A importância do Bem Comum numa sociedade de Valor Humano

Neste tema que tenho desenvolvido, ao longo dos últimos três anos, sobre o Valor Humano, tenho destacado a importância que o Bem Comum tem no desenvolvimento da Humanidade. É um conceito integrado e resultante da Inteligência e Consciência Coletivas dos Seres Humanos, que muito lentamente se está a desenvolver na Sociedade Global.

Para que fique bem claro: Bem comum é uma expressão que possui conceitos em muitas áreas do conhecimento humano, mas que se assemelham entre si. De um modo geral, define os benefícios que podem ser compartilhados por várias pessoas, pertencentes a um determinado grupo ou comunidade.
O bem comum na filosofia está relacionado com o ideal de progresso que todas as sociedades e nações do mundo devem alcançar: a igualdade social e económica, onde todos possam ter melhores condições de vida.
Assim como na ideia filosófica, que aliás é usada como base para empregar o conceito em outros ramos do conhecimento, o bem comum é definido a partir dos interesses públicos, ou seja, tudo que seja pertinente ao usufruto ou que beneficie uma sociedade como um todo.
De acordo com o “Princípio Ético do Bem Comum”, as leis devem ser feitas para um estado coletivo, e não individual.” (https://www.significados.com.br/bem-comum/)

Apesar de não haver estudos sobre as dimensões reais do espírito coletivo e do espírito individual em Sociedade, verifico infelizmente que o espírito individual e o individualismo dominam as atitudes e comportamentos em Sociedade. Isso deve-se, sobretudo, à Educação ministrada (nas Escolas e no seio da Família) e às práticas Empresariais e Governamentais nos Países.

Ora a predominância dessas práticas individualistas em nome do ‘bem comum’ acabam por estar desenraizadas do verdadeiro espírito deste conceito. Por outro lado, a ausência de ensinamentos específicos sobre esta matéria, conduz à confusão generalizada que esse individualismo é a única forma de interpretar o bem comum.

A verdade é que o bem comum tem muito pouco de interpretativo e muito de Consciência Coletiva específica de valorização do Ser Humano. É uma prática constante, de Pessoas de boa vontade, que consideram que os benefícios compartilhados possuem uma dimensão bem maior que os benefícios individuais.

O que assistimos frequentemente nas práticas, Pessoais, Empresariais e Governamentais, da Sociedade atual são iniciativas que visam o lucro e não o bem comum. Por este facto continua a existir muita desigualdade e muita segregação, que contribuem para o afastamento do conceito do bem comum.

O conceito de Democracia, apesar de muito difundido globalmente (mas mal aplicado), acaba por desequilibrar a balança do bem comum para o lado do individualismo.

O Homem não tem sabido desenvolver a Democracia no sentido participativo e do verdadeiro espírito da Consciência Coletiva. O extremar de posições entre forças políticas Liberais e Comunistas tem conduzido as Sociedades a falsas soluções governamentais e a um desvirtuamento do bem comum.

Enquanto não nos libertarmos desses extremismos políticos egocentristas e não assumirmos que o nosso Futuro Coletivo possui uma passagem muito estreita para a sustentabilidade e a felicidade coletivas, será muito difícil construirmos uma Sociedade de Bem Comum e de Valor Humano.

Será que só pela força nos libertaremos dos extremos? Parece contraditório, porque o uso da força normalmente não conduz a nada de bom. Mas seremos nós, Seres Humanos, capazes de inteligentemente definirmos de modo coletivo o caminho que nos conduz ao bem comum?

Para nosso BEM é melhor que consigamos um entendimento dinâmico que nos conduza a esse caminho. Mas para isso temos de possuir a sabedoria de ‘afastar’ os elementos prejudiciais ao bem comum, sem extremismos mas com determinação inteligente. A Democracia também serve para esses desígnios!

Olhemos para a realidade do mundo atual, sobre todos os pontos de vista – Social, Económico, Educacional, Judicial, etc. – e construamos em conjunto as soluções, com base nos melhores conhecimentos e nas melhores práticas da Sociedade, sem permitirmos que grupos minoritários de bloqueio, ‘minem’ a nossa vontade e a nossa determinação de chegarmos ao nosso Futuro Coletivo.

A vontade Humana, liberta do individualismo desequilibrado e desfocado do bem comum, deverá ter a sabedoria para construir esse caminho.

A vontade coletiva do Bem Comum ajudará a construir uma Sociedade de Valor Humano.

Nota: Recomendo a leitura do Relatório da UNESCO “Repensar a Educação – Rumo a um bem comum global?” (2016)

(http://unesdoc.unesco.org/images/0024/002446/244670POR.pdf)

Alfredo Sá Almeida                                                                                 7 de Fevereiro de 2018

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O Mundo Global e as transformações necessárias

Global World

Nas últimas décadas temos assistido a um aumento significativo da dimensão do mundo ‘globalizado’ graças ao incremento notável das comunicações, dos fluxos informativos, dos níveis de escolaridade e formação, do desenvolvimento da internet e suas tecnologias, da mobilidade das Pessoas, entre muitos outros domínios.

A título de exemplo vou mencionar o aumento significativo do número de diplomados em Portugal, nos últimos 25 anos.

No intervalo de uma geração verificou-se um aumento de cerca de quatro vezes no número de estudantes que concluíram licenciatura, mestrado ou doutoramento. Sem dúvida notável.

Diplomados Portugal - Evolução

Sem dúvida que poderemos considerar este caso como uma tendência típica a nível global. Sobretudo no mundo dito ‘ocidentalizado’.

Esta evolução contribui para um aumento dos níveis de desenvolvimento dos Países e Regiões onde ocorrem, e, por consequência, um aumento da dimensão do Mundo Global.
A questão que pretendo colocar para reflexão prende-se com os níveis de consciencialização dos grandes problemas a nível mundial e como os resolver.

Será que este aumento vertiginoso dos níveis de escolaridade, que se verificam em todo o mundo, estão a aumentar a Consciência Coletiva sobre as questões fulcrais que contribuirão significativamente para a dimensão do mundo global?

Entre os problemas prementes do mundo globalizado devemos resolver prioritariamente as grandes ameaças para o Futuro da Humanidade (https://api.globalchallenges.org/static/files/prize-letter-en.pdf) – Laszlo Szombatfalvy:

1. Alterações climáticas, que podem tornar o planeta inabitável;
2. Degradação ambiental em larga escala, que coloca em risco o abastecimento de água e alimentos, reduzindo a resiliência do ecossistema;
3. Conflitos violentos, (guerras civis, genocídios, limpeza étnica) que podem desencadear riscos de utilização de armas nucleares e/ou de destruição em massa;
4. Pobreza extrema, que é uma catástrofe em curso e que afeta mais de 1 bilhão de pessoas;
5. Rápido crescimento populacional em que se torna previsível uma população mundial de 10.000.000.000 de Seres Humanos em 2050;

A resolução destas ameaças é essencial para a ‘saúde’ do Mundo Global.

Simultaneamente foram estabelecidos, pela ONU, os objetivos do Desenvolvimento Sustentável para 2030, na sequência dos objetivos do Milénio (2000 – 2015):

Goals 2030 UN SDG

Significa que é necessária e urgente uma transformação do Mundo Global, para podermos encarar o Futuro com maior otimismo. Mas também se torna necessário um maior conhecimento e consciência das questões coletivas que beneficiarão um maior número de Pessoas de modo sustentável.

Temos de admitir que a Felicidade Social e coletiva contribui para a Felicidade individual e vice-versa.

Assim sendo, preocupam-me vários aspetos que se estão a desenvolver neste nosso mundo globalizado e, aparentemente mais desenvolvido, que têm sido objeto de estudos: o individualismo, o egoísmo e o imediatismo. São três atitudes que em nada contribuem para uma globalização saudável nem para o aumento dos níveis de Consciência Coletiva, em direção a um Futuro Coletivo e sustentável.

Existem aspetos de mudanças positivas, nas atitudes e comportamentos das Pessoas, que se estão a difundir em maior escala, e que contribuem para os desígnios que mencionei. Estou a falar de um artigo muito interessante do Gustavo Tanaka (26/5/2017) “Há algo de grandioso acontecendo no mundo” (http://guiadaalma.com.br/ha-algo-de-grandioso-acontecendo-no-mundo/). Recomendo uma leitura atenta deste texto para se aperceberem das mudanças que estão a ocorrer.

Segundo este autor o mundo está se transformando e menciona um conjunto de motivos que o levam a acreditar nisso. “São os seguintes:

1. Ninguém aguenta mais o modelo de emprego;
2. O modelo do empreendedorismo também está mudando;
3. O surgimento da colaboração;
4. Estamos começando finalmente a entender o que é a internet;
5. A queda do consumismo desenfreado;
6. Alimentação saudável e orgânica;
7. Despertar da espiritualidade;
8. Movimentos de ‘desescolarização’ (hackschooling, homeschooling).”

Termina, dizendo: “Silenciosamente, as pessoas estão acordando, se dando conta da loucura que é viver nessa sociedade. Olhe para todos esses movimentos e tente pensar que tudo está normal. Eu acho que não está. Há algo de muito extraordinário acontecendo no mundo.”

Estas mudanças reativas nas atitudes e comportamentos das Pessoas são importantes. Mas gostaria de lembrar que têm de ganhar sustentabilidade e globalidade para terem um contributo duradouro.

No entanto, outras tendências menos positivas tomam forma e difundem-se rapidamente. Estou a falar do Individualismo e do Imediatismo.

Sobre estas lamentáveis características Humanas, para o Mundo Global, relembro aqui dois artigos muito interessantes sobre estes temas:

“Individualism is Spreading, and that’s Not Good”Derek Beres (24/07/2017) (http://bigthink.com/21st-century-spirituality/individualism-is-spreading-and-thats-not-good?utm_campaign=Echobox&utm_medium=Social&utm_source=Facebook#link_time=1506225659)
“Cultura do imediatismo”Bolívar Torres (11/07/2013) (https://oglobo.globo.com/amanha/tudo-ao-mesmo-tempo-agora-um-fenomeno-da-era-digital-8969361#ixzz2YePd8tLG)

Estes artigos mencionam os estudos e reflexões escritas de Douglas Rushkoff (“Present shock: When everything happens now” – 2013) e de Henri Santos, Igor Grossman e Michael E.W. Varnum (“Global Increases in Individualism”, Psychological Science (13/07/2017) (http://journals.sagepub.com/doi/abs/10.1177/0956797617700622)), matérias importantes para compreendermos os perigos dum Futuro desajustado dos anseios de um Mundo bem Globalizado.

Segundo estes autores “Infelizmente, os seres humanos tendem a notar apenas o que é imediato, o que faz sentido nas tribos, mas cria problemas substanciais nas Nações legisladas por um governo. Promove um impulso para o individualismo em que as preocupações dos poucos se tornam mais importantes do que o bem-estar dos muitos. Torna-se América. E a América está se espalhando.
Mais genericamente, o valor “ocidental” do individualismo está se espalhando, de acordo com a nova pesquisa publicada na Psychological Science. Examinando 51 anos de dados cobrindo 78 países coletados para o levantamento de valores mundiais, os autores Igor Grossman e Michael E.W. Varnum descobriram que não são apenas as culturas ocidentais que se tornam mais individualistas. Como reporta Science Daily.
Em geral, as culturas individualistas tendem a conceber pessoas como autossuficientes e autónomas, e elas tendem a priorizar a independência e a exclusividade como valores culturais. As culturas coletivistas, por outro lado, tendem a ver as pessoas ligadas aos outros e inseridas num contexto social mais amplo – como tal, tendem a enfatizar a interdependência, as relações familiares e a conformidade social.”Derek Beres.

Se pretendemos um Mundo Global onde os Valores Humanos contribuem para um Futuro Coletivo em Paz duradoura e onde as diferenças culturais estão em equilíbrio dinâmico com os anseios dessa Globalização, vamos ter de mudar as nossas atitudes e comportamentos. Vamos ter de melhorar significativamente a nossa Inteligência e Consciência Coletivas e ser capazes de transformar os sistemas educacionais dos Países em algo que esteja consonante com a Globalização e Sustentabilidade que pretendemos no Futuro.

Alfredo Sá Almeida                                                                              26 de Setembro de 2017