Expliquem-me como pretendem combater a emergência climática mundial numa sociedade eminentemente competitiva!

Sociedade Competitiva

Vou começar este texto mencionando um estudo e um alerta GLOBAL, segundo 11 mil cientistas, que deve ‘incentivar’ as Pessoas a AGIR de modo mais inteligente e sustentado, com um grande espírito de mudança!

“Os cientistas que endossam o estudo afirmam ter “uma obrigação moral de claramente advertir a humanidade sobre ameaças catastróficas e falar as coisas da forma como elas são”.

“Temos altas emissões, temperaturas crescentes, sabemos disso há 40 anos e não agimos — não é necessário ser um gênio para saber que temos um problema”, diz à BBC um dos principais autores da pesquisa, Thomas Newsome, da Universidade de Sydney.

“Uma emergência significa que se não agirmos ou respondermos aos impactos das mudanças climáticas e reduzirmos as emissões de carbono, a produção de gado, o desmatamento e o consumo de combustíveis fósseis, os impactos provavelmente serão mais severos dos que os que já vivemos atá agora”, prossegue Newsome.

“Isso pode fazer com que áreas da Terra se tornem inabitáveis para humanos.” (https://www.bbc.com/portuguese/geral-50321928) “As seis mudanças urgentes para conter a emergência climática, segundo 11 mil cientistas” – BBC.

Quando nos focamos no combate à emergência climática mundial estamos essencialmente interessados em preservar a sustentabilidade ambiental num mundo sem fronteiras onde estão presentes TODOS os Cidadãos.

A Sociedade Competitiva por outro lado é muito ‘obsessiva’ com as suas fronteiras e o seu posicionamento face aos seus vizinhos, para obter vantagens competitivas no Mercado. A manutenção desse satus quo é o élan que converge no Poder e emana para a Sociedade.

A grande diferença entre uma Sociedade Competitiva e outra Colaborativa pode traduzir-se do seguinte modo:

  • A primeira está focada na resolução de problemas para alguns, enquanto que a segunda tem a determinação de resolver as situações para todos;
  • É a grande diferença entre um posicionamento de topo no mercado (custe o que custar) e a capacidade de atingir o Bem-comum de forma sustentada.

A Sociedade Competitiva levada ao extremo, conduz invariavelmente ao Bulling, Stress, Burnout, Depressão, Suicídio e a todas as atitudes agressivas e violentas do Homem. Pois haverá sempre quem não se enquadre no sistema competitivo, e, quem o gere descarta a mudança de sistema. Recomendo a leitura de um texto meu neste Blog: “A saúde mental é essencial numa sociedade de Valor Humano!” (https://saalmeida.wordpress.com/2016/02/12/a-saude-mental-e-essencial-numa-sociedade-de-valor-humano/).

“Estratégia competitiva são ações ofensivas ou defensivas para criar uma posição defensável numa indústria, para enfrentar com sucesso as forças competitivas e assim obter um retorno maior sobre o investimento.”Michael Porter.

Esse é o grande objetivo da Sociedade Competitiva e, tudo isso, para manter uma posição de Poder.

Por outro lado, a Sociedade Colaborativa tem o seu foco no Bem-comum. Senão, vejamos:

“Consumismo e competitividade levam ao emagrecimento moral e intelectual da pessoa, à redução da personalidade e da visão do mundo, convidando, também, a esquecer a oposição fundamental entre a figura do consumidor e a figura do cidadão.”Milton Santos.

“Como cidadãos da sociedade atual, nos damos conta de que não podemos continuar em uma luta pela sobrevivência do mais forte, mas que necessitamos de uma sociedade menos competitiva e mais colaborativa. Devido à crise, começamos a observar que temos de mudar a visão distorcida por uma que nos permita focar melhor e que seja boa para todos. Definitivamente, uma sociedade colaborativa é mais feliz que uma sociedade competitiva. Esta colaboração pode ser definida como solidariedade, ou seja, pensar nos outros, ajudar-nos e cooperar entre nós.” (http://humanidadeintegrada.org/sitio/2015/01/uma-sociedade-colaborativa-e-mais-feliz-que-uma-competitiva/) – “UMA SOCIEDADE COLABORATIVA É MAIS FELIZ QUE UMA COMPETITIVA”Humanidade Integrada.

Recomendo aos meus Leitores que deem uma leitura atenta a este diagrama da ‘Competitividade na Sociedade’. Traduz bem o que estamos aqui a tratar.

Competitividade_na_Sociedade

(https://coggle.it/diagram/WN5GH-qtdwABA7B3/t/competitividade-na-sociedade)

O que devemos sempre considerar é a sustentabilidade das ações do Homem para minimizar ativamente os impactos no Ambiente e na Biosfera.

Convém salientar que o fenómeno da Globalização não impede o desenvolvimento das filosofias da Sociedade Colaborativa. Pelo contrário, pode potenciá-la.

Sobre esta matéria deem uma leitura ao modo como a UNESCO nos transmite o fenómeno da Globalização. (http://www.unesco.org/new/en/social-and-human-sciences/themes/international-migration/glossary/globalisation/) “SOCIAL AND HUMAN SCIENCES”.

“Globalização pode […] ser definida como a intensificação das relações sociais em todo o mundo, que ligam localidades distantes de tal maneira que os acontecimentos locais são moldados por eventos que ocorrem a muitos quilômetros de distância e vice-versa.”Anthony Giddens, 1990.

De tudo o que sabemos até hoje podemos constatar que a Inteligência e Consciência Coletivas poderão desenvolver-se mais rapidamente no modelo da Sociedade Colaborativa, e, de um modo muito limitado no modelo de Sociedade Competitiva.

Chamo à atenção dos meus Leitores para um texto que escrevi em Março de 2018 “O Homem encontra-se com perturbação obsessivo-compulsiva, em pleno século XXI” (https://saalmeida.wordpress.com/2018/03/04/o-homem-encontra-se-com-perturbacao-obsessivo-compulsiva-em-pleno-seculo-xxi/).

“Perante estes dados, nem iremos necessitar de uma III Guerra Mundial para extinguirmos a Vida neste Planeta, basta continuarmos a comportarmo-nos como até aqui.” – Alfredo Sá Almeida.

Estamos perante modelos de Sociedade que podem condicionar ou expandir a nossa mente para o Mundo do Futuro.

A Sociedade Colaborativa tem vindo a desenvolver-se, mas infelizmente, de modo muito tímido. Temos exemplos importantes de apoio solidário, nas mais variadas situações (sejam coletivas ou individuais), temos o aumento do voluntariado (nas mais variadas Instituições), temos o apoio consolidado aos sem abrigo, e muitas outras iniciativas de solidariedade, onde o altruísmo, a empatia e a compaixão solidária faz o seu caminho lentamente, numa Sociedade dominada pela velocidade e pelo dinheiro como resposta para tudo.

Não nos podemos esquecer do papel importante de muitas ONG’s (Organizações não Governamentais) que desenvolvem ações importantes em todo o mundo.

Este modelo de Sociedade necessita de ser abrangente, universal, consistente e coerente, desde o Poder até ao simples Cidadão.

Falta muito por fazer, falta muita organização e dinâmica orientada para a solidariedade. Falta, sobretudo, muito conhecimento concreto destes fenómenos Humanos de apoio altruísta onde o Bem-comum predomina.

Se observarem bem, meus caros Leitores, os meios de comunicação dita social não dão o devido relevo às notícias do mundo Colaborativo. Pela simples razão que não faz aumentar audiências nem contratos de publicidade.

Temos de ser nós os Cidadãos do Mundo a fazer crescer e dinamizar estruturadamente a Sociedade Colaborativa. Agregar o desenvolvimento dos Valores Humanos em todas as nossas ações, desde muito cedo, na vida das crianças e jovens, com os bons exemplos que ajudam a desenvolver a mente e a consciência Coletiva.

Existem bons exemplos por este mundo afora. Vou mencionar apenas alguns (que me perdoem as organizações que o fazem e não mencionei). Senão vejamos:

Não posso deixar de mencionar um artigo da ‘Observador’ intitulado “A emergência do 4º setor” (2017)” (https://observador.pt/opiniao/a-emergencia-do-4o-setor/). “Neste século XXI temos de decidir sobre a dosagem de Estado Social (mais dívida, impostos e emprego público) e de economia colaborativa e partilhada (menos impostos, mais emprego privado e partilhado)”. Neste artigo, saliento: “A mutação dos “Quatro D”” onde é abordada a ‘transformação digital’. Podemos ler: “Esta transformação paradigmática pode ser designada como a mutação dos “Quatro D”: digitalização, desmaterialização, desintermediação, e o seu corolário lógico, o desemprego. O paradigma dos “Quatro D”, segundo a ideologia dominante, conduz-nos até à sociedade do conhecimento, ao capitalismo cognitivo e à economia dos bens comuns colaborativos. Enfim, na aparência, o melhor dos mundos!”.

Desejo a TODOS os meus Leitores boas reflexões e muita dinâmica no Futuro, onde caminharemos juntos para o desenvolvimento do Bem-Comum.

Alfredo Sá Almeida                                                                                   9 de Novembro de 2019