A Escola e o Futuro

Escola e Futuro

“Justiça climática Já!”, “Não te cales!”, “Todos juntos por um futuro melhor” ou “A Terra esgotou a paciência e nós também”, foram algumas das frases que se puderam ler nos cartazes empunhados pelos manifestantes, enquanto se ouvia, “Senhor ministro explique-me por favor, porque é que no inverno ainda faz calor!”” (https://24.sapo.pt/atualidade/artigos/clima-trezentas-pessoas-marcharam-pelo-planeta-em-faro)

Ninguém tem dúvidas que os jovens de hoje são o Futuro.

Recentemente, estes jovens despertaram com fervor para as questões problemáticas do nosso Ambiente, da Sustentabilidade e das mudanças urgentes que têm de ser implementadas para podermos ter um Futuro melhor. Esse despertar foi desencadeado por Greta Thunberg, uma jovem Sueca que possui uma Consciência Ambiental notável e que se exprime de forma brilhante e emotiva perante grandes assembleias de adultos ou jovens. (https://www.dnoticias.pt/mundo/greta-thunberg-desafia-lideres-mundiais-a-fazerem-mais-pelo-ambiente-JK5268038)

Greta Thunberg

A questão principal aqui prende-se com a URGÊNCIA de medidas que contribuam para melhorar significativamente a sustentabilidade da Vida Humana em equilíbrio com a Biosfera. Isto porque somos nós a causa de TODOS os desequilíbrios.

São muitas as mudanças efetivas necessárias para que possamos afirmar que não estamos a colocar em risco o Futuro do equilíbrio dinâmico ambiental. São mudanças de natureza industrial, de hábitos de consumo, da essência da economia e do sistema financeiro, e sobretudo, do sistema Educativo institucionalizado.

Nós já sabíamos que existia um fosso muito grande entre o que se ensina nas Escolas e a preparação dos jovens para o Futuro. Sabíamos, mas acomodámos-nos. Sabíamos, mas estávamos conformados, porque estamos dependentes do modo como nos ensinaram em crianças e jovens. Sabemos, mas não somos capazes de nos por de acordo com a construção do Futuro Coletivo. Sobretudo, quem detém o PODER não pretende perder os privilégios que acumulou ao longo dos anos. Mesmo que esses privilégios tenham sido obtidos com regras de mercado que contribuíram para uma degradação significativa da nossa sustentabilidade ambiental.

Chegámos a um ponto da nossa história Coletiva e Global em que é fundamental que se produzam mudanças profundas na Sociedade e na Consciência Coletiva dos Cidadãos para que se obtenham resultados efetivos para a melhoria no nosso Futuro Coletivo.

Ora, essas mudanças têm obrigatoriamente de passar pelo processo Educativo Escolar a nível Global, incluindo o Universitário. Não é por acaso que se chama UNIVERSIDADE. É para que a universalidade dos nossos conhecimentos contribua para uma Consciência UNIVERSAL. Sem ela, vamos ficar ‘fritos’.

É aqui que os jovens de hoje, despertados por Greta Thunberg, têm toda a razão: “Para quê ir à Escola se não temos Futuro”. É um facto que a Escola não lhes faculta o conhecimento, a aprendizagem de novos hábitos e uma Consciência de Cidadania Global, nem a abertura de espírito para construírem um mundo melhor.

Mas a aprendizagem não pode ficar apenas pelos jovens. TODOS nós temos de passar por um processo formativo, para aprendermos tudo aquilo que não nos ensinaram e que marcou a nossa Consciência pouco coletiva ou globalizada.

É um desafio que devemos encarar como muito sério e que requer da classe Política e de todas as Instituições Governamentais e não Governamentais um empenho efetivo para caminharmos no melhor sentido.

Muitos destes jovens tornaram-se mais eficientes na construção de uma Consciência Coletiva, que tudo aquilo que tenho vindo a escrever neste Blog, sobre o Ser Humano, o Futuro Coletivo, a Sustentabilidade da Biosfera e o Valor Humano.

Parabéns a todos os Jovens que lutam pacificamente pelo Ambiente e que nos despertam para uma realidade que tem de deixar de existir, sob pena de deixarmos de ter um Planeta que possa conter Vida diversificada.

Alfredo Sá Almeida                                                                              28 de Setembro de 2019

A importância da Cidadania Global

 

De acordo com o relatório da ONU-Habitat (https://news.un.org/pt/story/2016/05/1551541-dois-tercos-da-populacao-mundial-devem-viver-em-cidades-ate-2030) em 2030 dois terços da população mundial viverá em Cidades e Megacidades.

Se tivermos em linha de conta que em 2050 haverá cerca de 10 biliões de habitantes, neste nosso planeta, em que mais de 70% viverão em Cidades e Megacidades (https://www.unric.org/pt/actualidade/31537-relatorio-da-onu-mostra-populacao-mundial-cada-vez-mais-urbanizada-mais-de-metade-vive-em-zonas-urbanizadas-ao-que-se-podem-juntar-25-mil-milhoes-em-2050), facilmente compreenderão a necessidade imperiosa de uma Educação em Valores Humanos e em Cidadania Global.

A questão fulcral, segundo os especialistas, prende-se com o facto de “a urbanização fornecer a maior oportunidade para alcance dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável” (https://news.un.org/pt/story/2016/05/1551541-dois-tercos-da-populacao-mundial-devem-viver-em-cidades-ate-2030).

Assim sendo, os Valores Humanos – Cidadania, Solidariedade, Empatia, Altruísmo, Civismo, Educação Humanista, Ética, etc. – são e serão fundamentais para um bom relacionamento em Sociedade.

Por outro lado, como os problemas de vivência e gestão nas Cidades e Megacidades, ao redor do mundo, serão muito semelhantes (independentemente da raça, cultura, religião, condição económica, etc. dos seus habitantes), cada vez fará mais sentido que os Cidadãos possuam uma formação em Cidadania Global para facilmente identificarem e encontrarem soluções para os problemas emergentes.

Em 2030, segundo as Nações Unidas (United Nations’ World Urbanization Prospects – 2014), este será o top 10 das Megacidades (284,4 milhões de habitantes = 3,3% da População Mundial [8,6 Biliões de Pessoas]) (https://www.weforum.org/agenda/2017/06/these-will-be-the-worlds-10-biggest-cities-in-2030) e (http://agenciabrasil.ebc.com.br/internacional/noticia/2017-06/onu-diz-que-populacao-mundial-chegara-86-bilhoes-de-pessoas-em-2030):

• 10. Mexico City, Mexico: 23,9 milhões de pessoas
• 9. Lagos, Nigeria: 24,2 milhões de pessoas
• 8. Cairo, Egypt: 24,5 milhões de pessoas
• 7. Karachi, Pakistan: 24,8 milhões de pessoas
• 6. Dhaka, Bangladesh: 27,4 milhões de pessoas
• 5. Beijing, China: 27,7 milhões de pessoas
• 4. Mumbai, India: 27,8 milhões de pessoas
• 3. Shanghai, China: 30,8 milhões de pessoas
• 2. Delhi, India: 36,1 milhões de pessoas
• 1. Tokyo, Japan: 37,2 milhões de pessoas

O Mundo requer Pessoas conscientes, individual e coletivamente, capazes de contribuir para um melhor relacionamento em Sociedade, mas também para uma Cidadania ativa e positiva. A Inteligência Coletiva tornar-se-á essencial para construir um Futuro Coletivo e a Sustentabilidade da Biosfera (https://saalmeida.wordpress.com/2017/11/16/inteligencia-e-consciencia-de-futuro-coletivo/). A compreensão e resolução dos problemas globais e da sustentabilidade da Biosfera estão dependentes da Cidadania Global e de uma criatividade social sustentável.

Penso que estas previsões realistas que transmiti, sendo factos, dão corpo aos argumentos que defendo, onde a “Educação deverá ser obrigatória para todas as crianças e jovens até aos 20 anos de idade, onde a sua formação deverá estar alicerçada nos Valores Humanos e em conhecimentos nucleares fundamentais sobre o Homem, a Sociedade e a Biosfera. Todas as matérias de conhecimento serão transmitidas de forma a mostrar aos aprendizes que tudo nesta vida está interligado, integrado, onde o Homem tem a responsabilidade de promover e praticar uma sustentabilidade de Vida em equilíbrio com a Biosfera.” (https://saalmeida.wordpress.com/2015/04/16/caracteristicas-de-uma-sociedade-baseada-no-valor-humano/)

Alfredo Sá Almeida                                                                                        9 de Maio de 2018

Estará a Humanidade perdida?

Humanity

Penso que todos estaremos de acordo se dissermos que o Homem se encontra na fase de infância, considerando a sua evolução, desde há cerca de 200.000 anos, neste nosso Planeta que nasceu vai para 4,5 bilhões de anos.

Considerando que o planeta Terra ainda terá cerca de 4 a 5 bilhões de anos de vida (onde as condições de habitabilidade da Terra estão garantidas por mais cerca de 1,75 bilhão de anos), para depois ser consumido pelo sol em ‘agonia’, significa que o Homem terá tempo mais que suficiente para se transformar em Ser Humano e desenvolver a Educação da Humanidade.

Como toda e qualquer criança que acaba de nascer, uma boa alimentação, amor e carinho q.b., muitos cuidados e atenção, seguidos de uma Educação de qualidade para um bom desenvolvimento, são os pontos-chave para se transformar num adulto com Inteligência, Consciência, Personalidade e Caráter de um Ser Humano, dando assim continuidade à Humanidade.

Perante este cenário, sei que não tem sido isto que o Homem tem realizado até ao presente!

O historiador, cientista político e pensador Achille-Mbembé afirma, com segurança, que “A era do humanismo está terminando” (https://www.revistaprosaversoearte.com/achille-mbembe-era-do-humanismo-esta-terminando/). “Outro longo e mortal jogo começou. O principal choque da primeira metade do século XXI não será entre religiões ou civilizações. Será entre a democracia liberal e o capitalismo neoliberal, entre o governo das finanças e o governo do povo, entre o humanismo e o niilismo”, escreve Achille Mbembe. E faz um alerta: “A crescente bifurcação entre a democracia e o capital é a nova ameaça para a civilização”.

Mas, infelizmente, não ficamos por aqui! O neurocientista António Damásio advertiu que é necessário “educar massivamente as pessoas para que aceitem os outros”, porque “se não houver educação massiva, os seres humanos vão matar-se uns aos outros” (https://www.revistaprosaversoearte.com/sem-educacao-os-homens-vao-matar-se-uns-aos-outros-diz-neurocientista-antonio-damasio/).

Mas os Homens já se estão a matar uns aos outros há muitos séculos! Presentemente, as atitudes Humanas refinaram e matamo-nos indiretamente com o desleixo de atitudes e comportamentos. David Attenborough lembra-nos que é chegado o tempo de “It’s time we humans came to our senses” (https://www.newscientist.com/article/2165330-david-attenborough-its-time-we-humans-came-to-our-senses/).

Mas, será que vamos assumir uma postura de maior responsabilidade, com uma Consciência Coletiva que nos ajude a superar tantos erros?

Com os atuais líderes políticos e financeiros mundiais afigura-se uma tarefa bem difícil de superar!

A meu ver uma Cidadania Global imbuída de Valores Humanos ajudará na árdua missão de não permitirmos que o Humanismo morra, de nenhuma forma. A Cidadania Global tem a ver com Valores e Responsabilidades partilhadas.

Recomendo aos meus Leitores um estudo sobre este tema, pois revela-se da maior importância para a Humanidade. Há imensos artigos e textos sobre este assunto na internet. Recomendo para iniciar, estes dois:

  • “What is global citizenship?”
(https://www.weforum.org/agenda/2017/11/what-is-global-citizenship/)

“Por que a cidadania global importa?

Os cidadãos globais não nascem; Eles são criados. As crianças não têm uma compreensão inata da sua partilha humanidade; aprendem isto ao longo do tempo. A importância da educação e a habilitação das perspetivas globais não suavizadas.

Historicamente, a cidadania global estava enraizada em um desejo comum de evitar a guerra. Raciocínio comum foi que quanto mais sabíamos um do outro, mais provável seria garantir a paz, o progresso e a prosperidade. Mais recentemente, o projeto genoma humano nos mostrou — pela primeira vez na história humana — que cientificamente, Somos todos um.” (https://www.weforum.org/agenda/2017/11/what-is-global-citizenship/)

Human technology

(https://www.weforum.org/agenda/2018/01/it-s-time-to-bring-our-planet-back-from-the-brink-together-now/)

Se realmente nos importarmos uns pelos outros como Cidadãos Globais, partilhando os nossos Valores e contribuindo decisivamente para o desenvolvimento Humano, a era do Humanismo renascerá com mais força e o Homem transformar-se-á em Ser Humano.

Alfredo Sá Almeida                                                                                 25 de Abril de 2018