Como o dinheiro se apoderou do Valor Humano

Tempo é dinheiro

Desde o século VII a.C., na Grécia antiga, o dinheiro moeda passou a fazer parte da realidade do Homem. “Foi uma invenção revolucionária. Ela facilitou o acesso das camadas mais pobres às riquezas, o acúmulo de dinheiro e a coleta de impostos – coisas muito difíceis de fazer quando os valores eram contados em bois ou imóveis”, afirma a arqueóloga Maria Beatriz Florenzano, da Universidade de São Paulo (USP) (https://super.abril.com.br/cultura/como-surgiu-o-dinheiro/).

Com o passar do tempo o dinheiro tomou conta de tudo, até da vida das Pessoas.

Vem isto a propósito da frase que faz tic-tac em muitas ‘cabeças’, por esse mundo fora: “Tempo é dinheiro”.

“A frase é geralmente creditada a Benjamin Franklin, que a usou em um ensaio (Advice to a Young Tradesman, 1748). A frase real foi gravada em 1719 na revista The Free-Thinker.
No entanto, a ideia de que tempo é dinheiro tem uma longa história.
O Oxford Dictionary of Proverbs cita duas referências anteriores. Antífona da Grécia antiga (ca. 430 aC) usava “o desembolso mais custoso é o tempo”. O discurso sobre a Usura (1572) usava “Eles dizem que o tempo é precioso”.” – Robert Charles Lee.

Esta é talvez a realidade mais cruel que o Homem criou e que poucos dominam, culminando nos dias de hoje com: “1% da população ficou com 80% da riqueza mundial” (https://observador.pt/2018/01/22/relatorio-1-da-populacao-ficou-com-80-da-riqueza-mundial/). “Oxfam diz que em 2017 houve aumento “histórico” do número de multimilionários. Relatório da organização não-governamental revela que 80% da riqueza ficou com 1% da população.”

O Homem esqueceu-se, ao longo da História, que tempo é Vida. E que durante a Vida, o Homem pode desenvolver o seu Valor em Sociedade. Mas interpretou tudo mal, e, preferiu afirmar que “Tempo é dinheiro”.

Só o Valor Humano poderá desfazer toda esta trama que foi criada ao longo dos séculos, e restituir ao Ser Humano o seu devido Valor. Não será tarefa fácil mas não será impossível. Esta é a proposta que faço nos textos deste Blogue. Caberá a TODOS nós mudar esta realidade aprisionadora de vida. Boa leitura.

Alfredo Sá Almeida                                                                                        1 de Abril de 2018

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Poderemos erradicar a pobreza, para sempre?

Conversa/debate sobre o tema em título, entre o meu amigo Joaquim Serra e eu próprio, sobre um post no Facebook.

Se os meus Leitores se sentirem ‘atraídos’ pelo debate, comentem neste Blogue sobre este tema. Muito Grato a todos pela vossa disponibilidade.

Erradicar a pobreza(https://www.facebook.com/TheEconomist/videos/10156060919354060/)

Joaquim Serra – (Autor do post) Introdução postada: “Vale a pena uma reflexão profunda.

Vale a pena um exercício de Prospectiva, pelo menos para refletir sobre o “tipo de mundo” em que seria desejável de vivermos.

A Pobreza é o maior estigma social que caracteriza o nosso mundo, a sua maior causa decorre do Género de Vida que instituímos e estruturámos.

Reflecte a Mentalidade miserável que lhe está subjacente.

Uma mentalidade errónea, enviesada, distorcida, civicamente deficiente, da qual fizemos a Cultura que modela a nossa Civilização.

Ainda acha que o problema é o Dinheiro?

Se acha que o problema é o dinheiro, é porque anda muito distraído, abstraído pelo dinheiro, alienado da realidade da vida.

(Já “escorregou” para dentro daquele buraquinho, ou buracão, depende do tamanho do Ego, que existe no meio do abdómen. Onde o horizonte mais distante que se vê é o próprio fundo. Às vezes nem se consegue ver nada, é escuro demais, tal é a profundidade do fundo.)”

Alfredo Sá Almeida – “O grande problema é a falta sistemática de Educação, caro amigo Joaquim Serra.

Sem ELA estes grandes problemas da Humanidade não poderão ser resolvidos. Todos os outros Serviços Sociais de suporte (Saúde, Justiça e Valores Humanos) serão cada vez mais indispensáveis e bem estruturados. O Dinheiro tem muita dificuldade de aceitar esta maneira de resolver os problemas, por ser muito caro e não favorecer a economia.

A Vida do Homem continua a não poder depender da Economia para resolver os seus problemas (muito menos do mundo financeiro).

Se somos Inteligentes (em todas as vertentes) então utilizemos essa inteligência para desfazer a ‘teia’ em que nos envolveram para selecionar os ‘melhores’. Como se os problemas se resolvessem por seleção. Os problemas resolvem-se com empenho, dedicação e um foco essencial na Humanidade das atitudes e comportamentos dos Cidadãos.

A meu ver o Dinheiro é parte do problema. Sem Valor nada se resolverá.”

Joaquim Serra“Caro amigo Alfredo Sá Almeida, a Vida do Homem numa grande dimensão é a Economia.

O problema não é a Economia, mas sim a Política Económica sob a qual se estrutura e se institucionaliza toda a atividade humana. São os VALORES subjacentes a essa política que determinam os resultados que obtemos e são traduzidos na realidade em que vivemos.

O dinheiro é um meio, que sistematizámos para facilitar a vida. Nada mais que isso.

O problema não é de origem económica ou financeira, como se pretende fazer crer.

O PROBLEMA é de origem filosófica, e profundamente relacionado com a MORAL e a ÉTICA, ou seja, o conjunto de valores, a axiologia em que baseamos o nosso género de vida. É com esses valores que temos estado a modelar a EDUCAÇÃO e a fazer CULTURA.

Temos andado a EDUCAR MAL. Muito mal mesmo!

E quanto mais educarmos nessa base, mais enredados ficaremos nessa teia.

O envolvimento (processo) em que somos metidos, e ao qual somos submetidos, aquele que mais nos condiciona, sobretudo mentalmente, é a educação.

Essa é que é a determinante, lógica, óbvia.

É um facto!

Somos muito inteligentes, sem dúvida alguma, mas de uma maneira geral somos exageradamente emocionais e pouco racionais, e isso atrapalha os nossos senso crítico e analítico quando nos confrontamos com problemas e temos que os resolver de forma ponderada e lúcida para que a solução seja integral, pois uma meia solução não é a melhor solução.

A educação, e nesse aspecto a ESCOLA(s), tem desempenhado um papel social e culturalmente preponderante, salvo raras exceções, desde o infantário até à universidade, têm servido mais à promoção da ADERÊNCIA a um ideário, e de OBEDIÊNCIA a esse ideário, do que propriamente à formação de seres humanos livres, autónomos, com senso crítico e analítico, capazes de utilizar todo o seu potencial racional e emocional em benefício da HUMANIDADE e de si próprios.

A escola que criámos tem tido mais o propósito de justificar o género de vida que adoptamos, e que não é humanamente satisfatório, do que o de mudança para um género de vida melhor em termos de justiça social, justiça económica, justiça cultural.
Alguns dos VALORES com que temos sido educados não nos servem, não prestam serviço algum à humanidade e ao indivíduo.

Alguns dos VALORES sobre os quais estruturamos as nossas instituições têm como único propósito perpetuar a injustiça social, a injustiça económica, e a injustiça cultural em benefício de uma minoria.

É preciso erradicar esses valores, e só os podemos erradicar não sendo solidários com eles, não os respeitando, não os tolerando, não os aceitando, e nem sequer os permitindo, mais, devem ser condenados.

A escola deveria habilitar o indivíduo a SABER SANCIONAR. A saber distinguir aquilo que merece aprovação, daquilo que merece condenação, tanto nele próprio como nos outros.

Não vejo esse exercício cívico e moral nas escolas, excepto uma ou outra, perdidas no obscurantismo promovido pela ignorância intencional institucional.

Pelo contrário, vejo muitas escolas, para regozijo de alguns analfabetos morais, deficientes cívicos, a “ensinarem” às crianças que, “Devemos ser solidários”… “Devemos ser tolerantes”… “Devemos obedecer”… “Devemos respeitar”… “Devemos amar”… Apenas porque sim! Sem lhes explicarem os conceitos, e sem lhes apresentarem quaisquer critérios, e sem lhes exemplificarem as causas e consequência. Partem do princípio que as crianças não são inteligentes nem capazes de avaliar a realidade. As crianças são tão só ignorantes, e o que se faz é explorar e manipular essa ignorância! Isso apenas confunde, não só as crianças, mas também muitos adultos.

É abjeto, é criminoso!

Até penso que a maior parte, se não todas, das depressões nervosas são causadas por esse método de “ensinar”, que imbeciliza mais do que cultiva, e gera multidões de gente amorfa, apenas motivada pelos instintos mais básicos, ao sabor das emoções mais disparatadas, incapazes de se relacionarem umas com as outras, e incapazes de se relacionarem com realidades abstratas e transcendentais, como o dinheiro, Deus, matemática, etc. etc.

Gente Bem-educada é perigosa!”

Alfredo Sá Almeida – “Caro amigo Joaquim Serra, em parte estou de acordo com a sua perspetiva, aquela em que refere e defende os Valores e critica a má Educação que tem sido ministrada.

Sobre o Dinheiro, o grande problema é que ele não é um meio, “que sistematizámos para facilitar a vida”, tornou-se um fim em si uma ‘religião’ fanática que aprisiona todos os que nela se cultivam. Acaba se sobrepondo a TODOS os outros Valores que de melhor o Homem possui. Subverte-os, distorce-os, sufoca-os, pressiona-os, domina-os, etc.
O Homem terá muita dificuldade em domar o dinheiro, porque ele é o objeto da corrupção.

A Liberdade que devemos possuir interiormente e de atitudes e comportamentos, acaba por descambar para o lado mais fácil e de poucos Valores – o Dinheiro. Teremos sempre a tendência de reduzir tudo à mínima expressão o dinheiro, para facilitar TUDO.
Os Valores são o elemento complicador e complexo da vida (na ótica do dinheiro). As Pessoas querem uma vida fácil e fluida onde a Liberdade domina a perversão dos Valores.”

Joaquim Serra“Alfredo Sá Almeida, não é na ótica do Dinheiro que os valores são complexos e complicadores. Nesse âmbito há de facto muita complexidade e complicação, quando esses valores não são conceituados, explicados, para que possam ser compreendidos e apreendidos, mas acima de tudo validados.

A maioria de nós não aprendemos a relacionarmo-nos com coisas abstratas. Trocamos os fins pelos meios. Procuramos atalhos. Tentamos suprimir da “equação” tudo o que não compreendemos.

Faltam-nos os critérios que nos habilitariam e legitimariam a sancionar os outros e a nós próprios. Aliás, sancionar, julgar, passou a ser um exercício condenável, e portanto não se faz validação de princípios e valores, nem tampouco se reflecte sobre essa dimensão. “Compra-se”, consome-se, baseado em emoção, numa relação binária de gosto x desgosto, favorece-me x não me favorece, só, e no imediato. Passou a ser este o único critério para qualquer decisão.

Sob o lema irreflectido do “Errar é humano” tornámo-nos, ou quisemos tornar-nos inimputáveis, fomos permissivos a esse nível.
Não é a Liberdade que domina a perversão dos valores, mas sim a libertinagem, não é a atitude moral que produz maus valores, mas sim o moralismo, não é o capital que corrompe, mas sim o capitalismo, não há mal em termos consciência social e comunitária, mas produz-se muita injustiça através do comunismo, contrariamente à intenção e aquilo que defendem os seus aderentes e simpatizantes.

Nas escolas, e na educação que ministramos, não se está a ensinar a fazer essas distinções.

A educação perdeu significado e sentido. Em Portugal, e em muitos outros países desenvolvidos, a evasão escolar é alarmante, contudo não se discute nem se reflecte sobre a causa dessa situação. E é notável a quantidade de mentecaptos que saem das escolas e universidades, e o pior de tudo, é que estamos a deixar que esses mentecaptos nos governem, isto é, que sejam eles a fazer as políticas sociais e económicas, e a administrar a justiça.

Não foi o dinheiro que gerou essa situação. Foi a falta de uma EDUCAÇÃO de qualidade, falha de valores e falha de critérios para se estabelecer uma axiologia digna de seres humanos.

Por isso é que as pessoas se subordinam tão facilmente às ideologias, às idolatrias, às modas, às mentalidades de massa, até conseguem subordinar-se ao dinheiro.

Hoje em dia, no nosso mundo, há todo o tipo de prostituição: Prostituição sexual, mental, intelectual, ideológica, religiosa, empresarial, laboral, sindical, estatal, privada, nacional…

O problema não está no dinheiro, está no tipo de gente que andamos a “formar”: Prostitutos.

Fazem qualquer coisa por conveniência imediata, até por dinheiro, que custa menos a carregar e não se vê a origem, o que dá um jeito enorme para manter as aparências.”

Alfredo Sá Almeida – “Joaquim Serra estou a gostar desta nossa conversa/debate.

Tem razão naquilo que defende. Eu também defendo o mesmo – uma Educação de Qualidade para TODOS. Tenho muitas dúvidas (mas muitas mesmo), com os mecanismos, procedimentos, incentivos, etc. que foram criados pelo Dinheiro e para o Dinheiro, se alguma vez o Homem (a continuar o mundo do Dinheiro como está!) conseguirá secundarizá-lo do modo como o meu amigo o secundariza.

A minha esperança maior é que o Homem relegue o dinheiro à sua ínfima expressão e priorize o Valor Humano em TODOS os momentos da dinâmica da Vida.”

Joaquim Serra“Alfredo Sá Almeida num exercício de prospectiva, inspirados pela “utopia” de um mundo melhor, poderemos resgatar valores que valham a pena, custe o que custar.

Tenho a certeza que não precisaremos de relegar o dinheiro a uma ínfima expressão, afinal, por trás do símbolo, e adjacente à sua função monetária, económica e financeira, poderão estar valores que merecem ser demonstrados e o dinheiro servirá de instrumento (prestará esse serviço, como meio próprio da sua função) para viabilizá-los, de forma rápida, segura, confortável.

Poderemos também, e deveremos fazê-lo, destapar o que está por trás de muito do dinheiro que circula por aí. Nessa altura teremos que estar aptos e habilitados, seguros, conscientes, para realizar tantas sanções quanto necessário, algumas de aprovação, de reconhecimento e exaltação, outras de condenação que irão requerer punição, pena e castigo.

Temos que ter coragem para fazer esse exercício muito difícil, até porque muitos de nós se apavoram só de imaginar aquilo que se descubra quando se destapar.

Quando se destapar, a certeza que eu tenho é que iremos ter que lidar com coisas muito desagradáveis, é como abrir a Caixa de Pandora, que passarão a fazer parte da nossa realidade, e esta será modificada radical e rapidamente.

Ainda não se fez porque preferimos contornar os problemas, mesmo que isso exija iludirmo-nos, ainda não estamos preparados para esse confronto com o real que todavia parece cada vez mais inevitável.

Quanto mais se esperar, mais profundo será o choque.”

Alfredo Sá Almeida – “Joaquim Serra parece-me uma excelente tática para ‘destapar a panela’ e retirar muita da pressão que existe sobre este tema. Quem sabe obteríamos muitas boas surpresas de Pessoas, mediática e eticamente relevantes, que ajudariam a mudar decisivamente as regras do jogo.”

Alekh Lisboa“Se a pobreza não fizesse tantos ricos já tinha acabado!”

 24 de Fevereiro de 2018

O dinheiro não acrescenta Valor ao Homem!

Dinheiro no lixo

A meu ver, só os Valores Humanos acrescentam Valor ao Homem coadjuvados pelas Inteligências (Racional, Emocional, Social e Espiritual) e pelo Conhecimento. Se a estes importantes fatores adicionarmos o respeito pela Biosfera e pela Vida e uma Consciência vocacionada na vertente Coletiva, então teremos um Homem verdadeiramente integrado no seu habitat e com capacidades de Desenvolvimento Humano Sustentado.

Na realidade, o dinheiro – seja na forma física real ou na digital – com toda a sua componente financeira virtual não acrescenta qualquer Valor ao Homem.

Só a Educação e um sistema educativo bem ‘desenhado’ à dimensão do Homem é capaz de despertar o verdadeiro Valor Humano. Infelizmente os sistemas educativos, por esse mundo fora, estão muito ‘poluídos’ pelo que o dinheiro representa em sociedade.

  • O meu Leitor já imaginou a dimensão que a Educação e o sistema educativo poderiam adquirir se fossem considerados e tratados sem a influência do dinheiro?
  • Um Mundo onde TODOS teriam as mesmas oportunidades de aprender, conhecer e valorizar-se sem a influência do dinheiro?
  • Um Mundo onde o Valor Humano pudesse sobressair sem afrontar fosse quem fosse?

Para a grande maioria das Pessoas é difícil de compreender no imediato estas minhas afirmações e questões, mas se realizarem uma reflexão aprofundada sobre a matéria verão que o dinheiro só atrapalha o desenvolvimento pessoal e estrutural.

Aliás, o dinheiro físico (aquele em moedas e notas que circula de mão em mão) é a maior fonte de infeção microbiológica conhecida. Esta é uma realidade que deveria ser abandonada por todos os Países do mundo e não só pela Suécia – “Dinheiro pode sair de circulação na Suécia até 2030” (http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2016/04/160411_sociedade_sem_dinheiro_cw_rb). Só deveria ser utilizado dinheiro na forma eletrónica ou digital.

Infelizmente estas tendências, como a que se verifica na Suécia, não têm a ver com o fim do dinheiro como poder económico e financeiro, mas apenas por questões processuais das transações e economia formal na sua impressão (menos dinheiro físico em circulação). Felizmente têm a vantagem de acabar com o manuseamento e a transmissão da infeção microbiológica.

Um Mundo verdadeiramente sem dinheiro mas com muito Valor Humano será um novo Paradigma para o Homem. Este será um desafio para um Futuro Coletivo e sustentável do Homem na nossa Biosfera.

Alfredo Sá Almeida                                                                                5 de Novembro de 2017

O Dinheiro ou a Vida.

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Esta é uma frase típica de um assalto. Infelizmente muitas Pessoas são assaltadas todos os dias, do qual resulta algum dano ou perda para o assaltado. Normalmente causa revolta e raiva porque a vida ficou em risco e o dinheiro custa muito a ganhar.

Mas se a interrogativa indireta colocada passar a ser uma interrogativa direta?

O Dinheiro ou a Vida? A Pessoa não deixa de ter de tomar uma decisão importante. Só que nesta situação poderá existir mais tempo para ponderar as alternativas, refletir e escolher o caminho de vida que quer seguir.

Pode até acontecer que num futuro, não muito longínquo, a questão colocada seja ainda mais grave: A Água ou a Vida? Neste caso estamos perante uma situação extrema porque não existe Vida sem Água. E, a resposta só pode ser uma.

No dia-a-dia desta nossa vida, pessoal ou profissional, quantas vezes somos colocados perante questões que não têm alternativa. Somos conduzidos por Pessoas (?) a tomar decisões, mais ou menos rápidas, que nos afetam a vida e, muitas vezes, o futuro e os sonhos de uma vida.

Os meus Leitores dirão: mas isso não deveria ser permitido! Pois é, mas acontece com mais frequência que o desejado. A liberdade passa a estar condicionada e com ela a Vida e a sua condução para o futuro.

Quando e como é que nos deixámos envolver, ludibriar, enganar, etc. até ao ponto de perdermos a Liberdade, a Dignidade e a Autoestima? Vou arriscar uma resposta polémica! A partir do momento em que nos deixámos dominar pelo Dinheiro!

Tantas vezes fomos roubados e enganados, que deixámos de acreditar no caráter das Pessoas.

Por maior Valor Humano que alguém possua, estas situações não deixarão de o afetar. Então é chegado o momento de tomarmos opções de Vida que nos permitam manter o Valor sem afetar o caráter.

Esta é a reflexão que deixo aos meus caros Leitores: O Dinheiro ou a Vida? Qual a sua escolha para o Futuro?

Atenção, tem de optar por uma das vias (e só por uma). Pois a via que hoje vivemos é uma mistura destas duas vertentes com um claro desequilíbrio a favor do dinheiro e em detrimento da Vida.

Alfredo Sá Almeida                                                                              1 de Fevereiro de 2017

Quem tem medo que o sistema financeiro internacional entre em colapso definitivo?

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“Vivemos uma triste realidade, TODOS estamos dependentes do dinheiro mas reconhecemos que existem fatores deste sistema que nos complicam muito a Vida.

No entanto, ninguém, nenhum Político, nenhum Líder de opinião, nenhum Gestor ou Professor de Finanças, tem a coragem de propor um sistema alternativo que tenha um caráter Humano.

Sejamos claros, dinheiro não representa Valor representa DÍVIDA. Quanto mais Dívida houver mais dinheiro estará em circulação. É com esta crua realidade, que tem suportado todo o sistema financeiro, que temos vivido. É um mundo virtual que alguns desenvolveram em seu benefício para prejuízo de TODOS.

A verdade é que TODOS os Países, TODAS as economias, TODAS as Pessoas estão dependentes do dinheiro e do mundo financeiro. O emaranhado e os estímulos financeiros criados foram de tal ordem que o mais comum dos Cidadãos não é capaz de fazer nada sem pedir um empréstimo. Seja para comprar uma casa, um carro, uma mobília, uma viagem, um curso superior, um mestrado ou um doutoramento, as Pessoas vão empenhar o seu Futuro para TER o que consideram ser importante e urgente na sua vida.

Significa isto que o Valor atribuído ao seu trabalho profissional, à sua dedicação a uma causa não é suficientemente remunerado, e/ou, os impostos que se pagam ao longo da vida e nas mais variadas circunstâncias, não lhes permite ter uma capacidade de bem-estar adequada. A grande maioria das Pessoas sobreendividou-se para satisfazer o seu Ego e todas as atrações e aliciamentos de um mercado que usa a obsolescência programada para ‘agarrar’ TODOS os consumidores.

E o mercado tornou-se ainda mais sofisticado, muito ‘bem acompanhado’ por uma criatividade financeira dos Bancos, que não tem caráter Humano.

Resumo e conclusão criaram e transformaram uma maioria de Pessoas em dependentes do sistema, sem contrapartidas Humanas e de Futuro dignas de nota.

Eu pergunto; Porque tem de ser assim? Afinal de contas, o Sistema Financeiro Internacional (SFI) tem ‘presenteado’ os Cidadãos do mundo, de há décadas e décadas até hoje, com tanta realidade ruim e danosa do Valor Humano, que se torna muito difícil de aceitar que qualquer Ser Humano, culto, sábio, sensível, de espírito global e respeitador da Vida, aceite esta situação sem a poder alterar.

Na realidade o SFI representa, para o bem e para o mal, um PODER inquestionável! Ninguém mais questiona ou pretende alterar significativamente este sistema. É um PODER que está nas mãos de muito poucos (menos de 1% da População Mundial), muito bem defendidos de TUDO e de TODOS os que pretendam causar-lhes dano.

No entanto, o que podemos constatar é que de facto esta atividade financeira internacional, tal como se encontra, tem produzido:

  1. MÁS influências nas Economias dos Países;
  2. Guerras económicas que acabam por degenerar em Guerras violentas entre Seres Humanos;
  3. Destruição do Ambiente e dos equilíbrios da Biosfera;
  4. MÁS influências nas atitudes e comportamentos das Pessoas (ganância, avareza, prepotência, arrogância, escravidão Humana, vícios vários, corrupção, perda de Liberdades e Dignidade Humanas, …);
  5. Dependências várias sejam de natureza Económica ou Financeira, sejam sobre a VIDA das Pessoas;
  6. O rol poderia continuar.

Mas então este sistema não tem trazido nada de bom? Perguntarão alguns! Poderei dizer que tem trazido muito desenvolvimento tecnológico e algum Desenvolvimento Humano, mas de tal maneira condicionado que podemos perguntar que sentido estão a querer dar ao Futuro da Humanidade?

Sobretudo tem trazido um Desenvolvimento Humano carente em Valores Humanos. Será propositado?

É que o Futuro da Humanidade não devia ser decidido por este Sistema nem pelos Políticos que o apoiam. Esta é uma matéria demasiado importante e fundamental para o Homem que não deveríamos permitir que fosse delegada desta maneira.

Mas há um aspeto que muitos de nós falamos, nos indignamos, nos revoltamos e não aceitamos, mas que na realidade não resolvemos NADA com essas atitudes. O que está aqui em causa são as desigualdades sistemáticas e crescentes entre Seres Humanos ricos e pobres, ou, com grandes rendimentos e poucos rendimentos.

Desigualdade

Esta desigualdade acaba por traduzir-se em dificuldades de acesso a elementos básicos de VIDA HUMANA:

  1. Ao sistema Educacional, apesar de estar desajustado do Futuro;
  2. A um sistema de Saúde digno para TODOS;
  3. Ao sistema de Justiça igual para TODOS;
  4. À segurança e integridade dos Cidadãos;
  5. Aos recursos básicos de VIDA (água, alimentos, energia, informação, etc.);
  6. A uma habitação digna e higiénica de cada família;
  7. A um Futuro condigno de Ser Humano com expectativas e sonhos para realizar.

Perante esta triste realidade para os Seres Humanos, não só temos o Direito de questionar como se vão produzir mudanças significativas no Sistema, como temos o dever de o alterar. A não ser que consideremos que está tudo bem como está e que podemos continuar ‘escravos’ desse mesmo sistema. Ou será que temos medo?

Agora que o SFI está em crise profunda, quase agonizante, o objetivo primordial de políticos e financeiros é o de evitar o risco de um colapso. O mais triste de tudo isto é que quem paga a crise são os inocentes que acreditaram no sistema.

Perdeu-se uma excelente oportunidade de iniciar um trabalho profundo para substituir o atual SFI por outro com características mais Humanas e que respeite a sustentabilidade da Biosfera.

Haverá quem afirme que sem o SFI seria o caos total. Mas que fraca consideração demonstram pelas capacidades dos Seres Humanos!

Outros dirão que uma dívida é para a VIDA (e em muitos casos para a morte, pois mesmo morto tem de pagar), e tem de ser paga mesmo que os juros usurários aplicados sobre essa dívida já tenham ultrapassado há muito o valor original desta.

Mas que raio de sistema este em que nos deixámos envolver, que ficámos prisioneiros sem possibilidade de negociação e sem dignidade como Seres Humanos!

Será que nos desenvolvemos em tantas outras áreas do saber e, no entanto, permanecemos tão dependentes deste sistema, como viciados, que não somos capazes de nos libertar do vício?

Por um lado, esses medos de caos, desorganização, falta de autoridade, etc. representam uma falta de genialidade criativa no desenvolvimento de organizações colaborativas e humanitárias. Por outro, representam um argumento preconceituoso, gerado pelo poder do dinheiro sobre aqueles que vivem numa dependência total do dinheiro dos outros.

Mas há ainda o medo de represálias, dos responsáveis pelo SFI, sobre os Países não-alinhados. Não é por acaso que alguns desses atores são apelidados de ‘senhores da guerra’, tal é influência que detêm sobre o poder político dos Países.

Temos assistido a tentativas de reformas demasiado cautelosas (para não dizer medrosas) do SFI por parte de Países, Federações de Estados ou da Comunidade Europeia, mas acabamos por verificar que pouca coisa muda. Os paraísos fiscais continuam, os mercados financeiros comandam as dívidas soberanas dos Países, os Bancos continuam a desenvolver atividades duvidosas, etc.

E assim vamos, ‘cantando e rindo’, até um Futuro desconhecido e sem a participação dos Cidadãos.

Eu não me conformo com esta realidade e pretendo influenciar uma mudança de Paradigma do Futuro Coletivo do Ser Humano. Daí ter decidido escrever sobre o Valor Humano.

A particularidade essencial do sistema baseado no Valor Humano é que não está dependente do SFI, mas apenas do real VALOR de cada um de nós na construção de raiz de uma Vida com Futuro digno, sem o atual conceito dinheiro.

Em linhas gerais, que desenvolverei detalhadamente mais adiante, considero que os eixos principais do referencial do Valor Humano:

  1. É intrínseco a cada um de nós. É o resultado daquilo que somos, como nos comportamos em Sociedade, como gerimos o nosso Futuro e nos integramos no Futuro Coletivo.
  2. Representa a nossa capacidade em desenvolver uma atividade profissional, de criar uma família, ou, se preferir se manter celibatário, de nos relacionarmos positivamente com os outros.
  3. Também está relacionado com o respeito de cada Ser à Biosfera, ao Ambiente e à Sustentabilidade.

Assim sendo, cada um de nós será avaliado pelos nossos pares, qualificados e certificados para o efeito, com a frequência considerada necessária. O resultado dessa avaliação será transformada em Valor, que passará a estar indissociado da Pessoa em questão.

Não existirá limite para o Valor Humano. Quanto maior for a capacidade demonstrada de afetar positivamente a vida dos outros, maior será o Valor gerado.

Por outro lado, a cada Ser Humano avaliado será atribuído um Valor base que lhe permitirá alimentar-se e ter uma Vida digna com recursos básicos. Todo o Valor acrescido a este básico é da exclusiva responsabilidade do próprio, pelas decisões e iniciativas que tomar, pela realidade que construir, etc.

A TODOS será dada a oportunidade de, nos primeiros 20 anos de Vida, desenvolver as competências básicas, criatividade e conhecimentos que melhor estiverem adequados ao seu Ser, bem como uma formação em Valores Humanos que lhe permita desenvolver uma personalidade e um caráter, para estar preparado para uma vivência positiva em Sociedade.

O Valor Humano adquirido ao longo da Vida de cada Ser tem várias particularidades:

  1. Não pode ser emprestado;
  2. Não pode ser dado;
  3. Não vence juros;
  4. Não é possível obter crédito de Valor;
  5. Apenas pode ser trocado por produtos, serviços ou formação extra;
  6. Pode ser utilizado em actos futuros de renovação de infraestruturas e de desenvolvimento humano;
  7. É possível utilizar Valor excedentário da própria Pessoa, em investimentos criativos (arte, cultura), produtivos (fábricas, oficinas, etc.) e empresariais (agrícolas, serviços, formação, saúde, justiça, segurança, etc.) ou, em desenvolvimento humano e ambiental, projetos que sejam potenciadores de Valor para o próprio, ou, outras Pessoas que adiram.

O Valor Humano NÃO É DINHEIRO, É VALOR CONCRETO. Tem caráter universal e intransmissível e deve ser um sistema Global. Existirão leis que impedirão a utilização de mecanismos monetários e financeiros aplicados ao VALOR HUMANO.

E você caro Leitor, teria medo que este sistema, baseado no Valor Humano, se desenvolvesse?

Tenho fundamentos para acreditar que uma utopia de caráter Humanista contribuirá para grandes mudanças na Sociedade do Futuro.

Alfredo Sá Almeida                                                                                       24 de Março de 2015