A Sociedade atual e a dimensão da Liberdade

Sociedade Doente

A Sociedade atual tem-se desenvolvido nas últimas décadas como um Paradigma ‘canceroso’ onde a Liberdade dos Cidadãos, em vez de servir constantemente as boas práticas de cidadania, acaba destruindo os Valores Humanos que nos deveriam caracterizar.

O ritmo exacerbado de desenvolvimento, em todos os domí­nios do saber, a que a sociedade tem estado submetida, traduz a ansia de liberdade e conhecimento dos Povos oprimidos nas décadas passadas. As ‘explosões’ de criatividade, investigação, expressão cultural, desenvolvimento tecnológico e inteligência racional, deixaram para segundo plano (e em muitos casos, para terceiro e quarto planos) o desenvolvimento humano, social e emocional das comunidades e da Sociedade.

O desenvolvimento humano tem acrescentado ao Coletivo aspetos muito positivos, mercê sobretudo do desenvolvimento tecnológico, mas as componentes Sociais, Educacionais e de consolidação de Valores Humanos têm perdido rumo e caráter pela velocidade que foi impressa no desenvolvimento desequilibrado.

Os sistemas polí­ticos e financeiros são os grandes responsáveis pela permissividade instituí­da, que invadiu negativamente os sistemas educacionais, judiciais e de valores de uma Sociedade com personalidade e caráter Humanos. Os Cidadãos acabaram sendo ‘arrastados’ para decisões, escolhas ou opções pouco ponderadas e de baixo valor social acrescentado, minando as estruturas do paradigma instalado, tornando-o num paradoxo ‘canceroso’.

Dirão os meus caros Leitores que a Liberdade é um Valor primordial e que compensa todos os riscos no desenvolvimento. Eu direi: convêm esclarecer convenientemente esta matéria de considerar a Liberdade como Valor primordial desenraizada dos outros Valores!

A meu ver a Liberdade como Valor essencial e prioritário só faz sentido se estiver inserida no contexto dos outros Valores Humanos. É por essa razão que se torna primordial. Caso contrário, acabamos assistindo a fenómenos, numa Sociedade que se pretende saudável, de desenvolvimento de núcleos malignos que acabam destruindo TUDO – os Valores Sociais e a LIBERDADE. O mais grave é que a degradação social pode atingir patamares tão baixos que se torna difí­cil recuperar, com saúde, o ‘doente’. Esta acaba sendo o resultado de uma permissividade doentia e carente de Inteligência (racional e emocional). Se adicionarmos a esta permissividade doentia, uma Educação carente em Valores Humanos, então teremos um ‘corpo’ agressivo numa Sociedade em decadência.

Não é de estranhar que tenhamos assistido a um aumento vertiginoso da corrupção, da ganância, da arrogância, da prepotência e de muitas outras caracterí­sticas humanas negativas (Antivalores), que acabam proliferando num ‘terreno’ onde os Valores Humanos estão ausentes.

A Sociedade acaba sofrendo, e muito, com este estado de coisas. Infelizmente os exemplos das consequências são muitos. Senão vejamos, o aumento significativo de casos de:

  • Depressão;
  • Suicí­dio;
  • Doenças do foro emocional;
  • Stress;
  • Consumo de drogas;
  • Agressividade violenta;
  • Bullying;
  • Alheamento social;
  • Inteligência maligna;
  • Desequilí­brios mentais; etc.

Resultado, uma Sociedade doente sem perspetivas de melhoras. O intrincado de casos é tão acentuado e denso que organismos sociais saudáveis não conseguem recuperar o ‘paciente’ sem que o ‘tratamento’ seja completo e sistemático, tí­pico de um paciente com ‘cancro’.

Será necessário uma mudança profunda de paradigma, minimizando os paradoxos, com um aumento significativo das Consciência e Inteligência Coletivas, dos Valores Humanos e uma Educação de qualidade para TODOS os Seres Humanos deste Planeta.

Ser Humano doente

Alfredo Sá Almeida                                                                                 13 de Maio de 2017

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A necessidade urgente de Valores Humanos neste Pandemonium (+) global

pandemonium-1919-george-grosz“Pandemonium”, 1919 – George Grosz (http://esperandoleitor.blogspot.pt/2010/07/pandemonium-1919-george-grosz.html)

Penso que os meus Leitores concordarão comigo quando afirmo que o mundo atual se assemelha a um Pandemonium global. Como exemplo, sugiro a visualização deste vídeo de Steve Cutts.

(http://www.bing.com/videos/search?q=moby+are+you+lost+in+the+world+like+me&&view=detail&mid=6778A5CA883A697C33956778A5CA883A697C3395&FORM=VRDGAR).

Passo a explicar o porquê desta afirmativa.

Algumas tristes realidades:

  1. Aumento significativo das desigualdades (económicas, de oportunidades, etc.) entre Seres Humanos;
  2. Desfasamento educacional e de conhecimento nos diferentes Países do mundo (*);
  3. Aumento da intolerância pela diversidade cultural, étnica, religiosa, etc.;
  4. Incompreensão de fenómenos naturais por ignorância ‘militante’;
  5. Fraca tendência no estabelecimento de pontes culturais sólidas por falta de empatia e compaixão;
  6. Comportamentos insustentáveis do ponto de vista Humano na relação com a Biosfera;
  7. Aceitação da agressividade pessoal como reação aos desentendimentos;

A existência destes factos seria menos preocupante se entre os Líderes mundiais e os fenómenos globalizantes existisse uma sintonia de consciência, com atuações concertadas para uma resolução significativa destes pontos problemáticos.

A meu ver, não são os pontos discordantes que produzem o Pandemonium, mas a carência gritante de Valores Humanos entre as classes dominantes (Políticas; Financeiras; Científicas; Religiosas) de muitos Países do mundo, que acaba por se repercutir nos respetivos Povos. Acrescente-se a esta realidade, uma outra carência gritante em Educação de excelência e temos a ‘caldeira em ebulição desgovernada’ (aumento da entropia do sistema) e o Pandemonium em crescendo.

Mas existe uma realidade muito pouco desenvolvida em Nós – o nosso INTERSER. Para o efeito recomendo uma leitura atenta deste texto, da minha querida companheira Angela Alem, “Interser” (https://angelaalem.wordpress.com/2017/01/28/interser/). “Podemos dizer que cada um de nós não é simplesmente “Um SER”, e sim um “INTERSER”. INTERSER porque cada um de nós É, como SER ÚNICO. E ao SERMOS, o TODO está contido no UM. E o UM está contido no TODO!

Assim…, Eu Sou; e Você É.

Você É; portanto, Eu Sou.” – Angela Alem

Os fenómenos são conhecidos, assim como algumas das ‘fórmulas’ de estabilização dinâmica das Sociedades, mas o GRANDE PROBLEMA está na FALTA DE VONTADE para as implementar. Essa falta de vontade está ancorada nas elites dos Países e nos interesses económico-financeiros que representam, culminando no medo pela perda do PODER. Ou seja, é um círculo vicioso! Deste ponto, à ‘construção’ de uma guerra vai um intervalo muito curto, apenas requerendo uma faísca emocional propagada à velocidade da internet.

As Revoluções continuam a fazer sentido, porque nelas existe uma vontade contrária, com estratégia e conhecimento dos factos a eliminar, mas se o resultado for a perpetuação do status quo deste mundo globalizado não servem para nada e acabam por se diluir nesta ‘sopa’ mundial. Ou seja, estamos desfocados da verdadeira necessidade de globalização.

A guerrilha e o terrorismo é que não fazem sentido nenhum, nem conduzem a nada de bom. Apenas servem bem o Pandemonium e não ajudam a construir o Humanismo nem a consolidar os Valores Humanos. Isto porque as Sociedades não aprenderam a desconstruir o terrorismo nem a guerrilha. Pelo contrário têm tendência para as aumentar. O ódio, o radicalismo, a intolerância, a ignorância e os desequilíbrios emocionais só podem ser desconstruídos pela Educação de excelência e pela aplicação permanente de Valores Humanos em Sociedade. “Enquanto praticamente todos os adultos na Europa (98%) e língua inglesa da América do Norte (99%) têm pelo menos alguma educação, quatro-em-dez no Oriente Médio e norte da África (41%) e na África subsaariana (41%) não completaram nem um ano de escola primária” – David Masci (http://www.pewresearch.org/fact-tank/2017/01/11/about-one-fifth-of-adults-globally-have-no-formal-schooling/) (*). Ah! Mas isso custa muito dinheiro para compor! Então introduzem-se simulacros destes dois grandes pilares Educacionais (Educação de excelência + Valores Humanos em Sociedade), para calar algumas vozes dissonantes, para que pensem que resolveram O PROBLEMA. Apenas adiaram uma parte do problema, provavelmente, criando outras componentes ainda maiores e mais complexas desse problema.

E o mundo anda assim! Desgovernado em direção ao Pandemonium global!

Os Políticos e Financeiros vão reagindo aos impulsos e vão construindo ‘mantas de retalhos’ julgando que são soluções para os problemas, mas não são mais do que ilusões paradigmáticas e não O PARADIGMA SOLUÇÃO. Vão tapando os vários buracos com uma argamassa qualquer e o resultado é uma ‘estrada’ muito desconfortável para se viajar para o Futuro da Humanidade.

A população mundial cresce exponencialmente e com ela aumenta a presença de sociopatas e psicopatas. Estas duas aberrações humanistas funcionam como ‘buracos negros’ das Sociedades, destruindo TUDO em ritmo exponencial. Por outro lado, os recursos escasseiam, os bens de primeira necessidade não são suficientes, e os ‘famintos’ de tudo aumentam exponencialmente. Resultado final – ESTÁ O PANDEMONIUM GLOBAL INSTALADO.

Resta-nos a ESPERANÇA e uma RESILIÊNCIA HUMANISTA focada em Valores Humanos e na proliferação do Valor Humano. Sem estes grandes Cavaleiros do Futuro estaremos sempre em domínios do Pandemonium.

Que contribuição, o meu caro Leitor está disposto a dar? Para que dimensão pretende ir?

A sua reflexão seguida de uma ação concertada de Valor Humano são a solução para TODOS OS NOSSOS PROBLEMAS. Só assim nos afastamos significativamente do Pandemonium!

Alfredo Sá Almeida                                                                                   31 de Janeiro de 2017

Nota (+): Significado de Pandemonium – Capital imaginária dos Infernos. / Reunião de indivíduos para a prática do mal ou promoção de desordens. / Fig. Assembleia tumultuosa. / Lugar onde reina a confusão e onde ninguém se entende; balbúrdia.

Pandemonium tem origem inglesa, através do radical grego pan, que significa “todo”, + o termo grego daímon, que significa “demónio”, que é um neologismo criado pelo poeta inglês Mílton (1608-1674), no seu “O Paraíso Perdido” (Shangri-lá), para designar o palácio de Satã. É também o designativo para a capital imaginária do Inferno. O mesmo que tumulto, balbúrdia, confusão. (http://www.dicionarioinformal.com.br/pandem%C3%B4nio/)

O Positivismo Otimista tem Valor Humano?

Educação Humana

Ser um Positivista Otimista convicto, nos dias de hoje, é um empreendimento árduo em constante sobressalto que requer uma boa preparação mental, uma inteligência holística estruturada, conhecimentos científicos sólidos, uma Consciência Coletiva e uma resiliência dignas de nota. Para defender e fazer valer o seu ponto de vista, uma Pessoa com estas características, necessita ainda de uma capacidade de argumentação notável, para não deixar dúvidas sobre os ‘caminhos’ traçados com importância para o Homem.

Vamos primeiro esclarecer (de modo simples) o que se entende por Positivismo, e, por Otimismo, para depois focarmos a dimensão do Positivista Otimista. Assim:

– “Positivismo é uma corrente de pensamento filosófico, sociológico e político que surgiu em meados do século XIX na França. A principal ideia do positivismo era a de que o conhecimento científico devia ser reconhecido como o único conhecimento verdadeiro.

O principal idealizador do movimento positivista foi o pensador francês Auguste Comte (1798-1857), ganhando destaque internacional entre metade do século XIX e começo do XX. Segundo o positivismo, as superstições, religiões e demais ensinos teológicos devem ser ignorados, pois não colaboram para o desenvolvimento da humanidade.” – (http://www.significados.com.br/positivismo/)

“Assim, o positivismo associa uma interpretação das ciências e uma classificação do conhecimento a uma ética humana radical, desenvolvida na segunda fase da carreira de Comte. O positivismo defende a ideia de que o conhecimento científico é a única forma de conhecimento verdadeiro. De acordo com os positivistas somente pode-se afirmar que uma teoria é correta se ela foi comprovada através de métodos científicos válidos. Os positivistas não consideram os conhecimentos ligados as crenças, superstição ou qualquer outro que não possa ser comprovado cientificamente. Para eles, o progresso da humanidade depende exclusivamente dos avanços científicos.” – (https://pt.wikipedia.org/wiki/Positivismo)

“A ideia do pensamento positivista foi centralizada em sete termos e significados, de acordo com Comte: real, útil, certo, preciso, relativo, orgânico e simpático.” – (http://www.significados.com.br/positivismo/)

Já o Otimismo é uma atitude e um comportamento positivo perante a vida. Assim:

– “Pessoa que se revela confiante, esperançosa e positiva. É o indivíduo que é partidário do otimismo, e otimismo é a disposição que as pessoas desenvolvem para apreciar todas as coisas pelo lado bom.

Otimista é aquela pessoa que acredita que tudo vai dar certo, que nada é considerado impossível. Ser otimista é ter atitudes seguras, em face aos problemas humanos e sociais, e considerá-los passíveis de uma solução positiva.

O indivíduo otimista se mostra sempre esperançoso, vê sempre as dificuldades pelo lado mais favorável.” – (http://www.significados.com.br/otimista/)

Uma curiosidade importante sobre o comportamento Otimista: “A Universidade de Yale realizou um estudo de 29 anos sobre a atividade otimista e concluiu que o fator mais importante para a saúde era a felicidade. Mais até que níveis de colesterol, pressão sanguínea, fumar ou obesidade. Diminuindo o risco de morrer por derrame ou desenvolver doenças do coração. O estudo também descobriu que com atitudes OTIMISTAS vive-se em média 7 anos e meio a mais.” – André Aguiar (http://www.andreaguiarpersonal.com.br/index.php/2015/09/07/otimismo/)

Penso que já nos encontramos minimamente preparados para falar sobre uma personalidade Positivista Otimista. Mas primeiro vou recorrer às palavras de César Romão, um Escritor-Palestrante especialista em Gestão de Pessoas, que em 2013 escreveu no seu blog um texto muito interessante, intitulado “Pessoa positiva ou otimista” (http://escritorcesarromao.blogspot.pt/2013/06/pessoa-positiva-ou-otimista.html)

Afirma este Autor: “Otimismo não é somente uma emoção que retrata positivismo. A maioria das pessoas é positivista e não otimista. Pessoas otimistas são aquelas que possuem e pesquisam o maior número de informações possíveis sobre um determinado assunto que requer decisão para ser colocado em prática ou vivenciado. Positivistas só acreditam que dará certo, otimistas fazem dar certo.

Otimismo é uma escolha. Você pode decidir entre sofrer por algo que poderia ter vencido ou viver por algo que acredita que vale o sacrifício. Otimismo é uma competência que pode ser desenvolvida com uma metodologia de crescer nas avaliações que faz sobre a vida e seus desafios.

Pessoas otimistas transformam esforço em resultado, não ficam esperando a vida decidir por elas, elas decidem por si. Todo problema é grande pela razão de ainda sermos pequenos para resolvê-lo. As pessoas precisam acreditar que é importante saber mais sobre as coisas que devemos enfrentar na vida, só assim podemos superá-las.

Positivismo atrapalha muito, cria falsas esperanças, faz parecer que tudo vai se resolver num passe de mágica e quando não acontece à pessoa procura um culpado. Devemos estudar mais sobre nossos desafios, sobre as competências que precisam ser desenvolvidas para superá-los, assim como quais os tipos de pessoas que podem realmente nos ajudar.”

Este texto leva-nos a reconhecer que devemos estruturar-nos para uma integração destes dois ‘pilares’ na mesma Pessoa (Positivismo Otimista) para estarmos melhor preparados para enfrentar tanto pessimismo e derrotismo do mundo atual. Sobretudo, no que diz respeito ao Futuro do Homem e à nossa capacidade para ultrapassar e vencer desafios, que nos permitam a construção de um novo Paradigma.

Aqui chegados, resta-me desafiar o meu caro Leitor a fazer um exercício mental que corresponde à questão que coloquei em título: “O Positivismo Otimista tem Valor Humano?”

A meu ver, existe uma forte probabilidade de uma Pessoa Positivista Otimista contribuir decisivamente para um maior Valor Humano. Mas não considero que seja assim tão linear esta resposta.

Sem me tornar pessimista, vou explicar o que quero dizer, com um grau significativo de realismo.

A realidade atual e o estado de degradação de Vida a que o Homem conseguiu arrastar os outros Homens, assim como TODA a Biosfera, leva-me a pensar que é necessário bem mais do que uma multitude de espíritos Positivistas Otimistas para se construir um novo Paradigma de Valor Humano Global, tal como o venho defendendo (*).

Torna-se imperiosa a necessidade de coordenação e conjugação de esforços, imbuídos de uma Consciência Coletiva e um foco claro no Futuro do Homem, com respeito pela Liberdade, Dignidade e Justiça Social, num ambiente sustentável e Humanamente sustentado. Deste modo, a construção do Valor Humano será baseada numa Educação de excelência para TODOS, e, na ausência da interferência ‘maligna’ do dinheiro.

O Positivismo Otimista não se deve apropriar da criatividade Humana para distorcer o foco dos objetivos primordiais do Valor Humano. Infelizmente, temos assistido a uma criatividade financeira, recheada de Positivistas Otimistas, com uns requintes maquiavélicos tais, que me levam a colocar em causa os seus ‘bons’ desígnios desta atividade Global.

A intervenção do Leitor nestas questões e o ‘despertar’ de consciências é fundamental para ações bem-sucedidas na construção deste novo Paradigma.

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(*) Recomendo ao meu caro Leitor consultar outros textos meus (neste Blog) que dizem diretamente respeito ao Valor Humano e à mudança de Paradigma que venho defendendo. Assim:

Alfredo Sá Almeida                                                                                                      23 de Abril de 2016

Uma Sociedade mergulhada em banalidades

Banalidades2

Vivemos dias difíceis, de crise de tudo. Falta de emprego, de dinheiro, de criatividade, de dinâmica cultural e de Valores Humanos.

A Sociedade das banalidades está instituída e próspera. Atravessa a Cultura de uma ponta à outra, as ideias e a política, a comunicação (dita) social, o dia-a-dia dos Cidadãos. Até a violência se tornou banal e em crescendo.

As relações Humanas que poderiam e deveriam ser de estímulo a uma dinâmica criativa transformaram-se em divertimentos alienantes e sem Valor. Os jovens vivem focados nos tempos livres desprovidos de um sentido de futuro, praticando excessos e assumindo riscos para a vida, sem que daí resulte uma lição para a sua vida. Os espetáculos ‘Alive’, patrocinados por grandes empresas corporativas, estão na ordem do dia e com enchentes históricas. De certo modo não é de admirar, dadas as características do Ensino, das ações de marketing massivas e das condições profissionais (quando existem) em que nos encontramos mergulhados.

Em 2008 declarou-se uma das maiores crises financeiras da nossa história. Passaram-se oito anos e não mudou nada. Os paraísos fiscais continuam a existir, os ricos ficaram mais ricos, a evasão fiscal aumenta, os pobres ficaram mais pobres porque contribuíram fortemente para pagar a crise e o sistema financeiro continua igual a si mesmo sem mudanças previsíveis. Será que as desigualdades sociais se instalaram de vez?

Apesar de vivermos tempos conturbados, este ‘mar’ diário continua chão. Este é um Paradoxo real. Tantas matérias importantes, urgentes, essenciais, fundamentais para terem uma resolução inteligente e com perspetivas de Futuro e este mundo Global discute trivialidades, futebol, telenovelas, ‘reality shows’, a vida dos vizinhos, os crimes dos outros, etc. Deste modo como pretendemos melhorar significativamente o Valor Humano de uma Sociedade?

São necessários novos desígnios abrangentes, nacionais, mundiais, globais que congreguem as Pessoas. Líderes esclarecidos que motivem e incentivem as ‘massas’ com propostas credíveis e confiáveis, com visão de Futuro. Faz falta uma mudança de Paradigma onde a grande maioria das Pessoas se revejam, e, onde sejam colocadas à prova as nossas Consciência e Inteligência Coletivas. Mas não acontece nada! A não ser atentados terroristas, acidentes coletivos graves, ambientais e telúricos, que nos ajudam a afundar no medo e no terror, perdendo ainda mais a nossa criatividade social. Tornámo-nos Espectadores/Comentadores viciados nos acontecimentos dos outros, não Atores/Interventores de uma realidade que queremos para NÓS TODOS como espécie.

No verão deste ano vamos assistir a uma ‘barrigada’ de Desporto, com Jogos Olímpicos e Campeonato Europeu de Futebol. Todo o mundo vai vibrar, exaltar-se e defender as suas cores. E no final, o quê? NADA!

O meu querido Leitor de certeza que já meditou muitas vezes sobre estes aspetos. Com certeza está mais preocupado em aumentar o seu Valor Humano. Mas já pensou em tornar-se um agente ativo de mudança? Já admitiu em tornar-se um ‘não consumidor de banalidades’? É isso mesmo, não consumir aquilo que pretendem que consumamos em grande escala. Pois a nossa ‘Grande Escala’ são os temas e os assuntos globais mais importantes, urgentes, essenciais e fundamentais para a nossa Sociedade Global. São a melhoria das condições sociais, da igualdade de oportunidades, de uma Educação de excelência para TODOS, de uma Política de Justiça Social sustentável e bem estruturada, do nosso Futuro como Seres Humanos.

Nós também nos sabemos divertir e assumir riscos, só não colocamos a nossa vida em risco.

Tanto dinheiro mal gasto em banalidades, com tanto Serviço Social que poderia ser apoiado por entidades privadas, com Consciência e Valor Humano! Tantas carências que poderiam ser aliviadas coletivamente a baixo custo! Tanto apoio social que apenas é prestado em ondas de solidariedade, mas que poderia ter um caráter contínuo!

Vamos contribuir decisivamente para mudar esta Sociedade Global, aumentar o Valor Humano e transformarmo-nos em Seres Humanos de Valor!

Banalidades1

Alfredo Sá Almeida                                                                                         2 de Abril de 2016

A saúde mental é essencial numa sociedade de Valor Humano!

Saúde Mental

O tema da saúde mental do Ser Humano é demasiado importante para a Sociedade Global, sobretudo para uma Sociedade de Valor Humano.

Esta parcela importante da saúde do Homem deve ser objeto de melhorias significativas no Futuro, sob pena de comprometermos seriamente aquilo a que chamamos de Civilização.

Nas últimas décadas temos assistido a um preocupante aumento dos distúrbios mentais, facto que levou a Organização Mundial de Saúde (OMSWHO) a estudar profundamente este assunto e a emitir recomendações para os Países membros, sobre este problema de saúde pública.

De acordo com a OMS:

  • A saúde mental é parte integrante da Saúde; na realidade não existe saúde sem saúde mental.
  • A saúde mental é mais do que a ausência de distúrbios mentais.
  • A saúde mental é determinada por fatores socioeconómicos, biológicos e ambientais.
  • Existem estratégias intersectoriais e intervenções de saúde pública rentáveis que visam promover, proteger e restaurar a saúde mental.

 

“A saúde mental é um estado de bem-estar em que um indivíduo percebe que as suas próprias habilidades podem lidar com as tensões normais da vida, que lhe permitem trabalhar produtivamente e ser capaz de fazer uma contribuição positiva para a sua comunidade.

Saúde mental e bem-estar são fundamentais para o nosso coletivo e capacidade individual como seres humanos para pensar, emocionar-se, interagir uns com os outros, ganhar a vida e aproveitar a vida. Nesta base, a promoção, proteção e restauração da saúde mental pode ser considerada como uma preocupação fundamental de indivíduos, comunidades e sociedades em todo o mundo.”WHO ‘Fact sheet’ N°220 atualizada em Agosto de 2014.

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Pois bem, caros Leitores, a realidade diz-nos que a Sociedade atual é uma Sociedade doente sem tendências para melhorar. Senão vejamos o que se está a verificar:

  • Aumento significativo de casos de depressão;
  • Aumento significativo do stress;
  • Aumento significativo da Síndrome de Burnout;
  • Aumento significativo de consumo de álcool, drogas e substâncias ansiolíticas e antidepressivas;

Ainda, de acordo com a OMS (WHO ‘Fact sheet’ N°369 Outubro de 2015):

  • A depressão é um transtorno mental comum. Globalmente, estima-se que 350 milhões de pessoas de todas as idades sofrem de depressão [Embora sejam conhecidos, os tratamentos eficazes para a depressão, menos de metade das pessoas afetadas no mundo (em muitos países, menos de 10%) recebem tais tratamentos].
  • A depressão é a principal causa de incapacidade em todo o mundo, e é um dos principais contribuintes para a carga global da doença.
  • Mais mulheres são afetadas pela depressão do que os homens.
  • Na pior das hipóteses, a depressão pode levar ao suicídio (Mais de 800 000 pessoas morrem devido a suicídio a cada ano. O suicídio é a segunda principal causa de morte entre os jovens de 15-29 anos de idade).
  • Existem tratamentos eficazes para a depressão.

 

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Tendo em linha de conta todas as vertentes da saúde mental, vou apenas abordar superficialmente os casos de stress e da Síndrome de Burnout para não os ‘massacrar’ demasiado.

O que é a síndrome de Burnout? Como ela se diferencia do stress?

Síndrome de Burnout é um distúrbio psíquico de caráter depressivo, precedido de esgotamento físico e mental intenso, definido pelo psicanalista Herbert J. Freudenberger como “(…) um estado de esgotamento físico e mental cuja causa está intimamente ligada à vida profissional” (Wikipédia). “Burnout é um estado de sofrimento que acomete o trabalhador quando este sente que já não consegue fazer frente aos fatores de stress presentes no seu cotidiano de trabalho. Diferentemente do stress, que se caracteriza pela luta do organismo no sentido de recobrar o equilíbrio físico e mental, a síndrome de Burnout compreende a desistência dessa luta. Por isso se diz que Burnout é a síndrome da desistência simbólica, pois embora não se ausente fisicamente do seu trabalho, o profissional não consegue envolver-se emocionalmente com o que faz.” (http://portaldoprofessor.mec.gov.br/conteudoJornal.html?idConteudo=38)

Esta Síndrome afeta essencialmente (em todo o mundo) uma percentagem significativa dos profissionais da Saúde (Médicos e Enfermeiros), da Educação (Professores), profissionais financeiros e alunos de todos os graus de ensino (sobretudo ensino superior).

Confesso que quando consultei as estatísticas, nos USA (http://activepause.com/stress/statistics.htm), relativos a um estudo da American Psychological Association (2007), sobre a ansiedade, o stress e a Burnout, me assustei com a dimensão do problema.

“Olhando para as taxas de prevalência ao longo da vida, para qualquer transtorno mental (incluindo distúrbios pelo consumo de substâncias químicas), a taxa de prevalência na vida é um número surpreendente de 57,4 por cento. Isso é mais do que qualquer um em cada dois americanos. Se você acha que a doença mental não vai ter impacto na sua vida, você está redondamente enganado. Se ela não o afetar, ela vai afetar alguém que você ama ou que está perto de você.” in “Mental Health Statistics” by John M. Grohol, Psy. D. (2010) (http://psychcentral.com/blog/archives/2010/05/03/mental-health-statistics/)

Observando esta calamidade pública não podia estar mais de acordo com o antropólogo Alain Bertho quando afirma: “Sejamos claros: um mundo acabou, não há como voltar atrás”. Segundo este autor, ‘o século XXI abandonou o futuro em nome da gestão do risco e do medo, indiferente à ira das gerações mais jovens’. (http://cartamaior.com.br/?%2FEditoria%2FInternacional%2F-Sejamos-claros-um-mundo-acabou-nao-ha-como-voltar-atras-%2F6%2F35299)

Não é de admirar que uma indignação profunda tome conta de nós.

  • Como é possível que os Líderes e Dirigentes desta Sociedade continuem a manter os mesmos procedimentos, atitudes e comportamentos que causam estes problemas de saúde mental?
  • Como é possível Pessoas inteligentes exigirem aos seus semelhantes esforços mentais para os quais não estão preparados?
  • Que Educação estamos a facultar às nossas crianças e jovens, não lhes permitindo que aumentem as suas resistências e resiliência a estes fenómenos, não os preparando para as batalhas do dia-a-dia em Sociedade? Sobretudo não os imbuindo de Valores Humanos?
  • Será que consideramos que a lei da selva (lei do mais forte) é a mais adequada para a Sociedade dos Humanos? Se assim for, como nos vamos distinguir dos animais selvagens no Futuro?

POR ESTE CAMINHO NÃO! BASTA!

Em várias ocasiões tive oportunidade de escrever o meu sentimento sobre a Sociedade atual:

Sinto que o caminho que estou a desbravar, ao desenvolver o tema do Valor Humano, é o mais correto. Na nossa Sociedade atual estamos a lidar com interesses obscuros, indiferenças doentias, prioridades tortuosas e sem Valor e negligências de toda a espécie, que estão a acabar com o pouco Valor Humano existente no mundo. Os Valores Humanos estão a perder-se em Sociedade por negligência pura de Líderes e Dirigentes Políticos, Financeiros e Religiosos, causando danos irreversíveis que necessitarão de gerações e massa crítica de Seres Humanos conscientes e lutadores, para serem corrigidos.

Não me limito a constatar os problemas, apresento soluções para a Sociedade Global, baseadas no Valor Humano, nos mais de 30 textos que tenho escrito. Reconheço que este é um trabalho Coletivo que tem de envolver muitos Cidadãos de boa vontade e uma Consciência Coletiva de dimensão Humana. Se não nos envolvermos nas verdadeiras mudanças de paradigma da Sociedade não vale a pena queixarmo-nos. Temos de ser ativos, inteligentes, focados no objetivo do Valor Humano e no Ser Humano integral, caso contrário a Sociedade continuará o seu caminho de degradação em degradação até deixarmos de ter expressão Humana.

Seremos menos que robots, porque esses terão uma Inteligência Artificial e nós seremos doentes mentais e frustrados pela incapacidade de mudança e de afirmação dos nossos Valores.

Não admira que o consumo de substâncias ansiolíticas e de antidepressivos tenha vindo a sofrer aumentos constantes. (http://observador.pt/2015/04/21/depressao-antidepressivos-vs-poder-da-mente/) “O elevado consumo de antidepressivos tem sido referido pelas autoridades de saúde em Portugal e não é um problema novo. Em comparação com outros países europeus, Portugal apresenta o maior consumo de ansiolíticos, sedativos e hipnóticos (96 DHD – Dose Diária Definida por 1000 habitantes), muito superior à Dinamarca (31 DHD), Noruega (62 DHD) e Itália (53 DHD), de acordo com o estudo apresentado no final do ano passado “Portugal – Saúde Mental em Números 2014”.

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Meus caros Leitores houve momentos muito críticos na História do Homem que os nossos antepassados souberam ultrapassar e, com mais ou menos erros, consolidar algumas mudanças que nos têm permitido ancorar a nossa esperança num Futuro melhor.

Neste momento da História do Ser Humano estamos a necessitar de uma mudança de Paradigma da Sociedade Global, que no meu entendimento e estudo que tenho efetuado, deverá ser baseada no Valor Humano.

Estamos necessitados de Pessoas com Consciência e Inteligência Coletivas, imbuídas de Valores Humanos e capazes de LUTAR inteligentemente por uma causa justa e com Futuro.

Não se deixe abater nem desfocar da questão essencial: O Valor Humano.

O Futuro da Humanidade está em perigo!

Saibamos honrar o que de melhor o Homem foi capaz de construir nesta VIDA. Recusemos conscientemente de participar em realidades fictícias e que nos degradam a saúde. Lutemos, com todas as forças do nosso SER, por uma EDUCAÇÃO de excelência para TODOS, baseada em Valores Humanos universais.

Recomendo uma leitura atenta de uma entrevista, realizada pelo Jornal El País (7 de Fevereiro de 2016), ao Jornalista Americano de investigação Robert Whitaker. O título do artigo “La psiquiatría está en crisis” demonstra bem que este tema da saúde mental está na ordem do dia, como um dos mais importantes e que exige esclarecimentos urgentes. (http://elpais.com/elpais/2016/02/05/ciencia/1454701470_718224.html).

Alfredo Sá Almeida                                                                                     12 de Fevereiro de 2016