Caminho longo e difícil!

Quem o pretende percorrer?

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Hoje, numa noite de pandemia, dei comigo a refletir sobre as utopias(?) que escrevo relacionadas com o Valor Humano, uma mudança sustentada do Paradigma da Sociedade Global, a transformação do Homem em Ser Humano, a difusão generalizada/globalizada do Humanismo e dos Valores Humanos.

Ah! Como eu gostaria que o Mundo pudesse abandonar a violência e relegá-la para o esquecimento! E, se a Paz fosse uma constante dinâmica da Vida, como seria o Futuro da Humanidade?

Ah! Mas será possível, algum dia, o Homem conseguir reduzir os seus vícios a uma ínfima expressão? Ah! Como eu gostaria de viver 300 anos de uma vida plena a desbravar o conhecimento, a consciência e o Valor Humano! Mas eu acabei de renascer para a Filosofia, ‘só sei que nada sei’! Como poderei percorrer um caminho tão longo e difícil? Só se for pela aprendizagem constante ao longo da Vida!

Ah! E o dinheiro? Esse elemento vil da Sociedade que escraviza todo o mundo! Será alguma vez possível substituí-lo pelo Valor Humano? Mas então, não serão as atitudes e comportamentos Humanos, desviantes e tóxicos, os destruidores da Consciência Coletiva e do Bem Comum da Sociedade Global?

Não, não me esqueci da Educação! Gostaria que a prática fosse bem distinta da atual! Toda Pública e de muita qualidade para TODOS, onde a Vida, o Valor, a Biodiversidade, a sustentabilidade da Biosfera fosse bem integrada na consciência Humana e o relacionamento em Sociedade fosse saudável e construtivo. Onde a Liberdade contribuísse para a construção do Bem Comum.

E, o Poder? Ah! Esse deverá ser democrático, sempre! O mais possível participativo e com consciência de Cidadãos do Mundo. E, conseguir persuadir as Pessoas por este caminho?

Pois bem, eu gostaria de conseguir transformar o Mundo de modo a TUDO isto poder acontecer, e, ser possível vivermos condignamente nesta dimensão dinâmica e vasta como o Universo.

Caminho difícil este, que escolhi por sentimento e vontade! E longo, também!

Mas enquanto a minha mente o conseguir percorrer eu vou percorrê-lo! Poderei, eventualmente, tropeçar nalguma ‘pedra’, mas espero não me ‘aleijar’ na queda. Quero percorrê-lo porque vale a pena! Porque o resultado seria um Mundo MELHOR para TODOS. Será que terei quem me queira acompanhar? Não importa a quantidade, mas a Qualidade de quem me acompanha. Uma Qualidade capaz de congregar outras mentes num Futuro Coletivo digno da nossa espécie.

Como conseguir integrar na mente do Homem um ‘gene’, um conectoma, uma ‘alma’ sonhadora com um Futuro de uma prosperidade que satisfaça toda a Biodiversidade? Onde cada EU acredita nas suas capacidades para construir um Valor que estará bem integrado na Sociedade Global.

Nos dias que correm, quase ninguém quer percorrer caminhos difíceis, preferem caminhos ‘limpos’, bem traçados, matematicamente delineados, virtuais se possível. Na atual realidade, a normalidade tem muitos adeptos, tem muitos seguidores, querem todos um AGORA expressivo e lucrativo. No pós-pandemia, todo o mundo quer recuperar o contacto Humano, mas não para mudar o sistema, o paradigma que escraviza o Homem à condição de ‘robot’ de uma Sociedade vazia de Futuro. O contacto Humano é apenas considerado um ‘escape’ temporário da condição de ‘robot’. O Amor é banalizado e não pleno, nem incondicional. ENFIM UM MUNDO CHATO E TRISTE! Onde todo o mundo reclama, se deprime e se ‘funde’ numa amálgama estéril!

Quero ser um Explicador de Valores Humanos e da Filosofia Humanista projetada no Futuro da Humanidade.

Quero viver muito e bem, com muito Amor, onde as Pessoas sejam dignas da sua condição de Ser Humano.

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Quero poder dizer, como John Forbes Nash Jr. (Prémio Nobel de Ciências Económicas de 1994) no discurso ao aceitar o seu Prémio Nobel – “É somente nas misteriosas equações do amor que qualquer lógica ou razão pode ser encontrada”, dirigindo o olhar a sua mulher Alicia“Você é a razão de eu estar aqui hoje, você é a razão de eu existir, você é todas as minhas razões.” (*)

Alfredo Sá Almeida                                                                                9 de Maio de 2020

(*) Observação: Dedico este texto à minha querida Companheira de percurso vital, Angela Maria Figueiredo Alem.

Quando e como acontecerá uma mudança de Paradigma?

Imaturidade

A Sociedade Global atual vive (ou sobrevive) entre um mundo de ficção virtual e uma realidade dramática. São dois mundos distintos que quase nunca se misturam. No entanto, quem vive no mundo da ficção virtual pode cair no da realidade dramática. Quem vive os dramas do dia a dia da sobrevivência tem imensa dificuldade de incorporar a ficção virtual, dados os ensinamentos que esse mundo dramático lhe acrescentou, não permitindo que se deixe iludir.

Realidade Virtual 1

Quer queiramos quer não, o nosso Mundo está muito doente devido às carências e falências, do muito que se torna necessário para recuperar o ‘doente’. No estado em que se encontra, das duas uma, ou morre da doença ou morrerá da cura.

Eu gostaria muito que este Mundo ‘doente’ aproveitasse todas as energias que lhe restam para se transformar numa realidade biosustentável e com Valor Humano. Sem rancor, mesquinhez, violência, arrogância e tantas outras demências, que os Líderes mundiais têm aversão a ‘destruir’, por as incorporarem e lhes dar jeito de se manterem no poder e terem ‘argumentos obtusos’ para dizerem aos ‘fiéis’: “Eu não lhes disse que aconteceria?”

Na verdade, acontecerá sempre do mesmo modo porque a Sociedade está estruturada e ‘instruída’ para que isso se verifique. Talvez, quando um pequeno Cidadão ‘inocente’ gritar à multidão que ‘O Rei vai nu!’ os restantes Cidadãos amedrontados queiram reconhecer que chegou a hora de mudar de Paradigma.

Os recentes acontecimentos climáticos extremos que se desenvolveram em Moçambique, colocaram a nu a fragilidade em que a Sociedade Global se encontra e se encontrará, com a previsibilidade de aumento da frequência destes fenómenos atmosféricos em TODO o Mundo.

 

É muito triste assistir aos dramas de tantos Seres Humanos, que por infelicidade já são pobres, se vêm privados do pouco que possuíam e não sabem a quem recorrer para sobreviver com maior dignidade. O mesmo se passou no Haiti aquando do terramoto que destruiu uma boa parte do País.

Infelizmente, existem por esse mundo fora mais realidades dramáticas do que ficções virtuais. E o mais triste de tudo é que nos Países que vivem uma ficção virtual permanente, não se dão conta que também poderão sofrer os mesmos dramas intensos que os mais pobres sofreram. Mas haverá sempre alguém com compaixão para os apoiar e recuperar.

Seria muito melhor que uma ‘esmagadora’ maioria de NÓS possuísse uma vida digna (considerada como normal) e solidária, capaz de, apoiando-se mutuamente, suprirem as falhas de inexistentes condições de socorro.

Agradeço que me acompanhem no seguinte raciocínio:

  • – Todos NÓS sabemos que para manter um Estado em alerta de guerra, ou de defesa contra invasões, é necessário gastar enorme quantidade de dinheiro, para manter o sistema ativo com o hardware renovado suficiente, para responder à tal pretensa invasão. Ou seja, o esforço necessário para manter tal poderio daria para resolver imensos problemas da Humanidade e apoiar muitas Nações a serem autossustentáveis. Mas não, não é assim que as coisas funcionam. Quem possuiu esses sistemas de prontidão bem mantidos, não abdica de os possuir, para não se sentir ‘despido’ e nu. É a razão do PODER. Eu posso, logo não abdico do poder. É esta a lógica do sistema que TODOS NÓS temos vindo a alimentar, porque foi assim que nos ensinaram e os preconceitos têm muito peso na Sociedade Global.
  • – Nem pensar em alterar o paradigma que nos trouxe até aqui porque isso daria ao ‘inimigo’ a oportunidade de nos ‘invadir’ e se apoderar de NÓS. Ou seja, não é uma lógica de interajuda e de solidariedade, mas sim de PODER.
  • – Por outro lado, esses pseudo ‘inimigos’ não são capazes de se colocar de acordo e de construírem uma Consciência Coletiva para criarem as bases de um novo Paradigma onde TODOS pudéssemos estar representados. Porque se o fizerem em cooperação, perderiam o PODER da vantagem. Logo, está fora de questão. No caso de haver uma nova Guerra Mundial, o paradigma será alterado quer queiramos quer não. Só não saberemos que tipo de paradigma será instituído e se será melhor que o anterior.
  • – Se nos mantivermos neste estado letárgico, de nada fazer que altere o ‘equilíbrio de forças’, as mudanças ocorrerão forçosamente, quer queiramos quer não, ‘naturalmente’ para pior e para a grande maioria de NÓS, porque não somos NÓS a razão de preocupação. A razão será sempre a do PODER. E no PODER não está ninguém que nos possa representar, a não ser que você escolha qual dos lados pretende ficar.
  • Se é possível gastar tanto dinheiro e investir tanta sabedoria para construir uma ‘máquina de guerra’, então deveríamos saber desviar esse ímpeto para causas mais nobres para a Humanidade.

Perante este tipo de raciocínio considero que existe TANTO a fazer por uma nova Ordem Mundial, onde os Seres Humanos possam ser sustentáveis na nossa Biosfera, vivendo em harmonia com a Natureza mantendo uma criatividade e inovação sãs, para uma NOVA SOCIEDADE GLOBAL, onde não haverá tempo para violências, nem arrogâncias, nem rancor, nem mesquinhez e tantas outras demências. Haverá sim lugar para os Valores Humanos, para a capacidade de construir uma Inteligência e Consciência Coletivas conducentes a um Futuro Coletivo em sustentabilidade com a Biosfera.

Todos aqueles que não pretenderem manter uma postura Inteligente e Consciente, preferindo todas as demências que mencionei, haverá quem se ocupe de lhes ‘acalmar’ a violência, porque na NOSSA BIOSFERA não haverá lugar para essa adrenalina excessiva, nem para vícios doentios e destruidores de mentes Conscientes e com Futuro. Os excessos de adrenalina bem como os vícios tratam-se com atos médicos e aprendizagens de inserção social.

Aliás, verifico com muita tristeza que a violência se está a enraizar em muitos Seres, que não posso chamar de Humanos nem de Cidadãos, por não possuírem a capacidade de argumentação nem persuasão para conviver em Sociedade. E, mais grave ainda, existe uma tolerância excessiva para atos violentos e de caráter selvagem. NÃO SERÃO ADMISSÍVEIS ATOS DE VIOLÊNCIA VERBAL OU FÍSICA ENTRE HUMANOS NO PARADIGMA QUE ESTOU A DESENVOLVER.

Outra questão que verifico, com muita tristeza, é o da Educação e do Ensino (ou a falta deles) não estarem orientados para Valores Humanos nem para uma Cidadania de sã convivência.

Aqui chegados, meus caros Leitores, temos de DECIDIR o que pretendemos no NOSSO Futuro, e, em que tipo de Paradigma pretendemos VIVER, se no atual (e salve-se quem puder) ou num NOVO PARADIGMA de Valor Humano.

Eu já decidi qual o Paradigma que pretendo para o Futuro da Sociedade onde vivo. E você já decidiu?

A Guerra

Alfredo Sá Almeida                                                                  24 de Março de 2019