Cultura de Crise

Medo que o País pense

Legenda: Intelectuais e cientistas apresentaram um manifesto contra a crise, na Fundação Gulbenkian, pela afirmação da cultura, das artes e da ciência. (29/Jan./2014) – (http://www.publico.pt/culturaipsilon/noticia/contra-a-cultura-da-crise-a-cultura-da-resistencia-1621643).


Esta crise que se iniciou em 2008, como uma crise financeira global (à escala mundial), colocou a nu todas as outras crises que o mundo alimenta.

É triste verificarmos como a falta de dinheiro, que comanda a vida de muitas pessoas, tem uma capacidade de desestabilizar toda a estrutura psicológica de um Ser Humano em maior grau que muitas outras crises não monetárias.

Mas esta crise financeira global não é mais do que uma ENORME CRISE DE VALORES. E não são quaisquer Valores, são VALORES HUMANOS.

A meu ver os Valores Humanos são o núcleo interno e profundo, sem o qual todas as crises podem acontecer.

Sem a preocupação de ser exaustivo vou mencionar algumas:

  1. Crise na Educação;
  2. Crise Ambiental;
  3. Crise Cultural;
  4. Crise Política;
  5. Crise Civilizacional; etc.

Todas estas crises têm uma marcada causa Humana, pois nós somos os únicos que consumimos desenfreadamente os recursos do Planeta, para nosso proveito, e somos os únicos seres pensantes com capacidade de destruir mais que qualquer outra espécie. Somos mais especialistas em desequilibrar do que em equilíbrio dinâmico. Ao ponto de nos faltar inteligência para construir equilíbrios de desenvolvimento Humano duradouros, essenciais a uma evolução sustentada da nossa espécie com um sentido de Futuro Inteligente e longínquo.

Todos nós sabemos que caminhar para o Futuro tem um grau de incerteza natural, de quem constrói o desconhecido. Mas há algo que o Homem inteligente pode fazer, que é orientar-se para diminuir o grau de incerteza.

A grande maioria destas crises possui variadíssimas causas:

  1. Corrupção;
  2. Interesses Corporativos;
  3. Interesses Financeiros;
  4. Interesses Militares;
  5. Influências Políticas;
  6. Incompetência;
  7. Falta de regulamentação;
  8. Fraude; etc.

O Homem tornou-se especialista na Cultura do Imediatismo (http://informacaoemcena.blogspot.pt/2013/07/cultura-do-imediatismo.html) que possui uma capacidade ‘corrosiva’ em todos os domínios da Vida. Somos Seres com grande potencial inovador e de criatividade, mas não sabemos lidar com as consequências dos nossos actos. Ao ponto de nos deixarmos enredar numa sequência de acontecimentos em cascata pelo facto de aceitarmos tomar meias decisões, ou, encurtar o caminho que conduz a uma verdadeira decisão.

O Homem possui a capacidade de desenvolver procedimentos elaboradíssimos para resolver problemas, sejam de natureza social, financeira, económica, educacional, cultural, etc. mas a grande maioria das vezes os problemas ficam por resolver convenientemente. Devido a:

  1. Os procedimentos não são universais;
  2. As soluções são parcelares;
  3. Os procedimentos estão desfocados do problema;
  4. A Justiça que complementaria a boa aplicação dos procedimentos não acompanhou o processo;
  5. Uma boa parte dos intervenientes no processo estão desatentos na aplicação dos procedimentos;
  6. Os procedimentos são incompreensíveis para a maioria das Pessoas;
  7. Os interesses dos intervenientes no processo não coincidem;
  8. Existe manifesta má-fé na aplicação dos procedimentos;
  9. Quem elaborou os procedimentos tem interesses considerados privilegiados a preservar;
  10. A participação das Pessoas é diminuta;
  11. Esta lista seria interminável dada a diversidade de casos.

Deste modo, não é de estranhar que o Homem ande de crise em crise até à derrocada final, que será uma crise de proporções catastróficas. Nessa CRISE a Humanidade sofrerá um enorme revés e tenho algumas dúvidas que possamos apelidar-nos de Seres Humanos, pela total ausência de Valores.

Desenvolvemos uma Cultura de Crise de tal forma que se tornou um bom negócio, rentável para poucos.

As Sociedades atuais possuem uma agravante nestes processos – as Democracias deixaram de representar o Povo e tornaram-se Oligárquicas. O Sistema Financeiro sobrepôs-se ao Sistema Político e os Políticos passaram a ser mais representantes do sistema financeiro do que do Povo que os elegeu.

Por outro lado, não existe vontade Política para enveredar por Democracias Participativas onde se valoriza a intervenção consciente dos Cidadãos. Nem existe uma Cultura Educativa significativa que desenvolva convenientemente as capacidades das Pessoas.

Assim, tornou-se um lugar-comum falar de MUDANÇA. Mas o que verificamos é que a referida Mudança não é efetiva, dada a miríade de interesses em jogo. Então, essas mudanças são apenas parcelares, são mais pequenas crises num contexto de uma crise maior. A ‘verdadeira mudança’ tornou-se num sistema de tal modo complexo que se fica por saber:

  1. Que Futuro estamos a construir?
  2. Quem e quantas Pessoas estão envolvidas no processo?
  3. Terão TODOS as mesmas oportunidades?
  4. Existirá uma participação livre das Pessoas?
  5. Passaremos a TER maior dignidade como Seres Humanos?
  6. A Educação será finalmente elevada à posição de PRIORIDADE?
  7. Os Valores Humanos passarão a governar o relacionamento em Sociedade?

Chagámos a um ponto onde não se debatem mais as questões principais e essenciais, que afetarão a maioria das Pessoas, mas apenas e taticamente as questões acessórias, devidamente enquadradas por uma Comunicação Social, sem Responsabilidade Social, mas focada nos interesses Corporativos vigentes.

Como exemplo do que estou a falar, menciono apenas o futuro Tratado Transatlântico (The Transatlantic Trade Investment Partnership – TTIP) http://ec.europa.eu/trade/policy/in-focus/ttip/.

Estamos a perder o verdadeiro sentido do Futuro como espécie Humana e a perder Consciência Coletiva. Tornámo-nos Seres da Cultura Imediatista, potencialmente deprimidos e com falta de Inteligência para debater questões importantes e essenciais aos Seres Humanos do Futuro.

Alfredo Sá Almeida                                                                                                      25 de Agosto de 2015

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3 thoughts on “Cultura de Crise

  1. Realmente, a crise tem várias faces.

    Acredito que a base de tudo seja a educação.
    Portanto, todo professor deveria ser valorizado, até mais que um presidente.

    Com sua licença, compartilho um artigo que escrevi sobre o assunto:
    https://lucaspalhao.wordpress.com/2015/08/20/manifesto-de-um-professor-quase-desiludido-parte-1/

    Seu artigo é excelente para abrir os olhos daqueles que ainda não percebem.
    Obrigado por compartilhá-lo.

    Um abraço,
    Lucas Palhão.

    • Tem toda a razão, caro amigo Lucas Palhão, o Professor é a profissão das profissões e assim deveria ser considerada. Infelizmente os Estados não lhe atribuem a dignidade que merece ter, nem a Educação tem a prioridade e consideração da excelência.
      Grato pela sua apreciação e partilha deste meu texto. Sinta-se à vontade para compartilhar os meus textos.
      Um abraço amigo,
      Alfredo Sá Almeida

  2. Pingback: Títulos dos Textos publicados no Blog | Valor Humano

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