Será possível erradicar a maldade e o ódio no Homem?

Maldade - Seneca

Muito provavelmente não será possível eliminar a maldade e o ódio da mente do Homem. Mas estou seguro que será possível reduzir significativamente e atenuar estas duas características de antivalores. Para tal temos de melhorar e expandir o processo educativo (revisto e renovado), para TODOS, desde muito cedo. Educar para uma Cidadania de responsabilidade em liberdade, onde os Valores Humanos serão transmitidos maioritariamente pelo exemplo.

Este tema foi muito bem abordado na Revista DN Life de 21 de Outubro de 2018 pela Jornalista Ana Pago, num texto intitulado “Somos todos pessoas más? A Ciência diz que sim”. (https://life.dn.pt/comportamento/maldadesomostodospessoasmascienciadizquesim/).

Pois bem, o que os conhecimentos científicos da atualidade (Psicologia Forense, Neuropsicologia, Psiquiatria, Neurologia) nos transmitem é um cenário pouco animador, mas está longe de nos permitir baixar os braços e perder a esperança de uma melhoria significativa nesta matéria.

Assim, convém reter que a maldade:

  1. “É um traço da natureza humana observado até em pessoas consideradas boas e decentes. A maldade é-nos intrínseca”Hernâni Carvalho (Psicologia Forense);
  2. “… só cinco por cento da população em geral tem uma moral irrepreensível – contra a maioria das pessoas normais que vão oscilando entre atos egoístas (antissociais) e altruístas.”Ricardo de Oliveira-Souza (Neurologista);
  3. “Virtualmente, cada indivíduo encerra em si o potencial para a bondade e a maldade, que se manifestam em diferentes proporções dependendo da índole (em grande parte hereditária), do ambiente em que é criado e das circunstâncias e contexto, variáveis de momento a momento, … para quem a capacidade de refletir sobre os efeitos do mal que fazemos é um atributo tipicamente humano.”Ricardo de Oliveira-Souza (Neurologista);
  4. “A maioria de nós tem na cabeça uma espécie de detetor que difunde julgamentos morais a tempo inteiro.” – Ricardo de Oliveira-Souza (Neurologista);
  5. “Em contraste, cerca de três por cento da população são indivíduos cuja personalidade se caracteriza por comportamentos antissociais desde a infância ou adolescência, a maior parte dos quais tem o diagnóstico formal de sociopatia. Destes, apenas uma parcela de cerca de um por cento da população mundial recebe o diagnóstico adicional de psicopatia, que além de antissocial não sente remorsos, vergonha, culpa do que faz ou compaixão pelo sofrimento dos outros.”Ricardo de Oliveira-Souza (Neurologista);
  6. “Óbvio que nem só a genética, as condições sociais, lesões cerebrais, lares desfeitos, perturbações de personalidade, abusos na infância, consumo de drogas, maus-tratos físicos e psicológicos ou rejeição familiar determinam estes atos antissociais: o cocktail explosivo que é a maldade faz-se de vários fatores conjugados.”Vítor Cotovio (Psiquiatra).

Perante estas evidências, verificamos que podemos melhorar significativamente a vida de 92% da população em geral, com uma formação em Valores Humanos, ‘desenhada’ consoante os grupos da Sociedade, e, uma Educação de qualidade em Valores Humanos para todas as crianças e jovens até à idade adulta. Formar e Educar para uma Cidadania de Valor. E ainda, que todos os dirigentes Políticos, Económicos, Sociais, Financeiros, Religiosos, Militares, Policiais, Judiciais, etc. atuem com muita responsabilidade e deem o exemplo, para consolidar as melhorias.

Convém lembrarmo-nos das sábias palavras de Nelson Mandela:

Ódio - Nelson Mandela

Porque não estamos a ‘caminhar’ neste sentido? Pura e simplesmente por negligência e desleixo sobranceiro dos nossos dirigentes e indiferença do Povo!

Ódio - Buda 1

Todos nós sabemos a importância fundamental e essencial de uma boa Educação, mas continuamos a olhar para o lado e assobiar, como se nada fosse connosco.

Maldade - Einstein

Jorge Luís Borges transmite-nos bem o segredo – “Parece-me fácil viver sem ódio, coisa que nunca senti, mas viver sem amor acho impossível”.

Vou continuar a batalhar no tema que tenho desenvolvido, desde há mais de seis anos a esta parte, os Valores Humanos na Educação formal Escolar e a Valorização do Ser Humano.

Esta ‘batalha’ nunca fez tanto sentido como nos dias de hoje, onde tanta maldade e ódio se encontra disseminada por esse mundo fora. Para que nunca mais se verifique o que um Pedro escreveu no seu diário “… e por não conseguir ver a maldade no mundo, eu a sentia na pele”.

Que a Sociedade, por natureza, deixe de corromper os Homens que nascem bons. E aqueles que não tiverem essa sorte possam ser educados e acompanhados para não contribuírem para avolumar a maldade deste mundo. Mas, sobretudo, que os Valores Humanos prevaleçam como uma causa estruturante da Humanidade.

Bondade - Jean-Jacques Rousseau

Alfredo Sá Almeida                                                                   2 de Novembro de 2018

Anúncios

Poderemos erradicar a pobreza, para sempre?

Conversa/debate sobre o tema em título, entre o meu amigo Joaquim Serra e eu próprio, sobre um post no Facebook.

Se os meus Leitores se sentirem ‘atraídos’ pelo debate, comentem neste Blogue sobre este tema. Muito Grato a todos pela vossa disponibilidade.

Erradicar a pobreza(https://www.facebook.com/TheEconomist/videos/10156060919354060/)

Joaquim Serra – (Autor do post) Introdução postada: “Vale a pena uma reflexão profunda.

Vale a pena um exercício de Prospectiva, pelo menos para refletir sobre o “tipo de mundo” em que seria desejável de vivermos.

A Pobreza é o maior estigma social que caracteriza o nosso mundo, a sua maior causa decorre do Género de Vida que instituímos e estruturámos.

Reflecte a Mentalidade miserável que lhe está subjacente.

Uma mentalidade errónea, enviesada, distorcida, civicamente deficiente, da qual fizemos a Cultura que modela a nossa Civilização.

Ainda acha que o problema é o Dinheiro?

Se acha que o problema é o dinheiro, é porque anda muito distraído, abstraído pelo dinheiro, alienado da realidade da vida.

(Já “escorregou” para dentro daquele buraquinho, ou buracão, depende do tamanho do Ego, que existe no meio do abdómen. Onde o horizonte mais distante que se vê é o próprio fundo. Às vezes nem se consegue ver nada, é escuro demais, tal é a profundidade do fundo.)”

Alfredo Sá Almeida – “O grande problema é a falta sistemática de Educação, caro amigo Joaquim Serra.

Sem ELA estes grandes problemas da Humanidade não poderão ser resolvidos. Todos os outros Serviços Sociais de suporte (Saúde, Justiça e Valores Humanos) serão cada vez mais indispensáveis e bem estruturados. O Dinheiro tem muita dificuldade de aceitar esta maneira de resolver os problemas, por ser muito caro e não favorecer a economia.

A Vida do Homem continua a não poder depender da Economia para resolver os seus problemas (muito menos do mundo financeiro).

Se somos Inteligentes (em todas as vertentes) então utilizemos essa inteligência para desfazer a ‘teia’ em que nos envolveram para selecionar os ‘melhores’. Como se os problemas se resolvessem por seleção. Os problemas resolvem-se com empenho, dedicação e um foco essencial na Humanidade das atitudes e comportamentos dos Cidadãos.

A meu ver o Dinheiro é parte do problema. Sem Valor nada se resolverá.”

Joaquim Serra“Caro amigo Alfredo Sá Almeida, a Vida do Homem numa grande dimensão é a Economia.

O problema não é a Economia, mas sim a Política Económica sob a qual se estrutura e se institucionaliza toda a atividade humana. São os VALORES subjacentes a essa política que determinam os resultados que obtemos e são traduzidos na realidade em que vivemos.

O dinheiro é um meio, que sistematizámos para facilitar a vida. Nada mais que isso.

O problema não é de origem económica ou financeira, como se pretende fazer crer.

O PROBLEMA é de origem filosófica, e profundamente relacionado com a MORAL e a ÉTICA, ou seja, o conjunto de valores, a axiologia em que baseamos o nosso género de vida. É com esses valores que temos estado a modelar a EDUCAÇÃO e a fazer CULTURA.

Temos andado a EDUCAR MAL. Muito mal mesmo!

E quanto mais educarmos nessa base, mais enredados ficaremos nessa teia.

O envolvimento (processo) em que somos metidos, e ao qual somos submetidos, aquele que mais nos condiciona, sobretudo mentalmente, é a educação.

Essa é que é a determinante, lógica, óbvia.

É um facto!

Somos muito inteligentes, sem dúvida alguma, mas de uma maneira geral somos exageradamente emocionais e pouco racionais, e isso atrapalha os nossos senso crítico e analítico quando nos confrontamos com problemas e temos que os resolver de forma ponderada e lúcida para que a solução seja integral, pois uma meia solução não é a melhor solução.

A educação, e nesse aspecto a ESCOLA(s), tem desempenhado um papel social e culturalmente preponderante, salvo raras exceções, desde o infantário até à universidade, têm servido mais à promoção da ADERÊNCIA a um ideário, e de OBEDIÊNCIA a esse ideário, do que propriamente à formação de seres humanos livres, autónomos, com senso crítico e analítico, capazes de utilizar todo o seu potencial racional e emocional em benefício da HUMANIDADE e de si próprios.

A escola que criámos tem tido mais o propósito de justificar o género de vida que adoptamos, e que não é humanamente satisfatório, do que o de mudança para um género de vida melhor em termos de justiça social, justiça económica, justiça cultural.
Alguns dos VALORES com que temos sido educados não nos servem, não prestam serviço algum à humanidade e ao indivíduo.

Alguns dos VALORES sobre os quais estruturamos as nossas instituições têm como único propósito perpetuar a injustiça social, a injustiça económica, e a injustiça cultural em benefício de uma minoria.

É preciso erradicar esses valores, e só os podemos erradicar não sendo solidários com eles, não os respeitando, não os tolerando, não os aceitando, e nem sequer os permitindo, mais, devem ser condenados.

A escola deveria habilitar o indivíduo a SABER SANCIONAR. A saber distinguir aquilo que merece aprovação, daquilo que merece condenação, tanto nele próprio como nos outros.

Não vejo esse exercício cívico e moral nas escolas, excepto uma ou outra, perdidas no obscurantismo promovido pela ignorância intencional institucional.

Pelo contrário, vejo muitas escolas, para regozijo de alguns analfabetos morais, deficientes cívicos, a “ensinarem” às crianças que, “Devemos ser solidários”… “Devemos ser tolerantes”… “Devemos obedecer”… “Devemos respeitar”… “Devemos amar”… Apenas porque sim! Sem lhes explicarem os conceitos, e sem lhes apresentarem quaisquer critérios, e sem lhes exemplificarem as causas e consequência. Partem do princípio que as crianças não são inteligentes nem capazes de avaliar a realidade. As crianças são tão só ignorantes, e o que se faz é explorar e manipular essa ignorância! Isso apenas confunde, não só as crianças, mas também muitos adultos.

É abjeto, é criminoso!

Até penso que a maior parte, se não todas, das depressões nervosas são causadas por esse método de “ensinar”, que imbeciliza mais do que cultiva, e gera multidões de gente amorfa, apenas motivada pelos instintos mais básicos, ao sabor das emoções mais disparatadas, incapazes de se relacionarem umas com as outras, e incapazes de se relacionarem com realidades abstratas e transcendentais, como o dinheiro, Deus, matemática, etc. etc.

Gente Bem-educada é perigosa!”

Alfredo Sá Almeida – “Caro amigo Joaquim Serra, em parte estou de acordo com a sua perspetiva, aquela em que refere e defende os Valores e critica a má Educação que tem sido ministrada.

Sobre o Dinheiro, o grande problema é que ele não é um meio, “que sistematizámos para facilitar a vida”, tornou-se um fim em si uma ‘religião’ fanática que aprisiona todos os que nela se cultivam. Acaba se sobrepondo a TODOS os outros Valores que de melhor o Homem possui. Subverte-os, distorce-os, sufoca-os, pressiona-os, domina-os, etc.
O Homem terá muita dificuldade em domar o dinheiro, porque ele é o objeto da corrupção.

A Liberdade que devemos possuir interiormente e de atitudes e comportamentos, acaba por descambar para o lado mais fácil e de poucos Valores – o Dinheiro. Teremos sempre a tendência de reduzir tudo à mínima expressão o dinheiro, para facilitar TUDO.
Os Valores são o elemento complicador e complexo da vida (na ótica do dinheiro). As Pessoas querem uma vida fácil e fluida onde a Liberdade domina a perversão dos Valores.”

Joaquim Serra“Alfredo Sá Almeida, não é na ótica do Dinheiro que os valores são complexos e complicadores. Nesse âmbito há de facto muita complexidade e complicação, quando esses valores não são conceituados, explicados, para que possam ser compreendidos e apreendidos, mas acima de tudo validados.

A maioria de nós não aprendemos a relacionarmo-nos com coisas abstratas. Trocamos os fins pelos meios. Procuramos atalhos. Tentamos suprimir da “equação” tudo o que não compreendemos.

Faltam-nos os critérios que nos habilitariam e legitimariam a sancionar os outros e a nós próprios. Aliás, sancionar, julgar, passou a ser um exercício condenável, e portanto não se faz validação de princípios e valores, nem tampouco se reflecte sobre essa dimensão. “Compra-se”, consome-se, baseado em emoção, numa relação binária de gosto x desgosto, favorece-me x não me favorece, só, e no imediato. Passou a ser este o único critério para qualquer decisão.

Sob o lema irreflectido do “Errar é humano” tornámo-nos, ou quisemos tornar-nos inimputáveis, fomos permissivos a esse nível.
Não é a Liberdade que domina a perversão dos valores, mas sim a libertinagem, não é a atitude moral que produz maus valores, mas sim o moralismo, não é o capital que corrompe, mas sim o capitalismo, não há mal em termos consciência social e comunitária, mas produz-se muita injustiça através do comunismo, contrariamente à intenção e aquilo que defendem os seus aderentes e simpatizantes.

Nas escolas, e na educação que ministramos, não se está a ensinar a fazer essas distinções.

A educação perdeu significado e sentido. Em Portugal, e em muitos outros países desenvolvidos, a evasão escolar é alarmante, contudo não se discute nem se reflecte sobre a causa dessa situação. E é notável a quantidade de mentecaptos que saem das escolas e universidades, e o pior de tudo, é que estamos a deixar que esses mentecaptos nos governem, isto é, que sejam eles a fazer as políticas sociais e económicas, e a administrar a justiça.

Não foi o dinheiro que gerou essa situação. Foi a falta de uma EDUCAÇÃO de qualidade, falha de valores e falha de critérios para se estabelecer uma axiologia digna de seres humanos.

Por isso é que as pessoas se subordinam tão facilmente às ideologias, às idolatrias, às modas, às mentalidades de massa, até conseguem subordinar-se ao dinheiro.

Hoje em dia, no nosso mundo, há todo o tipo de prostituição: Prostituição sexual, mental, intelectual, ideológica, religiosa, empresarial, laboral, sindical, estatal, privada, nacional…

O problema não está no dinheiro, está no tipo de gente que andamos a “formar”: Prostitutos.

Fazem qualquer coisa por conveniência imediata, até por dinheiro, que custa menos a carregar e não se vê a origem, o que dá um jeito enorme para manter as aparências.”

Alfredo Sá Almeida – “Joaquim Serra estou a gostar desta nossa conversa/debate.

Tem razão naquilo que defende. Eu também defendo o mesmo – uma Educação de Qualidade para TODOS. Tenho muitas dúvidas (mas muitas mesmo), com os mecanismos, procedimentos, incentivos, etc. que foram criados pelo Dinheiro e para o Dinheiro, se alguma vez o Homem (a continuar o mundo do Dinheiro como está!) conseguirá secundarizá-lo do modo como o meu amigo o secundariza.

A minha esperança maior é que o Homem relegue o dinheiro à sua ínfima expressão e priorize o Valor Humano em TODOS os momentos da dinâmica da Vida.”

Joaquim Serra“Alfredo Sá Almeida num exercício de prospectiva, inspirados pela “utopia” de um mundo melhor, poderemos resgatar valores que valham a pena, custe o que custar.

Tenho a certeza que não precisaremos de relegar o dinheiro a uma ínfima expressão, afinal, por trás do símbolo, e adjacente à sua função monetária, económica e financeira, poderão estar valores que merecem ser demonstrados e o dinheiro servirá de instrumento (prestará esse serviço, como meio próprio da sua função) para viabilizá-los, de forma rápida, segura, confortável.

Poderemos também, e deveremos fazê-lo, destapar o que está por trás de muito do dinheiro que circula por aí. Nessa altura teremos que estar aptos e habilitados, seguros, conscientes, para realizar tantas sanções quanto necessário, algumas de aprovação, de reconhecimento e exaltação, outras de condenação que irão requerer punição, pena e castigo.

Temos que ter coragem para fazer esse exercício muito difícil, até porque muitos de nós se apavoram só de imaginar aquilo que se descubra quando se destapar.

Quando se destapar, a certeza que eu tenho é que iremos ter que lidar com coisas muito desagradáveis, é como abrir a Caixa de Pandora, que passarão a fazer parte da nossa realidade, e esta será modificada radical e rapidamente.

Ainda não se fez porque preferimos contornar os problemas, mesmo que isso exija iludirmo-nos, ainda não estamos preparados para esse confronto com o real que todavia parece cada vez mais inevitável.

Quanto mais se esperar, mais profundo será o choque.”

Alfredo Sá Almeida – “Joaquim Serra parece-me uma excelente tática para ‘destapar a panela’ e retirar muita da pressão que existe sobre este tema. Quem sabe obteríamos muitas boas surpresas de Pessoas, mediática e eticamente relevantes, que ajudariam a mudar decisivamente as regras do jogo.”

Alekh Lisboa“Se a pobreza não fizesse tantos ricos já tinha acabado!”

 24 de Fevereiro de 2018

Uma Sociedade de Valor Humano acaba com a solidão!

Solidão3

Em Novembro de 2012 escrevi um texto intitulado “A Solidão e o Futuro”, publicado no meu primeiro livro “O Homem e o Futuro – o percurso, o ritmo”. Nele ajudo a desbravar os caminhos do Futuro onde a Solidão deve estar ausente. Finalizo o texto afirmando:

“Convém lembrar que o Futuro que procuramos é o da Paz, Dignidade, Liberdade e Independência de todos os Seres Humanos com respeito e solidariedade, para não nos desfocarmos do sentido desejado.

Assim sendo, muito provavelmente, é no conteúdo da palavra solidariedade (e na sua prática) que o Homem mais facilmente se afastará da Solidão no Futuro.
O próprio conhecimento em si é um fenómeno de partilha, enquanto a sabedoria é intrínseca a quem partilha. Esta é mais uma razão pela qual neste caminho de Futuro não existe solidão nem solitários. Todos estaremos acompanhados por aqueles que não pretendem esquecer-se de nós.” – Alfredo Sá Almeida.

Mais recentemente, este tema tem sido objeto de muita notícia: “Quando a solidão é um problema tão grave que justifica um Ministério” – 28 de Janeiro de 2018 –

(http://visao.sapo.pt/actualidade/mundo/2018-01-28-Quando-a-solidao-e-um-problema-tao-grave-que-justifica-um-Ministerio).

Não porque, entretanto, os líderes mundiais e governamentais tenham encontrado as soluções para os problemas ‘gritantes’ e crescentes da solidão em que um significativo número de Seres Humanos se encontram! Mas porque no Reino Unido os problemas desta natureza atingiram uma escala preocupante. “A verdade é que não se trata de um problema singular. Afeta pessoas de todas as idades, com e sem deficiência, recém-mamãs, refugiados, quem tem família chegada e quem não tem, e não tem uma solução simples. O meu desafio é o de criar e coordenar uma estratégia que cruze o Governo, empresas, instituições de caridade e muitos outros parceiros para durar uma geração”, explicou Crouch, no seu perfil de Facebook, recordando ainda o empenho desenvolvido pela trabalhista Jo Cox. Cox foi uma das principais impulsionadoras dos estudos da solidão nos últimos anos e criara mesmo uma comissão dedicada ao assunto, antes de ser assassinada em 2016.
Um primeiro relatório dessa comissão aventa que nove milhões de adultos estão frequentemente, ou sempre, solitários e que 3,6 milhões de pessoas com pelo menos 65 anos vêm na televisão a principal forma de companhia. A estratégia final vai ser publicada durante este ano.” É neste contexto que nasce a necessidade de criação do referido Ministério da Solidão, segundo a notícia que mencionei.

Pois bem, temo que o caminho que começa a ser trilhado para o Futuro próximo não seja o mais adequado para os graves problemas da Solidão dos Seres Humanos em Sociedade. Isto deve-se ao facto da Sociedade atual estar enferma de muitos outros problemas, igualmente graves, e que acabam por contribuir para o fenómeno triste da Solidão.
Um desses problemas é a ausência crescente de uma prática corrente de Valores Humanos em Sociedade. Estes têm sido objeto de inúmeros textos que tenho escrito neste Blogue, que vêm justificando o desenvolvimento de uma Sociedade de Valor Humano, como um novo Paradigma para a Sociedade Futura.

A ausência, que menciono frequentemente, é a da Educação em Valores Humanos na Escola Pública, em complemento com a Educação em Valores Humanos no seio Familiar. Mas, também, a carente e praticamente ausente prática diária dos Valores Humanos, no relacionamento em Sociedade.

Temos de reconhecer que sem esta prática e essa Educação (Escolar e Familiar), as soluções que surgirem apenas vão atenuar sem resolver o problema de fundo.

Em 2012 eu mencionava os Valores da “…Paz, Dignidade, Liberdade e Independência de todos os Seres Humanos com respeito e solidariedade…” que continuam a ser os fulcrais para a solução definitiva deste problema. Estes Valores Humanos aprendem-se numa Educação bem orientada e devem ser praticados frequentemente!

Os meus caros Leitores consideram que os Valores que referi são respeitados e praticados por uma grande maioria dos Seres Humanos deste Planeta?

Alfredo Sá Almeida                                                                             28 de Janeiro de 2018

Antivalores gratuitos!

O mundo dos Valores Humanos está a necessitar de uma revitalização em todas as frentes. Na Educação Escolar estes são esquecidos com muita frequência. Já na Educação Familiar, apesar de presentes, não estão efetivos num número muito significativo de Famílias. Significa que não havendo uma prática corrente destes Valores, as características fundamentais dos Seres Humanos vão-se perdendo no tempo.

Por outro lado, os Antivalores, esses são gratuitos! Aqueles que os praticam nem necessitam de ter um motivo para os executar. Pode parecer um contrassenso, mas a permissividade e a ausência generalizada de Valores Humanos acaba por não contribuir para a valorização do Ser Humano.

Que a prática de Valores Humano seja gratuita, é perfeitamente admissível. Aliás eles são por natureza desinteressados e espontâneos na sua aplicação em Sociedade. Já quem pratica Antivalores o faz a coberto de uma Liberdade distorcida, por um sentido profundamente egoísta e sem causa ou motivo. Pratica-os porque lhe apetece e porque encontra no outro uma justificação injustificável para o executar. Por que sim! Pronto!

Em questões de ‘mercado’ costuma dizer-se que “Não há almoços grátis”. No mundo financeiro e no mundo do crime organizado tudo se paga! Muitas vezes com a própria vida. Desde que seja para ganhar posição de poder, tudo está justificado. Neste caso os Antivalores praticados não são grátis, porque são resultado de uma meticulosa distorção da Educação. Tudo tem um preço!

Agora, naquelas atividades ‘criminosas (*)’ diárias e sem organização, resultantes da ausência de Valores Humanos e de uma Educação cuidada, os Antivalores praticados são gratuitos (e muitas vezes irracionais).

Sejam gratuitos ou com um custo determinado, o mundo dos Antivalores parece estar a ganhar ao mundo dos Valores Humanos. A continuar assim, temo que o Homem acabe por perder as suas características Humanas.

A Justiça e a Educação formal Escolar estão a necessitar de melhorias significativas de qualidade e cidadania.


Nota (*): Chamo de atividades ‘criminosas aquelas que estão desenraizadas do bem-comum e do interesse social com Valor e que não obedecem a uma cultura de cidadania.

Alfredo Sá Almeida                                                                         27 de Janeiro de 2018

A ausência de Valores Humanos impede a Paz

Paz2

A Paz é, simultaneamente, um Valor Humano Individual e Coletivo. A Paz interior não deve estar dissociada da Paz no relacionamento em Sociedade, sob pena de desregular a boa harmonia social.

“Quando a paz diz respeito ao plano individual, em geral, faz referência a um estado interior despojado de sentimentos negativos como o ódio ou a fúria. Por sujeito em paz entende-se qualquer pessoa que esteja tranquila (ou de bem) consigo mesma e, por conseguinte, com os outros.” (https://conceito.de/paz)
“A nível político e para o direito internacional, a paz é a situação e relação mútua vivida por aqueles que não estejam em clima de guerra. Trata-se, nestes casos, de uma paz social, onde são mantidas boas relações entre comunidades de indivíduos.” (https://conceito.de/paz)

Vivemos num mundo global extremamente competitivo, agressivo, stressante, dominado pelo dinheiro, de compromissos inadiáveis, ausente de Valores Humanos, etc. Num ambiente desta natureza é inevitável um extremar de posições. Estes são os elementos fulcrais para a radicalização de posições e a busca de soluções pela força. A razão, a boa harmonia, a concórdia, a paciência e a quietude de ânimo acabam por se desvanecer.

Nem sempre, a ausência de Paz conduz à Guerra, mas conduz com maior probabilidade a um ambiente de guerrilha permanente. Este será bem mais desgastante e muito nocivo para uma Paz duradoura.

“O mundo está em guerra porque perdeu a paz” – Papa Francisco.
“Quando falo de guerra, falo de uma guerra de interesses, de dinheiro, de recursos, mas não de religiões. Todas as religiões querem a paz, são os outros que querem a guerra” – Papa Francisco.

Exemplos sobre a afirmativa do Papa Francisco existem muitos. Menciono apenas um (muito recente):
“ONU critica os cortes propostos pelo presidente Trump” (25 DE MAIO DE 2017)
(https://www.dn.pt/mundo/interior/proposta-orcamental-dos-eua-impede-manutencao-de-paz-pela-onu—porta-voz-de-guterres-8505330.html)
“Os cortes apresentados na proposta orçamental do presidente dos EUA para a Organização das Nações Unidas (ONU) vão impossibilitar as respetivas operações de manutenção de paz, alertou um porta-voz do secretário-geral, António Guterres.

O porta-voz Stéphane Dujarric, cujas declarações estão divulgadas em vários órgãos de comunicação internacionais, disse que “os números apresentados vão simplesmente impossibilitar a continuação do trabalho essencial da ONU relativo a promover a paz, o desenvolvimento, os direitos humanos e a assistência humanitária”.

O correspondente da BBC na ONU, Nick Bryant, realçou que este aviso da ONU é invulgarmente rude.”

Recordo aqui um excerto do Livro de Moacir Gadotti “Pedagogia da Terra” (Editora Peirópolis) sobre os equívocos nos processos que conduzem à Paz.

Sentido da Paz - Moacir Gadotti

Quantas vezes já ouviram afirmar “O melhor tempo para investir, é agora!”

No entanto, quando me perguntam sobre a implementação de uma Sociedade de Valor Humano, eu direi “O melhor tempo para a implementar, é sempre!”

Perante as questões anteriormente levantadas, podemos verificar que os Valores Humanos são essenciais para uma consolidação e sustentabilidade da Paz. Senão, vejamos os significados de Paz in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa (https://www.priberam.pt/dlpo/paz)

1. Quietação de ânimo.
2. Sossego, tranquilidade.
3. Ausência de guerra, de dissensões.
4. Boa harmonia.
5. Concórdia, reconciliação.
6. Paciência.

Estes são seguramente bons argumentos para uma Educação em Valores Humanos.

“Não sei por que as pessoas têm dividido o mundo inteiro em dois grupos, Ocidente e Oriente. A educação não é nem oriental nem ocidental. A educação é a educação e é o direito de cada ser humano”. – Malala Yousufzai.

Eu completo esta afirmativa de Malala Yousufzai. Os Valores Humanos são Universais, como tal não faz sentido dizer que uma Educação em Valores Humanos só será bem-sucedida no Ocidente.

A melhor Paz é aquela que vem de dentro, que se difunde naturalmente pela Sociedade e que é construída pelo Valor Humano, sem imposições de Governos ou das Instituições. “Só ‘desarmando’ o interior do Ser Humano, pela Educação em Valores Humanos, se atingirá uma Paz duradoura” – Angela Alem.

Alfredo Sá Almeida                                                                                      20 de Janeiro de 2018

Nascer com sorte!

nascer-com-sorte

Todos nós quando nascemos não temos consciência da vida, de nós próprios nem do mundo que nos rodeia. Somos seres virgens, no verdadeiro sentido da palavra, com uma determinada probabilidade de aprendizagem que nos é conferida (numa fase inicial) pela genética.

A nossa sorte começa por ser determinada pelo local onde nascemos, que acrescenta uma probabilidade (maior ou menor) de nascermos saudáveis:

infant_mortality_rate_world_map

Ao longo da vida vamos desenvolvendo capacidades várias que nos dão acesso a uma consciência, a inteligências diversas e a um sentir do mundo, com maior ou menor profundidade, que nos dará, ou não, uma dimensão espiritual. Uma coisa é certa, seremos Seres únicos, resultado do nosso próprio desenvolvimento pessoal e do ambiente envolvente que nos calhou em sorte. Aqui a genética já tem pouca influência.

Outra coisa que se considera certa nessa sorte tem a ver com o acesso a uma Educação. Agora as variáveis começam a complicar-se, pois estão dependentes da região do Planeta onde nascemos.

world_literacy_map_unhd_2007_2008

O facto de sermos todos diferentes (em todos os aspetos), cada um de nós com um Valor Humano próprio, isto não deve justificar as desigualdades de Qualidade de Vida existentes entre Seres Humanos.

A nossa sorte ainda agora está no início e muitos Seres Humanos já ficaram prejudicados à nascença.

Por um lado, há regiões do mundo onde a probabilidade de nascer é maior que outras:

mapa-taxa-de-natalidade-no-mundo

Por outro lado, devido às desigualdades fictícias criadas pelos Homens e pela falta de uma Governança e de uma Educação de Qualidade, existe uma maior probabilidade de nascermos Pobres e com poucos recursos existenciais.

Mas mesmo assim, nada nos impede de adquirirmos Valor Humano digno de nota. No entanto, as probabilidades não são favoráveis a esse desígnio.

mapa-mundo-populacao-abaixo-da-linha-de-pobreza-por-pais

Mas a nossa sorte não acaba aqui, ela ainda tem um elemento complicador que tem de ser considerado e que se prende com a esperança de vida. Se é certo que poderemos desafiar todas as probabilidades contrárias ao nosso desenvolvimento como Seres Humanos de Valor, a probabilidade de tempo de vida ajudará a desenvolvermo-nos ainda mais se esta for mais extensa. Aqui o ditado ‘Aprender até morrer’ faz todo o sentido.

mapa-expectativa-de-vida-no-mundo

Perante estas realidades, podemos verificar que a nossa Vida não está facilitada à partida e acaba deitando por terra o Artigo 1º da Declaração dos Direitos Humanos – “Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade.”

O mais grave de tudo isto é que a quantidade de informação que está disponível sobre os Seres Humanos no Mundo Global, apesar de ser ENORME, não ajudou muito a melhorar as condições de vida dos mais carenciados, nem contribuiu para melhorar as tomadas de decisão dos Líderes de muitos Países.

Segundo os dados mais recentes, oriundos do relatório Global Wealth Report (2015) o número de Pessoas pobres aumentou significativamente neste últimos anos. Agravando-se também na América Latina, segundo dados da Comissão Económica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) (2014) – ”A extrema pobreza, ou indigência, aumentou de 11,3% em 2012 para 12% da população na América Latina e do Caribe em 2014, revelou nesta segunda-feira a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) em Santiago, no Chile. (http://odia.ig.com.br/noticia/mundoeciencia/2015-01-26/indice-de-extrema-pobreza-registra-aumento-na-america-latina.html)

“O ano de 2010 foi também aquele no qual o banco Credit Suisse publicou o seu primeiro Global Wealth Report (Relatório da Riqueza Global). …

Cinco anos depois, o relatório de 2015, publicado em 13 de outubro, mostra que a concentração de renda mundial alcançou níveis tão críticos quanto o do mundo industrializado antes da Primeira Guerra Mundial. Apesar do relativo otimismo de 2010, a metade mais pobre dos 4,8 bilhões de adultos ficou ainda mais depauperada: agora possui menos de 1% da riqueza planetária estimada em 250,1 trilhões de dólares, enquanto o décimo mais alto controla quase 90% (87,7%, para ser exato) e o centésimo no topo, exatos 50%. A riqueza média líquida subiu para 52,4 mil, um aumento nominal de 19,6% que se reduz a 9,3% se descontados 9,5% de inflação do dólar nos Estados Unidos em cinco anos, mas os níveis de corte passaram para 3,21 mil (27% mais baixo em termos reais), 68,8 mil (13% mais baixo) e 759,9 mil (18% mais alto), respetivamente.” (http://www.cartacapital.com.br/revista/873/no-mundo-de-os-miseraveis-5584.html)

No entanto, a ONU mantém-se otimista “ONU diz que 800 milhões de pessoas ainda sofrem com fome e pobreza” – (http://g1.globo.com/mundo/noticia/2015/07/onu-diz-que-800-milhoes-de-pessoas-ainda-sofrem-com-fome-e-pobreza.html)

“O número de pessoas que vivem na pobreza extrema, com menos de US$ 1,25 por dia, diminuiu mais da metade – de 1,9 bilhão (em 1990) para 836 milhões -, afirmou a ONU em um relatório (2015) que analisou oito objetivos de desenvolvimento estabelecidos na Declaração do Milênio em 2000.

“Depois de avanços profundos e consistentes, agora sabemos que a pobreza extrema pode ser erradicada dentro de mais uma geração”, afirmou o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, em comunicado.”

“Os líderes mundiais devem adotar uma série de novos objetivos de desenvolvimento – conhecidos como metas de desenvolvimento sustentável – em uma cúpula da ONU em Setembro. As novas metas almejam erradicar a pobreza extrema até 2030.”

Se pretendemos aumentar significativamente as probabilidades de ‘sorte’ daqueles que nascem neste Planeta, o Mundo Global necessita urgentemente de:

  1. Ações concretas de erradicação da pobreza;
  2. Líderes de qualidade que estejam focados na resolução dos problemas das Populações;
  3. Melhoria significativa da qualidade da Educação pública, abrangendo cada vez mais crianças e jovens;
  4. Melhoria significativa da qualidade de vida e formação especializada dos Professores;
  5. Assumir definitivamente, na Educação, os Valores Humanos como elementos estruturantes do Ser Humano;
  6. Mudanças significativas no mundo financeiro;
  7. Diminuição significativa dos níveis de agressividade humana e do uso de armas.

A ‘sorte’ não pode transformar-se num ‘destino’ inalterado para os mais desfavorecidos, deve representar um desafio motivador e competente, para quem possui as capacidades de intervenção, organização e decisão nos ‘destinos’ daqueles que não possuem voz ativa nesta Sociedade Global.

Desafio os meus Leitores a realizarem um exercício de imaginação profunda sobre a realidade do Mundo Global em que se cumpram dois importantes desígnios:

  1. A Declaração Universal dos Direitos Humanos passou a ser cumprida EFETIVAMENTE por todos os Países da ONU.
  2. Todas as estruturas educacionais no Mundo passaram a transmitir os Valores Humanos universais.

TODOS nós podemos melhorar o Mundo Global, basta ter a vontade de uma Consciência Coletiva e estarmos focados num Futuro Coletivo melhor.

Alfredo Sá Almeida                                                                    20 de Outubro de 2016

Educação em Valores Humanos

projeto-valores-logomarca

A Educação em Valores Humanos é uma matéria que requer constância nos propósitos e equilíbrio dinâmico na transmissão desses Valores. É muito mais que a simples transmissão de uma mensagem. É sobretudo o enraizamento de exemplos de valor acrescentado.

Um dos grandes problemas destas últimas décadas está relacionado com a negligência educativa em Valores Humanos. Admitiram que esses Valores se ‘propagavam por geração espontânea’. Na falta de exemplos concretos de Valor e orientação continuada, não se verificam progressos significativos. Na realidade a Sociedade só possuirá essa capacidade se for uma Sociedade estruturada como de Valor Humano, de outro modo acabará desvirtuando a dinâmica do processo educativo.

Quando os Líderes, os Dirigentes, os Pais, os Educadores e a Escola se demitem do processo educativo de Valores Humanos, só podemos esperar uma degradação da Sociedade. Uma Economia de Mercado e um Sistema Financeiro Internacional, tal como estão a vigorar neste mundo global, possuem uma maior capacidade ‘trituradora’ do Ser Humano do que de promoção da sua valorização.

Tal como mencionei no meu texto ‘A Dinâmica entre Valores e Direitos Humanos’“De acordo com a Unesco, para passar de uma geração a outra (25 anos), uma língua precisa ser falada por pelo menos 100 mil nativos. Pois bem, o mesmo se pode aplicar à passagem do testemunho de Valores Humanos, seja pela teoria ou pela prática continuada. Caso não o façamos esses Valores acabam por perder-se.”

Uma pergunta fulcral se impõe sobre esta dinâmica – ‘Que percentagem da população de um determinado País pratica livre, consciente e continuadamente os Valores Humanos em Sociedade?’

Não basta que um mínimo da Sociedade conviva naturalmente sob os Valores Humanos, é necessário que seja uma maioria significativa. Caso contrário a Sociedade não terá ‘massa crítica’ suficiente para uma dinâmica virtuosa em Valores Humanos.

“Só faz sentido apelidarmo-nos de Seres Humanos se integrarmos os Valores respetivos, caso contrário seremos elementos vivos da Biosfera sem o consequente caráter.” – Alfredo Sá Almeida

Alfredo Sá Almeida                                                                                    5 de Outubro de 2016