Roubar e mentir, as aberrações do SER

Roubar e mentir Conj

Roubar e mentir sempre foram antivalores da Sociedade, ao longo dos séculos. Infelizmente a Educação e a ação policial não têm conseguido eliminar estas duas aberrações. Muito provavelmente por culpa da Educação, que não evoluiu o suficiente para as conter.

Por um lado, a Educação nunca esteve orientada para a formação de Cidadãos de caráter focados no bem comum. Por outro, a ação policial sempre deixou muito a desejar com os métodos utilizados na repressão, sobretudo por falta de pedagogia e contributo para uma melhoria contínua do comportamento dos cidadãos desviantes.

Talvez por isso, temos assistido a uma banalização destas aberrações como comportamentos ‘aceitáveis’, resultantes de um expediente da dinâmica da Sociedade. Sinto que a Sociedade está conformada com estes antivalores. A indiferença latente em muitos aspetos da vivência dos Cidadãos choca com os verdadeiros danos, que minam as estruturas da Sociedade.

É inaceitável, e não deve ser considerado doutro modo. Tudo deve ser feito para corrigir estas aberrações. A Sociedade deve ganhar um novo foco explícito e consistente no BEM COMUM. A Educação formal na Escola Pública deverá assumir uma boa parte da responsabilidade de formar Cidadãos com Valores Humanos e com um caráter global de civismo.

Todos nós sabemos que a Verdade, muitas das vezes, possui uma dimensão não totalmente apreendida pelas Pessoas, mas que isso não deve servir de desculpa para transmitir meias verdades.

Está a fazer muita falta uma idoneidade e uma confiança mútua baseadas num relacionamento saudável em Sociedade. Esta é uma necessidade emergente que deve ter uma repercussão concreta nos programas escolares, sob a forma de Educação em Valores Humanos.

A Human Values Foundation é uma Instituição vocacionada e estruturada para a difusão dos Valores Humanos no mundo. Recentemente, Rosemary Dewan a CEO da Fundação publicou um memorável artigo no seu site, “How does Values Literacy Enhance Young People’s Life Proficiency?” (“Como a alfabetização em valores aumenta a proficiência da vida dos jovens?”) para o qual recomendo a vossa atenção e uma leitura atenta.

Tomo a liberdade de citar Rosemary Dewan num excerto desse artigo:
(https://www.worldvaluesday.com/values-literacy-enhance-young-peoples-life-proficiency-rosemary-dewan/?utm_content=buffer3ed30&utm_medium=social&utm_source=facebook.com&utm_campaign=buffer)

Como uma fluência nos valores afeta a proficiência da vida.
Há uma necessidade constante de avançar a qualidade e eficácia da educação para que todos os alunos possam dominar as habilidades cognitivas, juntamente com as habilidades não-cognitivas e emocionais sociais que lhes permitam florescer plenamente, fazer boas escolhas, alcançar o melhor de suas habilidades e desenvolver-se como indivíduos felizes e satisfeitos, capazes de fazer contribuições positivas para a sociedade.
A instrução regular e estruturada dos valores, incorporada nos curricula e em todos os níveis escolares, com o tempo, nutre nos alunos uma fluência de empoderamento nos valores. Como os participantes aprendem a usar valores positivos para orientar seu pensamento, tomada de decisão e comportamento em todos os contextos de suas vidas cotidianas, o repertório de habilidades adquiridas pode melhorar o seu bem-estar e aprofundar o espectro completo de sua aprendizagem.”

Rosemary-Values-Literacy-3

“Esta transformação de atitudes e competências significa que não só as crianças, mas os professores também podem gerir melhor a sua saúde física e mental, construir e manter as relações gratificantes e aproveitar as oportunidades para o desenvolvimento pessoal e crescimento, de modo a otimizar o seu desempenho, arriscando sair de suas zonas de conforto e serem bem-sucedidos à medida que suas carreiras se desenvolvem.”Rosemary Dewan.

A Sociedade e o mundo global não se podem ‘dar ao luxo’ de desperdiçar oportunidades de transformar o Ensino em Educação e contribuir significativamente para uma difusão dos Valores Humanos, em todos os níveis Escolares.

Alfredo Sá Almeida                                                                                10 de Outubro de 2017

Anúncios

O Mundo Global e as transformações necessárias

Global World

Nas últimas décadas temos assistido a um aumento significativo da dimensão do mundo ‘globalizado’ graças ao incremento notável das comunicações, dos fluxos informativos, dos níveis de escolaridade e formação, do desenvolvimento da internet e suas tecnologias, da mobilidade das Pessoas, entre muitos outros domínios.

A título de exemplo vou mencionar o aumento significativo do número de diplomados em Portugal, nos últimos 25 anos.

No intervalo de uma geração verificou-se um aumento de cerca de quatro vezes no número de estudantes que concluíram licenciatura, mestrado ou doutoramento. Sem dúvida notável.

Diplomados Portugal - Evolução

Sem dúvida que poderemos considerar este caso como uma tendência típica a nível global. Sobretudo no mundo dito ‘ocidentalizado’.

Esta evolução contribui para um aumento dos níveis de desenvolvimento dos Países e Regiões onde ocorrem, e, por consequência, um aumento da dimensão do Mundo Global.
A questão que pretendo colocar para reflexão prende-se com os níveis de consciencialização dos grandes problemas a nível mundial e como os resolver.

Será que este aumento vertiginoso dos níveis de escolaridade, que se verificam em todo o mundo, estão a aumentar a Consciência Coletiva sobre as questões fulcrais que contribuirão significativamente para a dimensão do mundo global?

Entre os problemas prementes do mundo globalizado devemos resolver prioritariamente as grandes ameaças para o Futuro da Humanidade (https://api.globalchallenges.org/static/files/prize-letter-en.pdf) – Laszlo Szombatfalvy:

1. Alterações climáticas, que podem tornar o planeta inabitável;
2. Degradação ambiental em larga escala, que coloca em risco o abastecimento de água e alimentos, reduzindo a resiliência do ecossistema;
3. Conflitos violentos, (guerras civis, genocídios, limpeza étnica) que podem desencadear riscos de utilização de armas nucleares e/ou de destruição em massa;
4. Pobreza extrema, que é uma catástrofe em curso e que afeta mais de 1 bilhão de pessoas;
5. Rápido crescimento populacional em que se torna previsível uma população mundial de 10.000.000.000 de Seres Humanos em 2050;

A resolução destas ameaças é essencial para a ‘saúde’ do Mundo Global.

Simultaneamente foram estabelecidos, pela ONU, os objetivos do Desenvolvimento Sustentável para 2030, na sequência dos objetivos do Milénio (2000 – 2015):

Goals 2030 UN SDG

Significa que é necessária e urgente uma transformação do Mundo Global, para podermos encarar o Futuro com maior otimismo. Mas também se torna necessário um maior conhecimento e consciência das questões coletivas que beneficiarão um maior número de Pessoas de modo sustentável.

Temos de admitir que a Felicidade Social e coletiva contribui para a Felicidade individual e vice-versa.

Assim sendo, preocupam-me vários aspetos que se estão a desenvolver neste nosso mundo globalizado e, aparentemente mais desenvolvido, que têm sido objeto de estudos: o individualismo, o egoísmo e o imediatismo. São três atitudes que em nada contribuem para uma globalização saudável nem para o aumento dos níveis de Consciência Coletiva, em direção a um Futuro Coletivo e sustentável.

Existem aspetos de mudanças positivas, nas atitudes e comportamentos das Pessoas, que se estão a difundir em maior escala, e que contribuem para os desígnios que mencionei. Estou a falar de um artigo muito interessante do Gustavo Tanaka (26/5/2017) “Há algo de grandioso acontecendo no mundo” (http://guiadaalma.com.br/ha-algo-de-grandioso-acontecendo-no-mundo/). Recomendo uma leitura atenta deste texto para se aperceberem das mudanças que estão a ocorrer.

Segundo este autor o mundo está se transformando e menciona um conjunto de motivos que o levam a acreditar nisso. “São os seguintes:

1. Ninguém aguenta mais o modelo de emprego;
2. O modelo do empreendedorismo também está mudando;
3. O surgimento da colaboração;
4. Estamos começando finalmente a entender o que é a internet;
5. A queda do consumismo desenfreado;
6. Alimentação saudável e orgânica;
7. Despertar da espiritualidade;
8. Movimentos de ‘desescolarização’ (hackschooling, homeschooling).”

Termina, dizendo: “Silenciosamente, as pessoas estão acordando, se dando conta da loucura que é viver nessa sociedade. Olhe para todos esses movimentos e tente pensar que tudo está normal. Eu acho que não está. Há algo de muito extraordinário acontecendo no mundo.”

Estas mudanças reativas nas atitudes e comportamentos das Pessoas são importantes. Mas gostaria de lembrar que têm de ganhar sustentabilidade e globalidade para terem um contributo duradouro.

No entanto, outras tendências menos positivas tomam forma e difundem-se rapidamente. Estou a falar do Individualismo e do Imediatismo.

Sobre estas lamentáveis características Humanas, para o Mundo Global, relembro aqui dois artigos muito interessantes sobre estes temas:

“Individualism is Spreading, and that’s Not Good”Derek Beres (24/07/2017) (http://bigthink.com/21st-century-spirituality/individualism-is-spreading-and-thats-not-good?utm_campaign=Echobox&utm_medium=Social&utm_source=Facebook#link_time=1506225659)
“Cultura do imediatismo”Bolívar Torres (11/07/2013) (https://oglobo.globo.com/amanha/tudo-ao-mesmo-tempo-agora-um-fenomeno-da-era-digital-8969361#ixzz2YePd8tLG)

Estes artigos mencionam os estudos e reflexões escritas de Douglas Rushkoff (“Present shock: When everything happens now” – 2013) e de Henri Santos, Igor Grossman e Michael E.W. Varnum (“Global Increases in Individualism”, Psychological Science (13/07/2017) (http://journals.sagepub.com/doi/abs/10.1177/0956797617700622)), matérias importantes para compreendermos os perigos dum Futuro desajustado dos anseios de um Mundo bem Globalizado.

Segundo estes autores “Infelizmente, os seres humanos tendem a notar apenas o que é imediato, o que faz sentido nas tribos, mas cria problemas substanciais nas Nações legisladas por um governo. Promove um impulso para o individualismo em que as preocupações dos poucos se tornam mais importantes do que o bem-estar dos muitos. Torna-se América. E a América está se espalhando.
Mais genericamente, o valor “ocidental” do individualismo está se espalhando, de acordo com a nova pesquisa publicada na Psychological Science. Examinando 51 anos de dados cobrindo 78 países coletados para o levantamento de valores mundiais, os autores Igor Grossman e Michael E.W. Varnum descobriram que não são apenas as culturas ocidentais que se tornam mais individualistas. Como reporta Science Daily.
Em geral, as culturas individualistas tendem a conceber pessoas como autossuficientes e autónomas, e elas tendem a priorizar a independência e a exclusividade como valores culturais. As culturas coletivistas, por outro lado, tendem a ver as pessoas ligadas aos outros e inseridas num contexto social mais amplo – como tal, tendem a enfatizar a interdependência, as relações familiares e a conformidade social.”Derek Beres.

Se pretendemos um Mundo Global onde os Valores Humanos contribuem para um Futuro Coletivo em Paz duradoura e onde as diferenças culturais estão em equilíbrio dinâmico com os anseios dessa Globalização, vamos ter de mudar as nossas atitudes e comportamentos. Vamos ter de melhorar significativamente a nossa Inteligência e Consciência Coletivas e ser capazes de transformar os sistemas educacionais dos Países em algo que esteja consonante com a Globalização e Sustentabilidade que pretendemos no Futuro.

Alfredo Sá Almeida                                                                              26 de Setembro de 2017

Nenhuma provocação possui Valor Humano

Provocações1

Nos dias de hoje é muito frequente vermos, ouvirmos, sentirmos provocações de Pessoas, de Instituições, de Organismos ou de Países. Uma provocação pode ser entendida como um desafio, um repto ou um insulto. Pode ainda ter outras interpretações, como uma tentação, um incitamento ou uma aliciação.

Seja como for, é uma atitude deplorável que não possui qualquer Valor Humano. Os desafios ou os reptos têm caráter positivo e nunca devem assumir uma ‘forma’ provocatória. Não nos podemos esquecer que o Bullying normalmente começa com uma provocação.

Na dialética política e no comentário desportivo, entre outros, é muito frequente assistirmos a provocações mútuas entre forças adversárias. Mais grave ainda é assistirmos a comunicação ‘dita’ social a ‘dar voz’ e tempo de antena às mais diversas provocações, de várias origens. São insultos constantes à inteligência das Pessoas que estão a assistir às notícias ou aos programas.

A meu ver, estas atitudes representam uma enorme lacuna na Educação formal e Escolar. Não preparar os jovens a utilizar as suas capacidades e a evitar a utilização de todo e qualquer tipo de práticas provocatórias. Sobretudo, dar-lhes os meios para ganharem uma resiliência às provocações, não os deixando envolverem-se nessas práticas.
Criou-se indevidamente uma ‘cultura’ da provocação, com requintes maliciosos e doentios, de tal forma que se considera como normal algo que deveria ser abolido.

O que se verifica é uma determinação exacerbada de uns, julgando que condicionam a liberdade de outros com as suas atitudes provocatórias. Na realidade acabam produzindo mal-estar generalizado.

Poderá até haver quem considere que é um direito seu poder provocar o que e quem quer que seja, para seu belo prazer. Normalmente, quem assim pensa tem uma atitude irresponsável sobre as consequências dos seus actos.

Chega-se ao ponto de provocar os provocadores para daí tirar os devidos dividendos. Enfim, uma cascata de acontecimentos, própria de crianças irresponsáveis e sem acompanhamento de entidades arbitrais.

No limite, este é o grande problema que uma provocação pode desencadear – uma cascata de acontecimentos indesejáveis para todas as partes. Um avolumar de incompreensões, de mal entendidos e insultos que só poderão causar raiva e reações negativas, desprovidas de valor Humano.

Num mundo carente de Paz, compreensão e conjugação de esforços para um Futuro melhor, aceitar provocações é um erro que se pagará muito caro.

Fique calmo

“Se pretendemos mudar o mundo necessitamos de mudar o modo como ele funciona”

Alfredo Sá Almeida                                                                              16 de Setembro de 2017

A coexistência de Humanos com Robots Humanoides

Robots Humanoides 6

O Futuro que o Homem empreendedor da atualidade tem em mente, não será porventura o mais adequado ao Ser Humano!
Esta minha afirmação prende-se com o facto de ver frequentemente expresso, em artigos de opinião e de especialistas em robótica, que os Robots Humanoides virão para ficar em coexistência com os Humanos.

(Ex.: http://observador.pt/2017/09/07/um-grande-numero-de-empregos-na-banca-vai-para-os-robos-diz-o-presidente-do-deutsche-bank/) Ver ainda: “La dialectique du maître et du robot”Michel Serres; “Les robots peuvent-ils vraiment être considérés comme nos esclaves?”Martin Legros, Philosophie magazine nº112, Sept. 2017.

Passo a explicar a razão do meu ceticismo.

Um Robot Humanoide é uma máquina articulada, de aparência humana, e com processamento computacional que imita comportamentos Humanos e executa tarefas repetitivas por instruções programáveis. Poderá possuir ou não Inteligência Artificial, o que o tornaria mais autónomo e com maior número de graus de liberdade no ambiente humano.

Na Wikipédia a definição de Robot Humanoide é: “… um robô cuja aparência global é baseada na aparência do corpo humano, permitindo sua interação com ferramentas e ambientes feitos para uso humano. Em geral robôs humanoides possuem um tronco com uma cabeça, dois braços e duas pernas, embora algumas formas de robôs humanoides possam ter apenas parte do corpo, por exemplo, a partir da cintura para cima. Alguns robôs humanoides podem também ter um “rosto”, com “olhos” e “boca”. Androides e ginoides são robôs humanoides construídos para se assemelharem esteticamente a um humano.”

Este conceito é significativamente distinto do robot autómato, que executa tarefas repetitivas de precisão, mas que está confinado a um lugar fixo e não tem uma aparência humanoide. Exemplo disto são os robots que existem nas fábricas de automóveis e realizam uma boa parte da produção e montagem dos veículos, com precisão e fiabilidade, em conjunto com Humanos.

Aparentemente a construção massiva destas máquinas, para apoiar no trabalho e atividades Humanas, não trará grandes complicações à vida das Pessoas, a não ser as relacionadas com determinados postos de trabalho repetitivo e sem necessidade de um pensamento racional realizado por Humanos.

Se, de certo modo, é louvável que o Homem acabe com o ‘trabalho estilo escravo’ de Seres Humanos, fica-nos a preocupação de haver cada vez menos oportunidades para Pessoas, com menos recursos de inteligência racional, ocuparem o seu tempo, ganharem o seu salário e terem uma vida condigna para além do trabalho repetitivo. Não nos esqueçamos que a Inteligência não se confina à dimensão racional. As dimensões Emocional, Espiritual e Social também integram o grande Universo da Inteligência Humana.

Mas, a meu ver, existem outros aspetos a ter em conta nesta ‘equação laboral’.

Se pretendemos um Homem cada vez mais desenvolvido em todos os aspetos, conhecedor e atuante numa Sociedade plural, devemos proporcionar uma Educação e Formação profissional de qualidade, cada vez a maior número de Pessoas. Essa Educação deverá incluir nos curricula a transmissão pedagógica de Valores Humanos, permitindo que um Ser Humano adquira uma dimensão Pessoal, Profissional e Social de maior relevo na Sociedade. Que tenha a capacidade integrada de Inteligência e Consciência Coletivas e a vontade de participar na construção do Futuro Coletivo na Sociedade em que se encontra inserido.

Como sabemos, infelizmente pela História do Homem, houve tempos em que a escravatura de outros Homens era matéria real, legal e económica para quem detinha esses escravos. Ao ponto de poderem decidir da vida ou morte (posse) desses escravos, em ‘perfeita’ legalidade.

Ora este tipo de escravatura, apesar de não ser mais possível no mundo desenvolvido, ainda existe em muitas partes do mundo tal como existiu no passado. Estima-se que existam, ainda, em todo o mundo, cerca de 40 milhões de Pessoas sujeitas a escravidão Humana (http://www.jornaleconomico.sapo.pt/noticias/ha-40-milhoes-de-escravos-no-mundo-oit-pede-mais-empenho-no-combate-211171) (trabalho forçado; tráfico humano; trabalho servil derivado de casamento ou dívida; exploração sexual; exploração infantil, etc.). (https://www.globalslaveryindex.org/)

A minha preocupação e pensamento estão com as Pessoas que sofrem estas indignidades e não possuem a força física e de espírito suficiente para se libertarem destes esclavagistas. O grande problema é que existem ainda muitos homens e mulheres com pensamento, comportamento e atitudes esclavagistas. Normalmente, os estudos que determinam e quantificam a existência de Pessoas em situação de escravidão e ‘trabalho escravo’, não determinam nem quantificam os esclavagistas. Mas infelizmente são mais do que os Seres Humanos merecem. E, ainda, uma parte da Sociedade é tolerante à sua presença! Nem dá para acreditar!

Pois bem, aqui chegados considero que é de louvar que existam robots humanoides para realizar o ‘trabalho dito escravo’. No entanto, considero que a construção massiva destas máquinas não fará desaparecer a atitude humana de esclavagista. Apenas estará desviada para os robots humanoides. Se algo falhar no funcionamento destes, será que o ‘dono’ desses Robots não tomará uma atitude esclavagista com Humanos, de novo?

Significa que o mais importante é o Valor Humano das Pessoas envolvidas em todo o processo e o respeito por Valores Humanos que determinará a evolução da nossa espécie. Os Robots Humanoides deverão ser apenas máquinas que nos ajudam a ir mais longe, mais depressa, controlados por Seres Humanos com Valor.

Robots Humanoides 3

Alfredo Sá Almeida                                                                              12 de Setembro de 2017

Imaginar uma nova realidade

Albert Einstein - Imaginação

A imaginação é uma capacidade Humana de representação mental de coisas reais ou ideias. “Trata-se de um processo que permite manipular a informação criada no interior do organismo (sem estímulos externos) para desenvolver uma representação mental.”
“A imaginação, deste modo, permite ter em mente um objeto que se tenha visto anteriormente ou criar algo novo sem nenhum fundamento real. Ao imaginar, o ser humano manipula informação da memória e converte elementos já percebidos numa nova realidade.” (http://conceito.de/imaginacao)
A imaginação de uma nova realidade tem uma particularidade especial, tem de ser coerente e possível de aplicar em Sociedade. Para todos os efeitos é um processo criativo de Valor, pois nele entram muitos dos sonhos existenciais que possuímos.
Albert Einstein recorda-nos, na frase que apresentei acima, que a imaginação tem uma importância fulcral na construção de qualquer realidade. Mas também nos recorda que “A realidade é apenas uma ilusão, ainda que muito persistente”. Sendo assim, a imaginação de uma nova realidade tem de ter a capacidade de ‘desalojar’ a ilusão persistente.
Processo difícil, sem dúvida, mas possível. Para que tal aconteça tem de convencer de forma permanente a imaginação das outras Pessoas. Tem de representar uma confiança coerente na mente dos que a recebem. E é gratuita!
Como sabem eu tenho vindo a apresentar neste meu blogue, a minha imaginação sobre um novo paradigma para o futuro da Humanidade, baseado no Valor Humano. Não tem sido fácil encontrar argumentos que conduzam a uma coerência de ideias e ideais, mas é genuíno e verdadeiro na representação da confiança nos meus Leitores. Se consegue ‘desalojar’ a atual realidade é outra matéria.
A realidade que atualmente se vive no mundo global, está mais próxima de uma ilusão desagradável para TODOS do que possamos pensar. Basta ler e ouvir as notícias de todos os canais de mídia para ficarmos bem iludidos com tudo o que se passa.
Resta-nos a esperança que tudo dê certo. Mas não será a esperança uma nova forma de imaginação?
O Homem construiu um mundo desmembrado, baseado no medo e na desconfiança, e pretende que as Pessoas sejam capazes de se ‘sintonizar’ com ideias com pouca virtuosidade e de fraco sentido humanista! Não é capaz (ou não pretende) que a Educação que ministra a todas as crianças e jovens, seja construtora de imaginação saudável, pacífica e de valor para o futuro. O Homem quer que exista criatividade mas que esteja direcionada para o lucro e não para o bem comum.
É preferível que o mundo global seja uma utopia humanista e de Valor, que a distopia em que se tornou!
Uma coisa é certa “A realidade deixa muito espaço à imaginação”, como afirmava John Lennon. Resta-nos saber usar esta nossa faculdade de imaginar um mundo melhor, onde TODOS possamos coexistir e ser felizes.

Alfredo Sá Almeida                                                                          6 de Setembro de 2017

O Valor Humano requer uma Educação Holística

holosgenesis

A palavra Holístico (a partir do termo holos, que em grego significa “todo” ou “inteiro”) foi criada por Jan Christiaan Smuts, primeiro-ministro da África do Sul (de 1919 a 1924 e de 1939 a 1948), no seu livro de 1926, “Holism and Evolution”, que a definiu assim: “A tendência da Natureza, através de evolução criativa, é a de formar qualquer “todo” como sendo maior do que a soma de suas partes”.

Este é um conceito, que mesmo não sendo usado como o princípio postulado por Smuts, representa bem a dimensão evolutiva da Vida no nosso Planeta. Não se torna difícil reconhecermo-nos nele, pois o processo evolutivo do Homem possui uma dinâmica própria, resultado das mais variadas práticas e interações culturais.

Uma coisa é certa a dimensão do Homem pode sempre ser maior que a soma de todas as práticas culturais. O seu Valor Humano pode resultar da aplicação do conhecimento holístico na sua Vida.

O que o Ser Humano não compreende na globalidade pode sempre pesquisar na compreensão das partes e chegar a uma soma que se aproximará do TODO comum.

Estudar muito para saber pouco

Este é um paradoxo que o conhecimento formal terá muita dificuldade em explicar apenas por palavras.

Aqui chegados, não se torna difícil compreendermos a importância que uma Educação Holística terá na formação das mentes Humanas. A ‘Luz’ e o esclarecimento acabará por sobressair da aprendizagem bem conduzida por profissionais educativos, professores, mentores, educadores, etc. O Valor Humano poderá ganhar dimensão com a Educação Holística.

Mas o Homem tem muita dificuldade em pôr-se de acordo com os seus pares para estruturar e conduzir uma Educação Holística que se adapte ao mundo global. Senão vejamos o que a Consciência Coletiva sobre o fenómeno da Educação formal nos revela, neste excelente artigo de Laura Silver na página internet do World Economic Forum (1 de Setembro de 2017):

Education Consensus

(https://www.weforum.org/agenda/2017/09/this-is-how-people-around-the-world-view-education?utm_content=buffera6031&utm_medium=social&utm_source=facebook.com&utm_campaign=buffer)

Neste gráfico poderemos ver que não existe consenso, entre os diversos Países do mundo, para o melhor tipo de Educação, seja entre Competências académicas básicas encorajando as disciplinas ou Ser Criativo e pensar independentemente.Daqui resulta que o Homem tem de melhorar muito a sua Consciência e Inteligência Coletivas para um melhor Futuro.

Vejamos alguns casos para melhor compreensão.

• Caso da Foto versus Filme:
Quando tiramos uma foto de um acontecimento, seja de que natureza for, essa foto representa apenas um momento desse acontecimento. Poderá até ser um momento representativo do acontecimento e esclarecer algo com maior detalhe, se a foto for excelente. No entanto, se fizermos um filme de todo o acontecimento ficaremos com a compreensão global do mesmo, mesmo que possamos perder algum detalhe ou pormenor. A atenção e capacidade de compreensão de quem visiona o filme é muito importante para o esclarecimento total do acontecimento.

• Caso da Contemplação versus Ação:
Alguém com uma predisposição maior para a Contemplação poderá ganhar uma compreensão pormenorizada sobre um determinado tema ou assunto parcelar e adquirir uma dimensão esclarecida sobre um fenómeno. Por outro lado, quem tiver uma atitude predominante para a Ação conseguirá ganhar uma compreensão do conjunto, até mesmo da interação entre as partes, que de outro modo seria mais difícil. As dimensões atingidas por cada um dos referenciais são importantes e têm tendência a completar-se. Dependerá muito da capacidade interpretativa de cada um dos intervenientes.

Se a nossa mente for capaz de abranger ambas as dimensões, focadas nestes casos exemplo, estaremos seguramente mais próximos de um tipo de pensamento Holístico, que terá de se basear num grande conhecimento de uma grande variedade de fenómenos para poder esclarecer adequadamente (e poder fazer ‘Luz’) sobre um tema complexo.

Existem tantos mistérios por explorar e compreender que o desenvolvimento do pensamento e conhecimento holísticos serão de uma enorme utilidade para a Evolução Humana. Sem dúvida que a existência de uma capacidade de visão holística sobre esses mistérios ou fenómenos acrescentará muito à compreensão global.

O Valor Humano possui muitas dimensões, tantas quantas as interações possíveis entre elementos da mesma espécie, e daquelas com elementos doutras espécies. O importante é que o resultado final dessa multitude de interações seja pacífico, esclarecedor e harmónico sob o ponto de vista cultural da nossa espécie.

O método científico é um bom ponto de partida para a compreensão das partes. A compreensão da multitude das disciplinas científicas requer uma mente com capacidade global. Mas existe tanta ‘matéria’ para além do conhecimento científico, que este ainda não consegue explicar, que devemos estar muito atentos para não nos perdermos num caos de conhecimento.

Um dos maiores problemas da Humanidade é a grande falta de Educação, de qualquer tipo, e a multitude de interesses distópicos que acaba conduzindo o Homem para atitudes e comportamentos mais próprios de uma distopia do que de Valor Humano.

Alfredo Sá Almeida                                                                               3 de Setembro de 2017

Que Futuro sem o Valor Humano?

Interrogação Humana

O mundo global atual enferma de uma acumulação de problemas, ao longo das últimas gerações, resultantes da rápida expansão de TUDO, por ansiedade do Homem.
No século passado o Homem e a Biosfera sofreram a devastação de duas Guerras Mundiais e de muitas outras regionais. O consequente abrandamento dos conflitos à escala mundial desencadeou uma expansão mercantilista, economicista, financeira e industrial potenciada pelos anseios das populações em ambiente de Paz e de estabilidade no Futuro.
Essa expansão acompanhada de uma explosão demográfica foi o resultado da libertação massiva de muitas ‘amarras’ psicológicas e mentais que o Homem tinha construído indevidamente ao longo da História.
Agora sem esses ‘obstáculos’ e na ausência crescente de uma Educação que valoriza TUDO menos os Valores Humanos, eis-nos chegados a uma ‘montanha’ de problemas complexos que poderão acabar com a nossa espécie em menos de um século.
Muitos de nós, que possuem uma consciência mais apurada e atentos à evolução da Humanidade, nos questionamos se teremos uma palavra a dizer sobre o nosso Futuro Coletivo.
Bombardeiam-nos com imensa informação, talvez demasiada, sobre qual será o nosso Futuro e esperam que possamos aderir voluntariamente, consciente ou inconscientemente, (ou à força) consoante os interesses de alguns poucos, que de Seres Humanos entendem pouco.
1. Temos soluções distópicas para todos os gostos. Aliás, se não fizermos nada, na atual situação do mundo, não demorará muito a que uma dessas distopias nos ‘bata à porta’.
2. Depois temos a introdução massiva dos robots a conviver com os Humanos. Dizem-nos que a automação e a inteligência artificial poderão tirar-nos os empregos, mas vão restaurar-nos a Humanidade. Com o espírito do Homem que nos governou até aqui será um pouco difícil isso acontecer! “Automation may take our jobs – but it’ll restore our humanity” – (https://www.weforum.org/agenda/2017/08/automation-may-take-our-jobs-but-it-ll-restore-our-humanity?utm_content=buffer085ae&utm_medium=social&utm_source=facebook.com&utm_campaign=buffer)
3. Ainda temos o Transhumanismo, não seremos Homens nem máquinas mas algo pelo meio. Com que caráter e com que personalidade? Ao meu caro Leitor para desbravar. “Transhumanismo e pós-humanismo” – (http://www.dn.pt/opiniao/opiniao-dn/anselmo-borges/interior/transhumanismo-e-pos-humanismo-1-5730228.html)
4. Ah! Falta ainda falar naquele movimento que defende a extinção da espécie humana por iniciativa voluntária! Não, não leu mal, é mesmo assim! É uma atitude altruísta para defender a Biosfera. “Líder do movimento pela Extinção da Espécie Humana no Porto” – (https://zap.aeiou.pt/lider-do-movimento-pela-extincao-da-especie-humana-no-porto-170886)
5. Etc.
Eu considero que todas estas soluções, produzidas por Seres Humanos, não acreditam verdadeiramente nas capacidades do Homem Coletivo como Ser integrado na Biosfera. Não só não acreditam nas capacidades e competências do Homem como fazem muito pouco para as desenvolver com Valores Humanos.
É aqui que eu entro! Defendo que o Homem pode e deve transformar-se em Ser Humano através de uma Educação exigente onde os Valores Humanos estarão bem integrados nessa Educação para TODOS. Mas não só. Também defendo em simultâneo a integração sustentável na Biosfera, com sustentabilidade ambiental e de vida. Defendo ainda uma mudança radical de Paradigma da Sociedade Global, terminando com o valor do dinheiro e desenvolvendo uma Sociedade de Valor Humano.
Tudo isto é possível se o Homem o desejar com Consciência e Inteligência Coletivas, apoiado em todos os desenvolvimentos científicos, nas mais diversas especialidades, e no Humanismo como filosofia de vida, sustentado nos Valores Humanos e na sã convivência em Sociedade Global.
Recentemente, o World Economic Forum (19 de Agosto de 2016) publicou um artigo muito interessante “10 skills you need to thrive tomorrow – and the universities that will help you get them” baseado no Relatório “Future of jobs”.
Nele, são mencionadas as 10 principais Competências a desenvolver por profissionais para o ano 2020, comparando com as competências necessárias em 2015. Assim:

2020-2015

De salientar neste estudo para o ano 2020 a ‘entrada’ de competências novas 10) Flexibilidade Cognitiva e 6) Inteligência Emocional, para além de uma nova redistribuição prioritária das outras que já se faziam sentir necessárias em 2015. Convém lembrar que grande parte destas competências requerem a inclusão de Valores Humanos na personalidade e caráter dos futuros Profissionais.
Em 2020 todo o Profissionalismo em exercício que não tiver enraizados os Valores Humanos, terá poucas probabilidades de sucesso e de um Futuro condigno. Aliás, TODA a vida em Sociedade estará dependente de uma boa Educação em Valores Humanos, para podermos ter um Futuro Coletivo duradouro.
Ao meu caro Leitor não lhe peço que acredite em mim, mas que desenvolva o seu conhecimento e a sua Consciência em consonância com o Futuro da Humanidade.

Alfredo Sá Almeida                                                                              24 de Agosto de 2017