Se não podes derrotá-los, …

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Segundo consta, esta frase – “Se não podes derrotá-los, junta-te a eles” – corresponde a um provérbio Americano.

Quantas vezes nós iniciamos batalhas que se transformam em guerras e finalmente numa obsessão da qual não sabemos sair. No momento presente, essas batalhas são essencialmente argumentativas, mas nem por isso deixam de se transformar em guerras obsessivas.

Houve até um autor Português – Filipe Homem Fonseca – que escreveu um livro intitulado “Se não podes juntar-te a eles, vence-os” (2013).

(https://www.wook.pt/livro/se-nao-podes-juntar-te-a-eles-vence-os-filipe-homem-fonseca/15081083)

Ou seja, não tem como escapar da obsessão. Faz-me lembrar as táticas utilizadas na guerra de Troia, com o célebre cavalo.

Vem isto a propósito da GUERRA comercial global que se avizinha dos USA com a China, com a União Europeia, com o Canada, com o México, etc. Era inevitável as respetivas retaliações dos Países e Organizações visadas.

Significa que o Homem é exímio na arte da guerra mas muito fraco e pouco inteligente na ARTE da Paz e da concórdia. Provavelmente, estará nos nossos genes essa característica dada a influência das sucessivas guerras em que o Homem se envolveu, sobretudo no último século.

Mas se observarmos com atenção e detalhe, essa anunciada guerra comercial global prende-se essencialmente com DINHEIRO. Pensando bem, até estou de acordo com as declarações de Christine Lagarde (Diretora-geral do FMI) quando afirma “Guerras comerciais são impossíveis de vencer”.

(http://www.jornaleconomico.sapo.pt/noticias/lagarde-guerras-comerciais-sao-impossiveis-de-vencer-281562)

Torna-se evidente que para evitar essa guerra os Líderes Globais deveriam trabalhar de forma construtiva para resolver os conflitos comerciais.

Por outro lado, ‘serão as Pessoas mais pobres que vão sofrer as consequências da guerra comercial global’ – Christine Lagarde.

(https://observador.pt/2018/05/31/serao-os-pobres-quem-mais-sofrera-com-uma-guerra-comercial-diz-fmi/)

Voltando à frase de entrada, “junta-te a eles …”, só pode querer dizer que tudo deve ser feito para construir uma Consciência Coletiva para evitar uma guerra. Mas é aqui que os Líderes Globais falham em toda a linha, talvez porque acabam reduzindo toda e qualquer negociação ao DINHEIRO. Aí, as conversações tornam-se tão virtuais e voláteis que perdem o foco principal que evita qualquer Guerra – a Paz e o bem-estar de todas as Populações de todos os Países.

A uma escala bem mais pequena, mas não menos importante, a guerra entre os Professores Portugueses e o Ministério da Educação de Portugal, enferma do mesmo problema – ‘nem os Dirigentes Sindicais nem o Governo’ estão focados em resolver os problemas sérios que a Educação em Portugal tem. Acabam reduzindo TUDO A DINHEIRO. Assim não se resolve nada.

Aliás, se forem satisfeitas todas as reivindicações dos Sindicatos (10 plataformas Sindicais para representar uma Profissão?) os problemas da Educação em Portugal não ficarão resolvidos, nem sequer a satisfação dos Professores e o seu bem-estar.

Imaginem agora o que aconteceria com as outras profissões, os Juízes, os Médicos, os Enfermeiros, etc. Ou seja, seria a insatisfação geral.

A meu ver, a Política está demasiado comprometida com o DINHEIRO e os Cidadãos acabam por ficar viciados nele. Senão vejamos, perguntem a um Professor do quadro: ‘se ganhasse o dobro estaria satisfeito e seria mais produtivo no seu trabalho?’. Penso que adivinharei a resposta – NÃO.

Enfim, o Homem continua obcecado com questões que não conduzem a nada de bom e desfocado dos verdadeiros problemas da Sociedade. Construir uma Consciência Coletiva torna-se fácil se for para perguntar: “Exigem ou não a recuperação de todo o tempo de serviço congelado?” (http://expresso.sapo.pt/revista-de-imprensa/2018-06-29-Sindicatos-lancam-referendo-aos-professores-exigem-ou-nao-a-recuperacao-de-todo-o-tempo-de-servico-congelado-#gs.Q5_NcaA). Quero ver construir uma Consciência Coletiva bem mais vasta e mais abrangente que entre, apenas, os elementos de uma Profissão. Gostaria de ver uma verdadeira convergência entre Professores, Pais dos Alunos, Alunos e Governantes por uma Educação com Futuro em Portugal. Essa sim seria a Consciência Coletiva digna de Seres inteligentes.

Não brinquem com a Inteligência dos Cidadãos! Todos nós sabemos que ‘Casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão’. Às Profissões superiores de um País (Professores, Juízes, Médicos, Enfermeiros, etc.) exige-se que tenham um maior contributo para a Cidadania, com maior Inteligência e Consciência Coletivas, caso contrário a Profissão perde Valor. Imaginem um Juiz a reivindicar aumento de salário e com atitudes e comportamentos de ‘Estivador’. Como querem que os Cidadãos mantenham o respeito que a Profissão merece? Como querem construir Consciência Coletiva ampla se não se derem ao respeito como Cidadãos?

Neste caso, os Dirigentes Sindicais são os maiores culpados de muitos processos reivindicativos. Não basta serem obsessivos com os desejos dos seus associados. Têm sobretudo de ser construtivos e responsáveis pela Consciência Coletiva da Profissão, que representam, integrada na Sociedade que a deve respeitar SEMPRE. Se a Sociedade perder o respeito pela Profissão em causa, o responsável é o Dirigente Sindical.

Pois bem, meus caros Leitores, eu preferiria que a frase de entrada fosse outra:

“Se não conseguires construir uma Consciência Coletiva, com os teus recursos, junta-te àqueles que tiverem melhores condições para o fazer”.

Alfredo Sá Almeida                                                                                       7 de Julho de 2018

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Que características Humanas vão acompanhar a Inteligência no Futuro?

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Este é um tema que deveria ser amplamente debatido não só nos meios académicos, mas sobretudo no ambiente empresarial e escolar.

Vem isto a propósito de uma entrevista importante de Franco Berardi“O Pensamento Crítico morreu” (Filósofo Italiano e professor de História Social dos Media na Academia de Brera, em Milão) publicada no Jornal Económico (Portugal) em 17 de Junho de 2018 (http://www.jornaleconomico.sapo.pt/noticias/franco-berardi-o-pensamento-critico-morreu-321558). Recomendo vivamente uma leitura atenta desta entrevista seguida de uma reflexão. Talvez essa nossa atitude possa contribuir para o ‘renascimento’ do Pensamento Crítico, que este Autor considera estar morto.

As respostas de Franco Berardi demonstram que o seu Pensamento não deixou de ser Crítico, mas os argumentos que apresenta são válidos quando considera que o atual Sistema Financeiro e o Capitalismo que o sustenta, servindo-se dos processos tecnológico e económico, estão a matar o Pensamento Crítico.

Analisemos este excerto da entrevista que mencionei:

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(http://www.jornaleconomico.sapo.pt/noticias/franco-berardi-o-pensamento-critico-morreu-321558)

A meu ver, o Pensamento Crítico só morrerá se nós deixarmos que morra, ou, nos predispusermos para não pensar e só agir. Mas mesmo a ação necessita de um certo planeamento para ser bem-sucedida. Por outro lado, o Homem não tem como abdicar de ser inteligente e construtivo. Este é um fenómeno irreversível.

Também considero que deveremos estar abertos ao imprevisível. Tudo vai depender dos elementos imprevisíveis e de quem os criar. Aliás não existe Futuro sem um grau de imprevisibilidade. Os anseios do Homem nem sempre são suficientemente ponderados e integrados no conhecimento, que permitam traçar um caminho para o Futuro sem infalibilidade e imprevisibilidade. O próprio processo criativo apenas está focado numa parte do conhecimento. Toda a restante se encontra desfocada e nebulosa.

Todos nós sabemos que o Homem não é apenas um Ser inteligente (considerando as facetas Racional, Emocional, Social e Espiritual da Inteligência), ele está enquadrado numa Biosfera e envolvido numa Cultura de Valores que o moldam, em maior ou menor grau, durante a sua vida.

A questão que coloco para debate e reflexão é saber que características Humanas vão acompanhar a Inteligência no Futuro. Que atitudes e comportamentos vamos interiorizar e que nos vão caracterizar. O mesmo é dizer que Valores Humanos vão salientar as características da Inteligência do Homem!

Esta não é uma questão pacífica nem tranquila, porque existem muitos indivíduos com poder que consideram que o valor do dinheiro deve continuar a dominar e governar todas as características Humanas. E, com ele, a competitividade, a meritocracia e todos os vícios e desvalores Humanos que acompanham este sistema.

Ora, todos nós sabemos, que a ausência de Valores Humanos na vida do Homem só tem potenciado graves distúrbios mentais e muitos outros desequilíbrios nefastos à Sociedade. Considero que não é moldando a Sociedade pelo dinheiro e seus valores distorcidos, em muitos casos aberrantes, que o Pensamento Crítico renascerá.

O Pensamento Crítico é um processo aberto e saudável do raciocínio integrado com o conhecimento, permitindo aos Cidadãos exercerem com seriedade as suas responsabilidades sociais.

“O pensamento crítico consiste em analisar e avaliar a consistência dos raciocínios, em especial as afirmações que a sociedade considera verdadeiras no contexto da vida cotidiana.

Essa avaliação pode realizar-se através da observação, da experiência, do raciocínio ou do método científico. O pensamento crítico exige clareza, precisão, equidade e evidências, já que visa evitar as impressões particulares. Neste sentido, está relacionado com o ceticismo e com a detecção de falácias.” – (http://conceito.de/pensamento-critico)

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(http://www.porto.ucp.pt/pensamento-critico?msite=15)

Para mim torna-se evidente a importância desta vertente de Pensamento estruturado, dada a natureza da Sociedade de Valor Humano que defendo e dos relacionamentos Humanos que se pretendem de Valor. A meu ver, torna-se difícil vislumbrar uma Sociedade Futura onde o Pensamento Crítico esteja morto. Considero uma aberração que tem de ser corrigida já e rapidamente. Se não o fizermos estaremos a deturpar seriamente o Futuro de toda uma Sociedade Global de Valor Humano.

Alfredo Sá Almeida                                                                                      19 de Junho de 2018

A ambição pode destruir o Valor Humano

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“A Ambição parece sempre começar onde devia acabar” Emanuel Wertheimer

“Ser ambicioso nada mais é que um desejo forte de conquistar algo, seja financeiramente, politicamente, uma posição melhor no trabalho ou um estilo de vida de acordo com seus ideais.”Renato Mesquita (https://saiadolugar.com.br/ser-ambicioso-e-bom-ou-ruim/)

A meu ver, não é bem assim que encaro a Ambição. Para mim é um sentimento de duas faces. Contém uma dimensão de Valor e outra de Antivalor. Só a própria Pessoa poderá ter consciência da verdadeira dimensão da sua ambição. Mas se os objetivos forem explícitos e positivos tornar-se-á mais fácil uma adesão coletiva a esses propósitos.

Vejamos as faces da Ambição:

  • “Há riqueza bastante no mundo para as necessidades do Homem, mas não para a sua Ambição”Mahatma Gandhi
  • “A Ambição é uma paixão tão imperiosa no coração Humano, que, mesmo que galguemos as mais elevadas posições, nunca nos sentiremos satisfeitos”Nicolau Maquiavel

Outro problema com a Ambição Humana prende-se com a irreversibilidade de atitudes e comportamentos:

  • “Passamos muitas vezes do Amor à Ambição, mas nunca regressamos da Ambição ao Amor”François de La Rochefoucauld

Mas o Valor Humano tem como propósito o Bem-comum. Essa é a dimensão coletiva e positiva da Ambição.

“Qualquer ambição individual ganha força quando alinhada a outras por meio de um propósito comum, tornando-se uma ambição coletiva para alcançar e sustentar uma visão que beneficiará todos. A união entre diferentes atores em prol de um objetivo comum não é um conceito novo.”Bruno Schwartz [‘A força da Ambição Coletiva’] (https://pt.linkedin.com/pulse/for%C3%A7a-da-ambi%C3%A7%C3%A3o-coletiva-bruno-schwartz)

O Homem perde com muita frequência o seu sentido coletivo e positivo do Bem-comum para se deixar envolver em ambições individuais, muitas vezes de dimensão megalómana, que acabam prejudicando tudo e todos. A Consciência Coletiva faz parte do Valor Humano e ajuda-nos a construir o Bem-comum.

Alfredo Sá Almeida                                                                                     14 de Abril de 2018

O Homem encontra-se com perturbação obsessivo-compulsiva, em pleno século XXI

Todas as ações, atitudes e comportamentos que o Homem tem demonstrado nos últimos 100 anos da vida do nosso Planeta, induzem-me a afirmar que a Humanidade se encontra psicologicamente doente e o Homem com perturbação obsessivo-compulsiva notória. (p.f. ver Nota no final do texto)

Perante esta minha afirmação, lanço um desafio aos Psicólogos Clínicos e aos Psiquiatras que se sintam capazes de analisar em profundidade o estado mental global da Humanidade: Estará o Homem com perturbação obsessivo-compulsiva?

Coloquemos o Homem na ‘chaise longue’ do Psiquiatra ou no sofá do Psicólogo Clínico e analisemos em profundidade todas as ações, atitudes e comportamentos que têm conduzido às malfeitorias aos seus Irmãos e a todas as outras espécies existentes na Biosfera.

Segundo a comunidade científica internacional – “Mais de 15 mil cientistas de 184 países emitiram um aviso: a Humanidade deve tomar medidas imediatas para reverter os efeitos das mudanças climáticas, o desmatamento e a extinção das espécies antes que seja tarde demais.”

(http://bigthink.com/stephen-johnson/15000-scientists-from-around-the-world-issue-warning-to-humanity?utm_campaign=Echobox&utm_medium=Social&utm_source=Facebook)

Catastrofe anunciada

(Fig. em BigThink by Stephen-Johnson)

Esta é a triste realidade que construímos ao longo dos últimos 70 anos de vida (no mínimo).

A ‘evolução’, mostrada nestes gráficos, pode representar um comportamento obsessivo-compulsivo em relação à nossa atividade no Planeta. Ao ponto de “… termos desencadeado um evento de extinção em massa, o sexto em cerca de 540 milhões de anos, em que muitas formas de vida atuais poderiam ser aniquiladas ou, pelo menos, comprometidas com a extinção no final deste século”.

A ser verdade que o Homem se encontra com este tipo de perturbação, temos de ter muito cuidado pois: “A perturbação obsessivo-compulsiva é progressiva: sem tratamento eficaz, vai piorando, ainda que o seu curso seja feito de fases boas e más, um pouco de acordo com o nível de stress que vai surgindo na vida das pessoas. Com alguma frequência, a situação é complicada com a presença simultânea de outras perturbações igualmente do foro psicológico/psiquiátrico; as companhias indesejáveis mais frequentes são: perturbações depressivas, perturbação do pânico, fobia social e fobias simples.” (https://oficinadepsicologia.com/obsessivo-compulsivo/)

Perante estes dados, nem iremos necessitar de uma III Guerra Mundial para extinguirmos a Vida neste Planeta, basta continuarmos a comportarmo-nos como até aqui.

Este é um apelo a TODOS os Homens de boa vontade, com Inteligência e Consciência Coletivas, capazes de construir um NOVO Futuro Coletivo.

A meu ver, necessitamos de construir um novo Paradigma para a Sociedade Global neste Planeta. Sem esse Paradigma estaremos irremediavelmente perdidos como Seres Humanos. Poderemos ser qualquer outra ‘coisa’, mas não um SER com Valores Humanos.
Neste meu Blogue, os meus caros Leitores poderão encontrar muitos elementos da minha proposta de Paradigma baseada no Valor Humano.

Boa Leitura e boas atitudes em prol da Humanidade.

Alfredo Sá Almeida                                                                               4 de Março de 2018

Nota: Fonte “O que é a perturbação obsessivo-compulsiva?”

(https://oficinadepsicologia.com/obsessivo-compulsivo/)
Obsessões são pensamentos, impulsos ou imagens mentais, desagradáveis, estranhos face ao historial de vida de quem os tem, e que surgem de uma forma repetida e que resistem a ser expulsos da consciência. O facto de surgirem intrusivamente, vindos do nada, de continuarem a intrometer-se na vida do dia-a-dia, de resistirem a desaparecer, apesar dos esforços nesse sentido, e a própria estranheza dos seus conteúdos, origina um elevado desconforto e ansiedade e a pessoa sente-se compelida a fazer algo para reduzir esse mal-estar.
Surgem, assim, as compulsões, ou rituais compulsivos, (ou, ainda numa outra designação que preferimos, os comportamentos protetores) que acabam por cumprir uma função de controlo da ansiedade, ainda que inadequado. Estes comportamentos protetores são, na maior parte das vezes, comportamentos exteriores e, contrariamente às obsessões, que se passam na privacidade do espírito de cada um, tornam-se bastante visíveis para os outros. É precisamente por constituírem a face visível desta perturbação que se tornaram o aspeto mais conhecido do público, inclusivamente por terem sido retratados em filmes como “Melhor é impossível” ou “Aviator”. No entanto, os rituais compulsivos podem ser privados e, portanto, invisíveis, tal como as obsessões.”
“Um dos aspetos mais dramáticos desta perturbação é o facto de a pessoa reconhecer que as suas ações compulsivas são ilógicas e não têm cabimento no contexto da sua vida e que o conteúdo dos seus pensamentos obsessivos é maioritariamente absurdo e sem sentido. Imagine saber isto e não conseguir impedir-se nem de pensar o que pensa, nem de fazer o que faz… Esta situação está na base do elevado embaraço que as pessoas sentem quando são afligidas pela perturbação obsessivo-compulsiva, o que a torna muito reservadas a propósito do que pensam e do que fazem, acontecendo, por vezes, sofrerem durante anos sem contar a ninguém o que se passa com elas, passando por uma luta angustiante que não se prende apenas com a tentativa de controlo da sua sintomatologia mas, igualmente, com a tentativa de esconder o que se passa, por medo da avaliação que poderão fazer delas.”
A perturbação obsessivo-compulsiva é progressiva: sem tratamento eficaz, vai piorando, ainda que o seu curso seja feito de fases boas e más, um pouco de acordo com o nível de stress que vai surgindo na vida das pessoas. Com alguma frequência, a situação é complicada com a presença simultânea de outras perturbações igualmente do foro psicológico/psiquiátrico; as companhias indesejáveis mais frequentes são: perturbações depressivas, perturbação do pânico, fobia social e fobias simples.”

A importância dos ‘saltos quânticos’ em coerência com a Consciência Coletiva

Valores da Arquitetura para o Futuro5

(https://www.facebook.com/groups/arquitetura.humana/)

Assisti muito interessado à cerimónia de Doutoramento Honoris Causa do Eng.º António Guterres (Secretário-geral da ONU) que decorreu hoje dia 19 de Fevereiro de 2018. Lembrei-me que o Homem ainda não aprendeu a executar ‘saltos quânticos’, Humanamente coerentes, nas decisões que envolvem a vida Social, Política, Empresarial, etc., que contribuem decisivamente para o desenvolvimento sustentável.

Intelectualmente somos capazes de os executar com maestria, mas na prática e nas realidades da Vida dos Cidadãos, tem sido muito difícil.

Vem isto a propósito sobre o que proferiu o Secretário-geral das Nações Unidas António Guterres, no seu discurso de Doutoramento. Assim, “alertou que o mundo “corre o risco de perder a corrida” face à aceleração das alterações climáticas e vincou a “falta de ambição suficiente” para concretizar as metas internacionais.” No caso das alterações climáticas, estas “continuam a andar mais depressa do que nós”, embora exista “quem duvide, contra todas as evidências científicas”. (http://www.jornaldenegocios.pt/multimedia/detalhe/mundo-corre-o-risco-de-perder-corrida-contra-alteracoes-climaticas)

Por outro lado, mencionou algumas realidades da ciberguerra e da desregulação da prática das novas tecnologias da informação e comunicação (Internet of Things, Internet, Inteligência Artificial e outras) e como essa desregulação poderá conduzir a grandes tragédias. “Estou absolutamente convencido que a próxima guerra entre Estados será precedida de um massivo ciber-ataque”, decretou, destacando que “não há nenhum esquema regulatório” como a Convenção de Genebra que se aplique a um conflito deste tipo.” (http://observador.pt/2018/02/19/antonio-guterres-passa-vida-em-revista-e-preciso-saber-sair-da-politica/)

Ora estas duas realidades mencionadas, implicam a existência de muita Consciência Coletiva e uma capacidade de tomar decisões Políticas que beneficiem a Humanidade Global. Mas, também, uma capacidade de dar ‘saltos quânticos’ coerentes, ao tomar essas decisões.

Os ‘saltos quânticos’ aos quais me refiro são um modo inteligente de evitar uma continuidade doentia e potencialmente desviadora dos verdadeiros interesses e objetivos do Futuro da Humanidade. O que temos assistido, até à data, nos desenvolvimentos Políticos e Sociais é que estes agem sempre por reação aos desenvolvimentos Científicos e Tecnológicos. Esta inexistência de harmonia entre o Conhecimento e a ação Política e Social conduz a desequilíbrios potenciais geradores de ruturas bruscas e violentas. Tentam sempre conjugar muitos interesses antagónicos, potenciadores de negócios e geradores de capital, esquecendo-se do foco principal e essencial que é o Futuro da Humanidade e o desenvolvimento sustentável.

É nesta dimensão que se poderiam dar enormes ‘saltos quânticos’ com o desenvolvimento da Inteligência e Consciência Coletivas, realizando vários bypass em matérias que não têm Futuro e que estão a prejudicar o desenvolvimento sustentável da Humanidade. Não é por acaso que as matérias da Paz, Desenvolvimento Social, Educação em Valores Humanos e Futuro Sustentável têm que estar constantemente presentes na Consciência de TODOS os Cidadãos e nas decisões Políticas e Sociais.

Alfredo Sá Almeida                                                                            19 de Fevereiro da 2018

A importância do Bem Comum numa sociedade de Valor Humano

Neste tema que tenho desenvolvido, ao longo dos últimos três anos, sobre o Valor Humano, tenho destacado a importância que o Bem Comum tem no desenvolvimento da Humanidade. É um conceito integrado e resultante da Inteligência e Consciência Coletivas dos Seres Humanos, que muito lentamente se está a desenvolver na Sociedade Global.

Para que fique bem claro: Bem comum é uma expressão que possui conceitos em muitas áreas do conhecimento humano, mas que se assemelham entre si. De um modo geral, define os benefícios que podem ser compartilhados por várias pessoas, pertencentes a um determinado grupo ou comunidade.
O bem comum na filosofia está relacionado com o ideal de progresso que todas as sociedades e nações do mundo devem alcançar: a igualdade social e económica, onde todos possam ter melhores condições de vida.
Assim como na ideia filosófica, que aliás é usada como base para empregar o conceito em outros ramos do conhecimento, o bem comum é definido a partir dos interesses públicos, ou seja, tudo que seja pertinente ao usufruto ou que beneficie uma sociedade como um todo.
De acordo com o “Princípio Ético do Bem Comum”, as leis devem ser feitas para um estado coletivo, e não individual.” (https://www.significados.com.br/bem-comum/)

Apesar de não haver estudos sobre as dimensões reais do espírito coletivo e do espírito individual em Sociedade, verifico infelizmente que o espírito individual e o individualismo dominam as atitudes e comportamentos em Sociedade. Isso deve-se, sobretudo, à Educação ministrada (nas Escolas e no seio da Família) e às práticas Empresariais e Governamentais nos Países.

Ora a predominância dessas práticas individualistas em nome do ‘bem comum’ acabam por estar desenraizadas do verdadeiro espírito deste conceito. Por outro lado, a ausência de ensinamentos específicos sobre esta matéria, conduz à confusão generalizada que esse individualismo é a única forma de interpretar o bem comum.

A verdade é que o bem comum tem muito pouco de interpretativo e muito de Consciência Coletiva específica de valorização do Ser Humano. É uma prática constante, de Pessoas de boa vontade, que consideram que os benefícios compartilhados possuem uma dimensão bem maior que os benefícios individuais.

O que assistimos frequentemente nas práticas, Pessoais, Empresariais e Governamentais, da Sociedade atual são iniciativas que visam o lucro e não o bem comum. Por este facto continua a existir muita desigualdade e muita segregação, que contribuem para o afastamento do conceito do bem comum.

O conceito de Democracia, apesar de muito difundido globalmente (mas mal aplicado), acaba por desequilibrar a balança do bem comum para o lado do individualismo.

O Homem não tem sabido desenvolver a Democracia no sentido participativo e do verdadeiro espírito da Consciência Coletiva. O extremar de posições entre forças políticas Liberais e Comunistas tem conduzido as Sociedades a falsas soluções governamentais e a um desvirtuamento do bem comum.

Enquanto não nos libertarmos desses extremismos políticos egocentristas e não assumirmos que o nosso Futuro Coletivo possui uma passagem muito estreita para a sustentabilidade e a felicidade coletivas, será muito difícil construirmos uma Sociedade de Bem Comum e de Valor Humano.

Será que só pela força nos libertaremos dos extremos? Parece contraditório, porque o uso da força normalmente não conduz a nada de bom. Mas seremos nós, Seres Humanos, capazes de inteligentemente definirmos de modo coletivo o caminho que nos conduz ao bem comum?

Para nosso BEM é melhor que consigamos um entendimento dinâmico que nos conduza a esse caminho. Mas para isso temos de possuir a sabedoria de ‘afastar’ os elementos prejudiciais ao bem comum, sem extremismos mas com determinação inteligente. A Democracia também serve para esses desígnios!

Olhemos para a realidade do mundo atual, sobre todos os pontos de vista – Social, Económico, Educacional, Judicial, etc. – e construamos em conjunto as soluções, com base nos melhores conhecimentos e nas melhores práticas da Sociedade, sem permitirmos que grupos minoritários de bloqueio, ‘minem’ a nossa vontade e a nossa determinação de chegarmos ao nosso Futuro Coletivo.

A vontade Humana, liberta do individualismo desequilibrado e desfocado do bem comum, deverá ter a sabedoria para construir esse caminho.

A vontade coletiva do Bem Comum ajudará a construir uma Sociedade de Valor Humano.

Nota: Recomendo a leitura do Relatório da UNESCO “Repensar a Educação – Rumo a um bem comum global?” (2016)

(http://unesdoc.unesco.org/images/0024/002446/244670POR.pdf)

Alfredo Sá Almeida                                                                                 7 de Fevereiro de 2018

O mundo da Tecnologia versus o dos Valores Humanos

 

Ao longo da sua evolução o Homem tem sido um criador de tecnologias, para lhe facilitarem a vida e o trabalho. Nas últimas décadas as tecnologias da informação e as eletrónicas têm vindo a desenvolver-se a um ritmo exponencial, quase abafando os desenvolvimentos tecnológicos e científicos noutros domínios do saber.

Dada a evolução mais recente fica a ideia lógica que o Homem evoluirá de Homo sapiens para Homo technologicus com as implicações que daí advirão. Sobre este tema, recomendo uma leitura de um artigo de opinião escrito por Mindy Perkins e publicado no The Stanford Daily“From Homo sapiens to Homo technologicus” (Jan./2015). (https://www.stanforddaily.com/2015/01/19/from-homo-sapiens-to-homo-technologicus/)

Os defensores desta ‘transição’ evolutiva estão tão focados na tecnologia que esquecem que o Homem é um Ser biológico altamente complexo e com uma enorme capacidade de adaptação ao meio envolvente. No entanto, possui limitações bioquímicas e fisiológicas típicas de um Ser vivo complexo. Essas limitações poderão vir a produzir outro tipo de limitações mentais e desequilíbrios difíceis de prever.

Dito isto, e sem muita admiração, o Homem está a deixar-se envolver numa espiral tecnológica, que considero obsessiva e sobre a qual não existem dados científicos suficientes para saber quais as implicações evolutivas mentais que poderão sobressair. Considero ainda que se utiliza demasiado o Consumidor final (dito Utilizador) como ‘cobaia’ de experimentos tecnológicos de utilização massiva, com o espírito: ‘logo se vê o resultado!’.

A meu ver, o resultado até o momento não tem sido brilhante, considerando o Ser Humano, a Biosfera, a saúde mental e os Valores Humanos fundamentais que se estão a perder.

Aliás, vemos Seres Humanos mais preocupados em libertar os golfinhos e as baleias de cativeiro de entretenimento, do que em libertar Seres Humanos de entretenimento tecnológico obsessivo.

Mais recentemente, na continuidade dessa espiral tecnológica obsessiva, chegámos ao apuro de prever quais as evoluções tecnológicas para 2050, das quais o Homem será o utilizador final (sem rede). Recomendo a leitura de um artigo “Da telepatia ao fim dos telemóveis: estas são as dez previsões tecnológicas da Cisco até 2050” (3/Fev./2018) – Economia Online. (http://www.sapo.pt/noticias/tecnologia/da-telepatia-ao-fim-dos-telemoveis-estas-sao-_5a75c3388aa9fe95560515c7)

Ora a tecnologia é uma ferramenta, é um utilitário que o Homem deve usar para uma tarefa precisa (que lhe facilita a vida) mas não para utilizar em continuum. É algo estranho verificar que grandes Empresas e investidores, fãs da tecnologia e do desenvolvimento tecnológico massivo, estejam a usar os Utilizadores de tecnologia para mudanças psicológicas de atitudes e comportamentos obsessivos em sociedade.

No final das contas estas Empresas são especialistas em tecnologia e não em sociologia ou psicologia. Que competência possuem para ‘danificar’ Valores Humanos massivamente?

Todos nós sabemos que não existe nenhuma lei que impeça o desenvolvimento tecnológico (e ainda bem), mas daí a permitir que comportamentos obsessivo-compulsivos tomem conta de um número significativo dos membros jovens (e não só) de uma Sociedade, vai um passo de gigante.

Mais grave ainda é deixar sem regulamentação o desenvolvimento tecnológico de uso massivo e permitir que sejam essas Empresas a ‘determinar’ as mudanças e evoluções sociológicas do mundo atual.

• Estaremos nós a permitir, sem Consciência Coletiva, o fim da equidade social? (https://conceitos.com/equidade-social/)
• Não estaremos, TODOS nós, a colaborar no aumento das desigualdades sociais, entre aqueles que se adaptam com facilidade a tecnologias imersivas e os que não se adaptarão?
• Estaremos nós a provocar uma diferenciação entre aqueles que possuem poder de compra para os gadgets tecnológicos e os que não possuem esse poder?

Temo que a evolução da espécie Humana esteja apenas ‘na mão’ de alguns e não no espírito da grande maioria dos Cidadãos do mundo. Falta-nos Consciência Coletiva e esse facto poderá trazer-nos graves consequências no Futuro. Longe de pensar que esses ‘alguns’ são inconscientes, mas admito que apenas procurem o lucro enorme com as imensas ‘cobaias gratuitas’ deste mundo.

Quando analiso os argumentos que defendem o desenvolvimento tecnológico, como aquele que é mencionado no artigo da Economia Online, fico pensativo e preocupado com os resultados. Afinal quem determina o Futuro de um Cidadão?

Estes desequilíbrios vão seguramente custar muito caro ao Futuro da Humanidade!

Alfredo Sá Almeida                                                                    3 de Fevereiro de 2018