Uma Sociedade de Valor Humano contribui para a Felicidade Social

Felicidade Social1

Uma Sociedade de Valor Humano, tal como a caracterizei no meu texto “Características de uma Sociedade baseada no Valor Humano” (https://saalmeida.wordpress.com/2015/04/16/caracteristicas-de-uma-sociedade-baseada-no-valor-humano/), possui todos os ‘ingredientes’ e uma contribuição significativa para a Felicidade Social.

Este tema da Felicidade Social começou a ganhar dimensão dadas as pressões e à crise generalizada de Valores a que as Pessoas têm sido submetidas, nesta nossa Sociedade agressiva e desequilibrada. De tal modo, que começou a ser objeto de teses de mestrado e doutoramento, como por exemplo o trabalho de Ana Roque Dantas “A Construção Social da Felicidade” (2012) (http://www.edi-colibri.pt/Detalhes.aspx?ItemID=1695). Nele a Editora Colibri transmite-nos “Este livro da Ana Roque, “A Construção Social da Felicidade”, é o ponto de chegada de um percurso de investigação iniciado há alguns anos no âmbito do mestrado em Sociologia, da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Ele representa o fim de uma longa etapa cientificamente muito criativa, à qual se segue um novo desafio, agora no âmbito do doutoramento ainda em curso. A questão de partida que a Ana tinha para a sua pesquisa era relativamente simples: será que a procura de felicidade é uma das condicionantes maiores da ação dos atores sociais? Se sim, então porque não procurar estudá-la de um ponto de vista sociológico?”.

A Felicidade Social não é um tema utópico, como possam pensar, ele está em desenvolvimento em alguns, poucos, Países como no caso do Reino do Butão “No Butão, país asiático, a felicidade é um direito social” (http://www.jusfoco.com.br/2014/06/no-butao-pais-asiatico-felicidade-e-um-direito-social-jus-gentium.html). Senão vejamos, “Localizado no sul da Ásia e com aproximadamente 700 mil habitantes, Butão é um reino distante, pequeno, isolado pela Cordilheira do Himalaia. A nação é considerada o país da felicidade.

Acredite, o sistema jurídico do Reino do Butão instituiu a felicidade como um direito social. O preâmbulo da Constituição da pátria budista assinala o comprometimento com a felicidade permanente das pessoas. Por sua vez, o artigo 20, do mesmo texto, afirma que é dever do governo garantir a felicidade do Estado.

O artigo 9º, da norma suprema do Butão, criou o Índice Nacional da Felicidade, almejando uma boa qualidade de vida para o povo.

Também chamado de Felicidade Interna Bruta, tal índice possui algumas variáveis básicas, são elas: Bom padrão de vida econômico, gestão equilibrada do tempo, bons critérios de governo, de administração da coisa pública, educação de qualidade, boa saúde, vitalidade comunitária, qualidade do meio ambiente, acesso à cultura e bem-estar psicológico.”

Acredito que o meu caro Leitor fique pensativo ao ler estes desígnios, tal é a disparidade de critérios com os Países Ocidentais, ditos ‘civilizados e desenvolvidos’, mas é uma realidade. Para que esta vontade se torne uma realidade basta que a Consciência e Inteligência Coletivas de um Povo construam estes alicerces.

Vamos descrever com mais pormenor este grande desígnio da Felicidade Social. No livro de Içami Tiba (2007) “Quem Ama Educa – Formando Cidadãos éticos” (Integrare Editora) o Autor transmite-nos os princípios básicos “A felicidade social considera todos os seres humanos iguais, não importa a cor, etnia, raça, credo, religião, nível social, preparo cultural, poder econômico, cargo político, fama, origem, aspeto físico, capacitação ou habilidade. A pessoa fica feliz em poder ajudar outro ser humano a ser feliz. Empenha-se em tornar este mundo melhor com pequenos gestos, desde o ato de deixar o banheiro limpo para o próximo usuário até grandes ações, como se mobilizar quando um semelhante ou um povo inteiro estiver sofrendo um revés em qualquer canto do planeta.

A pessoa que expressa felicidade social se regozija com a felicidade alheia mas também sente na alma os sofrimentos dos homens. É um ser grato, solidário e sua ligação com o próximo transcende o tempo e o espaço, superando diferenças geográficas, ideológicas, políticas, sociais e religiosas.

Tolerância, solidariedade, compaixão, sabedoria, não-violência fazem parte da felicidade social. Grandes guias religiosos foram suas expressões máximas. Se os pais começassem a ler para as crianças, desde a mais tenra infância, passagens interessantes e pitorescas dos grandes homens da humanidade e depois estimulassem um pequeno e simples debate sobre a vida deles, provavelmente elas seriam pessoas melhores para si mesmas, para a família, para a escola e futuramente para o mundo.

Não seria interessante a criança identificar o que ela fez de bom para qualquer pessoa? Incentivá-la a falar a verdade, sem exageros, e reforçar o que ela fez de positivo são medidas que não exigem tanto tempo e produzem grandes resultados: contribuem para a formação de uma boa autoestima.

Os filhos adoram saber que os pais gostam do que fazem. Se eles vivem naturalmente a felicidade social (fazer o bem, não importa a quem, e não fazer nada que possa prejudicar outras pessoas), seus filhos também a viverão.”  (https://integrareeditora.wordpress.com/2015/12/02/felicidade-social-por-icami-tiba/)

Felicidade Social3

Os Países e os seus Estados conhecem bem as boas Teorias. O problema é não saberem (ou, não querem) aplicá-las porque os desígnios que os movem são outros, que não os da Felicidade Social.

Deixo-vos com as palavras do Jurista António Marques da Silva, que em 17 de Dezembro de 2015, escreveu no Jornal Tribuna de Macau um artigo de opinião intitulado “Felicidade Social” (http://jtm.com.mo/opiniao/felicidade-social/). Recomendo que leiam o artigo completo, do qual apenas transcrevo a parte inicial “Às vezes é necessário tão pouco para sermos felizes, outras vezes não há volta a dar-lhe. Por mais que tentemos não conseguimos ‘sair da fossa’, como dizem os nossos irmãos brasileiros.

Mas não é só da felicidade individual que vos quero falar, mas sim (sobretudo) da felicidade social, ou seja, da saúde relacional social, a qual é mais do que o conjunto dos sentimentos individuais, porquanto se eleva acima da felicidade individual. Aqui importam os seres humanos globalmente considerados, iguais na sua essência, sem qualquer tipo de discriminação em razão da nacionalidade, da ascendência, da raça, do sexo, da língua, da religião ou das convicções políticas ou ideológicas, da instrução e da situação económica ou condição social (artigo 25º da Lei Básica).

A pessoa socialmente feliz procura ajudar os outros seres humanos a serem também eles felizes e luta por tornar o mundo melhor, desde os seus mais pequenos gestos até às grandes ações solidárias. Os outros, os exploradores da miséria alheia e os avarentos insaciáveis, na sua ganância, só vivem para o dinheiro (mais dinheiro, cada vez mais dinheiro, todo o dinheiro do mundo… e arredores!) e só se sentem felizes admirando os saldos das suas contas bancárias, os registos das suas propriedades e os títulos das suas ações ou ostentando, de forma obscena, as suas posses.”

Vocês não imaginam a minha Felicidade em poder transmitir-vos este tema que está em consonância com o Paradigma que tenho vindo a desenvolver, há mais de um ano, sobre o “Valor Humano”.

Uma coisa é certa, se nada fizermos para MUDAR este status quo nunca conseguiremos chegar a este desígnio.

Para aqueles Leitores mais resistentes à mudança, desejo-lhes as maiores Felicidades, pois um dia destes vão acordar e verificar que uma nova realidade, bem melhor do que aquela que vivemos, passou a vigorar em TODO o mundo.

Realidade

 

Alfredo Sá Almeida                                                                                      16 de Março de 2016

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