Comunicação Social sem Responsabilidade Social

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(http://blog.opovo.com.br/portugalsempassaporte/forum/comunicacao-social-2/)

Quando as crianças e adolescentes estão em fase educativa, todos os Pedagogos e Psicólogos recomendam que, para bem deles, não se lhes deve satisfazer todas as vontades pedidas (com maior ou menor birra), sob pena delas se tornarem adultos egoístas, frustrados e socialmente irresponsáveis. Antes, devem ser orientados e explicar-lhes por meios adequados, com exemplos, os ‘quês’ e ‘porquês’ da não satisfação desses pedidos.

Infelizmente muita dessa Educação cuidada e de qualidade perdeu-se com o crescendo da sociedade de consumo. Também, pelo facto de os Pais terem (ambos) uma vida profissional muito agitada e stressante, sem tempo para dedicarem aos seus filhos. Por outro lado, a Escola, que poderia suprir essas lacunas, resolve não fazê-lo porque não se encontra preparada, ou não quer, participar numa Educação Integral e de Valor. Há ainda a considerar a falta de vontade do Estado para integrar esta dimensão dos Valores Humanos e da Cidadania nas Escolas Públicas.

Perante esta triste realidade, continuam a formar-se muito poucos Cidadãos em boas-práticas de Cidadania e deixados à mercê de uma Sociedade muito mal preparada para dar exemplos vivos de Valores Humanos. Aqui, a Comunicação Social poderia ter um papel pedagógico interessante e importante, mas demite-se desse papel por estar mais focada nas guerras de audiências e vendas de publicidade.

Durante décadas TODA a Comunicação Social (Jornais, Revistas, Rádio, TV, Internet) tem praticado um modelo comunicacional baseado na satisfação dos desejos primários dos seus Leitores, Ouvintes, Telespectadores e Internautas, do que mais gostariam de ler, ouvir e ver comunicado. Tudo para venderem muita publicidade. Precisamente durante essas décadas de informação orientada para o ‘consumidor’, a Escola passou a ser menos exigente com a Cidadania e os Valores Humanos. O resultado desta conjunção de realidades verifica-se todos os dias em Sociedade. Tem sido uma deseducação continuada a coberto de uma Liberdade de comunicação e expressão. Mas a LIBERDADE é um Valor demasiado importante para produzir tão maus resultados! A meu ver, é uma interpretação errónea da Liberdade de expressão, pois era suposto produzir efeitos sociais benéficos.

Programas como Reality Shows, Novelas, Filmes violentos, Notícias ‘Cor-de-rosa’ escabrosas, Notícias ‘bombásticas’, Jogos violentos, etc., têm sido os ‘Reis’ das audiências para TODAS as idades indiscriminadamente. Todos estes programas vendem muita publicidade mas produzem muita (mas muita mesmo) deseducação instantânea, e tornam ainda mais difícil uma Educação correta em Valores Humanos.

Esta realidade leva-me a questionar, com veemência, a responsabilidade do Estado e das Empresas de Comunicação Social, mesmo sabendo que quem se encontra por detrás delas são grandes Corporações Multinacionais e interesses ‘obscuros’ camuflados de Informativos e Comunicativos.

Porque as Empresas de Comunicação Social não são certificadas pela Responsabilidade Social das Empresas? (http://www.sairdacasca.com/wp-content/uploads/2012/10/PDF3_EstudosobreaPercepcaodaResponsabilidadeSocialemPortugal.pdf)

Todos nós nos apercebemos que uma Empresa de Comunicação Social tem um grande impacto na Sociedade. E também sabemos a influência política que possui em momentos eleitorais (e não só). Muitas vezes contribuindo para ‘factos’ políticos de duvidosa qualidade, com resultados ainda mais duvidosos e com repercussão económica notória. A coberto de uma verdade tecem-se enredos envolvendo alguns factos, que acabam por os ofuscar.

media-tv

http://geracaoplastificada.blogspot.pt/2011/05/charges.html

Também nos apercebemos que os meios de comunicação audiovisual são os que contribuem para um maior impacto na Sociedade. Por esse facto poderiam orientar-se, com muita pedagogia, para funcionarem como exemplos de ética e Valores Humanos, para uma Sociedade crescentemente carente desses Valores. Ou seja, passariam a ter uma conduta e uma contribuição positiva, com orientação para uma maior Responsabilidade Social.

O problema está na natureza do negócio de Comunicação dita Social – vender publicidade, ajudar a desenvolver negócios, construir notícias, captar o interesse crescente dos consumidores, etc. De Social só tem o nome e não a função integral.

Reconheço que estes órgãos de comunicação seriam uns aliados ‘de peso’ nas batalhas que se têm de desenvolver em prol dos Valores Humanos, mas infelizmente produzem, nesta dimensão, mais efeitos negativos que positivos.

NÓS Leitores, Ouvintes e Telespectadores poderíamos ter um papel mais ativo nesta matéria, mas acomodamo-nos com muita facilidade e deixamos que nos conduzam as opiniões em muitos domínios – o que vem totalmente contra os nossos desejos de Liberdade (uma das muitas incoerências do Ser Humano).

Alfredo Sá Almeida                                                                    2 de Fevereiro de 2017

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A vida tem limites!

Limite perigoso

Hoje, num órgão de Comunicação Social televisivo, ouvi uma frase (dita com toda a pompa e circunstância), que necessita de esclarecimentos. A frase: “A vida não tem limites!” deixou-me muito preocupado como Cidadão.

Este é um tema que mexe com a vida das Pessoas e com o conceito de Liberdade, tão caro a todos nós.

Penso que TODOS nós estaremos de acordo quando afirmo que a vida de um Ser Humano é algo importante e que merece o nosso respeito e consideração, dada a transcendência que envolve na relação com os demais.

O fenómeno VIDA já de si é uma matéria rara no Universo. De todas as investigações, até hoje realizadas por esse universo fora, o Homem ainda não encontrou vida noutro planeta. Podemos estar perante uma situação singular, em que o planeta Terra seja o único com VIDA neste universo.

Por outro lado, VIDA é um fenómeno que envolve células e um metabolismo bioquímico dependente de energia interna e/ou externa. Ou seja, é um processo metabólico dinâmico e muito bem organizado que possui limites próprios para a sua manutenção.

No caso do Ser Humano o fenómeno VIDA é bem mais complexo, dados os fenómenos associados da Mente, da Consciência e da Transcendência, que nos elevam a níveis de responsabilidade acrescida por sermos a única espécie com inteligência superior, capaz de interferir com todas as outras neste Planeta.

A Liberdade é um conceito abstrato criado pelo Homem que traduz a sua necessidade de levar a cabo uma ação de acordo com a sua própria vontade. Mas todos nós sabemos que este conceito tem evoluído ao longo da História do Homem e que na Sociedade atual, apesar de vivermos maiores graus de liberdade, ainda nos encontramos muito limitados na expressão da nossa vontade dados os condicionalismos que o próprio Homem criou.

Significa isto que os limites criados ao desenvolvimento Humano, à Educação e às condições de vida do Ser Humano são tantos, que quase tenho vergonha de falar em Liberdade, nos dias de hoje.

Portanto, não só possuímos limites no fenómeno intrínseco da Vida como da expressão da sua vontade.

Quando um órgão de Comunicação Social, que se diz responsável, faz uma afirmação perentória “A vida não tem limites!”, está a usar a sua Liberdade para nos transmitir deturpadamente os conceitos que entende. O que, a meu ver, é uma expressão errada no seu papel de informação e comunicação noticiosa.

Exemplos destes, infelizmente temos muitos em toda a Comunicação dita Social, mas sem Responsabilidade Social. Significa que, ou são incompetentes ou o fazem propositadamente, para nos deturpar a Consciência. Ou ainda, neste caso, eles não possuam limites para dizer o que tiverem vontade de dizer erradamente, o que vai interferir seriamente com a minha Liberdade de Ser, ouvindo e vendo informações declaradamente deturpadas.

Imaginem as consequências destes atos continuados, noutros domínios do conhecimento, no nosso dia-a-dia!

Caso os Cidadãos não possuam uma Educação e Formação que lhes permita um pensamento crítico sobre determinadas matérias, ficarão ingenuamente expostos a formar juízos de valor errados e a provocar desentendimentos comunicacionais, pela repetição dos erros que ouvem e vêm nesses Órgãos.

Numa Sociedade de Valor Humano estas atitudes e comportamentos não serão admissíveis e a Liberdade de cada Um estará associada à sua responsabilidade como Cidadão Consciente.

Para que fique bem claro, no que acabei de escrever, “A Vida tem limites!” que nos são dados pelo nosso conhecimento, pela nossa consciência, pela nossa responsabilidade como Cidadãos e pela interiorização que fazemos do conceito de Liberdade em Sociedade.

Estou convicto que os meus caros Leitores, tal como eu, querem viver em harmonia com os demais em Sociedade sem serem ‘agredidos gratuitamente’, por palavras ou por atos, pois sabemos que estão a afetar a nossa transcendência.

O caso mais recente tem a ver com os casos que se passam na Sociedade Francesa (e Europeia em geral), da falta de bom senso e de um conceito saudável de Liberdade que impede mulheres de usar burkini nas praias. Estes factos são de tal modo ridículos que suspeito que alguns elementos da Sociedade estejam a perder características Humanas pela carência continuada de Valores Humanos da Sociedade. O mais grave é ver políticos (que se dizem responsáveis) afirmar que estas mulheres o fazem numa atitude provocatória (https://www.publico.pt/mundo/noticia/combater-o-medo-no-corpo-das-mulheres-1742432).

A nossa Sociedade está muito doente e a necessitar de uma renovação de paradigma. Mantenham a saúde mental e o pensamento crítico, em estado de exigência, para não se deixarem corromper por pessoas que não merecem o estatuto de Cidadão.

Ridiculo

Alfredo Sá Almeida                                                                              27 de Agosto de 2016