Nenhuma provocação possui Valor Humano

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Nos dias de hoje é muito frequente vermos, ouvirmos, sentirmos provocações de Pessoas, de Instituições, de Organismos ou de Países. Uma provocação pode ser entendida como um desafio, um repto ou um insulto. Pode ainda ter outras interpretações, como uma tentação, um incitamento ou uma aliciação.

Seja como for, é uma atitude deplorável que não possui qualquer Valor Humano. Os desafios ou os reptos têm caráter positivo e nunca devem assumir uma ‘forma’ provocatória. Não nos podemos esquecer que o Bullying normalmente começa com uma provocação.

Na dialética política e no comentário desportivo, entre outros, é muito frequente assistirmos a provocações mútuas entre forças adversárias. Mais grave ainda é assistirmos a comunicação ‘dita’ social a ‘dar voz’ e tempo de antena às mais diversas provocações, de várias origens. São insultos constantes à inteligência das Pessoas que estão a assistir às notícias ou aos programas.

A meu ver, estas atitudes representam uma enorme lacuna na Educação formal e Escolar. Não preparar os jovens a utilizar as suas capacidades e a evitar a utilização de todo e qualquer tipo de práticas provocatórias. Sobretudo, dar-lhes os meios para ganharem uma resiliência às provocações, não os deixando envolverem-se nessas práticas.
Criou-se indevidamente uma ‘cultura’ da provocação, com requintes maliciosos e doentios, de tal forma que se considera como normal algo que deveria ser abolido.

O que se verifica é uma determinação exacerbada de uns, julgando que condicionam a liberdade de outros com as suas atitudes provocatórias. Na realidade acabam produzindo mal-estar generalizado.

Poderá até haver quem considere que é um direito seu poder provocar o que e quem quer que seja, para seu belo prazer. Normalmente, quem assim pensa tem uma atitude irresponsável sobre as consequências dos seus actos.

Chega-se ao ponto de provocar os provocadores para daí tirar os devidos dividendos. Enfim, uma cascata de acontecimentos, própria de crianças irresponsáveis e sem acompanhamento de entidades arbitrais.

No limite, este é o grande problema que uma provocação pode desencadear – uma cascata de acontecimentos indesejáveis para todas as partes. Um avolumar de incompreensões, de mal entendidos e insultos que só poderão causar raiva e reações negativas, desprovidas de valor Humano.

Num mundo carente de Paz, compreensão e conjugação de esforços para um Futuro melhor, aceitar provocações é um erro que se pagará muito caro.

Fique calmo

“Se pretendemos mudar o mundo necessitamos de mudar o modo como ele funciona”

Alfredo Sá Almeida                                                                              16 de Setembro de 2017

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A coexistência de Humanos com Robots Humanoides

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O Futuro que o Homem empreendedor da atualidade tem em mente, não será porventura o mais adequado ao Ser Humano!
Esta minha afirmação prende-se com o facto de ver frequentemente expresso, em artigos de opinião e de especialistas em robótica, que os Robots Humanoides virão para ficar em coexistência com os Humanos.

(Ex.: http://observador.pt/2017/09/07/um-grande-numero-de-empregos-na-banca-vai-para-os-robos-diz-o-presidente-do-deutsche-bank/) Ver ainda: “La dialectique du maître et du robot”Michel Serres; “Les robots peuvent-ils vraiment être considérés comme nos esclaves?”Martin Legros, Philosophie magazine nº112, Sept. 2017.

Passo a explicar a razão do meu ceticismo.

Um Robot Humanoide é uma máquina articulada, de aparência humana, e com processamento computacional que imita comportamentos Humanos e executa tarefas repetitivas por instruções programáveis. Poderá possuir ou não Inteligência Artificial, o que o tornaria mais autónomo e com maior número de graus de liberdade no ambiente humano.

Na Wikipédia a definição de Robot Humanoide é: “… um robô cuja aparência global é baseada na aparência do corpo humano, permitindo sua interação com ferramentas e ambientes feitos para uso humano. Em geral robôs humanoides possuem um tronco com uma cabeça, dois braços e duas pernas, embora algumas formas de robôs humanoides possam ter apenas parte do corpo, por exemplo, a partir da cintura para cima. Alguns robôs humanoides podem também ter um “rosto”, com “olhos” e “boca”. Androides e ginoides são robôs humanoides construídos para se assemelharem esteticamente a um humano.”

Este conceito é significativamente distinto do robot autómato, que executa tarefas repetitivas de precisão, mas que está confinado a um lugar fixo e não tem uma aparência humanoide. Exemplo disto são os robots que existem nas fábricas de automóveis e realizam uma boa parte da produção e montagem dos veículos, com precisão e fiabilidade, em conjunto com Humanos.

Aparentemente a construção massiva destas máquinas, para apoiar no trabalho e atividades Humanas, não trará grandes complicações à vida das Pessoas, a não ser as relacionadas com determinados postos de trabalho repetitivo e sem necessidade de um pensamento racional realizado por Humanos.

Se, de certo modo, é louvável que o Homem acabe com o ‘trabalho estilo escravo’ de Seres Humanos, fica-nos a preocupação de haver cada vez menos oportunidades para Pessoas, com menos recursos de inteligência racional, ocuparem o seu tempo, ganharem o seu salário e terem uma vida condigna para além do trabalho repetitivo. Não nos esqueçamos que a Inteligência não se confina à dimensão racional. As dimensões Emocional, Espiritual e Social também integram o grande Universo da Inteligência Humana.

Mas, a meu ver, existem outros aspetos a ter em conta nesta ‘equação laboral’.

Se pretendemos um Homem cada vez mais desenvolvido em todos os aspetos, conhecedor e atuante numa Sociedade plural, devemos proporcionar uma Educação e Formação profissional de qualidade, cada vez a maior número de Pessoas. Essa Educação deverá incluir nos curricula a transmissão pedagógica de Valores Humanos, permitindo que um Ser Humano adquira uma dimensão Pessoal, Profissional e Social de maior relevo na Sociedade. Que tenha a capacidade integrada de Inteligência e Consciência Coletivas e a vontade de participar na construção do Futuro Coletivo na Sociedade em que se encontra inserido.

Como sabemos, infelizmente pela História do Homem, houve tempos em que a escravatura de outros Homens era matéria real, legal e económica para quem detinha esses escravos. Ao ponto de poderem decidir da vida ou morte (posse) desses escravos, em ‘perfeita’ legalidade.

Ora este tipo de escravatura, apesar de não ser mais possível no mundo desenvolvido, ainda existe em muitas partes do mundo tal como existiu no passado. Estima-se que existam, ainda, em todo o mundo, cerca de 40 milhões de Pessoas sujeitas a escravidão Humana (http://www.jornaleconomico.sapo.pt/noticias/ha-40-milhoes-de-escravos-no-mundo-oit-pede-mais-empenho-no-combate-211171) (trabalho forçado; tráfico humano; trabalho servil derivado de casamento ou dívida; exploração sexual; exploração infantil, etc.).

A minha preocupação e pensamento estão com as Pessoas que sofrem estas indignidades e não possuem a força física e de espírito suficiente para se libertarem destes esclavagistas. O grande problema é que existem ainda muitos homens e mulheres com pensamento, comportamento e atitudes esclavagistas. Normalmente, os estudos que determinam e quantificam a existência de Pessoas em situação de escravidão e ‘trabalho escravo’, não determinam nem quantificam os esclavagistas. Mas infelizmente são mais do que os Seres Humanos merecem. E, ainda, uma parte da Sociedade é tolerante à sua presença! Nem dá para acreditar!

Pois bem, aqui chegados considero que é de louvar que existam robots humanoides para realizar o ‘trabalho dito escravo’. No entanto, considero que a construção massiva destas máquinas não fará desaparecer a atitude humana de esclavagista. Apenas estará desviada para os robots humanoides. Se algo falhar no funcionamento destes, será que o ‘dono’ desses Robots não tomará uma atitude esclavagista com Humanos, de novo?

Significa que o mais importante é o Valor Humano das Pessoas envolvidas em todo o processo e o respeito por Valores Humanos que determinará a evolução da nossa espécie. Os Robots Humanoides deverão ser apenas máquinas que nos ajudam a ir mais longe, mais depressa, controlados por Seres Humanos com Valor.

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Alfredo Sá Almeida                                                                              12 de Setembro de 2017

Imaginar uma nova realidade

Albert Einstein - Imaginação

A imaginação é uma capacidade Humana de representação mental de coisas reais ou ideias. “Trata-se de um processo que permite manipular a informação criada no interior do organismo (sem estímulos externos) para desenvolver uma representação mental.”
“A imaginação, deste modo, permite ter em mente um objeto que se tenha visto anteriormente ou criar algo novo sem nenhum fundamento real. Ao imaginar, o ser humano manipula informação da memória e converte elementos já percebidos numa nova realidade.” (http://conceito.de/imaginacao)
A imaginação de uma nova realidade tem uma particularidade especial, tem de ser coerente e possível de aplicar em Sociedade. Para todos os efeitos é um processo criativo de Valor, pois nele entram muitos dos sonhos existenciais que possuímos.
Albert Einstein recorda-nos, na frase que apresentei acima, que a imaginação tem uma importância fulcral na construção de qualquer realidade. Mas também nos recorda que “A realidade é apenas uma ilusão, ainda que muito persistente”. Sendo assim, a imaginação de uma nova realidade tem de ter a capacidade de ‘desalojar’ a ilusão persistente.
Processo difícil, sem dúvida, mas possível. Para que tal aconteça tem de convencer de forma permanente a imaginação das outras Pessoas. Tem de representar uma confiança coerente na mente dos que a recebem. E é gratuita!
Como sabem eu tenho vindo a apresentar neste meu blogue, a minha imaginação sobre um novo paradigma para o futuro da Humanidade, baseado no Valor Humano. Não tem sido fácil encontrar argumentos que conduzam a uma coerência de ideias e ideais, mas é genuíno e verdadeiro na representação da confiança nos meus Leitores. Se consegue ‘desalojar’ a atual realidade é outra matéria.
A realidade que atualmente se vive no mundo global, está mais próxima de uma ilusão desagradável para TODOS do que possamos pensar. Basta ler e ouvir as notícias de todos os canais de mídia para ficarmos bem iludidos com tudo o que se passa.
Resta-nos a esperança que tudo dê certo. Mas não será a esperança uma nova forma de imaginação?
O Homem construiu um mundo desmembrado, baseado no medo e na desconfiança, e pretende que as Pessoas sejam capazes de se ‘sintonizar’ com ideias com pouca virtuosidade e de fraco sentido humanista! Não é capaz (ou não pretende) que a Educação que ministra a todas as crianças e jovens, seja construtora de imaginação saudável, pacífica e de valor para o futuro. O Homem quer que exista criatividade mas que esteja direcionada para o lucro e não para o bem comum.
É preferível que o mundo global seja uma utopia humanista e de Valor, que a distopia em que se tornou!
Uma coisa é certa “A realidade deixa muito espaço à imaginação”, como afirmava John Lennon. Resta-nos saber usar esta nossa faculdade de imaginar um mundo melhor, onde TODOS possamos coexistir e ser felizes.

Alfredo Sá Almeida                                                                          6 de Setembro de 2017

O Valor Humano requer uma Educação Holística

holosgenesis

A palavra Holístico (a partir do termo holos, que em grego significa “todo” ou “inteiro”) foi criada por Jan Christiaan Smuts, primeiro-ministro da África do Sul (de 1919 a 1924 e de 1939 a 1948), no seu livro de 1926, “Holism and Evolution”, que a definiu assim: “A tendência da Natureza, através de evolução criativa, é a de formar qualquer “todo” como sendo maior do que a soma de suas partes”.

Este é um conceito, que mesmo não sendo usado como o princípio postulado por Smuts, representa bem a dimensão evolutiva da Vida no nosso Planeta. Não se torna difícil reconhecermo-nos nele, pois o processo evolutivo do Homem possui uma dinâmica própria, resultado das mais variadas práticas e interações culturais.

Uma coisa é certa a dimensão do Homem pode sempre ser maior que a soma de todas as práticas culturais. O seu Valor Humano pode resultar da aplicação do conhecimento holístico na sua Vida.

O que o Ser Humano não compreende na globalidade pode sempre pesquisar na compreensão das partes e chegar a uma soma que se aproximará do TODO comum.

Estudar muito para saber pouco

Este é um paradoxo que o conhecimento formal terá muita dificuldade em explicar apenas por palavras.

Aqui chegados, não se torna difícil compreendermos a importância que uma Educação Holística terá na formação das mentes Humanas. A ‘Luz’ e o esclarecimento acabará por sobressair da aprendizagem bem conduzida por profissionais educativos, professores, mentores, educadores, etc. O Valor Humano poderá ganhar dimensão com a Educação Holística.

Mas o Homem tem muita dificuldade em pôr-se de acordo com os seus pares para estruturar e conduzir uma Educação Holística que se adapte ao mundo global. Senão vejamos o que a Consciência Coletiva sobre o fenómeno da Educação formal nos revela, neste excelente artigo de Laura Silver na página internet do World Economic Forum (1 de Setembro de 2017):

Education Consensus

(https://www.weforum.org/agenda/2017/09/this-is-how-people-around-the-world-view-education?utm_content=buffera6031&utm_medium=social&utm_source=facebook.com&utm_campaign=buffer)

Neste gráfico poderemos ver que não existe consenso, entre os diversos Países do mundo, para o melhor tipo de Educação, seja entre Competências académicas básicas encorajando as disciplinas ou Ser Criativo e pensar independentemente.Daqui resulta que o Homem tem de melhorar muito a sua Consciência e Inteligência Coletivas para um melhor Futuro.

Vejamos alguns casos para melhor compreensão.

• Caso da Foto versus Filme:
Quando tiramos uma foto de um acontecimento, seja de que natureza for, essa foto representa apenas um momento desse acontecimento. Poderá até ser um momento representativo do acontecimento e esclarecer algo com maior detalhe, se a foto for excelente. No entanto, se fizermos um filme de todo o acontecimento ficaremos com a compreensão global do mesmo, mesmo que possamos perder algum detalhe ou pormenor. A atenção e capacidade de compreensão de quem visiona o filme é muito importante para o esclarecimento total do acontecimento.

• Caso da Contemplação versus Ação:
Alguém com uma predisposição maior para a Contemplação poderá ganhar uma compreensão pormenorizada sobre um determinado tema ou assunto parcelar e adquirir uma dimensão esclarecida sobre um fenómeno. Por outro lado, quem tiver uma atitude predominante para a Ação conseguirá ganhar uma compreensão do conjunto, até mesmo da interação entre as partes, que de outro modo seria mais difícil. As dimensões atingidas por cada um dos referenciais são importantes e têm tendência a completar-se. Dependerá muito da capacidade interpretativa de cada um dos intervenientes.

Se a nossa mente for capaz de abranger ambas as dimensões, focadas nestes casos exemplo, estaremos seguramente mais próximos de um tipo de pensamento Holístico, que terá de se basear num grande conhecimento de uma grande variedade de fenómenos para poder esclarecer adequadamente (e poder fazer ‘Luz’) sobre um tema complexo.

Existem tantos mistérios por explorar e compreender que o desenvolvimento do pensamento e conhecimento holísticos serão de uma enorme utilidade para a Evolução Humana. Sem dúvida que a existência de uma capacidade de visão holística sobre esses mistérios ou fenómenos acrescentará muito à compreensão global.

O Valor Humano possui muitas dimensões, tantas quantas as interações possíveis entre elementos da mesma espécie, e daquelas com elementos doutras espécies. O importante é que o resultado final dessa multitude de interações seja pacífico, esclarecedor e harmónico sob o ponto de vista cultural da nossa espécie.

O método científico é um bom ponto de partida para a compreensão das partes. A compreensão da multitude das disciplinas científicas requer uma mente com capacidade global. Mas existe tanta ‘matéria’ para além do conhecimento científico, que este ainda não consegue explicar, que devemos estar muito atentos para não nos perdermos num caos de conhecimento.

Um dos maiores problemas da Humanidade é a grande falta de Educação, de qualquer tipo, e a multitude de interesses distópicos que acaba conduzindo o Homem para atitudes e comportamentos mais próprios de uma distopia do que de Valor Humano.

Alfredo Sá Almeida                                                                               3 de Setembro de 2017

A Violência é um grande negócio!

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Como queremos NÓS construir a PAZ quando a violência é um grande negócio? Esta é uma triste realidade do mundo global de hoje que destrói VIDAS e muitas boas vontades de estabilidade política e militar.

Existem líderes de Países que são capazes de manter um Estado pouco pacífico e uma atitude beligerante para lucrarem com o negócio de armamento. E, torna-se fácil, basta ‘inventar’ uma escaramuça para acender o rastilho da violência.

Recentemente veio a público o relatório de 2017 “Global Peace Index – Measuring peace in a complex world” (http://visionofhumanity.org/app/uploads/2017/06/GPI-2017-Report-1.pdf) produzido pelo Institute for Economics & Peace, que mostra bem o que se passa a nível mundial nesta matéria.

Não há modo de contornar este problema. É um negócio caro, arrasador de vidas e não é necessário investir em Educação. Torna-se fácil, numa ausência total de Valores Humanos, manter um Estado pouco pacífico. E, mais grave é que os Países mais pacíficos podem criticar e insurgirem-se na comunidade das Nações, que não resolvem nada, pois quem produz as armas continuará a vender e a fazer negócio com esses Países.

Ninguém tem vergonha na cara, nem escrúpulos políticos nem sociais, porque o negócio é lucrativo.

De acordo com a notícia veiculada pelo Jornal Económico, em 10 de Junho de 2017, “O preço da violência: impacto global é de 12,6% do PIB mundial” (http://www.jornaleconomico.sapo.pt/noticias/o-preco-da-violencia-impacto-global-e-de-126-do-pib-mundial-170147) podemos verificar a dimensão deste negócio que daria para RESOLVER a grande maioria dos problemas de educação e pobreza a nível mundial.

Assim, de acordo com esta notícia o “Impacto económico global da violência corresponde a 1,95 dólares por pessoa. Custo económico médio 35% superior nos dez países menos pacíficos face aos dez países mais pacíficos.”

Agora percebemos a grande hipocrisia que vinga quer a nível político como social, nesta Sociedade Global.

“Os gastos militares representam a maior fatia dos custos (5,62 biliões de dólares), seguido pelos gastos com a segurança interna cujos custos globais ascendem aos 4,92 biliões de dólares. Já as perdas com crimes representa 2,57 biliões de dólares e as perdas com conflitos armados, 1,04 biliões de dólares.

O custo económico médio da violência foi equivalente a 37% do PIB nos dez países menos pacíficos face a apenas 3% nos dez países mais pacíficos.” (http://www.jornaleconomico.sapo.pt/noticias/o-preco-da-violencia-impacto-global-e-de-126-do-pib-mundial-170147)

E poderíamos somar o valor dos negócios dos filmes violentos, dos jogos para computador e consolas com características de violência, etc. Estes são apenas os ‘aperitivos’ antes dos verdadeiros atos de violência.

Resumindo, são gastos 14 biliões de dólares neste negócio. Adivinhem quem paga a fatura?

O mais grave de tudo isto é que quem defende a Paz o faz com altruísmo, voluntarismo, consciência e inteligência, na grande maioria das vezes sem ganhar dinheiro com o que realiza. Enquanto quem negoceia em armas e as utiliza para lançar o caos, agressão e violência o faz por maldade e ainda lucra com a sua atitude e comportamento. Onde está a igualdade de oportunidades nesta matéria? Vislumbram alguma vontade da comunidade das Nações acabar com este negócio? Todo o mundo enche a boca de palavras de PAZ, mas atos concretos NADA!

Assim vai o mundo dos Valores Humanos de Homens sem Valor. Agora poderão entender melhor porque defendo uma Sociedade de Valor Humano.

Violentómetro

Alfredo Sá Almeida                                                             11 de Junho de 2017

Questões sobre a vida em Sociedade.

Future of Society

Como os meus Leitores sabem, tenho vindo a defender uma mudança de paradigma da sociedade atual para uma sociedade de Valor Humano.

Numa Sociedade desta natureza o valor monetário deixará de existir por incompatibilidade estrutural e conceptual. Não sou o único a propor uma mudança tão profunda, nem de algum modo sou inovador na matéria de acabar com o dinheiro.

Aliás, a grande mudança de paradigma que proponho está no destaque do Valor Humano e na sua preponderância. O fim do valor monetário é apenas uma consequência acessória.

Jacque Fresco, um Americano Futurista falecido recentemente com 101 anos, autor do projeto Venus (https://www.thevenusproject.com/), “foi um autodidata projetista industrial, engenheiro social, escritor, professor, futurologista, inventor que trabalhou numa grande variedade de áreas desde inovações biomédicas a sistemas sociais totalmente integrados. Ele acreditava que suas ideias beneficiariam um maior número de pessoas e dizia que algumas de suas ideias vieram dos anos de sua formação durante a Grande Depressão.” (https://pt.wikipedia.org/wiki/Jacque_Fresco)

“Um dos temas principais de Fresco é seu conceito de uma economia baseada em recursos que substitui a necessidade da economia monetária orientada para a escassez, que temos atualmente. Fresco argumenta que o mundo é rico em recursos naturais e energia, e que – com a tecnologia moderna e a eficiência – as necessidades da população global podem ser atendidas com a abundância, e ao mesmo tempo remover as limitações atuais de que o que é considerado possível devido às noções de viabilidade económica.” (https://pt.wikipedia.org/wiki/Jacque_Fresco)

“In a Resource Based Economy the main focus is on the people and the environment. Producing a high standard of living for all human beings on Earth while restoring, preserving and enriching the environment around them requires the use of science and technology and also requires a higher degree of efficiency.” (https://www.thevenusproject.com/)

O Valor Humano que defendo não é baseado numa moralidade ultrapassada nem restritiva, ou aprisionadora, do Ser Humano. Mas tem em consideração as atitudes e comportamentos do Homem em Sociedade, de modo a conferir-lhe um dinamismo filosófico, psicológico e um aperfeiçoamento constante, que lhe permitam uma confiança fundada num Futuro melhor para TODOS, onde os princípios éticos e o humanismo estejam sempre presentes. É um Valor Humanista onde se encontram a Inteligência, a Consciência e o Futuro Coletivos em harmonia com a sustentabilidade da Biosfera. Os Valores que defendo não são crenças como Jacque Fresco os comparava frequentemente (*). São intrínsecos ao Homem com acesso a uma Educação de qualidade, e, bem orientada por profissionais competentes. Esses Valores estão fundamentados nos Valores Humanos que caracterizam a nossa espécie.

Aliás a Sociedade de Valor Humano que defendo é sustentada em quatro pilares essenciais: O Ser Humano; os Valores Humanos; a Educação de qualidade para todos; e, a sustentabilidade da Biosfera.

Deste modo, convém questionarmo-nos sobre o rumo que a Sociedade atual está a tomar e quais as consequências que esta poderá ter no Futuro do Homem.

Torna-se plausível perguntarmos:

  • Poderá o Homem e a Sociedade civilizada sobreviver sem dinheiro?
  • Poderá o Homem e a Sociedade civilizada sobreviver sem Valores Humanos?

As respostas afiguram-se-me óbvias. Se assim o consideram, então esses Valores não são de forma nenhuma crenças são elementos estruturantes da personalidade e do caráter do Ser Humano.

A Civilização atual e o fenómeno crescente da Globalização estão em sérios riscos de colapsar, qual Império Romano do passado. Os riscos que o conduziram ao colapso são muito semelhantes aos da atualidade.

O Homem evoluiu pouco como Ser Humano em 2000 anos de história. O saber e o conhecimento evoluíram muito, assim como tecnologia. Os processos civilizacionais acompanharam essa evolução mas a sabedoria do Homem não. Os erros estruturais do passado ancestral mantêm-se como marcas genéticas difíceis de desvanecer.

  • Estará o Homem preparado para uma Civilização Global e planetária?
  • Conseguirá o Homem construir essa Civilização Global em Paz duradoura, com um Futuro promissor?

São estas questões que cada um de nós deverá saber responder em profundidade e saber dar corpo, sem atropelos, mas com determinação, conhecimento, inteligência e consciência coletivas, em harmonia com a única Biosfera que habitamos.

Alfredo Sá Almeida                                                                                  5 de Junho de 2017

Nota (*) – “The most striking difference between a Resource Based Economy and any other system that has gone before is that it prepares people for the changes that lie ahead. Change is not something that most people accept easily, especially when it comes to values or beliefs, which they have had for a long time. Sometimes, the emotional investments in those values or beliefs are so great that people cannot accept the notion of change. This detrimental practice has facilitated the conscious withdrawal of efficiency in so many aspects of life.” (https://www.thevenusproject.com/)
“The moral standards of past generations do not offer solutions for present social challenges. It is not enough to label people ‘good’ or ‘bad’ anymore as we know that environmental factors largely determine their behaviour.” “Morality has always been based on limited efforts to control society based on the tools of the time. Morality was very rarely based on conditions in the real world, and this makes it detrimental and full of contradictions which can be surpassed through our proposal of Functional Ethics. The methods of science can be used to determine a functional morality and this exercise will demand that we re-evaluate our entire notion of what makes us human.” (https://www.thevenusproject.com/)

Futurismo sem Valor Humano

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Nos dias de hoje, assistimos com muita frequência a uma proliferação de ‘Futuristas’ que são capazes de vislumbrar um futuro para os Seres Humanos, dependendo da evolução da tecnologia que se encontra em fase de investigação e desenvolvimento. Interessante esta postura de pessoas inteligentes capazes de traçar uma ‘linha reta’ na evolução do Homem com o desenvolvimento da tecnologia. Esquecem-se continuamente do que sentem a maioria das Pessoas acerca da utilização da tecnologia e do que gostariam de SER.

O mais grave é o facto de esses Futuristas terem uma influência junto de empreendedores da indústria tecnológica, orientando-os e conduzindo-os no negócio e na introdução desses gadgets no mercado.

O Ser Humano possui uma multidimensionalidade tal, na sua vivência em sociedade, nas suas necessidades várias e simultâneas e na sua vontade de viver e sentir que considero abusivo imporem toda e qualquer tecnologia, que irá modificar a sua vida, para seu ‘consumo’ de utilizador quando a grande maioria não tem as condições de satisfazer as suas necessidades básicas, mas é capaz de se ‘viciar’ nessa nova tecnologia de consumo (que vai ficar obsoleta num ano). Esse estado viciante irá provocar nessas Pessoas alterações comportamentais capazes de permitir um bypass ao essencial para se focarem nos novos gadgets.

A meu ver, isso representa mais um acto de violentar a vontade das Pessoas, apelando ao seu lado alienante, frustrante e dependente de ‘qualquer coisa’.

Gostava de ver esses Futuristas a preocuparem-se mais com as vontades legítimas e carências de Pessoas com sentimentos nobres, e saberem cativá-las para um Futuro mais humano e de igualdade de oportunidades. Muitos fazem-me lembrar vendedores de ‘banha da cobra’, capazes de encontrar os melhores argumentos para afirmar que aquelas tecnologias, que vão modificar o futuro das Pessoas, são o melhor que lhes podia acontecer. Afinal qual é a tecnologia que não dá um melhor futuro às Pessoas? Pois, pois! Quando se derem conta e tomarem a devida consciência do que permitiram que modificasse a sua vida, sem que possam voltar atrás, já será tarde de mais e requererá um esforço hercúleo para desfazer o que foi construído, com a indiferença da maioria.

As tecnologias e a investigação científica na área da saúde têm sido das que mais servem os desígnios do Futuro do Ser Humano.

Pergunto-me constantemente, que Valor Humano possuem esses Futuristas e essas outras tecnologias? Gostaria de salientar que eu sou um aficionado da utilização de algumas tecnologias e que já as consegui ‘incorporar’ rotineiramente na minha vida sem alterar a minha maneira de ser.

Vejo muita gente a vender de TUDO, desde armas sofisticadas, a gadgets tecnológicos, a comprimidos para emagrecer, a pílulas para rejuvenescer, ou, mesmo cápsulas para não envelhecer nem morrer, a bonecas sexuais realistas, a realidade virtual com jogos de violência extrema, etc. TUDO é permitido neste ‘mundo cão’ até perder o total respeito pelo Ser Humano e permitir que ele se aliene da realidade de SER o que gostaria de ser, sem nunca ter a oportunidade de uma Educação adequada à sua Pessoa.

Que Pessoas seremos no ano 2100 se não tomarmos consciência do nosso Futuro hoje?

Alfredo Sá Almeida                                                                     6 de Abril de 2017