A ambição pode destruir o Valor Humano

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“A Ambição parece sempre começar onde devia acabar” Emanuel Wertheimer

“Ser ambicioso nada mais é que um desejo forte de conquistar algo, seja financeiramente, politicamente, uma posição melhor no trabalho ou um estilo de vida de acordo com seus ideais.”Renato Mesquita (https://saiadolugar.com.br/ser-ambicioso-e-bom-ou-ruim/)

A meu ver, não é bem assim que encaro a Ambição. Para mim é um sentimento de duas faces. Contém uma dimensão de Valor e outra de Antivalor. Só a própria Pessoa poderá ter consciência da verdadeira dimensão da sua ambição. Mas se os objetivos forem explícitos e positivos tornar-se-á mais fácil uma adesão coletiva a esses propósitos.

Vejamos as faces da Ambição:

  • “Há riqueza bastante no mundo para as necessidades do Homem, mas não para a sua Ambição”Mahatma Gandhi
  • “A Ambição é uma paixão tão imperiosa no coração Humano, que, mesmo que galguemos as mais elevadas posições, nunca nos sentiremos satisfeitos”Nicolau Maquiavel

Outro problema com a Ambição Humana prende-se com a irreversibilidade de atitudes e comportamentos:

  • “Passamos muitas vezes do Amor à Ambição, mas nunca regressamos da Ambição ao Amor”François de La Rochefoucauld

Mas o Valor Humano tem como propósito o Bem-comum. Essa é a dimensão coletiva e positiva da Ambição.

“Qualquer ambição individual ganha força quando alinhada a outras por meio de um propósito comum, tornando-se uma ambição coletiva para alcançar e sustentar uma visão que beneficiará todos. A união entre diferentes atores em prol de um objetivo comum não é um conceito novo.”Bruno Schwartz [‘A força da Ambição Coletiva’] (https://pt.linkedin.com/pulse/for%C3%A7a-da-ambi%C3%A7%C3%A3o-coletiva-bruno-schwartz)

O Homem perde com muita frequência o seu sentido coletivo e positivo do Bem-comum para se deixar envolver em ambições individuais, muitas vezes de dimensão megalómana, que acabam prejudicando tudo e todos. A Consciência Coletiva faz parte do Valor Humano e ajuda-nos a construir o Bem-comum.

Alfredo Sá Almeida                                                                                     14 de Abril de 2018

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O Homem encontra-se com perturbação obsessivo-compulsiva, em pleno século XXI

Todas as ações, atitudes e comportamentos que o Homem tem demonstrado nos últimos 100 anos da vida do nosso Planeta, induzem-me a afirmar que a Humanidade se encontra psicologicamente doente e o Homem com perturbação obsessivo-compulsiva notória. (p.f. ver Nota no final do texto)

Perante esta minha afirmação, lanço um desafio aos Psicólogos Clínicos e aos Psiquiatras que se sintam capazes de analisar em profundidade o estado mental global da Humanidade: Estará o Homem com perturbação obsessivo-compulsiva?

Coloquemos o Homem na ‘chaise longue’ do Psiquiatra ou no sofá do Psicólogo Clínico e analisemos em profundidade todas as ações, atitudes e comportamentos que têm conduzido às malfeitorias aos seus Irmãos e a todas as outras espécies existentes na Biosfera.

Segundo a comunidade científica internacional – “Mais de 15 mil cientistas de 184 países emitiram um aviso: a Humanidade deve tomar medidas imediatas para reverter os efeitos das mudanças climáticas, o desmatamento e a extinção das espécies antes que seja tarde demais.”

(http://bigthink.com/stephen-johnson/15000-scientists-from-around-the-world-issue-warning-to-humanity?utm_campaign=Echobox&utm_medium=Social&utm_source=Facebook)

Catastrofe anunciada

(Fig. em BigThink by Stephen-Johnson)

Esta é a triste realidade que construímos ao longo dos últimos 70 anos de vida (no mínimo).

A ‘evolução’, mostrada nestes gráficos, pode representar um comportamento obsessivo-compulsivo em relação à nossa atividade no Planeta. Ao ponto de “… termos desencadeado um evento de extinção em massa, o sexto em cerca de 540 milhões de anos, em que muitas formas de vida atuais poderiam ser aniquiladas ou, pelo menos, comprometidas com a extinção no final deste século”.

A ser verdade que o Homem se encontra com este tipo de perturbação, temos de ter muito cuidado pois: “A perturbação obsessivo-compulsiva é progressiva: sem tratamento eficaz, vai piorando, ainda que o seu curso seja feito de fases boas e más, um pouco de acordo com o nível de stress que vai surgindo na vida das pessoas. Com alguma frequência, a situação é complicada com a presença simultânea de outras perturbações igualmente do foro psicológico/psiquiátrico; as companhias indesejáveis mais frequentes são: perturbações depressivas, perturbação do pânico, fobia social e fobias simples.” (https://oficinadepsicologia.com/obsessivo-compulsivo/)

Perante estes dados, nem iremos necessitar de uma III Guerra Mundial para extinguirmos a Vida neste Planeta, basta continuarmos a comportarmo-nos como até aqui.

Este é um apelo a TODOS os Homens de boa vontade, com Inteligência e Consciência Coletivas, capazes de construir um NOVO Futuro Coletivo.

A meu ver, necessitamos de construir um novo Paradigma para a Sociedade Global neste Planeta. Sem esse Paradigma estaremos irremediavelmente perdidos como Seres Humanos. Poderemos ser qualquer outra ‘coisa’, mas não um SER com Valores Humanos.
Neste meu Blogue, os meus caros Leitores poderão encontrar muitos elementos da minha proposta de Paradigma baseada no Valor Humano.

Boa Leitura e boas atitudes em prol da Humanidade.

Alfredo Sá Almeida                                                                               4 de Março de 2018

Nota: Fonte “O que é a perturbação obsessivo-compulsiva?”

(https://oficinadepsicologia.com/obsessivo-compulsivo/)
Obsessões são pensamentos, impulsos ou imagens mentais, desagradáveis, estranhos face ao historial de vida de quem os tem, e que surgem de uma forma repetida e que resistem a ser expulsos da consciência. O facto de surgirem intrusivamente, vindos do nada, de continuarem a intrometer-se na vida do dia-a-dia, de resistirem a desaparecer, apesar dos esforços nesse sentido, e a própria estranheza dos seus conteúdos, origina um elevado desconforto e ansiedade e a pessoa sente-se compelida a fazer algo para reduzir esse mal-estar.
Surgem, assim, as compulsões, ou rituais compulsivos, (ou, ainda numa outra designação que preferimos, os comportamentos protetores) que acabam por cumprir uma função de controlo da ansiedade, ainda que inadequado. Estes comportamentos protetores são, na maior parte das vezes, comportamentos exteriores e, contrariamente às obsessões, que se passam na privacidade do espírito de cada um, tornam-se bastante visíveis para os outros. É precisamente por constituírem a face visível desta perturbação que se tornaram o aspeto mais conhecido do público, inclusivamente por terem sido retratados em filmes como “Melhor é impossível” ou “Aviator”. No entanto, os rituais compulsivos podem ser privados e, portanto, invisíveis, tal como as obsessões.”
“Um dos aspetos mais dramáticos desta perturbação é o facto de a pessoa reconhecer que as suas ações compulsivas são ilógicas e não têm cabimento no contexto da sua vida e que o conteúdo dos seus pensamentos obsessivos é maioritariamente absurdo e sem sentido. Imagine saber isto e não conseguir impedir-se nem de pensar o que pensa, nem de fazer o que faz… Esta situação está na base do elevado embaraço que as pessoas sentem quando são afligidas pela perturbação obsessivo-compulsiva, o que a torna muito reservadas a propósito do que pensam e do que fazem, acontecendo, por vezes, sofrerem durante anos sem contar a ninguém o que se passa com elas, passando por uma luta angustiante que não se prende apenas com a tentativa de controlo da sua sintomatologia mas, igualmente, com a tentativa de esconder o que se passa, por medo da avaliação que poderão fazer delas.”
A perturbação obsessivo-compulsiva é progressiva: sem tratamento eficaz, vai piorando, ainda que o seu curso seja feito de fases boas e más, um pouco de acordo com o nível de stress que vai surgindo na vida das pessoas. Com alguma frequência, a situação é complicada com a presença simultânea de outras perturbações igualmente do foro psicológico/psiquiátrico; as companhias indesejáveis mais frequentes são: perturbações depressivas, perturbação do pânico, fobia social e fobias simples.”

A importância dos ‘saltos quânticos’ em coerência com a Consciência Coletiva

Valores da Arquitetura para o Futuro5

(https://www.facebook.com/groups/arquitetura.humana/)

Assisti muito interessado à cerimónia de Doutoramento Honoris Causa do Eng.º António Guterres (Secretário-geral da ONU) que decorreu hoje dia 19 de Fevereiro de 2018. Lembrei-me que o Homem ainda não aprendeu a executar ‘saltos quânticos’, Humanamente coerentes, nas decisões que envolvem a vida Social, Política, Empresarial, etc., que contribuem decisivamente para o desenvolvimento sustentável.

Intelectualmente somos capazes de os executar com maestria, mas na prática e nas realidades da Vida dos Cidadãos, tem sido muito difícil.

Vem isto a propósito sobre o que proferiu o Secretário-geral das Nações Unidas António Guterres, no seu discurso de Doutoramento. Assim, “alertou que o mundo “corre o risco de perder a corrida” face à aceleração das alterações climáticas e vincou a “falta de ambição suficiente” para concretizar as metas internacionais.” No caso das alterações climáticas, estas “continuam a andar mais depressa do que nós”, embora exista “quem duvide, contra todas as evidências científicas”. (http://www.jornaldenegocios.pt/multimedia/detalhe/mundo-corre-o-risco-de-perder-corrida-contra-alteracoes-climaticas)

Por outro lado, mencionou algumas realidades da ciberguerra e da desregulação da prática das novas tecnologias da informação e comunicação (Internet of Things, Internet, Inteligência Artificial e outras) e como essa desregulação poderá conduzir a grandes tragédias. “Estou absolutamente convencido que a próxima guerra entre Estados será precedida de um massivo ciber-ataque”, decretou, destacando que “não há nenhum esquema regulatório” como a Convenção de Genebra que se aplique a um conflito deste tipo.” (http://observador.pt/2018/02/19/antonio-guterres-passa-vida-em-revista-e-preciso-saber-sair-da-politica/)

Ora estas duas realidades mencionadas, implicam a existência de muita Consciência Coletiva e uma capacidade de tomar decisões Políticas que beneficiem a Humanidade Global. Mas, também, uma capacidade de dar ‘saltos quânticos’ coerentes, ao tomar essas decisões.

Os ‘saltos quânticos’ aos quais me refiro são um modo inteligente de evitar uma continuidade doentia e potencialmente desviadora dos verdadeiros interesses e objetivos do Futuro da Humanidade. O que temos assistido, até à data, nos desenvolvimentos Políticos e Sociais é que estes agem sempre por reação aos desenvolvimentos Científicos e Tecnológicos. Esta inexistência de harmonia entre o Conhecimento e a ação Política e Social conduz a desequilíbrios potenciais geradores de ruturas bruscas e violentas. Tentam sempre conjugar muitos interesses antagónicos, potenciadores de negócios e geradores de capital, esquecendo-se do foco principal e essencial que é o Futuro da Humanidade e o desenvolvimento sustentável.

É nesta dimensão que se poderiam dar enormes ‘saltos quânticos’ com o desenvolvimento da Inteligência e Consciência Coletivas, realizando vários bypass em matérias que não têm Futuro e que estão a prejudicar o desenvolvimento sustentável da Humanidade. Não é por acaso que as matérias da Paz, Desenvolvimento Social, Educação em Valores Humanos e Futuro Sustentável têm que estar constantemente presentes na Consciência de TODOS os Cidadãos e nas decisões Políticas e Sociais.

Alfredo Sá Almeida                                                                            19 de Fevereiro da 2018

A importância do Bem Comum numa sociedade de Valor Humano

Neste tema que tenho desenvolvido, ao longo dos últimos três anos, sobre o Valor Humano, tenho destacado a importância que o Bem Comum tem no desenvolvimento da Humanidade. É um conceito integrado e resultante da Inteligência e Consciência Coletivas dos Seres Humanos, que muito lentamente se está a desenvolver na Sociedade Global.

Para que fique bem claro: Bem comum é uma expressão que possui conceitos em muitas áreas do conhecimento humano, mas que se assemelham entre si. De um modo geral, define os benefícios que podem ser compartilhados por várias pessoas, pertencentes a um determinado grupo ou comunidade.
O bem comum na filosofia está relacionado com o ideal de progresso que todas as sociedades e nações do mundo devem alcançar: a igualdade social e económica, onde todos possam ter melhores condições de vida.
Assim como na ideia filosófica, que aliás é usada como base para empregar o conceito em outros ramos do conhecimento, o bem comum é definido a partir dos interesses públicos, ou seja, tudo que seja pertinente ao usufruto ou que beneficie uma sociedade como um todo.
De acordo com o “Princípio Ético do Bem Comum”, as leis devem ser feitas para um estado coletivo, e não individual.” (https://www.significados.com.br/bem-comum/)

Apesar de não haver estudos sobre as dimensões reais do espírito coletivo e do espírito individual em Sociedade, verifico infelizmente que o espírito individual e o individualismo dominam as atitudes e comportamentos em Sociedade. Isso deve-se, sobretudo, à Educação ministrada (nas Escolas e no seio da Família) e às práticas Empresariais e Governamentais nos Países.

Ora a predominância dessas práticas individualistas em nome do ‘bem comum’ acabam por estar desenraizadas do verdadeiro espírito deste conceito. Por outro lado, a ausência de ensinamentos específicos sobre esta matéria, conduz à confusão generalizada que esse individualismo é a única forma de interpretar o bem comum.

A verdade é que o bem comum tem muito pouco de interpretativo e muito de Consciência Coletiva específica de valorização do Ser Humano. É uma prática constante, de Pessoas de boa vontade, que consideram que os benefícios compartilhados possuem uma dimensão bem maior que os benefícios individuais.

O que assistimos frequentemente nas práticas, Pessoais, Empresariais e Governamentais, da Sociedade atual são iniciativas que visam o lucro e não o bem comum. Por este facto continua a existir muita desigualdade e muita segregação, que contribuem para o afastamento do conceito do bem comum.

O conceito de Democracia, apesar de muito difundido globalmente (mas mal aplicado), acaba por desequilibrar a balança do bem comum para o lado do individualismo.

O Homem não tem sabido desenvolver a Democracia no sentido participativo e do verdadeiro espírito da Consciência Coletiva. O extremar de posições entre forças políticas Liberais e Comunistas tem conduzido as Sociedades a falsas soluções governamentais e a um desvirtuamento do bem comum.

Enquanto não nos libertarmos desses extremismos políticos egocentristas e não assumirmos que o nosso Futuro Coletivo possui uma passagem muito estreita para a sustentabilidade e a felicidade coletivas, será muito difícil construirmos uma Sociedade de Bem Comum e de Valor Humano.

Será que só pela força nos libertaremos dos extremos? Parece contraditório, porque o uso da força normalmente não conduz a nada de bom. Mas seremos nós, Seres Humanos, capazes de inteligentemente definirmos de modo coletivo o caminho que nos conduz ao bem comum?

Para nosso BEM é melhor que consigamos um entendimento dinâmico que nos conduza a esse caminho. Mas para isso temos de possuir a sabedoria de ‘afastar’ os elementos prejudiciais ao bem comum, sem extremismos mas com determinação inteligente. A Democracia também serve para esses desígnios!

Olhemos para a realidade do mundo atual, sobre todos os pontos de vista – Social, Económico, Educacional, Judicial, etc. – e construamos em conjunto as soluções, com base nos melhores conhecimentos e nas melhores práticas da Sociedade, sem permitirmos que grupos minoritários de bloqueio, ‘minem’ a nossa vontade e a nossa determinação de chegarmos ao nosso Futuro Coletivo.

A vontade Humana, liberta do individualismo desequilibrado e desfocado do bem comum, deverá ter a sabedoria para construir esse caminho.

A vontade coletiva do Bem Comum ajudará a construir uma Sociedade de Valor Humano.

Nota: Recomendo a leitura do Relatório da UNESCO “Repensar a Educação – Rumo a um bem comum global?” (2016)

(http://unesdoc.unesco.org/images/0024/002446/244670POR.pdf)

Alfredo Sá Almeida                                                                                 7 de Fevereiro de 2018

O mundo da Tecnologia versus o dos Valores Humanos

 

Ao longo da sua evolução o Homem tem sido um criador de tecnologias, para lhe facilitarem a vida e o trabalho. Nas últimas décadas as tecnologias da informação e as eletrónicas têm vindo a desenvolver-se a um ritmo exponencial, quase abafando os desenvolvimentos tecnológicos e científicos noutros domínios do saber.

Dada a evolução mais recente fica a ideia lógica que o Homem evoluirá de Homo sapiens para Homo technologicus com as implicações que daí advirão. Sobre este tema, recomendo uma leitura de um artigo de opinião escrito por Mindy Perkins e publicado no The Stanford Daily“From Homo sapiens to Homo technologicus” (Jan./2015). (https://www.stanforddaily.com/2015/01/19/from-homo-sapiens-to-homo-technologicus/)

Os defensores desta ‘transição’ evolutiva estão tão focados na tecnologia que esquecem que o Homem é um Ser biológico altamente complexo e com uma enorme capacidade de adaptação ao meio envolvente. No entanto, possui limitações bioquímicas e fisiológicas típicas de um Ser vivo complexo. Essas limitações poderão vir a produzir outro tipo de limitações mentais e desequilíbrios difíceis de prever.

Dito isto, e sem muita admiração, o Homem está a deixar-se envolver numa espiral tecnológica, que considero obsessiva e sobre a qual não existem dados científicos suficientes para saber quais as implicações evolutivas mentais que poderão sobressair. Considero ainda que se utiliza demasiado o Consumidor final (dito Utilizador) como ‘cobaia’ de experimentos tecnológicos de utilização massiva, com o espírito: ‘logo se vê o resultado!’.

A meu ver, o resultado até o momento não tem sido brilhante, considerando o Ser Humano, a Biosfera, a saúde mental e os Valores Humanos fundamentais que se estão a perder.

Aliás, vemos Seres Humanos mais preocupados em libertar os golfinhos e as baleias de cativeiro de entretenimento, do que em libertar Seres Humanos de entretenimento tecnológico obsessivo.

Mais recentemente, na continuidade dessa espiral tecnológica obsessiva, chegámos ao apuro de prever quais as evoluções tecnológicas para 2050, das quais o Homem será o utilizador final (sem rede). Recomendo a leitura de um artigo “Da telepatia ao fim dos telemóveis: estas são as dez previsões tecnológicas da Cisco até 2050” (3/Fev./2018) – Economia Online. (http://www.sapo.pt/noticias/tecnologia/da-telepatia-ao-fim-dos-telemoveis-estas-sao-_5a75c3388aa9fe95560515c7)

Ora a tecnologia é uma ferramenta, é um utilitário que o Homem deve usar para uma tarefa precisa (que lhe facilita a vida) mas não para utilizar em continuum. É algo estranho verificar que grandes Empresas e investidores, fãs da tecnologia e do desenvolvimento tecnológico massivo, estejam a usar os Utilizadores de tecnologia para mudanças psicológicas de atitudes e comportamentos obsessivos em sociedade.

No final das contas estas Empresas são especialistas em tecnologia e não em sociologia ou psicologia. Que competência possuem para ‘danificar’ Valores Humanos massivamente?

Todos nós sabemos que não existe nenhuma lei que impeça o desenvolvimento tecnológico (e ainda bem), mas daí a permitir que comportamentos obsessivo-compulsivos tomem conta de um número significativo dos membros jovens (e não só) de uma Sociedade, vai um passo de gigante.

Mais grave ainda é deixar sem regulamentação o desenvolvimento tecnológico de uso massivo e permitir que sejam essas Empresas a ‘determinar’ as mudanças e evoluções sociológicas do mundo atual.

• Estaremos nós a permitir, sem Consciência Coletiva, o fim da equidade social? (https://conceitos.com/equidade-social/)
• Não estaremos, TODOS nós, a colaborar no aumento das desigualdades sociais, entre aqueles que se adaptam com facilidade a tecnologias imersivas e os que não se adaptarão?
• Estaremos nós a provocar uma diferenciação entre aqueles que possuem poder de compra para os gadgets tecnológicos e os que não possuem esse poder?

Temo que a evolução da espécie Humana esteja apenas ‘na mão’ de alguns e não no espírito da grande maioria dos Cidadãos do mundo. Falta-nos Consciência Coletiva e esse facto poderá trazer-nos graves consequências no Futuro. Longe de pensar que esses ‘alguns’ são inconscientes, mas admito que apenas procurem o lucro enorme com as imensas ‘cobaias gratuitas’ deste mundo.

Quando analiso os argumentos que defendem o desenvolvimento tecnológico, como aquele que é mencionado no artigo da Economia Online, fico pensativo e preocupado com os resultados. Afinal quem determina o Futuro de um Cidadão?

Estes desequilíbrios vão seguramente custar muito caro ao Futuro da Humanidade!

Alfredo Sá Almeida                                                                    3 de Fevereiro de 2018

 

Inteligência e Consciência de Futuro Coletivo

– Este texto resultou de uma conversa muito interessante com a minha querida companheira Angela Alem (https://angelaalem.wordpress.com/). As suas preocupações fundamentadas com a Educação, bem como a suas ideias e soluções para uma Educação de qualidade estão expressas no seu Blog. –

Existem dois “consensos” de definição de inteligência (fonte de informação Wikipédia – https://pt.wikipedia.org/wiki/Intelig%C3%AAncia). O primeiro, de ‘Intelligence: Knowns and Unknowns’, um relatório de uma equipe congregada pela Associação Americana de Psicologia, em 1995:

“Os indivíduos diferem na habilidade de entender ideias complexas, de se adaptarem com eficácia ao ambiente, de aprenderem com a experiência, de se engajarem nas várias formas de raciocínio, de superarem obstáculos mediante o pensamento. Embora tais diferenças individuais possam ser substanciais, nunca são completamente consistentes: o desempenho intelectual de uma dada pessoa vai variar em ocasiões distintas, em domínios distintos, a se julgar por critérios distintos. Os conceitos de ‘inteligência’ são tentativas de aclarar e organizar esse conjunto complexo de fenómenos.”

Uma segunda definição de inteligência vem de ‘Mainstream Science on Intelligence’, que foi assinada por cinquenta e dois pesquisadores em inteligência, em 1994:

“Uma capacidade mental bastante geral que, entre outras coisas, envolve a habilidade de raciocinar, planejar, resolver problemas, pensar de forma abstrata, compreender ideias complexas, aprender rápido e aprender com a experiência. Não é uma mera aprendizagem literária, uma habilidade estritamente acadêmica ou um talento para sair-se bem em provas. Ao contrário disso, o conceito refere-se a uma capacidade mais ampla e mais profunda de compreensão do mundo à sua volta – ‘pegar no ar’, ‘pegar’ o sentido das coisas ou ‘perceber’ uma coisa.”

Todos nós possuímos uma inteligência individual, assim como possuímos uma consciência do mundo que nos rodeia. Infelizmente nem todos desenvolvem estas capacidades. Muitos não tiveram a oportunidade de desbravar as suas capacidades através de uma Educação bem orientada para a sua individualidade, nem foram estimulados a aumentar estas competências, ou os seus conhecimentos, devido às características e ao modo de organização da Sociedade passada e atual.

Provavelmente, se todos nós tivéssemos as mesmas boas oportunidades de Educação de qualidade e acesso ao conhecimento, quer a inteligência quer a consciência individuais seriam de natureza distinta e de maior dimensão.

Mas nada nos impede de adquirirmos ao longo da vida uma inteligência e consciência coletivas. Nestes casos estamos perante uma dimensão “mais ampla e mais profunda de compreensão do mundo à nossa volta”. Ou seja, para além de sermos capazes de ‘dominar’ as capacidades individuais, temos os conhecimentos mais globais do mundo e das Pessoas que nos rodeiam, o que nos permite uma compreensão ampla no sentido coletivo e de grupo de Seres Humanos, pela nossa vivência em Sociedade e de habitarmos a mesma Biosfera.

A Inteligência e a Consciência Coletivas inserem-nos numa comunidade regional e numa comunidade de Nações, permitindo-nos compreender as diferenças e as ‘nuances’ da Sociedade e sermos capazes de nos comprometer com ideias e conceitos comuns a muitos dos nossos pares.

“A Inteligência Coletiva é um conceito de um tipo de inteligência compartilhada que surge da colaboração de muitos indivíduos em suas diversidades. É uma inteligência distribuída por toda parte, na qual todo o saber está na humanidade, já que ninguém sabe tudo, porém todos sabem alguma coisa.” https://pt.wikipedia.org/wiki/Intelig%C3%AAncia_coletiva.

A Consciência coletiva, de acordo com o sociólogo francês Émile Durkheim, é um conjunto cultural de ideias morais e normativas, a crença em que o mundo social existe até certo ponto à parte e externo à vida psicológica do indivíduo.

“Conjunto das crenças e dos sentimentos comuns à média dos membros de uma mesma sociedade que forma um sistema determinado com vida própria”

Toda a teoria sociológica de Durkheim pretende demonstrar que os fatos sociais têm existência própria e independente daquilo que pensa e faz cada indivíduo em particular. Embora todos possuam sua “consciência individual”, seu modo próprio de se comportar e interpretar a vida, podem-se notar, no interior de qualquer grupo ou sociedade, formas padronizadas de conduta e pensamento. Essa constatação está na base da que Durkheim chamou de consciência coletiva.”

Aconselho os meus Leitores a consultarem as notícias vindas a público, nestes últimos dias, para se inteirarem de alguns dos grandes problemas que estamos a enfrentar e que nos deverão levar a mudar o rumo da Sociedade Global.

•  http://observador.pt/2017/11/13/15-mil-cientistas-avisam-a-humanidade-em-breve-sera-demasiado-tarde/
•  https://www.dn.pt/sociedade/interior/mais-de-15000-cientistas-renovam-aviso-sobre-riscos-ambientais-da-acao-do-homem-8913838.html
•  https://g1.globo.com/natureza/noticia/ameacas-ao-planeta-sao-muito-piores-do-que-ha-25-anos-diz-carta-assinada-por-15-mil-cientistas.ghtml
•  https://www.rtp.pt/noticias/economia/cientista-stephen-hawking-otimista-mas-lanca-avisos-sobre-inteligencia-artificial_n1038623
•  http://www.tvi24.iol.pt/tecnologia/08-11-2017/stephen-hawking-diz-que-a-terra-vai-virar-uma-bola-de-fogo-gigante-em-2600
•  http://br.blastingnews.com/ciencia-saude/2017/11/humanos-terao-que-fugir-da-terra-em-busca-de-novo-lar-alerta-stephen-hawking-002159861.html
•  http://ultimosegundo.ig.com.br/ciencia/2017-05-03/stephen-hawking.html

Perante os problemas do mundo atual, em grande medida (senão na totalidade) causados por nós, pela nossa maneira de lidar com o mundo, com a Sociedade e com o que nos rodeia, deveríamos ser capazes de compreender mais profundamente e nos comprometermos com ideias e conceitos científicos comprovados globalmente, abandonando as más práticas que nos fazem estar a destruir o Planeta e por consequência, a nós próprios.

Mas não, a inteligência das Pessoas do mundo atual está a demonstrar que não serve para mudar o mundo nem mesmo elas próprias.

A evolução do Homem nos últimos séculos não favoreceu o desenvolvimento da nossa Inteligência Coletiva. Apenas a inteligência individual se desenvolveu a um ritmo bastante superior. A Inteligência Coletiva ajuda-nos a correlacionar, a inter-relacionar, a compreender melhor o mundo que nos rodeia e as outras Pessoas.

Afinal para que serve a inteligência das Pessoas?

• Para ganhar dinheiro?
• Para resolver grandes problemas?
• Para destruir o sistema instituído?
• Para construir o bem-comum?
• Para mudar o mundo para melhor?
• Para construir a nossa felicidade coletiva?
• Para construir um Futuro Coletivo digno de Seres Humanos na nossa Biosfera?

São tantas as perguntas que ainda não têm resposta que se torna legítimo duvidarmos se teremos Inteligência e Consciência Coletivas para conseguirmos ultrapassar os grandes problemas que causámos à Sociedade Global e á Biosfera.

Serão, na realidade, os Seres Humanos os Seres mais inteligentes do Planeta?

Alfredo Sá Almeida                                                                              16 de Novembro de 2017

 

Que Futuro sem o Valor Humano?

Interrogação Humana

O mundo global atual enferma de uma acumulação de problemas, ao longo das últimas gerações, resultantes da rápida expansão de TUDO, por ansiedade do Homem.

No século passado o Homem e a Biosfera sofreram a devastação de duas Guerras Mundiais e de muitas outras regionais. O consequente abrandamento dos conflitos à escala mundial desencadeou uma expansão mercantilista, economicista, financeira e industrial potenciada pelos anseios das populações em ambiente de Paz e de estabilidade no Futuro.

Essa expansão acompanhada de uma explosão demográfica foi o resultado da libertação massiva de muitas ‘amarras’ psicológicas e mentais que o Homem tinha construído indevidamente ao longo da História.

Agora sem esses ‘obstáculos’ e na ausência crescente de uma Educação que valoriza TUDO menos os Valores Humanos, eis-nos chegados a uma ‘montanha’ de problemas complexos que poderão acabar com a nossa espécie em menos de um século.
Muitos de nós, que possuem uma consciência mais apurada e atentos à evolução da Humanidade, nos questionamos se teremos uma palavra a dizer sobre o nosso Futuro Coletivo.

Bombardeiam-nos com imensa informação, talvez demasiada, sobre qual será o nosso Futuro e esperam que possamos aderir voluntariamente, consciente ou inconscientemente, (ou à força) consoante os interesses de alguns poucos, que de Seres Humanos entendem pouco.

  1. Temos soluções distópicas para todos os gostos. Aliás, se não fizermos nada, na atual situação do mundo, não demorará muito a que uma dessas distopias nos ‘bata à porta’.
  2. Depois temos a introdução massiva dos robots a conviver com os Humanos. Dizem-nos que a automação e a inteligência artificial poderão tirar-nos os empregos, mas vão restaurar-nos a Humanidade. Com o espírito do Homem que nos governou até aqui será um pouco difícil isso acontecer! “Automation may take our jobs – but it’ll restore our humanity” – (https://www.weforum.org/agenda/2017/08/automation-may-take-our-jobs-but-it-ll-restore-our-humanity?utm_content=buffer085ae&utm_medium=social&utm_source=facebook.com&utm_campaign=buffer)
  3. Ainda temos o Transhumanismo, não seremos Homens nem máquinas mas algo pelo meio. Com que caráter e com que personalidade? Ao meu caro Leitor para desbravar. “Transhumanismo e pós-humanismo” – (http://www.dn.pt/opiniao/opiniao-dn/anselmo-borges/interior/transhumanismo-e-pos-humanismo-1-5730228.html)
  4. Ah! Falta ainda falar naquele movimento que defende a extinção da espécie humana por iniciativa voluntária! Não, não leu mal, é mesmo assim! É uma atitude altruísta para defender a Biosfera. “Líder do movimento pela Extinção da Espécie Humana no Porto” – (https://zap.aeiou.pt/lider-do-movimento-pela-extincao-da-especie-humana-no-porto-170886)
  5. Etc.

Eu considero que todas estas soluções, produzidas por Seres Humanos, não acreditam verdadeiramente nas capacidades do Homem Coletivo como Ser integrado na Biosfera. Não só não acreditam nas capacidades e competências do Homem como fazem muito pouco para as desenvolver com Valores Humanos.

É aqui que eu entro! Defendo que o Homem pode e deve transformar-se em Ser Humano através de uma Educação exigente onde os Valores Humanos estarão bem integrados nessa Educação para TODOS. Mas não só. Também defendo em simultâneo a integração sustentável na Biosfera, com sustentabilidade ambiental e de vida. Defendo ainda uma mudança radical de Paradigma da Sociedade Global, terminando com o valor do dinheiro e desenvolvendo uma Sociedade de Valor Humano.

Tudo isto é possível se o Homem o desejar com Consciência e Inteligência Coletivas, apoiado em todos os desenvolvimentos científicos, nas mais diversas especialidades, e no Humanismo como filosofia de vida, sustentado nos Valores Humanos e na sã convivência em Sociedade Global.

Recentemente, o World Economic Forum (19 de Agosto de 2016) publicou um artigo muito interessante “10 skills you need to thrive tomorrow – and the universities that will help you get them” baseado no Relatório “Future of jobs”.

Nele, são mencionadas as 10 principais Competências a desenvolver por profissionais para o ano 2020, comparando com as competências necessárias em 2015. Assim:

2020-2015

De salientar neste estudo para o ano 2020 a ‘entrada’ de competências novas 10) Flexibilidade Cognitiva e 6) Inteligência Emocional, para além de uma nova redistribuição prioritária das outras que já se faziam sentir necessárias em 2015. Convém lembrar que grande parte destas competências requerem a inclusão de Valores Humanos na personalidade e caráter dos futuros Profissionais.

Em 2020 todo o Profissionalismo em exercício que não tiver enraizados os Valores Humanos, terá poucas probabilidades de sucesso e de um Futuro condigno. Aliás, TODA a vida em Sociedade estará dependente de uma boa Educação em Valores Humanos, para podermos ter um Futuro Coletivo duradouro.

Ao meu caro Leitor não lhe peço que acredite em mim, mas que desenvolva o seu conhecimento e a sua Consciência em consonância com o Futuro da Humanidade.

Alfredo Sá Almeida                                                                              24 de Agosto de 2017