Poderemos erradicar a pobreza, para sempre?

Conversa/debate sobre o tema em título, entre o meu amigo Joaquim Serra e eu próprio, sobre um post no Facebook.

Se os meus Leitores se sentirem ‘atraídos’ pelo debate, comentem neste Blogue sobre este tema. Muito Grato a todos pela vossa disponibilidade.

Erradicar a pobreza(https://www.facebook.com/TheEconomist/videos/10156060919354060/)

Joaquim Serra – (Autor do post) Introdução postada: “Vale a pena uma reflexão profunda.

Vale a pena um exercício de Prospectiva, pelo menos para refletir sobre o “tipo de mundo” em que seria desejável de vivermos.

A Pobreza é o maior estigma social que caracteriza o nosso mundo, a sua maior causa decorre do Género de Vida que instituímos e estruturámos.

Reflecte a Mentalidade miserável que lhe está subjacente.

Uma mentalidade errónea, enviesada, distorcida, civicamente deficiente, da qual fizemos a Cultura que modela a nossa Civilização.

Ainda acha que o problema é o Dinheiro?

Se acha que o problema é o dinheiro, é porque anda muito distraído, abstraído pelo dinheiro, alienado da realidade da vida.

(Já “escorregou” para dentro daquele buraquinho, ou buracão, depende do tamanho do Ego, que existe no meio do abdómen. Onde o horizonte mais distante que se vê é o próprio fundo. Às vezes nem se consegue ver nada, é escuro demais, tal é a profundidade do fundo.)”

Alfredo Sá Almeida – “O grande problema é a falta sistemática de Educação, caro amigo Joaquim Serra.

Sem ELA estes grandes problemas da Humanidade não poderão ser resolvidos. Todos os outros Serviços Sociais de suporte (Saúde, Justiça e Valores Humanos) serão cada vez mais indispensáveis e bem estruturados. O Dinheiro tem muita dificuldade de aceitar esta maneira de resolver os problemas, por ser muito caro e não favorecer a economia.

A Vida do Homem continua a não poder depender da Economia para resolver os seus problemas (muito menos do mundo financeiro).

Se somos Inteligentes (em todas as vertentes) então utilizemos essa inteligência para desfazer a ‘teia’ em que nos envolveram para selecionar os ‘melhores’. Como se os problemas se resolvessem por seleção. Os problemas resolvem-se com empenho, dedicação e um foco essencial na Humanidade das atitudes e comportamentos dos Cidadãos.

A meu ver o Dinheiro é parte do problema. Sem Valor nada se resolverá.”

Joaquim Serra“Caro amigo Alfredo Sá Almeida, a Vida do Homem numa grande dimensão é a Economia.

O problema não é a Economia, mas sim a Política Económica sob a qual se estrutura e se institucionaliza toda a atividade humana. São os VALORES subjacentes a essa política que determinam os resultados que obtemos e são traduzidos na realidade em que vivemos.

O dinheiro é um meio, que sistematizámos para facilitar a vida. Nada mais que isso.

O problema não é de origem económica ou financeira, como se pretende fazer crer.

O PROBLEMA é de origem filosófica, e profundamente relacionado com a MORAL e a ÉTICA, ou seja, o conjunto de valores, a axiologia em que baseamos o nosso género de vida. É com esses valores que temos estado a modelar a EDUCAÇÃO e a fazer CULTURA.

Temos andado a EDUCAR MAL. Muito mal mesmo!

E quanto mais educarmos nessa base, mais enredados ficaremos nessa teia.

O envolvimento (processo) em que somos metidos, e ao qual somos submetidos, aquele que mais nos condiciona, sobretudo mentalmente, é a educação.

Essa é que é a determinante, lógica, óbvia.

É um facto!

Somos muito inteligentes, sem dúvida alguma, mas de uma maneira geral somos exageradamente emocionais e pouco racionais, e isso atrapalha os nossos senso crítico e analítico quando nos confrontamos com problemas e temos que os resolver de forma ponderada e lúcida para que a solução seja integral, pois uma meia solução não é a melhor solução.

A educação, e nesse aspecto a ESCOLA(s), tem desempenhado um papel social e culturalmente preponderante, salvo raras exceções, desde o infantário até à universidade, têm servido mais à promoção da ADERÊNCIA a um ideário, e de OBEDIÊNCIA a esse ideário, do que propriamente à formação de seres humanos livres, autónomos, com senso crítico e analítico, capazes de utilizar todo o seu potencial racional e emocional em benefício da HUMANIDADE e de si próprios.

A escola que criámos tem tido mais o propósito de justificar o género de vida que adoptamos, e que não é humanamente satisfatório, do que o de mudança para um género de vida melhor em termos de justiça social, justiça económica, justiça cultural.
Alguns dos VALORES com que temos sido educados não nos servem, não prestam serviço algum à humanidade e ao indivíduo.

Alguns dos VALORES sobre os quais estruturamos as nossas instituições têm como único propósito perpetuar a injustiça social, a injustiça económica, e a injustiça cultural em benefício de uma minoria.

É preciso erradicar esses valores, e só os podemos erradicar não sendo solidários com eles, não os respeitando, não os tolerando, não os aceitando, e nem sequer os permitindo, mais, devem ser condenados.

A escola deveria habilitar o indivíduo a SABER SANCIONAR. A saber distinguir aquilo que merece aprovação, daquilo que merece condenação, tanto nele próprio como nos outros.

Não vejo esse exercício cívico e moral nas escolas, excepto uma ou outra, perdidas no obscurantismo promovido pela ignorância intencional institucional.

Pelo contrário, vejo muitas escolas, para regozijo de alguns analfabetos morais, deficientes cívicos, a “ensinarem” às crianças que, “Devemos ser solidários”… “Devemos ser tolerantes”… “Devemos obedecer”… “Devemos respeitar”… “Devemos amar”… Apenas porque sim! Sem lhes explicarem os conceitos, e sem lhes apresentarem quaisquer critérios, e sem lhes exemplificarem as causas e consequência. Partem do princípio que as crianças não são inteligentes nem capazes de avaliar a realidade. As crianças são tão só ignorantes, e o que se faz é explorar e manipular essa ignorância! Isso apenas confunde, não só as crianças, mas também muitos adultos.

É abjeto, é criminoso!

Até penso que a maior parte, se não todas, das depressões nervosas são causadas por esse método de “ensinar”, que imbeciliza mais do que cultiva, e gera multidões de gente amorfa, apenas motivada pelos instintos mais básicos, ao sabor das emoções mais disparatadas, incapazes de se relacionarem umas com as outras, e incapazes de se relacionarem com realidades abstratas e transcendentais, como o dinheiro, Deus, matemática, etc. etc.

Gente Bem-educada é perigosa!”

Alfredo Sá Almeida – “Caro amigo Joaquim Serra, em parte estou de acordo com a sua perspetiva, aquela em que refere e defende os Valores e critica a má Educação que tem sido ministrada.

Sobre o Dinheiro, o grande problema é que ele não é um meio, “que sistematizámos para facilitar a vida”, tornou-se um fim em si uma ‘religião’ fanática que aprisiona todos os que nela se cultivam. Acaba se sobrepondo a TODOS os outros Valores que de melhor o Homem possui. Subverte-os, distorce-os, sufoca-os, pressiona-os, domina-os, etc.
O Homem terá muita dificuldade em domar o dinheiro, porque ele é o objeto da corrupção.

A Liberdade que devemos possuir interiormente e de atitudes e comportamentos, acaba por descambar para o lado mais fácil e de poucos Valores – o Dinheiro. Teremos sempre a tendência de reduzir tudo à mínima expressão o dinheiro, para facilitar TUDO.
Os Valores são o elemento complicador e complexo da vida (na ótica do dinheiro). As Pessoas querem uma vida fácil e fluida onde a Liberdade domina a perversão dos Valores.”

Joaquim Serra“Alfredo Sá Almeida, não é na ótica do Dinheiro que os valores são complexos e complicadores. Nesse âmbito há de facto muita complexidade e complicação, quando esses valores não são conceituados, explicados, para que possam ser compreendidos e apreendidos, mas acima de tudo validados.

A maioria de nós não aprendemos a relacionarmo-nos com coisas abstratas. Trocamos os fins pelos meios. Procuramos atalhos. Tentamos suprimir da “equação” tudo o que não compreendemos.

Faltam-nos os critérios que nos habilitariam e legitimariam a sancionar os outros e a nós próprios. Aliás, sancionar, julgar, passou a ser um exercício condenável, e portanto não se faz validação de princípios e valores, nem tampouco se reflecte sobre essa dimensão. “Compra-se”, consome-se, baseado em emoção, numa relação binária de gosto x desgosto, favorece-me x não me favorece, só, e no imediato. Passou a ser este o único critério para qualquer decisão.

Sob o lema irreflectido do “Errar é humano” tornámo-nos, ou quisemos tornar-nos inimputáveis, fomos permissivos a esse nível.
Não é a Liberdade que domina a perversão dos valores, mas sim a libertinagem, não é a atitude moral que produz maus valores, mas sim o moralismo, não é o capital que corrompe, mas sim o capitalismo, não há mal em termos consciência social e comunitária, mas produz-se muita injustiça através do comunismo, contrariamente à intenção e aquilo que defendem os seus aderentes e simpatizantes.

Nas escolas, e na educação que ministramos, não se está a ensinar a fazer essas distinções.

A educação perdeu significado e sentido. Em Portugal, e em muitos outros países desenvolvidos, a evasão escolar é alarmante, contudo não se discute nem se reflecte sobre a causa dessa situação. E é notável a quantidade de mentecaptos que saem das escolas e universidades, e o pior de tudo, é que estamos a deixar que esses mentecaptos nos governem, isto é, que sejam eles a fazer as políticas sociais e económicas, e a administrar a justiça.

Não foi o dinheiro que gerou essa situação. Foi a falta de uma EDUCAÇÃO de qualidade, falha de valores e falha de critérios para se estabelecer uma axiologia digna de seres humanos.

Por isso é que as pessoas se subordinam tão facilmente às ideologias, às idolatrias, às modas, às mentalidades de massa, até conseguem subordinar-se ao dinheiro.

Hoje em dia, no nosso mundo, há todo o tipo de prostituição: Prostituição sexual, mental, intelectual, ideológica, religiosa, empresarial, laboral, sindical, estatal, privada, nacional…

O problema não está no dinheiro, está no tipo de gente que andamos a “formar”: Prostitutos.

Fazem qualquer coisa por conveniência imediata, até por dinheiro, que custa menos a carregar e não se vê a origem, o que dá um jeito enorme para manter as aparências.”

Alfredo Sá Almeida – “Joaquim Serra estou a gostar desta nossa conversa/debate.

Tem razão naquilo que defende. Eu também defendo o mesmo – uma Educação de Qualidade para TODOS. Tenho muitas dúvidas (mas muitas mesmo), com os mecanismos, procedimentos, incentivos, etc. que foram criados pelo Dinheiro e para o Dinheiro, se alguma vez o Homem (a continuar o mundo do Dinheiro como está!) conseguirá secundarizá-lo do modo como o meu amigo o secundariza.

A minha esperança maior é que o Homem relegue o dinheiro à sua ínfima expressão e priorize o Valor Humano em TODOS os momentos da dinâmica da Vida.”

Joaquim Serra“Alfredo Sá Almeida num exercício de prospectiva, inspirados pela “utopia” de um mundo melhor, poderemos resgatar valores que valham a pena, custe o que custar.

Tenho a certeza que não precisaremos de relegar o dinheiro a uma ínfima expressão, afinal, por trás do símbolo, e adjacente à sua função monetária, económica e financeira, poderão estar valores que merecem ser demonstrados e o dinheiro servirá de instrumento (prestará esse serviço, como meio próprio da sua função) para viabilizá-los, de forma rápida, segura, confortável.

Poderemos também, e deveremos fazê-lo, destapar o que está por trás de muito do dinheiro que circula por aí. Nessa altura teremos que estar aptos e habilitados, seguros, conscientes, para realizar tantas sanções quanto necessário, algumas de aprovação, de reconhecimento e exaltação, outras de condenação que irão requerer punição, pena e castigo.

Temos que ter coragem para fazer esse exercício muito difícil, até porque muitos de nós se apavoram só de imaginar aquilo que se descubra quando se destapar.

Quando se destapar, a certeza que eu tenho é que iremos ter que lidar com coisas muito desagradáveis, é como abrir a Caixa de Pandora, que passarão a fazer parte da nossa realidade, e esta será modificada radical e rapidamente.

Ainda não se fez porque preferimos contornar os problemas, mesmo que isso exija iludirmo-nos, ainda não estamos preparados para esse confronto com o real que todavia parece cada vez mais inevitável.

Quanto mais se esperar, mais profundo será o choque.”

Alfredo Sá Almeida – “Joaquim Serra parece-me uma excelente tática para ‘destapar a panela’ e retirar muita da pressão que existe sobre este tema. Quem sabe obteríamos muitas boas surpresas de Pessoas, mediática e eticamente relevantes, que ajudariam a mudar decisivamente as regras do jogo.”

Alekh Lisboa“Se a pobreza não fizesse tantos ricos já tinha acabado!”

 24 de Fevereiro de 2018