Estará a Humanidade perdida?

Humanity

Penso que todos estaremos de acordo se dissermos que o Homem se encontra na fase de infância, considerando a sua evolução, desde há cerca de 200.000 anos, neste nosso Planeta que nasceu vai para 4,5 bilhões de anos.

Considerando que o planeta Terra ainda terá cerca de 4 a 5 bilhões de anos de vida (onde as condições de habitabilidade da Terra estão garantidas por mais cerca de 1,75 bilhão de anos), para depois ser consumido pelo sol em ‘agonia’, significa que o Homem terá tempo mais que suficiente para se transformar em Ser Humano e desenvolver a Educação da Humanidade.

Como toda e qualquer criança que acaba de nascer, uma boa alimentação, amor e carinho q.b., muitos cuidados e atenção, seguidos de uma Educação de qualidade para um bom desenvolvimento, são os pontos-chave para se transformar num adulto com Inteligência, Consciência, Personalidade e Caráter de um Ser Humano, dando assim continuidade à Humanidade.

Perante este cenário, sei que não tem sido isto que o Homem tem realizado até ao presente!

O historiador, cientista político e pensador Achille-Mbembé afirma, com segurança, que “A era do humanismo está terminando” (https://www.revistaprosaversoearte.com/achille-mbembe-era-do-humanismo-esta-terminando/). “Outro longo e mortal jogo começou. O principal choque da primeira metade do século XXI não será entre religiões ou civilizações. Será entre a democracia liberal e o capitalismo neoliberal, entre o governo das finanças e o governo do povo, entre o humanismo e o niilismo”, escreve Achille Mbembe. E faz um alerta: “A crescente bifurcação entre a democracia e o capital é a nova ameaça para a civilização”.

Mas, infelizmente, não ficamos por aqui! O neurocientista António Damásio advertiu que é necessário “educar massivamente as pessoas para que aceitem os outros”, porque “se não houver educação massiva, os seres humanos vão matar-se uns aos outros” (https://www.revistaprosaversoearte.com/sem-educacao-os-homens-vao-matar-se-uns-aos-outros-diz-neurocientista-antonio-damasio/).

Mas os Homens já se estão a matar uns aos outros há muitos séculos! Presentemente, as atitudes Humanas refinaram e matamo-nos indiretamente com o desleixo de atitudes e comportamentos. David Attenborough lembra-nos que é chegado o tempo de “It’s time we humans came to our senses” (https://www.newscientist.com/article/2165330-david-attenborough-its-time-we-humans-came-to-our-senses/).

Mas, será que vamos assumir uma postura de maior responsabilidade, com uma Consciência Coletiva que nos ajude a superar tantos erros?

Com os atuais líderes políticos e financeiros mundiais afigura-se uma tarefa bem difícil de superar!

A meu ver uma Cidadania Global imbuída de Valores Humanos ajudará na árdua missão de não permitirmos que o Humanismo morra, de nenhuma forma. A Cidadania Global tem a ver com Valores e Responsabilidades partilhadas.

Recomendo aos meus Leitores um estudo sobre este tema, pois revela-se da maior importância para a Humanidade. Há imensos artigos e textos sobre este assunto na internet. Recomendo para iniciar, estes dois:

  • “What is global citizenship?”
(https://www.weforum.org/agenda/2017/11/what-is-global-citizenship/)

“Por que a cidadania global importa?

Os cidadãos globais não nascem; Eles são criados. As crianças não têm uma compreensão inata da sua partilha humanidade; aprendem isto ao longo do tempo. A importância da educação e a habilitação das perspetivas globais não suavizadas.

Historicamente, a cidadania global estava enraizada em um desejo comum de evitar a guerra. Raciocínio comum foi que quanto mais sabíamos um do outro, mais provável seria garantir a paz, o progresso e a prosperidade. Mais recentemente, o projeto genoma humano nos mostrou — pela primeira vez na história humana — que cientificamente, Somos todos um.” (https://www.weforum.org/agenda/2017/11/what-is-global-citizenship/)

Human technology

(https://www.weforum.org/agenda/2018/01/it-s-time-to-bring-our-planet-back-from-the-brink-together-now/)

Se realmente nos importarmos uns pelos outros como Cidadãos Globais, partilhando os nossos Valores e contribuindo decisivamente para o desenvolvimento Humano, a era do Humanismo renascerá com mais força e o Homem transformar-se-á em Ser Humano.

Alfredo Sá Almeida                                                                                 25 de Abril de 2018

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A ambição pode destruir o Valor Humano

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“A Ambição parece sempre começar onde devia acabar” Emanuel Wertheimer

“Ser ambicioso nada mais é que um desejo forte de conquistar algo, seja financeiramente, politicamente, uma posição melhor no trabalho ou um estilo de vida de acordo com seus ideais.”Renato Mesquita (https://saiadolugar.com.br/ser-ambicioso-e-bom-ou-ruim/)

A meu ver, não é bem assim que encaro a Ambição. Para mim é um sentimento de duas faces. Contém uma dimensão de Valor e outra de Antivalor. Só a própria Pessoa poderá ter consciência da verdadeira dimensão da sua ambição. Mas se os objetivos forem explícitos e positivos tornar-se-á mais fácil uma adesão coletiva a esses propósitos.

Vejamos as faces da Ambição:

  • “Há riqueza bastante no mundo para as necessidades do Homem, mas não para a sua Ambição”Mahatma Gandhi
  • “A Ambição é uma paixão tão imperiosa no coração Humano, que, mesmo que galguemos as mais elevadas posições, nunca nos sentiremos satisfeitos”Nicolau Maquiavel

Outro problema com a Ambição Humana prende-se com a irreversibilidade de atitudes e comportamentos:

  • “Passamos muitas vezes do Amor à Ambição, mas nunca regressamos da Ambição ao Amor”François de La Rochefoucauld

Mas o Valor Humano tem como propósito o Bem-comum. Essa é a dimensão coletiva e positiva da Ambição.

“Qualquer ambição individual ganha força quando alinhada a outras por meio de um propósito comum, tornando-se uma ambição coletiva para alcançar e sustentar uma visão que beneficiará todos. A união entre diferentes atores em prol de um objetivo comum não é um conceito novo.”Bruno Schwartz [‘A força da Ambição Coletiva’] (https://pt.linkedin.com/pulse/for%C3%A7a-da-ambi%C3%A7%C3%A3o-coletiva-bruno-schwartz)

O Homem perde com muita frequência o seu sentido coletivo e positivo do Bem-comum para se deixar envolver em ambições individuais, muitas vezes de dimensão megalómana, que acabam prejudicando tudo e todos. A Consciência Coletiva faz parte do Valor Humano e ajuda-nos a construir o Bem-comum.

Alfredo Sá Almeida                                                                                     14 de Abril de 2018

A dimensão social do mundo está em fase de transição

Dimensão social

Como os meus Leitores sabem, tenho vindo a defender uma mudança de paradigma do mundo globalizado. Considero que o Valor Humano é a melhor opção para estruturar e construir esse novo Paradigma de Sociedade. Neste meu blog tenho defendido, com diversos argumentos, que o Ser Humano estaria melhor representado se a mudança for no sentido de valorizar a Pessoa Social e desconstruir o poder do dinheiro. Os Valores Humanos possuem um papel preponderante em toda a nova ‘equação’ de Vida em Sociedade.

Vem isto a propósito de uma notícia recente sobre afirmações previsionais da Diretora-geral do FMI.

“Daqui a 30 anos mais de metade dos portugueses estarão inativos” (https://www.dinheirovivo.pt/economia/fmi-daqui-a-30-anos-mais-de-metade-dos-portugueses-estarao-inativos/) – Esta poderá ser uma triste realidade ou uma oportunidade para mudar de Paradigma da Sociedade, sem violência e com Consciência Coletiva.

Christine Lagarde tece os seus argumentos baseada no atual paradigma económico-financeiro, que representa mais dos mesmos problemas que têm assombrado os Países da Europa e do mundo.

O grande problema é que os resultados da aplicação dos ‘algoritmos’ do FMI normalmente têm efeitos devastadores sobre as Pessoas e a Sociedade. Quando se afirma que em 2050 mais de metade das Pessoas, em muitos Países Europeus (Portugal, Bélgica, França, Itália e Espanha) terão o mesmo problema – estarão inativas – significa que está mais do que na hora de mudar profundamente a estrutura do paradigma que conduziu a esta situação. “De acordo com um dos capítulos de análise do novo Panorama Económico Mundial (World Economic Outlook), edição da primavera, a simulação feita “sugere que, caso não haja qualquer nova política para impulsionar a participação [o conjunto das pessoas que trabalham e os desempregados ativamente à procura de emprego, isto é, a população ativa], a taxa de participação mediana tendencial irá cair 5,5 pontos percentuais ao longo dos próximos 30 anos”.”

Por outro lado, todos nós sabemos que a Globalização veio para ficar, mas que se encontra dominada pelo mundo financeiro e pelo sistema bancário (que continuam caducos).

Menciono aqui uma afirmação do Secretário-geral da ONU, António Guterres, na abertura do fórum Boao (conhecido como ‘Davos Asiático’) – “Estou profundamente convencido de que a globalização é universal e que trouxe vários benefícios, como a integração económica e o comércio”, mas também “lembrou que a globalização ajudou a reduzir a pobreza, mas que muitas pessoas foram deixadas para trás.” (http://www.jornaleconomico.sapo.pt/noticias/antonio-guterres-globalizacao-trouxe-varios-beneficios-291376).

Pois bem, seria uma grande prova de inteligência reconhecer que o sistema falhou e começar a propor grandes alterações e mudanças estruturais (abandonando o paradigma que nos trouxe a esta triste situação), onde as Pessoas, os Valores Humanos e a Sustentabilidade da Biosfera sejam o centro das atenções e os pilares da construção do novo Paradigma, que tenho vindo a defender desde há mais de três anos.

Todos estes problemas mencionados significam que a dimensão Social dos Países e das respetivas Sociedades devem contribuir para reestruturação da economia e do relacionamento das Pessoas.

A meu ver, quanto mais os problemas do mundo avançam, a um ritmo assustador, mais sentido faz a proposta que tenho vindo a defender. Seria BOM que não deixássemos chegar ao ponto referido com veemência pelo Neurocientista António Damásio“Sem educação, os homens ‘vão matar-se uns aos outros’”. (https://www.publico.pt/2017/10/31/ciencia/noticia/sem-educacao-os-homens-vao-matarse-uns-aos-outros-diz-antonio-damasio-1791034)

Alfredo Sá Almeida                                                                               10 de Abril de 2018

Como o dinheiro se apoderou do Valor Humano

Tempo é dinheiro

Desde o século VII a.C., na Grécia antiga, o dinheiro moeda passou a fazer parte da realidade do Homem. “Foi uma invenção revolucionária. Ela facilitou o acesso das camadas mais pobres às riquezas, o acúmulo de dinheiro e a coleta de impostos – coisas muito difíceis de fazer quando os valores eram contados em bois ou imóveis”, afirma a arqueóloga Maria Beatriz Florenzano, da Universidade de São Paulo (USP) (https://super.abril.com.br/cultura/como-surgiu-o-dinheiro/).

Com o passar do tempo o dinheiro tomou conta de tudo, até da vida das Pessoas.

Vem isto a propósito da frase que faz tic-tac em muitas ‘cabeças’, por esse mundo fora: “Tempo é dinheiro”.

“A frase é geralmente creditada a Benjamin Franklin, que a usou em um ensaio (Advice to a Young Tradesman, 1748). A frase real foi gravada em 1719 na revista The Free-Thinker.
No entanto, a ideia de que tempo é dinheiro tem uma longa história.
O Oxford Dictionary of Proverbs cita duas referências anteriores. Antífona da Grécia antiga (ca. 430 aC) usava “o desembolso mais custoso é o tempo”. O discurso sobre a Usura (1572) usava “Eles dizem que o tempo é precioso”.” – Robert Charles Lee.

Esta é talvez a realidade mais cruel que o Homem criou e que poucos dominam, culminando nos dias de hoje com: “1% da população ficou com 80% da riqueza mundial” (https://observador.pt/2018/01/22/relatorio-1-da-populacao-ficou-com-80-da-riqueza-mundial/). “Oxfam diz que em 2017 houve aumento “histórico” do número de multimilionários. Relatório da organização não-governamental revela que 80% da riqueza ficou com 1% da população.”

O Homem esqueceu-se, ao longo da História, que tempo é Vida. E que durante a Vida, o Homem pode desenvolver o seu Valor em Sociedade. Mas interpretou tudo mal, e, preferiu afirmar que “Tempo é dinheiro”.

Só o Valor Humano poderá desfazer toda esta trama que foi criada ao longo dos séculos, e restituir ao Ser Humano o seu devido Valor. Não será tarefa fácil mas não será impossível. Esta é a proposta que faço nos textos deste Blogue. Caberá a TODOS nós mudar esta realidade aprisionadora de vida. Boa leitura.

Alfredo Sá Almeida                                                                                        1 de Abril de 2018