Inteligência Artificial não possui Valor Humano!

Inteligencia Artificial1

“Inteligência Artificial é todo o processo de simulação e tomada de decisão feita por um sistema não humano que tenta seguir o que um ser portador de inteligência faria numa situação idêntica. Entre os vários benefícios, a IA é muito importante para substituir o elemento humano em decisões que precisam ser tomadas em milésimos de segundo para grandes volumes de informação.”Stefanini http://stefanini.com/br/2014/05/ia-inteligencia-artificial-ja-e-realidade/

Desde há muitos anos que o Homem tem tentado criar máquinas que o possam substituir nas mais variadas situações. Máquinas essas que sejam programadas por ele e o possam imitar e ajudar a tomar decisões.

O desenvolvimento desta área do saber começou logo após a Segunda Guerra Mundial, com o artigo “Computing Machinery and Intelligence” do matemático inglês Alan Turing, e o próprio nome foi cunhado por John McCarthy em 1956.

Apenas recentemente, com o surgimento do computador moderno, é que a inteligência artificial ganhou meios e massa crítica para se estabelecer como ciência integral, com problemáticas e metodologias próprias.

“A Inteligência Artificial (I.A.) é por um lado uma ciência, que procura estudar e compreender o fenómeno da inteligência, e por outro um ramo da engenharia, na medida em que procura construir instrumentos para apoiar a inteligência humana. A I.A. é inteligência como computação, tenta simular o pensamento dos peritos e os nossos fenómenos cognitivos.

No entanto, a I.A. continua a ser a procura do modo como os seres humanos pensam, com o objetivo de modelizar esse pensamento em processos computacionais, tentando assim construir um corpo de explicações algorítmicas dos processos mentais humanos. É isto o que distingue a I.A. dos outros campos de saber, ela coloca a ênfase na elaboração de teorias e modelos da Inteligência como programas de computador.”Terry Winograd http://www.citi.pt/educacao_final/trab_final_inteligencia_artificial/ia.html

Estamos a falar de um processo científico que sofreu um desenvolvimento exponencial na última década e meia.

Para que possamos compreender, por comparação, a capacidade computacional Humana com a atual capacidade computacional, vou transcrever uma parte de um artigo científico, intitulado “REDES NEURAIS: O Cérebro Humano Simulado Por Um Computador”, publicado em Abril de 2015 numa revista da especialidade, ‘Nanocell News’ pelos autores Danilo Luna Campos, Guilherme Shigueto Vilar Higa, Alexandre Hiroaki Kihara e Vera Paschon http://www.institutonanocell.org.br/redes-neurais-o-cerebro-humano-simulado-por-um-computador/.

“Apesar dos trabalhos citados demonstrarem o avanço da reprodução do processamento das redes neurais, estudos atuais demonstram o quão distante as máquinas estão da capacidade biológica humana. Hans Moravec, em 1998, publicou um estudo avaliando a habilidade da retina em processar o equivalente a 10 imagens de 1 milhão de pontos por segundo. Ao comparar o volume de neurônios da retina com o volume de neurônios no resto do corpo foi possível induzir que o cérebro possui 100 milhões de MIPS (milhões de instruções computacionais por segundo), tal valor é equivalente a 16,8 mil GHz, número 564 vezes maior do que os 3,33 Ghz disponibilizados pelo bom processador Intel Core i7 Extreme Edition 3960X [6].

Outra pesquisa publicada pelo professor Paul Reber na revista Scientific American, buscou quantificar a memória humana. Foi demonstrado que o cérebro humano possui uma capacidade de armazenamento que gira em torno de 2,5 petabytes (1 milhão de gibabytes), equivalente a 5.000 placas de HD de 500 Gb que costumam ser comercializadas para computadores [7].

Seguindo o raciocínio acima, seria possível comprar um cérebro computacional equivalente ao cérebro humano, se você, caro leitor, for um bilionário. Porém, outros estudos relatam que a energia necessária para fazer com que esse computador funcionasse seria tão elevada, que uma usina hidrelétrica de médio porte precisaria ser construída para abastecê-lo. Além disso, esse sistema iria se aquecer constantemente a ponto de requisitar um cooler que poderia ter o tamanho de uma cidade [8].

Mesmo assim, alguns pesquisadores da União Europeia, a exemplo do neurocientista Henry Markram, continuam em busca de conhecimentos e possíveis aplicações práticas para a simulação de redes neurais.

Nesse contexto, o Human Brain Project tem tentado o feito ambicioso de construir um computador capaz de imitar um encéfalo humano. Esse projeto começou a ser desenvolvido em 2013 e deve perdurar por 10 anos estudando mecanismos capazes de produzir um cérebro virtual completo com quase 100 bilhões de neurônios e 100 trilhões de sinapses. Para isso, há um investimento de 1,19 bilhões de euros, além de um esforço de 135 instituições de 26 países distintos e mais de 7.000 profissionais [9].

Vale ressaltar, ainda, que de forma geral os estudos das redes neurais ampliam o conhecimento teórico, aprimorando a compreensão do funcionamento do sistema nervoso, assim como possibilitam a melhoria de aplicações fundamentais no cotidiano da população, a exemplo da neurofarmacologia, que simula o efeito de drogas sobre o sistema nervoso central. Outra vantagem da neurociência computacional é a redução do uso de animais de laboratório e a validação de experimentos biológicos.”

Neste contexto, podemos perceber que o Homem ainda está longe de conseguir reproduzir uma máquina Inteligente nos próximos anos. No entanto, como o avanço científico tem um ritmo exponencial de desenvolvimento nesta área, rapidamente o Homem, motivado por outros interesses para além dos científicos, conseguirá atingir o seu objetivo de construir um Robot com capacidades inteligentes, apesar de limitado pela Inteligência Artificial.

Mas a INTELIGÊNCIA não está limitada à sua dimensão Racional, que constitui o universo da Inteligência Artificial. A INTELIGÊNCIA HUMANA possui uma dimensão bem maior e multifacetada que não devemos descurar em nenhuma situação.

Para podermos avaliar essa dimensão, vou transcrever uma parte de um texto, escrito por Angela Alem, intitulado “EVOLUÇÃO DA HUMANIDADE??? – Não há loucura pior do que o SISTEMA ATUAL!!!” https://angelaalem.wordpress.com/2015/07/24/evolucao-da-humanidade-nao-ha-loucura-pior-do-que-o-sistema-atual/

“A Humanidade ainda não aprendeu a mudar o seu jeito de Raciocinar, ainda leva em conta apenas seu QI (Quociente Intelectual), deixando de lado seu QE (Quociente Emocional). E nem se lembrando que também precisa aprender a lidar com o seu QS (Quociente Espiritual) – que Nada Tem a Ver com Religião. Enquanto não soubermos ‘interligar’ esses 3 tipos de Inteligência, nossa tendência será permanecermos ‘estacionados no mesmo lugar. E NÃO HAVERÁ chance para evoluirmos, pois a INTELIGÊNCIA REAL, será a única capaz de trazer a Paz e Harmonia entre as diferentes pessoas e nações. E nosso mundo só conhecerá tipos comuns de Inteligências isoladas, que nada são umas sem as outras. Por melhor que possam parecer, os indivíduos que apresentam as melhores inteligências só são melhores porque já fazem esta interligação entre as 3 Inteligências – e por isso são ainda “exceções à regra”. É preciso que se mude esta estatística mental Urgente.”

“O Desenvolvimento da nossa Mente é construído pelo Entrelaçamento das 3 Inteligências [Inteligência Racional (QI) + Inteligência Emocional (QE) + Inteligência Espiritual (QS)]. A descoberta dessas várias Inteligências só aconteceu porque a Inteligência Racional (QI), sozinha, não deu conta de explicar ou compreender as outras manifestações. Só quando estão todas interligadas é que a Real e Completa INTELIGÊNCIA se dá a conhecer, através da Criatividade que abre espaço ao surgimento das Diferentes Interpretações das mesmas coisas e nos permite, também, alcançar a Compreensão e Consciência Individual de quem somos, a que viemos e que, por sua vez, evolui para a sua ampliação e aprofundamento como Consciência Coletiva, levando-nos a alcançar a Realização e Felicidade. Só através da manifestação dessa INTELIGÊNCIA HOLÍSTICA podemos ter certeza de que alcançamos a Verdadeira Evolução Humana.”Angela Alem.

Por aqui podemos verificar que a INTELIGÊNCIA HUMANA é uma Inteligência Holística com uma dimensão universal e biológica, que só um Humano conseguirá reproduzir em si mesmo num corpo Humano.

Ou seja, “INTELIGÊNCIA HOLÍSTICA é, portanto, a Capacidade de DESCOBRIR que Tudo está em constante ‘relação’ e, assim, pode Ser Modificado.”Angela Alem.

Quero aqui salientar que esta área da Inteligência Artificial sempre me fascinou, desde os meus tempos de investigador, no Instituto Gulbenkian de Ciência, nas áreas da Bioquímica do Sistema Nervoso Central, Neurofarmacologia e Neurofisiologia. O fascínio resultava dos processos computacionais e de programação necessários para recrear um sistema inteligente.

Sempre pensei na Inteligência Artificial como cooperativa e potenciadora de atividade e não como uma possibilidade de substituir Seres Humanos nas suas atividades.

O problema do Homem é não ser capaz de resistir à tentação de recrear clones Humanos programáveis, em vez de investir tempo e dinheiro em aumentar as capacidades de outros Humanos através da Educação e de atividades que o desenvolvam como Ser Humano com Valores.

Mais recentemente, foi realizado um estudo pela empresa de recrutamento profissional Expert Market, “… que revela que 70% dos 200 gestores séniores inquiridos considerariam a possibilidade de utilizar um robô na sua equipa. O mais preocupante é que quase metade dos gestores não sentiria culpa em substituir um funcionário humano por um autómato. Apenas 15% dos gestores entrevistados mostraram preocupação com a possibilidade de os robôs “dominarem” o mundo.”Diário Económico de 23 de Julho de 2015 (por Rita Paz). “Muitos gestores não se mostraram preocupados com a possibilidade de trocar a sua força de trabalho humana por máquinas, o que levou à conclusão de que, para permanecer “à prova de futuro”, os profissionais devem melhorar as suas competências”, pode ler-se neste estudo da Expert Market.

Com Gestores deste ‘calibre’ é normal qualquer Cidadão ficar preocupado.

Estamos numa fase do desenvolvimento da Inteligência Artificial em que várias entidades e Pessoas de renome, competentes nas suas áreas de investigação e atividade, se insurgem com determinadas linhas de exploração desta Inteligência, como um negócio, que poderão mudar o sentido do Poder e da Submissão sobre Seres Humanos.

Quando pensamos que atualmente já existem, em todo o mundo (dito racional), 96 milhões de Pessoas sujeitas a escravidão Humana, não será difícil de imaginarmos outros tipos de escravatura. Aliás o problema estará sempre centrado no Homem, é ele que detém o Poder de escravizar ou libertar. Infelizmente ainda existem muitos com tendências escravizantes.

Elevar um ‘boneco animado’, com uma inteligência parcelar, à condição de INTELIGENTE e substituir o Ser Humano em poder decisório, pretensamente racional, é uma experimentação que causará maus resultados no relacionamento Humano. Sobretudo, introduzir esses robots humanoides em ambientes Humanos por excelência, no convívio com Seres Humanos com Inteligência Holística, será seguramente uma experiência de mau gosto e causadora de conflitos.

Nem um Humano deverá reduzir-se à condição exclusiva de racional, nem um robot conseguirá a dimensão da Inteligência Holística de um Ser Humano.

Se o Homem alguma vez conseguir produzir um robot com uma Inteligência muito próxima da Humana, e o colocar a tomar decisões, que afetarão a VIDA de Seres Humanos estará a causar uma cisão relacional entre os produtores desse robot e o grupo de Humanos afetados.

Considero esta atitude prepotente uma monumental falta de Inteligência e uma provocação apenas digna de um Ditador dominador.

Comungo das preocupações do astrofísico britânico Stephen Hawking e do empresário (e bilionário) americano Elon Musk, quando afirmam que o desenvolvimento da inteligência artificial poderá significar o fim da humanidade.

Entre Humanos, já temos suficientes problemas de relacionamento (mal resolvidos, ou com soluções duvidosas) pelo facto de não transmitirmos Valores educacionais, que se desenvolverão como Valores Humanos e se consolidarão num Valor Humano com caráter, personalidade e capacidades de inter-relacionamento globais e pacíficas. Quanto mais criarmos mais um foco de discórdia com uma entidade pseudo inteligente a tomar decisões que competem aos Humanos em ambiente Humano.

Não seria preferível investir em Educação de Excelência para Humanos, em níveis mais ambiciosos e alargados a um maior número de Educandos?

Concordo que os robots com inteligência artificial poderão ser muito úteis em ambientes hostis ao Ser Humano, ou, em locais onde o Ser Humano não possa aceder para tomar uma decisão. Por exemplo, no caso de uma viagem espacial de longa duração, não tripulada, onde um Humano não conseguiria resistir e conservar a sua integridade inteligente, justifica-se a utilização de robots dotados dessa inteligência para tomarem decisões, como se fossem Humanos, e fornecerem elementos e dados importantíssimos para o Conhecimento Humano.

Devemos dar a devida atenção às palavras sábias do astrofísico Stephen Hawking: “As formas primitivas de inteligência artificial que temos já se mostraram muito úteis. Mas eu penso que o desenvolvimento de uma inteligência artificial completa poderia acabar com a raça humana”. O professor acrescenta ainda, que “assim que os humanos desenvolverem a inteligência artificial, esta iria descolar sozinha, e redefinir-se cada vez mais rápido”. “Os humanos, limitados por uma lenta evolução biológica, não seriam capazes de competir e seriam ultrapassados”.

Caberá a TODOS NÓS perguntarmos e refletirmos que Evolução queremos ter e qual o ritmo que lhe devemos imprimir, de modo a consolidarmos e darmos a devida coerência Humana à nossa existência como única espécie INTELIGENTE neste Planeta.

Evolucao9

O Homem têm muito para aprender na sua dimensão Holística e aumentar a sua capacidade de convívio Humano, encaminhando-se cada vez mais para um Valor Humano com competências de inter-relacionamento significativas, para que a nossa VIDA seja digna de Seres Humanos.

Ceder levianamente a ‘soberania’ Humana a uma máquina que passará a dizer-nos o que fazer e como fazer, apenas para ‘tranquilidade’ de alguns gestores, menos competentes em gerir Pessoas de verdade, parece-me um mau procedimento de gestão.

O Leitor já imaginou um País com uma taxa de desemprego de 80%? Então imagine todos os Call Centers a funcionar com robots dotados com inteligência artificial. Ou, todas as Lojas do Cidadão nesse novo estilo. Ou, todo o atendimento Público Administrativo, Estatal ou Empresarial. Agora imagine um Cidadão iletrado, ou, com poucos conhecimentos, com dificuldade de se expressar para se fazer entender sobre o assunto que pretende tratar, a falar com um robot dotado de Inteligência Artificial, mas sem inteligência emocional. Deverá ser um diálogo digno de um filme cómico ou trágico-cómico.

Peço, ainda, ao Leitor que imagine a situação previsível de ter a Bolsa de Valores de Nova Iorque (ou outra qualquer, noutra parte do mundo) a funcionar com um sistema completamente gerido por Inteligência Artificial. Se atualmente já podemos verificar e sentir os ‘desmandos’ do sistema financeiro e as consequências nefastas que tem sobre os Seres Humanos, imaginem como seria este sistema controlado por uma entidade programada para maximizar os lucros financeiros, sem uma ética transparente de atuação!

Este artigo de opinião tem por objetivo despertar no Leitor a consciência desta situação e prepará-lo para acompanhar este tema nas próximas décadas.

Em meu modesto entendimento ‘Inteligência Artificial não possui Valor Humano!’. Para obter Valor Humano o Homem tem de empenhar-se na construção de um Ser com Inteligência Holística que lhe permita relacionar-se em Sociedade de forma exemplar.

Alfredo Sá Almeida                                                                                       25 de Julho de 2015

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O Homem e o sentido da vida

Sentido da vida3

Para o Homem, aquilo a que chamamos de Vida é um complexo sistema coerente de reações bioquímicas (500 quatriliões por segundo), que se realizam na interação de 100 triliões de células do nosso corpo e que só o Homem conhece e desbrava. Só ele sabe que um dia essa sua vida terá um fim. Mais nenhum outro animal neste planeta tem essa consciência.

Conhecimento e Consciência são matérias que o Homem aprendeu a dar corpo e virtualidade no seu percurso vital. A estas ele atribui uma coerência que lhe faz sentido e que tem um Valor.

No seu percurso evolutivo, ao longo dos últimos cerca de 160.000 anos da sua existência, o Homem aprendeu a adaptar-se e a mudar o rumo da sua vida, consoante as suas necessidades vitais. Primeiro como nómada depois como sedentário, sempre soube qual seria o seu papel em Sociedade e qual o Futuro que pretendia construir.

Ao longo deste período de tempo o Homem rapidamente compreendeu que o seu sentido de vida era elevar-se espiritualmente como forma de perpetuar a sua curta vivência individual.

Compreendeu igualmente, que tinha várias opções, quer a nível individual quer coletivo, para que essa espiritualidade tivesse o Valor que pretendia.

Aprendeu a moldar a sua curiosidade para construir, criar, inovar, investigar, inventar, melhorar, desenvolver e planear, ao ponto de se esquecer de si próprio e dos que estão à sua volta para se conseguir elevar de modo a que os demais dessem conta e lhe atribuíssem um Valor tal, que lhe permitisse prolongar a sua vida para além da morte.

Eis-nos chegados a uma encruzilhada, onde o conhecimento estruturado científico, empírico, conceptual real e virtual, construído nos últimos 150 anos da vida do Homem, irá exigir de TODOS nós, uma coragem e capacidades (racionais, emocionais e espirituais) para encontrar um novo rumo para a Humanidade em equilíbrio com a Biosfera que habitamos.

Esta encruzilhada faz-me lembrar o resultado da colisão de partículas num ciclotrão, provocando uma dispersão errática de subpartículas. Desta resulta uma energia que pode ser aproveitada em nosso benefício.

Estamos num momento da vida da nossa espécie em que necessitamos de realizar o processo inverso ao da colisão de partículas. Ou seja, utilizar todas as nossas boas energias vitais para encontrar um novo rumo para o Coletivo de Seres Humanos, que faça sentido consciente para TODOS nós, como espécie, mas que faça igualmente sentido para TODAS as outras espécies de seres vivos deste nosso planeta, para o qual temos a responsabilidade de o tornar sustentável para TODA A VIDA, sem o egocentrismo que nos caracterizou.

Ego vs Nature

Alfredo Sá Almeida                                                                                                                                       16 de Julho de 2015

A crise da Consciência

Crise de Consciencia

Esta é uma crise na consciência individual e coletiva.
A construção de um novo paradigma para a Sociedade do Futuro vai depender da coesão de uma nova consciência coletiva, que vai ganhando coerência à medida que o caminho vai sendo construído.
Saibamos honrar a inteligência de Seres Humanos com Valores na construção do Futuro da Humanidade.

Alfredo Sá Almeida                                                                                                              15 de Julho de 2015

A violência da Sociedade atual

Raiva

Recentemente, em conversa com um amigo, falávamos da raiva, rancor e ódio que caracterizam extratos da Sociedade atual, quer seja nas conversas, em opiniões emitidas nas redes sociais ou nas ações praticadas por uma ou mais Pessoas sobre outras. Esse amigo mencionava-me, com tristeza, o desconforto e a angústia que sentia por estar a assistir, impotente, a esta tragédia.

Infelizmente, esta é uma triste realidade por ausência constante de Valores Humanos no relacionamento e na vivência do dia-a-dia da Sociedade.

No meu livro “Despertar para o Futuro” tive o cuidado de escrever, num texto intitulado ‘O Futuro das Emoções’ [Também publicado na Revista INSIGHTS, nº2 pag’s 30-31 (2013)] o seguinte:

“Das cinco emoções consideradas básicas, definidas por Eric Berne, duas podem ser consideradas positivas, o Amor e a Alegria, enquanto outras duas, a Raiva e a Tristeza, podem ser consideradas negativas, e, uma, o Medo, pode corresponder a uma atitude de defesa e preservação da integridade. Todas as emoções são referenciais de enorme amplitude. Nas duas primeiras a variação pode oscilar entre a satisfação e o êxtase. Na Tristeza podemos verificar sentimentos de desapontamento até ao desespero. Enquanto na Raiva as oscilações emocionais vão do descontentamento ao ódio. Já no Medo observamos oscilações entre a timidez e o terror. Em todas elas todos os Seres Humanos possuem uma ‘programação’ genética inerente às emoções básicas.

Por outro lado, estas emoções básicas são independentes do sexo mas o desenvolvimento emocional é influenciado pela hereditariedade e pela aprendizagem. O que significa que cada um de nós sofre uma enorme influência familiar e educacional na modelação das emoções.” – Alfredo Sá Almeida.

Os problemas relacionados com a Raiva e com o Medo no Homem são bastante complexas, dadas as más influências, com diferentes origens, e com influência geracional.

Conhecem-se as causas, verificamos com tristeza as consequências na Sociedade, e infelizmente a Educação e a Justiça (em resumo os Governos), na grande maioria dos Países, não cumprem o seu papel essencial para atenuar e resolver significativamente esta ‘praga’. Seja por ignorância, por indiferença ou incapacidade racional, o que se verifica é um atentado à Humanidade.

Destilar o ódio

O problema maior é que existem grupos de Pessoas capazes de incutir e avolumar o medo noutras mais ignorantes e desequilibradas que acaba por resultar numa expansão do ódio, com a indiferença de muitas Pessoas que deveriam ser responsáveis por evitar estes acontecimentos.

Conhecem-se as práticas desviantes, e nem sempre julgadas e tratadas convenientemente pela Sociedade, como o Bullying (seja psicológico ou físico), os casos de violência doméstica, os atentados terroristas praticados por extremistas radicais, os crimes violentos, o tráfico de drogas e a violência que lhe está inerente, as agressões constantes (de uma Sociedade mal formada) sobre os seus Cidadãos, o fanatismo religioso ou ideológico, etc.

A Sociedade tornou-se violenta por falta de referências a Valores Humanos transmitidos desde muito cedo. As práticas educativas nas Escolas e na Família não são nem se tornaram difusoras de referenciais exemplares de Valores Humanos, e a Sociedade tem vindo a degradar-se nesta questão essencial para o Homem.

A minha querida Angela Alem escreveu recentemente um texto que aflora as questões do Civismo e da Educação, num texto intitulado “Diferença entre SER CIVILIZADO e SER EDUCADO” que recomendo uma leitura atenta. (https://angelaalem.wordpress.com/2015/07/11/diferenca-entre-ser-civilizado-e-ser-educado/)

É comum vermos crianças e jovens concentrados e focados em jogos violentos no computador, ou filmes violentos, sem interferência dos Pais e em total autonomia. É comum assistirmos à demissão das Escolas e dos sistemas de ensino, na difusão pedagógica de Valores Humanos e de filosofias de caráter Humanista. É comum encontrarmos Cidadãos indiferentes perante situações aberrantes de agressão e violência, pelo receio de intervenção e pela incapacidade de saber como atuar.

Perante esta triste realidade só nos resta a atitude interventora (pela opinião e razão de causa) e esclarecida de Cidadãos conscientes e conhecedores dos Valores Humanos, como agentes de mudança, em alertas permanentes à Sociedade e às autoridades dos Países, para que atuem de forma sistemática, concertada e coerente na resolução destas aberrações Humanas.

Mas existem muitas práticas Pessoais e da Sociedade, sejam atitudes ou comportamentos, que devem ser corrigidas, sob pena de ser muito difícil de nos vermos livres da Raiva, do Medo e da Ignorância. A continuar tudo como está estamos a favorecer os grupos de Pessoas (mas não de Seres Humanos) que difundem o medo e a raiva, como modo de vida para prosperarem os seus negócios ilegais.

Não nos podemos esquecer que neste mundo globalizado existe escravidão humana sobre 96 milhões de Pessoas, para não falar nos milhões de deslocados devidos a guerras e fome nas regiões onde habitam. Todas estas tristes realidades, causadoras de indignidade humana, ajudam a alimentar a raiva e o rancor entre os Homens.

As constantes injustiças e desigualdades sociais forçadas, cometidas por Governos, pelo sistema financeiro e a ‘deseducação’ generalizada, consciente ou não, são o combustível para o desenvolvimento destas emoções negativas no Ser Humano.

Só um processo educativo de excelência Humana, para TODOS, acompanhado por um sistema judicial desenhado para uma Cidadania de Valores Humanos e não para outros valores de caráter duvidoso, seremos capazes de, com persistência e coerência, atingir níveis de VALOR HUMANO dignos de Seres Humanos.

Não podemos nem devemos ser condescendentes e tolerantes com as agressões e a violência, sob pena de sofrermos diretamente as suas consequências e de prejudicarmos seriamente as gerações futuras. Mas também não devemos descurar o importante papel (para o bem ou para o mal) que a Comunicação Social, e os Média têm para avolumar ou diminuir a difusão destas emoções Humanas negativas. Chego até a pensar que a Comunicação Social não está ao serviço dos Cidadãos mas de outros interesses mais obscuros, nesta matéria em causa.

Cabe-nos a nós Cidadãos do mundo sermos não só os agentes da mudança, mas também os agentes de pressão sobre as autoridades competentes, para contribuirmos com a diminuição significativa dos níveis de agressão e violência na nossa Sociedade. Mas temos de ser exigentes connosco e melhorarmos significativamente a nossa inteligência emocional.

Basta

Termino este texto do mesmo modo como finalizei o texto sobre o ‘O Futuro das Emoções’:

“Não consigo imaginar o Futuro sem emoções. No entanto, habituámo-nos a ver muitos Humanos sem Humanidade e muitos Homens sem Emoções dignas de nota.

Mark Twain afirmou: “Se o homem tivesse criado o homem, teria vergonha da sua obra.” Mas convém não esquecer que há muitos milénios que o Homem dá origem a outros Homens. Apesar de assistirmos ou participarmos neste complexo processo de desenvolvimento Humano, com melhorias sensíveis no novo Homem, ainda há muito por fazer e muito Futuro a desbravar.” – Alfredo Sá Almeida inDespertar para o Futuro”.

Alfredo Sá Almeida                                                                                                      12 de Julho de 2015