Imaginem…

only-imagine

Estamos em 2060. Praticamente não há guerra no Planeta Terra.

Vivemos num mundo cada dia mais tecnológico. Estamos profundamente ‘mergulhados’ na realidade virtual, na realidade aumentada, nas imagens holográficas 3D, etc. Por outro lado, a grande maioria da sociedade vive em mega-cidades de dezenas de milhões de habitantes. Cidades modernas com todas as tecnologias ao dispor de todos os Cidadãos. Cidades higiénicas em todo o sentido da palavra. Casas higiénicas em todo o sentido da palavra.

Não há poluição nas ruas, nem em qualquer outro lugar. As energias limpas são usadas a 100% em todas as cidades e em todas as casas.

Todas as crianças vão à Escola e aprendem todos os dias como lidar com as novas tecnologias que surgem a um ritmo acelerado.

Agora, meus caros leitores, imaginem-se uma criança dos 4 aos 12 anos de idade que convive com todas as tecnologias (possíveis e imaginárias).

Será que essa criança poderá imaginar a beleza da nossa Biosfera atual (a que ainda resta), com toda a diversidade vegetal e animal?

– Dirão:

  1. Mas poderá ver fotos e vídeos de como era antigamente. Ou;
  2. Poderá ver em tempo real imagens da Terra via satélite. Ou;
  3. Poderá ver através da realidade virtual vídeos do nosso Planeta;
  4. Etc.

Mas terá tempo para aprender sobre a vida e os Valores Humanos?

– Dirão:

  1. Claro que sim, todos os cursos estão disponíveis em tempo real. (Mas, será que poderá acampar com os Pais numa floresta para aprender diretamente em plena natureza?)
  2. Conviverá com todas as outras crianças da Escola e aprenderá a interagir em Sociedade. (Mas, será que existirá uma Escola como a atual?)

Em que tipo de Escola aprenderá ela todas as matérias que necessita para lidar com tanta tecnologia? Saberá ela entender o significado de toda aquela tecnologia?

Se tudo estará automatizado, se existirão robots para fazer todos os trabalhos normais diários, a ela só restará pensar para realizar. Ela verá os seus Pais elaborar tarefas complicadíssimas com uma facilidade enorme, logo ela também será capaz no futuro próximo de as realizar.

Num mundo como aquele que tenho vindo a descrever:

  1. Que convívio terão as crianças e jovens?
  2. Como se relacionarão? (por transmissão de pensamento, talvez.)
  3. Que Valores Humanos irão sobressair das suas vivências?
  4. Afinal de contas elas saberão resolver problemas dos mais complexos, mas será que compreenderão para quê? E por quê?
  5. Como lidarão com o nascimento e a morte? (afinal as Pessoas vivem durante longos anos com saúde.)
  6. Como lidarão com as emoções? Ou, com o Amor? Ou, com a violência? Ou, com o bullying? Será que não dispõem de jogos informáticos violentos em realidade virtual?
  7. Como serão incentivadas as diversas criatividades naturais de uma criança? Com tanta tecnologia ao dispor, como será? Música? Pintura? Escultura? Dança? Cinema? Literatura? Arquitetura? Etc.?
  8. Haverá Filósofos Humanistas? Aprenderão elas sobre o Humanismo?
  9. Será que saberá como ultrapassar um sofrimento de Ser Humano?

Enfim, serão muitas delas sobredotadas e com uma capacidade enorme de realização e construção. Mas serão Felizes? Como interiorizarão a Felicidade, o Amor e a Convivência?

Bom, deixemo-nos de perguntas vãs e generalistas.

Vamos ao que interessa. Chegou a hora dos adultos e dos interesses mais diversos.

Em 2100 foi descoberto um Planeta capaz de suportar vida Humana e que poderá conter outras formas de vida. É claro que o Homem há muito que anseia visitar um desses Planetas, até colonizá-lo (se possível). Todas as tecnologias existem para colocar uma equipa multidisciplinar nesse planeta, em tempo considerado satisfatório (menos de um ano terrestre).

Será o Homem capaz de colonizar outro Planeta com o mesmo espírito com que colonizou (usurpando) outros  territórios continentais no passado? Ou, estará bem preparado como Ser Humano, imbuído de Valores Humanos, capaz de compreender outras ‘civilizações’, possuir o grau de empatia necessário para conviver e aprender como e porque vivem daquela maneira? Terão os Cidadãos de 2100 uma Inteligência e Consciência Coletivas capaz de estabelecerem um contacto positivo com outras civilizações, sem as colonizar? Não só podem como devem imaginar sempre a melhor das situações possíveis, já que nos consideramos os seres mais inteligentes que conhecemos até agora.

Penso que o Homem tudo fará para encontrar um Paraíso, julgando que poderá eternamente desfrutar de todos os recursos, sem ter de se preocupar muito com o Futuro Coletivo.

Seremos nós capazes de SER biosustentáveis? Ou, seremos como a história de Adão e Eva?

Será que aprendemos a lição?

Eu só posso imaginar o Futuro e desejar que a Humanidade seja cada vez mais Humana e com Valor. Mas também posso contribuir para a construção de um Futuro melhor para TODOS! OU NÃO POSSO?

Alfredo Sá Almeida                                                                           17 de Março de 2019

Anúncios

Sobre a dimensão dos Valores do Amor e da Liberdade

O Amor liberta

No mundo atual, por falta de uma Educação em Valores Humanos, sobressai uma deturpação de conceitos importantes e essenciais que prejudicam o entendimento global dos Seres Humanos e a construção de uma Consciência Coletiva e da Paz.

Destes, o Amor e a Liberdade são seguramente os mais acarinhados pela grande maioria das Pessoas. Representam a essência da Humanidade e do relacionamento entre Seres.

O grande problema está na prática de vida a que as Pessoas estão sujeitas, por vontade própria ou alheia. São poucas as que não se encontram condicionadas por práticas desajustadas à dimensão do Ser Humano. Acabam criando uma espiral, ou um turbilhão emocional aprisionador de vida, que tem como consequência a deturpação dos Valores essenciais.

“Para o psicanalista Alemão, filósofo e sociólogo Erich Fromm, ao contrário da crença comum de que o amor é algo “fácil de ocorrer” ou espontâneo, ele deve ser aprendido; ao invés de um mero sentimento que acontece, é uma faculdade que deve ser estudada para que possa se desenvolver – pois é uma “arte”, tal como a própria vida. Ele diz: “se quisermos aprender como se ama, devemos proceder do mesmo modo por que agiríamos se quiséssemos aprender qualquer outra arte, seja a música, a pintura, a carpintaria, ou a arte da medicina ou da engenharia”. – Wikipédia

Amor1 - Erich Fromm

“Erich Fromm, ainda, ressalta que “O amor é uma atividade, e não um afeto passivo; é um “erguimento” e não uma “queda”. De modo mais geral, o caráter ativo do amor pode ser descrito afirmando-se que o amor, antes de tudo, consiste em dar, e não em receber.” Como sentimento individual e personalíssimo, traz complexidade por envolver componentes emocionais, cognitivos, comportamentais que são difíceis – ou quase impossíveis – de separar.” – Wikipédia

O Amor na sua dimensão mais ampla é incondicional. Representa a verdadeira expressão do sentimento para com o outro. “Um exemplo disso é o amor dos pais para os seus filhos, não importa uma nota de prova, uma decisão de mudança de vida, um argumento, ou uma crença forte, a quantidade de amor que permanece entre este vínculo é visto como imutável e incondicional.” – Wikipédia

No caso da Liberdade a situação muda de referencial. Não se trata de um sentimento mas de uma capacidade Humana. “A liberdade é a capacidade de adotar seu próprio critério. Esta definição leva em consideração sua própria natureza e não aceita nenhum tipo de critério exterior. O mundo físico está caracterizado por relações de causa e efeito, onde qualquer fenómeno pode ser explicado por outro ou pela concorrência de outros que por sua vez se baseiam em fenômenos alternativos, e que se estendem à cadeia de causa e efeito de modo indefinido. Pelo contrário, a liberdade não encontra seu fundamento ou causa em nenhum aspeto exterior, mas além do que a própria vontade. No entanto, vale ressaltar que esta liberdade tem limites; mesmo assim, quando se diz que um homem está livre, talvez seja melhor dizer que sua vontade é livre, à medida que possam existir circunstâncias que limitem o campo de ação de uma pessoa.(https://conceitos.com/liberdade/).

Enquanto o sentimento do Amor pode variar de Pessoa para Pessoa dadas as diferenças na sua inteligência emocional. A Liberdade possui interpretações particulares consoante o Filósofo que reconstrói o conceito e o interpreta. “Liberdade significa o direito de agir segundo o seu livre arbítrio, de acordo com a própria vontade, desde que não prejudique outra pessoa, é a sensação de estar livre e não depender de ninguém. Liberdade é também um conjunto de ideias e dos direitos de cada cidadão.

Liberdade é classificada pela filosofia, como a independência do ser humano, o poder de ter autonomia e espontaneidade. A liberdade é um conceito utópico, uma vez que é questionável se realmente os indivíduos tem a liberdade que dizem ter, se com a mídia ela realmente existe, ou não. Diversos pensadores e filósofos dissertaram sobre a liberdade, como Sartre, Descartes, Spinoza, Leibniz, Schopenhauer, Kant, Marx entre outros.” (https://www.significados.com.br/liberdade/)

Em resumo, o Amor pleno é incondicional e a Liberdade é condicional, pois não deve colidir com a Liberdade alheia. Deste modo tem de ser convencionada para proporcionar harmonia social. Já a prática do Amor verdadeiro entre Pessoas é mais suscetível de causar entendimento sem constrangimento.

Na realidade atual verifica-se a deturpação conceptual quando assistimos à inversão da condição. Muitas Pessoas pretendem e desenvolvem um Amor condicional e desejam ardentemente uma Liberdade incondicional. Ora, esta inversão da condição conceptual entre um sentimento e uma capacidade Humanas acaba produzindo toda a espécie de confrontos, desentendimentos, ódios e radicalização ideológica.

Retornemos aos pensamentos estruturados de Erich Fromm para nos ajudar a resolver esta confusão:

“Um homem livre é, por força, inseguro. Um homem pensador é, forçosamente, dubitativo.” – Erich Fromm

“O amor é a última e real necessidade do ser humano.” – Erich Fromm

A meu ver só existe uma forma de resolver este ‘conflito’ da condição conceptual entre o Amor e a Liberdade. Se cada um de nós para além de desejar aprender a Amar, ser um Amante da Liberdade. Nesta condição não existirão confrontos que não sejam solucionáveis.

Aprenda a Amar e a ser Livre nas verdadeiras dimensões destes Valores essenciais à Vida.

Alfredo Sá Almeida                                                                                 7 de Novembro de 2018

Será possível erradicar a maldade e o ódio no Homem?

Maldade - Seneca

Muito provavelmente não será possível eliminar a maldade e o ódio da mente do Homem. Mas estou seguro que será possível reduzir significativamente e atenuar estas duas características de antivalores. Para tal temos de melhorar e expandir o processo educativo (revisto e renovado), para TODOS, desde muito cedo. Educar para uma Cidadania de responsabilidade em liberdade, onde os Valores Humanos serão transmitidos maioritariamente pelo exemplo.

Este tema foi muito bem abordado na Revista DN Life de 21 de Outubro de 2018 pela Jornalista Ana Pago, num texto intitulado “Somos todos pessoas más? A Ciência diz que sim”. (https://life.dn.pt/comportamento/maldadesomostodospessoasmascienciadizquesim/).

Pois bem, o que os conhecimentos científicos da atualidade (Psicologia Forense, Neuropsicologia, Psiquiatria, Neurologia) nos transmitem é um cenário pouco animador, mas está longe de nos permitir baixar os braços e perder a esperança de uma melhoria significativa nesta matéria.

Assim, convém reter que a maldade:

  1. “É um traço da natureza humana observado até em pessoas consideradas boas e decentes. A maldade é-nos intrínseca”Hernâni Carvalho (Psicologia Forense);
  2. “… só cinco por cento da população em geral tem uma moral irrepreensível – contra a maioria das pessoas normais que vão oscilando entre atos egoístas (antissociais) e altruístas.”Ricardo de Oliveira-Souza (Neurologista);
  3. “Virtualmente, cada indivíduo encerra em si o potencial para a bondade e a maldade, que se manifestam em diferentes proporções dependendo da índole (em grande parte hereditária), do ambiente em que é criado e das circunstâncias e contexto, variáveis de momento a momento, … para quem a capacidade de refletir sobre os efeitos do mal que fazemos é um atributo tipicamente humano.”Ricardo de Oliveira-Souza (Neurologista);
  4. “A maioria de nós tem na cabeça uma espécie de detetor que difunde julgamentos morais a tempo inteiro.” – Ricardo de Oliveira-Souza (Neurologista);
  5. “Em contraste, cerca de três por cento da população são indivíduos cuja personalidade se caracteriza por comportamentos antissociais desde a infância ou adolescência, a maior parte dos quais tem o diagnóstico formal de sociopatia. Destes, apenas uma parcela de cerca de um por cento da população mundial recebe o diagnóstico adicional de psicopatia, que além de antissocial não sente remorsos, vergonha, culpa do que faz ou compaixão pelo sofrimento dos outros.”Ricardo de Oliveira-Souza (Neurologista);
  6. “Óbvio que nem só a genética, as condições sociais, lesões cerebrais, lares desfeitos, perturbações de personalidade, abusos na infância, consumo de drogas, maus-tratos físicos e psicológicos ou rejeição familiar determinam estes atos antissociais: o cocktail explosivo que é a maldade faz-se de vários fatores conjugados.”Vítor Cotovio (Psiquiatra).

Perante estas evidências, verificamos que podemos melhorar significativamente a vida de 92% da população em geral, com uma formação em Valores Humanos, ‘desenhada’ consoante os grupos da Sociedade, e, uma Educação de qualidade em Valores Humanos para todas as crianças e jovens até à idade adulta. Formar e Educar para uma Cidadania de Valor. E ainda, que todos os dirigentes Políticos, Económicos, Sociais, Financeiros, Religiosos, Militares, Policiais, Judiciais, etc. atuem com muita responsabilidade e deem o exemplo, para consolidar as melhorias.

Convém lembrarmo-nos das sábias palavras de Nelson Mandela:

Ódio - Nelson Mandela

Porque não estamos a ‘caminhar’ neste sentido? Pura e simplesmente por negligência e desleixo sobranceiro dos nossos dirigentes e indiferença do Povo!

Ódio - Buda 1

Todos nós sabemos a importância fundamental e essencial de uma boa Educação, mas continuamos a olhar para o lado e assobiar, como se nada fosse connosco.

Maldade - Einstein

Jorge Luís Borges transmite-nos bem o segredo – “Parece-me fácil viver sem ódio, coisa que nunca senti, mas viver sem amor acho impossível”.

Vou continuar a batalhar no tema que tenho desenvolvido, desde há mais de seis anos a esta parte, os Valores Humanos na Educação formal Escolar e a Valorização do Ser Humano.

Esta ‘batalha’ nunca fez tanto sentido como nos dias de hoje, onde tanta maldade e ódio se encontra disseminada por esse mundo fora. Para que nunca mais se verifique o que um Pedro escreveu no seu diário “… e por não conseguir ver a maldade no mundo, eu a sentia na pele”.

Que a Sociedade, por natureza, deixe de corromper os Homens que nascem bons. E aqueles que não tiverem essa sorte possam ser educados e acompanhados para não contribuírem para avolumar a maldade deste mundo. Mas, sobretudo, que os Valores Humanos prevaleçam como uma causa estruturante da Humanidade.

Bondade - Jean-Jacques Rousseau

Alfredo Sá Almeida                                                                   2 de Novembro de 2018