Antivalores gratuitos!

O mundo dos Valores Humanos está a necessitar de uma revitalização em todas as frentes. Na Educação Escolar estes são esquecidos com muita frequência. Já na Educação Familiar, apesar de presentes, não estão efetivos num número muito significativo de Famílias. Significa que não havendo uma prática corrente destes Valores, as características fundamentais dos Seres Humanos vão-se perdendo no tempo.

Por outro lado, os Antivalores, esses são gratuitos! Aqueles que os praticam nem necessitam de ter um motivo para os executar. Pode parecer um contrassenso, mas a permissividade e a ausência generalizada de Valores Humanos acaba por não contribuir para a valorização do Ser Humano.

Que a prática de Valores Humano seja gratuita, é perfeitamente admissível. Aliás eles são por natureza desinteressados e espontâneos na sua aplicação em Sociedade. Já quem pratica Antivalores o faz a coberto de uma Liberdade distorcida, por um sentido profundamente egoísta e sem causa ou motivo. Pratica-os porque lhe apetece e porque encontra no outro uma justificação injustificável para o executar. Por que sim! Pronto!

Em questões de ‘mercado’ costuma dizer-se que “Não há almoços grátis”. No mundo financeiro e no mundo do crime organizado tudo se paga! Muitas vezes com a própria vida. Desde que seja para ganhar posição de poder, tudo está justificado. Neste caso os Antivalores praticados não são grátis, porque são resultado de uma meticulosa distorção da Educação. Tudo tem um preço!

Agora, naquelas atividades ‘criminosas (*)’ diárias e sem organização, resultantes da ausência de Valores Humanos e de uma Educação cuidada, os Antivalores praticados são gratuitos (e muitas vezes irracionais).

Sejam gratuitos ou com um custo determinado, o mundo dos Antivalores parece estar a ganhar ao mundo dos Valores Humanos. A continuar assim, temo que o Homem acabe por perder as suas características Humanas.

A Justiça e a Educação formal Escolar estão a necessitar de melhorias significativas de qualidade e cidadania.


Nota (*): Chamo de atividades ‘criminosas aquelas que estão desenraizadas do bem-comum e do interesse social com Valor e que não obedecem a uma cultura de cidadania.

Alfredo Sá Almeida                                                                         27 de Janeiro de 2018

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O Valor do Poder

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Exercer o Poder é uma capacidade do Homem, com maior ou menor arbitrariedade, de deliberar, de agir, de mandar, ou ainda, a faculdade de exercer a autoridade e a soberania. Sob o ponto de vista sociológico ‘o poder é definido geralmente, como a habilidade de impor a sua vontade sobre os outros, mesmo se estes resistirem de alguma maneira.’

Independentemente do modo como é observado e avaliado, o Poder deve ter Valor Humano. Caso contrário, o exercício dessas capacidades, faculdades e habilidades não serve propósitos Humanos globais.

Apesar de nas Sociedades Democráticas o Poder estar dividido:

  • Poder Social – o Estado;
  • Poder Económico – Empresarial;
  • Poder Militar – Poder Político;
  • Poder Judicial – Justiça

Existe sempre uma subordinação a uma autoridade máxima, que na grande maioria dos Países é representado pelo Presidente da República ou pelo Rei (ou Rainha).

Muitas vezes assistimos impotentes a ‘disputas’ entre órgãos de Poder pela concretização de uma parcela desse Poder, ou da parcela decisiva.

Exemplos:

  1. “Congresso ultrapassa veto de Obama e aprova lei contra governos patrocinadores de terrorismo” – (https://www.publico.pt/mundo/noticia/congresso-ultrapassa-veto-de-obama-e-aprova-lei-contra-governos-patrocinadores-de-terrorismo-1745541);
  2. “ONU: “Crise repentina pode alterar” escolha do secretário-geral” – (http://www.tvi24.iol.pt/politica/presidente-da-republica/onu-crise-repentina-pode-alterar-escolha-do-secretario-geral);

Exemplos destas disputas não faltam, são o dia-a-dia da vida Política. São sempre uma tentativa de sobrepor uma vontade à vontade de outro órgão de soberania.

A questão que se coloca, na maioria das vezes, é a da legitimidade, da justiça ou do Valor dessa vontade contrária. É que o exercício do Poder é essencialmente uma vontade coletiva, ou uma interpretação momentânea da vontade coletiva que dará lugar à Consciência Coletiva e oficial de um Povo.

Diz-se que o Povo (em Democracia) é o supremo detentor do Poder. Esta afirmação é tanto mais verdadeira quanto maior representatividade tiver esse Povo, ou a qualidade das ações que possa exercer para demonstrar a sua vontade. Caso contrário, haverá sempre um Político que tomará a iniciativa de uma interpretação da vontade do Povo e desencadeará as ações táticas necessárias para influenciar decisivamente a estratégia.

Mas, para lá da legitimidade ou da justiça na vontade contrária, existe uma dimensão que quase nunca ninguém coloca, que se prende com o Valor dessa ação. Sobretudo, na dimensão do Valor Humano da ação contrária.

Quando o Poder é exercido de forma coletiva e existe um consenso, normalmente as questões da legitimidade e da justiça estão praticamente superadas. Mas para que exista Valor tem de haver coerência da ação com as demais posições Políticas, ou outras, que foram tomadas.

Infelizmente assistimos, mais vezes do que devíamos, a uma total falta de coerência em determinadas ações de Políticos, que na ansia de interpretarem a vontade do Povo, demonstram uma vontade individualista da sua ação. O mais grave, é que essas vontades individualistas, repentinamente expressas, acabam por se sobrepor indevidamente aos processos decisórios definidos democraticamente em tempo oportuno, desvirtuando e desrespeitando todo o processo instituído. Neste caso, acabam retirando todo o Valor que a decisão acarreta.

Os Líderes mundiais, detentores do Poder Global, deveriam preocupar-se com TODAS as dimensões (Legitimidade, Justiça e Valor) das suas decisões, e, deixarem-se de vontades individualistas repentinas e incoerentes que lhes retiram o Valor Humano e acrescentam a incompreensão do Povo.

O modo como os Líderes lidam com as incertezas do mundo não pode representar ‘opacidade’ na nova decisão, pelo contrário, a alteração da decisão deve ser bem clarividente e coerente para congregar vontades, em vez de congregar repulsa.

Considero ser necessário salientar quais as características negativas que retiram toda a Legitimidade, Justiça e Valor ao Poder. Este é o caso da falta de princípios éticos, dissimulação de vontades, corrupção processual, autoritarismo, etc.

Mas no que concerne à ‘… habilidade de impor a sua vontade sobre os outros, …’ não vale tudo. Há regras e boas práticas Políticas que devem ser realizadas para não desvirtuar o Poder.

O mundo Global de hoje, e os seus Líderes, vive em maior ambiente de incerteza e em ampla expressão de vontades coletivas, que requer decisões sábias, conciliadoras, com sentido de futuro global e muito Valor acrescentado. Sabemos, pelas observações, conhecimento e avaliações que fazemos, da prática Política atual, que uma boa parte dos problemas mundiais resultam da impreparação e erros cometidos por líderes (e seus assessores) incapazes de negociar convenientemente vontades coletivas. Os restantes problemas advêm da intransigência negocial das partes envolvidas, do extremar de posições, da arrogância negocial, da tentativa de acrescentar Poder ao já existente e do desfasamento cultural e de Valores dos intervenientes.

Se a carência em Valores Humanos se faz sentir enormemente entre os elementos do Povo e na prática da Sociedade, ela tem uma dimensão bem maior quando esses Valores não estão enraizados nos dirigentes Políticos e outros. A Paz é fundamental em qualquer processo negocial. Mas infelizmente verificamos que a falta de sincronia das vontades coletivas, causadas pela crescente vertente de desigualdades sociais ou pela falta de concordância no estabelecimento de prioridades, e ausência de Valores Humanos acrescenta intransigência negocial.

O meu caro Leitor também está em posição privilegiada para contribuir para o Valor do Poder. Para tal, será conveniente que aumente a sua Consciência Coletiva, o seu Conhecimentos de matérias importantes para o Povo e desenvolva Valores Humanos, que lhe permitam exprimir a vontade coletiva com a coerência, legitimidade e justiça sociais necessárias.

Alfredo Sá Almeida                                                                               30 de Setembro de 2016

Sobre a Verdade – About the Truth

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“A Verdade é o resultado do encontro no tempo, e em equilíbrio dinâmico, entre a Coerência, a Razão e a Justiça.”

“The Truth is the result from the meeting in Time, and in dynamic equilibrium between Coherence, Reason and Justice.”

Alfredo Sá Almeida                                                  6 de Dezembro de 2015

O Propósito do Valor Humano

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O meu objetivo está em demonstrar que o Valor Humano é o VALOR supremo e universal que deverá congregar os Seres Humanos e os seus Valores.

A VIDA nas suas diversificadas formas e dimensões é um BEM que deve ser preservado com equilíbrio dinâmico, onde o Homem tem uma responsabilidade acrescida por ser a única espécie com capacidade de gestão imparcial desse equilíbrio.

O desenvolvimento civilizacional sustentável na nossa Biosfera é o motor que deverá motivar qualquer Ser Humano a agir, cumprindo o Propósito do seu VALOR.

Nesta ‘equação’ da Vida está inerente toda a ação que conduza ao BEM COMUM a todas as espécies.

Este Propósito positivo e Humanista respeita todas as sensibilidades culturais e religiosas com Valor.

O grande problema do Homem estará sempre no modo e na forma de lidar com a influência dos Antivalores Humanos na Vida.

Todos nós temos consciência que a Educação e a Justiça são, por excelência, os sistemas Humanos capazes de resolver com Valor esse grande problema. No entanto, apesar da inteligência do Homem, ele ainda não é capaz de construir coerentemente estes sistemas para que o resultado da sua aplicação respeite integralmente a VIDA, como propósito do Valor Humano.

Significa isto que deveríamos TODOS encontrar o denominador comum que permita unir a nossa espécie em torno de princípios fundamentais não permissivos com os Antivalores, sem que isso constitua uma forma de preponderância inaceitável.

Afinal, o Valor Humano é a transcendência da VIDA.

Alfredo Sá Almeida                                                                                                      3 de Setembro de 2015

A violência da Sociedade atual

Raiva

Recentemente, em conversa com um amigo, falávamos da raiva, rancor e ódio que caracterizam extratos da Sociedade atual, quer seja nas conversas, em opiniões emitidas nas redes sociais ou nas ações praticadas por uma ou mais Pessoas sobre outras. Esse amigo mencionava-me, com tristeza, o desconforto e a angústia que sentia por estar a assistir, impotente, a esta tragédia.

Infelizmente, esta é uma triste realidade por ausência constante de Valores Humanos no relacionamento e na vivência do dia-a-dia da Sociedade.

No meu livro “Despertar para o Futuro” tive o cuidado de escrever, num texto intitulado ‘O Futuro das Emoções’ [Também publicado na Revista INSIGHTS, nº2 pag’s 30-31 (2013)] o seguinte:

“Das cinco emoções consideradas básicas, definidas por Eric Berne, duas podem ser consideradas positivas, o Amor e a Alegria, enquanto outras duas, a Raiva e a Tristeza, podem ser consideradas negativas, e, uma, o Medo, pode corresponder a uma atitude de defesa e preservação da integridade. Todas as emoções são referenciais de enorme amplitude. Nas duas primeiras a variação pode oscilar entre a satisfação e o êxtase. Na Tristeza podemos verificar sentimentos de desapontamento até ao desespero. Enquanto na Raiva as oscilações emocionais vão do descontentamento ao ódio. Já no Medo observamos oscilações entre a timidez e o terror. Em todas elas todos os Seres Humanos possuem uma ‘programação’ genética inerente às emoções básicas.

Por outro lado, estas emoções básicas são independentes do sexo mas o desenvolvimento emocional é influenciado pela hereditariedade e pela aprendizagem. O que significa que cada um de nós sofre uma enorme influência familiar e educacional na modelação das emoções.” – Alfredo Sá Almeida.

Os problemas relacionados com a Raiva e com o Medo no Homem são bastante complexas, dadas as más influências, com diferentes origens, e com influência geracional.

Conhecem-se as causas, verificamos com tristeza as consequências na Sociedade, e infelizmente a Educação e a Justiça (em resumo os Governos), na grande maioria dos Países, não cumprem o seu papel essencial para atenuar e resolver significativamente esta ‘praga’. Seja por ignorância, por indiferença ou incapacidade racional, o que se verifica é um atentado à Humanidade.

Destilar o ódio

O problema maior é que existem grupos de Pessoas capazes de incutir e avolumar o medo noutras mais ignorantes e desequilibradas que acaba por resultar numa expansão do ódio, com a indiferença de muitas Pessoas que deveriam ser responsáveis por evitar estes acontecimentos.

Conhecem-se as práticas desviantes, e nem sempre julgadas e tratadas convenientemente pela Sociedade, como o Bullying (seja psicológico ou físico), os casos de violência doméstica, os atentados terroristas praticados por extremistas radicais, os crimes violentos, o tráfico de drogas e a violência que lhe está inerente, as agressões constantes (de uma Sociedade mal formada) sobre os seus Cidadãos, o fanatismo religioso ou ideológico, etc.

A Sociedade tornou-se violenta por falta de referências a Valores Humanos transmitidos desde muito cedo. As práticas educativas nas Escolas e na Família não são nem se tornaram difusoras de referenciais exemplares de Valores Humanos, e a Sociedade tem vindo a degradar-se nesta questão essencial para o Homem.

A minha querida Angela Alem escreveu recentemente um texto que aflora as questões do Civismo e da Educação, num texto intitulado “Diferença entre SER CIVILIZADO e SER EDUCADO” que recomendo uma leitura atenta. (https://angelaalem.wordpress.com/2015/07/11/diferenca-entre-ser-civilizado-e-ser-educado/)

É comum vermos crianças e jovens concentrados e focados em jogos violentos no computador, ou filmes violentos, sem interferência dos Pais e em total autonomia. É comum assistirmos à demissão das Escolas e dos sistemas de ensino, na difusão pedagógica de Valores Humanos e de filosofias de caráter Humanista. É comum encontrarmos Cidadãos indiferentes perante situações aberrantes de agressão e violência, pelo receio de intervenção e pela incapacidade de saber como atuar.

Perante esta triste realidade só nos resta a atitude interventora (pela opinião e razão de causa) e esclarecida de Cidadãos conscientes e conhecedores dos Valores Humanos, como agentes de mudança, em alertas permanentes à Sociedade e às autoridades dos Países, para que atuem de forma sistemática, concertada e coerente na resolução destas aberrações Humanas.

Mas existem muitas práticas Pessoais e da Sociedade, sejam atitudes ou comportamentos, que devem ser corrigidas, sob pena de ser muito difícil de nos vermos livres da Raiva, do Medo e da Ignorância. A continuar tudo como está estamos a favorecer os grupos de Pessoas (mas não de Seres Humanos) que difundem o medo e a raiva, como modo de vida para prosperarem os seus negócios ilegais.

Não nos podemos esquecer que neste mundo globalizado existe escravidão humana sobre 96 milhões de Pessoas, para não falar nos milhões de deslocados devidos a guerras e fome nas regiões onde habitam. Todas estas tristes realidades, causadoras de indignidade humana, ajudam a alimentar a raiva e o rancor entre os Homens.

As constantes injustiças e desigualdades sociais forçadas, cometidas por Governos, pelo sistema financeiro e a ‘deseducação’ generalizada, consciente ou não, são o combustível para o desenvolvimento destas emoções negativas no Ser Humano.

Só um processo educativo de excelência Humana, para TODOS, acompanhado por um sistema judicial desenhado para uma Cidadania de Valores Humanos e não para outros valores de caráter duvidoso, seremos capazes de, com persistência e coerência, atingir níveis de VALOR HUMANO dignos de Seres Humanos.

Não podemos nem devemos ser condescendentes e tolerantes com as agressões e a violência, sob pena de sofrermos diretamente as suas consequências e de prejudicarmos seriamente as gerações futuras. Mas também não devemos descurar o importante papel (para o bem ou para o mal) que a Comunicação Social, e os Média têm para avolumar ou diminuir a difusão destas emoções Humanas negativas. Chego até a pensar que a Comunicação Social não está ao serviço dos Cidadãos mas de outros interesses mais obscuros, nesta matéria em causa.

Cabe-nos a nós Cidadãos do mundo sermos não só os agentes da mudança, mas também os agentes de pressão sobre as autoridades competentes, para contribuirmos com a diminuição significativa dos níveis de agressão e violência na nossa Sociedade. Mas temos de ser exigentes connosco e melhorarmos significativamente a nossa inteligência emocional.

Basta

Termino este texto do mesmo modo como finalizei o texto sobre o ‘O Futuro das Emoções’:

“Não consigo imaginar o Futuro sem emoções. No entanto, habituámo-nos a ver muitos Humanos sem Humanidade e muitos Homens sem Emoções dignas de nota.

Mark Twain afirmou: “Se o homem tivesse criado o homem, teria vergonha da sua obra.” Mas convém não esquecer que há muitos milénios que o Homem dá origem a outros Homens. Apesar de assistirmos ou participarmos neste complexo processo de desenvolvimento Humano, com melhorias sensíveis no novo Homem, ainda há muito por fazer e muito Futuro a desbravar.” – Alfredo Sá Almeida inDespertar para o Futuro”.

Alfredo Sá Almeida                                                                                                      12 de Julho de 2015