A Hipocrisia não entra no Valor Humano!

Lobo com pele de cordeiro C

Vivemos tempos difíceis em variadas dimensões Humanas: Social, Intelectual, Política, Económica, Educacional, etc.

O Homem conseguiu complicar cada uma destas dimensões a um nível tal que não se torna possível explicar apenas pela ausência de Valores. Um dos elementos deturpadores e demolidores do bom desenvolvimento destes referenciais chama-se HIPOCRISIA.

Este comportamento e atitude, de muitos membros da Sociedade atual, é usado e abusado despudoradamente de um modo maquiavélico tal, que contribui para abafar o Valor Humano. Esta conduta não encontrando obstáculo, acaba por proliferar devido à nossa indiferença e passividade.

Infelizmente, tornou-se uma característica aperfeiçoada e refinada com o contributo dos meios de comunicação social, das tecnologias da comunicação e da informação, da publicidade e do marketing.

Para o analista social Noam Chomsky, a hipocrisia, é definida como a recusa de “… aplicar a nós mesmos os mesmos valores que se aplicam a outros”. Os hipócritas são especialistas em denunciar e humilhar alguém por determinados comportamentos e atitudes em que eles próprios se aperfeiçoaram. Na grande maioria das vezes vem disfarçada de crítica moral.

François de La Rochefoucauld utilizou a sua mordacidade para colocar a nu a essência do comportamento hipócrita: “A hipocrisia é a homenagem que o vício presta à virtude”.

Eu tenho vindo a defender e a dar corpo ao tema do Valor Humano de um modo sincero e honesto, realçando os atributos que deveriam ser desenvolvidos pelo sistema educacional e anulando aqueles que estão, nitidamente a prejudicar a criação desse Valor. Muitas vezes dou comigo a meditar sobre o modo como os meus Leitores ‘sentem’ a leitura que fazem, do que escrevo. Fico com algum receio que o ‘complicómetro’ da hipocrisia retire Valor àquilo que escrevo.

O facto de ser espontâneo e sincero acaba por me expor à crítica maliciosa de quem quer ‘ver’ em mim um ‘moralista mal acabado’. E, como não sou um especialista em hipocrisia não me dá destreza de disfarçar o que sinto e o que penso.

Ultimamente temos assistido a momentos de pura hipocrisia política, económica e social, devido ao fenómeno dos migrantes da Síria e de outros Países da Ásia e da África.

Meus caros Leitores, se quiserem condenar algum migrante sejam JUSTOS e não HIPÓCRITAS! Utilizem os referenciais de Valor Humano que utilizam convosco!

Pensem nos migrantes, que por todo o mundo, colocam a sua vida em risco e a dos seus entes mais queridos, para conseguirem uma vida mais digna e melhor, atravessando fronteiras, mares, montanhas, desertos e gelo, para chegarem a um destino que lhes permitirá obter maior dignidade como Seres Humanos. Imaginem as mudanças e a motivação que são necessárias para realizar essa epopeia e a capacidade de acolhimento que os que os recebem têm que ter para que exista fraternidade.

Sobretudo, pensem nesses migrantes como se fossem VOCÊS!

Esses migrantes FOGEM de tudo o que não presta em Sociedade. Fogem da guerra, da escravidão, da estagnação de uma Vida sem qualidade, fogem da falta de oportunidades, fogem de doenças que ninguém controla, para eles e para os seus filhos, fogem de uma Sociedade que não lhes oferece Educação, em suma, fogem de uma Sociedade doente e sem perspetivas de cura, que muitos de nós ocidentais (ditos povos civilizados) ‘alimentamos’ com os nossos maus hábitos e vícios de Vida.

Que será melhor para eles, ficar e confrontar os políticos e militares locais para melhorarem as condições de Vida, ou, deixar tudo para trás e procurar outro local onde possam ser mais felizes? Quem os pode ajudar?

Quando é para promover a guerra, os Países Ocidentais estão na linha da frente junto desses Países do Médio Oriente e Ásia, fornecendo-lhes armas e enviando soldados. Mas depois que as realidades e o choque cultural se complicam e as Pessoas têm de fugir da guerra e das atrocidades, colocam-se na retaguarda e esperam que outros resolvam o que eles ajudaram a criar.

Entretanto, existem políticos no ocidente que classificam os migrantes como ‘praga’, nem lhes dão uma condição Humana, construindo ‘muros’ para os impedir de passar.

Os Europeus enchem-se de preconceitos e outras atitudes e comportamentos hipócritas contra os migrantes, mas já não se lembram do que aconteceu com os seus antepassados, e durante as Primeira e Segunda grandes Guerras Mundiais, com migrações maciças para todo o continente Americano (Norte, Centro e Sul). Afinal, os nossos antepassados ainda acabaram por prejudicar as culturas e os Povos Índios dos Países para onde migraram. Esses Povos são na realidade os verdadeiros donos do Brasil e de todos os outros territórios Americanos. Por todo o lado, os ocidentais migrantes (na grande maioria Católicos) portaram-se como infiéis. Ocuparam as terras, expulsaram e maltrataram quem lá vivia. E, ainda hoje, se acham no direito de continuar a fazer o que há muito a consciência global condena. E ainda são capazes de se insurgir contra os terroristas do Estado Islâmico por aquilo que estão a fazer no médio oriente (que é humana e culturalmente condenável)! Mas que falta de coerência, hipocrisia e falta de Valores Humanos!

O mesmo se passa, nos dias de hoje, com as realidades da Desigualdade e do Desenvolvimento Humano que estão envoltas em muita hipocrisia e muita ausência de Valor Humano.

Continuamos a não valorizar a IGUALDADE de oportunidades e a não dar as mesmas condições de vida e educação, a crianças e jovens, quer tenham pouco ou muito do ponto de vista económico.

Separamos e classificamos as Pessoas pelo valor monetário e não as apreciamos pelo seu Valor Humano. Deste modo, será muito difícil obtermos uma Cultura de Valor aplicada ao mundo global.

Deixemos de nos especializar em hipocrisia e especializemo-nos em Valor Humano, tornando assim mais fácil e saudável todo o relacionamento entre Seres Humanos.

Sejamos Pessoas de verdade e não ‘atores’ pretensiosos e fingidos, que colocam o ‘negócio’ no centro do relacionamento Humano!

Será que consideramos que a nossa segurança e o nosso bem-estar são mais importantes e mais valiosos que a segurança e bem-estar dos outros? Afinal, somos Seres empáticos ou apáticos?

Alfredo Sá Almeida                                                                                       12 de Setembro de 2015

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O Valor Humano não se coaduna com a repetição de erros!

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A Vida Humana é uma experiência única para cada Ser que a vive. Todos nós estaremos de acordo com esta afirmação pois ela constitui uma evidência.

Nenhum de nós nasce ensinado nas práticas de uma vida em sociedade, nem quando nasce tem a consciência da vida que vai ter nem da dimensão que ela vai atingir.

Cada um de nós gostaria de nascer num País e no seio de uma Família estruturados e com capacidades e conhecimentos que permitam um desenvolvimento Humano saudável e com perspetivas de um Futuro feliz e próspero de conhecimento e de equilíbrios emocional, social e espiritual. O desenvolvimento de uma Vida assim é indiciadora de momentos criativos, de mudanças naturais que desenvolvam mais e mais a mente de quem os vive. Em ambiente de paz social e global, poderíamos até prever uma evolução para uma mente elevada e com um Valor Humano fora do comum.

Meus caros Leitores, tudo o que eu afirmei até agora parece-vos plausível?

Para mim, afigura-se como possível mesmo que as condições de vida não sejam tão idílicas como as que mencionei. Mas para que sejam uma realidade tem de haver o desenvolvimento de um caráter e uma personalidade com Valor Humano.

Ora, esse Valor Humano só se consegue com uma Educação completa e cuidada, adaptada a toda a nova vida Humana.

Durante uma vida somos até capazes de cometer alguns erros de percurso, resultantes da vivência e da experimentação das nossas capacidades. No entanto, se esses erros não forem irreversíveis e forem acompanhados de uma introspeção corretiva e inspiradora, servirão para desenvolver um crescimento saudável e potenciador de novas experiências que consolidarão o nosso Valor como Seres de uma Sociedade globalizada, mas muito doente em muitos aspetos da VIDA.

Infelizmente, tudo o que mencionei até agora só não se torna uma realidade consistente e coerente porque a Sociedade em que vivemos vem cometendo os mesmos ERROS, vezes e vezes sem conta, como se de uma perturbação obsessivo-compulsiva se tratasse. É aqui, a meu ver, que TODOS NÓS falhamos como membros de uma Sociedade (uns mais do que outros), por não sermos capazes de corrigir BEM o rumo da Vida que desenvolvemos.

Muitos dirão, mas nós não temos o domínio de muitos aspetos da Vida, nem das interações sociais, que nos permitam corrigir o rumo dos acontecimentos! Então, muitos de nós deixam-se ‘levar’ por um ritmo de vida que lhes vai progressivamente retirando o domínio sobre essa faculdade. Assim, nunca conseguiremos o desejado domínio saudável da nossa Vida. Os erros sucedem-se e nem tempo existe para as introspeções necessárias que nos ajudem a corrigir o rumo.

Existem aqui duas grandes vertentes, Nós e a Sociedade que nos rodeia. Mas Nós somos parte integrante da Sociedade, se esta vai mal é porque Nós não intervimos adequadamente e com a sabedoria sobre o ritmo e rumo da Vida dessa Sociedade. Falta-nos eventualmente muita coisa, sejam conhecimentos ou informações, seja capacidade de discernimento e raciocínio, seja equilíbrio emocional ou inteligência social, seja caráter e personalidade interventoras, etc. Seja o que for que falte, uma coisa é certa se nada fizermos de inteligente e se não interviermos nada conseguiremos. Mesmo sabendo que poderemos cometer alguns pequenos erros, que eventualmente saberemos corrigir. Mas temos de fazer, experimentar, realizar, executar, empreender com ética e boas práticas (resultantes de uma Educação completa).

Dirão, mas isso são apenas constatações!

Serão continuamente constatações, porque não defendemos e batalhamos por uma Educação completa e de excelência para TODOS os novos Seres que começam a sua Vida! A Sociedade doente transmite-nos a doença que nos imobiliza, paralisa e molda para TUDO aquilo que não queremos, mas que alguns retiram os seus proveitos em detrimento do Valor Humano.

Para o Valor Humano se desenvolver e florescer em Sociedade, curando-a da sua doença que imobiliza e paralisa Cidadãos conscientes, temos de intervir com sabedoria, consciência coletiva e uma VONTADE de mudança coerente focada no Ser Humano e não em acessórios fúteis e sem sentido de Futuro.

Se não for assim, seremos TODOS insanos porque estamos cometendo sempre os mesmos erros esperando que os resultados dessa Sociedade sejam diferentes. Mas existem igualmente Países insanos, não só Pessoas!

Despertem meus caros Leitores, aprendam a mudar e a intervir nas mudanças que querem ver na Sociedade.

A Mudança é uma transição entre dois estados, o anterior (menos desejado) e o seguinte (mais desejado) adequado a um Futuro melhor para TODOS.

Agora, meus caros amigos vamos fazer um exercício de mudança, baseado na realidade.

Pensem nos migrantes, que por todo o mundo, colocam a sua vida em risco e a dos seus entes mais queridos, para conseguirem uma vida mais digna e melhor, atravessando fronteiras, mares, montanhas, desertos e gelo, para chegarem a um destino que lhes permitirá obter maior dignidade como Seres Humanos. Imaginem as mudanças e a motivação que são necessárias para realizar essa epopeia e a capacidade de acolhimento que os que os recebem têm que ter para que exista fraternidade.

Sobretudo, pensem nesses migrantes como se fossem vocês.

Esses migrantes FOGEM de tudo o que não presta em Sociedade. Fogem da guerra, da escravidão, da estagnação de uma Vida sem qualidade, fogem da falta de oportunidades, fogem de doenças que ninguém controla, para eles e para os seus filhos, fogem de uma Sociedade que não lhes oferece Educação, em suma, fogem de uma Sociedade doente e sem perspetivas de cura, que muitos de nós ocidentais (ditos povos civilizados) ‘alimentamos’ com os nossos maus hábitos e vícios de Vida.

Que será melhor para eles, ficar e confrontar os políticos e militares locais para melhorarem as condições de Vida, ou, deixar tudo para trás e procurar outro local onde possam ser mais felizes? Quem os pode ajudar?

Entretanto, existem políticos no ocidente que os classificam como ‘praga’, nem lhes dando uma condição Humana e que pretendem construir ‘muros’ para os impedir de passar.

Não seria preferível apoiá-los verdadeiramente nos seus Países de origem, criando Organizações paralelas?

Nós poderemos ter as soluções se agirmos concertadamente com ações concretas sobre os governos desses Países. Afinal de contas, quando se trata de interesses financeiros ou militares os Países ocidentais são capazes de impor sanções de todo o tipo sobre outros, mas quando se trata de questões humanitárias são pouco assertivos e carecem de soluções eficazes, agindo com excesso de cautela ou passivamente, preferindo construir muros ou enviar apenas ajuda alimentar e de cuidados de saúde.

CHEGA de hipocrisia e de colocar os interesses económicos, financeiros e militares acima dos supremos interesses dos Seres Humanos! O mundo globalizado necessita de atitudes e comportamentos mais inteligentes e coerentes com a Vida Humana.

Mude e permita a mudança para uma Vida melhor, mas que seja para TODOS, não só para alguns que lucram em manter esta Sociedade doente e sem perspetivas de Futuro.

Alfredo Sá Almeida                                                                                       2 de Agosto de 2015