A Juventude, o Futuro e o Poder

Este texto surge na sequência de um acto importante de Cidadania Global, da autoria de uma jovem – Greta Thunberg, como Cidadã do Mundo. Representa a coragem de falar pelo Futuro dos mais jovens e transmite-nos quão incompetentes temos sido na defesa da Biosfera, do equilíbrio climático, das espécies em vias de extinção e na indiferença criminosa que estamos a praticar para o nosso Planeta e para NÓS próprios.

Discurso de Greta Thunberg na ONU

Mas antes de expor a minha opinião sobre o tema em título gostaria de vos deixar o discurso que Greta Thunberg proferiu na ONU:

(https://medium.com/greta-thunberg-translations-of-her-own-words/discurso-de-greta-thunberg-ao-secret%C3%A1rio-geral-da-onu-ant%C3%B3nio-guterres-965c2236e773)

“Durante 25 anos, inúmeras pessoas estiveram à frente das conferências sobre o clima das Nações Unidas pedindo aos líderes da nossa nação para que parassem com as emissões. Mas, claramente, isso não funcionou, já que as emissões continuam aumentando.

Então, eu não vou perguntar nada a eles.

Em vez disso, pedirei à mídia que comece a tratar a crise como uma crise.

Em vez disso, pedirei às pessoas de todo mundo que percebam que nossos líderes políticos falharam conosco.

Porque estamos diante de uma ameaça existencial e não há tempo para continuar nessa estrada da loucura.

Países ricos como a Suécia precisam começar a reduzir as emissões em pelo menos 15% por ano para atingir a meta de aquecimento de 2 graus. Você pensaria que a mídia e todos os nossos líderes estariam falando só sobre esse assunto — mas ninguém nunca menciona nada sobre isso.

E ninguém fala também sobre o fato de estarmos no meio da sexta extinção em massa, com até 200 espécies sendo extintas por dia.

Além disso, ninguém nunca fala sobre o aspecto da equidade claramente declarado no acordo de Paris, o qual é absolutamente necessário para fazê-lo funcionar em escala global. Isso significa que países ricos como o meu precisam reduzir suas emissões a zero dentro de 6 a 12 anos, dada a velocidade de emissão de hoje, para que as pessoas nos países mais pobres aumentem seu padrão de vida construindo algumas das infraestruturas que já construímos. Por exemplo hospitais, eletricidade e água potável.

Como podemos esperar que países como a Índia, a Colômbia ou a Nigéria se preocupem com a crise climática se nós, que já temos tudo, não nos importamos nem um pouco com nossos compromissos com o acordo de Paris?

Então, quando a escola começou em agosto deste ano, eu sentei no chão do lado de fora do parlamento sueco. Eu fiz greve escolar pelo clima.

Algumas pessoas dizem que eu deveria estar na escola. Algumas pessoas dizem que eu deveria estudar para me tornar uma cientista do clima para poder “resolver a crise climática”. Mas a crise climática já foi resolvida. Já temos todos os fatos e soluções.

E por que eu deveria estar estudando para um futuro que, em breve, pode não existir mais, quando ninguém está fazendo nada para salvar esse futuro? E qual é o ponto de aprender sobre fatos quando os mais importantes fatos claramente não significam nada para a nossa sociedade?

Hoje, usamos 100 milhões de barris de petróleo por dia. Não há política para mudar isso. Não há regras para manter esse óleo no solo.

Então, não conseguiremos salvar o mundo jogando pelas regras do jogo. Porque essas regras precisam ser mudadas.

Portanto, não viemos aqui implorar aos líderes mundiais que cuidem do nosso futuro. Eles nos ignoraram no passado e nos ignorarão novamente.

Viemos aqui para que eles saibam que a mudança está vindo, gostem ou não. As pessoas enfrentarão o desafio. E, como nossos líderes estão se comportando como crianças, teremos que assumir a responsabilidade que eles deveriam ter assumido há muito tempo.”Greta Thunberg

Pois bem, considero que não podia ser mais esclarecedor e que só poderia ser proferido por esta jovem que encarna os desejos de muitos jovens por esse mundo fora. Isto porque os adultos à sua volta já estão demasiado comprometidos com os ERROS cometidos no passado e no presente.

Infelizmente, não são só os erros que têm sido cometidos por Políticos, Investidores, Cientistas e elementos do Poder instituído, por esse mundo fora. O mais grave é que esses erros são cometidos com uma indiferença, que considero criminosa, pelo Futuro de TODOS NÓS.

É tempo de os Jovens intervirem activamente nas decisões sobre o Futuro. Eles representam-no e são suficientemente capazes de afirmar o que não querem nas suas vidas.

O Poder instituído deve, obrigatoriamente, ouvir e respeitar a opinião deles.

Torna-se evidente que o mundo dos adultos com filhos, deve acompanhar, aconselhar e orientar as suas reivindicações, com sentido ético, sem desvirtuar o querer, mas que possam ser bem-sucedidos nas suas causas.

No entanto, verifica-se um problema no mundo atual, aqui representado pela evolução da pirâmide etária, que não atribui um peso suficientemente significativo à Juventude no Futuro. Senão vejamos;

transicao-demografica

Esta transição que se tem vindo a verificar, significa uma diminuição sensível das taxas de natalidade e mortalidade no tempo. (p.f. ver exemplo do Brasil).

 

Evolução da pirâmide etária do BR

Significa isto que a partir de agora, devem perfilar-se também os adultos conhecedores das causas dos Jovens e que possam atuar fidedignamente como assessores desses Jovens, conferindo assim um maior peso democrático às suas causas. Os adultos devem assim ser, igualmente, os agentes de mudança pelo ‘despertar’ dos Jovens, dando ‘corpo’, coerência, impacto e perspectiva de Futuro, contribuindo para o sucesso das suas causas junto dos Poderes instituídos.

Ou seja, os adultos passam a ser os Tutores dos Jovens.

Pirâmide Etária do Brasil 2060

Os Jovens deveriam passar a ter uma maior influência junto do Poder.

Por outro lado, esta dinâmica implicará uma mudança significativa nos elementos do Poder, de modo a permitir uma maior consonância com os anseios biosustentáveis do Povo.

Outro aspeto que se deverá verificar é uma significativa queda das barreiras inter- geracionais, de modo a permitir um diálogo frutuoso e de influência positiva.

De toda esta dinâmica terá de resultar uma mudança no Ensino e processo Educativo, onde os Valores Humanos, a Bio-sustentabilidade e o Futuro do Homem e da Biosfera caminhem em harmonia e possam contribuir para uma mudança efetiva da nossa Sociedade Global.

A Solidariedade com esta causa, e tantas outras bem positivas por esse mundo fora, representa um Valor Humano com Futuro.

Global Sustainable Intellingence

O meu texto anterior intitulado ‘Que solução para o Futuro do Homem?’ representa o meu grito de alerta para nos deixarmos de indiferenças fúteis e sermos melhores Cidadãos do Mundo.

Alfredo Sá Almeida                                                                               16 de Março de 2019

O Valor do Poder

o-poder1

Exercer o Poder é uma capacidade do Homem, com maior ou menor arbitrariedade, de deliberar, de agir, de mandar, ou ainda, a faculdade de exercer a autoridade e a soberania. Sob o ponto de vista sociológico ‘o poder é definido geralmente, como a habilidade de impor a sua vontade sobre os outros, mesmo se estes resistirem de alguma maneira.’

Independentemente do modo como é observado e avaliado, o Poder deve ter Valor Humano. Caso contrário, o exercício dessas capacidades, faculdades e habilidades não serve propósitos Humanos globais.

Apesar de nas Sociedades Democráticas o Poder estar dividido:

  • Poder Social – o Estado;
  • Poder Económico – Empresarial;
  • Poder Militar – Poder Político;
  • Poder Judicial – Justiça

Existe sempre uma subordinação a uma autoridade máxima, que na grande maioria dos Países é representado pelo Presidente da República ou pelo Rei (ou Rainha).

Muitas vezes assistimos impotentes a ‘disputas’ entre órgãos de Poder pela concretização de uma parcela desse Poder, ou da parcela decisiva.

Exemplos:

  1. “Congresso ultrapassa veto de Obama e aprova lei contra governos patrocinadores de terrorismo” – (https://www.publico.pt/mundo/noticia/congresso-ultrapassa-veto-de-obama-e-aprova-lei-contra-governos-patrocinadores-de-terrorismo-1745541);
  2. “ONU: “Crise repentina pode alterar” escolha do secretário-geral” – (http://www.tvi24.iol.pt/politica/presidente-da-republica/onu-crise-repentina-pode-alterar-escolha-do-secretario-geral);

Exemplos destas disputas não faltam, são o dia-a-dia da vida Política. São sempre uma tentativa de sobrepor uma vontade à vontade de outro órgão de soberania.

A questão que se coloca, na maioria das vezes, é a da legitimidade, da justiça ou do Valor dessa vontade contrária. É que o exercício do Poder é essencialmente uma vontade coletiva, ou uma interpretação momentânea da vontade coletiva que dará lugar à Consciência Coletiva e oficial de um Povo.

Diz-se que o Povo (em Democracia) é o supremo detentor do Poder. Esta afirmação é tanto mais verdadeira quanto maior representatividade tiver esse Povo, ou a qualidade das ações que possa exercer para demonstrar a sua vontade. Caso contrário, haverá sempre um Político que tomará a iniciativa de uma interpretação da vontade do Povo e desencadeará as ações táticas necessárias para influenciar decisivamente a estratégia.

Mas, para lá da legitimidade ou da justiça na vontade contrária, existe uma dimensão que quase nunca ninguém coloca, que se prende com o Valor dessa ação. Sobretudo, na dimensão do Valor Humano da ação contrária.

Quando o Poder é exercido de forma coletiva e existe um consenso, normalmente as questões da legitimidade e da justiça estão praticamente superadas. Mas para que exista Valor tem de haver coerência da ação com as demais posições Políticas, ou outras, que foram tomadas.

Infelizmente assistimos, mais vezes do que devíamos, a uma total falta de coerência em determinadas ações de Políticos, que na ansia de interpretarem a vontade do Povo, demonstram uma vontade individualista da sua ação. O mais grave, é que essas vontades individualistas, repentinamente expressas, acabam por se sobrepor indevidamente aos processos decisórios definidos democraticamente em tempo oportuno, desvirtuando e desrespeitando todo o processo instituído. Neste caso, acabam retirando todo o Valor que a decisão acarreta.

Os Líderes mundiais, detentores do Poder Global, deveriam preocupar-se com TODAS as dimensões (Legitimidade, Justiça e Valor) das suas decisões, e, deixarem-se de vontades individualistas repentinas e incoerentes que lhes retiram o Valor Humano e acrescentam a incompreensão do Povo.

O modo como os Líderes lidam com as incertezas do mundo não pode representar ‘opacidade’ na nova decisão, pelo contrário, a alteração da decisão deve ser bem clarividente e coerente para congregar vontades, em vez de congregar repulsa.

Considero ser necessário salientar quais as características negativas que retiram toda a Legitimidade, Justiça e Valor ao Poder. Este é o caso da falta de princípios éticos, dissimulação de vontades, corrupção processual, autoritarismo, etc.

Mas no que concerne à ‘… habilidade de impor a sua vontade sobre os outros, …’ não vale tudo. Há regras e boas práticas Políticas que devem ser realizadas para não desvirtuar o Poder.

O mundo Global de hoje, e os seus Líderes, vive em maior ambiente de incerteza e em ampla expressão de vontades coletivas, que requer decisões sábias, conciliadoras, com sentido de futuro global e muito Valor acrescentado. Sabemos, pelas observações, conhecimento e avaliações que fazemos, da prática Política atual, que uma boa parte dos problemas mundiais resultam da impreparação e erros cometidos por líderes (e seus assessores) incapazes de negociar convenientemente vontades coletivas. Os restantes problemas advêm da intransigência negocial das partes envolvidas, do extremar de posições, da arrogância negocial, da tentativa de acrescentar Poder ao já existente e do desfasamento cultural e de Valores dos intervenientes.

Se a carência em Valores Humanos se faz sentir enormemente entre os elementos do Povo e na prática da Sociedade, ela tem uma dimensão bem maior quando esses Valores não estão enraizados nos dirigentes Políticos e outros. A Paz é fundamental em qualquer processo negocial. Mas infelizmente verificamos que a falta de sincronia das vontades coletivas, causadas pela crescente vertente de desigualdades sociais ou pela falta de concordância no estabelecimento de prioridades, e ausência de Valores Humanos acrescenta intransigência negocial.

O meu caro Leitor também está em posição privilegiada para contribuir para o Valor do Poder. Para tal, será conveniente que aumente a sua Consciência Coletiva, o seu Conhecimentos de matérias importantes para o Povo e desenvolva Valores Humanos, que lhe permitam exprimir a vontade coletiva com a coerência, legitimidade e justiça sociais necessárias.

Alfredo Sá Almeida                                                                               30 de Setembro de 2016

Privilégios pessoais não acrescentam Valor Humano!

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Na Sociedade atual quem exerce o Poder (seja político, financeiro ou empresarial), habituou-se a uma miríade de privilégios que acabam por distorcer a natureza de Cidadania. Desenvolveu-se o mau hábito que transforma Cidadãos normais em Cidadãos privilegiados.

Numa Sociedade de Valor Humano, como eu venho defendendo, só os Cidadãos de maior Valor exercem os cargos de Poder. Significa isto que para deter maior Valor tem de demonstrar ao longo da vida o verdadeiro Valor Humano acrescido que o torna um Cidadão especial.

Esta, entre muitas outras, é uma vantagem da Sociedade de Valor Humano sobre aquela a que nos habituaram. Ninguém necessita de privilégios, ou prerrogativas especiais, para demonstrar o seu Valor como Pessoa ou como Cidadão. TODOS terão igualdade de oportunidades e condições de Educação de excelência, durante o mesmo período de tempo para demonstrarem o seu Valor. Depois caberá a cada um desenvolver-se, de acordo com a sua consciência, para atingir os seus desígnios Pessoais no TODO Global. Mas em todo o processo a Pessoa deve demonstrar o seu Valor para tal.

Vou lembrar aos meus Leitores o significado de PRIVILÉGIO para nos sintonizarmos nesta problemática. Assim, Privilégio (Dicionário Priberam da Língua Portuguesa) (latim privilegium; lei de exceção, favor) significa:

  1. Direito ou vantagem concedido a alguém, com exclusão de outros;
  2. Bem ou coisa a que poucos têm acesso;
  3. Permissão especial;
  4. Imunidade, prerrogativa.

Afinal, se olharmos para História ‘com olhos de ver’, verificaremos que os privilégios foram sendo criados para justificar algo que de outro modo não se poderia justificar. Em resumo, significa uma falta de Inteligência apenas para justificar o Poder. Chegou-se ao cúmulo de quem não tem privilégios não tem Poder.

Ou seja, o Poder está distorcido de modo a favorecer determinadas Pessoas em detrimento de outras. Ou se é eleito, ou se tem o privilégio de ser indicado para colaborar com o Poder. O Valor fica desvanecido, ou praticamente ausente, consoante as circunstâncias. Neste caso, basta cumprir as ‘ordens’ que tudo ficará resolvido.

Quando os desígnios são claros e abrangentes deveríamos saber que só uma Personalidade com o Valor adequado saberá conduzir os processos para os atingir, sem necessitar de privilégios para demonstrar o Valor do seu Poder.

Infelizmente há aqueles que pensam serem detentores de um Valor inatingível e impercetível que só eles serão capazes de resolver a situação. Mas vão necessitar de privilégios para se imporem aos outros.

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Nesta nossa Sociedade desequilibrada, verificamos essencialmente dois tipos de privilégios: os Lícitos e os Ilícitos.

No caso dos privilégios ilícitos, vale tudo (até ‘tirar olhos’) para demonstrar que detém o poder (a qualquer custo). Neste caso estamos no domínio do obscuro e da prepotência, desconhecido para a grande maioria, porque o segredo é a ‘Alma do negócio’. Ora um Poder com estas características não inspira nenhuma confiança nem credibilidade.

Para evitar estas arbitrariedades, a Pessoa deve aceitar naturalmente ser avaliada (diferente de ser julgada) pelos seus pares, para poder argumentar e demonstrar o seu Valor Humano, que justifica a posição que ocupa no conjunto Global.

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Chegámos a um ponto, nesta nossa Sociedade Global, que andamos de desigualdade em desigualdade (privilégio em privilégio) até à derrocada final. Aí chegados será o desastre total, onde os inocentes e os desprevenidos vão pagar a fatura dos erros sistemáticos destes ‘iluminados’.

Quem, verdadeiramente, tem Valor Humano não necessita de mais nada para se impor naturalmente como Líder para exercer o Poder, pois todos os Cidadãos saberão que estão a ser bem conduzidos para os desígnios que também eles colaboraram na sua construção. A relação de Poder e Cidadania estarão devidamente coesos, no mesmo referencial de Valor Humano.

 

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Alfredo Sá Almeida                                                                                         22 de Março de 2016