A Sociedade atual e a dimensão da Liberdade

Sociedade Doente

A Sociedade atual tem-se desenvolvido nas últimas décadas como um Paradigma ‘canceroso’ onde a Liberdade dos Cidadãos, em vez de servir constantemente as boas práticas de cidadania, acaba destruindo os Valores Humanos que nos deveriam caracterizar.

O ritmo exacerbado de desenvolvimento, em todos os domí­nios do saber, a que a sociedade tem estado submetida, traduz a ansia de liberdade e conhecimento dos Povos oprimidos nas décadas passadas. As ‘explosões’ de criatividade, investigação, expressão cultural, desenvolvimento tecnológico e inteligência racional, deixaram para segundo plano (e em muitos casos, para terceiro e quarto planos) o desenvolvimento humano, social e emocional das comunidades e da Sociedade.

O desenvolvimento humano tem acrescentado ao Coletivo aspetos muito positivos, mercê sobretudo do desenvolvimento tecnológico, mas as componentes Sociais, Educacionais e de consolidação de Valores Humanos têm perdido rumo e caráter pela velocidade que foi impressa no desenvolvimento desequilibrado.

Os sistemas polí­ticos e financeiros são os grandes responsáveis pela permissividade instituí­da, que invadiu negativamente os sistemas educacionais, judiciais e de valores de uma Sociedade com personalidade e caráter Humanos. Os Cidadãos acabaram sendo ‘arrastados’ para decisões, escolhas ou opções pouco ponderadas e de baixo valor social acrescentado, minando as estruturas do paradigma instalado, tornando-o num paradoxo ‘canceroso’.

Dirão os meus caros Leitores que a Liberdade é um Valor primordial e que compensa todos os riscos no desenvolvimento. Eu direi: convêm esclarecer convenientemente esta matéria de considerar a Liberdade como Valor primordial desenraizada dos outros Valores!

A meu ver a Liberdade como Valor essencial e prioritário só faz sentido se estiver inserida no contexto dos outros Valores Humanos. É por essa razão que se torna primordial. Caso contrário, acabamos assistindo a fenómenos, numa Sociedade que se pretende saudável, de desenvolvimento de núcleos malignos que acabam destruindo TUDO – os Valores Sociais e a LIBERDADE. O mais grave é que a degradação social pode atingir patamares tão baixos que se torna difí­cil recuperar, com saúde, o ‘doente’. Esta acaba sendo o resultado de uma permissividade doentia e carente de Inteligência (racional e emocional). Se adicionarmos a esta permissividade doentia, uma Educação carente em Valores Humanos, então teremos um ‘corpo’ agressivo numa Sociedade em decadência.

Não é de estranhar que tenhamos assistido a um aumento vertiginoso da corrupção, da ganância, da arrogância, da prepotência e de muitas outras caracterí­sticas humanas negativas (Antivalores), que acabam proliferando num ‘terreno’ onde os Valores Humanos estão ausentes.

A Sociedade acaba sofrendo, e muito, com este estado de coisas. Infelizmente os exemplos das consequências são muitos. Senão vejamos, o aumento significativo de casos de:

  • Depressão;
  • Suicí­dio;
  • Doenças do foro emocional;
  • Stress;
  • Consumo de drogas;
  • Agressividade violenta;
  • Bullying;
  • Alheamento social;
  • Inteligência maligna;
  • Desequilí­brios mentais; etc.

Resultado, uma Sociedade doente sem perspetivas de melhoras. O intrincado de casos é tão acentuado e denso que organismos sociais saudáveis não conseguem recuperar o ‘paciente’ sem que o ‘tratamento’ seja completo e sistemático, tí­pico de um paciente com ‘cancro’.

Será necessário uma mudança profunda de paradigma, minimizando os paradoxos, com um aumento significativo das Consciência e Inteligência Coletivas, dos Valores Humanos e uma Educação de qualidade para TODOS os Seres Humanos deste Planeta.

Ser Humano doente

Alfredo Sá Almeida                                                                                 13 de Maio de 2017

O Valor Humano não se coaduna com a repetição de erros!

Insanidade2

A Vida Humana é uma experiência única para cada Ser que a vive. Todos nós estaremos de acordo com esta afirmação pois ela constitui uma evidência.

Nenhum de nós nasce ensinado nas práticas de uma vida em sociedade, nem quando nasce tem a consciência da vida que vai ter nem da dimensão que ela vai atingir.

Cada um de nós gostaria de nascer num País e no seio de uma Família estruturados e com capacidades e conhecimentos que permitam um desenvolvimento Humano saudável e com perspetivas de um Futuro feliz e próspero de conhecimento e de equilíbrios emocional, social e espiritual. O desenvolvimento de uma Vida assim é indiciadora de momentos criativos, de mudanças naturais que desenvolvam mais e mais a mente de quem os vive. Em ambiente de paz social e global, poderíamos até prever uma evolução para uma mente elevada e com um Valor Humano fora do comum.

Meus caros Leitores, tudo o que eu afirmei até agora parece-vos plausível?

Para mim, afigura-se como possível mesmo que as condições de vida não sejam tão idílicas como as que mencionei. Mas para que sejam uma realidade tem de haver o desenvolvimento de um caráter e uma personalidade com Valor Humano.

Ora, esse Valor Humano só se consegue com uma Educação completa e cuidada, adaptada a toda a nova vida Humana.

Durante uma vida somos até capazes de cometer alguns erros de percurso, resultantes da vivência e da experimentação das nossas capacidades. No entanto, se esses erros não forem irreversíveis e forem acompanhados de uma introspeção corretiva e inspiradora, servirão para desenvolver um crescimento saudável e potenciador de novas experiências que consolidarão o nosso Valor como Seres de uma Sociedade globalizada, mas muito doente em muitos aspetos da VIDA.

Infelizmente, tudo o que mencionei até agora só não se torna uma realidade consistente e coerente porque a Sociedade em que vivemos vem cometendo os mesmos ERROS, vezes e vezes sem conta, como se de uma perturbação obsessivo-compulsiva se tratasse. É aqui, a meu ver, que TODOS NÓS falhamos como membros de uma Sociedade (uns mais do que outros), por não sermos capazes de corrigir BEM o rumo da Vida que desenvolvemos.

Muitos dirão, mas nós não temos o domínio de muitos aspetos da Vida, nem das interações sociais, que nos permitam corrigir o rumo dos acontecimentos! Então, muitos de nós deixam-se ‘levar’ por um ritmo de vida que lhes vai progressivamente retirando o domínio sobre essa faculdade. Assim, nunca conseguiremos o desejado domínio saudável da nossa Vida. Os erros sucedem-se e nem tempo existe para as introspeções necessárias que nos ajudem a corrigir o rumo.

Existem aqui duas grandes vertentes, Nós e a Sociedade que nos rodeia. Mas Nós somos parte integrante da Sociedade, se esta vai mal é porque Nós não intervimos adequadamente e com a sabedoria sobre o ritmo e rumo da Vida dessa Sociedade. Falta-nos eventualmente muita coisa, sejam conhecimentos ou informações, seja capacidade de discernimento e raciocínio, seja equilíbrio emocional ou inteligência social, seja caráter e personalidade interventoras, etc. Seja o que for que falte, uma coisa é certa se nada fizermos de inteligente e se não interviermos nada conseguiremos. Mesmo sabendo que poderemos cometer alguns pequenos erros, que eventualmente saberemos corrigir. Mas temos de fazer, experimentar, realizar, executar, empreender com ética e boas práticas (resultantes de uma Educação completa).

Dirão, mas isso são apenas constatações!

Serão continuamente constatações, porque não defendemos e batalhamos por uma Educação completa e de excelência para TODOS os novos Seres que começam a sua Vida! A Sociedade doente transmite-nos a doença que nos imobiliza, paralisa e molda para TUDO aquilo que não queremos, mas que alguns retiram os seus proveitos em detrimento do Valor Humano.

Para o Valor Humano se desenvolver e florescer em Sociedade, curando-a da sua doença que imobiliza e paralisa Cidadãos conscientes, temos de intervir com sabedoria, consciência coletiva e uma VONTADE de mudança coerente focada no Ser Humano e não em acessórios fúteis e sem sentido de Futuro.

Se não for assim, seremos TODOS insanos porque estamos cometendo sempre os mesmos erros esperando que os resultados dessa Sociedade sejam diferentes. Mas existem igualmente Países insanos, não só Pessoas!

Despertem meus caros Leitores, aprendam a mudar e a intervir nas mudanças que querem ver na Sociedade.

A Mudança é uma transição entre dois estados, o anterior (menos desejado) e o seguinte (mais desejado) adequado a um Futuro melhor para TODOS.

Agora, meus caros amigos vamos fazer um exercício de mudança, baseado na realidade.

Pensem nos migrantes, que por todo o mundo, colocam a sua vida em risco e a dos seus entes mais queridos, para conseguirem uma vida mais digna e melhor, atravessando fronteiras, mares, montanhas, desertos e gelo, para chegarem a um destino que lhes permitirá obter maior dignidade como Seres Humanos. Imaginem as mudanças e a motivação que são necessárias para realizar essa epopeia e a capacidade de acolhimento que os que os recebem têm que ter para que exista fraternidade.

Sobretudo, pensem nesses migrantes como se fossem vocês.

Esses migrantes FOGEM de tudo o que não presta em Sociedade. Fogem da guerra, da escravidão, da estagnação de uma Vida sem qualidade, fogem da falta de oportunidades, fogem de doenças que ninguém controla, para eles e para os seus filhos, fogem de uma Sociedade que não lhes oferece Educação, em suma, fogem de uma Sociedade doente e sem perspetivas de cura, que muitos de nós ocidentais (ditos povos civilizados) ‘alimentamos’ com os nossos maus hábitos e vícios de Vida.

Que será melhor para eles, ficar e confrontar os políticos e militares locais para melhorarem as condições de Vida, ou, deixar tudo para trás e procurar outro local onde possam ser mais felizes? Quem os pode ajudar?

Entretanto, existem políticos no ocidente que os classificam como ‘praga’, nem lhes dando uma condição Humana e que pretendem construir ‘muros’ para os impedir de passar.

Não seria preferível apoiá-los verdadeiramente nos seus Países de origem, criando Organizações paralelas?

Nós poderemos ter as soluções se agirmos concertadamente com ações concretas sobre os governos desses Países. Afinal de contas, quando se trata de interesses financeiros ou militares os Países ocidentais são capazes de impor sanções de todo o tipo sobre outros, mas quando se trata de questões humanitárias são pouco assertivos e carecem de soluções eficazes, agindo com excesso de cautela ou passivamente, preferindo construir muros ou enviar apenas ajuda alimentar e de cuidados de saúde.

CHEGA de hipocrisia e de colocar os interesses económicos, financeiros e militares acima dos supremos interesses dos Seres Humanos! O mundo globalizado necessita de atitudes e comportamentos mais inteligentes e coerentes com a Vida Humana.

Mude e permita a mudança para uma Vida melhor, mas que seja para TODOS, não só para alguns que lucram em manter esta Sociedade doente e sem perspetivas de Futuro.

Alfredo Sá Almeida                                                                                       2 de Agosto de 2015