A degradação dos Valores Humanos e a época da pós-verdade

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“A divulgação de notícias falsas para manipular a opinião pública e reforçar crenças pessoais se disseminou com a ajuda da internet e das redes sociais.
Numa época em que as crenças importam mais do que a realidade, a disseminação de notícias falsas ganha terreno, impulsionada pela internet e pela polarização política.”Fabio Sasaki “Resumo Atualidades: A era da pós-verdade” (https://guiadoestudante.abril.com.br/blog/atualidades-vestibular/resumo-atualidades-a-era-da-pos-verdade/#respond)

Neste resumo informativo, o seu autor Fabio Sasaki introduz um conjunto de perguntas/respostas fundamentais para entender este tema da pós-verdade. Assim:

• O que é pós-verdade?
Segundo o Dicionário Oxford, a pós-verdade refere-se “a circunstâncias nas quais os factos objetivos têm menos influência em moldar a opinião pública do que apelos à emoção e a crenças pessoais”.

• Quais eventos ajudaram a popularizar o termo?
A eleição de Donald Trump nos EUA e o Brexit foram influenciados pela divulgação de notícias falsas. Muitos eleitores não ligavam para a veracidade das informações, desde que concordassem com elas.

• Como as notícias falsas são disseminadas?
As notícias falsas vêm ganhando maior repercussão devido à internet. Pelas redes sociais, um boato ou uma mentira podem ser replicados para milhares de pessoas, de forma rápida e em tempo real.

• O que o Facebook tem a ver com a pós-verdade?
No Facebook, os conteúdos mais curtidos e compartilhados têm maior alcance e disseminação, não importando se é uma notícia real ou uma informação falsa.

• O que são bolhas virtuais?
Quando as pessoas compartilham apenas informações que confirmam suas crenças, elas se isolam em um ambiente restrito (as bolhas virtuais), sem contato com pessoas que pensam diferente delas.

• Como o Facebook estimula a formação de bolhas virtuais?
Por meio do histórico de navegação, o feed de notícias do Facebook traz mais informações que combinam com seu ponto de vista e reforçam suas crenças, reduzindo o alcance de ideias divergentes.

• Como a polarização ideológica estimula a pós-verdade?
Um quadro de radicalização política ajuda a difundir notícias falsas. Para disseminar sua visão de mundo, muitas pessoas compartilham informações sem se preocupar com a veracidade ou verificar a fonte.

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Infelizmente, a manipulação da informação, os boatos, as notícias falsas e as mentiras sempre se difundiram em todos os meios de comunicação social. Mas atualmente, com a ‘explosão’ do uso da internet, das redes sociais e dos smartphones, este fenómeno ganhou outra dimensão e o que não faltam são internautas com poucos Valores Humanos e uma avidez de ‘curtidas’ no seu post. Estes internautas valorizam mais o acréscimo da audiência em detrimento da qualidade da informação difundida.

Esta nova realidade justifica um processo educativo específico onde:

  1. O conhecimento;
  2. O pensamento crítico;
  3. Os Valores Humanos;

Devem ganhar dimensão. Estas 3 vertentes fazem cada vez mais sentido transformar numa realidade educativa permanente.

Por outro lado, não podemos deixar de considerar que “Durante décadas TODA a Comunicação Social (Jornais, Revistas, Rádio, TV, Internet) tem praticado um modelo comunicacional baseado na satisfação dos desejos primários dos seus Leitores, Ouvintes, Telespectadores e Internautas, do que mais gostariam de ler, ouvir e ver comunicado. Tudo para venderem muita publicidade. Precisamente durante essas décadas de informação orientada para o ‘consumidor’, a Escola passou a ser menos exigente com a Cidadania e os Valores Humanos. O resultado desta conjunção de realidades verifica-se todos os dias em Sociedade. Tem sido uma deseducação continuada e uma aparente Liberdade de comunicação e expressão. Mas a LIBERDADE é um Valor demasiado importante para produzir tão maus resultados! A meu ver, é uma interpretação errónea da Liberdade de expressão, pois era suposto produzir efeitos sociais benéficos.

Programas como Reality Shows, Novelas, Filmes violentos, Notícias ‘Cor-de-rosa’ escabrosas, Notícias ‘bombásticas’, Jogos violentos, etc., têm sido os ‘Reis’ das audiências para TODAS as idades indiscriminadamente. Todos estes programas vendem muita publicidade mas produzem muita (mas muita mesmo) deseducação instantânea, e tornam ainda mais difícil uma Educação correta em Valores Humanos.”Alfredo Sá Almeida in “Comunicação Social sem Responsabilidade Social” (https://saalmeida.wordpress.com/2017/02/02/comunicacao-social-sem-responsabilidade-social/)

“Como afirmava Eduardo Galeano, o mundo está dividido entre os indignados e os indignos. Mas não são apenas indignos os que submetem à sua vontade os outros Seres Humanos. São desumanos, interesseiros, sem escrúpulos, arrogantes e muitos outros adjetivos pouco abonatórios da espécie Humana.

Pois bem, a verdade é que os valores de quem é indigno não possuem a mesma dimensão dos Valores dos Indignados. Por outro lado, e esta é uma razão numérica, os indignos são em menor número que os indignados. Sendo assim só resta aos indignados ‘dominados’ libertarem-se de vez dos valores que os indignos valorizam.

Se tivermos a sabedoria de consolidar os Valores Humanos como valores dos indignados, então tornar-se-á mais difícil algum dos indignos conseguir dominar os outros Seres Humanos. Mas também saber rodear-se dos mecanismos de defesa que não permitam o retorno à situação de indigno.

Veem-me à ideia as palavras de Vergílio Ferreira “Não é por causa dos outros que somos o que somos: é sempre por causa de nós”. Saibamos assim assumir e interiorizar as mudanças que nos conduzem a Seres com Valores Humanos.

Se é verdade que vivemos momentos difíceis e de mudança estrutural, aproveitemos a ocasião para derrubar os ‘muros’ que nos transformam em indignos, e, de indignados passemos a ser uma espécie construtora de futuros prolongados e Humanos. Saibamos assumir de uma vez por todas a nossa razão de ser, Humanos com Valor num mundo sustentado por nós.”Alfredo Sá Almeida in “O Homem e o Futuro” (2013).

Vou deixar o meu Leitor com a minha interpretação de Verdade e permitir-lhe uma reflexão sobre o tema que introduzi.

“A Verdade é o resultado do encontro no tempo, e em equilíbrio dinâmico, entre a Coerência, a Razão e a Justiça.”Alfredo Sá Almeida

Alfredo Sá Almeida                                                                         25 de Outubro de 2017

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Comunicação Social sem Responsabilidade Social

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(http://blog.opovo.com.br/portugalsempassaporte/forum/comunicacao-social-2/)

Quando as crianças e adolescentes estão em fase educativa, todos os Pedagogos e Psicólogos recomendam que, para bem deles, não se lhes deve satisfazer todas as vontades pedidas (com maior ou menor birra), sob pena delas se tornarem adultos egoístas, frustrados e socialmente irresponsáveis. Antes, devem ser orientados e explicar-lhes por meios adequados, com exemplos, os ‘quês’ e ‘porquês’ da não satisfação desses pedidos.

Infelizmente muita dessa Educação cuidada e de qualidade perdeu-se com o crescendo da sociedade de consumo. Também, pelo facto de os Pais terem (ambos) uma vida profissional muito agitada e stressante, sem tempo para dedicarem aos seus filhos. Por outro lado, a Escola, que poderia suprir essas lacunas, resolve não fazê-lo porque não se encontra preparada, ou não quer, participar numa Educação Integral e de Valor. Há ainda a considerar a falta de vontade do Estado para integrar esta dimensão dos Valores Humanos e da Cidadania nas Escolas Públicas.

Perante esta triste realidade, continuam a formar-se muito poucos Cidadãos em boas-práticas de Cidadania e deixados à mercê de uma Sociedade muito mal preparada para dar exemplos vivos de Valores Humanos. Aqui, a Comunicação Social poderia ter um papel pedagógico interessante e importante, mas demite-se desse papel por estar mais focada nas guerras de audiências e vendas de publicidade.

Durante décadas TODA a Comunicação Social (Jornais, Revistas, Rádio, TV, Internet) tem praticado um modelo comunicacional baseado na satisfação dos desejos primários dos seus Leitores, Ouvintes, Telespectadores e Internautas, do que mais gostariam de ler, ouvir e ver comunicado. Tudo para venderem muita publicidade. Precisamente durante essas décadas de informação orientada para o ‘consumidor’, a Escola passou a ser menos exigente com a Cidadania e os Valores Humanos. O resultado desta conjunção de realidades verifica-se todos os dias em Sociedade. Tem sido uma deseducação continuada a coberto de uma Liberdade de comunicação e expressão. Mas a LIBERDADE é um Valor demasiado importante para produzir tão maus resultados! A meu ver, é uma interpretação errónea da Liberdade de expressão, pois era suposto produzir efeitos sociais benéficos.

Programas como Reality Shows, Novelas, Filmes violentos, Notícias ‘Cor-de-rosa’ escabrosas, Notícias ‘bombásticas’, Jogos violentos, etc., têm sido os ‘Reis’ das audiências para TODAS as idades indiscriminadamente. Todos estes programas vendem muita publicidade mas produzem muita (mas muita mesmo) deseducação instantânea, e tornam ainda mais difícil uma Educação correta em Valores Humanos.

Esta realidade leva-me a questionar, com veemência, a responsabilidade do Estado e das Empresas de Comunicação Social, mesmo sabendo que quem se encontra por detrás delas são grandes Corporações Multinacionais e interesses ‘obscuros’ camuflados de Informativos e Comunicativos.

Porque as Empresas de Comunicação Social não são certificadas pela Responsabilidade Social das Empresas? (http://www.sairdacasca.com/wp-content/uploads/2012/10/PDF3_EstudosobreaPercepcaodaResponsabilidadeSocialemPortugal.pdf)

Todos nós nos apercebemos que uma Empresa de Comunicação Social tem um grande impacto na Sociedade. E também sabemos a influência política que possui em momentos eleitorais (e não só). Muitas vezes contribuindo para ‘factos’ políticos de duvidosa qualidade, com resultados ainda mais duvidosos e com repercussão económica notória. A coberto de uma verdade tecem-se enredos envolvendo alguns factos, que acabam por os ofuscar.

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http://geracaoplastificada.blogspot.pt/2011/05/charges.html

Também nos apercebemos que os meios de comunicação audiovisual são os que contribuem para um maior impacto na Sociedade. Por esse facto poderiam orientar-se, com muita pedagogia, para funcionarem como exemplos de ética e Valores Humanos, para uma Sociedade crescentemente carente desses Valores. Ou seja, passariam a ter uma conduta e uma contribuição positiva, com orientação para uma maior Responsabilidade Social.

O problema está na natureza do negócio de Comunicação dita Social – vender publicidade, ajudar a desenvolver negócios, construir notícias, captar o interesse crescente dos consumidores, etc. De Social só tem o nome e não a função integral.

Reconheço que estes órgãos de comunicação seriam uns aliados ‘de peso’ nas batalhas que se têm de desenvolver em prol dos Valores Humanos, mas infelizmente produzem, nesta dimensão, mais efeitos negativos que positivos.

NÓS Leitores, Ouvintes e Telespectadores poderíamos ter um papel mais ativo nesta matéria, mas acomodamo-nos com muita facilidade e deixamos que nos conduzam as opiniões em muitos domínios – o que vem totalmente contra os nossos desejos de Liberdade (uma das muitas incoerências do Ser Humano).

Alfredo Sá Almeida                                                                    2 de Fevereiro de 2017