A importância da Cidadania Global

 

De acordo com o relatório da ONU-Habitat (https://news.un.org/pt/story/2016/05/1551541-dois-tercos-da-populacao-mundial-devem-viver-em-cidades-ate-2030) em 2030 dois terços da população mundial viverá em Cidades e Megacidades.

Se tivermos em linha de conta que em 2050 haverá cerca de 10 biliões de habitantes, neste nosso planeta, em que mais de 70% viverão em Cidades e Megacidades (https://www.unric.org/pt/actualidade/31537-relatorio-da-onu-mostra-populacao-mundial-cada-vez-mais-urbanizada-mais-de-metade-vive-em-zonas-urbanizadas-ao-que-se-podem-juntar-25-mil-milhoes-em-2050), facilmente compreenderão a necessidade imperiosa de uma Educação em Valores Humanos e em Cidadania Global.

A questão fulcral, segundo os especialistas, prende-se com o facto de “a urbanização fornecer a maior oportunidade para alcance dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável” (https://news.un.org/pt/story/2016/05/1551541-dois-tercos-da-populacao-mundial-devem-viver-em-cidades-ate-2030).

Assim sendo, os Valores Humanos – Cidadania, Solidariedade, Empatia, Altruísmo, Civismo, Educação Humanista, Ética, etc. – são e serão fundamentais para um bom relacionamento em Sociedade.

Por outro lado, como os problemas de vivência e gestão nas Cidades e Megacidades, ao redor do mundo, serão muito semelhantes (independentemente da raça, cultura, religião, condição económica, etc. dos seus habitantes), cada vez fará mais sentido que os Cidadãos possuam uma formação em Cidadania Global para facilmente identificarem e encontrarem soluções para os problemas emergentes.

Em 2030, segundo as Nações Unidas (United Nations’ World Urbanization Prospects – 2014), este será o top 10 das Megacidades (284,4 milhões de habitantes = 3,3% da População Mundial [8,6 Biliões de Pessoas]) (https://www.weforum.org/agenda/2017/06/these-will-be-the-worlds-10-biggest-cities-in-2030) e (http://agenciabrasil.ebc.com.br/internacional/noticia/2017-06/onu-diz-que-populacao-mundial-chegara-86-bilhoes-de-pessoas-em-2030):

• 10. Mexico City, Mexico: 23,9 milhões de pessoas
• 9. Lagos, Nigeria: 24,2 milhões de pessoas
• 8. Cairo, Egypt: 24,5 milhões de pessoas
• 7. Karachi, Pakistan: 24,8 milhões de pessoas
• 6. Dhaka, Bangladesh: 27,4 milhões de pessoas
• 5. Beijing, China: 27,7 milhões de pessoas
• 4. Mumbai, India: 27,8 milhões de pessoas
• 3. Shanghai, China: 30,8 milhões de pessoas
• 2. Delhi, India: 36,1 milhões de pessoas
• 1. Tokyo, Japan: 37,2 milhões de pessoas

O Mundo requer Pessoas conscientes, individual e coletivamente, capazes de contribuir para um melhor relacionamento em Sociedade, mas também para uma Cidadania ativa e positiva. A Inteligência Coletiva tornar-se-á essencial para construir um Futuro Coletivo e a Sustentabilidade da Biosfera (https://saalmeida.wordpress.com/2017/11/16/inteligencia-e-consciencia-de-futuro-coletivo/). A compreensão e resolução dos problemas globais e da sustentabilidade da Biosfera estão dependentes da Cidadania Global e de uma criatividade social sustentável.

Penso que estas previsões realistas que transmiti, sendo factos, dão corpo aos argumentos que defendo, onde a “Educação deverá ser obrigatória para todas as crianças e jovens até aos 20 anos de idade, onde a sua formação deverá estar alicerçada nos Valores Humanos e em conhecimentos nucleares fundamentais sobre o Homem, a Sociedade e a Biosfera. Todas as matérias de conhecimento serão transmitidas de forma a mostrar aos aprendizes que tudo nesta vida está interligado, integrado, onde o Homem tem a responsabilidade de promover e praticar uma sustentabilidade de Vida em equilíbrio com a Biosfera.” (https://saalmeida.wordpress.com/2015/04/16/caracteristicas-de-uma-sociedade-baseada-no-valor-humano/)

Alfredo Sá Almeida                                                                                        9 de Maio de 2018

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O Homem está a perder a razão em relação ao Ser Humano

Homem absurdo

Sob o ponto de vista filosófico Homem e Ser Humano não possuem a mesma identidade. Normalmente o termo Homem está mais associado à antropologia filosófica. “O que temos claro, todavia, é que nem sempre as concepções de ordem antropológico filosóficas estão em consonância com os próprios princípios bioéticos, bem como com as normas vigentes na ordem jurídica.” – Emerson Silva Barbosa.

Ainda, recorrendo ao excelente artigo de Emerson Silva Barbosa, intitulado “O conceito de homem, pessoa e ser humano sob as perspetivas da Antropologia Filosófica e do Direito” (http://www.ambito-juridico.com.br/site/index.php?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=9837) publicado no Portal “Âmbito Jurídico” sob o tema Biodireito, podemos encontrar matéria muito interessante referente a Ser Humano.

“Conforme Singer (2000), Fletcher compilou uma lista daquilo a que chamou indicadores de humanidade, em que incluiu o seguinte:

a) Autoconsciência
b) Autodomínio
c) Sentido do futuro
d) Sentido do passado
e) Capacidade de se relacionar com outros
f) Preocupação pelos outros
g) Comunicação
h) Curiosidade

Dos indicadores apontados, destaca Singer que os elementos mais importantes seriam a racionalidade e a autoconsciência, conforme se extrai do conceito de Locke (Singer, 2000). E é nesta acepção que afirma deva ser compreendido o conceito de pessoa.”

Ainda de acordo com Singer (2000):

É este o sentido do termo que temos em mente quando elogiamos alguém dizendo que ‘é muito humano’ ou que tem ‘qualidades verdadeiramente humanas’. Quando dizemos tal coisa não estamos, é claro, a referir-nos ao facto de a pessoa pertencer à espécie Homo sapiens que, como facto biológico, raramente é posto em dúvida; estamos a querer dizer que os seres humanos possuem tipicamente certas qualidades e que a pessoa em causa as possui em elevado grau.” (http://www.ambito-juridico.com.br/site/index.php?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=9837)

A meu ver – assumo o risco de atribuição de identidade – Homem é um Ser Humano sem Alma e sem os Valores que caracterizam a Humanidade.

É neste contexto que surge o tema deste texto. Considero que o Homem se está a tornar um absurdo (‘que é contrário ao bom senso e racionalidade’) relativamente ao Ser Humano. A ausência crescente de Valores Humanos são a causa desse absurdo.
Assistimos com demasiada frequência a muitas irracionalidades do Homem por falta de uma Educação em Valores Humanos e de princípios orientadores que lhe dariam a dimensão de Ser Humano.

Infelizmente os exemplos são tantos e tão tristes nos campos da Educação, da Política, da Justiça, da Economia, das Finanças e de muitas outras áreas do saber, que estou seguro que os meus Leitores se lembrarão de casos concretos sobre o que estou a escrever. Temo que, na sua evolução, o Homem se transforme numa aberração da Natureza, tal é a descaracterização Humana que vem demonstrando.

A questão que me preocupa bastante é que não se está a fazer o suficiente para valorizar o Ser Humano e inibir o crescendo de atitudes e comportamentos irracionais e emocionalmente deploráveis, que o Homem provoca à Sociedade.

Todos nós sabemos que o equilíbrio dinâmico entre as Inteligências Racional e Emocional são um fator importante de harmonia em Sociedade. No entanto, temos assistido passivamente a fenómenos de corrupção, agressão, terrorismo, injustiça, ofensa, mentira descarada, etc.. Esta passividade está a minar os caminhos pacíficos da construção de um novo Paradigma Global, que se desdobrará em novos Paradigmas interdependentes e coerentes com o desenvolvimento Humano na nossa Biosfera.

A recente manifestação nos Estados Unidos a favor do controlo eficaz das armas e contra o livre acesso a armas de guerra, é um exemplo do absurdo que a política norte americana está a produzir na sociedade.

Outro exemplo aberrante é o caso da Justiça Brasileira, que julgou e condenou, em primeira e segunda instância o ex-presidente, e que corre o risco do Supremo Tribunal Federal, politizando o assunto, ‘produzir’ a libertação de um condenado.

Estes são dois casos entre muitos, por esse mundo fora, que acabam ‘destruindo’ o Ser Humano e o Futuro da Humanidade.

Problema dos Valores

Alfredo Sá Almeida                                                                                     25 de Março de 2018

A importância do Bem Comum numa sociedade de Valor Humano

Neste tema que tenho desenvolvido, ao longo dos últimos três anos, sobre o Valor Humano, tenho destacado a importância que o Bem Comum tem no desenvolvimento da Humanidade. É um conceito integrado e resultante da Inteligência e Consciência Coletivas dos Seres Humanos, que muito lentamente se está a desenvolver na Sociedade Global.

Para que fique bem claro: Bem comum é uma expressão que possui conceitos em muitas áreas do conhecimento humano, mas que se assemelham entre si. De um modo geral, define os benefícios que podem ser compartilhados por várias pessoas, pertencentes a um determinado grupo ou comunidade.
O bem comum na filosofia está relacionado com o ideal de progresso que todas as sociedades e nações do mundo devem alcançar: a igualdade social e económica, onde todos possam ter melhores condições de vida.
Assim como na ideia filosófica, que aliás é usada como base para empregar o conceito em outros ramos do conhecimento, o bem comum é definido a partir dos interesses públicos, ou seja, tudo que seja pertinente ao usufruto ou que beneficie uma sociedade como um todo.
De acordo com o “Princípio Ético do Bem Comum”, as leis devem ser feitas para um estado coletivo, e não individual.” (https://www.significados.com.br/bem-comum/)

Apesar de não haver estudos sobre as dimensões reais do espírito coletivo e do espírito individual em Sociedade, verifico infelizmente que o espírito individual e o individualismo dominam as atitudes e comportamentos em Sociedade. Isso deve-se, sobretudo, à Educação ministrada (nas Escolas e no seio da Família) e às práticas Empresariais e Governamentais nos Países.

Ora a predominância dessas práticas individualistas em nome do ‘bem comum’ acabam por estar desenraizadas do verdadeiro espírito deste conceito. Por outro lado, a ausência de ensinamentos específicos sobre esta matéria, conduz à confusão generalizada que esse individualismo é a única forma de interpretar o bem comum.

A verdade é que o bem comum tem muito pouco de interpretativo e muito de Consciência Coletiva específica de valorização do Ser Humano. É uma prática constante, de Pessoas de boa vontade, que consideram que os benefícios compartilhados possuem uma dimensão bem maior que os benefícios individuais.

O que assistimos frequentemente nas práticas, Pessoais, Empresariais e Governamentais, da Sociedade atual são iniciativas que visam o lucro e não o bem comum. Por este facto continua a existir muita desigualdade e muita segregação, que contribuem para o afastamento do conceito do bem comum.

O conceito de Democracia, apesar de muito difundido globalmente (mas mal aplicado), acaba por desequilibrar a balança do bem comum para o lado do individualismo.

O Homem não tem sabido desenvolver a Democracia no sentido participativo e do verdadeiro espírito da Consciência Coletiva. O extremar de posições entre forças políticas Liberais e Comunistas tem conduzido as Sociedades a falsas soluções governamentais e a um desvirtuamento do bem comum.

Enquanto não nos libertarmos desses extremismos políticos egocentristas e não assumirmos que o nosso Futuro Coletivo possui uma passagem muito estreita para a sustentabilidade e a felicidade coletivas, será muito difícil construirmos uma Sociedade de Bem Comum e de Valor Humano.

Será que só pela força nos libertaremos dos extremos? Parece contraditório, porque o uso da força normalmente não conduz a nada de bom. Mas seremos nós, Seres Humanos, capazes de inteligentemente definirmos de modo coletivo o caminho que nos conduz ao bem comum?

Para nosso BEM é melhor que consigamos um entendimento dinâmico que nos conduza a esse caminho. Mas para isso temos de possuir a sabedoria de ‘afastar’ os elementos prejudiciais ao bem comum, sem extremismos mas com determinação inteligente. A Democracia também serve para esses desígnios!

Olhemos para a realidade do mundo atual, sobre todos os pontos de vista – Social, Económico, Educacional, Judicial, etc. – e construamos em conjunto as soluções, com base nos melhores conhecimentos e nas melhores práticas da Sociedade, sem permitirmos que grupos minoritários de bloqueio, ‘minem’ a nossa vontade e a nossa determinação de chegarmos ao nosso Futuro Coletivo.

A vontade Humana, liberta do individualismo desequilibrado e desfocado do bem comum, deverá ter a sabedoria para construir esse caminho.

A vontade coletiva do Bem Comum ajudará a construir uma Sociedade de Valor Humano.

Nota: Recomendo a leitura do Relatório da UNESCO “Repensar a Educação – Rumo a um bem comum global?” (2016)

(http://unesdoc.unesco.org/images/0024/002446/244670POR.pdf)

Alfredo Sá Almeida                                                                                 7 de Fevereiro de 2018

O dinheiro não acrescenta Valor ao Homem!

Dinheiro no lixo

A meu ver, só os Valores Humanos acrescentam Valor ao Homem coadjuvados pelas Inteligências (Racional, Emocional, Social e Espiritual) e pelo Conhecimento. Se a estes importantes fatores adicionarmos o respeito pela Biosfera e pela Vida e uma Consciência vocacionada na vertente Coletiva, então teremos um Homem verdadeiramente integrado no seu habitat e com capacidades de Desenvolvimento Humano Sustentado.

Na realidade, o dinheiro – seja na forma física real ou na digital – com toda a sua componente financeira virtual não acrescenta qualquer Valor ao Homem.

Só a Educação e um sistema educativo bem ‘desenhado’ à dimensão do Homem é capaz de despertar o verdadeiro Valor Humano. Infelizmente os sistemas educativos, por esse mundo fora, estão muito ‘poluídos’ pelo que o dinheiro representa em sociedade.

  • O meu Leitor já imaginou a dimensão que a Educação e o sistema educativo poderiam adquirir se fossem considerados e tratados sem a influência do dinheiro?
  • Um Mundo onde TODOS teriam as mesmas oportunidades de aprender, conhecer e valorizar-se sem a influência do dinheiro?
  • Um Mundo onde o Valor Humano pudesse sobressair sem afrontar fosse quem fosse?

Para a grande maioria das Pessoas é difícil de compreender no imediato estas minhas afirmações e questões, mas se realizarem uma reflexão aprofundada sobre a matéria verão que o dinheiro só atrapalha o desenvolvimento pessoal e estrutural.

Aliás, o dinheiro físico (aquele em moedas e notas que circula de mão em mão) é a maior fonte de infeção microbiológica conhecida. Esta é uma realidade que deveria ser abandonada por todos os Países do mundo e não só pela Suécia – “Dinheiro pode sair de circulação na Suécia até 2030” (http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2016/04/160411_sociedade_sem_dinheiro_cw_rb). Só deveria ser utilizado dinheiro na forma eletrónica ou digital.

Infelizmente estas tendências, como a que se verifica na Suécia, não têm a ver com o fim do dinheiro como poder económico e financeiro, mas apenas por questões processuais das transações e economia formal na sua impressão (menos dinheiro físico em circulação). Felizmente têm a vantagem de acabar com o manuseamento e a transmissão da infeção microbiológica.

Um Mundo verdadeiramente sem dinheiro mas com muito Valor Humano será um novo Paradigma para o Homem. Este será um desafio para um Futuro Coletivo e sustentável do Homem na nossa Biosfera.

Alfredo Sá Almeida                                                                                5 de Novembro de 2017

Comunicação Social sem Responsabilidade Social

meios-de-comunicacao-social

(http://blog.opovo.com.br/portugalsempassaporte/forum/comunicacao-social-2/)

Quando as crianças e adolescentes estão em fase educativa, todos os Pedagogos e Psicólogos recomendam que, para bem deles, não se lhes deve satisfazer todas as vontades pedidas (com maior ou menor birra), sob pena delas se tornarem adultos egoístas, frustrados e socialmente irresponsáveis. Antes, devem ser orientados e explicar-lhes por meios adequados, com exemplos, os ‘quês’ e ‘porquês’ da não satisfação desses pedidos.

Infelizmente muita dessa Educação cuidada e de qualidade perdeu-se com o crescendo da sociedade de consumo. Também, pelo facto de os Pais terem (ambos) uma vida profissional muito agitada e stressante, sem tempo para dedicarem aos seus filhos. Por outro lado, a Escola, que poderia suprir essas lacunas, resolve não fazê-lo porque não se encontra preparada, ou não quer, participar numa Educação Integral e de Valor. Há ainda a considerar a falta de vontade do Estado para integrar esta dimensão dos Valores Humanos e da Cidadania nas Escolas Públicas.

Perante esta triste realidade, continuam a formar-se muito poucos Cidadãos em boas-práticas de Cidadania e deixados à mercê de uma Sociedade muito mal preparada para dar exemplos vivos de Valores Humanos. Aqui, a Comunicação Social poderia ter um papel pedagógico interessante e importante, mas demite-se desse papel por estar mais focada nas guerras de audiências e vendas de publicidade.

Durante décadas TODA a Comunicação Social (Jornais, Revistas, Rádio, TV, Internet) tem praticado um modelo comunicacional baseado na satisfação dos desejos primários dos seus Leitores, Ouvintes, Telespectadores e Internautas, do que mais gostariam de ler, ouvir e ver comunicado. Tudo para venderem muita publicidade. Precisamente durante essas décadas de informação orientada para o ‘consumidor’, a Escola passou a ser menos exigente com a Cidadania e os Valores Humanos. O resultado desta conjunção de realidades verifica-se todos os dias em Sociedade. Tem sido uma deseducação continuada a coberto de uma Liberdade de comunicação e expressão. Mas a LIBERDADE é um Valor demasiado importante para produzir tão maus resultados! A meu ver, é uma interpretação errónea da Liberdade de expressão, pois era suposto produzir efeitos sociais benéficos.

Programas como Reality Shows, Novelas, Filmes violentos, Notícias ‘Cor-de-rosa’ escabrosas, Notícias ‘bombásticas’, Jogos violentos, etc., têm sido os ‘Reis’ das audiências para TODAS as idades indiscriminadamente. Todos estes programas vendem muita publicidade mas produzem muita (mas muita mesmo) deseducação instantânea, e tornam ainda mais difícil uma Educação correta em Valores Humanos.

Esta realidade leva-me a questionar, com veemência, a responsabilidade do Estado e das Empresas de Comunicação Social, mesmo sabendo que quem se encontra por detrás delas são grandes Corporações Multinacionais e interesses ‘obscuros’ camuflados de Informativos e Comunicativos.

Porque as Empresas de Comunicação Social não são certificadas pela Responsabilidade Social das Empresas? (http://www.sairdacasca.com/wp-content/uploads/2012/10/PDF3_EstudosobreaPercepcaodaResponsabilidadeSocialemPortugal.pdf)

Todos nós nos apercebemos que uma Empresa de Comunicação Social tem um grande impacto na Sociedade. E também sabemos a influência política que possui em momentos eleitorais (e não só). Muitas vezes contribuindo para ‘factos’ políticos de duvidosa qualidade, com resultados ainda mais duvidosos e com repercussão económica notória. A coberto de uma verdade tecem-se enredos envolvendo alguns factos, que acabam por os ofuscar.

media-tv

http://geracaoplastificada.blogspot.pt/2011/05/charges.html

Também nos apercebemos que os meios de comunicação audiovisual são os que contribuem para um maior impacto na Sociedade. Por esse facto poderiam orientar-se, com muita pedagogia, para funcionarem como exemplos de ética e Valores Humanos, para uma Sociedade crescentemente carente desses Valores. Ou seja, passariam a ter uma conduta e uma contribuição positiva, com orientação para uma maior Responsabilidade Social.

O problema está na natureza do negócio de Comunicação dita Social – vender publicidade, ajudar a desenvolver negócios, construir notícias, captar o interesse crescente dos consumidores, etc. De Social só tem o nome e não a função integral.

Reconheço que estes órgãos de comunicação seriam uns aliados ‘de peso’ nas batalhas que se têm de desenvolver em prol dos Valores Humanos, mas infelizmente produzem, nesta dimensão, mais efeitos negativos que positivos.

NÓS Leitores, Ouvintes e Telespectadores poderíamos ter um papel mais ativo nesta matéria, mas acomodamo-nos com muita facilidade e deixamos que nos conduzam as opiniões em muitos domínios – o que vem totalmente contra os nossos desejos de Liberdade (uma das muitas incoerências do Ser Humano).

Alfredo Sá Almeida                                                                    2 de Fevereiro de 2017

Nascer com sorte!

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Todos nós quando nascemos não temos consciência da vida, de nós próprios nem do mundo que nos rodeia. Somos seres virgens, no verdadeiro sentido da palavra, com uma determinada probabilidade de aprendizagem que nos é conferida (numa fase inicial) pela genética.

A nossa sorte começa por ser determinada pelo local onde nascemos, que acrescenta uma probabilidade (maior ou menor) de nascermos saudáveis:

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Ao longo da vida vamos desenvolvendo capacidades várias que nos dão acesso a uma consciência, a inteligências diversas e a um sentir do mundo, com maior ou menor profundidade, que nos dará, ou não, uma dimensão espiritual. Uma coisa é certa, seremos Seres únicos, resultado do nosso próprio desenvolvimento pessoal e do ambiente envolvente que nos calhou em sorte. Aqui a genética já tem pouca influência.

Outra coisa que se considera certa nessa sorte tem a ver com o acesso a uma Educação. Agora as variáveis começam a complicar-se, pois estão dependentes da região do Planeta onde nascemos.

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O facto de sermos todos diferentes (em todos os aspetos), cada um de nós com um Valor Humano próprio, isto não deve justificar as desigualdades de Qualidade de Vida existentes entre Seres Humanos.

A nossa sorte ainda agora está no início e muitos Seres Humanos já ficaram prejudicados à nascença.

Por um lado, há regiões do mundo onde a probabilidade de nascer é maior que outras:

mapa-taxa-de-natalidade-no-mundo

Por outro lado, devido às desigualdades fictícias criadas pelos Homens e pela falta de uma Governança e de uma Educação de Qualidade, existe uma maior probabilidade de nascermos Pobres e com poucos recursos existenciais.

Mas mesmo assim, nada nos impede de adquirirmos Valor Humano digno de nota. No entanto, as probabilidades não são favoráveis a esse desígnio.

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Mas a nossa sorte não acaba aqui, ela ainda tem um elemento complicador que tem de ser considerado e que se prende com a esperança de vida. Se é certo que poderemos desafiar todas as probabilidades contrárias ao nosso desenvolvimento como Seres Humanos de Valor, a probabilidade de tempo de vida ajudará a desenvolvermo-nos ainda mais se esta for mais extensa. Aqui o ditado ‘Aprender até morrer’ faz todo o sentido.

mapa-expectativa-de-vida-no-mundo

Perante estas realidades, podemos verificar que a nossa Vida não está facilitada à partida e acaba deitando por terra o Artigo 1º da Declaração dos Direitos Humanos – “Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade.”

O mais grave de tudo isto é que a quantidade de informação que está disponível sobre os Seres Humanos no Mundo Global, apesar de ser ENORME, não ajudou muito a melhorar as condições de vida dos mais carenciados, nem contribuiu para melhorar as tomadas de decisão dos Líderes de muitos Países.

Segundo os dados mais recentes, oriundos do relatório Global Wealth Report (2015) o número de Pessoas pobres aumentou significativamente neste últimos anos. Agravando-se também na América Latina, segundo dados da Comissão Económica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) (2014) – ”A extrema pobreza, ou indigência, aumentou de 11,3% em 2012 para 12% da população na América Latina e do Caribe em 2014, revelou nesta segunda-feira a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) em Santiago, no Chile. (http://odia.ig.com.br/noticia/mundoeciencia/2015-01-26/indice-de-extrema-pobreza-registra-aumento-na-america-latina.html)

“O ano de 2010 foi também aquele no qual o banco Credit Suisse publicou o seu primeiro Global Wealth Report (Relatório da Riqueza Global). …

Cinco anos depois, o relatório de 2015, publicado em 13 de outubro, mostra que a concentração de renda mundial alcançou níveis tão críticos quanto o do mundo industrializado antes da Primeira Guerra Mundial. Apesar do relativo otimismo de 2010, a metade mais pobre dos 4,8 bilhões de adultos ficou ainda mais depauperada: agora possui menos de 1% da riqueza planetária estimada em 250,1 trilhões de dólares, enquanto o décimo mais alto controla quase 90% (87,7%, para ser exato) e o centésimo no topo, exatos 50%. A riqueza média líquida subiu para 52,4 mil, um aumento nominal de 19,6% que se reduz a 9,3% se descontados 9,5% de inflação do dólar nos Estados Unidos em cinco anos, mas os níveis de corte passaram para 3,21 mil (27% mais baixo em termos reais), 68,8 mil (13% mais baixo) e 759,9 mil (18% mais alto), respetivamente.” (http://www.cartacapital.com.br/revista/873/no-mundo-de-os-miseraveis-5584.html)

No entanto, a ONU mantém-se otimista “ONU diz que 800 milhões de pessoas ainda sofrem com fome e pobreza” – (http://g1.globo.com/mundo/noticia/2015/07/onu-diz-que-800-milhoes-de-pessoas-ainda-sofrem-com-fome-e-pobreza.html)

“O número de pessoas que vivem na pobreza extrema, com menos de US$ 1,25 por dia, diminuiu mais da metade – de 1,9 bilhão (em 1990) para 836 milhões -, afirmou a ONU em um relatório (2015) que analisou oito objetivos de desenvolvimento estabelecidos na Declaração do Milênio em 2000.

“Depois de avanços profundos e consistentes, agora sabemos que a pobreza extrema pode ser erradicada dentro de mais uma geração”, afirmou o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, em comunicado.”

“Os líderes mundiais devem adotar uma série de novos objetivos de desenvolvimento – conhecidos como metas de desenvolvimento sustentável – em uma cúpula da ONU em Setembro. As novas metas almejam erradicar a pobreza extrema até 2030.”

Se pretendemos aumentar significativamente as probabilidades de ‘sorte’ daqueles que nascem neste Planeta, o Mundo Global necessita urgentemente de:

  1. Ações concretas de erradicação da pobreza;
  2. Líderes de qualidade que estejam focados na resolução dos problemas das Populações;
  3. Melhoria significativa da qualidade da Educação pública, abrangendo cada vez mais crianças e jovens;
  4. Melhoria significativa da qualidade de vida e formação especializada dos Professores;
  5. Assumir definitivamente, na Educação, os Valores Humanos como elementos estruturantes do Ser Humano;
  6. Mudanças significativas no mundo financeiro;
  7. Diminuição significativa dos níveis de agressividade humana e do uso de armas.

A ‘sorte’ não pode transformar-se num ‘destino’ inalterado para os mais desfavorecidos, deve representar um desafio motivador e competente, para quem possui as capacidades de intervenção, organização e decisão nos ‘destinos’ daqueles que não possuem voz ativa nesta Sociedade Global.

Desafio os meus Leitores a realizarem um exercício de imaginação profunda sobre a realidade do Mundo Global em que se cumpram dois importantes desígnios:

  1. A Declaração Universal dos Direitos Humanos passou a ser cumprida EFETIVAMENTE por todos os Países da ONU.
  2. Todas as estruturas educacionais no Mundo passaram a transmitir os Valores Humanos universais.

TODOS nós podemos melhorar o Mundo Global, basta ter a vontade de uma Consciência Coletiva e estarmos focados num Futuro Coletivo melhor.

Alfredo Sá Almeida                                                                    20 de Outubro de 2016

Educação em Valores Humanos

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A Educação em Valores Humanos é uma matéria que requer constância nos propósitos e equilíbrio dinâmico na transmissão desses Valores. É muito mais que a simples transmissão de uma mensagem. É sobretudo o enraizamento de exemplos de valor acrescentado.

Um dos grandes problemas destas últimas décadas está relacionado com a negligência educativa em Valores Humanos. Admitiram que esses Valores se ‘propagavam por geração espontânea’. Na falta de exemplos concretos de Valor e orientação continuada, não se verificam progressos significativos. Na realidade a Sociedade só possuirá essa capacidade se for uma Sociedade estruturada como de Valor Humano, de outro modo acabará desvirtuando a dinâmica do processo educativo.

Quando os Líderes, os Dirigentes, os Pais, os Educadores e a Escola se demitem do processo educativo de Valores Humanos, só podemos esperar uma degradação da Sociedade. Uma Economia de Mercado e um Sistema Financeiro Internacional, tal como estão a vigorar neste mundo global, possuem uma maior capacidade ‘trituradora’ do Ser Humano do que de promoção da sua valorização.

Tal como mencionei no meu texto ‘A Dinâmica entre Valores e Direitos Humanos’“De acordo com a Unesco, para passar de uma geração a outra (25 anos), uma língua precisa ser falada por pelo menos 100 mil nativos. Pois bem, o mesmo se pode aplicar à passagem do testemunho de Valores Humanos, seja pela teoria ou pela prática continuada. Caso não o façamos esses Valores acabam por perder-se.”

Uma pergunta fulcral se impõe sobre esta dinâmica – ‘Que percentagem da população de um determinado País pratica livre, consciente e continuadamente os Valores Humanos em Sociedade?’

Não basta que um mínimo da Sociedade conviva naturalmente sob os Valores Humanos, é necessário que seja uma maioria significativa. Caso contrário a Sociedade não terá ‘massa crítica’ suficiente para uma dinâmica virtuosa em Valores Humanos.

“Só faz sentido apelidarmo-nos de Seres Humanos se integrarmos os Valores respetivos, caso contrário seremos elementos vivos da Biosfera sem o consequente caráter.” – Alfredo Sá Almeida

Alfredo Sá Almeida                                                                                    5 de Outubro de 2016