Como Você encara o Futuro?

Copo meio

O meu caro Leitor conhece seguramente a história do copo, utilizada pelos psicólogos para inferir se as Pessoas são otimistas ou pessimistas. “O copo está meio cheio ou meio vazio?”

Mas esta é uma pergunta tendenciosa porque introduz as palavras cheio e vazio. Ou seja, para um copo meio de água o Leitor tem de inferir se está a encher ou a esvaziar.

Na realidade o copo está sempre cheio, metade de água e a outra metade de ar.

Só tem uma maneira de saber se está meio cheio ou meio vazio, que é perguntar a quem deixou o copo nesta condição se:

  1. Estava a encher o copo com água? Ou,
  2. Estava a beber água do copo?

Só a resposta afirmativa a uma destas perguntas lhe dará a tendência de quem o deixou assim.

Com o Planeta que habitamos passa-se o mesmo problema. Vamos saber porquê!

Recentemente, veio uma notícia a público que afirma o seguinte:

“A partir de amanhã, começamos a viver acima das possibilidades da Terra”Diário de Notícias 13/08/2015.

(http://www.dn.pt/inicio/ciencia/interior.aspx?content_id=4728112)

Nesta notícia preocupante ficamos a saber que “Em oito meses, a humanidade consumiu os recursos renováveis que o planeta consegue produzir durante um ano. Depois do dia 13 de agosto, estamos a delapidar as reservas da Terra.”

É preocupante porque, A data é cada vez mais precoce: em 2005, o homem começava a explorar as reservas do planeta só a partir de setembro. Em 1975, os recursos renovados a cada ano terminavam apenas em novembro. A vertigem do consumo é cada vez maior e a humanidade, conforme indica a organização, vive cada vez mais tempo “a crédito”, com a dívida ecológica a crescer e a tomar proporções preocupantes.”

Ou seja, atualmente necessitamos de 1,6 Planetas iguais ao nosso para satisfazer os nossos desejos. Se não fizermos nada, em 2030 vamos necessitar do equivalente a dois Planetas Terra. Nem Marte nos salva.(http://climatologiageografica.com/recursos-naturais-da-terra/)

Quantas Terras para suportar Humanidade

http://climatologiageografica.com/recursos-naturais-da-terra/

Significa que não estamos a atuar de modo sustentável. Somos mais predadores que os predadores. “Humanos matam 14 vezes mais animais que outros predadores” (http://www.brasilpost.com.br/2015/08/21/humanos-predadores_n_8022968.html)

Conclusão“Se continuarmos com este ritmo de consumo, nós provavelmente iremos provocar uma crise global na Sociedade até 28 de Junho de 2030 com a produção de alimentos e a falta de água potável, com carência de abastecimento das populações.”

Se esta é a realidade, então devemos colocar algumas questões para respondermos de modo a solucionar este problema GLOBAL.

Vamos responder a estas questões, conscientes de que vamos ter de tomar decisões de acordo com as tendências atuais ou mudando significativamente o rumo da Sociedade atual de modo a tornarmo-nos Seres Humanos com maior sustentabilidade nesta Biosfera.

Muitos Cientistas acreditam que o nosso Planeta tem uma capacidade populacional máxima de cerca de 9 a 10 biliões de Seres Humanos. Mas temos de nos lembrar que se otimizarmos os recursos alimentares para satisfazer os nossos hábitos atuais, poderemos provocar uma sobrepopulação, acabar com os recursos e morrer em massa.

“Além da limitada disponibilidade de água doce, há de facto restrições sobre a quantidade de comida que a Terra pode produzir. Mesmo no caso de máximo de eficiência, em que todos os grãos cultivados fossem dedicados aos seres humanos para alimentação (em vez de gado, que é uma maneira ineficiente de converter a energia vegetal em energia alimentar), ainda há um limite.

Se todo mundo concordar em se tornar vegetariano, deixando pouco ou nada para o gado, os 1,4 bilhões de hectares de terras aráveis (3,5 bilhões de acres) suportariam cerca de 10 bilhões de pessoas”, escreveu o sociobiologista Edward O. Wilson.

“Segundo dados de 2010 da Global Footprint Network, a pegada ecológica da humanidade atingiu a marca de 2,7 hectares globais (gha) por pessoa, em 2007, para uma população mundial de 6,7 bilhões de habitantes na mesma data (segundo a ONU). Isso significa que para sustentar essa população seriam necessários 18,1 bilhões de gha. Ou seja, já ultrapassamos a capacidade de regeneração do planeta. No nível médio de consumo mundial atual, com pegada ecológica de 2,7 gha, a população mundial sustentável seria de no máximo 5 bilhões de habitantes (veja a tabela abaixo).”  (http://planetasustentavel.abril.com.br/noticia/ambiente/terra-limite-humanidade-recursos-naturais-planeta-situacao-sustentavel-637804.shtml)

Pegada ecológica

Fonte: José Eustáquio Diniz Alves, com base nos dados da Global Footprint Network 2010

“Qual é a perspectiva para as próximas décadas? De acordo com dados da Divisão de População da ONU, em 2050 a população mundial deve atingir 8 bilhões de pessoas, na projeção baixa, 9 bilhões, na projeção média, e 10 bilhões, na projeção alta. Nas previsões do FMI, a economia mundial deve crescer acima de 3,5% ao ano de 2010 a 2050. Isso significa que o PIB mundial vai dobrar a cada vinte anos ou se multiplicar por quatro até 2050. Portanto, o mais provável é que a Terra tenha mais 2 bilhões de habitantes nos próximos quarenta anos e uma economia quatro vezes maior. O planeta suporta?. Resposta: NÃO.

Assim, torna-se urgente discutir a(s) alternativa(s) do modelo para “decrescimento sustentável”, especialmente uma redução das atividades mais poluidoras, com uma mudança significativa no padrão de consumo e o avanço da Sociedade no conhecimento e na produção de bens imateriais e intangíveis.

Estaremos nós Ocidentais, dispostos a mudar os nossos hábitos de consumo e alimentação?

Esta é a questão fulcral para uma evolução da Humanidade em condições de sustentabilidade. Se pretendermos continuar como uma espécie superior, com Valor Humano, Inteligência e capacidade de desenvolvimento, TEMOS DE MUDAR JÁ OS NOSSOS HÁBITOS em todos os domínios da Vida.

Caso contrário, arriscamo-nos a criar uma situação global de tal modo insustentável que corremos o risco de desaparecer como espécie, colocando em risco grande parte da biodiversidade do nosso Planeta.

É motivo para perguntar se queremos continuar a comportar-nos como novos-ricos e a esbanjar recursos vitais, apenas para um prazer ilícito do Homem?

Por mim, considero-me um novo-pobre, mas rico em Valores Humanos, capaz de me adaptar a novas situações, onde predominem uma Inteligência e Consciência Coletivas, que nos forneçam indicações claras que estamos a caminhar sustentadamente para um Futuro melhor para TODOS.

E o meu caro Leitor quer continuar a comportar-se como novo-rico (pobre de espírito) ou como novo-pobre (rico em Valor Humano)?

Afinal, considera que o Planeta Terra está meio cheio ou meio vazio?

Alfredo Sá Almeida                                                                                                      28 de Agosto de 2015

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Cultura de Crise

Medo que o País pense

Legenda: Intelectuais e cientistas apresentaram um manifesto contra a crise, na Fundação Gulbenkian, pela afirmação da cultura, das artes e da ciência. (29/Jan./2014) – (http://www.publico.pt/culturaipsilon/noticia/contra-a-cultura-da-crise-a-cultura-da-resistencia-1621643).


Esta crise que se iniciou em 2008, como uma crise financeira global (à escala mundial), colocou a nu todas as outras crises que o mundo alimenta.

É triste verificarmos como a falta de dinheiro, que comanda a vida de muitas pessoas, tem uma capacidade de desestabilizar toda a estrutura psicológica de um Ser Humano em maior grau que muitas outras crises não monetárias.

Mas esta crise financeira global não é mais do que uma ENORME CRISE DE VALORES. E não são quaisquer Valores, são VALORES HUMANOS.

A meu ver os Valores Humanos são o núcleo interno e profundo, sem o qual todas as crises podem acontecer.

Sem a preocupação de ser exaustivo vou mencionar algumas:

  1. Crise na Educação;
  2. Crise Ambiental;
  3. Crise Cultural;
  4. Crise Política;
  5. Crise Civilizacional; etc.

Todas estas crises têm uma marcada causa Humana, pois nós somos os únicos que consumimos desenfreadamente os recursos do Planeta, para nosso proveito, e somos os únicos seres pensantes com capacidade de destruir mais que qualquer outra espécie. Somos mais especialistas em desequilibrar do que em equilíbrio dinâmico. Ao ponto de nos faltar inteligência para construir equilíbrios de desenvolvimento Humano duradouros, essenciais a uma evolução sustentada da nossa espécie com um sentido de Futuro Inteligente e longínquo.

Todos nós sabemos que caminhar para o Futuro tem um grau de incerteza natural, de quem constrói o desconhecido. Mas há algo que o Homem inteligente pode fazer, que é orientar-se para diminuir o grau de incerteza.

A grande maioria destas crises possui variadíssimas causas:

  1. Corrupção;
  2. Interesses Corporativos;
  3. Interesses Financeiros;
  4. Interesses Militares;
  5. Influências Políticas;
  6. Incompetência;
  7. Falta de regulamentação;
  8. Fraude; etc.

O Homem tornou-se especialista na Cultura do Imediatismo (http://informacaoemcena.blogspot.pt/2013/07/cultura-do-imediatismo.html) que possui uma capacidade ‘corrosiva’ em todos os domínios da Vida. Somos Seres com grande potencial inovador e de criatividade, mas não sabemos lidar com as consequências dos nossos actos. Ao ponto de nos deixarmos enredar numa sequência de acontecimentos em cascata pelo facto de aceitarmos tomar meias decisões, ou, encurtar o caminho que conduz a uma verdadeira decisão.

O Homem possui a capacidade de desenvolver procedimentos elaboradíssimos para resolver problemas, sejam de natureza social, financeira, económica, educacional, cultural, etc. mas a grande maioria das vezes os problemas ficam por resolver convenientemente. Devido a:

  1. Os procedimentos não são universais;
  2. As soluções são parcelares;
  3. Os procedimentos estão desfocados do problema;
  4. A Justiça que complementaria a boa aplicação dos procedimentos não acompanhou o processo;
  5. Uma boa parte dos intervenientes no processo estão desatentos na aplicação dos procedimentos;
  6. Os procedimentos são incompreensíveis para a maioria das Pessoas;
  7. Os interesses dos intervenientes no processo não coincidem;
  8. Existe manifesta má-fé na aplicação dos procedimentos;
  9. Quem elaborou os procedimentos tem interesses considerados privilegiados a preservar;
  10. A participação das Pessoas é diminuta;
  11. Esta lista seria interminável dada a diversidade de casos.

Deste modo, não é de estranhar que o Homem ande de crise em crise até à derrocada final, que será uma crise de proporções catastróficas. Nessa CRISE a Humanidade sofrerá um enorme revés e tenho algumas dúvidas que possamos apelidar-nos de Seres Humanos, pela total ausência de Valores.

Desenvolvemos uma Cultura de Crise de tal forma que se tornou um bom negócio, rentável para poucos.

As Sociedades atuais possuem uma agravante nestes processos – as Democracias deixaram de representar o Povo e tornaram-se Oligárquicas. O Sistema Financeiro sobrepôs-se ao Sistema Político e os Políticos passaram a ser mais representantes do sistema financeiro do que do Povo que os elegeu.

Por outro lado, não existe vontade Política para enveredar por Democracias Participativas onde se valoriza a intervenção consciente dos Cidadãos. Nem existe uma Cultura Educativa significativa que desenvolva convenientemente as capacidades das Pessoas.

Assim, tornou-se um lugar-comum falar de MUDANÇA. Mas o que verificamos é que a referida Mudança não é efetiva, dada a miríade de interesses em jogo. Então, essas mudanças são apenas parcelares, são mais pequenas crises num contexto de uma crise maior. A ‘verdadeira mudança’ tornou-se num sistema de tal modo complexo que se fica por saber:

  1. Que Futuro estamos a construir?
  2. Quem e quantas Pessoas estão envolvidas no processo?
  3. Terão TODOS as mesmas oportunidades?
  4. Existirá uma participação livre das Pessoas?
  5. Passaremos a TER maior dignidade como Seres Humanos?
  6. A Educação será finalmente elevada à posição de PRIORIDADE?
  7. Os Valores Humanos passarão a governar o relacionamento em Sociedade?

Chagámos a um ponto onde não se debatem mais as questões principais e essenciais, que afetarão a maioria das Pessoas, mas apenas e taticamente as questões acessórias, devidamente enquadradas por uma Comunicação Social, sem Responsabilidade Social, mas focada nos interesses Corporativos vigentes.

Como exemplo do que estou a falar, menciono apenas o futuro Tratado Transatlântico (The Transatlantic Trade Investment Partnership – TTIP) http://ec.europa.eu/trade/policy/in-focus/ttip/.

Estamos a perder o verdadeiro sentido do Futuro como espécie Humana e a perder Consciência Coletiva. Tornámo-nos Seres da Cultura Imediatista, potencialmente deprimidos e com falta de Inteligência para debater questões importantes e essenciais aos Seres Humanos do Futuro.

Alfredo Sá Almeida                                                                                                      25 de Agosto de 2015

A Arquitetura Humana – The Human Architecture

Valores da Arquitetura para o Futuro5

“A Arquitetura Humana é parte intrínseca do jeito de ser de cada indivíduo. Exatamente por isso precisa ser estudada e trabalhada nos diferentes aspetos que compõem a nova dinâmica do ser humano neste novo século. Trata-se do desenvolvimento do Ser Humano no espaço e no tempo onde ele se movimenta e para o qual ele precisa ser preparado para ter a autonomia competente para se sair bem no Futuro.

Arquitetura Humana engloba, o estudo do comportamento humano e/ou a somatória de informações a respeito da pessoa que deverá ser preparada para vivenciar a dinâmica da vida em sociedade, em seus diferentes aspetos e momentos, firmemente embasada em Valores, Princípios e Competências.” Angela Alem e Alfredo Sá Almeida.

*** + ***

“The Human Architecture is an intrinsic part of the way of being of each individual. Exactly so it needs to be studied and worked in different aspects that make up the new dynamics of the human being in this new century. It is the development of the Human Being in space and time in which it moves and for which he must be prepared to have the competent autonomy to do well in the Future.

Human Architecture encompasses the study of human behaviour and / or the sum of information about the person to be prepared to experience the dynamics of life in society, in its different aspects and moments, firmly grounded in Values, Principles and Skills.” Angela Alem e Alfredo Sá Almeida.

Os 3V’s que prejudicam o Valor Humano

Seguramente que estão curiosos para saber que V’s são estes! Não vou prolongar mais a vossa legítima curiosidade.

Os 3V’s aos quais me refiro são os do Vício, da Vaidade e da Vulgaridade.

São características de Seres Humanos que os diminuem e lhes retiram Valor. Vamos falar de cada um destes V’s e refletir sobre os prejuízos que causam à nossa espécie e à estrutura de qualquer Sociedade.

George Bernard Shaw dizia e bem que “Vícios são desperdícios de vida”. E não podia estar mais certo no que afirmava.

Quando pensamos na dimensão das dependências às quais o Ser Humano da atualidade se entregou, ficaremos abismados e preocupados, não só pela complexidade que estes provocam no relacionamento em Sociedade, mas também pela degradação que provocam na sua genuína estrutura.

Dada a quantidade de Vícios que existem na Sociedade atual, tenho alguma dificuldade em afirmar se serão mais que as Virtudes. Não vou mencioná-los todos para não ser cansativo e porque me poderia esquecer de algum.

Mas uma coisa é certa, todos temos consciência de que a Sociedade tem vindo a desenvolver-se de um modo descontrolado, não pelo excesso de Liberdade, mas pela falta de uma Educação dedicada a Seres Humanos racionais, com sentimentos e espiritualidade. A ausência da transmissão de Valores Humanos, de geração em geração, de forma coerente e consistente tem conduzido a um aumento desta característica catastrófica de Vícios do Homem.

Quando penso que seria bem mais fácil e proveitoso para o Homem e a Sociedade desenvolverem as Virtudes do Ser Humano, fico arrepiado só pelo vislumbre do que estamos a fazer a nós próprios. Com tantas outras catástrofes anunciadas para todo o nosso Planeta, desde o aquecimento global, às carências de água potável, às pandemias e à fome, certamente não necessitávamos dos Vícios Humanos para prejudicar ainda mais o nosso Valor.

Na realidade, Nós Seres Humanos cuidamos muito mal da VIDA.

Vicios cartoon

Há uma outra matéria que me leva a questionar, vezes e vezes sem conta, as capacidades do Homem, e está relacionada com a Vaidade.

Mas afinal de contas como pode um Ser Humano ser Vaidoso com tanto prejuízo que causa a si mesmo e à Sociedade? Só mesmo por pura inconsciência e falta de estrutura mental (caráter e personalidade) é que alguém, nos dias de hoje, numa Sociedade em crescimento e processo de globalização (comunicacional, procedimentos e normativas, conhecimentos), poderá ser Vaidoso.

A meu ver, isto vem demonstrar que o caminho que o Desenvolvimento Humano tem seguido nas últimas décadas está profundamente ERRADO e carece de uma intervenção global e muito mais inteligente, digna de Seres Humanos sábios.

Pensem bem, meus caros Leitores, sobre as frivolidades que vemos todos os dias na rua, nos meios de comunicação social (jornais, revistas, televisão, redes sociais, internet, etc.), sobre a razão de SER destas atitudes e comportamentos de Vaidade Humana. Estamos a tornar-nos numa Sociedade volátil e virtual sem sentido e sem estrutura de dignidade Humanas.

Onde está a aprendizagem e a cultura de Humildade entre Seres Humanos? Seguramente pelas ruas da amargura!

Está preocupado? É bom que esteja porque por este caminho não vamos a lado nenhum que possa ser digno do Homem.

Já não bastava o que mencionei anteriormente e ainda temos que lidar com a Vulgaridade de comportamentos e atitudes.

Dá a sensação que todos os avanços científicos, tecnológicos, sociais, civilizacionais e psicológicos que a Humanidade sofreu nos últimos 100 anos não serviram a espécie Humana, nem aumentaram a sua Inteligência Holística. Tenho até dúvidas que tenham desenvolvido a empatia em Sociedade!

Quando assistimos, impávidos e serenos, à degradação generalizada da Educação, com tanta mente esclarecida e válida na nossa Sociedade, fico apreensivo sobre se não será propositado!

Atualmente podemos verificar sem dificuldade que favorecemos, potenciamos, defendemos e cultivamos uma mediocridade e uma vulgaridade entre os Humanos. Basta olhar para o que se passa nas redes sociais para ficarmos com uma excelente amostra do que estou a falar.

Vulgar - Fernando Pessoa

De vez em quando, verificamos um despontar da cultura de Excelência, em vários domínios da Sociedade, como se fossem ilhas num mar alteroso e não desbravado de Vulgaridade e mediocridade.

Moral da história, não temos andado por bons caminhos (muitos nem sequer poderão ser considerados caminhos), mas estamos a tempo de melhorarmos como Homens, sobretudos como Seres Humanos com VALOR, e desenvolvermos de modo sistemático, coerente e consistente uma Cultura Globalizada de Valor Humano, com inteligência multifocal que permita um desenvolvimento sustentado e sustentável da espécie Humana.

Está TUDO por fazer nos domínios da Educação Global do Ser Humano. Já era tempo do Homem saber, e se por de acordo, com o que verdadeiramente quer de BOM para si e para a Sociedade, para poder transmitir às novas gerações todas as Virtudes que a Humanidade deveria cultivar espontânea e coerentemente.

O que eu desejo, sinceramente, é que cada um de Nós se torne conscientemente (consciência coletiva) mais ativo na defesa, construção e desenvolvimento de uma cultura Humana e Global, sem nos esquecermos das particularidades e especificidades de cada cultura regional, para nos tornarmos numa Sociedade plural e planetária.

Sobretudo que tenhamos a Inteligência de o fazer sem guerras e sem os interesses habituais, que mais parecem Vícios de uma Sociedade doente.

Alfredo Sá Almeida                                                                                       13 de Agosto de 2015

O Valor Humano não se coaduna com a repetição de erros!

Insanidade2

A Vida Humana é uma experiência única para cada Ser que a vive. Todos nós estaremos de acordo com esta afirmação pois ela constitui uma evidência.

Nenhum de nós nasce ensinado nas práticas de uma vida em sociedade, nem quando nasce tem a consciência da vida que vai ter nem da dimensão que ela vai atingir.

Cada um de nós gostaria de nascer num País e no seio de uma Família estruturados e com capacidades e conhecimentos que permitam um desenvolvimento Humano saudável e com perspetivas de um Futuro feliz e próspero de conhecimento e de equilíbrios emocional, social e espiritual. O desenvolvimento de uma Vida assim é indiciadora de momentos criativos, de mudanças naturais que desenvolvam mais e mais a mente de quem os vive. Em ambiente de paz social e global, poderíamos até prever uma evolução para uma mente elevada e com um Valor Humano fora do comum.

Meus caros Leitores, tudo o que eu afirmei até agora parece-vos plausível?

Para mim, afigura-se como possível mesmo que as condições de vida não sejam tão idílicas como as que mencionei. Mas para que sejam uma realidade tem de haver o desenvolvimento de um caráter e uma personalidade com Valor Humano.

Ora, esse Valor Humano só se consegue com uma Educação completa e cuidada, adaptada a toda a nova vida Humana.

Durante uma vida somos até capazes de cometer alguns erros de percurso, resultantes da vivência e da experimentação das nossas capacidades. No entanto, se esses erros não forem irreversíveis e forem acompanhados de uma introspeção corretiva e inspiradora, servirão para desenvolver um crescimento saudável e potenciador de novas experiências que consolidarão o nosso Valor como Seres de uma Sociedade globalizada, mas muito doente em muitos aspetos da VIDA.

Infelizmente, tudo o que mencionei até agora só não se torna uma realidade consistente e coerente porque a Sociedade em que vivemos vem cometendo os mesmos ERROS, vezes e vezes sem conta, como se de uma perturbação obsessivo-compulsiva se tratasse. É aqui, a meu ver, que TODOS NÓS falhamos como membros de uma Sociedade (uns mais do que outros), por não sermos capazes de corrigir BEM o rumo da Vida que desenvolvemos.

Muitos dirão, mas nós não temos o domínio de muitos aspetos da Vida, nem das interações sociais, que nos permitam corrigir o rumo dos acontecimentos! Então, muitos de nós deixam-se ‘levar’ por um ritmo de vida que lhes vai progressivamente retirando o domínio sobre essa faculdade. Assim, nunca conseguiremos o desejado domínio saudável da nossa Vida. Os erros sucedem-se e nem tempo existe para as introspeções necessárias que nos ajudem a corrigir o rumo.

Existem aqui duas grandes vertentes, Nós e a Sociedade que nos rodeia. Mas Nós somos parte integrante da Sociedade, se esta vai mal é porque Nós não intervimos adequadamente e com a sabedoria sobre o ritmo e rumo da Vida dessa Sociedade. Falta-nos eventualmente muita coisa, sejam conhecimentos ou informações, seja capacidade de discernimento e raciocínio, seja equilíbrio emocional ou inteligência social, seja caráter e personalidade interventoras, etc. Seja o que for que falte, uma coisa é certa se nada fizermos de inteligente e se não interviermos nada conseguiremos. Mesmo sabendo que poderemos cometer alguns pequenos erros, que eventualmente saberemos corrigir. Mas temos de fazer, experimentar, realizar, executar, empreender com ética e boas práticas (resultantes de uma Educação completa).

Dirão, mas isso são apenas constatações!

Serão continuamente constatações, porque não defendemos e batalhamos por uma Educação completa e de excelência para TODOS os novos Seres que começam a sua Vida! A Sociedade doente transmite-nos a doença que nos imobiliza, paralisa e molda para TUDO aquilo que não queremos, mas que alguns retiram os seus proveitos em detrimento do Valor Humano.

Para o Valor Humano se desenvolver e florescer em Sociedade, curando-a da sua doença que imobiliza e paralisa Cidadãos conscientes, temos de intervir com sabedoria, consciência coletiva e uma VONTADE de mudança coerente focada no Ser Humano e não em acessórios fúteis e sem sentido de Futuro.

Se não for assim, seremos TODOS insanos porque estamos cometendo sempre os mesmos erros esperando que os resultados dessa Sociedade sejam diferentes. Mas existem igualmente Países insanos, não só Pessoas!

Despertem meus caros Leitores, aprendam a mudar e a intervir nas mudanças que querem ver na Sociedade.

A Mudança é uma transição entre dois estados, o anterior (menos desejado) e o seguinte (mais desejado) adequado a um Futuro melhor para TODOS.

Agora, meus caros amigos vamos fazer um exercício de mudança, baseado na realidade.

Pensem nos migrantes, que por todo o mundo, colocam a sua vida em risco e a dos seus entes mais queridos, para conseguirem uma vida mais digna e melhor, atravessando fronteiras, mares, montanhas, desertos e gelo, para chegarem a um destino que lhes permitirá obter maior dignidade como Seres Humanos. Imaginem as mudanças e a motivação que são necessárias para realizar essa epopeia e a capacidade de acolhimento que os que os recebem têm que ter para que exista fraternidade.

Sobretudo, pensem nesses migrantes como se fossem vocês.

Esses migrantes FOGEM de tudo o que não presta em Sociedade. Fogem da guerra, da escravidão, da estagnação de uma Vida sem qualidade, fogem da falta de oportunidades, fogem de doenças que ninguém controla, para eles e para os seus filhos, fogem de uma Sociedade que não lhes oferece Educação, em suma, fogem de uma Sociedade doente e sem perspetivas de cura, que muitos de nós ocidentais (ditos povos civilizados) ‘alimentamos’ com os nossos maus hábitos e vícios de Vida.

Que será melhor para eles, ficar e confrontar os políticos e militares locais para melhorarem as condições de Vida, ou, deixar tudo para trás e procurar outro local onde possam ser mais felizes? Quem os pode ajudar?

Entretanto, existem políticos no ocidente que os classificam como ‘praga’, nem lhes dando uma condição Humana e que pretendem construir ‘muros’ para os impedir de passar.

Não seria preferível apoiá-los verdadeiramente nos seus Países de origem, criando Organizações paralelas?

Nós poderemos ter as soluções se agirmos concertadamente com ações concretas sobre os governos desses Países. Afinal de contas, quando se trata de interesses financeiros ou militares os Países ocidentais são capazes de impor sanções de todo o tipo sobre outros, mas quando se trata de questões humanitárias são pouco assertivos e carecem de soluções eficazes, agindo com excesso de cautela ou passivamente, preferindo construir muros ou enviar apenas ajuda alimentar e de cuidados de saúde.

CHEGA de hipocrisia e de colocar os interesses económicos, financeiros e militares acima dos supremos interesses dos Seres Humanos! O mundo globalizado necessita de atitudes e comportamentos mais inteligentes e coerentes com a Vida Humana.

Mude e permita a mudança para uma Vida melhor, mas que seja para TODOS, não só para alguns que lucram em manter esta Sociedade doente e sem perspetivas de Futuro.

Alfredo Sá Almeida                                                                                       2 de Agosto de 2015