Sobre as mudanças de Paradigmas da Sociedade.

Mudanças de Paradigma

O mundo Global está em crise faz muito tempo. O Homem está perante o dilema recorrente sobre a continuidade ou a mudança.

A realidade é que nos ‘portámos’ tão mal nas últimas décadas que estamos perante uma encruzilhada de problemas para os quais há que encontrar soluções mais adequadas à Vida do Homem e da Biosfera.

Sou um defensor de um novo Paradigma para a Sociedade Global e para a vida em Sociedade, que tem sido objeto no tema dos meus textos, nos últimos três anos.
Compreendo que muitas Pessoas se mostrem céticas na mudança efetiva para um novo Paradigma da Sociedade. Mas a ideia fulcral e todas as intenções de desenvolvimento, são a construção de um mundo melhor, mais justo, com equidade social e uma Educação abrangente disponível para TODOS, com qualidade e desenvolvimento de Valores Humanos.

No meu caso tenho vindo a propor um Paradigma de Valor Humano aplicado à construção dos alicerces da nova Sociedade Global.

Por exemplo, o meu amigo Joaquim Serra é muito cético sobre a construção de novos paradigmas da Sociedade. Tomo a liberdade de transcrever um dos seus comentários sobre o assunto:

“O risco da criação de paradigmas é o de promovermos círculos viciosos.
Aquele que criámos após a II Guerra Mundial, em nome da segurança do mundo e da liberdade dos seres humanos, com todas as cargas ideológicas que lhe estiveram subjacentes, e com todas as justificações axiológicas de que nos valemos para legitimá-lo, afinal revela-se ser o maior causador de conflitos armados, de injustiça social e económica, e distopia, resultando que isso transmite uma enorme insegurança às pessoas, sobretudo aquelas que se sentem impotentes e sem controlo sobre a própria vida.

As sociedades humanas são altamente dinâmicas, porque a consciência do ser humano é dinâmica, evolui, expande-se e multiplica-se em ambiente social, é modal, enquanto no mesmo ambiente a mentalidade se faz apenas moda folclórica, hábito ou costume e por vezes tradição.

O paradigma que estabelecemos já foi ultrapassado, tornou-se obsoleto, com a agravante de querermos encontrar a solução para os problemas que causou, dentro do mesmo paradigma, no mesmo modelo que o criou, o que é uma loucura provocada por puro apego emocional a um ideal, pois de racional tem muito pouco.

Criar outro paradigma para o substituir, por mais atrativo que nos pareça, penso que num período mais curto do que 72 anos se revelará inapropriado.” – Joaquim Serra.

Existem matérias no seu ceticismo com as quais eu concordo, mas não considero que seja inapropriado o desenvolvimento e construção de um novo Paradigma da Sociedade, e, muito menos, o de promovermos círculos viciosos. Assim, tive a oportunidade de responder ao seu comentário do seguinte modo:

– “Caro amigo Joaquim Serra, como sempre os seus comentários dão muito que pensar e obrigam a uma interiorização, o que os torna muito positivos e desafiadores.
Os Paradigmas não são o problema são a solução. A questão principal é que as Pessoas não querem pensar muito nem pretendem interiorizar muita coisa, pois preferem disfrutar, usufruir, consumir, deleitar-se com o Paraíso. São essencialmente espectadoras, contemplativas e muito pouco proactivas, o que complica as mudanças que a Sociedade deveria efetuar profundamente para uma melhoria contínua do seu funcionamento e saúde Social.

“Nas ciências sociais, o paradigma encontra-se relacionado com o conceito de visão do mundo. O termo é usado para descrever o conjunto de experiências, crenças e valores que incidem sobre a forma segundo a qual um indivíduo perceciona a realidade e na sua forma de resposta. Significa que um paradigma é igualmente a forma segundo a qual o mundo é assimilado.” (https://conceito.de/paradigma)

Thomas Samuel Kuhn, no seu livro “A Estrutura das Revoluções Científicas”, designou como paradigma as “realizações científicas que geram modelos que, por período mais ou menos longo e de modo mais ou menos explícito, orientam o desenvolvimento posterior das pesquisas exclusivamente na busca da solução para os problemas por elas suscitados.” O que no caso das Ciências Humanas torna necessário adaptar estas propostas a campos de conhecimento que, em geral, são multiparadigmáticos. (p.f. ver em (https://www.significados.com.br/paradigma/) e Wikipédia.

“O paradigma da sociedade flui para várias áreas da sociedade e inclui a incerteza como uma abertura de novas possibilidades e não como algo que trava o processo de pensamento.”

“Portanto, um paradigma é um princípio, uma teoria ou um conhecimento originado da pesquisa em um campo científico. Uma referência inicial que servirá de modelo para novas pesquisas.” Está imbuído de uma dinâmica de evolução.

“Quando um paradigma já não pode satisfazer as necessidades de uma Sociedade (por exemplo, perante novos descobrimentos que invalidam conhecimentos prévios), é sucedido por outro. Esta mudança de paradigma pode ser algo dramático se o pressuposto for a estabilidade ou a sensatez.” (https://conceito.de/paradigma)

Sem apelar aos ‘saltos quânticos’, e sem cair no campo da estabilidade ou sensatez, a aplicação de um novo Paradigma implica, a meu ver, uma construção coletiva coerente com uma nova visão do mundo. O que por si só é muito positivo, desde que exista abertura de espírito.

Significa isto que um novo Paradigma tem um tempo de vida, mais ou menos longo, e que será difícil revela-se inapropriado, desde que as Pessoas tenham a Educação e os conhecimentos suficientes para aceitarem a evolução da Sociedade para melhor.” – Alfredo Sá Almeida.

É nesta dinâmica de um Novo Paradigma que vale a pena investir, construir novos elos de desenvolvimento sustentável, envolver o relacionamento em Sociedade em Valores Humanos e desenvolver um processo educativo onde esses Valores possam germinar e dar frutos. Por outro lado, libertar a Sociedade de pressões urgentes para que se possa concentrar e focar nas mudanças prioritárias que tardam em ser implementadas.

Na figura abaixo mostro um exemplo bem conseguido de mudanças indispensáveis, mas que ainda não estão bem estruturadas em Sociedade.

Mudança de Paradigma

Alfredo Sá Almeida                                                                                  5 de Março de 2018

 

O que é preferível, uma Guerra mundial ou uma mudança de Paradigma da Sociedade Global?

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(Reação de uma menina Síria quando um operador de câmara a está a filmar, julgando que lhe estão a apontar uma arma)
(http://www.contioutra.com/bbc-entrevista-fotografo-da-menina-siria-que-se-rende-a-camera-imaginando-tratar-se-de-uma-arma/)

Vivemos em estado de Paz ‘podre’ sob ameaça constante de Guerra. Esta é uma triste realidade dos dias de hoje, onde as guerras estão disseminadas um pouco por toda a parte. Olhemos para o caso da Síria, do Afeganistão, do Iraque, de alguns Países Africanos e outros Asiáticos.

A inexistência de uma Educação de Qualidade para TODOS conduz as Pessoas a manter “os mitos, os tabus, os arquétipos, os preconceitos, as mentalidades, as etiquetas, os estereótipos, as conveniências e as conivências oportunistas.” Por outro lado, a inteligência emocional fica descontrolada e desequilibrada, e a racionalidade afetada por todo o tipo de ameaças, sejam culturais ou económicas.

Num estado geral desta natureza não é de admirar que os ânimos se exaltem e os Líderes percam a razão e ‘arrastem’ os Povos para a Guerra.

Todos nós sabemos que a Paz é um processo dinâmico sujeito a um equilíbrio e a uma atenção constante por parte das Diplomacias, para não descambar e não tropeçar na irracionalidade dos actos.

Olhemos para o mapa do mundo atual e verifiquemos que Líderes comandam os Países (ou confederação de Estados) e que verbas estes destinam à construção e venda de armas (de todos os tipos), das mais ligeiras às mais pesadas e de destruição maciça, para termos uma noção de quão frágil é a Paz. Muitos desses Líderes pensam que a segurança só se consegue com armas e que essas são a melhor atitude de dissuasão.

Aliás, o Homem (desde longa data) mantém uma atitude bélica preponderante que se transmite e ‘infeta’ todos à sua volta. Poderemos dizer que houve uma melhoria nas últimas décadas de vida no mundo, mas as tensões mantiveram-se e existem disseminadas por vários pontos do Planeta.

Sobretudo, temos de o admitir, a Paz é um processo Educativo constante. Deveria ser como o Conhecimento, uma aprendizagem constante. Essencialmente, deveria ser uma melhoria constante dos Valores Humanos, aqueles que caracterizam o melhor do Homem em Sociedade, que o transformam em Cidadão do mundo e lhe dão a sabedoria da convivência.

Mas para isso acontecer, será necessária uma mudança profunda de Paradigma da Sociedade Global, onde o Valor do Homem possa sobressair e moldar a Inteligência e Consciência Coletivas. A Humanidade está carente de um Paradigma desta natureza. Onde TODOS teríamos de aprender a SER melhores Cidadãos e a construir um Futuro Coletivo digno de Seres Humanos.

Vai doer

Este seria um esforço que ajudaria a UNIR TODOS, em desígnios comuns e de Valor, e esquecer o que nos separa para nos focarmos na importância das Comunidades, da Vida, da Sustentabilidade do Planeta, no Desenvolvimento Humano e na Paz. Nada disto será possível sem uma Educação de Qualidade para TODOS.

Convenhamos que a dimensão da DOR é bem diferente numa situação de mudança Global de Paradigma, ou numa mudança provocada por uma Guerra mundial! E o número de mortes, também! Qual delas, o meu caro Leitor, preferiria?

Será o Homem capaz de adquirir essa Consciência e não se deixar tentar pela violência e pela agressão?

Será o Homem capaz de construir uma mudança Global de Paradigma que não descambe numa Guerra?

Se não acreditarmos que o Homem tem essa capacidade como Coletivo de Nações, de Povos ou de Culturas, então que andamos neste mundo a fazer?

Malala-Yousafzai

– O que sai mais caro de promover e implementar: uma Guerra, ou, uma Educação de Qualidade para Todos? – Qual destas atitudes produzirá as melhores mudanças para o Ser Humano?

Alfredo Sá Almeida                                                                                   1 de Março de 2018