – deixo-lhe as seguintes questões:
    Quais os critérios de avaliação?
    Como se processa (na prática) a valoração de cada Ser Humano?
    Quem (efectivamente) atribui o valor?
    Como comparar o Valor Humano em contextos sociais e culturais distintos?
    Em tom de piada…O Valor Humano daria descontos no IRS ? 🙂
    Grato
    A

    • Olá André,
      Fico contente de teres lido o meu texto. Este constituirá uma parte do meu terceiro livro.
      Tenciono abordar a questão da avaliação com mais detalhe, mais à frente.
      Aos poucos vai tomando forma todo o contexto do Valor Humano em Sociedade.
      Rapidamente, correndo o risco de incompreensão, direi que serão várias as Pessoas envolvidas (especialistas nas várias áreas a serem avaliadas) na avaliação de cada Pessoa. Como exemplo genérico direi que será semelhante às avaliações que se realizam nas grandes Empresas, mas aplicado um sistema multidimensional de modo a abranger todas as áreas da Cidadania e comportamentos em Sociedade. Os critérios depois desenvolverei nesse texto detalhadamente.
      Quem atribui o Valor será um ‘Colégio’ de avaliadores qualificados e certificados para o efeito.
      O Valor Humano não dá desconto para o IRS (porque o IRS não existirá)! 🙂
      A comparação de Valor Humano em contextos sociais e culturais distintos é uma matéria que ainda não desenvolvi suficientemente na minha mente, mas terá um contexto próprio.
      Eu é que agradeço as questões que colocaste, pois ajudar-me-ão a detalhar melhor determinadas áreas.
      Grato André pelo teu interesse. Se leres o texto que publiquei hoje talvez te ajude a compreender um pouco mais sobre este tema.
      Até breve. O livro ainda está no início. Espero que as Pessoas se dispam dos preconceitos onde se encontram mergulhadas para poderem vislumbrar um referencial totalmente distinto daquele em que vivemos atualmente.
      Um abraço,
      Alfredo

  2. Pingback: Títulos dos Textos publicados no Blog | Valor Humano

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