Quando a competitividade atrapalha o Valor Humano

Competitividade

“Ninguém gosta de prejudicar o outro, mas, às vezes a competitividade se transforma em ódio, e no final das contas o seu competidor passa a ser um inimigo.” – Shek Crowley

Competitividade para ser saudável tem de ter Valor Humano, caso contrário transforma-se numa competição obsessiva por uma posição, onde são esquecidas outras vertentes importantes e alternativas.

Outra caraterística importante, que muitas vezes é esquecida, é a carência de ética na inteligência competitiva.

Infelizmente assistimos, com maior frequência que desejaríamos, a casos fraudulentos de competitividade empresarial (grandes empresas corporativas) que nos deixam céticos da existência desse espírito competitivo saudável.

A meu ver, o grande problema da competitividade, no mundo global atual, tem a ver com a ganância e a obsessão vencedora e ‘bem-sucedida’ a que as empresas se impõem. Mais uma vez, verificamos que as questões sobre o valor do dinheiro se sobrepõem aos domínios onde não deveria estar presente.

Grande parte desta atitude empresarial advém de uma mistificação económica que tem a ver com aquilo a que os economistas e financeiros chamam de ‘crescimento’. Este acaba por se traduzir em aumento de vendas, superação de objetivos, ultrapassagem da concorrência, atingir uma posição de liderança, ou, simplesmente, ter PODER.

Ora, com base no conhecimento recente, todos nós sabemos que essa ‘competitividade’ deu origem a muitos aspetos negativos em sociedade, como o consumismo exacerbado, a obsolescência programada, o aumento significativo dos níveis de poluição, alterações climáticas (aumento da temperatura global do planeta), etc. Todos estes aspetos acabaram por ter reflexos profundamente negativos no Ser Humano e na sua saúde mental e física.

Pior que esses reflexos negativos verificamos uma grande perda de flexibilidade processual para inverter, quando é caso disso, o sentido dos resultados. E isso tem implicações sérias no futuro do Homem.

Como resultado deste desequilíbrio competitivo, a que temos assistido, impõe-se a introdução genuína e séria das regras da sustentabilidade e do equilibro sustentável. Estas novas regras inteligentes implicam um espírito diferente e uma dinâmica de decrescimento sustentado. Este vem chocar de frente com o atual conceito de competitividade, e a sua falta de flexibilidade para gerar atitudes mais inteligentes.

Em muitos casos, estamos mais perante um vício de competitividade do que de inteligência competitiva.

Afinal de contas, onde e como fica o Valor Humano no meio disto tudo? Fica pelas ‘ruas da amargura’, porque os objetivos que se pretendem atingir apenas estão focados num valor que não tem nada a ver com Valor Humano.

Este é um dos grandes problemas do mundo globalizado atual, que relega para plano secundário tudo o que se relaciona com o Valor Humano. Tudo é mais importante que o Homem e o seu futuro, desde que alguns cheguem em primeiro lugar, não se sabe bem onde, mas com muito alarido e folclore.

Concentremo-nos muito mais nos Valores que o Homem deve desenvolver em todas as frentes, seja no domínio pessoal, empresarial, governamental, etc., que nos conduzirão a uma Sociedade de Valor Humano com uma raiz de equilíbrio sustentável, atualmente inexistente.

Alfredo Sá Almeida                                                                                                           2 de Outubro de 2015