Vírus vs Liberdade

Um vírus que nos está a obrigar a refletir sobre o conceito de Liberdade.

Esta pandemia de covid-19 desencadeou um conjunto de ações de saúde pública que nos obrigou a ‘confinar’ (encerrar ou encerrar-se dentro de certos limites) o atual conceito Liberdade.

O confinamento em casa provocou alterações significativas na vida das Pessoas. Acabaram (temporariamente): os cumprimentos físicos (aperto de mão; beijo; abraço; etc.), os convívios com muitas Pessoas, os espetáculos artísticos e desportivos, as visitas a familiares e muitas outras exaltações sociais, típicas de um são convívio em Sociedade. Obriga-nos a usar mais uma peça de vestuário – a máscara (1). Por outro lado, permitiu que os transportes públicos não transportem Passageiros como ‘sardinhas em lata’, o que evita muito stress. Enfim, um conjunto de situações que limitam a nossa Liberdade diária de ‘movimentos’ de cariz social. Uma nova EVIDÊNCIA SOCIAL.

Muitos questionam se deveríamos ceder em tantas limitações à Liberdade, por uma questão de saúde pública? A resposta parece-me EVIDENTESem Vida saudável não existe a Liberdade que gostamos de ter!

A Liberdade e a Vida estão indissociavelmente ligadas!

Por esse facto aceitamos tranquila, racional e temporariamente as referidas limitações. Mas é neste intervalo temporal que o conceito de Liberdade, tão fundamental para todos Nós, deverá ser objecto de uma boa reflexão.

Vejamos, uma vantagem importante que este fenómeno pandémico tem, está relacionado com um aumento do dever de Consciência Coletiva Global. Compreendemos bem que este esforço nos ajudará a TODOS a sobreviver saudavelmente e a reganhar a nossa Liberdade. Mas existe outra vantagem, o provável aumento de Valores Humanos importantes à Vida em Sociedade: a Empatia, a Solidariedade, a Compaixão, o Altruísmo, etc. Exemplos da prática destes Valores Humanos sobressaem naturalmente desta crise pandémica, por TODO O MUNDO. Estamos a revelar-nos como Seres Humanos de Valor a nível Global.

Este facto pode parecer pouco importante para algumas Pessoas, mas revelar-se-á fundamental no Futuro na Sociedade Global. Infelizmente ainda existem muitas que não querem saber destes ‘pormaiores’  para nada. Pretendem apenas voltar à normalidade anterior e a poderem usufruir da sua Liberdade sem limites.

Mas será que existe Liberdade sem limites? Será que cada um de Nós pode fazer o que quiser sem uma preocupação com o Outro? A Vida saudável em Sociedade diz-nos que NÃO!

É neste momento que o conceito de Liberdade, que se encontra em vigor pelas várias Sociedades isoladamente, deve começar a ser ajustado à realidade do Futuro da Sociedade a nível Global.

Quanta iniquidade entre Países, Pessoas, Instituições, conceitos Educacionais e Vivências! Por quê e para quê? O que nos conduz a ‘produzir’ tanta pobreza, tristeza, escravidão, violência, etc. por esse Mundo afora? Chamamos a isto LIBERDADE?

O que para nós é mais importante? Uma Liberdade para aumentarmos os nossos conhecimentos, as nossas convivências saudáveis, a nossa vida desejada em Sociedade? Ou, possuirmos uma Vida desregrada que nos faz mal à saúde física e mental?

Queremos dominar TUDO e TODOS pelo nosso conceito de Liberdade? Queremos convencer quem? Queremos que o nosso conceito de Liberdade seja tão amplo que possa albergar instantaneamente a iniquidade existente? Nem uma ganância, arrogância e prepotência desmedidas conseguem explicar tanta enormidade. Lembrem-se que a Liberdade e a Vida estão indissociavelmente ligadas.

Continuamos a não desenvolver globalmente uma Educação em Valores Humanos, que nos ajudaria significativamente a integrar o conceito Liberdade nos outros Valores, que tanto necessitamos como espécie inteligente com tendências Globais e a um Futuro Coletivo digno de Seres Humanos.

Vamos querer voltar à NORMALIDADE?

Alfredo Sá Almeida                                                                                4 de Maio de 2020

Nota (1): ‘A máscara’ – Os meus caros Leitores estão seguramente lembrados dos tempos em que na Europa Ocidental e outros Países por esse mundo fora, proibiram o uso de burka e véu Islâmico por questões muito preconceituosas. Pois bem, agora que têm (por obrigação) usar o rosto tapado com uma máscara cirúrgica, espero que não se sintam frustrados por eventualmente terem ‘embarcado’, com a vossa Liberdade, nos argumentos preconceituosos do passado. 

Cidadania Global – Um Valor em desenvolvimento

ONEWORLD

Ser Cidadão do Mundo é uma responsabilidade e um Valor Humano que está associado a muita empatia, solidariedade, altruísmo e a muitos outros Valores que contribuem decisivamente para o Bem Comum.

Se, ser Cidadão de um País já representa uma Consciência de dimensão coletiva que conduz a uma dinâmica positiva para o desenvolvimento, ser Cidadão Global constitui o universo máximo da Consciência Coletiva, contribuindo para o Bem Comum de TODO o Mundo.

Felizmente, é nesta dimensão que encontramos cada dia mais Pessoas dispostas a desenvolver uma solução Global para os problemas do mundo. A meu ver, é assim que deve ser. Se a Comunicação Social se transformou em Global, recebendo e difundindo informações de e para os ‘quatro cantos do mundo’, torna-se mais fácil ganhar os conhecimentos e a dimensão envolvente que contribuem para a nossa Consciência Coletiva.

Deste modo, estaremos melhor preparados para os desafios do Futuro e para a consolidação dos Valores Humanos a nível Global.

Sim, podemos ter centenas de realidades culturais, diferentes estilos de vida e sensibilidades espirituais, mas somos TODOS ‘filhos’ do mesmo Planeta e do mesmo Paradigma que está a gerar este desenvolvimento desequilibrado. Ainda nos vemos, uns aos outros, com um espírito muito competitivo e desconfiado, mais preconceituoso e pouco colaborativo, mas quando as catástrofes acontecem sabemos que a competitividade, o preconceito, a desconfiança e a indiferença não servem de nada, a não ser para atrapalhar a resolução efetiva dos problemas. No fundo, os Valores Humanos são universais apesar de cada cultura tentar dar-lhes uma ‘cosmética’ e um contexto distintos.

Assim como a música é uma expressão cultural universal, o Amor, a Empatia, o Altruísmo, a Solidariedade, a Compaixão, etc. são sentidos do mesmo modo por TODOS NÓS. Estar a contrariar esta realidade intrínseca do nosso SER é desumano e apenas contribui para o desentendimento Global em que estamos mergulhados.

Se o desentendimento em si não constitui um elemento tão negativo, pois pode ajudar a esclarecer os propósitos, já a falta de empatia, solidariedade e altruísmo podem constituir um problema grave nesse desentendimento.

Como podemos comprovar não são as Artes que produzem grandes cisões na Sociedade Global. O mesmo se passa com as questões de natureza Científica, apesar de algumas divergências teóricas, o método é o mesmo. São sobretudo o modo e a prática de muitas das questões económicas e financeiras que provocam as grandes divisões na Vida das Pessoas.

Se se tornou possível globalizar o dinheiro e os vícios, também será possível globalizar os Valores Humanos.

Todos nós sabemos que uma Educação inclusiva e de qualidade é o elemento primordial, conjuntamente com os bons exemplos e a ética, para o desenvolvimento desses Valores. Portanto, impedir ou escamotear o desenvolvimento e a prática de processos Educativos Públicos, no sentido de melhorar a nossa qualidade de Seres Humanos, são atitudes abusivas e indignas do Homem.

Reconheço que estratégica e mentalmente seja muito mais fácil globalizar o dinheiro e os vícios, mas utilizar a liberdade de atitudes e comportamentos como um ‘cavalo de batalha’ para impedir a globalização dos Valores Humanos afigura-se-me arrogante e de um pretensiosismo castrador.

A Liberdade em Sociedade, por si só, desenquadrada do restante conjunto de Valores não acrescenta ao Homem uma dimensão de Ser Humano, podendo até ser prejudicial ao seu desenvolvimento digno.

Portanto, meus caros Leitores, o fenómeno da Globalização apesar de complexo, requer muito foco no Ser Humano e na nossa vida em Sociedade.

Alfredo Sá Almeida.                                                                                20 de Abril de 2020

Sobre a dimensão dos Valores do Amor e da Liberdade

O Amor liberta

No mundo atual, por falta de uma Educação em Valores Humanos, sobressai uma deturpação de conceitos importantes e essenciais que prejudicam o entendimento global dos Seres Humanos e a construção de uma Consciência Coletiva e da Paz.

Destes, o Amor e a Liberdade são seguramente os mais acarinhados pela grande maioria das Pessoas. Representam a essência da Humanidade e do relacionamento entre Seres.

O grande problema está na prática de vida a que as Pessoas estão sujeitas, por vontade própria ou alheia. São poucas as que não se encontram condicionadas por práticas desajustadas à dimensão do Ser Humano. Acabam criando uma espiral, ou um turbilhão emocional aprisionador de vida, que tem como consequência a deturpação dos Valores essenciais.

“Para o psicanalista Alemão, filósofo e sociólogo Erich Fromm, ao contrário da crença comum de que o amor é algo “fácil de ocorrer” ou espontâneo, ele deve ser aprendido; ao invés de um mero sentimento que acontece, é uma faculdade que deve ser estudada para que possa se desenvolver – pois é uma “arte”, tal como a própria vida. Ele diz: “se quisermos aprender como se ama, devemos proceder do mesmo modo por que agiríamos se quiséssemos aprender qualquer outra arte, seja a música, a pintura, a carpintaria, ou a arte da medicina ou da engenharia”. – Wikipédia

Amor1 - Erich Fromm

“Erich Fromm, ainda, ressalta que “O amor é uma atividade, e não um afeto passivo; é um “erguimento” e não uma “queda”. De modo mais geral, o caráter ativo do amor pode ser descrito afirmando-se que o amor, antes de tudo, consiste em dar, e não em receber.” Como sentimento individual e personalíssimo, traz complexidade por envolver componentes emocionais, cognitivos, comportamentais que são difíceis – ou quase impossíveis – de separar.” – Wikipédia

O Amor na sua dimensão mais ampla é incondicional. Representa a verdadeira expressão do sentimento para com o outro. “Um exemplo disso é o amor dos pais para os seus filhos, não importa uma nota de prova, uma decisão de mudança de vida, um argumento, ou uma crença forte, a quantidade de amor que permanece entre este vínculo é visto como imutável e incondicional.” – Wikipédia

No caso da Liberdade a situação muda de referencial. Não se trata de um sentimento mas de uma capacidade Humana. “A liberdade é a capacidade de adotar seu próprio critério. Esta definição leva em consideração sua própria natureza e não aceita nenhum tipo de critério exterior. O mundo físico está caracterizado por relações de causa e efeito, onde qualquer fenómeno pode ser explicado por outro ou pela concorrência de outros que por sua vez se baseiam em fenômenos alternativos, e que se estendem à cadeia de causa e efeito de modo indefinido. Pelo contrário, a liberdade não encontra seu fundamento ou causa em nenhum aspeto exterior, mas além do que a própria vontade. No entanto, vale ressaltar que esta liberdade tem limites; mesmo assim, quando se diz que um homem está livre, talvez seja melhor dizer que sua vontade é livre, à medida que possam existir circunstâncias que limitem o campo de ação de uma pessoa.(https://conceitos.com/liberdade/).

Enquanto o sentimento do Amor pode variar de Pessoa para Pessoa dadas as diferenças na sua inteligência emocional. A Liberdade possui interpretações particulares consoante o Filósofo que reconstrói o conceito e o interpreta. “Liberdade significa o direito de agir segundo o seu livre arbítrio, de acordo com a própria vontade, desde que não prejudique outra pessoa, é a sensação de estar livre e não depender de ninguém. Liberdade é também um conjunto de ideias e dos direitos de cada cidadão.

Liberdade é classificada pela filosofia, como a independência do ser humano, o poder de ter autonomia e espontaneidade. A liberdade é um conceito utópico, uma vez que é questionável se realmente os indivíduos tem a liberdade que dizem ter, se com a mídia ela realmente existe, ou não. Diversos pensadores e filósofos dissertaram sobre a liberdade, como Sartre, Descartes, Spinoza, Leibniz, Schopenhauer, Kant, Marx entre outros.” (https://www.significados.com.br/liberdade/)

Em resumo, o Amor pleno é incondicional e a Liberdade é condicional, pois não deve colidir com a Liberdade alheia. Deste modo tem de ser convencionada para proporcionar harmonia social. Já a prática do Amor verdadeiro entre Pessoas é mais suscetível de causar entendimento sem constrangimento.

Na realidade atual verifica-se a deturpação conceptual quando assistimos à inversão da condição. Muitas Pessoas pretendem e desenvolvem um Amor condicional e desejam ardentemente uma Liberdade incondicional. Ora, esta inversão da condição conceptual entre um sentimento e uma capacidade Humanas acaba produzindo toda a espécie de confrontos, desentendimentos, ódios e radicalização ideológica.

Retornemos aos pensamentos estruturados de Erich Fromm para nos ajudar a resolver esta confusão:

“Um homem livre é, por força, inseguro. Um homem pensador é, forçosamente, dubitativo.” – Erich Fromm

“O amor é a última e real necessidade do ser humano.” – Erich Fromm

A meu ver só existe uma forma de resolver este ‘conflito’ da condição conceptual entre o Amor e a Liberdade. Se cada um de nós para além de desejar aprender a Amar, ser um Amante da Liberdade. Nesta condição não existirão confrontos que não sejam solucionáveis.

Aprenda a Amar e a ser Livre nas verdadeiras dimensões destes Valores essenciais à Vida.

Alfredo Sá Almeida                                                                                 7 de Novembro de 2018

Voltando à dimensão da Liberdade – Pensamentos.

Ser Livre

Dar corpo à Liberdade.

  • As consequências da sua utilização só poderão ser positivas, caso contrário não é Liberdade.
  • A Liberdade que cada Ser Humano dá corpo contribui para definir a Pessoa.
  • A Liberdade de cada UM não tem uma dimensão infinita mas o seu pensamento e consciência podem ultrapassar várias dimensões, quando se transformam em criatividade e inovação.
  • Qual é a dimensão da sua Liberdade? Se ela não pode ser infinita, em que dimensão você está envolvido?
  • Se a Liberdade é um Valor Humano como justifica a sua utilização para dar corpo a Antivalores?
  • A Liberdade como o Amor são Valores primordiais do Ser Humano. Como é possível o Homem permitir que esses Valores sejam utilizados para fazer o MAL?
  • Nenhum Valor Humano é um Valor absoluto. É sempre relativo a um Ser da nossa comunidade.
  • Se até a Vida Humana tem limites, como é possível não compreender que um determinado Valor Humano não os tenha? A dimensão pode ser enorme se o Coletivo os alargar. No entanto, o Homem não poderá esquecer o equilíbrio dinâmico da Vida da Comunidade.

Alfredo Sá Almeida                                                                        20 de Maio de 2017

A Sociedade atual e a dimensão da Liberdade

Sociedade Doente

A Sociedade atual tem-se desenvolvido nas últimas décadas como um Paradigma ‘canceroso’ onde a Liberdade dos Cidadãos, em vez de servir constantemente as boas práticas de cidadania, acaba destruindo os Valores Humanos que nos deveriam caracterizar.

O ritmo exacerbado de desenvolvimento, em todos os domí­nios do saber, a que a sociedade tem estado submetida, traduz a ansia de liberdade e conhecimento dos Povos oprimidos nas décadas passadas. As ‘explosões’ de criatividade, investigação, expressão cultural, desenvolvimento tecnológico e inteligência racional, deixaram para segundo plano (e em muitos casos, para terceiro e quarto planos) o desenvolvimento humano, social e emocional das comunidades e da Sociedade.

O desenvolvimento humano tem acrescentado ao Coletivo aspetos muito positivos, mercê sobretudo do desenvolvimento tecnológico, mas as componentes Sociais, Educacionais e de consolidação de Valores Humanos têm perdido rumo e caráter pela velocidade que foi impressa no desenvolvimento desequilibrado.

Os sistemas polí­ticos e financeiros são os grandes responsáveis pela permissividade instituí­da, que invadiu negativamente os sistemas educacionais, judiciais e de valores de uma Sociedade com personalidade e caráter Humanos. Os Cidadãos acabaram sendo ‘arrastados’ para decisões, escolhas ou opções pouco ponderadas e de baixo valor social acrescentado, minando as estruturas do paradigma instalado, tornando-o num paradoxo ‘canceroso’.

Dirão os meus caros Leitores que a Liberdade é um Valor primordial e que compensa todos os riscos no desenvolvimento. Eu direi: convêm esclarecer convenientemente esta matéria de considerar a Liberdade como Valor primordial desenraizada dos outros Valores!

A meu ver a Liberdade como Valor essencial e prioritário só faz sentido se estiver inserida no contexto dos outros Valores Humanos. É por essa razão que se torna primordial. Caso contrário, acabamos assistindo a fenómenos, numa Sociedade que se pretende saudável, de desenvolvimento de núcleos malignos que acabam destruindo TUDO – os Valores Sociais e a LIBERDADE. O mais grave é que a degradação social pode atingir patamares tão baixos que se torna difí­cil recuperar, com saúde, o ‘doente’. Esta acaba sendo o resultado de uma permissividade doentia e carente de Inteligência (racional e emocional). Se adicionarmos a esta permissividade doentia, uma Educação carente em Valores Humanos, então teremos um ‘corpo’ agressivo numa Sociedade em decadência.

Não é de estranhar que tenhamos assistido a um aumento vertiginoso da corrupção, da ganância, da arrogância, da prepotência e de muitas outras caracterí­sticas humanas negativas (Antivalores), que acabam proliferando num ‘terreno’ onde os Valores Humanos estão ausentes.

A Sociedade acaba sofrendo, e muito, com este estado de coisas. Infelizmente os exemplos das consequências são muitos. Senão vejamos, o aumento significativo de casos de:

  • Depressão;
  • Suicí­dio;
  • Doenças do foro emocional;
  • Stress;
  • Consumo de drogas;
  • Agressividade violenta;
  • Bullying;
  • Alheamento social;
  • Inteligência maligna;
  • Desequilí­brios mentais; etc.

Resultado, uma Sociedade doente sem perspetivas de melhoras. O intrincado de casos é tão acentuado e denso que organismos sociais saudáveis não conseguem recuperar o ‘paciente’ sem que o ‘tratamento’ seja completo e sistemático, tí­pico de um paciente com ‘cancro’.

Será necessário uma mudança profunda de paradigma, minimizando os paradoxos, com um aumento significativo das Consciência e Inteligência Coletivas, dos Valores Humanos e uma Educação de qualidade para TODOS os Seres Humanos deste Planeta.

Ser Humano doente

Alfredo Sá Almeida                                                                                 13 de Maio de 2017

Educar a Vontade e/ou educar a Paciência

Vontade

A nossa vida começa com um grito de Liberdade quando nos retiram da barriga da nossa Mãe.

Todos nós sabemos que desde crianças temos um sentido de posse muito afinado que vai sendo moldado, e bem, pelos Pais para não nos tornarmos possessivos desequilibrados quando adultos. Esses princípios educacionais que nos são dados não representam uma perda de Liberdade em si (a não ser que as imposições sejam desequilibradas), mas sim uma orientação de como devemos conduzir e gerir os nossos desejos para conseguirmos realizar os nossos sonhos ao longo da vida.

Infelizmente muitos Pais não dão aos seus filhos essas orientações preciosas e acabam por ‘mimar’ demasiado, desequilibrando a sua vontade quando adultos. Muitos tornam-se possessivos e irascíveis.

A meu ver o conceito de Liberdade é demasiado amplo para ser abalado por princípios orientadores e condutores ao longo da vida. Normalmente esse conceito/sentimento vem acompanhado de inteligência e determinação assertiva o que nos ajuda a viver bem em sociedade. Liberdade não deve nunca transformar-se em ‘libertinagem’ sob pena de desvirtuarmos um Valor primordial.

É nesta dimensão que a Vontade se encaixa e se pode descontrolar, produzindo sérios estragos de personalidade e caráter. Significa isto que a educação escolar deverá transmitir orientações preciosas aos alunos, sob a forma de Valores, que poderão ficar enraizados positivamente para a vida.

Um desses Valores é o da Ética. Relembro aqui um ensinamento de Mário Sérgio Cortella a este respeito, “Ética é o conjunto de valores e princípios que usamos para responder a três grandes questões da vida:

  • Quero?
  • Devo?
  • Posso?

Nem tudo que eu quero eu posso; nem tudo que eu posso eu devo; e nem tudo que eu devo eu quero. Você tem paz de espírito quando aquilo que você quer é ao mesmo tempo o que você pode e o que você deve.”

Se conseguirmos transmitir aos nossos filhos e aos nossos alunos este nobre princípio estaremos a beneficiar duplamente a nossa Sociedade. Por um lado, produzindo Cidadãos mais equilibrados e por consequência uma Sociedade mais ética e correta.

A paz de espírito que nos fala Cortella é uma realidade que acaba por se refletir na gestão paciente dos acontecimentos. Isto porque toda a vida tem um ritmo e a interação com outros Seres exige uma boa gestão dos ritmos de vida em Sociedade. Daqui resulta um outro Valor fundamental que acaba por traduzir-se em Paciência.

Todos nós sabemos onde a impaciência nos pode conduzir, seja a nível Pessoal ou quando temos uma responsabilidade de gestão empresarial ou pública.

Costumamos dizer, e com razão, ‘saber esperar é uma virtude’. Pois normalmente a paciência é compensadora. Quando bem gerida dá resultados muito animadores.

Paciência

Alfredo Sá Almeida                                                                              30 de Março de 2017

Comunicação Social sem Responsabilidade Social

meios-de-comunicacao-social

(http://blog.opovo.com.br/portugalsempassaporte/forum/comunicacao-social-2/)

Quando as crianças e adolescentes estão em fase educativa, todos os Pedagogos e Psicólogos recomendam que, para bem deles, não se lhes deve satisfazer todas as vontades pedidas (com maior ou menor birra), sob pena delas se tornarem adultos egoístas, frustrados e socialmente irresponsáveis. Antes, devem ser orientados e explicar-lhes por meios adequados, com exemplos, os ‘quês’ e ‘porquês’ da não satisfação desses pedidos.

Infelizmente muita dessa Educação cuidada e de qualidade perdeu-se com o crescendo da sociedade de consumo. Também, pelo facto de os Pais terem (ambos) uma vida profissional muito agitada e stressante, sem tempo para dedicarem aos seus filhos. Por outro lado, a Escola, que poderia suprir essas lacunas, resolve não fazê-lo porque não se encontra preparada, ou não quer, participar numa Educação Integral e de Valor. Há ainda a considerar a falta de vontade do Estado para integrar esta dimensão dos Valores Humanos e da Cidadania nas Escolas Públicas.

Perante esta triste realidade, continuam a formar-se muito poucos Cidadãos em boas-práticas de Cidadania e deixados à mercê de uma Sociedade muito mal preparada para dar exemplos vivos de Valores Humanos. Aqui, a Comunicação Social poderia ter um papel pedagógico interessante e importante, mas demite-se desse papel por estar mais focada nas guerras de audiências e vendas de publicidade.

Durante décadas TODA a Comunicação Social (Jornais, Revistas, Rádio, TV, Internet) tem praticado um modelo comunicacional baseado na satisfação dos desejos primários dos seus Leitores, Ouvintes, Telespectadores e Internautas, do que mais gostariam de ler, ouvir e ver comunicado. Tudo para venderem muita publicidade. Precisamente durante essas décadas de informação orientada para o ‘consumidor’, a Escola passou a ser menos exigente com a Cidadania e os Valores Humanos. O resultado desta conjunção de realidades verifica-se todos os dias em Sociedade. Tem sido uma deseducação continuada a coberto de uma Liberdade de comunicação e expressão. Mas a LIBERDADE é um Valor demasiado importante para produzir tão maus resultados! A meu ver, é uma interpretação errónea da Liberdade de expressão, pois era suposto produzir efeitos sociais benéficos.

Programas como Reality Shows, Novelas, Filmes violentos, Notícias ‘Cor-de-rosa’ escabrosas, Notícias ‘bombásticas’, Jogos violentos, etc., têm sido os ‘Reis’ das audiências para TODAS as idades indiscriminadamente. Todos estes programas vendem muita publicidade mas produzem muita (mas muita mesmo) deseducação instantânea, e tornam ainda mais difícil uma Educação correta em Valores Humanos.

Esta realidade leva-me a questionar, com veemência, a responsabilidade do Estado e das Empresas de Comunicação Social, mesmo sabendo que quem se encontra por detrás delas são grandes Corporações Multinacionais e interesses ‘obscuros’ camuflados de Informativos e Comunicativos.

Porque as Empresas de Comunicação Social não são certificadas pela Responsabilidade Social das Empresas? (http://www.sairdacasca.com/wp-content/uploads/2012/10/PDF3_EstudosobreaPercepcaodaResponsabilidadeSocialemPortugal.pdf)

Todos nós nos apercebemos que uma Empresa de Comunicação Social tem um grande impacto na Sociedade. E também sabemos a influência política que possui em momentos eleitorais (e não só). Muitas vezes contribuindo para ‘factos’ políticos de duvidosa qualidade, com resultados ainda mais duvidosos e com repercussão económica notória. A coberto de uma verdade tecem-se enredos envolvendo alguns factos, que acabam por os ofuscar.

media-tv

http://geracaoplastificada.blogspot.pt/2011/05/charges.html

Também nos apercebemos que os meios de comunicação audiovisual são os que contribuem para um maior impacto na Sociedade. Por esse facto poderiam orientar-se, com muita pedagogia, para funcionarem como exemplos de ética e Valores Humanos, para uma Sociedade crescentemente carente desses Valores. Ou seja, passariam a ter uma conduta e uma contribuição positiva, com orientação para uma maior Responsabilidade Social.

O problema está na natureza do negócio de Comunicação dita Social – vender publicidade, ajudar a desenvolver negócios, construir notícias, captar o interesse crescente dos consumidores, etc. De Social só tem o nome e não a função integral.

Reconheço que estes órgãos de comunicação seriam uns aliados ‘de peso’ nas batalhas que se têm de desenvolver em prol dos Valores Humanos, mas infelizmente produzem, nesta dimensão, mais efeitos negativos que positivos.

NÓS Leitores, Ouvintes e Telespectadores poderíamos ter um papel mais ativo nesta matéria, mas acomodamo-nos com muita facilidade e deixamos que nos conduzam as opiniões em muitos domínios – o que vem totalmente contra os nossos desejos de Liberdade (uma das muitas incoerências do Ser Humano).

Alfredo Sá Almeida                                                                    2 de Fevereiro de 2017

A vida tem limites!

Limite perigoso

Hoje, num órgão de Comunicação Social televisivo, ouvi uma frase (dita com toda a pompa e circunstância), que necessita de esclarecimentos. A frase: “A vida não tem limites!” deixou-me muito preocupado como Cidadão.

Este é um tema que mexe com a vida das Pessoas e com o conceito de Liberdade, tão caro a todos nós.

Penso que TODOS nós estaremos de acordo quando afirmo que a vida de um Ser Humano é algo importante e que merece o nosso respeito e consideração, dada a transcendência que envolve na relação com os demais.

O fenómeno VIDA já de si é uma matéria rara no Universo. De todas as investigações, até hoje realizadas por esse universo fora, o Homem ainda não encontrou vida noutro planeta. Podemos estar perante uma situação singular, em que o planeta Terra seja o único com VIDA neste universo.

Por outro lado, VIDA é um fenómeno que envolve células e um metabolismo bioquímico dependente de energia interna e/ou externa. Ou seja, é um processo metabólico dinâmico e muito bem organizado que possui limites próprios para a sua manutenção.

No caso do Ser Humano o fenómeno VIDA é bem mais complexo, dados os fenómenos associados da Mente, da Consciência e da Transcendência, que nos elevam a níveis de responsabilidade acrescida por sermos a única espécie com inteligência superior, capaz de interferir com todas as outras neste Planeta.

A Liberdade é um conceito abstrato criado pelo Homem que traduz a sua necessidade de levar a cabo uma ação de acordo com a sua própria vontade. Mas todos nós sabemos que este conceito tem evoluído ao longo da História do Homem e que na Sociedade atual, apesar de vivermos maiores graus de liberdade, ainda nos encontramos muito limitados na expressão da nossa vontade dados os condicionalismos que o próprio Homem criou.

Significa isto que os limites criados ao desenvolvimento Humano, à Educação e às condições de vida do Ser Humano são tantos, que quase tenho vergonha de falar em Liberdade, nos dias de hoje.

Portanto, não só possuímos limites no fenómeno intrínseco da Vida como da expressão da sua vontade.

Quando um órgão de Comunicação Social, que se diz responsável, faz uma afirmação perentória “A vida não tem limites!”, está a usar a sua Liberdade para nos transmitir deturpadamente os conceitos que entende. O que, a meu ver, é uma expressão errada no seu papel de informação e comunicação noticiosa.

Exemplos destes, infelizmente temos muitos em toda a Comunicação dita Social, mas sem Responsabilidade Social. Significa que, ou são incompetentes ou o fazem propositadamente, para nos deturpar a Consciência. Ou ainda, neste caso, eles não possuam limites para dizer o que tiverem vontade de dizer erradamente, o que vai interferir seriamente com a minha Liberdade de Ser, ouvindo e vendo informações declaradamente deturpadas.

Imaginem as consequências destes atos continuados, noutros domínios do conhecimento, no nosso dia-a-dia!

Caso os Cidadãos não possuam uma Educação e Formação que lhes permita um pensamento crítico sobre determinadas matérias, ficarão ingenuamente expostos a formar juízos de valor errados e a provocar desentendimentos comunicacionais, pela repetição dos erros que ouvem e vêm nesses Órgãos.

Numa Sociedade de Valor Humano estas atitudes e comportamentos não serão admissíveis e a Liberdade de cada Um estará associada à sua responsabilidade como Cidadão Consciente.

Para que fique bem claro, no que acabei de escrever, “A Vida tem limites!” que nos são dados pelo nosso conhecimento, pela nossa consciência, pela nossa responsabilidade como Cidadãos e pela interiorização que fazemos do conceito de Liberdade em Sociedade.

Estou convicto que os meus caros Leitores, tal como eu, querem viver em harmonia com os demais em Sociedade sem serem ‘agredidos gratuitamente’, por palavras ou por atos, pois sabemos que estão a afetar a nossa transcendência.

O caso mais recente tem a ver com os casos que se passam na Sociedade Francesa (e Europeia em geral), da falta de bom senso e de um conceito saudável de Liberdade que impede mulheres de usar burkini nas praias. Estes factos são de tal modo ridículos que suspeito que alguns elementos da Sociedade estejam a perder características Humanas pela carência continuada de Valores Humanos da Sociedade. O mais grave é ver políticos (que se dizem responsáveis) afirmar que estas mulheres o fazem numa atitude provocatória (https://www.publico.pt/mundo/noticia/combater-o-medo-no-corpo-das-mulheres-1742432).

A nossa Sociedade está muito doente e a necessitar de uma renovação de paradigma. Mantenham a saúde mental e o pensamento crítico, em estado de exigência, para não se deixarem corromper por pessoas que não merecem o estatuto de Cidadão.

Ridiculo

Alfredo Sá Almeida                                                                              27 de Agosto de 2016

Subordinação e Valor Humano

Subordination1

Caros Leitores, este é um tema chave para entrar no mundo do Valor Humano. Pois, para o fazermos, primeiro temos de nos ‘despir’ de preconceitos e entrarmos confiantes e motivados num referencial que tem como objetivo supremo a criação de Valor sem subordinação aos referenciais do passado. Os referenciais do Futuro são o Homem, os Valores Humanos e o Valor que será capaz de construir em Sociedade, apenas subordinado à Vida na nossa Biosfera.

Vou valer-me da Wiquipédia para transmitir o conceito de subordinação (p.f. ver Wikipédia https://pt.wikipedia.org/wiki/Subordina%C3%A7%C3%A3o).

“Subordinação é o estado de um indivíduo que não tem a total liberdade para tomar suas próprias decisões. Subordinação é o contrário de autonomia.

Subordinação não se confunde com a escravidão, embora o trabalho escravo seja subordinado. A história do trabalho subordinado iniciou-se com a escravidão, persistindo nos dias de hoje com a relação de emprego.

As fases do trabalho subordinado são, segundo a doutrina jurídica:

  • Escravidão
  • Servidão
  • Contrato Civil (Após as Revoluções Industrial e Francesa)
  • Relação de emprego”

Ou seja, subordinação significa sempre perda de graus de liberdade.

E, se considerarmos que a subordinação passe a ser a maximização dos graus de liberdade com Valor Humano?

Estar dependente de Valor Humano é bem melhor que estar dependente de dinheiro ou outro Poder qualquer.

No Valor Humano estaremos sempre dependentes uns dos outros, nesta nossa bela Biosfera, na construção de uma Consciência Coletiva potenciadora de Liberdade e Valor.

No estado em que a atual Sociedade se encontra, passar da subordinação à dominação é uma pequena ‘brisa’ de mudança.

O que estamos a assistir hoje, por todo o mundo, é a uma subordinação total do Poder Político ao Poder Financeiro com a total perda de Valor e Poder Humano. A continuarmos nesta evolução, não me admira que o Poder Militar seja a próxima subordinação da Sociedade.

Mais grave que tudo isto é o facto de o Homem não conseguir congregar-se numa Consciência Coletiva que lhe permita reconhecer os erros e construir um novo paradigma para a Sociedade Globalizada, que seja independente do Poder Financeiro.

Somos capazes de nos subordinarmos a muitos outros referenciais, como o Religioso e o Político, com a boa intenção de conseguirmos atingir um referencial global comum, mas acabamos sempre por criar mais elos de divisão que de união entre Humanos, ao ponto de nos odiarmos sem sentido. O argumento da natureza humana aqui não é válido, porque a nossa natureza é aquela que nos for transmitida.

Dá a sensação que o Homem não aprendeu nada ao longo das últimas duas ou três gerações. Evoluímos tecnologicamente muito, mas Humanamente quase nada. Deixámo-nos enfeitiçar pela nova realidade da obsolescência tecnológica e ficámos apáticos, como viciados, presos num mundo sem Futuro.

Houve muitas conquistas sociais, mas todas elas subordinadas ao Poder Financeiro. O mesmo se passou com os avanços científicos e no conhecimento intrínseco do Homem (fisiológico, bioquímico e psicológico). Tudo se encontra ‘amarrado ao mesmo cais’ onde têm de ‘atracar todos os navios que partam à descoberta de novos mundos’.

Para se aplicar qualquer destes avanços da genialidade Humana, estes têm que se subordinar ao mesmo referencial de sempre. Como se o Valor Humano não tivesse a autonomia em relação a qualquer subordinação, que não seja à do Ser Humano e dos seus Valores.

A minha proposta de mudança paradigmática, ainda em construção, encontra-se expressa nos textos deste meu Blog, relacionado com o Valor Humano. Caberá aos meus Leitores avaliarem estas propostas e juntos começarmos a motivadora tarefa de construir de raiz uma Sociedade de Valor Humano. Para tal são necessárias ‘boas sementes’, ‘terreno fértil’ e ‘bom clima’. A meu ver, nenhuma destas coisas falta neste mundo.

Talvez falte muita coragem para começar, ou, será medo?

Convido o meu Leitor a entrar neste Novo Mundo com um espírito diferente daquele dos nossos antepassados, que partiram para conquistar e ocupar novas terras, subordinados aos Reinos que os financiaram.

Nesta nossa caminhada, vamos construir, partilhar, amar e ajudar a desenvolver mais Valor Humano, com sabedoria e coragem.

Vamos partir?

Alfredo Sá Almeida                                                                                                      23 de Setembro de 2015

A construção do Futuro vs Utopia

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Este texto foi extraído do meu livro “O Homem e o Futuro” ( http://www.sitiodolivro.pt/pt/livro/o-homem-e-o-futuro/9789898413864/ ) e defende uma visão Humanista para o Futuro do Homem. Quando o publiquei no Facebook, pela primeira vez, foi amplamente debatido através de comentários e objeto de vários ‘GOSTO’ e partilhas, quer nas páginas do Instituto da Inteligência quer na minha. Boa leitura.

“É frequente ouvirmos os nossos pares apelidarem-nos de utópicos, pelo facto de exprimirmos ideias de como gostaríamos de ver organizada a sociedade, ou, de como construiríamos algo que conduziria a melhorias significativas na vida do Ser Humano. Talvez, por lhes dar a sensação que a construção desse novo ideal de Homem e de sociedade esteja muito longínqua ou que exigiria mudanças tão profundas que consideram estar muito afastada da realidade. Ou seja, muitas vezes alguns dos nossos pares rejeitam, descartam, ignoram, desvalorizam as ideias daqueles que exprimem, com maior ou menor eloquência, a vontade de construir um Mundo onde o Ser Humano tenha a primazia, e, onde a dignidade humana impere.

No entanto, quando descobrem que muitas, ou algumas, dessas ideias estão a tomar forma de realidade, quer devido aos progressos científicos, ou, a eventos que envolvem grupos significativos de cidadãos convictos de uma determinada ideia, acabam por reconhecer que afinal algo está a mudar no sentido de um Futuro melhor. Não é por acaso que se apela com veemência á inovação e criatividade em todos os aspectos relacionados com a vida do Homem (desde os negócios á implementação de novos processos). Ou seja, existe um reconhecimento quase generalizado de que os factores Conhecimento, Inteligência e Consciência Coletiva são fundamentais para a construção do Futuro.

Pois bem, meus caros Amigos, se aceitam o que acabei de escrever como normal, então porque apelidam de utópicas as ideias que já exprimi, como: “…o Valor da economia passará a ser dominado pelo Valor do Ser Humano e não pelo valor do dinheiro”. Estou convencido que se meditarem com profundidade neste tema, tendo em linha de conta todas as evoluções que se têm operado no Mundo (desde a expansão do fenómeno da globalização até ao aumento significativo [no mundo ocidental] da criatividade e inovação) considerarão como plausível o tema do Valor Humano. Se não, ponderem o que consideram como mais importante para a vida no Futuro (seja, no ano 2050, em que poderão existir cerca de 10.000.000.000 de Seres Humanos). Nessa altura teremos, seguramente, menos recursos materiais (de toda a espécie), menos água potável, e, condições de qualidade ambiental inferiores às de hoje. Será que continuam a pensar que o dinheiro é que vai ser a moeda de troca na convivência em sociedade? Ou, consideram que seria preferível uma nova guerra mundial?

Sejamos inteligentes, criativos, empenhados, solidários, dignos, e, coloquemos os Valores Humanos como prioritários na convivência em sociedade. Gostaria de recordar o conceito de Liberdade, que devemos colocar sempre no ‘perfil’ da equação do Futuro: “liberdade é a autonomia e a espontaneidade de um sujeito racional”. Ou seja, a Liberdade qualifica e constitui a condição dos comportamentos humanos voluntários.

Será que podemos, ou, devemos alhearmo-nos da Utopia na construção do Futuro?

Alfredo Sá Almeida in “O Homem e o Futuro” (2013)