Privilégios pessoais não acrescentam Valor Humano!

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Na Sociedade atual quem exerce o Poder (seja político, financeiro ou empresarial), habituou-se a uma miríade de privilégios que acabam por distorcer a natureza de Cidadania. Desenvolveu-se o mau hábito que transforma Cidadãos normais em Cidadãos privilegiados.

Numa Sociedade de Valor Humano, como eu venho defendendo, só os Cidadãos de maior Valor exercem os cargos de Poder. Significa isto que para deter maior Valor tem de demonstrar ao longo da vida o verdadeiro Valor Humano acrescido que o torna um Cidadão especial.

Esta, entre muitas outras, é uma vantagem da Sociedade de Valor Humano sobre aquela a que nos habituaram. Ninguém necessita de privilégios, ou prerrogativas especiais, para demonstrar o seu Valor como Pessoa ou como Cidadão. TODOS terão igualdade de oportunidades e condições de Educação de excelência, durante o mesmo período de tempo para demonstrarem o seu Valor. Depois caberá a cada um desenvolver-se, de acordo com a sua consciência, para atingir os seus desígnios Pessoais no TODO Global. Mas em todo o processo a Pessoa deve demonstrar o seu Valor para tal.

Vou lembrar aos meus Leitores o significado de PRIVILÉGIO para nos sintonizarmos nesta problemática. Assim, Privilégio (Dicionário Priberam da Língua Portuguesa) (latim privilegium; lei de exceção, favor) significa:

  1. Direito ou vantagem concedido a alguém, com exclusão de outros;
  2. Bem ou coisa a que poucos têm acesso;
  3. Permissão especial;
  4. Imunidade, prerrogativa.

Afinal, se olharmos para História ‘com olhos de ver’, verificaremos que os privilégios foram sendo criados para justificar algo que de outro modo não se poderia justificar. Em resumo, significa uma falta de Inteligência apenas para justificar o Poder. Chegou-se ao cúmulo de quem não tem privilégios não tem Poder.

Ou seja, o Poder está distorcido de modo a favorecer determinadas Pessoas em detrimento de outras. Ou se é eleito, ou se tem o privilégio de ser indicado para colaborar com o Poder. O Valor fica desvanecido, ou praticamente ausente, consoante as circunstâncias. Neste caso, basta cumprir as ‘ordens’ que tudo ficará resolvido.

Quando os desígnios são claros e abrangentes deveríamos saber que só uma Personalidade com o Valor adequado saberá conduzir os processos para os atingir, sem necessitar de privilégios para demonstrar o Valor do seu Poder.

Infelizmente há aqueles que pensam serem detentores de um Valor inatingível e impercetível que só eles serão capazes de resolver a situação. Mas vão necessitar de privilégios para se imporem aos outros.

Privilege

Nesta nossa Sociedade desequilibrada, verificamos essencialmente dois tipos de privilégios: os Lícitos e os Ilícitos.

No caso dos privilégios ilícitos, vale tudo (até ‘tirar olhos’) para demonstrar que detém o poder (a qualquer custo). Neste caso estamos no domínio do obscuro e da prepotência, desconhecido para a grande maioria, porque o segredo é a ‘Alma do negócio’. Ora um Poder com estas características não inspira nenhuma confiança nem credibilidade.

Para evitar estas arbitrariedades, a Pessoa deve aceitar naturalmente ser avaliada (diferente de ser julgada) pelos seus pares, para poder argumentar e demonstrar o seu Valor Humano, que justifica a posição que ocupa no conjunto Global.

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Chegámos a um ponto, nesta nossa Sociedade Global, que andamos de desigualdade em desigualdade (privilégio em privilégio) até à derrocada final. Aí chegados será o desastre total, onde os inocentes e os desprevenidos vão pagar a fatura dos erros sistemáticos destes ‘iluminados’.

Quem, verdadeiramente, tem Valor Humano não necessita de mais nada para se impor naturalmente como Líder para exercer o Poder, pois todos os Cidadãos saberão que estão a ser bem conduzidos para os desígnios que também eles colaboraram na sua construção. A relação de Poder e Cidadania estarão devidamente coesos, no mesmo referencial de Valor Humano.

 

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Alfredo Sá Almeida                                                                                         22 de Março de 2016

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Uma Sociedade de Valor Humano contribui para a Felicidade Social

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Uma Sociedade de Valor Humano, tal como a caracterizei no meu texto “Características de uma Sociedade baseada no Valor Humano” (https://saalmeida.wordpress.com/2015/04/16/caracteristicas-de-uma-sociedade-baseada-no-valor-humano/), possui todos os ‘ingredientes’ e uma contribuição significativa para a Felicidade Social.

Este tema da Felicidade Social começou a ganhar dimensão dadas as pressões e à crise generalizada de Valores a que as Pessoas têm sido submetidas, nesta nossa Sociedade agressiva e desequilibrada. De tal modo, que começou a ser objeto de teses de mestrado e doutoramento, como por exemplo o trabalho de Ana Roque Dantas “A Construção Social da Felicidade” (2012) (http://www.edi-colibri.pt/Detalhes.aspx?ItemID=1695). Nele a Editora Colibri transmite-nos “Este livro da Ana Roque, “A Construção Social da Felicidade”, é o ponto de chegada de um percurso de investigação iniciado há alguns anos no âmbito do mestrado em Sociologia, da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Ele representa o fim de uma longa etapa cientificamente muito criativa, à qual se segue um novo desafio, agora no âmbito do doutoramento ainda em curso. A questão de partida que a Ana tinha para a sua pesquisa era relativamente simples: será que a procura de felicidade é uma das condicionantes maiores da ação dos atores sociais? Se sim, então porque não procurar estudá-la de um ponto de vista sociológico?”.

A Felicidade Social não é um tema utópico, como possam pensar, ele está em desenvolvimento em alguns, poucos, Países como no caso do Reino do Butão “No Butão, país asiático, a felicidade é um direito social” (http://www.jusfoco.com.br/2014/06/no-butao-pais-asiatico-felicidade-e-um-direito-social-jus-gentium.html). Senão vejamos, “Localizado no sul da Ásia e com aproximadamente 700 mil habitantes, Butão é um reino distante, pequeno, isolado pela Cordilheira do Himalaia. A nação é considerada o país da felicidade.

Acredite, o sistema jurídico do Reino do Butão instituiu a felicidade como um direito social. O preâmbulo da Constituição da pátria budista assinala o comprometimento com a felicidade permanente das pessoas. Por sua vez, o artigo 20, do mesmo texto, afirma que é dever do governo garantir a felicidade do Estado.

O artigo 9º, da norma suprema do Butão, criou o Índice Nacional da Felicidade, almejando uma boa qualidade de vida para o povo.

Também chamado de Felicidade Interna Bruta, tal índice possui algumas variáveis básicas, são elas: Bom padrão de vida econômico, gestão equilibrada do tempo, bons critérios de governo, de administração da coisa pública, educação de qualidade, boa saúde, vitalidade comunitária, qualidade do meio ambiente, acesso à cultura e bem-estar psicológico.”

Acredito que o meu caro Leitor fique pensativo ao ler estes desígnios, tal é a disparidade de critérios com os Países Ocidentais, ditos ‘civilizados e desenvolvidos’, mas é uma realidade. Para que esta vontade se torne uma realidade basta que a Consciência e Inteligência Coletivas de um Povo construam estes alicerces.

Vamos descrever com mais pormenor este grande desígnio da Felicidade Social. No livro de Içami Tiba (2007) “Quem Ama Educa – Formando Cidadãos éticos” (Integrare Editora) o Autor transmite-nos os princípios básicos “A felicidade social considera todos os seres humanos iguais, não importa a cor, etnia, raça, credo, religião, nível social, preparo cultural, poder econômico, cargo político, fama, origem, aspeto físico, capacitação ou habilidade. A pessoa fica feliz em poder ajudar outro ser humano a ser feliz. Empenha-se em tornar este mundo melhor com pequenos gestos, desde o ato de deixar o banheiro limpo para o próximo usuário até grandes ações, como se mobilizar quando um semelhante ou um povo inteiro estiver sofrendo um revés em qualquer canto do planeta.

A pessoa que expressa felicidade social se regozija com a felicidade alheia mas também sente na alma os sofrimentos dos homens. É um ser grato, solidário e sua ligação com o próximo transcende o tempo e o espaço, superando diferenças geográficas, ideológicas, políticas, sociais e religiosas.

Tolerância, solidariedade, compaixão, sabedoria, não-violência fazem parte da felicidade social. Grandes guias religiosos foram suas expressões máximas. Se os pais começassem a ler para as crianças, desde a mais tenra infância, passagens interessantes e pitorescas dos grandes homens da humanidade e depois estimulassem um pequeno e simples debate sobre a vida deles, provavelmente elas seriam pessoas melhores para si mesmas, para a família, para a escola e futuramente para o mundo.

Não seria interessante a criança identificar o que ela fez de bom para qualquer pessoa? Incentivá-la a falar a verdade, sem exageros, e reforçar o que ela fez de positivo são medidas que não exigem tanto tempo e produzem grandes resultados: contribuem para a formação de uma boa autoestima.

Os filhos adoram saber que os pais gostam do que fazem. Se eles vivem naturalmente a felicidade social (fazer o bem, não importa a quem, e não fazer nada que possa prejudicar outras pessoas), seus filhos também a viverão.”  (https://integrareeditora.wordpress.com/2015/12/02/felicidade-social-por-icami-tiba/)

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Os Países e os seus Estados conhecem bem as boas Teorias. O problema é não saberem (ou, não querem) aplicá-las porque os desígnios que os movem são outros, que não os da Felicidade Social.

Deixo-vos com as palavras do Jurista António Marques da Silva, que em 17 de Dezembro de 2015, escreveu no Jornal Tribuna de Macau um artigo de opinião intitulado “Felicidade Social” (http://jtm.com.mo/opiniao/felicidade-social/). Recomendo que leiam o artigo completo, do qual apenas transcrevo a parte inicial “Às vezes é necessário tão pouco para sermos felizes, outras vezes não há volta a dar-lhe. Por mais que tentemos não conseguimos ‘sair da fossa’, como dizem os nossos irmãos brasileiros.

Mas não é só da felicidade individual que vos quero falar, mas sim (sobretudo) da felicidade social, ou seja, da saúde relacional social, a qual é mais do que o conjunto dos sentimentos individuais, porquanto se eleva acima da felicidade individual. Aqui importam os seres humanos globalmente considerados, iguais na sua essência, sem qualquer tipo de discriminação em razão da nacionalidade, da ascendência, da raça, do sexo, da língua, da religião ou das convicções políticas ou ideológicas, da instrução e da situação económica ou condição social (artigo 25º da Lei Básica).

A pessoa socialmente feliz procura ajudar os outros seres humanos a serem também eles felizes e luta por tornar o mundo melhor, desde os seus mais pequenos gestos até às grandes ações solidárias. Os outros, os exploradores da miséria alheia e os avarentos insaciáveis, na sua ganância, só vivem para o dinheiro (mais dinheiro, cada vez mais dinheiro, todo o dinheiro do mundo… e arredores!) e só se sentem felizes admirando os saldos das suas contas bancárias, os registos das suas propriedades e os títulos das suas ações ou ostentando, de forma obscena, as suas posses.”

Vocês não imaginam a minha Felicidade em poder transmitir-vos este tema que está em consonância com o Paradigma que tenho vindo a desenvolver, há mais de um ano, sobre o “Valor Humano”.

Uma coisa é certa, se nada fizermos para MUDAR este status quo nunca conseguiremos chegar a este desígnio.

Para aqueles Leitores mais resistentes à mudança, desejo-lhes as maiores Felicidades, pois um dia destes vão acordar e verificar que uma nova realidade, bem melhor do que aquela que vivemos, passou a vigorar em TODO o mundo.

Realidade

 

Alfredo Sá Almeida                                                                                      16 de Março de 2016

A construção de desigualdades artificiais prejudica o Valor Humano

Well-I-Left-You-Half

Há cerca de um ano escrevi um texto intitulado “Se somos todos originais porque nos comportamos como cópias?” – (https://saalmeida.wordpress.com/2015/03/21/se-somos-todos-originais-porque-nos-comportamos-como-copias/).

Nele, eu transmiti a minha tristeza perante as atitudes e comportamentos do Homem que nos conduzem a ser cópias. Afirmei: “Nascemos puros como Humanos e transformamo-nos em ‘matéria’ sem Valor Humano mas com potencial de um mercado vazio de Vida.

Se analisarmos com cuidado o Valor da Vida Humana e naquilo que nos forçaram a fazer ao longo da História do Homem, seja pela escravidão formal ou pela dissimulada de um Valor virtual, que de Humano se torna duvidoso de aceitar, verificamos que estamos longe de nos tornarmos Seres evoluídos como espécie.”

Daí que tenha decidido agora escrever sobre as desigualdades artificiais que os Homens vão construindo ao longo da vida e da sua História, que não acrescentam nada de bom ao Ser Humano.

O mundo financeiro e as economias de TODOS os Países, ou seja, o mundo do dinheiro, especializaram-se em matérias que criam desigualdades sintéticas em Seres Humanos originais.

Vou defender esta minha tese de um modo simplificado para tentar chegar a muitos Leitores com diferentes sensibilidades.

A realidade no mundo atual (https://www.youtube.com/watch?v=0xMCWr0O3Hs) sobre a distribuição de rendimentos (income) e da riqueza (wealth) pode ser traduzida pelas figuras gráficas abaixo:

Long tail of people

Ou seja, 20% das Pessoas detêm 80% da riqueza e a restante População apenas detém 20% da riqueza global.

Mas, existe uma diferença abismal entre riqueza e rendimento. Senão vejamos:

cbpp-wealth-income

Significa isto que a riqueza se encontra ainda mais concentrada que o rendimento, como se mostra neste gráfico acima. Como eu costumo dizer, ‘não é a trabalhar que enriquecemos’! Isto só é possível pela corrupção e trabalho desonesto. Pode ainda acontecer ganhar a lotaria. Ou então, se tivermos a ‘sorte’ de nos contratarem como CEO de uma grande Empresa Corporativa Global, onde poderíamos auferir um salário 380 vezes maior que a média dos salários de um trabalhador normal. (https://www.youtube.com/watch?v=QPKKQnijnsM)

O enriquecimento que poderemos ter no trabalho tem outra dimensão que não a do rendimento direto, caso tenhamos a sorte de trabalhar no que gostamos de facto.

Em resumo (p.f. ver gráfico abaixo), entre a distribuição do rendimento igualitário teórico (linha reta) e a distribuição do rendimento real e desigual (linha curva) situa-se uma área a que se chama ‘Área da desigualdade de rendimento’ (A).

gini-coefficient-of-inequality

Infelizmente a realidade atual é ainda mais desigual que a mostrada aqui. Para o efeito recomendo a leitura deste artigo do Jornal Económico “Riqueza de 1% da população superou a dos restantes 99% em 2015” (http://economico.sapo.pt/noticias/riqueza-de-1-da-populacao-superou-a-dos-restantes-99-em-2015_239942.html).

Por outro lado, vivemos num mundo onde as economias dos Países não são todas iguais. Como podemos ver neste gráfico abaixo, os rendimentos nas diferentes regiões são distintos.

Global-Income-Distribution-2011

Podemos verificar que nos Países ditos desenvolvidos a distribuição de rendimento é significativamente maior que nos restantes. Verificamos ainda que se convencionou que a linha fronteira de pobreza (a vermelho) [Poverty line of 1,25$ per day]. Como se fosse possível alguém viver condignamente com 456$ anuais. Triste realidade.

Se olharmos para o mapa do mundo (p.f. ver mapa abaixo) sobre a distribuição da riqueza, onde os Países têm uma maior ou menor dimensão consoante a riqueza que possuem, podemos verificar as grandes desigualdades existentes, onde os continentes Africano e da América do sul quase desaparecem.

wealthmap

Neste mundo desigual, habitado por mais de 7 biliões de Pessoas, em que atividades profissionais estas se ocupam? (p.f. ver esquema abaixo).

7billion

Esta é a dura realidade da desigualdade existente neste mundo, onde uma grande maioria vive mal e com poucos recursos. Esta é a realidade do mundo do dinheiro, que o Homem construiu propositadamente para que poucos tivessem poder sobre muitos. O objetivo do desenvolvimento Humano praticado nunca foi o da igualdade de oportunidades, mas sim o de enriquecer os mais ricos. Aliás, o que se verificou nesta recente crise financeira (2008-2015) foi que os 1% mais ricos (http://www.bbc.com/news/business-35339475) aumentaram significativamente a sua riqueza, de tal modo que esta iguala a dos restantes 99% da População.

Mas as desigualdades não se fazem sentir apenas entre os rendimentos de ricos e pobres, mas também entre Homens e Mulheres, entre Pessoas de diferentes raças, ou no acesso à Saúde e à Educação. (https://www.youtube.com/watch?v=0xMCWr0O3Hs)

Chegados a este ponto, não é de admirar que aumentem as vozes dos que falam e querem um mundo pós-capitalista. Entre essas vozes, destaco a de um Jornalista de investigação Paul Mason, que publicou um livro em 2015 com o título “Postcapitalism: A Guide to Our Future”. Esta obra estará à venda em Março de 2016 já traduzida para Português. (http://www.theguardian.com/books/2015/aug/03/postcapitalism-guide-to-future-paul-mason-review-engagingly-written-confused)

Daquilo que conheço desta obra, penso que uma era pós-capitalista não deve ser resolvida utilizando o referencial do dinheiro, pois esse é o mundo que o Capitalismo melhor domina e com facilidade inverteria a situação seu favor. Rapidamente estaríamos na mesma situação ou pior.

Realço igualmente uma palestra TED de um Investigador e Economista Dan Ariely (Março de 2015), intitulada “How equal do we want the world to be? You’d be surprised”.             (http://www.ted.com/talks/dan_ariely_how_equal_do_we_want_the_world_to_be_you_d_be_surprised?utm_campaign=social&utm_medium=referral&utm_source=facebook.com&utm_content=talk&utm_term=business#t-329490)

 

Dan Ariely

O trabalho de Dan Ariely mostra que “as Pessoas são recetivas às mudanças na igualdade no que toca às Pessoas que têm menos capacidade de ação, basicamente crianças e bebés, porque não os vemos como responsáveis por esta situação”. E continua, “Que lições podemos tirar daqui? Temos duas falhas: uma falha de conhecimento e uma falha de conveniência, e a falha de conhecimento reside na forma como educamos as Pessoas. Como é que fazemos as Pessoas verem a desigualdade de outra forma e as consequências da desigualdade, no que diz respeito à saúde, à educação, ao ciúme, à taxa de criminalidade, etc.? Depois temos a falha de conveniência. Como fazemos as Pessoas pensarem de outra forma em relação ao que desejam? A definição de Rawls, a maneira de Rawls ver o mundo, a abordagem do teste ‘cego’, elimina o nosso egoísmo. Como implementamos isso a um grau mais elevado, numa escala mais extensa? E, finalmente, também temos uma falha de ação. Como pegamos nestas coisas e fazemos algo quanto a isso? Creio que parte da resposta é ver as Pessoas, como crianças e bebés, que não têm muita capacidade de ação, porque as Pessoas parecem estar mais dispostas a fazer isto.” E continua, “… antes de mais, pensem no que é real, na vossa experiência, e no que é o efeito placebo que advém das expectativas. E depois pensem em como isso afeta outras decisões na vossa vida e outras questões políticas que nos afetam a todos.”

É caso para perguntarmos:

  1. ‘Que Futuro queremos ter’?
  2. ‘Que igualdade pretendemos ter neste mundo’?

Seja qual for a abordagem, não podemos pensar numa era pós-capitalista sem mudarmos de paradigma. Querer resolver os problemas das desigualdades de rendimento e riqueza atuais com outra forma de distribuição de dinheiro, não considero que seja uma solução inteligente. Acabaríamos por não mudar nada, pois o dinheiro é o referencial preferido pelos capitalistas. Num abrir e fechar de olhos estes encontrariam uma solução para continuarem a ser os mais ricos de todos, sem acrescentarem Valor significativo à Economia.

No meu entendimento (p.f. ler o meu texto “Características de uma Sociedade baseada no Valor Humano” (https://saalmeida.wordpress.com/2015/04/16/caracteristicas-de-uma-sociedade-baseada-no-valor-humano/)), devemos enveredar por um Paradigma de Sociedade de Valor Humano, como aquele que tenho vindo a desenvolver ao longo do último ano. “Como em todas as mudanças de Paradigma, haverá fases de transição e/ou saltos quânticos quando forem entendidos como positivos para essa mudança. Mas uma certeza inabalável estará presente, a VONTADE de mudar para melhor.”

Ao ler este meu texto, “Características de uma Sociedade baseada no Valor Humano”, o Leitor perceberá o que defendo e como aplicar este novo Paradigma.

Uma Sociedade de Valor Humano está alicerçada em três pilares fundamentais:

  • O Ser Humano;
  • Os Valores Humanos;
  • A Educação.

“As questões de pobreza não se colocam porque nesta Sociedade não existem pobres. O dinheiro já há muito que desapareceu da mente das Pessoas. Existirão Pessoas com menor e outras com maior Valor Humano, mas em nenhum caso passam por indignidades Humanas como as que existiram no passado.

Neste sistema, TODA a Sociedade está em aperfeiçoamento constante. Aliás, o Valor Humano é uma caraterística dinâmica positiva.

Uma Sociedade com estas características não é uma Sociedade perfeita, mas contém todos os elementos necessários a uma evolução e desenvolvimento sustentados, contribuindo decisivamente para uma maior felicidade global.”

Recomendo ao meu caro Leitor embrenhar-se profundamente nesta nova problemática da Sociedade pós-capitalista, pois de entre todas as incertezas que o Futuro nos reserva, uma certeza sobressai, o Capitalismo está podre e em decadência. Já não se coloca a questão se vai cair, mas de quando e como vai cair.

É bom que estejamos preparados para não sermos surpreendidos por uma nova crise financeira (prevista acontecer num futuro próximo), e para sabermos como devemos agir e que consensos devemos considerar como positivos para uma Sociedade de Futuro. Esta atitude ajudar-nos-á a ter uma Consciência Coletiva que contribuirá decisivamente para uma nova Inteligência Coletiva.

O desejável será uma mudança de Paradigma construída em Paz, sem fanatismos nem preconceitos, com a mente focada no Futuro do Homem em equilíbrio sustentável com a Biosfera.

Alfredo Sá Almeida                                                                                     7 de Março de 2016