A Sociedade atual e a dimensão da Liberdade

Sociedade Doente

A Sociedade atual tem-se desenvolvido nas últimas décadas como um Paradigma ‘canceroso’ onde a Liberdade dos Cidadãos, em vez de servir constantemente as boas práticas de cidadania, acaba destruindo os Valores Humanos que nos deveriam caracterizar.

O ritmo exacerbado de desenvolvimento, em todos os domí­nios do saber, a que a sociedade tem estado submetida, traduz a ansia de liberdade e conhecimento dos Povos oprimidos nas décadas passadas. As ‘explosões’ de criatividade, investigação, expressão cultural, desenvolvimento tecnológico e inteligência racional, deixaram para segundo plano (e em muitos casos, para terceiro e quarto planos) o desenvolvimento humano, social e emocional das comunidades e da Sociedade.

O desenvolvimento humano tem acrescentado ao Coletivo aspetos muito positivos, mercê sobretudo do desenvolvimento tecnológico, mas as componentes Sociais, Educacionais e de consolidação de Valores Humanos têm perdido rumo e caráter pela velocidade que foi impressa no desenvolvimento desequilibrado.

Os sistemas polí­ticos e financeiros são os grandes responsáveis pela permissividade instituí­da, que invadiu negativamente os sistemas educacionais, judiciais e de valores de uma Sociedade com personalidade e caráter Humanos. Os Cidadãos acabaram sendo ‘arrastados’ para decisões, escolhas ou opções pouco ponderadas e de baixo valor social acrescentado, minando as estruturas do paradigma instalado, tornando-o num paradoxo ‘canceroso’.

Dirão os meus caros Leitores que a Liberdade é um Valor primordial e que compensa todos os riscos no desenvolvimento. Eu direi: convêm esclarecer convenientemente esta matéria de considerar a Liberdade como Valor primordial desenraizada dos outros Valores!

A meu ver a Liberdade como Valor essencial e prioritário só faz sentido se estiver inserida no contexto dos outros Valores Humanos. É por essa razão que se torna primordial. Caso contrário, acabamos assistindo a fenómenos, numa Sociedade que se pretende saudável, de desenvolvimento de núcleos malignos que acabam destruindo TUDO – os Valores Sociais e a LIBERDADE. O mais grave é que a degradação social pode atingir patamares tão baixos que se torna difí­cil recuperar, com saúde, o ‘doente’. Esta acaba sendo o resultado de uma permissividade doentia e carente de Inteligência (racional e emocional). Se adicionarmos a esta permissividade doentia, uma Educação carente em Valores Humanos, então teremos um ‘corpo’ agressivo numa Sociedade em decadência.

Não é de estranhar que tenhamos assistido a um aumento vertiginoso da corrupção, da ganância, da arrogância, da prepotência e de muitas outras caracterí­sticas humanas negativas (Antivalores), que acabam proliferando num ‘terreno’ onde os Valores Humanos estão ausentes.

A Sociedade acaba sofrendo, e muito, com este estado de coisas. Infelizmente os exemplos das consequências são muitos. Senão vejamos, o aumento significativo de casos de:

  • Depressão;
  • Suicí­dio;
  • Doenças do foro emocional;
  • Stress;
  • Consumo de drogas;
  • Agressividade violenta;
  • Bullying;
  • Alheamento social;
  • Inteligência maligna;
  • Desequilí­brios mentais; etc.

Resultado, uma Sociedade doente sem perspetivas de melhoras. O intrincado de casos é tão acentuado e denso que organismos sociais saudáveis não conseguem recuperar o ‘paciente’ sem que o ‘tratamento’ seja completo e sistemático, tí­pico de um paciente com ‘cancro’.

Será necessário uma mudança profunda de paradigma, minimizando os paradoxos, com um aumento significativo das Consciência e Inteligência Coletivas, dos Valores Humanos e uma Educação de qualidade para TODOS os Seres Humanos deste Planeta.

Ser Humano doente

Alfredo Sá Almeida                                                                                 13 de Maio de 2017

Consciência e Futuro Coletivos dão coerência ao Valor Humano

Universo - Mapa da matéria negra

Legenda: Mapa da matéria escura do Universo (Credit: Volker Springel/Max Planck Institute for Astrophysics/SPL)

O dia 24 de Junho de 2016 ficará na História da Humanidade como um dos mais tristes resultados da falta de Inteligência, Consciência e Futuro Coletivos do Homem. Este facto deve-se a uma vitória política dos defensores do BREXIT no Reino Unido, que defendem a saída da União Europeia, demonstrando uma falta de coerência entre os Estados que constituem o Reino Unido. Pois, pelo que nos é dado conhecer, quer a Irlanda do Norte, quer a Escócia ponderam abandonar o Reino Unido e juntar-se à União Europeia.

A Inteligência Humana possui várias dimensões, que poucos de nós conhecemos a sua extensão. Já ouvimos falar das Inteligências Racional, Emocional, Espiritual e Social, mas esquecemo-nos frequentemente doutras dimensões que estão relacionadas com a nossa realidade gregária e Social. Todos nós, Seres Humanos, possuímos uma Consciência do mundo que nos rodeia. No entanto, a grande maioria está focada na Consciência de Si, como Seres de uma espécie inteligente.

Os sistemas Educacionais, a Política e a Justiça dos diferentes Estados não têm contribuído para o desenvolvimento das Consciência e Futuro Coletivos dos Cidadãos.

Verificamos com tristeza que estes sistemas se aperfeiçoaram mais no desenvolvimento do egoísmo em detrimento do bem comum, e, no bem-estar pessoal em detrimento do Coletivo.

Ora, a Inteligência Humana possui uma dimensão bem maior que a do próprio Ser individual. É comum falarmos nos desígnios de um Povo e das batalhas que se travam para a expansão das ideias que passam a abranger outros Povos. O mundo atual tem passado por profundas adaptações na ‘construção’ de uma Globalização planetária. Verificamos que os propósitos utilizados para esta Globalização não são, nem os mais adequados nem os corretos para UNIR os Seres Humanos numa verdadeira Globalização de Valores. Frequentemente a tendência desta está focada em valores de natureza financeira.

A Globalização que tenho vindo a referir, a defender e a desenvolver prende-se com a dos Valores Humanos Universais e a da construção de um Valor Humano onde a Consciência e Inteligência Coletivas se congregam numa coerência de Futuro Coletivo.

O Ser Humano tem ‘arquitetura’ suficiente para albergar uma coerência de Futuro Coletivo como espécie, mas por razões de fraca inteligência não são desenvolvidas nem valorizadas.

Muito recentemente, Melissa Hogenboom (24 de Agosto de 2015) escreveu um artigo interessantíssimo no site da BBC Earth “What is our Universe made of?“ (http://www.bbc.com/earth/story/20150824-what-is-the-universe-made-of?ocid=fbert) que nos pode ajudar nesta construção da Consciência e Inteligência Coletivas. Com base nele vou construir a minha argumentação.

O Homem tem um conhecimento muito reduzido do nosso Universo, das leis que o governam e da influência que tem no desenvolvimento da nossa mente. No entanto, a curiosidade científica Humana tem-se expandido a um ritmo elevado nas últimas décadas, conduzindo-nos a um maior conhecimento do Universo onde estamos inseridos.

“Se um alienígena conseguisse visitar o nosso Universo a partir de uma realidade paralela, existe uma forte probabilidade de eles nem conseguirem perceber que existimos.

De certa forma isso é óbvio: o Universo é enorme e o nosso planeta é apenas um pequeno e pálido ponto azul. Mas é pior do que isso: os alienígenas podem até não perceber todas as estrelas e os planetas que as orbitam. Eles poderiam até mesmo perder as vastas nuvens de poeira que flutuam no espaço.

Todas essas coisas familiares constituem apenas uma fração da matéria no nosso Universo. O resto é outra coisa, um material que ninguém na Terra já viu.

Por falta de um nome melhor, os físicos chamam a este material “matéria escura”. Se esta não estivesse lá, as galáxias dispersar-se-iam. Ninguém sabe o que é, mas os físicos estão focados na sua pesquisa.” – Melissa Hogenboom.

Apesar do conhecimento que o Homem possui do Universo ser limitado, este vai construindo uma coerência científica, à medida que as investigações vão avançando, permitindo-nos compreender a sua estrutura e as leis que o regem.

No meu livro “Despertar para o Futuro” (2014) e no texto ‘Neurociências e a mente Humana’ afirmei: “Lembremo-nos que 90% deste nosso Universo é constituído por matéria escura e vazio de qualquer conteúdo, em contraposição com o interior do nosso cérebro e a capacidade da mente Humana. Ora, VAZIO e VIDA estão em universos opostos e sem possibilidade de coexistirem integrados no mesmo espaço-tempo.” – Alfredo Sá Almeida.

Todos aqueles que defenderam e deram a vitória ao BREXIT demonstraram possuir níveis muito baixos de Consciência e Inteligência Coletivas, querendo sair da União Europeia. Um projeto de construção coletiva de uma União de Países é sempre mais importante e coerente que o isolamento dessa comunidade.

Dir-se-ia neste caso, que nem a ‘matéria escura’ foi capaz de manter a coesão e a coerência de um projeto comum, apesar de sabermos muito pouco sobre ela.

Isto coloca uma parte de nós num percurso contrário ao conhecimento coerente deste Universo multifacetado. Seres que preferem isolar-se da comunidade porque se consideram capazes de fazer melhor sozinhos. Sabemos que a diversidade de ideias e opiniões é importante para o desenvolvimento da Inteligência, mas a rutura e isolamento de uma parte da comunidade não constroem Consciência e Futuro Coletivos. Para que estas sejam uma realidade temos de saber qual é a ‘matéria escura’ que nos une, mesmo que não conheçamos todos os detalhes.

Significa isto que o Reino Unido deu maior importância a argumentos financeiros e de imigração, de muito fraco valor na escala do Valor Humano. Significa ainda que a degradação de Valores Humanos que se tem verificado ao longo das últimas décadas está a produzir frutos ‘amargos’ em vez de Futuro dinâmico e coerente.

O Homem encontra-se numa fase de desenvolvimento Social e Global, onde possuir uma Consciência e Inteligência Coletivas representa sabedoria, coerência e conhecimento das dimensões capazes de manter a coesão de uma espécie que se diz inteligente.

A construção de um Futuro Coletivo, em paz e dinâmica de conhecimento, dependem fortemente das componentes de Consciência e Inteligência Coletivas.

Alfredo Sá Almeida                                                                                            24 de Junho de 2016

A construção de desigualdades artificiais prejudica o Valor Humano

Well-I-Left-You-Half

Há cerca de um ano escrevi um texto intitulado “Se somos todos originais porque nos comportamos como cópias?” – (https://saalmeida.wordpress.com/2015/03/21/se-somos-todos-originais-porque-nos-comportamos-como-copias/).

Nele, eu transmiti a minha tristeza perante as atitudes e comportamentos do Homem que nos conduzem a ser cópias. Afirmei: “Nascemos puros como Humanos e transformamo-nos em ‘matéria’ sem Valor Humano mas com potencial de um mercado vazio de Vida.

Se analisarmos com cuidado o Valor da Vida Humana e naquilo que nos forçaram a fazer ao longo da História do Homem, seja pela escravidão formal ou pela dissimulada de um Valor virtual, que de Humano se torna duvidoso de aceitar, verificamos que estamos longe de nos tornarmos Seres evoluídos como espécie.”

Daí que tenha decidido agora escrever sobre as desigualdades artificiais que os Homens vão construindo ao longo da vida e da sua História, que não acrescentam nada de bom ao Ser Humano.

O mundo financeiro e as economias de TODOS os Países, ou seja, o mundo do dinheiro, especializaram-se em matérias que criam desigualdades sintéticas em Seres Humanos originais.

Vou defender esta minha tese de um modo simplificado para tentar chegar a muitos Leitores com diferentes sensibilidades.

A realidade no mundo atual (https://www.youtube.com/watch?v=0xMCWr0O3Hs) sobre a distribuição de rendimentos (income) e da riqueza (wealth) pode ser traduzida pelas figuras gráficas abaixo:

Long tail of people

Ou seja, 20% das Pessoas detêm 80% da riqueza e a restante População apenas detém 20% da riqueza global.

Mas, existe uma diferença abismal entre riqueza e rendimento. Senão vejamos:

cbpp-wealth-income

Significa isto que a riqueza se encontra ainda mais concentrada que o rendimento, como se mostra neste gráfico acima. Como eu costumo dizer, ‘não é a trabalhar que enriquecemos’! Isto só é possível pela corrupção e trabalho desonesto. Pode ainda acontecer ganhar a lotaria. Ou então, se tivermos a ‘sorte’ de nos contratarem como CEO de uma grande Empresa Corporativa Global, onde poderíamos auferir um salário 380 vezes maior que a média dos salários de um trabalhador normal. (https://www.youtube.com/watch?v=QPKKQnijnsM)

O enriquecimento que poderemos ter no trabalho tem outra dimensão que não a do rendimento direto, caso tenhamos a sorte de trabalhar no que gostamos de facto.

Em resumo (p.f. ver gráfico abaixo), entre a distribuição do rendimento igualitário teórico (linha reta) e a distribuição do rendimento real e desigual (linha curva) situa-se uma área a que se chama ‘Área da desigualdade de rendimento’ (A).

gini-coefficient-of-inequality

Infelizmente a realidade atual é ainda mais desigual que a mostrada aqui. Para o efeito recomendo a leitura deste artigo do Jornal Económico “Riqueza de 1% da população superou a dos restantes 99% em 2015” (http://economico.sapo.pt/noticias/riqueza-de-1-da-populacao-superou-a-dos-restantes-99-em-2015_239942.html).

Por outro lado, vivemos num mundo onde as economias dos Países não são todas iguais. Como podemos ver neste gráfico abaixo, os rendimentos nas diferentes regiões são distintos.

Global-Income-Distribution-2011

Podemos verificar que nos Países ditos desenvolvidos a distribuição de rendimento é significativamente maior que nos restantes. Verificamos ainda que se convencionou que a linha fronteira de pobreza (a vermelho) [Poverty line of 1,25$ per day]. Como se fosse possível alguém viver condignamente com 456$ anuais. Triste realidade.

Se olharmos para o mapa do mundo (p.f. ver mapa abaixo) sobre a distribuição da riqueza, onde os Países têm uma maior ou menor dimensão consoante a riqueza que possuem, podemos verificar as grandes desigualdades existentes, onde os continentes Africano e da América do sul quase desaparecem.

wealthmap

Neste mundo desigual, habitado por mais de 7 biliões de Pessoas, em que atividades profissionais estas se ocupam? (p.f. ver esquema abaixo).

7billion

Esta é a dura realidade da desigualdade existente neste mundo, onde uma grande maioria vive mal e com poucos recursos. Esta é a realidade do mundo do dinheiro, que o Homem construiu propositadamente para que poucos tivessem poder sobre muitos. O objetivo do desenvolvimento Humano praticado nunca foi o da igualdade de oportunidades, mas sim o de enriquecer os mais ricos. Aliás, o que se verificou nesta recente crise financeira (2008-2015) foi que os 1% mais ricos (http://www.bbc.com/news/business-35339475) aumentaram significativamente a sua riqueza, de tal modo que esta iguala a dos restantes 99% da População.

Mas as desigualdades não se fazem sentir apenas entre os rendimentos de ricos e pobres, mas também entre Homens e Mulheres, entre Pessoas de diferentes raças, ou no acesso à Saúde e à Educação. (https://www.youtube.com/watch?v=0xMCWr0O3Hs)

Chegados a este ponto, não é de admirar que aumentem as vozes dos que falam e querem um mundo pós-capitalista. Entre essas vozes, destaco a de um Jornalista de investigação Paul Mason, que publicou um livro em 2015 com o título “Postcapitalism: A Guide to Our Future”. Esta obra estará à venda em Março de 2016 já traduzida para Português. (http://www.theguardian.com/books/2015/aug/03/postcapitalism-guide-to-future-paul-mason-review-engagingly-written-confused)

Daquilo que conheço desta obra, penso que uma era pós-capitalista não deve ser resolvida utilizando o referencial do dinheiro, pois esse é o mundo que o Capitalismo melhor domina e com facilidade inverteria a situação seu favor. Rapidamente estaríamos na mesma situação ou pior.

Realço igualmente uma palestra TED de um Investigador e Economista Dan Ariely (Março de 2015), intitulada “How equal do we want the world to be? You’d be surprised”.             (http://www.ted.com/talks/dan_ariely_how_equal_do_we_want_the_world_to_be_you_d_be_surprised?utm_campaign=social&utm_medium=referral&utm_source=facebook.com&utm_content=talk&utm_term=business#t-329490)

 

Dan Ariely

O trabalho de Dan Ariely mostra que “as Pessoas são recetivas às mudanças na igualdade no que toca às Pessoas que têm menos capacidade de ação, basicamente crianças e bebés, porque não os vemos como responsáveis por esta situação”. E continua, “Que lições podemos tirar daqui? Temos duas falhas: uma falha de conhecimento e uma falha de conveniência, e a falha de conhecimento reside na forma como educamos as Pessoas. Como é que fazemos as Pessoas verem a desigualdade de outra forma e as consequências da desigualdade, no que diz respeito à saúde, à educação, ao ciúme, à taxa de criminalidade, etc.? Depois temos a falha de conveniência. Como fazemos as Pessoas pensarem de outra forma em relação ao que desejam? A definição de Rawls, a maneira de Rawls ver o mundo, a abordagem do teste ‘cego’, elimina o nosso egoísmo. Como implementamos isso a um grau mais elevado, numa escala mais extensa? E, finalmente, também temos uma falha de ação. Como pegamos nestas coisas e fazemos algo quanto a isso? Creio que parte da resposta é ver as Pessoas, como crianças e bebés, que não têm muita capacidade de ação, porque as Pessoas parecem estar mais dispostas a fazer isto.” E continua, “… antes de mais, pensem no que é real, na vossa experiência, e no que é o efeito placebo que advém das expectativas. E depois pensem em como isso afeta outras decisões na vossa vida e outras questões políticas que nos afetam a todos.”

É caso para perguntarmos:

  1. ‘Que Futuro queremos ter’?
  2. ‘Que igualdade pretendemos ter neste mundo’?

Seja qual for a abordagem, não podemos pensar numa era pós-capitalista sem mudarmos de paradigma. Querer resolver os problemas das desigualdades de rendimento e riqueza atuais com outra forma de distribuição de dinheiro, não considero que seja uma solução inteligente. Acabaríamos por não mudar nada, pois o dinheiro é o referencial preferido pelos capitalistas. Num abrir e fechar de olhos estes encontrariam uma solução para continuarem a ser os mais ricos de todos, sem acrescentarem Valor significativo à Economia.

No meu entendimento (p.f. ler o meu texto “Características de uma Sociedade baseada no Valor Humano” (https://saalmeida.wordpress.com/2015/04/16/caracteristicas-de-uma-sociedade-baseada-no-valor-humano/)), devemos enveredar por um Paradigma de Sociedade de Valor Humano, como aquele que tenho vindo a desenvolver ao longo do último ano. “Como em todas as mudanças de Paradigma, haverá fases de transição e/ou saltos quânticos quando forem entendidos como positivos para essa mudança. Mas uma certeza inabalável estará presente, a VONTADE de mudar para melhor.”

Ao ler este meu texto, “Características de uma Sociedade baseada no Valor Humano”, o Leitor perceberá o que defendo e como aplicar este novo Paradigma.

Uma Sociedade de Valor Humano está alicerçada em três pilares fundamentais:

  • O Ser Humano;
  • Os Valores Humanos;
  • A Educação.

“As questões de pobreza não se colocam porque nesta Sociedade não existem pobres. O dinheiro já há muito que desapareceu da mente das Pessoas. Existirão Pessoas com menor e outras com maior Valor Humano, mas em nenhum caso passam por indignidades Humanas como as que existiram no passado.

Neste sistema, TODA a Sociedade está em aperfeiçoamento constante. Aliás, o Valor Humano é uma caraterística dinâmica positiva.

Uma Sociedade com estas características não é uma Sociedade perfeita, mas contém todos os elementos necessários a uma evolução e desenvolvimento sustentados, contribuindo decisivamente para uma maior felicidade global.”

Recomendo ao meu caro Leitor embrenhar-se profundamente nesta nova problemática da Sociedade pós-capitalista, pois de entre todas as incertezas que o Futuro nos reserva, uma certeza sobressai, o Capitalismo está podre e em decadência. Já não se coloca a questão se vai cair, mas de quando e como vai cair.

É bom que estejamos preparados para não sermos surpreendidos por uma nova crise financeira (prevista acontecer num futuro próximo), e para sabermos como devemos agir e que consensos devemos considerar como positivos para uma Sociedade de Futuro. Esta atitude ajudar-nos-á a ter uma Consciência Coletiva que contribuirá decisivamente para uma nova Inteligência Coletiva.

O desejável será uma mudança de Paradigma construída em Paz, sem fanatismos nem preconceitos, com a mente focada no Futuro do Homem em equilíbrio sustentável com a Biosfera.

Alfredo Sá Almeida                                                                                     7 de Março de 2016

Criar Riqueza ou Criar Valor Humano?

Riqueza ou Valor Humano

Vivemos num Mundo e numa Sociedade global focada e maioritariamente interessada em criar Riqueza, que vislumbra um ‘crescimento’ fictício esbanjador de recursos para enriquecimento do status quo, com a atitude de ‘depois logo se vê’.

Apesar deste cenário deprimente existe um mundo mais pequenino (mas promissor) que está mais focado no bem-estar e na dignidade da Humanidade, em si, independentemente das ‘riquezas materiais’ acessórias.

Estamos perante dois mundos muito desiguais, tão desiguais quanto a grande desigualdade criada pelo mundo ínfimo da riqueza.

Infelizmente a dimensão dos criadores de ‘riqueza’ é inversamente proporcional à dos criadores de Valor Humano. Esta desproporção deverá, para bem de TODOS NÓS, inverter-se e gerar ondas de solidariedade, empatia, inteligência e consciência coletivas. Este novo percurso (global) é bem mais difícil e requer uma maior preparação e consciência do mundo onde vivemos, que o percurso simples e programado dos criadores de ‘riqueza’.

Os desafios que se colocam aos criadores de Valor Humano são bem maiores e mais abrangentes porque se vislumbra uma mudança de paradigma da Sociedade Global, que se pretende mais justa, mais EDUCADA (de uma Educação de excelência disponível para TODOS) e mais solidária. Não deem ouvidos para aqueles que lhes dizem que é utopia e que estes objetivos são irreais, pois apenas estão interessados em criar mais ‘riqueza’ à vossa custa.

É possível fazer coincidir, noutro referencial, a criação de riqueza e a criação de Valor Humano. Afinal de contas, a maior riqueza deste novo mundo global está no Ser Humano imbuído de Valores Humanos globais.

Seres ricos em Sabedoria, em Valores Humanos, em Solidariedade, em Consciência e Inteligência coletivas, em conseguir a construção de uma ‘Arquitetura Humana’ digna de Seres do Futuro em equilíbrio sustentável com a Biosfera do Planeta que habitamos. É desta RIQUEZA que estamos muito carentes.

Os meus grandes desejos para este Novo Ano são os da difusão maciça dos Valores Humanos universais e de uma consciência de Valor Humano, capaz de transformar esta Sociedade Global e de construir um novo Paradigma Humano com Futuro.

Criar riqueza2

Criar Valor2

Alfredo Sá Almeida                                                            27 de Dezembro de 2015

Valor Humano

Futuro Coletivo

“A razão por que decidi escrever sobre o Valor Humano prende-se com o facto de ter vindo a defender que é urgente uma mudança de Paradigma da Sociedade Global atual, onde o Valor Monetário domina e produz sistematicamente mais e mais desigualdades entre Humanos, sem melhorar significativamente os padrões de dignidade Humana.

O que temos vindo a assistir, com muita frequência nos domínios Político e Financeiro que gerem os Países, é a uma constante falta de ética, sem princípios e Valores Humanos, onde predomina a arrogância, a ganância, a prepotência, a corrupção, a esperteza ‘saloia’, a agressão gratuita (verbal e física), a falta constante de respeito e consideração pela VIDA e pelo Ser Humano, bem como, pelo Desenvolvimento Humano Global e Sustentável.

Nos meus livros, “O Homem e Futuro” (2013) e “Despertar para o Futuro” (2014), defendi a importância dos Valores Humanos na Educação e na Sociedade e o modo como podemos encarar o Futuro com confiança se despertarmos para uma realidade onde o Homem será o CENTRO de todo o sistema e o Valor Humano o referencial de valorização de TODA a Economia Global e Regional.

Agora, chegou o momento de eu desenvolver o tema que, a meu ver, será a verdadeira mudança Paradigmática da Sociedade Futura – o Valor Humano.

Irei defender o como e o porquê da aplicação do Valor Humano à Economia e à Sociedade, acabando de vez com TODO o sistema monetário e financeiro mundial, que apenas tem provocado um desenvolvimento global fictício (virtual), sem sustentabilidade e amplificando as desigualdades Sociais.

Como se define Valor Humano?

Primeiro concentremo-nos no significado de Valor: merecimento, talento, reputação, coragem, valentia.

Depois, vamos definir Valor: “- É uma qualidade que confere às coisas, aos feitos ou às Pessoas uma estimativa, seja ela positiva ou negativa.”

A Axiologia é o ramo da Filosofia que estuda a natureza e a essência do Valor.

Agora vou eu definir o que considero ser Valor Humano: “- Expressão, com resultado Humano positivo, do mundo interior do Homem sobre o mundo exterior.”; ou; “- Partilha de positivismo Humanista entre Seres Humanos”.

O Valor Humano é essencialmente um Valor intrínseco ao Homem na sua relação consigo e com os que o rodeiam. De certo modo, é um Valor Social pois o Homem é um Ser que vive em Sociedade e para quem a Vida solitária não está de acordo com a sua génese.

Igualmente, o Valor Humano passará a ser considerado como uma valorização económica (onde o dinheiro deixará de existir), pois está sujeito a uma avaliação realizada por Pessoas qualificadas para o efeito. É dessa avaliação objetiva, como Pessoa íntegra e capaz de se relacionar com os outros pares, de cada Ser Humano presente neste Planeta, que resultará o seu Valor como Humano capaz de contribuir para o bem da Sociedade e o seu desenvolvimento. Cada Pessoa Vale pelo que é, pela sua coerência, pelo seu caráter e personalidade, e como se comporta em Sociedade durante a sua Vida. A sua presença e respetiva identificação são suficientes para lhe permitir (ou não) manter a sua dignidade como Ser Humano com direito a todos os elementos básicos de uma Vida Humana (água, alimentos, energia, condições de habitabilidade, Educação, Trabalho, Saúde, Justiça e Segurança). Mas com deveres intrínsecos de Ser Humano sobre toda a VIDA, seja ela Humana ou não, assim como, sobre o Bem Comum.

Quanto mais desenvolvidos e elaborados os Valores Humanos estiverem em cada um de Nós, com uma perspetiva de Futuro Coletivo, onde a Inteligência e Consciência Coletivas são as orientações referenciais, mais Valor Humano teremos, e, como consequência maior capacidade de influência sobre a Sociedade e definição das orientações Futuras para a Sociedade. Aqui o Poder é representado por essa capacidade de influenciar o Futuro da Humanidade, pela demonstração da sua capacidade de Valor Humano.

Tenho consciência que o Homem não integra apenas características de Valor, também integra algumas que não possuem Valor e que, na maior parte das vezes, atrapalham a expressão do Valor Humano. No entanto, nem sempre, ao longo de uma Vida, predominam as de não Valor. Na grande maioria das Pessoas o balanço é claramente positivo.

O sistema que irei desenvolver neste livro, não existe. Portanto, não será possível nem desejável estabelecer comparações com o simulacro de Valor Humano que atualmente está disseminado pelo mundo do Valor Monetário, onde impera a lei do mais forte e do poder subjugador e manipulador sobre todos.

TODOS teremos de aprender de novo sobre o que se considera ser o Valor Humano e deveremos passar por mudanças de mentalidade e de vivência em Sociedade, distintas das atuais, para podermos integrar-nos nesta nova dimensão de Valor. Como em todas as mudanças de Paradigma, haverá fases de transição e/ou saltos quânticos quando forem entendidos como positivos para essa mudança. Mas uma certeza inabalável estará presente, a VONTADE de mudar para melhor.

Bem-vindo a um novo mundo, a um Planeta que começará a ser sustentável e sustentado por TODOS os Seres Humanos. Um Planeta onde a VIDA é um bem supremo e que deve ser preservada e desenvolvida sustentadamente. Onde passarão a existir os Direitos da Biosfera como entidade de Direito próprio, defendida por Humanos contra os abusos de outros Humanos.

Neste novo mundo deixaremos a Era do Antropoceno (Homem Novo) e passaremos para uma nova era, a Era do Sofoceno (Homem Sábio). Quem vier por bem terá um Futuro como Ser Humano de Valor. Quem estiver mal-intencionado e com mais vontade de destruir do que construir, não terá um Futuro entre os Humanos.

Neste novo livro vou necessitar das opiniões dos meus Leitores, das críticas construtivas, das opiniões metodológicas que considerarem que são relevantes para o tema a desenvolver. Enfim, numa palavra, da vossa participação para uma troca dinâmica de ideias e para a construção de um novo Paradigma de Sociedade Futura.”

Alfredo Sá Almeida                                                                       19 de Março de 2015