Inteligência e Consciência de Futuro Coletivo

– Este texto resultou de uma conversa muito interessante com a minha querida companheira Angela Alem (https://angelaalem.wordpress.com/). As suas preocupações fundamentadas com a Educação, bem como a suas ideias e soluções para uma Educação de qualidade estão expressas no seu Blog. –

Existem dois “consensos” de definição de inteligência (fonte de informação Wikipédia – https://pt.wikipedia.org/wiki/Intelig%C3%AAncia). O primeiro, de ‘Intelligence: Knowns and Unknowns’, um relatório de uma equipe congregada pela Associação Americana de Psicologia, em 1995:

“Os indivíduos diferem na habilidade de entender ideias complexas, de se adaptarem com eficácia ao ambiente, de aprenderem com a experiência, de se engajarem nas várias formas de raciocínio, de superarem obstáculos mediante o pensamento. Embora tais diferenças individuais possam ser substanciais, nunca são completamente consistentes: o desempenho intelectual de uma dada pessoa vai variar em ocasiões distintas, em domínios distintos, a se julgar por critérios distintos. Os conceitos de ‘inteligência’ são tentativas de aclarar e organizar esse conjunto complexo de fenómenos.”

Uma segunda definição de inteligência vem de ‘Mainstream Science on Intelligence’, que foi assinada por cinquenta e dois pesquisadores em inteligência, em 1994:

“Uma capacidade mental bastante geral que, entre outras coisas, envolve a habilidade de raciocinar, planejar, resolver problemas, pensar de forma abstrata, compreender ideias complexas, aprender rápido e aprender com a experiência. Não é uma mera aprendizagem literária, uma habilidade estritamente acadêmica ou um talento para sair-se bem em provas. Ao contrário disso, o conceito refere-se a uma capacidade mais ampla e mais profunda de compreensão do mundo à sua volta – ‘pegar no ar’, ‘pegar’ o sentido das coisas ou ‘perceber’ uma coisa.”

Todos nós possuímos uma inteligência individual, assim como possuímos uma consciência do mundo que nos rodeia. Infelizmente nem todos desenvolvem estas capacidades. Muitos não tiveram a oportunidade de desbravar as suas capacidades através de uma Educação bem orientada para a sua individualidade, nem foram estimulados a aumentar estas competências, ou os seus conhecimentos, devido às características e ao modo de organização da Sociedade passada e atual.

Provavelmente, se todos nós tivéssemos as mesmas boas oportunidades de Educação de qualidade e acesso ao conhecimento, quer a inteligência quer a consciência individuais seriam de natureza distinta e de maior dimensão.

Mas nada nos impede de adquirirmos ao longo da vida uma inteligência e consciência coletivas. Nestes casos estamos perante uma dimensão “mais ampla e mais profunda de compreensão do mundo à nossa volta”. Ou seja, para além de sermos capazes de ‘dominar’ as capacidades individuais, temos os conhecimentos mais globais do mundo e das Pessoas que nos rodeiam, o que nos permite uma compreensão ampla no sentido coletivo e de grupo de Seres Humanos, pela nossa vivência em Sociedade e de habitarmos a mesma Biosfera.

A Inteligência e a Consciência Coletivas inserem-nos numa comunidade regional e numa comunidade de Nações, permitindo-nos compreender as diferenças e as ‘nuances’ da Sociedade e sermos capazes de nos comprometer com ideias e conceitos comuns a muitos dos nossos pares.

“A Inteligência Coletiva é um conceito de um tipo de inteligência compartilhada que surge da colaboração de muitos indivíduos em suas diversidades. É uma inteligência distribuída por toda parte, na qual todo o saber está na humanidade, já que ninguém sabe tudo, porém todos sabem alguma coisa.” https://pt.wikipedia.org/wiki/Intelig%C3%AAncia_coletiva.

A Consciência coletiva, de acordo com o sociólogo francês Émile Durkheim, é um conjunto cultural de ideias morais e normativas, a crença em que o mundo social existe até certo ponto à parte e externo à vida psicológica do indivíduo.

“Conjunto das crenças e dos sentimentos comuns à média dos membros de uma mesma sociedade que forma um sistema determinado com vida própria”

Toda a teoria sociológica de Durkheim pretende demonstrar que os fatos sociais têm existência própria e independente daquilo que pensa e faz cada indivíduo em particular. Embora todos possuam sua “consciência individual”, seu modo próprio de se comportar e interpretar a vida, podem-se notar, no interior de qualquer grupo ou sociedade, formas padronizadas de conduta e pensamento. Essa constatação está na base da que Durkheim chamou de consciência coletiva.”

Aconselho os meus Leitores a consultarem as notícias vindas a público, nestes últimos dias, para se inteirarem de alguns dos grandes problemas que estamos a enfrentar e que nos deverão levar a mudar o rumo da Sociedade Global.

•  http://observador.pt/2017/11/13/15-mil-cientistas-avisam-a-humanidade-em-breve-sera-demasiado-tarde/
•  https://www.dn.pt/sociedade/interior/mais-de-15000-cientistas-renovam-aviso-sobre-riscos-ambientais-da-acao-do-homem-8913838.html
•  https://g1.globo.com/natureza/noticia/ameacas-ao-planeta-sao-muito-piores-do-que-ha-25-anos-diz-carta-assinada-por-15-mil-cientistas.ghtml
•  https://www.rtp.pt/noticias/economia/cientista-stephen-hawking-otimista-mas-lanca-avisos-sobre-inteligencia-artificial_n1038623
•  http://www.tvi24.iol.pt/tecnologia/08-11-2017/stephen-hawking-diz-que-a-terra-vai-virar-uma-bola-de-fogo-gigante-em-2600
•  http://br.blastingnews.com/ciencia-saude/2017/11/humanos-terao-que-fugir-da-terra-em-busca-de-novo-lar-alerta-stephen-hawking-002159861.html
•  http://ultimosegundo.ig.com.br/ciencia/2017-05-03/stephen-hawking.html

Perante os problemas do mundo atual, em grande medida (senão na totalidade) causados por nós, pela nossa maneira de lidar com o mundo, com a Sociedade e com o que nos rodeia, deveríamos ser capazes de compreender mais profundamente e nos comprometermos com ideias e conceitos científicos comprovados globalmente, abandonando as más práticas que nos fazem estar a destruir o Planeta e por consequência, a nós próprios.

Mas não, a inteligência das Pessoas do mundo atual está a demonstrar que não serve para mudar o mundo nem mesmo elas próprias.

A evolução do Homem nos últimos séculos não favoreceu o desenvolvimento da nossa Inteligência Coletiva. Apenas a inteligência individual se desenvolveu a um ritmo bastante superior. A Inteligência Coletiva ajuda-nos a correlacionar, a inter-relacionar, a compreender melhor o mundo que nos rodeia e as outras Pessoas.

Afinal para que serve a inteligência das Pessoas?

• Para ganhar dinheiro?
• Para resolver grandes problemas?
• Para destruir o sistema instituído?
• Para construir o bem-comum?
• Para mudar o mundo para melhor?
• Para construir a nossa felicidade coletiva?
• Para construir um Futuro Coletivo digno de Seres Humanos na nossa Biosfera?

São tantas as perguntas que ainda não têm resposta que se torna legítimo duvidarmos se teremos Inteligência e Consciência Coletivas para conseguirmos ultrapassar os grandes problemas que causámos à Sociedade Global e á Biosfera.

Serão, na realidade, os Seres Humanos os Seres mais inteligentes do Planeta?

Alfredo Sá Almeida                                                                              16 de Novembro de 2017

 

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Love and Reason. / Amor e Razão.

“Love and Reason are the two sides of a coin that is not used to buy anything, only to demonstrate Value.

Both are essential to life and indispensable in the construction of the Future. The merger results in emotion, a never-ending dance that leads to happiness.” – Alfredo Sá Almeida

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“Amor e Razão são as duas faces de uma moeda que não é utilizada para comprar nada, apenas para demonstrar Valor.

Ambos são essenciais à vida e indispensáveis na construção do Futuro. Da fusão resulta a Emoção, uma dança interminável que conduz à Felicidade.” – Alfredo Sá Almeida

Alfredo Sá Almeida                                                                             23 de Fevereiro de 2013

O dinheiro não acrescenta Valor ao Homem!

Dinheiro no lixo

A meu ver, só os Valores Humanos acrescentam Valor ao Homem coadjuvados pelas Inteligências (Racional, Emocional, Social e Espiritual) e pelo Conhecimento. Se a estes importantes fatores adicionarmos o respeito pela Biosfera e pela Vida e uma Consciência vocacionada na vertente Coletiva, então teremos um Homem verdadeiramente integrado no seu habitat e com capacidades de Desenvolvimento Humano Sustentado.

Na realidade, o dinheiro – seja na forma física real ou na digital – com toda a sua componente financeira virtual não acrescenta qualquer Valor ao Homem.

Só a Educação e um sistema educativo bem ‘desenhado’ à dimensão do Homem é capaz de despertar o verdadeiro Valor Humano. Infelizmente os sistemas educativos, por esse mundo fora, estão muito ‘poluídos’ pelo que o dinheiro representa em sociedade.

  • O meu Leitor já imaginou a dimensão que a Educação e o sistema educativo poderiam adquirir se fossem considerados e tratados sem a influência do dinheiro?
  • Um Mundo onde TODOS teriam as mesmas oportunidades de aprender, conhecer e valorizar-se sem a influência do dinheiro?
  • Um Mundo onde o Valor Humano pudesse sobressair sem afrontar fosse quem fosse?

Para a grande maioria das Pessoas é difícil de compreender no imediato estas minhas afirmações e questões, mas se realizarem uma reflexão aprofundada sobre a matéria verão que o dinheiro só atrapalha o desenvolvimento pessoal e estrutural.

Aliás, o dinheiro físico (aquele em moedas e notas que circula de mão em mão) é a maior fonte de infeção microbiológica conhecida. Esta é uma realidade que deveria ser abandonada por todos os Países do mundo e não só pela Suécia – “Dinheiro pode sair de circulação na Suécia até 2030” (http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2016/04/160411_sociedade_sem_dinheiro_cw_rb). Só deveria ser utilizado dinheiro na forma eletrónica ou digital.

Infelizmente estas tendências, como a que se verifica na Suécia, não têm a ver com o fim do dinheiro como poder económico e financeiro, mas apenas por questões processuais das transações e economia formal na sua impressão (menos dinheiro físico em circulação). Felizmente têm a vantagem de acabar com o manuseamento e a transmissão da infeção microbiológica.

Um Mundo verdadeiramente sem dinheiro mas com muito Valor Humano será um novo Paradigma para o Homem. Este será um desafio para um Futuro Coletivo e sustentável do Homem na nossa Biosfera.

Alfredo Sá Almeida                                                                                5 de Novembro de 2017

Já parou para refletir sobre os problemas do Mundo?

Alerta

Sim! A questão que lhe coloco é legítima. Você, meu caro Leitor, é um Cidadão do Mundo. Cada dia que passa, este Mundo está mais globalizado e tem imensos problemas, muitos deles colocados e da responsabilidade de Pessoas como nós.

Não tem tempo? Não acredito! Você tem tempo para tanta coisa!

Não quer saber? Como não quer saber! Nós só temos este Planeta Terra! Esta é a nossa casa!

Os problemas do mundo são de uma dimensão demasiada para si? Todos os problemas têm uma solução e podem ser subdivididos em parcelas mais pequenas, para serem resolvidos passo a passo e com determinação!

Não tem conhecimentos suficientes para se inteirar desses problemas? Uma boa parte do conhecimento do Homem, e de tudo o que desenvolveu, está disponível na Internet ao seu alcance! É apenas uma questão do seu interesse em colaborar!

Não conhece ninguém que o possa ajudar nessa matéria? Naquilo que me for possível eu poderei ajudá-lo ou orientá-lo!

Nunca tinha pensado na importância dos Valores Humanos para ajudar a resolver os problemas do mundo? É nesta matéria que eu entro e tenho à sua disposição dezenas de textos neste Blog sobre o Valor Humano e tudo o que lhe diz respeito!

Cada um de nós tem um potencial enorme na resolução dos problemas do mundo! Basta querer! Se interessar! Envolver-se na sua resolução: a) escrevendo sobre as suas ideias; b) participando em Grupos temáticos específicos; c) reclamando a quem de direito, com conhecimento de causa; d) não dando crédito a quem não o merece; e) valorizando e apoiando quem demonstra ter capacidade de resolução de problemas; f) aprofundando sobre as matérias problemáticas que mais o influenciam; g) etc.

Ficar parado sem fazer nada, não é solução. A não ser que prefira confiar em alguns líderes mundiais que não estão interessados em resolver problema nenhum, mas apenas em criar mais uns quantos. Ser Cidadão do Mundo é isto mesmo! É não se conformar, não aceitar muitas das soluções que esses líderes querem impor, insurgir-se contra a ‘tirania’ do modelo de globalização atual! É construir novas soluções para o Futuro Coletivo.

Lembre-se que a sua indiferença é um PROBLEMA para o Mundo Global, inclusive para si.

Alfredo Sá Almeida                                                                           2 de Novembro de 2017

A degradação dos Valores Humanos e a época da pós-verdade

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“A divulgação de notícias falsas para manipular a opinião pública e reforçar crenças pessoais se disseminou com a ajuda da internet e das redes sociais.
Numa época em que as crenças importam mais do que a realidade, a disseminação de notícias falsas ganha terreno, impulsionada pela internet e pela polarização política.”Fabio Sasaki “Resumo Atualidades: A era da pós-verdade” (https://guiadoestudante.abril.com.br/blog/atualidades-vestibular/resumo-atualidades-a-era-da-pos-verdade/#respond)

Neste resumo informativo, o seu autor Fabio Sasaki introduz um conjunto de perguntas/respostas fundamentais para entender este tema da pós-verdade. Assim:

• O que é pós-verdade?
Segundo o Dicionário Oxford, a pós-verdade refere-se “a circunstâncias nas quais os factos objetivos têm menos influência em moldar a opinião pública do que apelos à emoção e a crenças pessoais”.

• Quais eventos ajudaram a popularizar o termo?
A eleição de Donald Trump nos EUA e o Brexit foram influenciados pela divulgação de notícias falsas. Muitos eleitores não ligavam para a veracidade das informações, desde que concordassem com elas.

• Como as notícias falsas são disseminadas?
As notícias falsas vêm ganhando maior repercussão devido à internet. Pelas redes sociais, um boato ou uma mentira podem ser replicados para milhares de pessoas, de forma rápida e em tempo real.

• O que o Facebook tem a ver com a pós-verdade?
No Facebook, os conteúdos mais curtidos e compartilhados têm maior alcance e disseminação, não importando se é uma notícia real ou uma informação falsa.

• O que são bolhas virtuais?
Quando as pessoas compartilham apenas informações que confirmam suas crenças, elas se isolam em um ambiente restrito (as bolhas virtuais), sem contato com pessoas que pensam diferente delas.

• Como o Facebook estimula a formação de bolhas virtuais?
Por meio do histórico de navegação, o feed de notícias do Facebook traz mais informações que combinam com seu ponto de vista e reforçam suas crenças, reduzindo o alcance de ideias divergentes.

• Como a polarização ideológica estimula a pós-verdade?
Um quadro de radicalização política ajuda a difundir notícias falsas. Para disseminar sua visão de mundo, muitas pessoas compartilham informações sem se preocupar com a veracidade ou verificar a fonte.

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Infelizmente, a manipulação da informação, os boatos, as notícias falsas e as mentiras sempre se difundiram em todos os meios de comunicação social. Mas atualmente, com a ‘explosão’ do uso da internet, das redes sociais e dos smartphones, este fenómeno ganhou outra dimensão e o que não faltam são internautas com poucos Valores Humanos e uma avidez de ‘curtidas’ no seu post. Estes internautas valorizam mais o acréscimo da audiência em detrimento da qualidade da informação difundida.

Esta nova realidade justifica um processo educativo específico onde:

  1. O conhecimento;
  2. O pensamento crítico;
  3. Os Valores Humanos;

Devem ganhar dimensão. Estas 3 vertentes fazem cada vez mais sentido transformar numa realidade educativa permanente.

Por outro lado, não podemos deixar de considerar que “Durante décadas TODA a Comunicação Social (Jornais, Revistas, Rádio, TV, Internet) tem praticado um modelo comunicacional baseado na satisfação dos desejos primários dos seus Leitores, Ouvintes, Telespectadores e Internautas, do que mais gostariam de ler, ouvir e ver comunicado. Tudo para venderem muita publicidade. Precisamente durante essas décadas de informação orientada para o ‘consumidor’, a Escola passou a ser menos exigente com a Cidadania e os Valores Humanos. O resultado desta conjunção de realidades verifica-se todos os dias em Sociedade. Tem sido uma deseducação continuada e uma aparente Liberdade de comunicação e expressão. Mas a LIBERDADE é um Valor demasiado importante para produzir tão maus resultados! A meu ver, é uma interpretação errónea da Liberdade de expressão, pois era suposto produzir efeitos sociais benéficos.

Programas como Reality Shows, Novelas, Filmes violentos, Notícias ‘Cor-de-rosa’ escabrosas, Notícias ‘bombásticas’, Jogos violentos, etc., têm sido os ‘Reis’ das audiências para TODAS as idades indiscriminadamente. Todos estes programas vendem muita publicidade mas produzem muita (mas muita mesmo) deseducação instantânea, e tornam ainda mais difícil uma Educação correta em Valores Humanos.”Alfredo Sá Almeida in “Comunicação Social sem Responsabilidade Social” (https://saalmeida.wordpress.com/2017/02/02/comunicacao-social-sem-responsabilidade-social/)

“Como afirmava Eduardo Galeano, o mundo está dividido entre os indignados e os indignos. Mas não são apenas indignos os que submetem à sua vontade os outros Seres Humanos. São desumanos, interesseiros, sem escrúpulos, arrogantes e muitos outros adjetivos pouco abonatórios da espécie Humana.

Pois bem, a verdade é que os valores de quem é indigno não possuem a mesma dimensão dos Valores dos Indignados. Por outro lado, e esta é uma razão numérica, os indignos são em menor número que os indignados. Sendo assim só resta aos indignados ‘dominados’ libertarem-se de vez dos valores que os indignos valorizam.

Se tivermos a sabedoria de consolidar os Valores Humanos como valores dos indignados, então tornar-se-á mais difícil algum dos indignos conseguir dominar os outros Seres Humanos. Mas também saber rodear-se dos mecanismos de defesa que não permitam o retorno à situação de indigno.

Veem-me à ideia as palavras de Vergílio Ferreira “Não é por causa dos outros que somos o que somos: é sempre por causa de nós”. Saibamos assim assumir e interiorizar as mudanças que nos conduzem a Seres com Valores Humanos.

Se é verdade que vivemos momentos difíceis e de mudança estrutural, aproveitemos a ocasião para derrubar os ‘muros’ que nos transformam em indignos, e, de indignados passemos a ser uma espécie construtora de futuros prolongados e Humanos. Saibamos assumir de uma vez por todas a nossa razão de ser, Humanos com Valor num mundo sustentado por nós.”Alfredo Sá Almeida in “O Homem e o Futuro” (2013).

Vou deixar o meu Leitor com a minha interpretação de Verdade e permitir-lhe uma reflexão sobre o tema que introduzi.

“A Verdade é o resultado do encontro no tempo, e em equilíbrio dinâmico, entre a Coerência, a Razão e a Justiça.”Alfredo Sá Almeida

Alfredo Sá Almeida                                                                         25 de Outubro de 2017

Valores Humanos versus Religiões

worlds-religionsEste texto tem por finalidade transmitir aos meus Leitores a minha interpretação sobre esta matéria.

Sobre as Religiões e os Valores Humanos

É meu objetivo traduzir de forma simples, matéria algo complexa, para que não existam confusões entre estes dois importantes referenciais. (Recomendo uma leitura de um artigo muito interessante da Dr.ª Ana Paula Pedro “Ética, moral, axiologia e valores: confusões e ambiguidades em torno de um conceito comum” – Kriterion (vol.55 no.130 Belo Horizonte Dec. 2014) (http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-512X2014000200002))

A meu ver, para se ‘abraçar’ uma Religião é essencial ter fé no Deus ou Divindade respetiva e respeitar os princípios e valores específicos da religião em causa. Portanto a Fé é um Valor indispensável numa Religião. Outro aspeto a ter em consideração é o da espiritualidade. Uma Religião está imbuída de uma espiritualidade específica que a Pessoa sente e aceita.

Por outro lado, a cada Religião corresponde uma cultura própria, relativa à região do mundo onde essa Religião nasceu e se desenvolveu. Ora, de acordo com a definição genérica formulada por Edward B. Tylor, cultura (https://archive.org/stream/primitiveculture01tylouoft#page/n17/mode/2up) é “todo aquele complexo que inclui o conhecimento, as crenças, a arte, a moral, a lei, os costumes e todos os outros hábitos e capacidades adquiridos pelo homem como membro da sociedade”.

Religion_distribution

(https://pt.wikipedia.org/wiki/Principais_grupos_religiosos)

Temos ainda de considerar que dentro de cada Religião existem diferentes vertentes. Por exemplo, na Religião Cristã: o Catolicismo Romano (subordinado ao Papa), a Ortodoxa Oriental (se dividiu da Igreja Católica em 1054 após o Grande Cisma) e o Protestantismo (que surgiu durante a Reforma do século XVI). O Protestantismo é dividido em grupos menores chamados de denominações. No entanto, apesar das divergências o sistema de Valores Humanos é semelhante.

Como já tive oportunidade de escrever num texto anterior (“Os Valores Humanos, os Antivalores e os Desvalores” – (https://saalmeida.wordpress.com/2015/03/30/os-valores-humanos-os-antivalores-e-os-desvalores/)) sobre o Valor Humano é o facto de este ser intrínseco ao Ser Humano e independente da religiosidade assumida pela Pessoa. “Os princípios do Valor Humano são comuns a todas a Religiões, não podendo, portanto, confundir-se com estas. Por outro lado, a fé num Deus não acrescenta nem retira Valor Humano a uma Pessoa. São as atitudes e comportamentos em Sociedade, bem como o estatuto de coerência com a Pessoa em questão, imbuída de determinados Valores, que determina o Valor Humano em causa.”

O mesmo se passa com as nuances culturais, em determinadas regiões do globo. Os Valores Humanos nessas Regiões estarão em consonância com a Cultura dessa Região.

Não nos podemos esquecer, também, que as religiões são seculares e não ‘nasceram’ todas ao mesmo tempo. Para o efeito recomendo a consulta de duas páginas da Wikipédia: 1) “Lista de religiões e tradições espirituais” (https://pt.wikipedia.org/wiki/Lista_de_religiões_e_tradições_espirituais); 2) “História das religiões” (https://pt.wikipedia.org/wiki/História_das_religiões).

Um dos grandes problemas do mundo atual está no facto de, em muitos casos, uma Pessoa religiosa não ser capaz de vislumbrar as semelhanças entre os Valores específicos da sua Religião e os Valores Humanos Universais. Mas uma coisa é certa, os Valores Humanos podem ter influência no compromisso religioso (recomendo uma leitura do artigo “A Influência dos Valores Humanos no Compromisso Religioso” de Walberto Silva dos Santos, et al. – Psicologia: Teoria e Pesquisa (Jul-Set 2012, Vol. 28 n. 3, pp. 285-292) (http://www.scielo.br/pdf/ptp/v28n3/a04v28n3.pdf))

Outro aspeto a ter em linha de conta é o facto de nem todas as Pessoas aceitarem uma religiosidade. Estou a falar do Ateísmo (num sentido amplo, é a ausência de crença na existência de divindades). O que não significa que, eventualmente, não tenham uma componente espiritual. Independentemente disso, o Ateu pode integrar no seu caráter muitos Valores Humanos, devido à Educação que recebeu.

Valores Humanos Universais

Para o efeito recomendo uma leitura do artigo que publiquei neste Blog em 24 de Julho de 2016 – “Declaração Universal de Valores Humanos” (https://saalmeida.wordpress.com/2016/07/24/declaracao-universal-de-valores-humanos/). No entanto, transcrevo aqui o Artigo 2º da Declaração Universal que constituiu uma proposta de resolução para apresentação na Assembleia Geral das Nações Unidas.

“Os valores humanos são os atributos e qualidades que são o coração da humanidade, o que representa a mais alta expressão do espírito humano. Eles são inatos em todas as pessoas e incluem: (1) um carinho profundo por toda a vida, que é a base para todos os outros valores humanos, em última análise, manifestando-se como amor incondicional; (2) a não-violência, que surge espontaneamente a partir de uma consciência da sacralidade de toda a vida; (3) a compaixão, caracterizada pelo desejo de eliminar o sofrimento e miséria para toda a vida; (4) amizade e cooperação, que florescem com a consciência de que nós pertencemos a uma família mundial; (5) generosidade e partilha, qualidades que crescem com a consciência de que a verdadeira prosperidade é o resultado de dar, não de acumulação; (6) um sentimento de pertença e de unidade com toda a vida, o que vem naturalmente com a consciência de que somos todos parte de um só espírito universal; (7) uma atitude eco amigável de cuidar do planeta, decorrente do entendimento de que a terra é nossa mãe, para ser reverenciada e tratada; (8) serviço à sociedade, enraizado na consciência de que estamos aqui para contribuir para algo de valor para a sociedade, e não para obter algo para nós mesmos; (9) um senso de compromisso e responsabilidade, em última análise, que se estende a toda a sociedade e toda a vida; (10) paz e contentamento, parte da nossa natureza mais profunda, a ser alimentada e encorajada, trazendo a paz ao nosso redor e, finalmente, em todo o mundo; (11) entusiasmo, a ser apoiado e nutrido quanto a própria vida; e (12) integridade, honestidade e sinceridade, honrado por todas as tradições espirituais, sem exceção, e formando a base da ordem social e justiça.

Os valores humanos não dependem, e não derivam de qualquer autoridade externa. Os valores humanos, com a potencialidade infinita dentro de todas as pessoas, já estão presentes em todos os seres humanos; Eles só precisam ser impulsionados para prosperar e crescer.

Existe uma estreita relação entre os direitos humanos e os valores humanos. No entanto, apesar do enfoque nos direitos humanos ao longo do último meio século, pouca atenção tem sido dada aos valores humanos. Para que os direitos humanos floresçam, os valores humanos devem ser alimentadas, assim como as raízes de uma árvore deve ser regada para a fruta crescer. Reacender valores humanos em todo o mundo é essencial para alcançar a universalidade dos direitos humanos, a paz e a segurança no planeta, e coexistência harmoniosa entre os diferentes povos e culturas.” (http://www.iahv.org/us-en/wp-content/themes/IAHV/PDF/Universal-Declaration-of-Human-Values.pdf)

Espero ter contribuído para esclarecer a mente dos meus Leitores sobre a relação e diferenças entre Valores Humanos e Religião. Sobretudo realçar algo de muito importante que se refere ao respeito, consideração e tolerância que deve sempre existir sobre a diversidade, o multiculturalismo e o pluralismo religioso ou ideológico, no relacionamento social.

A meu ver os Valores Humanos Universais conseguem aglutinar todas as características de caráter do Ser Humano, independentemente da sua religiosidade e/ou espiritualidade.

Alfredo Sá Almeida                                                                             23 de Outubro de 2017

 

O Mundo está a perder-se no labirinto que criou!

Ao longo da sua História o Homem e o individualismo criativo desenvolveram vários interesses e negócios dos quais não querem abrir mão para uma mudança em direção ao Futuro Coletivo e Sustentável. Criou, assim, uma rede intrincada na qual acabou por ficar enredado sem poder sair.

Uma miríade de interesses instalados que mina uma vontade coletiva de resolver por outros meios os problemas causados e o nocivo desgaste do bem-comum e da Biosfera. É esse emaranhado de interesses sem foco no futuro, muitos deles antagónicos, mas que se equilibram na estrutura, que eu chamo, conscientemente, de ‘Labirinto’ (mental, económico e social).

Dentro do grande Labirinto tridimensional desenvolveram-se vários cancros malignos:

• Crime organizado de toda a espécie;
• Tráfico de droga e de armas;
• Escravidão Humana;
• Terrorismo;
• Prostituição;
• Jogo;
• Etc.

Em resposta a esses cancros o Homem desenvolveu uma organização e estrutura de Justiça, Educação (mas que na realidade é apenas Ensino) e Segurança, que não só não se tornaram eficazes no combate ‘socio-oncológico’ como, em certa medida, contribuíram para o desenvolvimento canceroso.

Há aqueles que alimentam e fazem crescer o Labirinto, para se nutrirem dos seus resultados, dos seus efeitos sobre a sociedade, dos medos e ansiedades que provocam. Este é um instrumento de terror constante para satisfazer quem não consegue impor-se pelas suas capacidades e, portanto, não consegue convencer a consciência coletiva da razão.

O mundo tornou-se complacente, conformado e conivente com os cancros da sociedade. Prefere desculpá-los a eliminá-los.

A Sociedade evita dar prioridade aos Valores Humanos e à Liberdade com respeito e consideração pelo próximo, para desenvolver o rancor, a dissimulação e a inveja como instrumentos de animosidade e confrontação em vez do apoio e da solidariedade institucionalizada.

Acabamos por ver os incompetentes ‘cavalgarem’ nos resultados do labirinto, que ajudaram a alimentar, para se transformarem em salvadores dos interesses que instalaram.

Instalou-se a hipocrisia como cultura e a prepotência como vontade. O Homem escuda-se na Liberdade abstrata e sem Valor para impedir a introdução sustentada de Valores Humanos na Sociedade, com o argumento falacioso de impedir o desenvolvimento das Liberdades individuais. Ora, a soma de muitas Liberdades individuais não constrói uma Liberdade Coletiva.

Para destruir o Labirinto tridimensional criado pelo Homem só existe uma solução: – Colocar-se mentalmente do lado de fora dessa estrutura aprisionadora e permitir que se desenvolva o Ser Humano com Valor, liberto dos interesses instalados e focado no Futuro sustentável. Em simultâneo reconstruir a Sociedade com base nos Valores Humanos universais e instituir o bem-comum como princípio inabalável de desenvolvimento Humano.

Alfredo Sá Almeida                                                                                   18 de Outubro de 2017