As ‘teias’ do Poder

Teia dos poderes

O Homem ao longo do seu processo evolutivo, e de afirmação de espécie dominante, construiu muitas ‘teias’ capazes aprisionar e imobilizar todos aqueles que voam livre e despreocupadamente.

Essas ‘teias’ foram tomando volume e dimensão, ao ponto de constituírem um Poder ao qual é difícil escapar.

Não vou falar de todas as tramas que foram sendo tecidas, mas vou mencionar apenas algumas com muito significado. Assim, algumas das mais impactantes:

  1. A indústria da Guerra e do armamento (nas componentes terra, mar, ar, espaço e ciberespaço);
  2. O sistema financeiro global internacional e a sua sofisticação;
  3. O tráfico humano, de armas e substâncias estupefacientes;
  4. A World Wide Web na sua dimensão mais negra.

Todas estas ‘teias’ se avolumaram com a ‘explosão’ tecnológica, mas nasceram pela vontade e necessidade em dominar, e cresceram na mente de Pessoas interessadas, inteligentes, destemidas e capazes de subjugar sistemas anexos.

Todas elas foram tecidas pelo interesse no Poder e na capacidade de ganhos significativos em dinheiro. O objetivo, sempre foi o de obter um BOM lucro num curto intervalo de tempo. O bem-comum nestes sistemas de Poder está desprovido de significado, pois tudo é feito para garantir que as ‘teias’ se perpetuem e se desenvolvam.

Se adicionarmos outras tramas formais e/ou informais, desprovidas do sentido do bem-comum, e do desenvolvimento humano, verificamos que o espaço que sobra é pouco para o muito que a Humanidade necessita para o seu desenvolvimento. Além da falta desse espaço que a Humanidade carece, a influência que esses poderes exercem é de tal forma grande e capaz de anular toda e qualquer iniciativa que pretenda inibi-los ou diminuí-los (em resumo, destruí-los).

Os meus caros Leitores perguntarão – ‘Então onde e como fica a nossa Liberdade de atuação, construção de novas ideias e desenvolvimento Humano, neste Planeta?’Fica precisamente nos intervalos ou interstícios ‘permitidos’ por essas ‘teias’ de Poder, sem capacidade de se tornar uma ‘TEIA’ de BEM-COMUM e ter, e ser, um polo de verdadeiro desenvolvimento Humano. Tal como no nosso Universo, a força gravitacional dos maiores atrairá os mais pequenos, para que estes orbitem ou se esmaguem.

A mente Humana tem uma capacidade enorme de criar, construir e tecer as melhores e mais belas ‘teias’ com Inteligência e Consciência Coletivas, onde o Bem-comum seja uma constante dinâmica e virtuosa. Mas agora que orbitamos as já existentes, saberemos desligar-nos e desenvolver um sistema que não tenha ‘teias’ que nos aprisionem ou asfixiem? (numa teia onde uma aranha domina, quando uma mosca fica aprisionada e se movimenta muito, mais imobilizada fica e mais rápido morre).

O nosso Futuro Coletivo está dependente de muitos e intrincados fatores. A mente Humana é a entidade capaz de nos conduzir para o melhor que a Humanidade tem para oferecer nesta nossa Biosfera. A Educação e os sistemas Educativos deveriam estar orientados para preparar e fortificar as MENTES EXISTENTES EM MENTES SAUDÁVEIS E DESENVOLVIDAS. Saibamos usá-la para o Bem-comum.

O meu caro Leitor já reparou quão fácil é, para um Ser Humano, derrubar uma teia de aranha? Então a nossa mente também será capaz de derrubar outras ‘teias’, aquelas que nos condicionam e nos enfraquecem como espécie Inteligente e construtora de Futuros.

Paz3

Alfredo Sá Almeida                                                                                  18 de Setembro de 2018

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Novos Textos numa nova página!

Homem Terra

Os novos textos sobre o tema ‘Valor Humano’ encontram-se numa nova página:

https://valorhumano.me

Grato pela sua curiosidade e interesse neste tema.

Estes são os novos textos já disponíveis:

  1. O Homem está a perder a razão em relação ao Ser Humano (25/03/2018)
  2. Será neste século que o Homem se transformará em Ser Humano? (25/08/2018)
  3. O que é que você valoriza? (27/08/2018)
  4. Você permitirá que o(a) classifiquem como um inútil? (29/08/2018)
  5. As ‘teias’ do Poder (18/09/2018)

Alfredo Sá Almeida                                                                               18 de Setembro de 2018

Você permitirá que o(a) classifiquem como um inútil?

Tenho de concordar com Yuval Harari quando afirma que uma nova e imensa classe de Pessoas surgirá, a dos INÚTEIS, se o Homem continuar a desenvolver as tecnologias com a obsessão pelo poder e a ganância pelo dinheiro, como temos observado até hoje. Este Escritor deixa-nos perplexos com a análise que faz da Humanidade. A previsão que faz do Futuro é assustadora. O facto de ser Professor de História dá-lhe argumentos plausíveis.

Numa entrevista recente Yuval Harari afirma: “Computadores altamente inteligentes poderão expulsar milhares de milhões de pessoas do mercado de trabalho, criando uma imensa “classe inútil”. Ao mesmo tempo, poderão tornar possível a criação de ditaduras digitais. No século XX, a democracia derrotou a ditadura, porque a democracia é mais eficaz a processar informação e a tomar decisões. O conflito entre a democracia e a ditadura não é apenas um conflito entre diferentes sistemas éticos, mas entre diferentes métodos de processar informação e tomar decisões. A democracia distribui informação e o poder de tomar decisões entre muitas pessoas e instituições, enquanto as ditaduras concentram a informação e o poder num lugar. Dada a tecnologia existente no século XX, era pouco eficaz concentrar informação e poder num único lugar. Ninguém tinha a capacidade de processar toda a informação com a rapidez suficiente e de tomar as decisões certas.”in Jornal ‘Público’ em 24 de Agosto de 2018 (https://www.publico.pt/2018/08/24/culturaipsilon/entrevista/yuval-noah-harariso-se-percebermos-o-que-nos-faz-humanos-poderemos-continuar-a-ser-humanos-1841497).

Automação

No entanto, este argumento da imensa classe inútil tem muitos aspetos inaceitáveis. É sobre esta possibilidade que vou desenvolver os meus argumentos.

Você aceitaria passivamente essa classificação, e, que lhe oferecessem dinheiro para não fazer nada?

A ser afirmativa essa resposta significaria várias coisas:

  • Que você não teria competências suficientes para uma profissão no futuro;
  • Que você aceitaria o ócio como forma de vida;
  • Que você não seria suficientemente inteligente para se dedicar a outras matérias do seu interesse e ‘sonho’;
  • Que você estaria disponível para ser escravo do sistema que criou a sua condição de INÚTIL.

Sinceramente, não acredito que sejamos tão passivos, tão indiferentes e tão pouco inteligentes, que nada fizéssemos para derrubar o sistema que desenvolvesse esse processo.

Reconheço que a Humanidade é um conceito que o Homem criou e tudo deve fazer por o merecer, mas só o Ser Humano com Valor a pode representar.

Por outro lado, existem tantas questões sociais carentes de intervenção, que a empatia natural dos Seres Humanos se encarregaria de transformar em atividade solidária e intervenções sociais dignas, para melhorar significativamente a condição Humana.

A História já nos demonstrou que o Homem não aceita pacificamente a condição de ‘escravo’ ou de ‘inútil’.

Nós somos seres criativos por natureza e a inteligência só tem tendência para melhorar e aumentar, com as devidas condições educacionais. A criatividade e a inteligência Humana são fenómenos irreversíveis e inalienáveis. Essa é uma das razões porque venho defendendo o meu sistema de uma Sociedade Global de Valor Humano, ao ponto de o querer transformar num Paradigma para o Futuro da Sociedade.

Outra razão prende-se com o facto de os Valores Humanos já se encontrarem suficientemente difundidos pela Sociedade, para que esta nada fizesse para alterar esse estado de coisas indignas de Seres Humanos.

Mesmo em condição ditatorial a tendência seria que esta não se aguentasse muito tempo, sem que a Liberdade responsável, associada à Inteligência Coletiva, tomasse as devidas medidas de intervenção.

Temos todas as razões e mais algumas para desenvolver a Democracia e a tornar suficientemente ágil e interventora, para não permitir uma situação dessa natureza – transformar Pessoas em inúteis.

Eu compreendo que o mundo Empresarial e Corporativo se encontra numa tendência de querer conhecer os anseios, as emoções, os impulsos, os gostos e as personalidades de todos os potenciais consumidores com as ferramentas do Neuromarketing. E, mais grave que isso, que as Pessoas têm sido demasiado passivas e permissivas no desenvolvimento de tais metodologias. Mas considero que a nossa inteligência será bem mais flexível e arguta, para não se deixar ‘dominar’ nem manipular, ao ponto de tomarem conta da nossa consciência e capacidade de ação, individual e coletiva.

Este Mundo Global tem tantos e tão graves problemas por resolver que o mais provável será o processo descambar para outras tendências. Problemas nos sistemas Educacionais, Sociais, de Saúde, de Justiça e desenvolvimento Humano, são tão graves e tão carentes de melhores soluções, que acabarão por se sobrepor a qualquer tentativa de manipulação.

As nossas atitudes e comportamentos como Seres das novas Sociedades, sempre determinarão os caminhos do Futuro. Se nada fizermos para melhorar os sistemas de Ensino e de Escolaridade, por esse mundo fora, então será mais garantido que estaremos mais propensos a ser manipulados Política, Económica e Financeiramente. Sem Valores Humanos e sem uma Educação de qualidade estaremos vulneráveis a todos os ‘lobos’ e ‘animais selvagens’ que nos queiram ‘comer por parvos’ e manter medrosos do que aí virá.

Inteligência e Consciência Coletivas são duas dimensões Humanas que poderão, seguramente, contribuir para o nosso Futuro Coletivo mais saudável e criativo, em Liberdade e em Paz.

Tenho confiança nos Seres Humanos e no Futuro Coletivo que possam desenvolver, mas temos de ser mais interventores, mais inteligentes e ter uma consciência coletiva com Valores Humanos, para que a Democracia possa ter a dimensão que há tantos séculos o Homem ambiciona.

Valorizemo-nos TODOS e apetrechemo-nos com as ‘ferramentas’ tecnológicas e mentais estritamente necessárias para o nosso desenvolvimento como Seres Humanos de Valor a nível Global.

Não se deixem manipular nem ‘dominar’ por conceitos conducentes a Ditaduras, ou sistemas totalitários, porque esses não representarão o verdadeiro Ser Humano de Valor no Futuro.

Alfredo Sá Almeida                                                                           29 de Agosto de 2018

O que é que você valoriza?

Valorize-se

Esta é a questão crucial que TODOS nós deveremos colocar, neste início de século, para podermos interagir com os nossos pares e não desequilibrarmos a evolução da Humanidade.

Se você valoriza:

  1. A Vida;
  2. Os Valores Humanos;
  3. Uma Educação de qualidade para todos;
  4. A sustentabilidade da Biosfera;
  5. O respeito pelo clima e pelos fatores que o podem alterar irreversivelmente;
  6. O conhecimento e a sua difusão;
  7. O respeito pelas diferenças em todos os aspetos da vida;
  8. A Liberdade e a Responsabilidade dos seus actos;
  9. O seu desenvolvimento mental com humildade;
  10. A Democracia como forma de desenvolvimento político.

E consegue dar ‘corpo’ a estes Valores, então estará em boa posição para desenvolver o nosso Futuro Coletivo e contribuir para a nossa Consciência Coletiva.

Estes Valores Universais deveriam constituir a ‘base’ de qualquer Ser Humano no nosso Planeta. Deveriam ser transmitidos na escolaridade obrigatória e contribuir para a formação do caráter de cada Cidadão.

A grande dificuldade prende-se com o facto de sermos capazes, ou não, de convencer os nossos pares que este é o caminho a seguir para o Futuro da Humanidade. Quanto maior o número de Pessoas que tiverem Consciência destes Valores e da sua importância no nosso desenvolvimento como Seres Humanos, maior será a probabilidade de conseguirmos mudar os ‘padrões’ da nossa Sociedade atual.

Se, nos cargos de poder Político, Judicial, Militar, Social, etc. estiverem Pessoas capazes de personificar estes Valores e a sua valorização, então estaremos no caminho certo para um Futuro melhor para TODOS.

Não se deixe ‘corromper’ por outras filosofias limitativas do Ser Humano. Nós somos a espécie que detém o Poder neste Planeta e possuímos a capacidade de desenvolver com inteligência ou destruir. Até à data temos produzido mais MAL que BEM, mais guerra que Paz, mais destruição que desenvolvimento. Nós podemos mudar este estado de coisas. Basta querermos com consciência e determinação argumentativa.

Você não gostaria de contribuir para MUDAR O MUNDO?

tudo-o-que-voce-tem-e-nao-valoriza-a-vida

Alfredo Sá Almeida                                                                              27 de Agosto de 2018

Esta é uma viagem para o Futuro do Homem – This is a journey to the Future of Man

Convido os meus estimados Leitores a visitarem a minha nova página, subordinada ao tema do “Valor Humano” (https://valorhumano.me).

Passarei a publicar os meus textos, sobre o tema Valor Humano, nesta nova página.

A anterior ‘saalmeida’ (esta onde nos encontramos), dedicada ao mesmo tema, continuará a existir. Aí se encontrarão os 117 textos publicados desde Janeiro de 2015 até esta data.

Esta nova página será dedicada ao Futuro do Ser Humano e do seu Valor.

Grato por ter a sua companhia! – Thank you for having your company!

“Good company in a journey makes the way seem shorter.” — Izaak Walton

Being Human

Alfredo Sá Almeida                                                                  26 de Agosto de 2018

Será neste século que o Homem se transformará em Ser Humano?

Educação - Immanuel Kant

Quando falo na transformação do Homem em Ser Humano admito a existência de um ganho significativo de caráter Humanista, de Valor Humano e de respeito efetivo pela Biosfera e as alterações climáticas.

Vem isto a propósito de uma entrevista muito interessante dada for Yuval Noah Harari ao Jornal “Público” (https://www.publico.pt/2018/08/24/culturaipsilon/entrevista/yuval-noah-harariso-se-percebermos-o-que-nos-faz-humanos-poderemos-continuar-a-ser-humanos-1841497), intitulada “Só se percebermos o que nos faz humanos poderemos continuar a ser humanos”. Esta entrevista precede a publicação de mais um livro – também em Portugal (provavelmente, outro best-seller) – deste Autor: “21 Lições para o Século XXI” (2018).

A matéria que acrescenta nesta nova obra vem na sequência dos seus livros Sapiens — História Breve da Humanidade” (2014) e Homo Deus — História Breve do Futuro” (2017).

Estamos perante um desafio com a dimensão da Humanidade e do que de BOM o Ser Humano foi capaz de construir e desenvolver. No entanto, arrastamos o ‘peso’ dos erros cometidos de geração em geração até ao presente.

A vantagem que temos é o facto de o Futuro ainda ser um ‘Livro’ entreaberto que nos permitirá corrigir muitos desses erros e transformarmos a Sociedade atual, noutra mais Humanista. Isto se quisermos SER Humanos com Valor.

É triste verificarmos que desde a época de Immanuel Kant (1724-1804), o Homem pouco realizou em matéria de ensino e Educação que nos permitisse transformarmo-nos em Seres Humanos. Transformámo-nos em Seres tecnologicamente avançados (sobretudo no domínio bélico) mas Humanamente muito pobres.

Felizmente que existiram e existem algumas mentes brilhantes e iluminadas que nos ajudaram e ajudam a esclarecer e a abrir o nosso ‘mundo’, assim como, a diminuir o ‘peso’ na nossa consciência.

Yuval Harari é uma dessas mentes brilhantes que nos desperta para a dimensão do Ser Humano e da sua importância no Futuro. Algo que tento fazer desde 2012 sem muito sucesso. No entanto, considero que há muito trabalho a ser feito por TODOS para conseguirmos atingir patamares de Humanidade superiores.

Considero que os argumentos que este Autor apresenta, estão em linha com o que tenho vindo a escrever, e são muito importantes para a causa da Humanidade. Deste modo, vou apresentar excertos da sua entrevista com os quais concordo plenamente e que deverão ser objeto de muita reflexão e interiorização por TODOS nós. A Consciência Coletiva é uma dimensão importante a atingir.

  • “Nesta entrevista resume algumas das suas principais ideias e volta a deixar alertas: os computadores “altamente inteligentes poderão expulsar milhares de milhões de pessoas do mercado de trabalho, criando uma imensa ‘classe inútil’” e poderão “tornar possível a criação de ditaduras digitais”; o poder pode passar para as mãos de uma “pequena elite”; “estamos a entrar na era em que vai ser possível piratear humanos”. E um conselho: temos de nos conhecer melhor a nós próprios.”
  • “O judaísmo tem apenas 3000 anos, o cristianismo tem cerca de 2000 e ambos sofreram alterações profundas nos últimos séculos. O judaísmo e o cristianismo de hoje são muito diferentes do que eram há 2000 anos. Não são verdades eternas, são criações humanas. – Yuval Harari.
  • É particularmente importante lembrarmo-nos disso hoje, porque no início do século XXI há demasiados políticos empenhados em vender-nos fantasias nostálgicas sobre o passado, em vez de nos prepararem para o futuro.” – Yuval Harari.
  • “Infelizmente, fantasias nostálgicas como o nacionalismo e a religião não resolvem os grandes problemas do século XXI. Como é que vamos lidar com as mudanças climáticas? O que faremos quando a inteligência artificial empurrar milhões de pessoas para fora do mercado de trabalho? Como é que iremos usar o imenso novo poder na engenharia genética?” – Yuval Harari.
  • “Sim, os humanos pensam mais em grupo do que individualmente. Cerca de 99% das ideias que moldam a nossa visão do mundo foram criadas por outras pessoas. Além disso, os três grandes problemas que a humanidade enfrenta hoje são, na sua natureza, globais; por isso, só podemos lidar com eles através da cooperação global. Os indivíduos não os podem resolver, e nem sequer nações inteiras os podem resolver. Só a humanidade como um todo o pode fazer. Os três problemas a que me refiro são a guerra nuclear, as mudanças climáticas e a desestruturação tecnológica. O governo de Portugal não pode proteger Portugal da guerra nuclear ou do aquecimento global, a menos que coopere de forma eficaz com os governos da Alemanha, China, Brasil e vários outros países.” – Yuval Harari.
  • “A inteligência artificial poderá nunca vir a desenvolver consciência. Muitas pessoas tendem a confundir inteligência com consciência e a assumir que para estar ao mesmo nível de inteligência dos humanos os computadores terão de desenvolver consciência. Mas, na realidade, os computadores podem ultrapassar os humanos sem nunca ganharem consciência, porque a consciência e a inteligência são duas coisas diferentes. – Yuval Harari.
  • “O verdadeiro perigo da inteligência artificial não é que robots com consciência se revoltem contra a humanidade. O verdadeiro perigo é que a inteligência artificial dê poder a uma pequena elite humana enquanto retira poder e oprime a maior parte da humanidade. – Yuval Harari.
  • “No século XX, a democracia derrotou a ditadura, porque a democracia é mais eficaz a processar informação e a tomar decisões. O conflito entre a democracia e a ditadura não é apenas um conflito entre diferentes sistemas éticos, mas entre diferentes métodos de processar informação e tomar decisões. A democracia distribui informação e o poder de tomar decisões entre muitas pessoas e instituições, enquanto as ditaduras concentram a informação e o poder num lugar.” – Yuval Harari.
  • “Não nos conhecemos suficientemente bem e temos menos controlo do que pensamos sobre o que sentimos. Diz que “não estamos a fazer grande coisa para investigar e desenvolver a consciência humana” e que o livre-arbítrio é uma ilusão. Porque é que acha que desenvolvemos tão pouco o nosso potencial de inteligência? Como podemos conhecermo-nos melhor? E não servirá isso sobretudo para construirmos algoritmos mais perfeitos?” – Yuval Harari.
  • “Estamos a investigar e a desenvolver as capacidades humanas sobretudo tendo em conta as necessidades imediatas do sistema económico e político e não as nossas necessidades de longo prazo enquanto seres humanos. O meu patrão quer que eu responda a e-mails tão rapidamente quanto possível, mas está pouco interessado na minha capacidade para provar e apreciar a comida que estou a comer. Consequentemente, eu verifico os meus e-mails mesmo durante as refeições, enquanto perco a capacidade de prestar atenção às minhas próprias sensações. O sistema económico pressiona-me para expandir e diversificar o meu portfólio de investimento, mas dá-me zero incentivos para expandir e diversificar a minha compaixão.” – Yuval Harari.
  • “Aquilo em que nos devíamos focar, acima de tudo, era conhecermo-nos a nós próprios. Quem somos nós? Qual é o nosso verdadeiro potencial? Desde os tempos antigos que os sábios e os santos aconselham repetidamente as pessoas a “conhecerem-se a elas próprias”. E, no entanto, na época de Sócrates, Buda e Confúcio, não havia uma verdadeira concorrência. Se não nos empenhássemos em conhecermo-nos a nós próprios, continuávamos a ser uma caixa negra para o resto da humanidade. Hoje, pelo contrário, temos competição. Enquanto lê estas linhas, a Amazon, o Facebook, os serviços secretos russos e o Partido Comunista Chinês estão todos a tentar piratear-nos. – Yuval Harari.
  • “No futuro, combinando o nosso crescente conhecimento de biologia com a inteligência artificial, sistemas externos poderão conhecê-la melhor do que você se conhece a si mesma. E poderão controlar e manipular as pessoas com uma eficácia sem precedentes.” – Yuval Harari.
  • “Para salvar o sistema democrático, precisamos de conhecer as nossas fraquezas, os nossos medos e os nossos ódios e não permitir que eles se tornem uma arma na mão de trolls. Há muitas formas de nos conhecermos melhor. Eu pessoalmente pratico meditação Vipassana (https:/www.pt.dhamma.org/pt/) que se baseia na ideia de que o fluxo de pensamento está intimamente ligado às sensações do corpo.” – Yuval Harari.
  • “O que precisamos de perceber é que a mudança do mundo está a acelerar-se. Ninguém sabe como é que o mundo ou o mercado de trabalho vão ser em 2050, exceto que serão muito diferentes do que são hoje e estarão num fluxo constante.

Tradicionalmente, a vida dividia-se em duas partes principais: um período de aprendizagem seguido por um período de trabalho. Na primeira parte da vida, construímos uma identidade estável e adquirimos competências pessoais e profissionais; na segunda parte, apoiamo-nos na nossa identidade existente e nas nossas competências para navegar pelo mundo, ganhar a vida e contribuir para a sociedade. Em 2050, este modelo tradicional estará obsoleto e a única forma de os humanos se manterem relevantes será continuando a aprender ao longo das suas vidas, reinventando-se uma e outra vez.” – Yuval Harari.

  • “Não há uma linha clara que separe o emocional e o racional. As nossas emoções incorporam uma lógica evolutiva. As decisões mais importantes que tomamos na vida — onde viver, o que estudar, com quem casar — dependem dos nossos sentimentos mais do que de frios cálculos matemáticos. Consequentemente, para nos conhecermos melhor, temos de ter um conhecimento mais profundo das nossas emoções.” – Yuval Harari.
  • “Em eras anteriores, ninguém tinha um bom conhecimento do cérebro humano, ninguém conseguia reunir uma grande quantidade de dados sobre cada indivíduo e ninguém tinha a necessária capacidade informática para analisar tantos dados. Mas, em breve, os governos e as grandes empresas terão estas três coisas. E aí conseguirão manipular-nos com uma eficácia sem precedentes. Pessoas que acreditam que nunca serão manipuladas, porque as suas emoções manifestam um misterioso “livre arbítrio”, são as mais fáceis de manipular. Para resistir a estas manipulações temos de conhecer muito bem os nossos sentimentos, mas também temos de nos lembrar de que o que sentimos não é necessariamente a verdade.” – Yuval Harari.

Em minha opinião, os argumentos apresentados são de uma importância enorme para a construção da nossa Inteligência e Consciência Coletivas e podermos, como pretende o Autor, conhecermo-nos melhor individual e coletivamente.

Recomendo uma leitura atenta de toda a entrevista.

Alfredo Sá Almeida                                                                                  26 de Agosto de 2018

O Homem está a perder a razão em relação ao Ser Humano

Homem absurdo

Sob o ponto de vista filosófico Homem e Ser Humano não possuem a mesma identidade. Normalmente o termo Homem está mais associado à antropologia filosófica. “O que temos claro, todavia, é que nem sempre as concepções de ordem antropológico filosóficas estão em consonância com os próprios princípios bioéticos, bem como com as normas vigentes na ordem jurídica.” – Emerson Silva Barbosa.

Ainda, recorrendo ao excelente artigo de Emerson Silva Barbosa, intitulado “O conceito de homem, pessoa e ser humano sob as perspetivas da Antropologia Filosófica e do Direito” (http://www.ambito-juridico.com.br/site/index.php?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=9837) publicado no Portal “Âmbito Jurídico” sob o tema Biodireito, podemos encontrar matéria muito interessante referente a Ser Humano.

“Conforme Singer (2000), Fletcher compilou uma lista daquilo a que chamou indicadores de humanidade, em que incluiu o seguinte:

a) Autoconsciência
b) Autodomínio
c) Sentido do futuro
d) Sentido do passado
e) Capacidade de se relacionar com outros
f) Preocupação pelos outros
g) Comunicação
h) Curiosidade

Dos indicadores apontados, destaca Singer que os elementos mais importantes seriam a racionalidade e a autoconsciência, conforme se extrai do conceito de Locke (Singer, 2000). E é nesta acepção que afirma deva ser compreendido o conceito de pessoa.”

Ainda de acordo com Singer (2000):

É este o sentido do termo que temos em mente quando elogiamos alguém dizendo que ‘é muito humano’ ou que tem ‘qualidades verdadeiramente humanas’. Quando dizemos tal coisa não estamos, é claro, a referir-nos ao facto de a pessoa pertencer à espécie Homo sapiens que, como facto biológico, raramente é posto em dúvida; estamos a querer dizer que os seres humanos possuem tipicamente certas qualidades e que a pessoa em causa as possui em elevado grau.” (http://www.ambito-juridico.com.br/site/index.php?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=9837)

A meu ver – assumo o risco de atribuição de identidade – Homem é um Ser Humano sem Alma e sem os Valores que caracterizam a Humanidade.

Humans

É neste contexto que surge o tema deste texto. Considero que o Homem se está a tornar um absurdo (‘que é contrário ao bom senso e racionalidade’) relativamente ao Ser Humano. A ausência crescente de Valores Humanos são a causa desse absurdo.

Assistimos com demasiada frequência a muitas irracionalidades do Homem por falta de uma Educação em Valores Humanos e de princípios orientadores que lhe dariam a dimensão de Ser Humano.

Infelizmente os exemplos são tantos e tão tristes nos campos da Educação, da Política, da Justiça, da Economia, das Finanças e de muitas outras áreas do saber, que estou seguro que os meus Leitores se lembrarão de casos concretos sobre o que estou a escrever. Temo que, na sua evolução, o Homem se transforme numa aberração da Natureza, tal é a descaracterização Humana que vem demonstrando.

A questão que me preocupa bastante é que não se está a fazer o suficiente para valorizar o Ser Humano e inibir o crescendo de atitudes e comportamentos irracionais e emocionalmente deploráveis, que o Homem provoca à Sociedade.

Todos nós sabemos que o equilíbrio dinâmico entre as Inteligências Racional e Emocional são um fator importante de harmonia em Sociedade. No entanto, temos assistido passivamente a fenómenos de corrupção, agressão, terrorismo, injustiça, ofensa, mentira descarada, etc.. Esta passividade está a minar os caminhos pacíficos da construção de um novo Paradigma Global, que se desdobrará em novos Paradigmas interdependentes e coerentes com o desenvolvimento Humano na nossa Biosfera.

A recente manifestação nos Estados Unidos a favor do controlo eficaz das armas e contra o livre acesso a armas de guerra, é um exemplo do absurdo que a política norte americana está a produzir na sociedade.

Outro exemplo aberrante é o caso da Justiça Brasileira, que julgou e condenou, em primeira e segunda instância o ex-presidente, e que corre o risco do Supremo Tribunal Federal, politizando o assunto, ‘produzir’ a libertação de um condenado.

Estes são dois casos entre muitos, por esse mundo fora, que acabam ‘destruindo’ o Ser Humano e o Futuro da Humanidade.

Problema dos Valores

Alfredo Sá Almeida                                                                                  25 de Março de 2018