Futurismo sem Valor Humano

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Nos dias de hoje, assistimos com muita frequência a uma proliferação de ‘Futuristas’ que são capazes de vislumbrar um futuro para os Seres Humanos, dependendo da evolução da tecnologia que se encontra em fase de investigação e desenvolvimento. Interessante esta postura de pessoas inteligentes capazes de traçar uma ‘linha reta’ na evolução do Homem com o desenvolvimento da tecnologia. Esquecem-se continuamente do que sentem a maioria das Pessoas acerca da utilização da tecnologia e do que gostariam de SER.

O mais grave é o facto de esses Futuristas terem uma influência junto de empreendedores da indústria tecnológica, orientando-os e conduzindo-os no negócio e na introdução desses gadgets no mercado.

O Ser Humano possui uma multidimensionalidade tal, na sua vivência em sociedade, nas suas necessidades várias e simultâneas e na sua vontade de viver e sentir que considero abusivo imporem toda e qualquer tecnologia, que irá modificar a sua vida, para seu ‘consumo’ de utilizador quando a grande maioria não tem as condições de satisfazer as suas necessidades básicas, mas é capaz de se ‘viciar’ nessa nova tecnologia de consumo (que vai ficar obsoleta num ano). Esse estado viciante irá provocar nessas Pessoas alterações comportamentais capazes de permitir um bypass ao essencial para se focarem nos novos gadgets.

A meu ver, isso representa mais um acto de violentar a vontade das Pessoas, apelando ao seu lado alienante, frustrante e dependente de ‘qualquer coisa’.

Gostava de ver esses Futuristas a preocuparem-se mais com as vontades legítimas e carências de Pessoas com sentimentos nobres, e saberem cativá-las para um Futuro mais humano e de igualdade de oportunidades. Muitos fazem-me lembrar vendedores de ‘banha da cobra’, capazes de encontrar os melhores argumentos para afirmar que aquelas tecnologias, que vão modificar o futuro das Pessoas, são o melhor que lhes podia acontecer. Afinal qual é a tecnologia que não dá um melhor futuro às Pessoas? Pois, pois! Quando se derem conta e tomarem a devida consciência do que permitiram que modificasse a sua vida, sem que possam voltar atrás, já será tarde de mais e requererá um esforço hercúleo para desfazer o que foi construído, com a indiferença da maioria.

As tecnologias e a investigação científica na área da saúde têm sido das que mais servem os desígnios do Futuro do Ser Humano.

Pergunto-me constantemente, que Valor Humano possuem esses Futuristas e essas outras tecnologias? Gostaria de salientar que eu sou um aficionado da utilização de algumas tecnologias e que já as consegui ‘incorporar’ rotineiramente na minha vida sem alterar a minha maneira de ser.

Vejo muita gente a vender de TUDO, desde armas sofisticadas, a gadgets tecnológicos, a comprimidos para emagrecer, a pílulas para rejuvenescer, ou, mesmo cápsulas para não envelhecer nem morrer, a bonecas sexuais realistas, a realidade virtual com jogos de violência extrema, etc. TUDO é permitido neste ‘mundo cão’ até perder o total respeito pelo Ser Humano e permitir que ele se aliene da realidade de SER o que gostaria de ser, sem nunca ter a oportunidade de uma Educação adequada à sua Pessoa.

Que Pessoas seremos no ano 2100 se não tomarmos consciência do nosso Futuro hoje?

Alfredo Sá Almeida                                                                     6 de Abril de 2017

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Os Caminhos que nos conduzem ao Futuro

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Uma resposta a uma simples questão: “Are things going in the right direction?”(Fonte: Ipsos Public Affairs) – Finance Watch https://www.facebook.com/financewatch/?fref=nf

Todos nós sabemos que as sondagens de opinião valem o que valem. No entanto, não devemos desprezá-las quando nos dão indicações da vontade dos Cidadãos. Podemos não ter todas as informações, mas sentimos que os caminhos por onde nos estão a conduzir não são os corretos.

Senão, reparem quais são as principais preocupações a nível mundial (p.f. ver próxima imagem), tendo em consideração o referencial de amostragem (amostra representativa de adultos entre os 16 e 64 anos, relativa a Novembro de 2016).

No topo dessas preocupações vemos:

  1. Desemprego;
  2. Pobreza e desigualdade social;
  3. Corrupção financeira e política;
  4. Crime e violência;
  5. Cuidados de saúde;
  6. Educação;
  7. Terrorismo;
  8. Impostos;
  9. Declínio moral;
  10. Controlo de imigração.

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Destas 10 maiores preocupações, duas delas: a) Pobreza e desigualdade social; b) Corrupção financeira e política; sofreram um aumento relativo à anterior sondagem.

Tenho a sensação que os Líderes mundiais se estão a enganar na direção. Ainda estão focados nos ‘velhos’ paradigmas do passado das ‘crises’. Seja qual for a direção que estejam a pensar, não vai dar bons resultados para onde nos estão a conduzir.

Esta será uma altura excelente para mudar de Paradigma e dar uma oportunidade a TODOS de seguirem na direção correta do desenvolvimento sustentado em equilíbrio com a Biosfera, onde o PODER do dinheiro se subalternize à vontade dos Cidadãos e ao Valor Humano.

Sobre esta matéria, alerto os meus Leitores para matéria produzida pelo World Economic Forum sobre as previsões para o Mundo em 2030 (https://www.weforum.org/agenda/2016/11/8-predictions-for-the-world-in-2030/?utm_content=bufferdda7f&utm_medium=social&utm_source=facebook.com&utm_campaign=buffer).

Nelas podemos verificar as grandes contradições dos Líderes que ‘produzem’ o Futuro. A falta de consideração e respeito pelo Ser Humano.

No final dessa página é apresentado um vídeo resumo sobre as “8 previsões para o mundo em 2030”. A certa altura do vídeo (https://www.facebook.com/worldeconomicforum/videos/10154159674886479/) é transmitida a previsão de que um bilião de Pessoas estarão deslocadas devido às alterações climáticas.

Esta triste realidade comparada com todas as outras deveria produzir, por si só, mudanças sensíveis para corrigir a situação e provocar alterações significativas em todas as previsões.

Se nos deixarmos adormecer acordaremos no caos da extinção.

Nós podemos alterar este Futuro!

Alfredo Sá Almeida                                                                                10 de Fevereiro de 2017

Se…

Rudyard Kipling

Quando se está em fase de planear o Futuro é comum estabelecermos vários cenários. Estes são uma condição para diminuir a incerteza.

A Sociedade atual vive com muitos Ses porque está demasiado condicionada a referenciais que ‘aprisionam’ o interveniente. Por outro lado, com a perda constante de Valores Humanos o condicional tende a aumentar substancialmente.

Lembram-se do brilhante poema If (Se) de Rudyard Kipling (1895) [Prémio Nobel da Literatura em 1907]?

As condições para se SER um Homem eram tantas que o poema só poderia terminar, dizendo (Tradução Féliz Bermudes):

“…

Pairando numa esfera acima deste plano,

Sem receares jamais que os erros te retomem,

Quando já nada houver em ti que seja humano,

Alegra-te, meu filho, então serás um homem!”

A verdade é que as condições colocadas (caso as consiga cumprir) são excelentes conselhos para a formação de um caráter.

Mas quero transmitir-vos que a causa que tenho vindo a defender, uma Sociedade de Valor Humano, situa-se numa ‘esfera’ bem diferente da dimensão desse poema.

Os Valores Humanos quando bem interiorizados permitem-nos graus de liberdade nunca experimentados pelo Ser Humano. A razão está relacionada com a incondicionalidade como devem ser vividos esses Valores.

Lembremos alguns deles: Amor, Altruísmo, Amizade, Bem Comum, Cidadania, Civilização, Civismo, Comunidade, Consciência, Cultura, Dignidade, Educação, Esperança, Ética, Felicidade, Humanização, Idealismo, Igualdade, Justiça, Liberdade, Solidariedade.

Sugiro ao meu caro Leitor que experimente viver cada um deles INCONDICIONALMENTE. Se o fizer verificará que passará a viver numa ‘esfera’ bem acima daquela que atualmente vive. Com uma diferença substancial da mencionada no poema – estará na dimensão do Ser Humano.

Caso a Sociedade, no seu todo consiga esta proeza de viver INCONDICIONALMENTE os seus Valores Humanos, com confiança, genuinidade e entrega, então cada um destes VALORES terá a dimensão que corresponderá àquilo que o Homem sempre desejou para uma Sociedade de Valor.

Alfredo Sá Almeida                                                                                    21 de Agosto de 2016

E se você conseguisse ver o Futuro?

What IfLegenda: New Scientist Live é um festival de ideias e descoberta, que terá lugar no ExCeL London entre 22-25 Setembro de 2016. Enraizada na maior, melhor e mais provocativa ciência, New Scientist ao vivo vai tocar em todas as áreas da vida humana. O evento contará com quatro zonas envolventes cobrindo Cérebro & Corpo, Tecnologia, Terra e Cosmos. Durante quatro dias neste mês de Setembro, New Scientist ao vivo será como nenhum outro lugar na Terra. (https://live.newscientist.com/?cmpid=EMP%257CNSNS%257C2016-0723-NSLive-halfprice%257Cem10)

O tema que lhes trago hoje tem a ver com o nosso Futuro, com o Futuro da Humanidade e do Planeta que habitamos.

E se o meu caro Leitor conseguisse, hoje, ver o Futuro da Humanidade daqui a uma geração (25 anos)?

E se não gostasse nada daquilo que viu? O que faria?

Talvez pudesse convidar outras Pessoas para verem o que você viu! Quanto mais Pessoas pudessem assistir a algo verdadeiro, provavelmente a influência sobre o Futuro mais longínquo pudesse ser melhor.

Pois bem, a verdade é que você pode vislumbrar muita matéria sobre o Futuro, mas ainda não decidiu o que fazer com essa informação e com esse conhecimento. E a sua decisão é importante, para não dizer fundamental para um Futuro melhor ou pior!

Nós temos esse poder, de tornarmos o Futuro melhor ou pior para TODOS, mas a grande maioria das vezes não agimos em consonância com outros que pensam como nós, ou, não influenciamos positivamente os que estão à nossa volta para uma mudança para melhor.

Já reparou que os terroristas conseguem influenciar-se uns aos outros para nos transformar o Futuro num inferno?

Se eles conseguem fazer-nos tanto mal, porque será que nós não conseguiremos fazer tanto bem para melhorar esse Futuro? Já reparou que a nossa indiferença perante a Vida e o Futuro nos prejudica todos os dias?

A nossa falta de foco sobre as questões realmente importantes para o Futuro, conduzem a resultados indefinidos e muitas vezes catastróficos.

“A meu ver esta competência de prever o Futuro de modo plausível e o mais realisticamente possível tem vindo a ser sistematicamente desenvolvida pelo Homem, com maior intensidade nas últimas décadas. O Homem começou a dar-se conta dos ‘maus caminhos’ que tem percorrido para chegarmos a este Presente, que já foi um Futuro no Passado, e verificou que os parâmetros que introduziu para chegarmos aqui não são os corretos. Na realidade, TODOS nós temos de aprender a lidar e a prever o nosso Futuro Individual e Coletivo, mas não apenas como uma competência de trabalho e sim como uma competência de Vida.” – Alfredo Sá Almeida.

Hoje trago-lhe mais perguntas que respostas, para o influenciar a procurar um Futuro melhor.

Amanhã, como sempre tenho feito, escreverei sobre o que considero importante para a Humanidade e como poderemos melhorar continuamente o Valor Humano.

Desejo-lhe, caro Leitor, uma boa reflexão e um compromisso sério com o Futuro de TODOS nós.

Alfredo Sá Almeida                                                                                           23 de Julho de 2016

O Homem habita uma nova Terra!

Terra - Kepler 452b

Caros Leitores vou lançá-los num desafio de Futuro, que os conduzirá (espero eu) a um compromisso importante com o planeta Terra e com a Vida numa Sociedade Global, sustentável e de Valor Humano.

Apesar do Homem ser uma espécie preponderante neste nosso Planeta, a verdade é que tem tido comportamentos e atitudes indignas da sua espécie e para com as outras espécies que habitam a Terra.

Não temos um sistema de Valores Humanos universal, assumido como importante e essencial para o nosso Futuro, e estamos algo longe de nos tornarmos Seres Humanos com Valor.

O planeta que habitamos tem sido encarado como um recurso inesgotável e utilizado desregradamente para satisfazer todos os ‘vícios’ do Homem, sem pensar coerentemente nem no seu Futuro nem no do Planeta.

Esta é uma triste realidade, que alguns Homens têm tentado resolver sem sucesso, apesar do grau de Conhecimento e Inteligência que atingimos.

Em meados de 2015 “A agência espacial norte-americana NASA anunciou a descoberta de um exoplaneta a 1400 anos-luz de distância de nós, na constelação do Cisne, que anda à volta de uma estrela idêntica ao Sol e a uma distância aproximada à que separa a Terra do Sol.” (https://www.publico.pt/ciencia/noticia/nasa-anuncia-descoberta-de-planeta-semelhante-a-terra-1702954)

Esta é uma notícia que colocaria qualquer Homem feliz e esperançoso com o Futuro. Mas será assim tão fácil ficar com esse otimismo?

Vejamos a situação com racionalidade. Imaginemos que:

  1. O Planeta Kepler-452b tem condições de habitabilidade para a espécie Humana;
  2. O Homem tem capacidade de realizar uma viagem de 1400 anos-luz em menos tempo;
  3. Apesar de esse tempo representar 56 gerações, o que implicaria uma viagem com várias famílias e muitos nascimentos a bordo na nave interestelar, implicará uma organização da sociedade em viagem capaz de lidar com a Educação de todas as crianças nascidas durante a viagem;
  4. Chegados ao novo Planeta o Homem não encontrará um ambiente hostil, por parte das espécies que eventualmente o habitem;
  5. Existem todas as condições de vida Humana e de recursos essenciais à Vida.

Bem, o que acabo de descrever quase parece um paraíso! Mas é um paraíso semelhante à Terra! Será que o Homem estará preparado para habitar esse paraíso?

Para o efeito recomendo uma visita cuidada a este sites que nos explicam toda a realidade sobre a descoberta deste novo planeta Kepler-452b:

  1. http://www.sciencechannel.com/tv-shows/nasas-unexplained-files/nasas-unexplained-files-videos/can-we-move-to-earth-2-0/
  2. https://www.youtube.com/watch?v=fdksRkeBcNU
  3. https://www.youtube.com/watch?v=-e_ztHBcqJo
  4. http://www.nasa.gov/keplerbriefing0723

O Homem tem um comportamento muito estranho neste Universo e neste Planeta onde nasceu. Por um lado, não conhece quase nada, por outro não respeita quase nada nem ninguém. Apesar de, ainda não ter a certeza se está sozinho no Universo, de viver num planeta paradisíaco e de ter todas as condições de habitabilidade, procura incessantemente encontrar outro planeta com condições semelhantes àquele onde vive. Estranha atitude! Além disso, está preocupado em encontrar vida extraterrestre! Como se já tivesse a sabedoria de como lidar adequadamente com as outras espécies com quem convive.

Bom, não vamos perder mais tempo com um cenário que conhecemos muito bem, mas que não fazemos NADA para o alterar para melhor.

O meu objetivo é outro!

Imaginemos que o Homem está preparado (?) para realizar uma viagem com sucesso a este novo Planeta, e, que este terá todas as condições de habitabilidade.

Significa isto que o Homem já delineou, já preparou, já planeou, já previu, já sabe minimamente como vai atuar na viagem e quando desembarcar no novo planeta.

Mentira! Não sabe nada, nem pode preparar nada com tanto detalhe! Não se esqueça o meu Leitor que a viagem vai decorrer durante 1400 anos (se for capaz de viajar à velocidade da luz).

Basta analisarmos o que se passou nos últimos 1400 anos da História do Homem, para sabermos que o Homem está muito longe de poder preparar e estar preparado para o que acontecerá daqui a 1400 anos. Isto é tanto mais verdade se mantivermos esta nossa atitude arrogante e gananciosa, de predador insaciável, que temos mantido até agora.

O mais grave é que sabemos que não estamos preparados para uma viagem tão longa, mas mesmo assim não nos preparamos para uma viajem dentro do nosso Planeta, em Sociedade Global, para ultrapassar os milénios que se seguem. Não nos podemos esquecer que o nosso Planeta viaja a uma velocidade estonteante (http://terraquegira.blogspot.pt/2008/04/terra-gira-em-torno-do-sol-107.html) por este Universo fora, connosco dentro, mas NÓS não estamos no comando desta nave (e ainda bem, senão seria um desastre maior).

Como será possível, o Homem:

  1. Que trata tão mal a Educação das suas crianças e jovens, ter capacidade para orientar e dirigir o Futuro do planeta?
  2. Não ter sido capaz de definir e defender os Valores Humanos universais, mas ter definido com muito pouca ética um sistema de valor monetário, que se aplica a TODOS (sem exceção), mesmo que não esteja de acordo com ele?
  3. Liderar Populações e desígnios de Estado, com sentido de Futuro, se o principal meio utilizado é o da força e da repressão, com uma ameaça constante de guerra?
  4. Não ser capaz de aplicar os Valores Humanos na Educação, a nível global, mas querer mais e mais envolver as Pessoas num sistema financeiro podre e caduco, sem ética e sem valor?

Eu gostaria que o Homem fosse capaz de se transformar de forma coerente em Ser Humano, aplicando constantemente os Valores Humanos, na Vida em Sociedade, na Educação e no nosso Futuro.

Relembro ao meu caro Leitor um texto que escrevi, em Setembro de 2015, intitulado “O propósito do Valor Humano” (https://saalmeida.wordpress.com/2015/09/04/o-proposito-do-valor-humano/) que estou seguro o ajudará a compreender o que quero dizer com Valor Humano.

“Significa isto que deveríamos TODOS encontrar o denominador comum que permita unir a nossa espécie em torno de princípios fundamentais não permissivos com os Antivalores, sem que isso constitua uma forma de preponderância inaceitável.

Afinal, o Valor Humano é a transcendência da VIDA.” – Alfredo Sá Almeida

Quando formos capazes, como espécie, de possuir uma dinâmica positiva de Valor Humano em Sociedade, estaremos preparados para qualquer viagem milenar ou não, com maiores garantias de sucesso e sem ficarmos obsoletos.

Alfredo Sá Almeida                                                                                     10 de Junho de 2016

O Efémero, a Mudança e o Futuro

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Escultura do artista Espanhol Manuel Martí Moreno (http://www.ideafixa.com/o-enferrujado-efemero-de-manuel-marti/)

Durante a nossa vida habituamo-nos a realidades distintas, umas construídas por nós, outras pelos nossos pares. Nem sempre essa construção de realidades tem o sucesso esperado e muitas vezes, quer umas quer outras, causam complicações irreversíveis e infelicidades desnecessárias na nossa e na vida dos outros.

O Amor, a dedicação e empenho que colocamos nessa construção faz toda a diferença para melhor.

Assumimos riscos normais e naturais que constituem aprendizagens várias, que resultam em crescimento, conhecimento e sabedoria. É disso que a vida se ‘alimenta’. O bom seria que todas essas experiências fossem positivas e construtivas, mas infelizmente uma boa maioria das vezes, para muitas Pessoas, resulta em tragédia.

O Efémero e a Mudança são constantes desta dinâmica que nem sempre constroem um Futuro coerente.

O caminho que percorremos para chegar onde queremos é, por vezes, tortuoso e difícil, mas torna-se reconfortante quando conseguimos uma boa parcela dos nossos objetivos.

É neste encadeado de acontecimentos efémeros, sujeitos a mudanças de percurso que o nosso Futuro se vai construindo.

Muitos de nós focam-se apenas nos resultados finais, mas os pontos críticos do caminho, ultrapassados ou não, são elementos essenciais da nossa construção.

Vem este tema a propósito daquilo que a grande maioria de nós vive em tempos de crise e de guerra e que se vê forçado a alterar para manter a dignidade, o valor e a coerência de uma vida a caminho de um Futuro sonhado.

Todos nós sabemos que as crises e as guerras são efémeras, provocam mudanças muito vincadas e nem sempre conduzem a um Futuro desejado e digno.

Estamos num momento crucial da vida do Homem, que em vez de criar Valor Humano, este se deixou enredar nas teias da corrupção, hipocrisia, agressividade, arrogância, ganância, e outras características pobres e indignas.

Seria esperado que soubéssemos corrigir os erros e recompor-nos nos caminhos, da Paz, da Fraternidade, da Igualdade e da Liberdade, desejadas pela grande maioria das Pessoas. Mas infelizmente não. Dá a sensação que quem detém o Poder não consegue (ou não deseja) esse caminho, mas aquele em que atualmente vivemos de sequências de efemérides de triste lembrança, sem Valor Humano, que nos conduzem a um Futuro declaradamente incerto e indigno de Seres Humanos.

Estamos perante governanças de oportunidades irremediavelmente perdidas, onde as mudanças desejadas de paradigma acabam por se transformar em continuidade de mediocridades.

Que bom seria que soubéssemos encontrar-nos nos pontos de convergência, suscetíveis de construção coletiva de um caminho global.

Assistimos indiferentes e incapazes de alterar o rumo dos caminhos traçados por Países (cada um por si), sem uma coerência global, num vislumbre de simples sobrevivência ou subserviência de Políticas dos detentores do Poder. Uns dirão que se trata do exercício da Liberdade de expressão, de execução e de decisão de Povos soberanos. Eu direi que tudo aquilo que prejudique a Liberdade da maioria dos Cidadãos (sejam eles de que País forem), não se trata de uma Liberdade de decisão adequada e correta para o Ser Humano.

A Vida do Homem nós sabemos que ainda é efémera, mas que as ideias e os ideais podem ser perenes. E são estas ideias e ideais que nos vão conduzindo ao Futuro.

O Homem ainda não conseguiu encontrar a harmonia na sua atuação, capaz de transformar a vida das Pessoas numa sequência dinâmica de realidades coerentes, onde a mudança seja natural e o Futuro digno.

Efémero

Alfredo Sá Almeida                                                                                     7 de Abril de 2016

 

A construção de desigualdades artificiais prejudica o Valor Humano

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Há cerca de um ano escrevi um texto intitulado “Se somos todos originais porque nos comportamos como cópias?” – (https://saalmeida.wordpress.com/2015/03/21/se-somos-todos-originais-porque-nos-comportamos-como-copias/).

Nele, eu transmiti a minha tristeza perante as atitudes e comportamentos do Homem que nos conduzem a ser cópias. Afirmei: “Nascemos puros como Humanos e transformamo-nos em ‘matéria’ sem Valor Humano mas com potencial de um mercado vazio de Vida.

Se analisarmos com cuidado o Valor da Vida Humana e naquilo que nos forçaram a fazer ao longo da História do Homem, seja pela escravidão formal ou pela dissimulada de um Valor virtual, que de Humano se torna duvidoso de aceitar, verificamos que estamos longe de nos tornarmos Seres evoluídos como espécie.”

Daí que tenha decidido agora escrever sobre as desigualdades artificiais que os Homens vão construindo ao longo da vida e da sua História, que não acrescentam nada de bom ao Ser Humano.

O mundo financeiro e as economias de TODOS os Países, ou seja, o mundo do dinheiro, especializaram-se em matérias que criam desigualdades sintéticas em Seres Humanos originais.

Vou defender esta minha tese de um modo simplificado para tentar chegar a muitos Leitores com diferentes sensibilidades.

A realidade no mundo atual (https://www.youtube.com/watch?v=0xMCWr0O3Hs) sobre a distribuição de rendimentos (income) e da riqueza (wealth) pode ser traduzida pelas figuras gráficas abaixo:

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Ou seja, 20% das Pessoas detêm 80% da riqueza e a restante População apenas detém 20% da riqueza global.

Mas, existe uma diferença abismal entre riqueza e rendimento. Senão vejamos:

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Significa isto que a riqueza se encontra ainda mais concentrada que o rendimento, como se mostra neste gráfico acima. Como eu costumo dizer, ‘não é a trabalhar que enriquecemos’! Isto só é possível pela corrupção e trabalho desonesto. Pode ainda acontecer ganhar a lotaria. Ou então, se tivermos a ‘sorte’ de nos contratarem como CEO de uma grande Empresa Corporativa Global, onde poderíamos auferir um salário 380 vezes maior que a média dos salários de um trabalhador normal. (https://www.youtube.com/watch?v=QPKKQnijnsM)

O enriquecimento que poderemos ter no trabalho tem outra dimensão que não a do rendimento direto, caso tenhamos a sorte de trabalhar no que gostamos de facto.

Em resumo (p.f. ver gráfico abaixo), entre a distribuição do rendimento igualitário teórico (linha reta) e a distribuição do rendimento real e desigual (linha curva) situa-se uma área a que se chama ‘Área da desigualdade de rendimento’ (A).

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Infelizmente a realidade atual é ainda mais desigual que a mostrada aqui. Para o efeito recomendo a leitura deste artigo do Jornal Económico “Riqueza de 1% da população superou a dos restantes 99% em 2015” (http://economico.sapo.pt/noticias/riqueza-de-1-da-populacao-superou-a-dos-restantes-99-em-2015_239942.html).

Por outro lado, vivemos num mundo onde as economias dos Países não são todas iguais. Como podemos ver neste gráfico abaixo, os rendimentos nas diferentes regiões são distintos.

Global-Income-Distribution-2011

Podemos verificar que nos Países ditos desenvolvidos a distribuição de rendimento é significativamente maior que nos restantes. Verificamos ainda que se convencionou que a linha fronteira de pobreza (a vermelho) [Poverty line of 1,25$ per day]. Como se fosse possível alguém viver condignamente com 456$ anuais. Triste realidade.

Se olharmos para o mapa do mundo (p.f. ver mapa abaixo) sobre a distribuição da riqueza, onde os Países têm uma maior ou menor dimensão consoante a riqueza que possuem, podemos verificar as grandes desigualdades existentes, onde os continentes Africano e da América do sul quase desaparecem.

wealthmap

Neste mundo desigual, habitado por mais de 7 biliões de Pessoas, em que atividades profissionais estas se ocupam? (p.f. ver esquema abaixo).

7billion

Esta é a dura realidade da desigualdade existente neste mundo, onde uma grande maioria vive mal e com poucos recursos. Esta é a realidade do mundo do dinheiro, que o Homem construiu propositadamente para que poucos tivessem poder sobre muitos. O objetivo do desenvolvimento Humano praticado nunca foi o da igualdade de oportunidades, mas sim o de enriquecer os mais ricos. Aliás, o que se verificou nesta recente crise financeira (2008-2015) foi que os 1% mais ricos (http://www.bbc.com/news/business-35339475) aumentaram significativamente a sua riqueza, de tal modo que esta iguala a dos restantes 99% da População.

Mas as desigualdades não se fazem sentir apenas entre os rendimentos de ricos e pobres, mas também entre Homens e Mulheres, entre Pessoas de diferentes raças, ou no acesso à Saúde e à Educação. (https://www.youtube.com/watch?v=0xMCWr0O3Hs)

Chegados a este ponto, não é de admirar que aumentem as vozes dos que falam e querem um mundo pós-capitalista. Entre essas vozes, destaco a de um Jornalista de investigação Paul Mason, que publicou um livro em 2015 com o título “Postcapitalism: A Guide to Our Future”. Esta obra estará à venda em Março de 2016 já traduzida para Português. (http://www.theguardian.com/books/2015/aug/03/postcapitalism-guide-to-future-paul-mason-review-engagingly-written-confused)

Daquilo que conheço desta obra, penso que uma era pós-capitalista não deve ser resolvida utilizando o referencial do dinheiro, pois esse é o mundo que o Capitalismo melhor domina e com facilidade inverteria a situação seu favor. Rapidamente estaríamos na mesma situação ou pior.

Realço igualmente uma palestra TED de um Investigador e Economista Dan Ariely (Março de 2015), intitulada “How equal do we want the world to be? You’d be surprised”.             (http://www.ted.com/talks/dan_ariely_how_equal_do_we_want_the_world_to_be_you_d_be_surprised?utm_campaign=social&utm_medium=referral&utm_source=facebook.com&utm_content=talk&utm_term=business#t-329490)

 

Dan Ariely

O trabalho de Dan Ariely mostra que “as Pessoas são recetivas às mudanças na igualdade no que toca às Pessoas que têm menos capacidade de ação, basicamente crianças e bebés, porque não os vemos como responsáveis por esta situação”. E continua, “Que lições podemos tirar daqui? Temos duas falhas: uma falha de conhecimento e uma falha de conveniência, e a falha de conhecimento reside na forma como educamos as Pessoas. Como é que fazemos as Pessoas verem a desigualdade de outra forma e as consequências da desigualdade, no que diz respeito à saúde, à educação, ao ciúme, à taxa de criminalidade, etc.? Depois temos a falha de conveniência. Como fazemos as Pessoas pensarem de outra forma em relação ao que desejam? A definição de Rawls, a maneira de Rawls ver o mundo, a abordagem do teste ‘cego’, elimina o nosso egoísmo. Como implementamos isso a um grau mais elevado, numa escala mais extensa? E, finalmente, também temos uma falha de ação. Como pegamos nestas coisas e fazemos algo quanto a isso? Creio que parte da resposta é ver as Pessoas, como crianças e bebés, que não têm muita capacidade de ação, porque as Pessoas parecem estar mais dispostas a fazer isto.” E continua, “… antes de mais, pensem no que é real, na vossa experiência, e no que é o efeito placebo que advém das expectativas. E depois pensem em como isso afeta outras decisões na vossa vida e outras questões políticas que nos afetam a todos.”

É caso para perguntarmos:

  1. ‘Que Futuro queremos ter’?
  2. ‘Que igualdade pretendemos ter neste mundo’?

Seja qual for a abordagem, não podemos pensar numa era pós-capitalista sem mudarmos de paradigma. Querer resolver os problemas das desigualdades de rendimento e riqueza atuais com outra forma de distribuição de dinheiro, não considero que seja uma solução inteligente. Acabaríamos por não mudar nada, pois o dinheiro é o referencial preferido pelos capitalistas. Num abrir e fechar de olhos estes encontrariam uma solução para continuarem a ser os mais ricos de todos, sem acrescentarem Valor significativo à Economia.

No meu entendimento (p.f. ler o meu texto “Características de uma Sociedade baseada no Valor Humano” (https://saalmeida.wordpress.com/2015/04/16/caracteristicas-de-uma-sociedade-baseada-no-valor-humano/)), devemos enveredar por um Paradigma de Sociedade de Valor Humano, como aquele que tenho vindo a desenvolver ao longo do último ano. “Como em todas as mudanças de Paradigma, haverá fases de transição e/ou saltos quânticos quando forem entendidos como positivos para essa mudança. Mas uma certeza inabalável estará presente, a VONTADE de mudar para melhor.”

Ao ler este meu texto, “Características de uma Sociedade baseada no Valor Humano”, o Leitor perceberá o que defendo e como aplicar este novo Paradigma.

Uma Sociedade de Valor Humano está alicerçada em três pilares fundamentais:

  • O Ser Humano;
  • Os Valores Humanos;
  • A Educação.

“As questões de pobreza não se colocam porque nesta Sociedade não existem pobres. O dinheiro já há muito que desapareceu da mente das Pessoas. Existirão Pessoas com menor e outras com maior Valor Humano, mas em nenhum caso passam por indignidades Humanas como as que existiram no passado.

Neste sistema, TODA a Sociedade está em aperfeiçoamento constante. Aliás, o Valor Humano é uma caraterística dinâmica positiva.

Uma Sociedade com estas características não é uma Sociedade perfeita, mas contém todos os elementos necessários a uma evolução e desenvolvimento sustentados, contribuindo decisivamente para uma maior felicidade global.”

Recomendo ao meu caro Leitor embrenhar-se profundamente nesta nova problemática da Sociedade pós-capitalista, pois de entre todas as incertezas que o Futuro nos reserva, uma certeza sobressai, o Capitalismo está podre e em decadência. Já não se coloca a questão se vai cair, mas de quando e como vai cair.

É bom que estejamos preparados para não sermos surpreendidos por uma nova crise financeira (prevista acontecer num futuro próximo), e para sabermos como devemos agir e que consensos devemos considerar como positivos para uma Sociedade de Futuro. Esta atitude ajudar-nos-á a ter uma Consciência Coletiva que contribuirá decisivamente para uma nova Inteligência Coletiva.

O desejável será uma mudança de Paradigma construída em Paz, sem fanatismos nem preconceitos, com a mente focada no Futuro do Homem em equilíbrio sustentável com a Biosfera.

Alfredo Sá Almeida                                                                                     7 de Março de 2016