Poderemos erradicar a pobreza, para sempre?

Conversa/debate sobre o tema em título, entre o meu amigo Joaquim Serra e eu próprio, sobre um post no Facebook.

Se os meus Leitores se sentirem ‘atraídos’ pelo debate, comentem neste Blogue sobre este tema. Muito Grato a todos pela vossa disponibilidade.

Erradicar a pobreza(https://www.facebook.com/TheEconomist/videos/10156060919354060/)

Joaquim Serra – (Autor do post) Introdução postada: “Vale a pena uma reflexão profunda.

Vale a pena um exercício de Prospectiva, pelo menos para refletir sobre o “tipo de mundo” em que seria desejável de vivermos.

A Pobreza é o maior estigma social que caracteriza o nosso mundo, a sua maior causa decorre do Género de Vida que instituímos e estruturámos.

Reflecte a Mentalidade miserável que lhe está subjacente.

Uma mentalidade errónea, enviesada, distorcida, civicamente deficiente, da qual fizemos a Cultura que modela a nossa Civilização.

Ainda acha que o problema é o Dinheiro?

Se acha que o problema é o dinheiro, é porque anda muito distraído, abstraído pelo dinheiro, alienado da realidade da vida.

(Já “escorregou” para dentro daquele buraquinho, ou buracão, depende do tamanho do Ego, que existe no meio do abdómen. Onde o horizonte mais distante que se vê é o próprio fundo. Às vezes nem se consegue ver nada, é escuro demais, tal é a profundidade do fundo.)”

Alfredo Sá Almeida – “O grande problema é a falta sistemática de Educação, caro amigo Joaquim Serra.

Sem ELA estes grandes problemas da Humanidade não poderão ser resolvidos. Todos os outros Serviços Sociais de suporte (Saúde, Justiça e Valores Humanos) serão cada vez mais indispensáveis e bem estruturados. O Dinheiro tem muita dificuldade de aceitar esta maneira de resolver os problemas, por ser muito caro e não favorecer a economia.

A Vida do Homem continua a não poder depender da Economia para resolver os seus problemas (muito menos do mundo financeiro).

Se somos Inteligentes (em todas as vertentes) então utilizemos essa inteligência para desfazer a ‘teia’ em que nos envolveram para selecionar os ‘melhores’. Como se os problemas se resolvessem por seleção. Os problemas resolvem-se com empenho, dedicação e um foco essencial na Humanidade das atitudes e comportamentos dos Cidadãos.

A meu ver o Dinheiro é parte do problema. Sem Valor nada se resolverá.”

Joaquim Serra“Caro amigo Alfredo Sá Almeida, a Vida do Homem numa grande dimensão é a Economia.

O problema não é a Economia, mas sim a Política Económica sob a qual se estrutura e se institucionaliza toda a atividade humana. São os VALORES subjacentes a essa política que determinam os resultados que obtemos e são traduzidos na realidade em que vivemos.

O dinheiro é um meio, que sistematizámos para facilitar a vida. Nada mais que isso.

O problema não é de origem económica ou financeira, como se pretende fazer crer.

O PROBLEMA é de origem filosófica, e profundamente relacionado com a MORAL e a ÉTICA, ou seja, o conjunto de valores, a axiologia em que baseamos o nosso género de vida. É com esses valores que temos estado a modelar a EDUCAÇÃO e a fazer CULTURA.

Temos andado a EDUCAR MAL. Muito mal mesmo!

E quanto mais educarmos nessa base, mais enredados ficaremos nessa teia.

O envolvimento (processo) em que somos metidos, e ao qual somos submetidos, aquele que mais nos condiciona, sobretudo mentalmente, é a educação.

Essa é que é a determinante, lógica, óbvia.

É um facto!

Somos muito inteligentes, sem dúvida alguma, mas de uma maneira geral somos exageradamente emocionais e pouco racionais, e isso atrapalha os nossos senso crítico e analítico quando nos confrontamos com problemas e temos que os resolver de forma ponderada e lúcida para que a solução seja integral, pois uma meia solução não é a melhor solução.

A educação, e nesse aspecto a ESCOLA(s), tem desempenhado um papel social e culturalmente preponderante, salvo raras exceções, desde o infantário até à universidade, têm servido mais à promoção da ADERÊNCIA a um ideário, e de OBEDIÊNCIA a esse ideário, do que propriamente à formação de seres humanos livres, autónomos, com senso crítico e analítico, capazes de utilizar todo o seu potencial racional e emocional em benefício da HUMANIDADE e de si próprios.

A escola que criámos tem tido mais o propósito de justificar o género de vida que adoptamos, e que não é humanamente satisfatório, do que o de mudança para um género de vida melhor em termos de justiça social, justiça económica, justiça cultural.
Alguns dos VALORES com que temos sido educados não nos servem, não prestam serviço algum à humanidade e ao indivíduo.

Alguns dos VALORES sobre os quais estruturamos as nossas instituições têm como único propósito perpetuar a injustiça social, a injustiça económica, e a injustiça cultural em benefício de uma minoria.

É preciso erradicar esses valores, e só os podemos erradicar não sendo solidários com eles, não os respeitando, não os tolerando, não os aceitando, e nem sequer os permitindo, mais, devem ser condenados.

A escola deveria habilitar o indivíduo a SABER SANCIONAR. A saber distinguir aquilo que merece aprovação, daquilo que merece condenação, tanto nele próprio como nos outros.

Não vejo esse exercício cívico e moral nas escolas, excepto uma ou outra, perdidas no obscurantismo promovido pela ignorância intencional institucional.

Pelo contrário, vejo muitas escolas, para regozijo de alguns analfabetos morais, deficientes cívicos, a “ensinarem” às crianças que, “Devemos ser solidários”… “Devemos ser tolerantes”… “Devemos obedecer”… “Devemos respeitar”… “Devemos amar”… Apenas porque sim! Sem lhes explicarem os conceitos, e sem lhes apresentarem quaisquer critérios, e sem lhes exemplificarem as causas e consequência. Partem do princípio que as crianças não são inteligentes nem capazes de avaliar a realidade. As crianças são tão só ignorantes, e o que se faz é explorar e manipular essa ignorância! Isso apenas confunde, não só as crianças, mas também muitos adultos.

É abjeto, é criminoso!

Até penso que a maior parte, se não todas, das depressões nervosas são causadas por esse método de “ensinar”, que imbeciliza mais do que cultiva, e gera multidões de gente amorfa, apenas motivada pelos instintos mais básicos, ao sabor das emoções mais disparatadas, incapazes de se relacionarem umas com as outras, e incapazes de se relacionarem com realidades abstratas e transcendentais, como o dinheiro, Deus, matemática, etc. etc.

Gente Bem-educada é perigosa!”

Alfredo Sá Almeida – “Caro amigo Joaquim Serra, em parte estou de acordo com a sua perspetiva, aquela em que refere e defende os Valores e critica a má Educação que tem sido ministrada.

Sobre o Dinheiro, o grande problema é que ele não é um meio, “que sistematizámos para facilitar a vida”, tornou-se um fim em si uma ‘religião’ fanática que aprisiona todos os que nela se cultivam. Acaba se sobrepondo a TODOS os outros Valores que de melhor o Homem possui. Subverte-os, distorce-os, sufoca-os, pressiona-os, domina-os, etc.
O Homem terá muita dificuldade em domar o dinheiro, porque ele é o objeto da corrupção.

A Liberdade que devemos possuir interiormente e de atitudes e comportamentos, acaba por descambar para o lado mais fácil e de poucos Valores – o Dinheiro. Teremos sempre a tendência de reduzir tudo à mínima expressão o dinheiro, para facilitar TUDO.
Os Valores são o elemento complicador e complexo da vida (na ótica do dinheiro). As Pessoas querem uma vida fácil e fluida onde a Liberdade domina a perversão dos Valores.”

Joaquim Serra“Alfredo Sá Almeida, não é na ótica do Dinheiro que os valores são complexos e complicadores. Nesse âmbito há de facto muita complexidade e complicação, quando esses valores não são conceituados, explicados, para que possam ser compreendidos e apreendidos, mas acima de tudo validados.

A maioria de nós não aprendemos a relacionarmo-nos com coisas abstratas. Trocamos os fins pelos meios. Procuramos atalhos. Tentamos suprimir da “equação” tudo o que não compreendemos.

Faltam-nos os critérios que nos habilitariam e legitimariam a sancionar os outros e a nós próprios. Aliás, sancionar, julgar, passou a ser um exercício condenável, e portanto não se faz validação de princípios e valores, nem tampouco se reflecte sobre essa dimensão. “Compra-se”, consome-se, baseado em emoção, numa relação binária de gosto x desgosto, favorece-me x não me favorece, só, e no imediato. Passou a ser este o único critério para qualquer decisão.

Sob o lema irreflectido do “Errar é humano” tornámo-nos, ou quisemos tornar-nos inimputáveis, fomos permissivos a esse nível.
Não é a Liberdade que domina a perversão dos valores, mas sim a libertinagem, não é a atitude moral que produz maus valores, mas sim o moralismo, não é o capital que corrompe, mas sim o capitalismo, não há mal em termos consciência social e comunitária, mas produz-se muita injustiça através do comunismo, contrariamente à intenção e aquilo que defendem os seus aderentes e simpatizantes.

Nas escolas, e na educação que ministramos, não se está a ensinar a fazer essas distinções.

A educação perdeu significado e sentido. Em Portugal, e em muitos outros países desenvolvidos, a evasão escolar é alarmante, contudo não se discute nem se reflecte sobre a causa dessa situação. E é notável a quantidade de mentecaptos que saem das escolas e universidades, e o pior de tudo, é que estamos a deixar que esses mentecaptos nos governem, isto é, que sejam eles a fazer as políticas sociais e económicas, e a administrar a justiça.

Não foi o dinheiro que gerou essa situação. Foi a falta de uma EDUCAÇÃO de qualidade, falha de valores e falha de critérios para se estabelecer uma axiologia digna de seres humanos.

Por isso é que as pessoas se subordinam tão facilmente às ideologias, às idolatrias, às modas, às mentalidades de massa, até conseguem subordinar-se ao dinheiro.

Hoje em dia, no nosso mundo, há todo o tipo de prostituição: Prostituição sexual, mental, intelectual, ideológica, religiosa, empresarial, laboral, sindical, estatal, privada, nacional…

O problema não está no dinheiro, está no tipo de gente que andamos a “formar”: Prostitutos.

Fazem qualquer coisa por conveniência imediata, até por dinheiro, que custa menos a carregar e não se vê a origem, o que dá um jeito enorme para manter as aparências.”

Alfredo Sá Almeida – “Joaquim Serra estou a gostar desta nossa conversa/debate.

Tem razão naquilo que defende. Eu também defendo o mesmo – uma Educação de Qualidade para TODOS. Tenho muitas dúvidas (mas muitas mesmo), com os mecanismos, procedimentos, incentivos, etc. que foram criados pelo Dinheiro e para o Dinheiro, se alguma vez o Homem (a continuar o mundo do Dinheiro como está!) conseguirá secundarizá-lo do modo como o meu amigo o secundariza.

A minha esperança maior é que o Homem relegue o dinheiro à sua ínfima expressão e priorize o Valor Humano em TODOS os momentos da dinâmica da Vida.”

Joaquim Serra“Alfredo Sá Almeida num exercício de prospectiva, inspirados pela “utopia” de um mundo melhor, poderemos resgatar valores que valham a pena, custe o que custar.

Tenho a certeza que não precisaremos de relegar o dinheiro a uma ínfima expressão, afinal, por trás do símbolo, e adjacente à sua função monetária, económica e financeira, poderão estar valores que merecem ser demonstrados e o dinheiro servirá de instrumento (prestará esse serviço, como meio próprio da sua função) para viabilizá-los, de forma rápida, segura, confortável.

Poderemos também, e deveremos fazê-lo, destapar o que está por trás de muito do dinheiro que circula por aí. Nessa altura teremos que estar aptos e habilitados, seguros, conscientes, para realizar tantas sanções quanto necessário, algumas de aprovação, de reconhecimento e exaltação, outras de condenação que irão requerer punição, pena e castigo.

Temos que ter coragem para fazer esse exercício muito difícil, até porque muitos de nós se apavoram só de imaginar aquilo que se descubra quando se destapar.

Quando se destapar, a certeza que eu tenho é que iremos ter que lidar com coisas muito desagradáveis, é como abrir a Caixa de Pandora, que passarão a fazer parte da nossa realidade, e esta será modificada radical e rapidamente.

Ainda não se fez porque preferimos contornar os problemas, mesmo que isso exija iludirmo-nos, ainda não estamos preparados para esse confronto com o real que todavia parece cada vez mais inevitável.

Quanto mais se esperar, mais profundo será o choque.”

Alfredo Sá Almeida – “Joaquim Serra parece-me uma excelente tática para ‘destapar a panela’ e retirar muita da pressão que existe sobre este tema. Quem sabe obteríamos muitas boas surpresas de Pessoas, mediática e eticamente relevantes, que ajudariam a mudar decisivamente as regras do jogo.”

Alekh Lisboa“Se a pobreza não fizesse tantos ricos já tinha acabado!”

 24 de Fevereiro de 2018

Anúncios

Comprar Felicidade?

felicidade-nao-e-um-destino-e-um-metodo-de-vidaEm que mundo nós vivemos, onde tudo se compra e tudo se vende! Até a Felicidade!

Triste realidade esta, que nós vivemos, tão dependentes do dinheiro. Desde pequeninos que somos formatados para a dependência do dinheiro. E, para o conseguirmos temos de entrar num ‘jogo’ que nos pode custar a Felicidade e muitas outras dimensões intangíveis.

Agora, chegámos ao ponto em que já não é preciso interiorizar de onde vem a Felicidade. Procurar na nossa dimensão interior de onde vem, com quem, como e porquê. Um ‘estudo’ realizado por ‘cientistas’ (imaginem só!) determina que a Felicidade tem um preço fixo. Não, não estou a brincar, é verdade! Ora veja! “Há uma quantia exata para a Felicidade, sugerem cientistas” (http://ptjornal.com/ha-uma-quantia-exata-que-traz-felicidade-sugerem-cientistas-240167).

“Os investigadores admitem que as conclusões são surpreendentes, mas garantem ter percebido, através de um estudo, quanto dinheiro as pessoas precisam para se sentirem felizes”. Espantoso!

“A incrível quantidade de dinheiro que os milionários dizem precisar para serem felizes” (https://g1.globo.com/economia/noticia/a-incrivel-quantidade-de-dinheiro-que-os-milionarios-dizem-precisar-para-serem-felizes.ghtml). Muito interessantes estes estudos ‘científicos’. Ainda há, aqui em Portugal, quem afirme que “As Empresas não conseguem contratar porque as pessoas não querem trabalhar” – Ferraz da Costa (https://ionline.sapo.pt/artigo/600810/ferraz-da-costa-as-pessoas-nao-querem-trabalhar-as-empresas-nao-conseguem-contratar-?seccao=Dinheiro_i).

Será que a partir de agora vão começar a comprar a nossa Felicidade? E não é considerado suborno? Nem corrupção? Como se sentirá a Pessoa a quem lhe comprem a Felicidade?

Já não temos que nos preocupar, está tudo feito, é só comprar, ou ser comprado!

thich_nhat_hanh_nao_existe_um_caminho_para_a_felicidade_lker8y2

No entanto, a dimensão da Felicidade continuará a ser multifacetada e complexa. E, sem uma Educação em Valores Humanos ainda mais complexa se tornará.

Infelizes das crianças da geração alfa, que vão ser bombardeadas com matérias tão simples e tão fáceis de entender, que não necessitarão de fazer qualquer esforço para serem Felizes. Então, com o advento da Inteligência artificial a bater-lhes à porta, nem precisam de pensar nem raciocinar. Será que vão conseguir relacionar-se com as outras crianças através de Valores Humanos?

Deixo-vos com esta matéria para reflexão e incentivo à mudança, para um Futuro com maior Valor Humano.

Alfredo Sá Almeida                                                                          17 de Fevereiro de 2018

 

A importância do Bem Comum numa sociedade de Valor Humano

Neste tema que tenho desenvolvido, ao longo dos últimos três anos, sobre o Valor Humano, tenho destacado a importância que o Bem Comum tem no desenvolvimento da Humanidade. É um conceito integrado e resultante da Inteligência e Consciência Coletivas dos Seres Humanos, que muito lentamente se está a desenvolver na Sociedade Global.

Para que fique bem claro: Bem comum é uma expressão que possui conceitos em muitas áreas do conhecimento humano, mas que se assemelham entre si. De um modo geral, define os benefícios que podem ser compartilhados por várias pessoas, pertencentes a um determinado grupo ou comunidade.
O bem comum na filosofia está relacionado com o ideal de progresso que todas as sociedades e nações do mundo devem alcançar: a igualdade social e económica, onde todos possam ter melhores condições de vida.
Assim como na ideia filosófica, que aliás é usada como base para empregar o conceito em outros ramos do conhecimento, o bem comum é definido a partir dos interesses públicos, ou seja, tudo que seja pertinente ao usufruto ou que beneficie uma sociedade como um todo.
De acordo com o “Princípio Ético do Bem Comum”, as leis devem ser feitas para um estado coletivo, e não individual.” (https://www.significados.com.br/bem-comum/)

Apesar de não haver estudos sobre as dimensões reais do espírito coletivo e do espírito individual em Sociedade, verifico infelizmente que o espírito individual e o individualismo dominam as atitudes e comportamentos em Sociedade. Isso deve-se, sobretudo, à Educação ministrada (nas Escolas e no seio da Família) e às práticas Empresariais e Governamentais nos Países.

Ora a predominância dessas práticas individualistas em nome do ‘bem comum’ acabam por estar desenraizadas do verdadeiro espírito deste conceito. Por outro lado, a ausência de ensinamentos específicos sobre esta matéria, conduz à confusão generalizada que esse individualismo é a única forma de interpretar o bem comum.

A verdade é que o bem comum tem muito pouco de interpretativo e muito de Consciência Coletiva específica de valorização do Ser Humano. É uma prática constante, de Pessoas de boa vontade, que consideram que os benefícios compartilhados possuem uma dimensão bem maior que os benefícios individuais.

O que assistimos frequentemente nas práticas, Pessoais, Empresariais e Governamentais, da Sociedade atual são iniciativas que visam o lucro e não o bem comum. Por este facto continua a existir muita desigualdade e muita segregação, que contribuem para o afastamento do conceito do bem comum.

O conceito de Democracia, apesar de muito difundido globalmente (mas mal aplicado), acaba por desequilibrar a balança do bem comum para o lado do individualismo.

O Homem não tem sabido desenvolver a Democracia no sentido participativo e do verdadeiro espírito da Consciência Coletiva. O extremar de posições entre forças políticas Liberais e Comunistas tem conduzido as Sociedades a falsas soluções governamentais e a um desvirtuamento do bem comum.

Enquanto não nos libertarmos desses extremismos políticos egocentristas e não assumirmos que o nosso Futuro Coletivo possui uma passagem muito estreita para a sustentabilidade e a felicidade coletivas, será muito difícil construirmos uma Sociedade de Bem Comum e de Valor Humano.

Será que só pela força nos libertaremos dos extremos? Parece contraditório, porque o uso da força normalmente não conduz a nada de bom. Mas seremos nós, Seres Humanos, capazes de inteligentemente definirmos de modo coletivo o caminho que nos conduz ao bem comum?

Para nosso BEM é melhor que consigamos um entendimento dinâmico que nos conduza a esse caminho. Mas para isso temos de possuir a sabedoria de ‘afastar’ os elementos prejudiciais ao bem comum, sem extremismos mas com determinação inteligente. A Democracia também serve para esses desígnios!

Olhemos para a realidade do mundo atual, sobre todos os pontos de vista – Social, Económico, Educacional, Judicial, etc. – e construamos em conjunto as soluções, com base nos melhores conhecimentos e nas melhores práticas da Sociedade, sem permitirmos que grupos minoritários de bloqueio, ‘minem’ a nossa vontade e a nossa determinação de chegarmos ao nosso Futuro Coletivo.

A vontade Humana, liberta do individualismo desequilibrado e desfocado do bem comum, deverá ter a sabedoria para construir esse caminho.

A vontade coletiva do Bem Comum ajudará a construir uma Sociedade de Valor Humano.

Nota: Recomendo a leitura do Relatório da UNESCO “Repensar a Educação – Rumo a um bem comum global?” (2016)

(http://unesdoc.unesco.org/images/0024/002446/244670POR.pdf)

Alfredo Sá Almeida                                                                                 7 de Fevereiro de 2018

A ausência de Valores Humanos impede a Paz

Paz2

A Paz é, simultaneamente, um Valor Humano Individual e Coletivo. A Paz interior não deve estar dissociada da Paz no relacionamento em Sociedade, sob pena de desregular a boa harmonia social.

“Quando a paz diz respeito ao plano individual, em geral, faz referência a um estado interior despojado de sentimentos negativos como o ódio ou a fúria. Por sujeito em paz entende-se qualquer pessoa que esteja tranquila (ou de bem) consigo mesma e, por conseguinte, com os outros.” (https://conceito.de/paz)
“A nível político e para o direito internacional, a paz é a situação e relação mútua vivida por aqueles que não estejam em clima de guerra. Trata-se, nestes casos, de uma paz social, onde são mantidas boas relações entre comunidades de indivíduos.” (https://conceito.de/paz)

Vivemos num mundo global extremamente competitivo, agressivo, stressante, dominado pelo dinheiro, de compromissos inadiáveis, ausente de Valores Humanos, etc. Num ambiente desta natureza é inevitável um extremar de posições. Estes são os elementos fulcrais para a radicalização de posições e a busca de soluções pela força. A razão, a boa harmonia, a concórdia, a paciência e a quietude de ânimo acabam por se desvanecer.

Nem sempre, a ausência de Paz conduz à Guerra, mas conduz com maior probabilidade a um ambiente de guerrilha permanente. Este será bem mais desgastante e muito nocivo para uma Paz duradoura.

“O mundo está em guerra porque perdeu a paz” – Papa Francisco.
“Quando falo de guerra, falo de uma guerra de interesses, de dinheiro, de recursos, mas não de religiões. Todas as religiões querem a paz, são os outros que querem a guerra” – Papa Francisco.

Exemplos sobre a afirmativa do Papa Francisco existem muitos. Menciono apenas um (muito recente):
“ONU critica os cortes propostos pelo presidente Trump” (25 DE MAIO DE 2017)
(https://www.dn.pt/mundo/interior/proposta-orcamental-dos-eua-impede-manutencao-de-paz-pela-onu—porta-voz-de-guterres-8505330.html)
“Os cortes apresentados na proposta orçamental do presidente dos EUA para a Organização das Nações Unidas (ONU) vão impossibilitar as respetivas operações de manutenção de paz, alertou um porta-voz do secretário-geral, António Guterres.

O porta-voz Stéphane Dujarric, cujas declarações estão divulgadas em vários órgãos de comunicação internacionais, disse que “os números apresentados vão simplesmente impossibilitar a continuação do trabalho essencial da ONU relativo a promover a paz, o desenvolvimento, os direitos humanos e a assistência humanitária”.

O correspondente da BBC na ONU, Nick Bryant, realçou que este aviso da ONU é invulgarmente rude.”

Recordo aqui um excerto do Livro de Moacir Gadotti “Pedagogia da Terra” (Editora Peirópolis) sobre os equívocos nos processos que conduzem à Paz.

Sentido da Paz - Moacir Gadotti

Quantas vezes já ouviram afirmar “O melhor tempo para investir, é agora!”

No entanto, quando me perguntam sobre a implementação de uma Sociedade de Valor Humano, eu direi “O melhor tempo para a implementar, é sempre!”

Perante as questões anteriormente levantadas, podemos verificar que os Valores Humanos são essenciais para uma consolidação e sustentabilidade da Paz. Senão, vejamos os significados de Paz in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa (https://www.priberam.pt/dlpo/paz)

1. Quietação de ânimo.
2. Sossego, tranquilidade.
3. Ausência de guerra, de dissensões.
4. Boa harmonia.
5. Concórdia, reconciliação.
6. Paciência.

Estes são seguramente bons argumentos para uma Educação em Valores Humanos.

“Não sei por que as pessoas têm dividido o mundo inteiro em dois grupos, Ocidente e Oriente. A educação não é nem oriental nem ocidental. A educação é a educação e é o direito de cada ser humano”. – Malala Yousufzai.

Eu completo esta afirmativa de Malala Yousufzai. Os Valores Humanos são Universais, como tal não faz sentido dizer que uma Educação em Valores Humanos só será bem-sucedida no Ocidente.

A melhor Paz é aquela que vem de dentro, que se difunde naturalmente pela Sociedade e que é construída pelo Valor Humano, sem imposições de Governos ou das Instituições. “Só ‘desarmando’ o interior do Ser Humano, pela Educação em Valores Humanos, se atingirá uma Paz duradoura” – Angela Alem.

Alfredo Sá Almeida                                                                                      20 de Janeiro de 2018

O dinheiro não acrescenta Valor ao Homem!

Dinheiro no lixo

A meu ver, só os Valores Humanos acrescentam Valor ao Homem coadjuvados pelas Inteligências (Racional, Emocional, Social e Espiritual) e pelo Conhecimento. Se a estes importantes fatores adicionarmos o respeito pela Biosfera e pela Vida e uma Consciência vocacionada na vertente Coletiva, então teremos um Homem verdadeiramente integrado no seu habitat e com capacidades de Desenvolvimento Humano Sustentado.

Na realidade, o dinheiro – seja na forma física real ou na digital – com toda a sua componente financeira virtual não acrescenta qualquer Valor ao Homem.

Só a Educação e um sistema educativo bem ‘desenhado’ à dimensão do Homem é capaz de despertar o verdadeiro Valor Humano. Infelizmente os sistemas educativos, por esse mundo fora, estão muito ‘poluídos’ pelo que o dinheiro representa em sociedade.

  • O meu Leitor já imaginou a dimensão que a Educação e o sistema educativo poderiam adquirir se fossem considerados e tratados sem a influência do dinheiro?
  • Um Mundo onde TODOS teriam as mesmas oportunidades de aprender, conhecer e valorizar-se sem a influência do dinheiro?
  • Um Mundo onde o Valor Humano pudesse sobressair sem afrontar fosse quem fosse?

Para a grande maioria das Pessoas é difícil de compreender no imediato estas minhas afirmações e questões, mas se realizarem uma reflexão aprofundada sobre a matéria verão que o dinheiro só atrapalha o desenvolvimento pessoal e estrutural.

Aliás, o dinheiro físico (aquele em moedas e notas que circula de mão em mão) é a maior fonte de infeção microbiológica conhecida. Esta é uma realidade que deveria ser abandonada por todos os Países do mundo e não só pela Suécia – “Dinheiro pode sair de circulação na Suécia até 2030” (http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2016/04/160411_sociedade_sem_dinheiro_cw_rb). Só deveria ser utilizado dinheiro na forma eletrónica ou digital.

Infelizmente estas tendências, como a que se verifica na Suécia, não têm a ver com o fim do dinheiro como poder económico e financeiro, mas apenas por questões processuais das transações e economia formal na sua impressão (menos dinheiro físico em circulação). Felizmente têm a vantagem de acabar com o manuseamento e a transmissão da infeção microbiológica.

Um Mundo verdadeiramente sem dinheiro mas com muito Valor Humano será um novo Paradigma para o Homem. Este será um desafio para um Futuro Coletivo e sustentável do Homem na nossa Biosfera.

Alfredo Sá Almeida                                                                                5 de Novembro de 2017

O Mundo está a perder-se no labirinto que criou!

Ao longo da sua História o Homem e o individualismo criativo desenvolveram vários interesses e negócios dos quais não querem abrir mão para uma mudança em direção ao Futuro Coletivo e Sustentável. Criou, assim, uma rede intrincada na qual acabou por ficar enredado sem poder sair.

Uma miríade de interesses instalados que mina uma vontade coletiva de resolver por outros meios os problemas causados e o nocivo desgaste do bem-comum e da Biosfera. É esse emaranhado de interesses sem foco no futuro, muitos deles antagónicos, mas que se equilibram na estrutura, que eu chamo, conscientemente, de ‘Labirinto’ (mental, económico e social).

Dentro do grande Labirinto tridimensional desenvolveram-se vários cancros malignos:

• Crime organizado de toda a espécie;
• Tráfico de droga e de armas;
• Escravidão Humana;
• Terrorismo;
• Prostituição;
• Jogo;
• Etc.

Em resposta a esses cancros o Homem desenvolveu uma organização e estrutura de Justiça, Educação (mas que na realidade é apenas Ensino) e Segurança, que não só não se tornaram eficazes no combate ‘socio-oncológico’ como, em certa medida, contribuíram para o desenvolvimento canceroso.

Há aqueles que alimentam e fazem crescer o Labirinto, para se nutrirem dos seus resultados, dos seus efeitos sobre a sociedade, dos medos e ansiedades que provocam. Este é um instrumento de terror constante para satisfazer quem não consegue impor-se pelas suas capacidades e, portanto, não consegue convencer a consciência coletiva da razão.

O mundo tornou-se complacente, conformado e conivente com os cancros da sociedade. Prefere desculpá-los a eliminá-los.

A Sociedade evita dar prioridade aos Valores Humanos e à Liberdade com respeito e consideração pelo próximo, para desenvolver o rancor, a dissimulação e a inveja como instrumentos de animosidade e confrontação em vez do apoio e da solidariedade institucionalizada.

Acabamos por ver os incompetentes ‘cavalgarem’ nos resultados do labirinto, que ajudaram a alimentar, para se transformarem em salvadores dos interesses que instalaram.

Instalou-se a hipocrisia como cultura e a prepotência como vontade. O Homem escuda-se na Liberdade abstrata e sem Valor para impedir a introdução sustentada de Valores Humanos na Sociedade, com o argumento falacioso de impedir o desenvolvimento das Liberdades individuais. Ora, a soma de muitas Liberdades individuais não constrói uma Liberdade Coletiva.

Para destruir o Labirinto tridimensional criado pelo Homem só existe uma solução: – Colocar-se mentalmente do lado de fora dessa estrutura aprisionadora e permitir que se desenvolva o Ser Humano com Valor, liberto dos interesses instalados e focado no Futuro sustentável. Em simultâneo reconstruir a Sociedade com base nos Valores Humanos universais e instituir o bem-comum como princípio inabalável de desenvolvimento Humano.

Alfredo Sá Almeida                                                                                   18 de Outubro de 2017

 

Nenhuma provocação possui Valor Humano

Provocações1

Nos dias de hoje é muito frequente vermos, ouvirmos, sentirmos provocações de Pessoas, de Instituições, de Organismos ou de Países. Uma provocação pode ser entendida como um desafio, um repto ou um insulto. Pode ainda ter outras interpretações, como uma tentação, um incitamento ou uma aliciação.

Seja como for, é uma atitude deplorável que não possui qualquer Valor Humano. Os desafios ou os reptos têm caráter positivo e nunca devem assumir uma ‘forma’ provocatória. Não nos podemos esquecer que o Bullying normalmente começa com uma provocação.

Na dialética política e no comentário desportivo, entre outros, é muito frequente assistirmos a provocações mútuas entre forças adversárias. Mais grave ainda é assistirmos a comunicação ‘dita’ social a ‘dar voz’ e tempo de antena às mais diversas provocações, de várias origens. São insultos constantes à inteligência das Pessoas que estão a assistir às notícias ou aos programas.

A meu ver, estas atitudes representam uma enorme lacuna na Educação formal e Escolar. Não preparar os jovens a utilizar as suas capacidades e a evitar a utilização de todo e qualquer tipo de práticas provocatórias. Sobretudo, dar-lhes os meios para ganharem uma resiliência às provocações, não os deixando envolverem-se nessas práticas.
Criou-se indevidamente uma ‘cultura’ da provocação, com requintes maliciosos e doentios, de tal forma que se considera como normal algo que deveria ser abolido.

O que se verifica é uma determinação exacerbada de uns, julgando que condicionam a liberdade de outros com as suas atitudes provocatórias. Na realidade acabam produzindo mal-estar generalizado.

Poderá até haver quem considere que é um direito seu poder provocar o que e quem quer que seja, para seu belo prazer. Normalmente, quem assim pensa tem uma atitude irresponsável sobre as consequências dos seus actos.

Chega-se ao ponto de provocar os provocadores para daí tirar os devidos dividendos. Enfim, uma cascata de acontecimentos, própria de crianças irresponsáveis e sem acompanhamento de entidades arbitrais.

No limite, este é o grande problema que uma provocação pode desencadear – uma cascata de acontecimentos indesejáveis para todas as partes. Um avolumar de incompreensões, de mal entendidos e insultos que só poderão causar raiva e reações negativas, desprovidas de valor Humano.

Num mundo carente de Paz, compreensão e conjugação de esforços para um Futuro melhor, aceitar provocações é um erro que se pagará muito caro.

Fique calmo

“Se pretendemos mudar o mundo necessitamos de mudar o modo como ele funciona”

Alfredo Sá Almeida                                                                              16 de Setembro de 2017