A imortalidade do Valor Humano

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Uma Sociedade baseada no sistema de Valor Humano pode efetivamente, para além de contribuir para uma maior justiça social, ajudar a consolidar o Humanismo como filosofia de Vida.

Mas a Vida Humana, tal como menciona Antoine de Saint-Exupéry – “Apesar da vida humana não ter preço, agimos sempre como se certas coisas superassem o valor da vida humana” – não pode ser tratada com a indiferença e a frieza de espírito que caracterizam os tempos atuais.

Nos textos deste Blog tenho dado relevo à importância dos Valores Humanos e a uma Educação de excelência para TODOS por forma a dar corpo aos desígnios da Sociedade de Valor Humano. É neste contexto que estou inteiramente de acordo com Pedro Lício quando afirma “Um sistema que deturpa os verdadeiros valores humanos, só pode gerar uma sociedade moralmente doente.” É precisamente neste ‘estado’ que a sociedade atual se encontra, “moralmente doente”.

Todos os Autores que estão focados no Ser Humano e na Biosfera são unânimes em afirmar o quão doente o Homem se encontra, ao ponto de se ter tornado mais violento e desrespeitar a Vida.

Recentemente, Harald Welzer (psicólogo social de formação) e autor do livro “Guerras Climáticas” é perentório a afirmar que “O futuro é violento e já começou”  (https://www.publico.pt/temas/jornal/o-futuro-e-violento-e-ja-comecou-27220177). Segundo este Autor “… a tomada de consciência e o saber não chegam para alterar as nossas práticas, os hábitos quotidianos. O que mais contribui para a mudança de uma prática é a própria prática. Se anunciamos um acontecimento catastrófico que se produzirá em 2050, devido à subida das águas do mar, as pessoas acham a mensagem assustadora, sabem muito bem que participam dos hábitos e do modo de vida que conduz à catástrofe, mas continuam a fazer o que sempre fizeram”.

A meu ver, cada dia que passa faz ainda mais sentido uma Educação formal em Valores Humanos e o desenvolvimento de uma Sociedade de Valor Humano. Perante esta preocupante ‘doença’ do Homem, exige-se uma mudança de Paradigma da Sociedade Global e uma dinâmica nova para a Sociedade.

Aliás, esta preocupação não vem de hoje. Já Albert Camus (1913-1960) exprimia o forte desejo de mudança e novas dimensões para o Homem “O mundo assim como está não é suportável, por conseguinte, preciso da lua, da felicidade ou da imortalidade, de qualquer coisa que seja loucura, talvez, mas que não pertença a este mundo”.

É na dimensão da Imortalidade que pretendo construir a tese do título deste texto.

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Esta citação de Casimiro de Brito vem ajudar-me nessa construção, pois o Homem sempre ansiou pelo Futuro longínquo e pelo prolongamento da vida para além da sua morte.

Ultrapassar a morte física sempre constituiu um desejo do Homem culto ou do Herói amado pelo seu Povo.

Na realidade é um desejo legítimo de Vida Eterna para quem tem a consciência do Bem ou da dimensão de grandeza intelectual que a sua vida contribuiu para o bem-estar ou a melhoria de vida dos outros.

A questão principal que se coloca aqui prende-se com o verdadeiro conceito de Valor Humano. Pois, se a Vida por si só tem Valor e a responsabilidade acrescida do Ser Humano com Valor contribui de forma decisiva para o bem comum, faz todo o sentido que esse Valor Humano se possa transformar em imortal e perpetuar-se na mente de outros Seres Humanos no Futuro. Esta seria a dinâmica desejada para a melhoria contínua duma Sociedade desta natureza.

Para tal é importante que TODOS os Seres Humanos, numa Sociedade de Valor Humano, desenvolvam livremente uma Vida de Valor ao ponto de poderem ser imortalizados pelos seus feitos. Deste modo, TODOS teremos maiores probabilidades de conseguir prolongar a nossa ‘vida’.

É esta ‘memória’ coletiva, do melhor que o Ser Humano com Valor conseguiu e consegue realizar, que dá sentido à Imortalidade do Valor Humano.

Será uma vantagem para TODOS poderem comungar e desenvolver-se com os Valores e exemplos de Vida daqueles que contribuem para a história futura do Valor Humano.

Imaginemos como será o mundo se o Ser Humano se tornar realmente imortal! Esta realidade poderá estar ao alcance do processo científico. Segundo José Luis Cordeiro (professor e assessor da Singularity University), a humanidade passará por uma ‘explosão de tecnologia’ e que esse progresso tecnológico permitirá acabar com o envelhecimento, classificado por ele como uma ‘doença curável’  (http://opiniaoenoticia.com.br/noticia/em-2045-o-ser-humano-sera-imortal-diz-cientista/).

Neste artigo de opinião este Investigador afirma que nem a AIDS, nem o câncer e nem a fome poderão acabar com a espécie humana, porque “o envelhecimento é uma doença curável”.

Ora, se a esta evolução tecnológica somarmos uma evolução para uma Sociedade de Valor Humano, poderemos beneficiar duplamente deste sentido de Imortalidade que aqui exprimi.

Alfredo Sá Almeida                                                                                   21 de Setembro de 2016

Dar Valor a …

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Uma grande vantagem de uma Sociedade baseada no Valor Humano é que você não o poderá dar em numerário.

A única maneira de poder dar Valor a alguém que necessita, só poderá ser através de comportamentos e atitudes que ‘alberguem’ Valores Humanos. Esta é a forma correta de se ganhar Valor Humano dando algo de você.

Considero que o Homem teria muito a ganhar pela não existência de dinheiro e pela prática de um imperativo de Valor Humano. A meu ver, esta seria uma forma excelente de se poder transformar em Ser Humano. A Humanidade seria a primeira beneficiária deste novo modo de aplicar o universo dos Valores.

A facilidade com que, nos dias de hoje, se dá dinheiro a alguém, muitas das vezes sem saber verdadeiramente se estamos a contribuir para uma valorização dessa Pessoa, pode até fazer corresponder a uma perda de Liberdade de quem recebe.

Em contraste, a dificuldade em ajudar a valorizar, verdadeira e intrinsecamente, alguém necessitado é enorme e encontra muito poucos adeptos sinceros. O esforço requerido para este processo não se coaduna com a vida atribulada e stressante atual. A falta de tempo e/ou dinheiro são argumentos comuns que justificam o ‘aprisionamento’ indevido em que se está envolvido.

Penso que o meu Leitor estará de acordo comigo quando afirmo que o dinheiro tem contribuído significativamente para uma perda sistemática de Valores Humanos. A facilidade com que atualmente se ‘compra’ algo intangível, contrasta com a forte perda desses Valores.

Muitas Pessoas acabam deturpando o sentido do pragmatismo com a atitude leviana de dar em numerário. Acabam desvalorizando ao dar.

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Alfredo Sá Almeida                                                                                    31 de Agosto de 2016

A vida tem limites!

Limite perigoso

Hoje, num órgão de Comunicação Social televisivo, ouvi uma frase (dita com toda a pompa e circunstância), que necessita de esclarecimentos. A frase: “A vida não tem limites!” deixou-me muito preocupado como Cidadão.

Este é um tema que mexe com a vida das Pessoas e com o conceito de Liberdade, tão caro a todos nós.

Penso que TODOS nós estaremos de acordo quando afirmo que a vida de um Ser Humano é algo importante e que merece o nosso respeito e consideração, dada a transcendência que envolve na relação com os demais.

O fenómeno VIDA já de si é uma matéria rara no Universo. De todas as investigações, até hoje realizadas por esse universo fora, o Homem ainda não encontrou vida noutro planeta. Podemos estar perante uma situação singular, em que o planeta Terra seja o único com VIDA neste universo.

Por outro lado, VIDA é um fenómeno que envolve células e um metabolismo bioquímico dependente de energia interna e/ou externa. Ou seja, é um processo metabólico dinâmico e muito bem organizado que possui limites próprios para a sua manutenção.

No caso do Ser Humano o fenómeno VIDA é bem mais complexo, dados os fenómenos associados da Mente, da Consciência e da Transcendência, que nos elevam a níveis de responsabilidade acrescida por sermos a única espécie com inteligência superior, capaz de interferir com todas as outras neste Planeta.

A Liberdade é um conceito abstrato criado pelo Homem que traduz a sua necessidade de levar a cabo uma ação de acordo com a sua própria vontade. Mas todos nós sabemos que este conceito tem evoluído ao longo da História do Homem e que na Sociedade atual, apesar de vivermos maiores graus de liberdade, ainda nos encontramos muito limitados na expressão da nossa vontade dados os condicionalismos que o próprio Homem criou.

Significa isto que os limites criados ao desenvolvimento Humano, à Educação e às condições de vida do Ser Humano são tantos, que quase tenho vergonha de falar em Liberdade, nos dias de hoje.

Portanto, não só possuímos limites no fenómeno intrínseco da Vida como da expressão da sua vontade.

Quando um órgão de Comunicação Social, que se diz responsável, faz uma afirmação perentória “A vida não tem limites!”, está a usar a sua Liberdade para nos transmitir deturpadamente os conceitos que entende. O que, a meu ver, é uma expressão errada no seu papel de informação e comunicação noticiosa.

Exemplos destes, infelizmente temos muitos em toda a Comunicação dita Social, mas sem Responsabilidade Social. Significa que, ou são incompetentes ou o fazem propositadamente, para nos deturpar a Consciência. Ou ainda, neste caso, eles não possuam limites para dizer o que tiverem vontade de dizer erradamente, o que vai interferir seriamente com a minha Liberdade de Ser, ouvindo e vendo informações declaradamente deturpadas.

Imaginem as consequências destes atos continuados, noutros domínios do conhecimento, no nosso dia-a-dia!

Caso os Cidadãos não possuam uma Educação e Formação que lhes permita um pensamento crítico sobre determinadas matérias, ficarão ingenuamente expostos a formar juízos de valor errados e a provocar desentendimentos comunicacionais, pela repetição dos erros que ouvem e vêm nesses Órgãos.

Numa Sociedade de Valor Humano estas atitudes e comportamentos não serão admissíveis e a Liberdade de cada Um estará associada à sua responsabilidade como Cidadão Consciente.

Para que fique bem claro, no que acabei de escrever, “A Vida tem limites!” que nos são dados pelo nosso conhecimento, pela nossa consciência, pela nossa responsabilidade como Cidadãos e pela interiorização que fazemos do conceito de Liberdade em Sociedade.

Estou convicto que os meus caros Leitores, tal como eu, querem viver em harmonia com os demais em Sociedade sem serem ‘agredidos gratuitamente’, por palavras ou por atos, pois sabemos que estão a afetar a nossa transcendência.

O caso mais recente tem a ver com os casos que se passam na Sociedade Francesa (e Europeia em geral), da falta de bom senso e de um conceito saudável de Liberdade que impede mulheres de usar burkini nas praias. Estes factos são de tal modo ridículos que suspeito que alguns elementos da Sociedade estejam a perder características Humanas pela carência continuada de Valores Humanos da Sociedade. O mais grave é ver políticos (que se dizem responsáveis) afirmar que estas mulheres o fazem numa atitude provocatória (https://www.publico.pt/mundo/noticia/combater-o-medo-no-corpo-das-mulheres-1742432).

A nossa Sociedade está muito doente e a necessitar de uma renovação de paradigma. Mantenham a saúde mental e o pensamento crítico, em estado de exigência, para não se deixarem corromper por pessoas que não merecem o estatuto de Cidadão.

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Alfredo Sá Almeida                                                                              27 de Agosto de 2016

A construção de desigualdades artificiais prejudica o Valor Humano

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Há cerca de um ano escrevi um texto intitulado “Se somos todos originais porque nos comportamos como cópias?” – (https://saalmeida.wordpress.com/2015/03/21/se-somos-todos-originais-porque-nos-comportamos-como-copias/).

Nele, eu transmiti a minha tristeza perante as atitudes e comportamentos do Homem que nos conduzem a ser cópias. Afirmei: “Nascemos puros como Humanos e transformamo-nos em ‘matéria’ sem Valor Humano mas com potencial de um mercado vazio de Vida.

Se analisarmos com cuidado o Valor da Vida Humana e naquilo que nos forçaram a fazer ao longo da História do Homem, seja pela escravidão formal ou pela dissimulada de um Valor virtual, que de Humano se torna duvidoso de aceitar, verificamos que estamos longe de nos tornarmos Seres evoluídos como espécie.”

Daí que tenha decidido agora escrever sobre as desigualdades artificiais que os Homens vão construindo ao longo da vida e da sua História, que não acrescentam nada de bom ao Ser Humano.

O mundo financeiro e as economias de TODOS os Países, ou seja, o mundo do dinheiro, especializaram-se em matérias que criam desigualdades sintéticas em Seres Humanos originais.

Vou defender esta minha tese de um modo simplificado para tentar chegar a muitos Leitores com diferentes sensibilidades.

A realidade no mundo atual (https://www.youtube.com/watch?v=0xMCWr0O3Hs) sobre a distribuição de rendimentos (income) e da riqueza (wealth) pode ser traduzida pelas figuras gráficas abaixo:

Long tail of people

Ou seja, 20% das Pessoas detêm 80% da riqueza e a restante População apenas detém 20% da riqueza global.

Mas, existe uma diferença abismal entre riqueza e rendimento. Senão vejamos:

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Significa isto que a riqueza se encontra ainda mais concentrada que o rendimento, como se mostra neste gráfico acima. Como eu costumo dizer, ‘não é a trabalhar que enriquecemos’! Isto só é possível pela corrupção e trabalho desonesto. Pode ainda acontecer ganhar a lotaria. Ou então, se tivermos a ‘sorte’ de nos contratarem como CEO de uma grande Empresa Corporativa Global, onde poderíamos auferir um salário 380 vezes maior que a média dos salários de um trabalhador normal. (https://www.youtube.com/watch?v=QPKKQnijnsM)

O enriquecimento que poderemos ter no trabalho tem outra dimensão que não a do rendimento direto, caso tenhamos a sorte de trabalhar no que gostamos de facto.

Em resumo (p.f. ver gráfico abaixo), entre a distribuição do rendimento igualitário teórico (linha reta) e a distribuição do rendimento real e desigual (linha curva) situa-se uma área a que se chama ‘Área da desigualdade de rendimento’ (A).

gini-coefficient-of-inequality

Infelizmente a realidade atual é ainda mais desigual que a mostrada aqui. Para o efeito recomendo a leitura deste artigo do Jornal Económico “Riqueza de 1% da população superou a dos restantes 99% em 2015” (http://economico.sapo.pt/noticias/riqueza-de-1-da-populacao-superou-a-dos-restantes-99-em-2015_239942.html).

Por outro lado, vivemos num mundo onde as economias dos Países não são todas iguais. Como podemos ver neste gráfico abaixo, os rendimentos nas diferentes regiões são distintos.

Global-Income-Distribution-2011

Podemos verificar que nos Países ditos desenvolvidos a distribuição de rendimento é significativamente maior que nos restantes. Verificamos ainda que se convencionou que a linha fronteira de pobreza (a vermelho) [Poverty line of 1,25$ per day]. Como se fosse possível alguém viver condignamente com 456$ anuais. Triste realidade.

Se olharmos para o mapa do mundo (p.f. ver mapa abaixo) sobre a distribuição da riqueza, onde os Países têm uma maior ou menor dimensão consoante a riqueza que possuem, podemos verificar as grandes desigualdades existentes, onde os continentes Africano e da América do sul quase desaparecem.

wealthmap

Neste mundo desigual, habitado por mais de 7 biliões de Pessoas, em que atividades profissionais estas se ocupam? (p.f. ver esquema abaixo).

7billion

Esta é a dura realidade da desigualdade existente neste mundo, onde uma grande maioria vive mal e com poucos recursos. Esta é a realidade do mundo do dinheiro, que o Homem construiu propositadamente para que poucos tivessem poder sobre muitos. O objetivo do desenvolvimento Humano praticado nunca foi o da igualdade de oportunidades, mas sim o de enriquecer os mais ricos. Aliás, o que se verificou nesta recente crise financeira (2008-2015) foi que os 1% mais ricos (http://www.bbc.com/news/business-35339475) aumentaram significativamente a sua riqueza, de tal modo que esta iguala a dos restantes 99% da População.

Mas as desigualdades não se fazem sentir apenas entre os rendimentos de ricos e pobres, mas também entre Homens e Mulheres, entre Pessoas de diferentes raças, ou no acesso à Saúde e à Educação. (https://www.youtube.com/watch?v=0xMCWr0O3Hs)

Chegados a este ponto, não é de admirar que aumentem as vozes dos que falam e querem um mundo pós-capitalista. Entre essas vozes, destaco a de um Jornalista de investigação Paul Mason, que publicou um livro em 2015 com o título “Postcapitalism: A Guide to Our Future”. Esta obra estará à venda em Março de 2016 já traduzida para Português. (http://www.theguardian.com/books/2015/aug/03/postcapitalism-guide-to-future-paul-mason-review-engagingly-written-confused)

Daquilo que conheço desta obra, penso que uma era pós-capitalista não deve ser resolvida utilizando o referencial do dinheiro, pois esse é o mundo que o Capitalismo melhor domina e com facilidade inverteria a situação seu favor. Rapidamente estaríamos na mesma situação ou pior.

Realço igualmente uma palestra TED de um Investigador e Economista Dan Ariely (Março de 2015), intitulada “How equal do we want the world to be? You’d be surprised”.             (http://www.ted.com/talks/dan_ariely_how_equal_do_we_want_the_world_to_be_you_d_be_surprised?utm_campaign=social&utm_medium=referral&utm_source=facebook.com&utm_content=talk&utm_term=business#t-329490)

 

Dan Ariely

O trabalho de Dan Ariely mostra que “as Pessoas são recetivas às mudanças na igualdade no que toca às Pessoas que têm menos capacidade de ação, basicamente crianças e bebés, porque não os vemos como responsáveis por esta situação”. E continua, “Que lições podemos tirar daqui? Temos duas falhas: uma falha de conhecimento e uma falha de conveniência, e a falha de conhecimento reside na forma como educamos as Pessoas. Como é que fazemos as Pessoas verem a desigualdade de outra forma e as consequências da desigualdade, no que diz respeito à saúde, à educação, ao ciúme, à taxa de criminalidade, etc.? Depois temos a falha de conveniência. Como fazemos as Pessoas pensarem de outra forma em relação ao que desejam? A definição de Rawls, a maneira de Rawls ver o mundo, a abordagem do teste ‘cego’, elimina o nosso egoísmo. Como implementamos isso a um grau mais elevado, numa escala mais extensa? E, finalmente, também temos uma falha de ação. Como pegamos nestas coisas e fazemos algo quanto a isso? Creio que parte da resposta é ver as Pessoas, como crianças e bebés, que não têm muita capacidade de ação, porque as Pessoas parecem estar mais dispostas a fazer isto.” E continua, “… antes de mais, pensem no que é real, na vossa experiência, e no que é o efeito placebo que advém das expectativas. E depois pensem em como isso afeta outras decisões na vossa vida e outras questões políticas que nos afetam a todos.”

É caso para perguntarmos:

  1. ‘Que Futuro queremos ter’?
  2. ‘Que igualdade pretendemos ter neste mundo’?

Seja qual for a abordagem, não podemos pensar numa era pós-capitalista sem mudarmos de paradigma. Querer resolver os problemas das desigualdades de rendimento e riqueza atuais com outra forma de distribuição de dinheiro, não considero que seja uma solução inteligente. Acabaríamos por não mudar nada, pois o dinheiro é o referencial preferido pelos capitalistas. Num abrir e fechar de olhos estes encontrariam uma solução para continuarem a ser os mais ricos de todos, sem acrescentarem Valor significativo à Economia.

No meu entendimento (p.f. ler o meu texto “Características de uma Sociedade baseada no Valor Humano” (https://saalmeida.wordpress.com/2015/04/16/caracteristicas-de-uma-sociedade-baseada-no-valor-humano/)), devemos enveredar por um Paradigma de Sociedade de Valor Humano, como aquele que tenho vindo a desenvolver ao longo do último ano. “Como em todas as mudanças de Paradigma, haverá fases de transição e/ou saltos quânticos quando forem entendidos como positivos para essa mudança. Mas uma certeza inabalável estará presente, a VONTADE de mudar para melhor.”

Ao ler este meu texto, “Características de uma Sociedade baseada no Valor Humano”, o Leitor perceberá o que defendo e como aplicar este novo Paradigma.

Uma Sociedade de Valor Humano está alicerçada em três pilares fundamentais:

  • O Ser Humano;
  • Os Valores Humanos;
  • A Educação.

“As questões de pobreza não se colocam porque nesta Sociedade não existem pobres. O dinheiro já há muito que desapareceu da mente das Pessoas. Existirão Pessoas com menor e outras com maior Valor Humano, mas em nenhum caso passam por indignidades Humanas como as que existiram no passado.

Neste sistema, TODA a Sociedade está em aperfeiçoamento constante. Aliás, o Valor Humano é uma caraterística dinâmica positiva.

Uma Sociedade com estas características não é uma Sociedade perfeita, mas contém todos os elementos necessários a uma evolução e desenvolvimento sustentados, contribuindo decisivamente para uma maior felicidade global.”

Recomendo ao meu caro Leitor embrenhar-se profundamente nesta nova problemática da Sociedade pós-capitalista, pois de entre todas as incertezas que o Futuro nos reserva, uma certeza sobressai, o Capitalismo está podre e em decadência. Já não se coloca a questão se vai cair, mas de quando e como vai cair.

É bom que estejamos preparados para não sermos surpreendidos por uma nova crise financeira (prevista acontecer num futuro próximo), e para sabermos como devemos agir e que consensos devemos considerar como positivos para uma Sociedade de Futuro. Esta atitude ajudar-nos-á a ter uma Consciência Coletiva que contribuirá decisivamente para uma nova Inteligência Coletiva.

O desejável será uma mudança de Paradigma construída em Paz, sem fanatismos nem preconceitos, com a mente focada no Futuro do Homem em equilíbrio sustentável com a Biosfera.

Alfredo Sá Almeida                                                                                     7 de Março de 2016

Quando a Liderança não tem Valor Humano!

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No mundo globalizado de hoje, verifico com tristeza uma carência enorme de Líderes a que se soma a falta de Liderança com Valor Humano.

Todos nós sabemos que a nossa sociedade foi estruturada para depender dos Líderes. É uma realidade que vem de longa data. Muitos de nós não têm a capacidade objetiva de se aperceber da realidade envolvente e estruturar os próximos passos em direção ao futuro.

Mas mais do que isso, ser capaz de transmitir empaticamente as mensagens que podem galvanizar os nossos pares para uma caminhada, que pode trazer complicações e necessita da motivação de TODOS para se atingirem os objetivos assumidos em conjunto.

Podemos facilmente verificar que se perfilam muitos Líderes para determinados objetivos mas apenas um terá a capacidade de conduzir a ‘bom porto’ aquilo a que a Sociedade aspira.

É disso que se trata, ASPIRAÇÃO de uns e capacidade de LIDERANÇA de outros para conduzir TODOS os detalhes que preenchem as aspirações de muitos.

Muitos cursos e muita formação de Líderes e Liderança é facultada hoje a muitos gestores e outros responsáveis de Empresas, na esperança que essa formação produza bons efeitos nos resultados das Empresas. Mas ficam-se por aí. Muitos desses formandos não possuem estrutura psicológica, emocional e de caráter para serem líderes, mas mesmo assim são chamados a participar nessas ações de formação.

A somar a esta realidade, algumas dessas ações ‘formativas’ são de caráter pedagogicamente duvidoso.

Assim, para ‘produzir’ um Líder resulta a introdução no mercado de trabalho de muitos gestores com pretensão a líder, mas sem estrutura integrada de LÍDER. Daqui resulta para a Sociedade, muita arrogância, prepotência, falta de senso crítico apurado para distinguir o essencial e rejeitar o acessório, incompetência organizacional e falta de visão de Futuro.

Estes pseudo-líderes causam mais ruído e caos que os pequenos erros de um Líder no percurso do Futuro.

Se imaginarmos estes fenómenos à escala dos Países ou Comunidades de Países, com facilidade verificaremos que serão mais os resultados catastróficos que aqueles que causam franca adesão e motivação das sociedades.

Assistimos, assim, à imposição de soluções, baseadas em cenários caducos, interesses obscuros, vontades interesseiras e lobbies de corrupção, que vêm minar a confiança de todos aqueles que estariam prontos a fazer os sacrifícios necessários para chegarmos a um Futuro melhor para todos.

Líderes a quem falta a sabedoria, a humildade, o bom senso, a visão de Futuro de uma Sociedade e o Valor Humano indispensável à motivação de MUITOS (a quem os estímulos não chegam, para os despertar para as novas realidades), não deveriam nunca ser líderes com futuro. Porque o ‘futuro’ que eles são capazes de ‘produzir’ é muito limitado, fechado e de muito pouco Valor Humano.

E são esses MUITOS que necessitam da nossa atenção e orientação para se conseguir chegar a Sociedades mais justas e equilibradas.

E são esses MUITOS que necessitam de estímulos adequados e motivação redobrada para se conseguir produzir os resultados indispensáveis a uma Sociedade com menos desigualdades sociais e melhor estrutura de Cidadania.

É caso para dizer: ‘quando a Liderança não tem Valor Humano, não terá a capacidade de realizar as reformas indispensáveis a uma Sociedade de Futuro’. Nem será capaz de inspirar a confiança e motivação necessárias para se caminhar para esse Futuro.

O exercício do PODER por uma liderança desfocada, interesseira e com pouco Valor Humano, não conduz a uma Democracia saudável. Acaba necessariamente por se transformar num poder obscuro.

Quem gostaria o meu Leitor de ter como Líder? Alguém frio e calculista, ‘mergulhado’ numa ‘teia’ de interesses obscuros, ou, alguém com Valor Humano, sabedoria, empatia, humildade, bom senso e visão de futuro?

Pense bem e decida bem pois o Futuro está muito próximo!

Alfredo Sá Almeida                                                                                                      10 de Outubro de 2015

A violência da Sociedade atual

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Recentemente, em conversa com um amigo, falávamos da raiva, rancor e ódio que caracterizam extratos da Sociedade atual, quer seja nas conversas, em opiniões emitidas nas redes sociais ou nas ações praticadas por uma ou mais Pessoas sobre outras. Esse amigo mencionava-me, com tristeza, o desconforto e a angústia que sentia por estar a assistir, impotente, a esta tragédia.

Infelizmente, esta é uma triste realidade por ausência constante de Valores Humanos no relacionamento e na vivência do dia-a-dia da Sociedade.

No meu livro “Despertar para o Futuro” tive o cuidado de escrever, num texto intitulado ‘O Futuro das Emoções’ [Também publicado na Revista INSIGHTS, nº2 pag’s 30-31 (2013)] o seguinte:

“Das cinco emoções consideradas básicas, definidas por Eric Berne, duas podem ser consideradas positivas, o Amor e a Alegria, enquanto outras duas, a Raiva e a Tristeza, podem ser consideradas negativas, e, uma, o Medo, pode corresponder a uma atitude de defesa e preservação da integridade. Todas as emoções são referenciais de enorme amplitude. Nas duas primeiras a variação pode oscilar entre a satisfação e o êxtase. Na Tristeza podemos verificar sentimentos de desapontamento até ao desespero. Enquanto na Raiva as oscilações emocionais vão do descontentamento ao ódio. Já no Medo observamos oscilações entre a timidez e o terror. Em todas elas todos os Seres Humanos possuem uma ‘programação’ genética inerente às emoções básicas.

Por outro lado, estas emoções básicas são independentes do sexo mas o desenvolvimento emocional é influenciado pela hereditariedade e pela aprendizagem. O que significa que cada um de nós sofre uma enorme influência familiar e educacional na modelação das emoções.” – Alfredo Sá Almeida.

Os problemas relacionados com a Raiva e com o Medo no Homem são bastante complexas, dadas as más influências, com diferentes origens, e com influência geracional.

Conhecem-se as causas, verificamos com tristeza as consequências na Sociedade, e infelizmente a Educação e a Justiça (em resumo os Governos), na grande maioria dos Países, não cumprem o seu papel essencial para atenuar e resolver significativamente esta ‘praga’. Seja por ignorância, por indiferença ou incapacidade racional, o que se verifica é um atentado à Humanidade.

Destilar o ódio

O problema maior é que existem grupos de Pessoas capazes de incutir e avolumar o medo noutras mais ignorantes e desequilibradas que acaba por resultar numa expansão do ódio, com a indiferença de muitas Pessoas que deveriam ser responsáveis por evitar estes acontecimentos.

Conhecem-se as práticas desviantes, e nem sempre julgadas e tratadas convenientemente pela Sociedade, como o Bullying (seja psicológico ou físico), os casos de violência doméstica, os atentados terroristas praticados por extremistas radicais, os crimes violentos, o tráfico de drogas e a violência que lhe está inerente, as agressões constantes (de uma Sociedade mal formada) sobre os seus Cidadãos, o fanatismo religioso ou ideológico, etc.

A Sociedade tornou-se violenta por falta de referências a Valores Humanos transmitidos desde muito cedo. As práticas educativas nas Escolas e na Família não são nem se tornaram difusoras de referenciais exemplares de Valores Humanos, e a Sociedade tem vindo a degradar-se nesta questão essencial para o Homem.

A minha querida Angela Alem escreveu recentemente um texto que aflora as questões do Civismo e da Educação, num texto intitulado “Diferença entre SER CIVILIZADO e SER EDUCADO” que recomendo uma leitura atenta. (https://angelaalem.wordpress.com/2015/07/11/diferenca-entre-ser-civilizado-e-ser-educado/)

É comum vermos crianças e jovens concentrados e focados em jogos violentos no computador, ou filmes violentos, sem interferência dos Pais e em total autonomia. É comum assistirmos à demissão das Escolas e dos sistemas de ensino, na difusão pedagógica de Valores Humanos e de filosofias de caráter Humanista. É comum encontrarmos Cidadãos indiferentes perante situações aberrantes de agressão e violência, pelo receio de intervenção e pela incapacidade de saber como atuar.

Perante esta triste realidade só nos resta a atitude interventora (pela opinião e razão de causa) e esclarecida de Cidadãos conscientes e conhecedores dos Valores Humanos, como agentes de mudança, em alertas permanentes à Sociedade e às autoridades dos Países, para que atuem de forma sistemática, concertada e coerente na resolução destas aberrações Humanas.

Mas existem muitas práticas Pessoais e da Sociedade, sejam atitudes ou comportamentos, que devem ser corrigidas, sob pena de ser muito difícil de nos vermos livres da Raiva, do Medo e da Ignorância. A continuar tudo como está estamos a favorecer os grupos de Pessoas (mas não de Seres Humanos) que difundem o medo e a raiva, como modo de vida para prosperarem os seus negócios ilegais.

Não nos podemos esquecer que neste mundo globalizado existe escravidão humana sobre 96 milhões de Pessoas, para não falar nos milhões de deslocados devidos a guerras e fome nas regiões onde habitam. Todas estas tristes realidades, causadoras de indignidade humana, ajudam a alimentar a raiva e o rancor entre os Homens.

As constantes injustiças e desigualdades sociais forçadas, cometidas por Governos, pelo sistema financeiro e a ‘deseducação’ generalizada, consciente ou não, são o combustível para o desenvolvimento destas emoções negativas no Ser Humano.

Só um processo educativo de excelência Humana, para TODOS, acompanhado por um sistema judicial desenhado para uma Cidadania de Valores Humanos e não para outros valores de caráter duvidoso, seremos capazes de, com persistência e coerência, atingir níveis de VALOR HUMANO dignos de Seres Humanos.

Não podemos nem devemos ser condescendentes e tolerantes com as agressões e a violência, sob pena de sofrermos diretamente as suas consequências e de prejudicarmos seriamente as gerações futuras. Mas também não devemos descurar o importante papel (para o bem ou para o mal) que a Comunicação Social, e os Média têm para avolumar ou diminuir a difusão destas emoções Humanas negativas. Chego até a pensar que a Comunicação Social não está ao serviço dos Cidadãos mas de outros interesses mais obscuros, nesta matéria em causa.

Cabe-nos a nós Cidadãos do mundo sermos não só os agentes da mudança, mas também os agentes de pressão sobre as autoridades competentes, para contribuirmos com a diminuição significativa dos níveis de agressão e violência na nossa Sociedade. Mas temos de ser exigentes connosco e melhorarmos significativamente a nossa inteligência emocional.

Basta

Termino este texto do mesmo modo como finalizei o texto sobre o ‘O Futuro das Emoções’:

“Não consigo imaginar o Futuro sem emoções. No entanto, habituámo-nos a ver muitos Humanos sem Humanidade e muitos Homens sem Emoções dignas de nota.

Mark Twain afirmou: “Se o homem tivesse criado o homem, teria vergonha da sua obra.” Mas convém não esquecer que há muitos milénios que o Homem dá origem a outros Homens. Apesar de assistirmos ou participarmos neste complexo processo de desenvolvimento Humano, com melhorias sensíveis no novo Homem, ainda há muito por fazer e muito Futuro a desbravar.” – Alfredo Sá Almeida inDespertar para o Futuro”.

Alfredo Sá Almeida                                                                                                      12 de Julho de 2015

Características de uma Sociedade baseada no Valor Humano

Futuro Coletivo

“No texto anterior caracterizei a Sociedade atual, apresentando algumas pequenas comparações com uma Sociedade baseada no Valor Humano. Deste modo, torna-se legítimo fazer uma caracterização desta nova e paradigmática Sociedade, onde o Ser Humano, os Valores Humanos e a Educação são os pilares de sustentação.

Para realizar esta tarefa terei de me situar no Futuro e recorrer à minha criatividade com coerência, para delinear a caraterização desta Sociedade.

Estamos em 2100, ano em que se comemora o cinquentenário da implementação de uma Sociedade baseada no Valor Humano. O mundo global está há duas gerações sem sistema financeiro internacional (SFI) e sem dinheiro como valor na Economia. A transição iniciou-se em 2025 com o objetivo determinado e empenhado de permitir que o ‘sonho’ desse certo e finalmente pudéssemos dizer que este era o caminho.

Todo o Valor na Economia foi transferido para o Valor Humano. Os Seres Humanos possuem agora oportunidades IGUAIS para adquirirem Valor.

A Educação é obrigatória para todas as crianças e jovens até aos 20 anos de idade, onde a sua formação está alicerçada nos Valores Humanos e em conhecimentos nucleares fundamentais sobre o Homem, a Sociedade e a Biosfera. Todas as matérias de conhecimento são transmitidas de forma a mostrar aos aprendizes que tudo nesta vida está interligado, integrado, onde o Homem tem a responsabilidade de promover e praticar uma sustentabilidade de Vida em equilíbrio com a Biosfera. Estes primeiros 20 anos de vida são fundamentais para uma boa formação de personalidade e de caráter. Uma excelente oportunidade que cada um tem de aprender a TER Valor.

Esta Educação rege-se por princípios pedagógicos e acompanhamento psicopedagógico (individuais e de grupo), onde os Professores possuem uma formação completa e certificada, para as funções que exercem. Os Alunos têm todo o acompanhamento necessário para que não abandonem a Escolarização e a formação, pois desse modo estariam vulneráveis a uma perda irreversível de Valor Humano.

A Família e a Escola contribuem para esta Educação de excelência. No entanto, os Alunos de Famílias desestruturadas possuem as mesmas oportunidades e atenção, que aqueles bem integrados num tecido Familiar. Neste caso, elementos dessa Família, recebem formação específica para acompanhar devidamente o Aluno.

As questões de raça ou de género são devidamente integradas na Educação para que não existam descriminações desta natureza.

As questões de pobreza não se colocam porque nesta Sociedade não existem pobres. O dinheiro já há muito que desapareceu da mente das Pessoas. Existirão Pessoas com menor e outras com maior Valor Humano, mas em nenhum caso passam por indignidades Humanas como as que existiram no passado.

Por outro lado, as questões relacionadas com atitudes gananciosas estão reduzidas a uma expressão mínima, de alguns desequilibrados emocionais. Aqueles que ainda pensam com o regresso do dinheiro estão com acompanhamento psicológico. O acompanhamento psiquiátrico não está descurado como na Sociedade onde predominava o valor do dinheiro. O antigo SFI está interdito de funcionar, bem como as regras e princípios que o governavam.

A nova atitude de SER substituiu a ultrapassada atitude de TER. As Pessoas preocupam-se com o seu desenvolvimento pessoal e sua integração em Sociedade, onde o desenvolvimento da criatividade, seja científica, social ou artística, são uma constante. As atividades de natureza Social (Professores, Sociólogos, Psicólogos, Antropólogos, Médicos, Advogados, Políticos, etc.) predominam na Sociedade de Valor Humano. O bem comum é valorizado, e a qualidade desta prática acrescenta Valor. A iniciativa individual tem a sua expressão apenas nas atividades e momentos que a natureza exigir. Nesta Sociedade não se promove a prática individualista. O fanatismo é uma atitude inadmissível, com perda significativa de Valor Humano.

Todas as Pessoas possuem o considerado indispensável para uma vida digna em Sociedade. Alimentação, cuidados de saúde, condições de habitação e acesso a meios de melhoria da sua condição de vida, são comuns a TODOS. No entanto, aqueles que possuam maior Valor Humano têm acesso acrescido a outros produtos e serviços, que lhes permitem um desenvolvimento articulado com o seu maior Valor e a sua maior responsabilidade, incluindo formação.

O desenvolvimento Humano é um processo do qual TODOS participam buscando ampliar e aprofundar sua Inteligência Coletiva ajudados pela diversidade criativa. A Consciência Coletiva está presente na mente de cada Cidadão apesar de cada um ter a Liberdade de atuação em consonância com a Sociedade e os seus sonhos pessoais.

As preocupações com a sustentabilidade da Biosfera estão sujeitas a debates constantes e acabam por condicionar saudavelmente a vida em Sociedade.

A Política é por natureza participativa e a participação na votação em eleições devidamente valorizada. O sistema eleitoral é suficientemente avançado e participado para não constranger ninguém.

A Comunicação Social ganhou a dignidade da sua designação. Todas as Empresas de Comunicação Social são certificadas pela Responsabilidade Social das Empresas. Todas cumprem um código de ética e boas práticas.

Uma particularidade importante passou a ser uma realidade: matérias de natureza violenta ou agressiva não são difundidas. Os jogos, programas televisivos, livros, etc. com esta mesma natureza já deixaram de ser fabricados, vendidos e jogados. Os exemplos de natureza assertiva e de Valor são tantos que anulam a necessidade de comportamentos agressivos. Estas matérias foram devidamente abordadas durante todo o processo Escolar.

A Paz é promovida pela Sociedade e a Guerra está reduzida a factos históricos.

TODOS contribuem para o aperfeiçoamento Futuro da Sociedade de Valor Humano, afinal de contas é uma oportunidade única de o Homem estar em equilíbrio dinâmico consigo e com a Biosfera. O respeito à Vida é matéria de grande Valorização.

A fabricação de produtos e materiais de qualquer natureza ou a prestação de serviços deixou de ter como objetivo o lucro. Estas atividades passaram a ter como objetivo acrescentar Valor à Sociedade. Quanto melhor for a qualidade do serviço prestado ou a qualidade dos produtos fabricados, maior será a valorização atribuída.

É à Sociedade, no seu conjunto, que cabe atribuir o Valor a esses produtos e a esses serviços, em classificações desenvolvidas para o efeito, onde a maior sustentabilidade dos mesmos conduz a menor imposto aplicado.

Todos os Cidadãos têm as mesmas oportunidades de acesso aos Serviços de natureza Pública, onde o atendimento online, por videoconferência, passou a ser uma realidade. A obtenção de documentos oficiais passou a ser mais facilitada, dadas as características eletrónicas desses documentos.

A proteção de dados pessoais é uma realidade. Só em casos de investigação criminal e judicial essa proteção é levantada.

A prática de Antivalores pelas Pessoas constitui fator de perda de Valor Humano. Deste modo, ninguém tem motivação nem interesse nessa prática. Aquelas Pessoas que por natureza tenham tendências para Antivalores são acompanhadas por uma rede de Serviços Sociais que as ajudam a encontrar o ‘caminho’ para práticas de maior Valor. Só em casos considerados extremos, as Pessoas perderão a sua Liberdade por não serem capazes de viver condignamente em Sociedade.

Casos declarados de psicopatia e sociopatia estão sujeitos a perda de liberdade total.

TODAS as Pessoas estão sujeitas a avaliações periódicas, que definirei mais tarde a sua natureza e dimensão. Essa avaliação tem três vertentes: Pessoal, Social e Profissional. Nesta, são tidas em linha de conta as práticas de vida dessas Pessoas. O sistema de avaliação é global e universal e é encarado com positivismo quer pelos avaliadores quer pelas Pessoas avaliadas. Não nos podemos esquecer que é com base neste Valor Humano que cada Pessoa tem os meios de participar na vida económica de acordo com os princípios já definidos anteriormente.

O percurso de vida da Pessoa será tido em linha de conta sempre pela positiva. O facto de eventualmente ter existido um aspeto negativo, num determinado período, que tenha sido ultrapassado, este não constituirá fator de preconceito de avaliação. Mas se uma Pessoa apresentar um percurso coerente e consistente de Valor Humano, terá uma valorização acrescida por isso.

Neste sistema, TODA a Sociedade está em aperfeiçoamento constante. Aliás, o Valor Humano é uma caraterística dinâmica positiva.

Uma Sociedade com estas características não é uma Sociedade perfeita, mas contém todos os elementos necessários a uma evolução e desenvolvimento sustentados, contribuindo decisivamente para uma maior felicidade global.”

Alfredo Sá Almeida                                                                                                      15 de Abril de 2015