A Dinâmica entre Valores e Direitos Humanos

Direitos Humanos1

Texto extraído do meu livro “Despertar para o Futuro” (publicado em 2014), que faz todo o sentido neste novo tema que tenho desenvolvido (“Valor Humano“) e que será objeto do meu próximo livro. Espero que gostem.

“Vivemos num mundo paradoxal, onde se torna legítimo questionar se existe um verdadeiro desígnio para a boa vontade Humana.

Na sequência das atrocidades e abalados pela barbárie cometida pelos Homens durante a Segunda Guerra Mundial, que quase fez ruir os alicerces do Humanismo, os dirigentes das Nações que emergiram como potências no período pós-guerra decidiram promover a Paz e a Democracia com o fortalecimento dos Direitos Humanos.

Nesse sentido, surge em 1948, sob a égide da Organização das Nações Unidas “A Declaração Universal dos Direitos Humanos, que delineia os direitos humanos básicos”. Esta resolução (A/RES/217) foi adotada pela ONU em 10 de Dezembro de 1948. (https://dre.pt/comum/html/legis/dudh.html)

“Embora não seja um documento que representa obrigatoriedade legal, serviu como base para os dois tratados sobre Direitos Humanos da ONU, com força legal, o Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos, e o Pacto Internacional sobre os Direitos Económicos, Sociais e Culturais.”

Todas as Pessoas no Mundo, Homens de boa vontade, ficaram com a esperança fundada que os valores da PAZ e DEMOCRACIA seriam, a partir de então, os marcos universais que impulsionariam os Valores Humanos e um verdadeiro Desenvolvimento Humano.

Passados 66 anos, deste importante evento, verificamos com tristeza que os Direitos Humanos, apesar de terem sido subscritos por uma grande maioria dos Países que integram a ONU, não deram origem a uma dinâmica continuada de desenvolvimento de Valores Humanos, pelas Populações desses Países.

Em vez disso, assistimos ao proliferar da arrogância e da indiferença para fazer valer Vontades com Valores distintos dos Humanos. A ponto de as fazerem valer pela força das armas ou pela agressividade das atitudes e comportamentos, impondo soluções e desrespeitando a vontade das Pessoas no seu Coletivo genuíno.

De modo suave e paulatino foram sendo implementadas soluções civilizacionais que possuem mais características de alienação Humana do que, verdadeiramente de sentido Humano com Valor.

Para mim, os Valores Humanos são os alicerces essenciais do caráter e personalidade do Homem. Os Direitos Humanos são uma orientação reconhecida globalmente como importante para as atitudes e comportamentos do Homem em Sociedade.

“Os Valores Humanos [Amor, Altruísmo, Amizade, Bem Comum, Cidadania, Civilização, Civismo, Comunidade, Consciência, Cultura, Dignidade, Educação, Esperança, Ética, Felicidade, Humanização, Idealismo, Igualdade, Justiça, Liberdade] – (http://www.escoladecidadania.org/) mesmo em Pessoas nos estágios mais baixos de desenvolvimento psicológico, devem ser aplicados ao longo da escolaridade das crianças e dos jovens de todas as Nações. O caráter universal e global destes são fundamentais para todas as mudanças de paradigmas civilizacionais no Futuro. Sem eles o VALOR do Homem ficará amputado e desviado do verdadeiro sentido da sua VIDA.” – Alfredo Sá Almeida in ‘Consciência de Futuro Coletivo’.

É impossível imaginar um Futuro Global sem Valores e sem Direitos Humanos.

Todos nós temos vindo a acompanhar os constantes atropelos e desrespeito pelos mais elementares Direitos Humanos, levando-nos a questionar se o Homem consegue ter desígnios de Ser Humano. Mas também verificamos um abandono educacional ‘monstruoso’ do ensino e prática dos Valores Humanos em todas as faixas etárias das Populações, seja em Países designados de ricos ou pobres.

Por outro lado, os sistemas Educacionais oficiais dos Países têm estado a afastar-se, cada vez mais, daquilo a que podemos chamar de desígnios plausíveis do Futuro, encontrando-se presentemente divorciados do Futuro da Humanidade. Este facto só pode representar uma falta gritante de sentido de Humanidade e do que representa o Ser Humano, na sua verdadeira dimensão cultural, social e racional.

A meu ver, esta realidade deve-se a uma falta de estratégia pedagógica universal que oriente os Educadores para a importância e Valor do Ser Humano para o equilíbrio da sua espécie e da sustentabilidade da Biosfera.

O Mundo atual de 7 biliões de habitantes Humanos é caracterizado por uma diversidade cultural, social e política, com cerca de 6900 idiomas, em estados de desenvolvimento distintos, onde a raiz dos Valores Humanos é a mesma independentemente da latitude e longitude desses Humanos.

De acordo com a Unesco, para passar de uma geração a outra (25 anos), uma língua precisa ser falada por pelo menos 100 mil nativos. Pois bem, o mesmo se pode aplicar à passagem do testemunho de Valores Humanos, seja pela teoria ou pela prática continuada. Caso não o façamos esses Valores acabam por perder-se.

Só faz sentido apelidarmo-nos de Seres Humanos se integrarmos os Valores respetivos, caso contrário seremos elementos vivos da Biosfera sem o consequente caráter.

Todos nós temos consciência que o grau de desenvolvimento das Populações, coadjuvado pela sua Educação, é determinante para uma melhor prática social. O Índice de Desenvolvimento Humano (aplicado em 187 Países e territórios) do Relatório de 2013 revela ganhos significativos desde 2000 na maioria dos países do Sul (http://hdr.undp.org/sites/default/files/pr2-hdi-2013hdr-port.pdf).

O que podemos constatar é que todos os Seres Humanos merecem uma educação de qualidade. No entanto, atualmente cerca de 62 milhões de crianças e 759 milhões de adultos não têm acesso a esse direito. Para eliminar essa lacuna, são necessários mais 18 milhões de professores em todo o mundo para se atingir o ensino primário universal até 2015.

http://www.educacaoparatodos.org/index.php?option=com_content&view=article&id=6&Itemid=7

Assim sendo, é legítimo que cada Cidadão do mundo pergunte às respetivas Autoridades de seus Países ‘O que é que cada Estado tem feito em prol de Valores e Direitos Humanos’?

Seria importante, senão fundamental, criar uma dinâmica em cada País, quer através dos Sistemas Educacionais quer através da Sociedade Civil, de modo a desenvolver uma avaliação constante (com indicadores funcionais) dos avanços de Valores vs Direitos, e, como esses dois ‘marcos’ se conjugam para uma harmonia Humana.

Sem uma dinâmica e estratégia pedagógica global, temo que Valores e Direitos Humanos possam esfumar-se em características voláteis de Seres descaracterizados da Biosfera.”

Alfredo Sá Almeida                                                                     12 de Maio de 2014

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