O mundo da Tecnologia versus o dos Valores Humanos

 

Ao longo da sua evolução o Homem tem sido um criador de tecnologias, para lhe facilitarem a vida e o trabalho. Nas últimas décadas as tecnologias da informação e as eletrónicas têm vindo a desenvolver-se a um ritmo exponencial, quase abafando os desenvolvimentos tecnológicos e científicos noutros domínios do saber.

Dada a evolução mais recente fica a ideia lógica que o Homem evoluirá de Homo sapiens para Homo technologicus com as implicações que daí advirão. Sobre este tema, recomendo uma leitura de um artigo de opinião escrito por Mindy Perkins e publicado no The Stanford Daily“From Homo sapiens to Homo technologicus” (Jan./2015). (https://www.stanforddaily.com/2015/01/19/from-homo-sapiens-to-homo-technologicus/)

Os defensores desta ‘transição’ evolutiva estão tão focados na tecnologia que esquecem que o Homem é um Ser biológico altamente complexo e com uma enorme capacidade de adaptação ao meio envolvente. No entanto, possui limitações bioquímicas e fisiológicas típicas de um Ser vivo complexo. Essas limitações poderão vir a produzir outro tipo de limitações mentais e desequilíbrios difíceis de prever.

Dito isto, e sem muita admiração, o Homem está a deixar-se envolver numa espiral tecnológica, que considero obsessiva e sobre a qual não existem dados científicos suficientes para saber quais as implicações evolutivas mentais que poderão sobressair. Considero ainda que se utiliza demasiado o Consumidor final (dito Utilizador) como ‘cobaia’ de experimentos tecnológicos de utilização massiva, com o espírito: ‘logo se vê o resultado!’.

A meu ver, o resultado até o momento não tem sido brilhante, considerando o Ser Humano, a Biosfera, a saúde mental e os Valores Humanos fundamentais que se estão a perder.

Aliás, vemos Seres Humanos mais preocupados em libertar os golfinhos e as baleias de cativeiro de entretenimento, do que em libertar Seres Humanos de entretenimento tecnológico obsessivo.

Mais recentemente, na continuidade dessa espiral tecnológica obsessiva, chegámos ao apuro de prever quais as evoluções tecnológicas para 2050, das quais o Homem será o utilizador final (sem rede). Recomendo a leitura de um artigo “Da telepatia ao fim dos telemóveis: estas são as dez previsões tecnológicas da Cisco até 2050” (3/Fev./2018) – Economia Online. (http://www.sapo.pt/noticias/tecnologia/da-telepatia-ao-fim-dos-telemoveis-estas-sao-_5a75c3388aa9fe95560515c7)

Ora a tecnologia é uma ferramenta, é um utilitário que o Homem deve usar para uma tarefa precisa (que lhe facilita a vida) mas não para utilizar em continuum. É algo estranho verificar que grandes Empresas e investidores, fãs da tecnologia e do desenvolvimento tecnológico massivo, estejam a usar os Utilizadores de tecnologia para mudanças psicológicas de atitudes e comportamentos obsessivos em sociedade.

No final das contas estas Empresas são especialistas em tecnologia e não em sociologia ou psicologia. Que competência possuem para ‘danificar’ Valores Humanos massivamente?

Todos nós sabemos que não existe nenhuma lei que impeça o desenvolvimento tecnológico (e ainda bem), mas daí a permitir que comportamentos obsessivo-compulsivos tomem conta de um número significativo dos membros jovens (e não só) de uma Sociedade, vai um passo de gigante.

Mais grave ainda é deixar sem regulamentação o desenvolvimento tecnológico de uso massivo e permitir que sejam essas Empresas a ‘determinar’ as mudanças e evoluções sociológicas do mundo atual.

• Estaremos nós a permitir, sem Consciência Coletiva, o fim da equidade social? (https://conceitos.com/equidade-social/)
• Não estaremos, TODOS nós, a colaborar no aumento das desigualdades sociais, entre aqueles que se adaptam com facilidade a tecnologias imersivas e os que não se adaptarão?
• Estaremos nós a provocar uma diferenciação entre aqueles que possuem poder de compra para os gadgets tecnológicos e os que não possuem esse poder?

Temo que a evolução da espécie Humana esteja apenas ‘na mão’ de alguns e não no espírito da grande maioria dos Cidadãos do mundo. Falta-nos Consciência Coletiva e esse facto poderá trazer-nos graves consequências no Futuro. Longe de pensar que esses ‘alguns’ são inconscientes, mas admito que apenas procurem o lucro enorme com as imensas ‘cobaias gratuitas’ deste mundo.

Quando analiso os argumentos que defendem o desenvolvimento tecnológico, como aquele que é mencionado no artigo da Economia Online, fico pensativo e preocupado com os resultados. Afinal quem determina o Futuro de um Cidadão?

Estes desequilíbrios vão seguramente custar muito caro ao Futuro da Humanidade!

Alfredo Sá Almeida                                                                    3 de Fevereiro de 2018

 

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O Homem e o sentido da vida

Sentido da vida3

Para o Homem, aquilo a que chamamos de Vida é um complexo sistema coerente de reações bioquímicas (500 quatriliões por segundo), que se realizam na interação de 100 triliões de células do nosso corpo e que só o Homem conhece e desbrava. Só ele sabe que um dia essa sua vida terá um fim. Mais nenhum outro animal neste planeta tem essa consciência.

Conhecimento e Consciência são matérias que o Homem aprendeu a dar corpo e virtualidade no seu percurso vital. A estas ele atribui uma coerência que lhe faz sentido e que tem um Valor.

No seu percurso evolutivo, ao longo dos últimos cerca de 160.000 anos da sua existência, o Homem aprendeu a adaptar-se e a mudar o rumo da sua vida, consoante as suas necessidades vitais. Primeiro como nómada depois como sedentário, sempre soube qual seria o seu papel em Sociedade e qual o Futuro que pretendia construir.

Ao longo deste período de tempo o Homem rapidamente compreendeu que o seu sentido de vida era elevar-se espiritualmente como forma de perpetuar a sua curta vivência individual.

Compreendeu igualmente, que tinha várias opções, quer a nível individual quer coletivo, para que essa espiritualidade tivesse o Valor que pretendia.

Aprendeu a moldar a sua curiosidade para construir, criar, inovar, investigar, inventar, melhorar, desenvolver e planear, ao ponto de se esquecer de si próprio e dos que estão à sua volta para se conseguir elevar de modo a que os demais dessem conta e lhe atribuíssem um Valor tal, que lhe permitisse prolongar a sua vida para além da morte.

Eis-nos chegados a uma encruzilhada, onde o conhecimento estruturado científico, empírico, conceptual real e virtual, construído nos últimos 150 anos da vida do Homem, irá exigir de TODOS nós, uma coragem e capacidades (racionais, emocionais e espirituais) para encontrar um novo rumo para a Humanidade em equilíbrio com a Biosfera que habitamos.

Esta encruzilhada faz-me lembrar o resultado da colisão de partículas num ciclotrão, provocando uma dispersão errática de subpartículas. Desta resulta uma energia que pode ser aproveitada em nosso benefício.

Estamos num momento da vida da nossa espécie em que necessitamos de realizar o processo inverso ao da colisão de partículas. Ou seja, utilizar todas as nossas boas energias vitais para encontrar um novo rumo para o Coletivo de Seres Humanos, que faça sentido consciente para TODOS nós, como espécie, mas que faça igualmente sentido para TODAS as outras espécies de seres vivos deste nosso planeta, para o qual temos a responsabilidade de o tornar sustentável para TODA A VIDA, sem o egocentrismo que nos caracterizou.

Ego vs Nature

Alfredo Sá Almeida                                                                                                                                       16 de Julho de 2015