Nascer com sorte!

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Todos nós quando nascemos não temos consciência da vida, de nós próprios nem do mundo que nos rodeia. Somos seres virgens, no verdadeiro sentido da palavra, com uma determinada probabilidade de aprendizagem que nos é conferida (numa fase inicial) pela genética.

A nossa sorte começa por ser determinada pelo local onde nascemos, que acrescenta uma probabilidade (maior ou menor) de nascermos saudáveis:

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Ao longo da vida vamos desenvolvendo capacidades várias que nos dão acesso a uma consciência, a inteligências diversas e a um sentir do mundo, com maior ou menor profundidade, que nos dará, ou não, uma dimensão espiritual. Uma coisa é certa, seremos Seres únicos, resultado do nosso próprio desenvolvimento pessoal e do ambiente envolvente que nos calhou em sorte. Aqui a genética já tem pouca influência.

Outra coisa que se considera certa nessa sorte tem a ver com o acesso a uma Educação. Agora as variáveis começam a complicar-se, pois estão dependentes da região do Planeta onde nascemos.

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O facto de sermos todos diferentes (em todos os aspetos), cada um de nós com um Valor Humano próprio, isto não deve justificar as desigualdades de Qualidade de Vida existentes entre Seres Humanos.

A nossa sorte ainda agora está no início e muitos Seres Humanos já ficaram prejudicados à nascença.

Por um lado, há regiões do mundo onde a probabilidade de nascer é maior que outras:

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Por outro lado, devido às desigualdades fictícias criadas pelos Homens e pela falta de uma Governança e de uma Educação de Qualidade, existe uma maior probabilidade de nascermos Pobres e com poucos recursos existenciais.

Mas mesmo assim, nada nos impede de adquirirmos Valor Humano digno de nota. No entanto, as probabilidades não são favoráveis a esse desígnio.

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Mas a nossa sorte não acaba aqui, ela ainda tem um elemento complicador que tem de ser considerado e que se prende com a esperança de vida. Se é certo que poderemos desafiar todas as probabilidades contrárias ao nosso desenvolvimento como Seres Humanos de Valor, a probabilidade de tempo de vida ajudará a desenvolvermo-nos ainda mais se esta for mais extensa. Aqui o ditado ‘Aprender até morrer’ faz todo o sentido.

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Perante estas realidades, podemos verificar que a nossa Vida não está facilitada à partida e acaba deitando por terra o Artigo 1º da Declaração dos Direitos Humanos – “Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade.”

O mais grave de tudo isto é que a quantidade de informação que está disponível sobre os Seres Humanos no Mundo Global, apesar de ser ENORME, não ajudou muito a melhorar as condições de vida dos mais carenciados, nem contribuiu para melhorar as tomadas de decisão dos Líderes de muitos Países.

Segundo os dados mais recentes, oriundos do relatório Global Wealth Report (2015) o número de Pessoas pobres aumentou significativamente neste últimos anos. Agravando-se também na América Latina, segundo dados da Comissão Económica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) (2014) – ”A extrema pobreza, ou indigência, aumentou de 11,3% em 2012 para 12% da população na América Latina e do Caribe em 2014, revelou nesta segunda-feira a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) em Santiago, no Chile. (http://odia.ig.com.br/noticia/mundoeciencia/2015-01-26/indice-de-extrema-pobreza-registra-aumento-na-america-latina.html)

“O ano de 2010 foi também aquele no qual o banco Credit Suisse publicou o seu primeiro Global Wealth Report (Relatório da Riqueza Global). …

Cinco anos depois, o relatório de 2015, publicado em 13 de outubro, mostra que a concentração de renda mundial alcançou níveis tão críticos quanto o do mundo industrializado antes da Primeira Guerra Mundial. Apesar do relativo otimismo de 2010, a metade mais pobre dos 4,8 bilhões de adultos ficou ainda mais depauperada: agora possui menos de 1% da riqueza planetária estimada em 250,1 trilhões de dólares, enquanto o décimo mais alto controla quase 90% (87,7%, para ser exato) e o centésimo no topo, exatos 50%. A riqueza média líquida subiu para 52,4 mil, um aumento nominal de 19,6% que se reduz a 9,3% se descontados 9,5% de inflação do dólar nos Estados Unidos em cinco anos, mas os níveis de corte passaram para 3,21 mil (27% mais baixo em termos reais), 68,8 mil (13% mais baixo) e 759,9 mil (18% mais alto), respetivamente.” (http://www.cartacapital.com.br/revista/873/no-mundo-de-os-miseraveis-5584.html)

No entanto, a ONU mantém-se otimista “ONU diz que 800 milhões de pessoas ainda sofrem com fome e pobreza” – (http://g1.globo.com/mundo/noticia/2015/07/onu-diz-que-800-milhoes-de-pessoas-ainda-sofrem-com-fome-e-pobreza.html)

“O número de pessoas que vivem na pobreza extrema, com menos de US$ 1,25 por dia, diminuiu mais da metade – de 1,9 bilhão (em 1990) para 836 milhões -, afirmou a ONU em um relatório (2015) que analisou oito objetivos de desenvolvimento estabelecidos na Declaração do Milênio em 2000.

“Depois de avanços profundos e consistentes, agora sabemos que a pobreza extrema pode ser erradicada dentro de mais uma geração”, afirmou o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, em comunicado.”

“Os líderes mundiais devem adotar uma série de novos objetivos de desenvolvimento – conhecidos como metas de desenvolvimento sustentável – em uma cúpula da ONU em Setembro. As novas metas almejam erradicar a pobreza extrema até 2030.”

Se pretendemos aumentar significativamente as probabilidades de ‘sorte’ daqueles que nascem neste Planeta, o Mundo Global necessita urgentemente de:

  1. Ações concretas de erradicação da pobreza;
  2. Líderes de qualidade que estejam focados na resolução dos problemas das Populações;
  3. Melhoria significativa da qualidade da Educação pública, abrangendo cada vez mais crianças e jovens;
  4. Melhoria significativa da qualidade de vida e formação especializada dos Professores;
  5. Assumir definitivamente, na Educação, os Valores Humanos como elementos estruturantes do Ser Humano;
  6. Mudanças significativas no mundo financeiro;
  7. Diminuição significativa dos níveis de agressividade humana e do uso de armas.

A ‘sorte’ não pode transformar-se num ‘destino’ inalterado para os mais desfavorecidos, deve representar um desafio motivador e competente, para quem possui as capacidades de intervenção, organização e decisão nos ‘destinos’ daqueles que não possuem voz ativa nesta Sociedade Global.

Desafio os meus Leitores a realizarem um exercício de imaginação profunda sobre a realidade do Mundo Global em que se cumpram dois importantes desígnios:

  1. A Declaração Universal dos Direitos Humanos passou a ser cumprida EFETIVAMENTE por todos os Países da ONU.
  2. Todas as estruturas educacionais no Mundo passaram a transmitir os Valores Humanos universais.

TODOS nós podemos melhorar o Mundo Global, basta ter a vontade de uma Consciência Coletiva e estarmos focados num Futuro Coletivo melhor.

Alfredo Sá Almeida                                                                    20 de Outubro de 2016

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A Dinâmica entre Valores e Direitos Humanos

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Texto extraído do meu livro “Despertar para o Futuro” (publicado em 2014), que faz todo o sentido neste novo tema que tenho desenvolvido (“Valor Humano“) e que será objeto do meu próximo livro. Espero que gostem.

“Vivemos num mundo paradoxal, onde se torna legítimo questionar se existe um verdadeiro desígnio para a boa vontade Humana.

Na sequência das atrocidades e abalados pela barbárie cometida pelos Homens durante a Segunda Guerra Mundial, que quase fez ruir os alicerces do Humanismo, os dirigentes das Nações que emergiram como potências no período pós-guerra decidiram promover a Paz e a Democracia com o fortalecimento dos Direitos Humanos.

Nesse sentido, surge em 1948, sob a égide da Organização das Nações Unidas “A Declaração Universal dos Direitos Humanos, que delineia os direitos humanos básicos”. Esta resolução (A/RES/217) foi adotada pela ONU em 10 de Dezembro de 1948. (https://dre.pt/comum/html/legis/dudh.html)

“Embora não seja um documento que representa obrigatoriedade legal, serviu como base para os dois tratados sobre Direitos Humanos da ONU, com força legal, o Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos, e o Pacto Internacional sobre os Direitos Económicos, Sociais e Culturais.”

Todas as Pessoas no Mundo, Homens de boa vontade, ficaram com a esperança fundada que os valores da PAZ e DEMOCRACIA seriam, a partir de então, os marcos universais que impulsionariam os Valores Humanos e um verdadeiro Desenvolvimento Humano.

Passados 66 anos, deste importante evento, verificamos com tristeza que os Direitos Humanos, apesar de terem sido subscritos por uma grande maioria dos Países que integram a ONU, não deram origem a uma dinâmica continuada de desenvolvimento de Valores Humanos, pelas Populações desses Países.

Em vez disso, assistimos ao proliferar da arrogância e da indiferença para fazer valer Vontades com Valores distintos dos Humanos. A ponto de as fazerem valer pela força das armas ou pela agressividade das atitudes e comportamentos, impondo soluções e desrespeitando a vontade das Pessoas no seu Coletivo genuíno.

De modo suave e paulatino foram sendo implementadas soluções civilizacionais que possuem mais características de alienação Humana do que, verdadeiramente de sentido Humano com Valor.

Para mim, os Valores Humanos são os alicerces essenciais do caráter e personalidade do Homem. Os Direitos Humanos são uma orientação reconhecida globalmente como importante para as atitudes e comportamentos do Homem em Sociedade.

“Os Valores Humanos [Amor, Altruísmo, Amizade, Bem Comum, Cidadania, Civilização, Civismo, Comunidade, Consciência, Cultura, Dignidade, Educação, Esperança, Ética, Felicidade, Humanização, Idealismo, Igualdade, Justiça, Liberdade] – (http://www.escoladecidadania.org/) mesmo em Pessoas nos estágios mais baixos de desenvolvimento psicológico, devem ser aplicados ao longo da escolaridade das crianças e dos jovens de todas as Nações. O caráter universal e global destes são fundamentais para todas as mudanças de paradigmas civilizacionais no Futuro. Sem eles o VALOR do Homem ficará amputado e desviado do verdadeiro sentido da sua VIDA.” – Alfredo Sá Almeida in ‘Consciência de Futuro Coletivo’.

É impossível imaginar um Futuro Global sem Valores e sem Direitos Humanos.

Todos nós temos vindo a acompanhar os constantes atropelos e desrespeito pelos mais elementares Direitos Humanos, levando-nos a questionar se o Homem consegue ter desígnios de Ser Humano. Mas também verificamos um abandono educacional ‘monstruoso’ do ensino e prática dos Valores Humanos em todas as faixas etárias das Populações, seja em Países designados de ricos ou pobres.

Por outro lado, os sistemas Educacionais oficiais dos Países têm estado a afastar-se, cada vez mais, daquilo a que podemos chamar de desígnios plausíveis do Futuro, encontrando-se presentemente divorciados do Futuro da Humanidade. Este facto só pode representar uma falta gritante de sentido de Humanidade e do que representa o Ser Humano, na sua verdadeira dimensão cultural, social e racional.

A meu ver, esta realidade deve-se a uma falta de estratégia pedagógica universal que oriente os Educadores para a importância e Valor do Ser Humano para o equilíbrio da sua espécie e da sustentabilidade da Biosfera.

O Mundo atual de 7 biliões de habitantes Humanos é caracterizado por uma diversidade cultural, social e política, com cerca de 6900 idiomas, em estados de desenvolvimento distintos, onde a raiz dos Valores Humanos é a mesma independentemente da latitude e longitude desses Humanos.

De acordo com a Unesco, para passar de uma geração a outra (25 anos), uma língua precisa ser falada por pelo menos 100 mil nativos. Pois bem, o mesmo se pode aplicar à passagem do testemunho de Valores Humanos, seja pela teoria ou pela prática continuada. Caso não o façamos esses Valores acabam por perder-se.

Só faz sentido apelidarmo-nos de Seres Humanos se integrarmos os Valores respetivos, caso contrário seremos elementos vivos da Biosfera sem o consequente caráter.

Todos nós temos consciência que o grau de desenvolvimento das Populações, coadjuvado pela sua Educação, é determinante para uma melhor prática social. O Índice de Desenvolvimento Humano (aplicado em 187 Países e territórios) do Relatório de 2013 revela ganhos significativos desde 2000 na maioria dos países do Sul (http://hdr.undp.org/sites/default/files/pr2-hdi-2013hdr-port.pdf).

O que podemos constatar é que todos os Seres Humanos merecem uma educação de qualidade. No entanto, atualmente cerca de 62 milhões de crianças e 759 milhões de adultos não têm acesso a esse direito. Para eliminar essa lacuna, são necessários mais 18 milhões de professores em todo o mundo para se atingir o ensino primário universal até 2015.

http://www.educacaoparatodos.org/index.php?option=com_content&view=article&id=6&Itemid=7

Assim sendo, é legítimo que cada Cidadão do mundo pergunte às respetivas Autoridades de seus Países ‘O que é que cada Estado tem feito em prol de Valores e Direitos Humanos’?

Seria importante, senão fundamental, criar uma dinâmica em cada País, quer através dos Sistemas Educacionais quer através da Sociedade Civil, de modo a desenvolver uma avaliação constante (com indicadores funcionais) dos avanços de Valores vs Direitos, e, como esses dois ‘marcos’ se conjugam para uma harmonia Humana.

Sem uma dinâmica e estratégia pedagógica global, temo que Valores e Direitos Humanos possam esfumar-se em características voláteis de Seres descaracterizados da Biosfera.”

Alfredo Sá Almeida                                                                     12 de Maio de 2014