Viver ou Sobreviver sem Valor Humano?

A vida do Homem tornou-se mais sofisticada e, apesar dos progressos civilizacionais e de uma convivência mais citadina, os Valores Humanos não acompanharam esses progressos na mesma proporção.

A sofisticação dessa vida civilizada e citadina do Homem não lhe confere uma maior capacidade de sobrevivência. Mas também não lhe acrescenta uma melhor capacidade de relacionamento civilizacional.

A ausência acentuada de Valores Humanos na Educação formal tornam o Homem mais vulnerável em situações de grandes catástrofes naturais ou artificiais.

De acordo com todas as estimativas da ONU, OCDE e outras Organizações Internacionais, indicam com elevado grau de probabilidade que em 2030, 60% da população mundial de 8,2 biliões de Seres Humanos, viverá em cidades (megacidades). Esta probabilidade tem tendência para aumentar. Em 2050 a estimativa de vivência em megacidades aumentará para 70%, sendo que nesse ano rondaremos os 10 biliões de habitantes no planeta.

Se a vida em grandes Cidades pode trazer ao Homem maior segurança e maior acesso aos elementos civilizacionais (energia, água, alimentos, cultura, educação, higiene, segurança, ordem, tecnologias de comunicação, etc.), em casos de grandes catástrofes torná-lo-á mais vulnerável e com menor capacidade de sobrevivência prolongada.

É precisamente na situação de sobrevivência que a ausência de Valores Humanos fará toda a diferença para pior. Neste caso, será que nos diferenciaríamos dos animais selvagens?

A meu ver, os Governos e as Organizações Internacionais não tomaram em devida consideração, nos seus planos de contingência para grandes catástrofes globais, a ausência generalizada de Valores Humanos.

Senão vejamos o que acontece atualmente nas megacidades (Tóquio, Delhi, São Paulo, Bombaím, México, Nova Iorque, Xangai, Calcutá, Dhaka, Karachi, Buenos Aires, Los Angeles, etc.) onde existem grandes ‘bolsas’ de pobreza e carências de toda a ordem. O conjunto das 12 Cidades mais populosas do mundo representam mais de 220 milhões de habitantes.

Em situação de funcionamento ‘normal’ o equilíbrio civilizacional mantem-se, apesar das lacunas organizacionais. Mas em caso de grandes catástrofes esse equilíbrio será colocado em risco e a ausência de elementos civilizacionais e citadinos, incluindo Valores Humanos, tornará muito difícil a sobrevivência prolongada das Populações.

Imaginemos agora que a vida dessas grandes Cidades mundiais seria regida pelos princípios do Valor Humano, que venho defendendo nos textos deste meu Blogue. Neste caso, a presença generalizada de Valores Humanos nos elementos dessas Populações (solidariedade, compaixão, empatia, bem comum, cidadania, amizade, civilidade, consciência, dignidade, humanismo, justiça, etc.) seguramente que diminuiria os efeitos nocivos da pós-catástrofe.

Se assim é, de que estamos à espera para implementarmos os princípios que nos fazem bem em qualquer situação?

Alfredo Sá Almeida                                                                      17 de Junho de 2017

A Violência é um grande negócio!

ViolênciaViolência1

Como queremos NÓS construir a PAZ quando a violência é um grande negócio? Esta é uma triste realidade do mundo global de hoje que destrói VIDAS e muitas boas vontades de estabilidade política e militar.

Existem líderes de Países que são capazes de manter um Estado pouco pacífico e uma atitude beligerante para lucrarem com o negócio de armamento. E, torna-se fácil, basta ‘inventar’ uma escaramuça para acender o rastilho da violência.

Recentemente veio a público o relatório de 2017 “Global Peace Index – Measuring peace in a complex world” (http://visionofhumanity.org/app/uploads/2017/06/GPI-2017-Report-1.pdf) produzido pelo Institute for Economics & Peace, que mostra bem o que se passa a nível mundial nesta matéria.

Não há modo de contornar este problema. É um negócio caro, arrasador de vidas e não é necessário investir em Educação. Torna-se fácil, numa ausência total de Valores Humanos, manter um Estado pouco pacífico. E, mais grave é que os Países mais pacíficos podem criticar e insurgirem-se na comunidade das Nações, que não resolvem nada, pois quem produz as armas continuará a vender e a fazer negócio com esses Países.

Ninguém tem vergonha na cara, nem escrúpulos políticos nem sociais, porque o negócio é lucrativo.

De acordo com a notícia veiculada pelo Jornal Económico, em 10 de Junho de 2017, “O preço da violência: impacto global é de 12,6% do PIB mundial” (http://www.jornaleconomico.sapo.pt/noticias/o-preco-da-violencia-impacto-global-e-de-126-do-pib-mundial-170147) podemos verificar a dimensão deste negócio que daria para RESOLVER a grande maioria dos problemas de educação e pobreza a nível mundial.

Assim, de acordo com esta notícia o “Impacto económico global da violência corresponde a 1,95 dólares por pessoa. Custo económico médio 35% superior nos dez países menos pacíficos face aos dez países mais pacíficos.”

Agora percebemos a grande hipocrisia que vinga quer a nível político como social, nesta Sociedade Global.

“Os gastos militares representam a maior fatia dos custos (5,62 biliões de dólares), seguido pelos gastos com a segurança interna cujos custos globais ascendem aos 4,92 biliões de dólares. Já as perdas com crimes representa 2,57 biliões de dólares e as perdas com conflitos armados, 1,04 biliões de dólares.

O custo económico médio da violência foi equivalente a 37% do PIB nos dez países menos pacíficos face a apenas 3% nos dez países mais pacíficos.” (http://www.jornaleconomico.sapo.pt/noticias/o-preco-da-violencia-impacto-global-e-de-126-do-pib-mundial-170147)

E poderíamos somar o valor dos negócios dos filmes violentos, dos jogos para computador e consolas com características de violência, etc. Estes são apenas os ‘aperitivos’ antes dos verdadeiros atos de violência.

Resumindo, são gastos 14 biliões de dólares neste negócio. Adivinhem quem paga a fatura?

O mais grave de tudo isto é que quem defende a Paz fá-lo com altruísmo, voluntarismo, consciência e inteligência, na grande maioria das vezes sem ganhar dinheiro com o que faz. Enquanto quem negoceia em armas e as utiliza para lançar o caos, agressão e violência o faz por maldade e ainda lucra com a sua atitude e comportamento. Onde está a igualdade de oportunidades nesta matéria? Vislumbram alguma vontade da comunidade das Nações acabar com este negócio? Todo o mundo enche a boca de palavras de PAZ, mas atos concretos NADA!

Assim vai o mundo dos Valores Humanos de Homens sem Valor. Agora poderão entender melhor porque defendo uma Sociedade de Valor Humano.

Violentómetro

Alfredo Sá Almeida                                                             11 de Junho de 2017

Questões sobre a vida em Sociedade.

Future of Society

Como os meus Leitores sabem, tenho vindo a defender uma mudança de paradigma da sociedade atual para uma sociedade de Valor Humano.

Numa Sociedade desta natureza o valor monetário deixará de existir por incompatibilidade estrutural e conceptual. Não sou o único a propor uma mudança tão profunda, nem de algum modo sou inovador na matéria de acabar com o dinheiro.

Aliás, a grande mudança de paradigma que proponho está no destaque do Valor Humano e na sua preponderância. O fim do valor monetário é apenas uma consequência acessória.

Jacque Fresco, um Americano Futurista falecido recentemente com 101 anos, autor do projeto Venus (https://www.thevenusproject.com/), “foi um autodidata projetista industrial, engenheiro social, escritor, professor, futurologista, inventor que trabalhou numa grande variedade de áreas desde inovações biomédicas a sistemas sociais totalmente integrados. Ele acreditava que suas ideias beneficiariam um maior número de pessoas e dizia que algumas de suas ideias vieram dos anos de sua formação durante a Grande Depressão.” (https://pt.wikipedia.org/wiki/Jacque_Fresco)

“Um dos temas principais de Fresco é seu conceito de uma economia baseada em recursos que substitui a necessidade da economia monetária orientada para a escassez, que temos atualmente. Fresco argumenta que o mundo é rico em recursos naturais e energia, e que – com a tecnologia moderna e a eficiência – as necessidades da população global podem ser atendidas com a abundância, e ao mesmo tempo remover as limitações atuais de que o que é considerado possível devido às noções de viabilidade económica.” (https://pt.wikipedia.org/wiki/Jacque_Fresco)

“In a Resource Based Economy the main focus is on the people and the environment. Producing a high standard of living for all human beings on Earth while restoring, preserving and enriching the environment around them requires the use of science and technology and also requires a higher degree of efficiency.” (https://www.thevenusproject.com/)

O Valor Humano que defendo não é baseado numa moralidade ultrapassada nem restritiva, ou aprisionadora, do Ser Humano. Mas tem em consideração as atitudes e comportamentos do Homem em Sociedade, de modo a conferir-lhe um dinamismo filosófico, psicológico e um aperfeiçoamento constante, que lhe permitam uma confiança fundada num Futuro melhor para TODOS, onde os princípios éticos e o humanismo estejam sempre presentes. É um Valor Humanista onde se encontram a Inteligência, a Consciência e o Futuro Coletivos em harmonia com a sustentabilidade da Biosfera. Os Valores que defendo não são crenças como Jacque Fresco os comparava frequentemente (*). São intrínsecos ao Homem com acesso a uma Educação de qualidade, e, bem orientada por profissionais competentes. Esses Valores estão fundamentados nos Valores Humanos que caracterizam a nossa espécie.

Aliás a Sociedade de Valor Humano que defendo é sustentada em quatro pilares essenciais: O Ser Humano; os Valores Humanos; a Educação de qualidade para todos; e, a sustentabilidade da Biosfera.

Deste modo, convém questionarmo-nos sobre o rumo que a Sociedade atual está a tomar e quais as consequências que esta poderá ter no Futuro do Homem.

Torna-se plausível perguntarmos:

  • Poderá o Homem e a Sociedade civilizada sobreviver sem dinheiro?
  • Poderá o Homem e a Sociedade civilizada sobreviver sem Valores Humanos?

As respostas afiguram-se-me óbvias. Se assim o consideram, então esses Valores não são de forma nenhuma crenças são elementos estruturantes da personalidade e do caráter do Ser Humano.

A Civilização atual e o fenómeno crescente da Globalização estão em sérios riscos de colapsar, qual Império Romano do passado. Os riscos que o conduziram ao colapso são muito semelhantes aos da atualidade.

O Homem evoluiu pouco como Ser Humano em 2000 anos de história. O saber e o conhecimento evoluíram muito, assim como tecnologia. Os processos civilizacionais acompanharam essa evolução mas a sabedoria do Homem não. Os erros estruturais do passado ancestral mantêm-se como marcas genéticas difíceis de desvanecer.

  • Estará o Homem preparado para uma Civilização Global e planetária?
  • Conseguirá o Homem construir essa Civilização Global em Paz duradoura, com um Futuro promissor?

São estas questões que cada um de nós deverá saber responder em profundidade e saber dar corpo, sem atropelos, mas com determinação, conhecimento, inteligência e consciência coletivas, em harmonia com a única Biosfera que habitamos.

Alfredo Sá Almeida                                                                                  5 de Junho de 2017

Nota (*) – “The most striking difference between a Resource Based Economy and any other system that has gone before is that it prepares people for the changes that lie ahead. Change is not something that most people accept easily, especially when it comes to values or beliefs, which they have had for a long time. Sometimes, the emotional investments in those values or beliefs are so great that people cannot accept the notion of change. This detrimental practice has facilitated the conscious withdrawal of efficiency in so many aspects of life.” (https://www.thevenusproject.com/)
“The moral standards of past generations do not offer solutions for present social challenges. It is not enough to label people ‘good’ or ‘bad’ anymore as we know that environmental factors largely determine their behaviour.” “Morality has always been based on limited efforts to control society based on the tools of the time. Morality was very rarely based on conditions in the real world, and this makes it detrimental and full of contradictions which can be surpassed through our proposal of Functional Ethics. The methods of science can be used to determine a functional morality and this exercise will demand that we re-evaluate our entire notion of what makes us human.” (https://www.thevenusproject.com/)

Voltando à dimensão da Liberdade – Pensamentos.

Ser Livre

Dar corpo à Liberdade.

  • As consequências da sua utilização só poderão ser positivas, caso contrário não é Liberdade.
  • A Liberdade que cada Ser Humano dá corpo contribui para definir a Pessoa.
  • A Liberdade de cada UM não tem uma dimensão infinita mas o seu pensamento e consciência podem ultrapassar várias dimensões, quando se transformam em criatividade e inovação.
  • Qual é a dimensão da sua Liberdade? Se ela não pode ser infinita, em que dimensão você está envolvido?
  • Se a Liberdade é um Valor Humano como justifica a sua utilização para dar corpo a Antivalores?
  • A Liberdade como o Amor são Valores primordiais do Ser Humano. Como é possível o Homem permitir que esses Valores sejam utilizados para fazer o MAL?
  • Nenhum Valor Humano é um Valor absoluto. É sempre relativo a um Ser da nossa comunidade.
  • Se até a Vida Humana tem limites, como é possível não compreender que um determinado Valor Humano não os tenha? A dimensão pode ser enorme se o Coletivo os alargar. No entanto, o Homem não poderá esquecer o equilíbrio dinâmico da Vida da Comunidade.

Alfredo Sá Almeida                                                                        20 de Maio de 2017

A Sociedade atual e a dimensão da Liberdade

Sociedade Doente

A Sociedade atual tem-se desenvolvido nas últimas décadas como um Paradigma ‘canceroso’ onde a Liberdade dos Cidadãos, em vez de servir constantemente as boas práticas de cidadania, acaba destruindo os Valores Humanos que nos deveriam caracterizar.

O ritmo exacerbado de desenvolvimento, em todos os domí­nios do saber, a que a sociedade tem estado submetida, traduz a ansia de liberdade e conhecimento dos Povos oprimidos nas décadas passadas. As ‘explosões’ de criatividade, investigação, expressão cultural, desenvolvimento tecnológico e inteligência racional, deixaram para segundo plano (e em muitos casos, para terceiro e quarto planos) o desenvolvimento humano, social e emocional das comunidades e da Sociedade.

O desenvolvimento humano tem acrescentado ao Coletivo aspetos muito positivos, mercê sobretudo do desenvolvimento tecnológico, mas as componentes Sociais, Educacionais e de consolidação de Valores Humanos têm perdido rumo e caráter pela velocidade que foi impressa no desenvolvimento desequilibrado.

Os sistemas polí­ticos e financeiros são os grandes responsáveis pela permissividade instituí­da, que invadiu negativamente os sistemas educacionais, judiciais e de valores de uma Sociedade com personalidade e caráter Humanos. Os Cidadãos acabaram sendo ‘arrastados’ para decisões, escolhas ou opções pouco ponderadas e de baixo valor social acrescentado, minando as estruturas do paradigma instalado, tornando-o num paradoxo ‘canceroso’.

Dirão os meus caros Leitores que a Liberdade é um Valor primordial e que compensa todos os riscos no desenvolvimento. Eu direi: convêm esclarecer convenientemente esta matéria de considerar a Liberdade como Valor primordial desenraizada dos outros Valores!

A meu ver a Liberdade como Valor essencial e prioritário só faz sentido se estiver inserida no contexto dos outros Valores Humanos. É por essa razão que se torna primordial. Caso contrário, acabamos assistindo a fenómenos, numa Sociedade que se pretende saudável, de desenvolvimento de núcleos malignos que acabam destruindo TUDO – os Valores Sociais e a LIBERDADE. O mais grave é que a degradação social pode atingir patamares tão baixos que se torna difí­cil recuperar, com saúde, o ‘doente’. Esta acaba sendo o resultado de uma permissividade doentia e carente de Inteligência (racional e emocional). Se adicionarmos a esta permissividade doentia, uma Educação carente em Valores Humanos, então teremos um ‘corpo’ agressivo numa Sociedade em decadência.

Não é de estranhar que tenhamos assistido a um aumento vertiginoso da corrupção, da ganância, da arrogância, da prepotência e de muitas outras caracterí­sticas humanas negativas (Antivalores), que acabam proliferando num ‘terreno’ onde os Valores Humanos estão ausentes.

A Sociedade acaba sofrendo, e muito, com este estado de coisas. Infelizmente os exemplos das consequências são muitos. Senão vejamos, o aumento significativo de casos de:

  • Depressão;
  • Suicí­dio;
  • Doenças do foro emocional;
  • Stress;
  • Consumo de drogas;
  • Agressividade violenta;
  • Bullying;
  • Alheamento social;
  • Inteligência maligna;
  • Desequilí­brios mentais; etc.

Resultado, uma Sociedade doente sem perspetivas de melhoras. O intrincado de casos é tão acentuado e denso que organismos sociais saudáveis não conseguem recuperar o ‘paciente’ sem que o ‘tratamento’ seja completo e sistemático, tí­pico de um paciente com ‘cancro’.

Será necessário uma mudança profunda de paradigma, minimizando os paradoxos, com um aumento significativo das Consciência e Inteligência Coletivas, dos Valores Humanos e uma Educação de qualidade para TODOS os Seres Humanos deste Planeta.

Ser Humano doente

Alfredo Sá Almeida                                                                                 13 de Maio de 2017

Educar a Vontade e/ou educar a Paciência

Vontade

A nossa vida começa com um grito de Liberdade quando nos retiram da barriga da nossa Mãe.

Todos nós sabemos que desde crianças temos um sentido de posse muito afinado que vai sendo moldado, e bem, pelos Pais para não nos tornarmos possessivos desequilibrados quando adultos. Esses princípios educacionais que nos são dados não representam uma perda de Liberdade em si (a não ser que as imposições sejam desequilibradas), mas sim uma orientação de como devemos conduzir e gerir os nossos desejos para conseguirmos realizar os nossos sonhos ao longo da vida.

Infelizmente muitos Pais não dão aos seus filhos essas orientações preciosas e acabam por ‘mimar’ demasiado, desequilibrando a sua vontade quando adultos. Muitos tornam-se possessivos e irascíveis.

A meu ver o conceito de Liberdade é demasiado amplo para ser abalado por princípios orientadores e condutores ao longo da vida. Normalmente esse conceito/sentimento vem acompanhado de inteligência e determinação assertiva o que nos ajuda a viver bem em sociedade. Liberdade não deve nunca transformar-se em ‘libertinagem’ sob pena de desvirtuarmos um Valor primordial.

É nesta dimensão que a Vontade se encaixa e se pode descontrolar, produzindo sérios estragos de personalidade e caráter. Significa isto que a educação escolar deverá transmitir orientações preciosas aos alunos, sob a forma de Valores, que poderão ficar enraizados positivamente para a vida.

Um desses Valores é o da Ética. Relembro aqui um ensinamento de Mário Sérgio Cortella a este respeito, “Ética é o conjunto de valores e princípios que usamos para responder a três grandes questões da vida:

  • Quero?
  • Devo?
  • Posso?

Nem tudo que eu quero eu posso; nem tudo que eu posso eu devo; e nem tudo que eu devo eu quero. Você tem paz de espírito quando aquilo que você quer é ao mesmo tempo o que você pode e o que você deve.”

Se conseguirmos transmitir aos nossos filhos e aos nossos alunos este nobre princípio estaremos a beneficiar duplamente a nossa Sociedade. Por um lado, produzindo Cidadãos mais equilibrados e por consequência uma Sociedade mais ética e correta.

A paz de espírito que nos fala Cortella é uma realidade que acaba por se refletir na gestão paciente dos acontecimentos. Isto porque toda a vida tem um ritmo e a interação com outros Seres exige uma boa gestão dos ritmos de vida em Sociedade. Daqui resulta um outro Valor fundamental que acaba por traduzir-se em Paciência.

Todos nós sabemos onde a impaciência nos pode conduzir, seja a nível Pessoal ou quando temos uma responsabilidade de gestão empresarial ou pública.

Costumamos dizer, e com razão, ‘saber esperar é uma virtude’. Pois normalmente a paciência é compensadora. Quando bem gerida dá resultados muito animadores.

Paciência

Alfredo Sá Almeida                                                                              30 de Março de 2017

O Paradigma da Sociedade atual é um Paradoxo – Pensamentos

  • Paradigma é um modelo ou padrão a seguir. São as normas orientadoras de um grupo que estabelecem limites e que determinam como um indivíduo deve agir dentro desses limites. (https://www.significados.com.br/paradigma/)
  • Paradoxo é o oposto do que alguém pensa ser a verdade ou o contrário a uma opinião admitida como válida. Um paradoxo consiste em uma ideia incrível, contrária do que se espera. Também pode representar a ausência de nexo ou lógica. É portanto uma ideia lógica que transmite uma mensagem que contradiz a sua estrutura. (https://www.significados.com.br/paradoxo/)
Mudar

Quase todos querem mudar, mas ficam na expectativa que algo mude à sua volta sem fazerem um esforço determinante para uma mudança efetiva. Relegam para segundo plano a construção de um caminho coletivo coerente e de maior Felicidade. Um clima de Paz duradoura contribuiria para um significativo aumento da realização de sonhos Pessoais ou Coletivos e, consequentemente, em mudanças efetivas e não efémeras.

Na ausência desse clima, torna-se evidente um sentimento de impotência na transformação para um novo Paradigma. A mente Humana, seja em estado aprisionado ou livre e criativa, tem muita dificuldade em não sentir frustração na mudança. Esta deveria ser um processo pacífico e saudável mas as opiniões contraditórias são jogadas com muita truculência ou agressividade.

A Sociedade atual vive mergulhada num modelo de vida que se tornou um absurdo e que muitos dos seus membros sofrem de depressão pelo ritmo em que se deixaram envolver, por não corresponder ao que desejam para si ou para os seus pares.

Procuram constantemente a Felicidade com uma Liberdade mitigada e deficiente. Aliás, a vivência em ambiente de Valores Humanos seria o condicionalismo mais saudável da Liberdade. A Felicidade, a Liberdade e o Dinheiro possuem uma conjugação de difícil resolução em carência de Valores Humanos.

A interligação formada pelo Homem, a Biosfera e a sustentabilidade da Vida é uma equação de resolução complexa por vontade do Homem.

A carência de Consciência e Inteligência Coletivas é uma das grandes responsáveis pelas orientações erradas no desenvolvimento Humano. O progresso civilizacional está desequilibrado pelas múltiplas opções contraditórias geradas pela desigualdade social e financeira.

O Homem tem dificuldade em admitir os danos irreversíveis que tem causado ao ambiente e à Biosfera, seja por ignorância, vontade descontrolada, ganância ou descoordenação de decisões. O espírito possessivo do Homem transbordou para o universo intangível dos valores.

Humans

O aperfeiçoamento constante do Ser Humano e do seu Valor, as melhorias contínuas da sua qualidade de Vida integrada na Biosfera e os processos inovadores facilitadores de sustentabilidade, correm o risco de se tornarem miragens evolutivas.

O Homem deveria dar prioridade na construção da coerência na sua realidade civilizacional e no relacionamento da Sociedade Global, não se dispersando com ideias megalómanas avulsas de um pseudo desenvolvimento.

O advento da introdução da Inteligência Artificial, sob a forma de robots, na Sociedade de Humanos tem muita probabilidade de se tornar desastrosa pelo acréscimo de contradições e carência de Valores Humanos.

O mesmo se passa com a introdução desenfreada da realidade virtual no mundo conturbado da consciência Humana. A alienação mental é o processo que poderá resultar, degradando ainda mais a convivência em Sociedade.

Uma boa reflexão sobre os pensamentos aqui transmitidos poderá ajudar a uma boa mudança de Paradigma. Este novo Paradigma deveria ser mais coerente que o anterior e, sobretudo, mais consistente com o Valor Humano.

Alfredo Sá Almeida                                                                                      28 de Março de 2017