Já parou para refletir sobre os problemas do Mundo?

Alerta

Sim! A questão que lhe coloco é legítima. Você, meu caro Leitor, é um Cidadão do Mundo. Cada dia que passa, este Mundo está mais globalizado e tem imensos problemas, muitos deles colocados e da responsabilidade de Pessoas como nós.

Não tem tempo? Não acredito! Você tem tempo para tanta coisa!

Não quer saber? Como não quer saber! Nós só temos este Planeta Terra! Esta é a nossa casa!

Os problemas do mundo são de uma dimensão demasiada para si? Todos os problemas têm uma solução e podem ser subdivididos em parcelas mais pequenas, para serem resolvidos passo a passo e com determinação!

Não tem conhecimentos suficientes para se inteirar desses problemas? Uma boa parte do conhecimento do Homem, e de tudo o que desenvolveu, está disponível na Internet ao seu alcance! É apenas uma questão do seu interesse em colaborar!

Não conhece ninguém que o possa ajudar nessa matéria? Naquilo que me for possível eu poderei ajudá-lo ou orientá-lo!

Nunca tinha pensado na importância dos Valores Humanos para ajudar a resolver os problemas do mundo? É nesta matéria que eu entro e tenho à sua disposição dezenas de textos neste Blog sobre o Valor Humano e tudo o que lhe diz respeito!

Cada um de nós tem um potencial enorme na resolução dos problemas do mundo! Basta querer! Se interessar! Envolver-se na sua resolução: a) escrevendo sobre as suas ideias; b) participando em Grupos temáticos específicos; c) reclamando a quem de direito, com conhecimento de causa; d) não dando crédito a quem não o merece; e) valorizando e apoiando quem demonstra ter capacidade de resolução de problemas; f) aprofundando sobre as matérias problemáticas que mais o influenciam; g) etc.

Ficar parado sem fazer nada, não é solução. A não ser que prefira confiar em alguns líderes mundiais que não estão interessados em resolver problema nenhum, mas apenas em criar mais uns quantos. Ser Cidadão do Mundo é isto mesmo! É não se conformar, não aceitar muitas das soluções que esses líderes querem impor, insurgir-se contra a ‘tirania’ do modelo de globalização atual! É construir novas soluções para o Futuro Coletivo.

Lembre-se que a sua indiferença é um PROBLEMA para o Mundo Global, inclusive para si.

Alfredo Sá Almeida                                                                           2 de Novembro de 2017

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A degradação dos Valores Humanos e a época da pós-verdade

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“A divulgação de notícias falsas para manipular a opinião pública e reforçar crenças pessoais se disseminou com a ajuda da internet e das redes sociais.
Numa época em que as crenças importam mais do que a realidade, a disseminação de notícias falsas ganha terreno, impulsionada pela internet e pela polarização política.”Fabio Sasaki “Resumo Atualidades: A era da pós-verdade” (https://guiadoestudante.abril.com.br/blog/atualidades-vestibular/resumo-atualidades-a-era-da-pos-verdade/#respond)

Neste resumo informativo, o seu autor Fabio Sasaki introduz um conjunto de perguntas/respostas fundamentais para entender este tema da pós-verdade. Assim:

• O que é pós-verdade?
Segundo o Dicionário Oxford, a pós-verdade refere-se “a circunstâncias nas quais os factos objetivos têm menos influência em moldar a opinião pública do que apelos à emoção e a crenças pessoais”.

• Quais eventos ajudaram a popularizar o termo?
A eleição de Donald Trump nos EUA e o Brexit foram influenciados pela divulgação de notícias falsas. Muitos eleitores não ligavam para a veracidade das informações, desde que concordassem com elas.

• Como as notícias falsas são disseminadas?
As notícias falsas vêm ganhando maior repercussão devido à internet. Pelas redes sociais, um boato ou uma mentira podem ser replicados para milhares de pessoas, de forma rápida e em tempo real.

• O que o Facebook tem a ver com a pós-verdade?
No Facebook, os conteúdos mais curtidos e compartilhados têm maior alcance e disseminação, não importando se é uma notícia real ou uma informação falsa.

• O que são bolhas virtuais?
Quando as pessoas compartilham apenas informações que confirmam suas crenças, elas se isolam em um ambiente restrito (as bolhas virtuais), sem contato com pessoas que pensam diferente delas.

• Como o Facebook estimula a formação de bolhas virtuais?
Por meio do histórico de navegação, o feed de notícias do Facebook traz mais informações que combinam com seu ponto de vista e reforçam suas crenças, reduzindo o alcance de ideias divergentes.

• Como a polarização ideológica estimula a pós-verdade?
Um quadro de radicalização política ajuda a difundir notícias falsas. Para disseminar sua visão de mundo, muitas pessoas compartilham informações sem se preocupar com a veracidade ou verificar a fonte.

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Infelizmente, a manipulação da informação, os boatos, as notícias falsas e as mentiras sempre se difundiram em todos os meios de comunicação social. Mas atualmente, com a ‘explosão’ do uso da internet, das redes sociais e dos smartphones, este fenómeno ganhou outra dimensão e o que não faltam são internautas com poucos Valores Humanos e uma avidez de ‘curtidas’ no seu post. Estes internautas valorizam mais o acréscimo da audiência em detrimento da qualidade da informação difundida.

Esta nova realidade justifica um processo educativo específico onde:

  1. O conhecimento;
  2. O pensamento crítico;
  3. Os Valores Humanos;

Devem ganhar dimensão. Estas 3 vertentes fazem cada vez mais sentido transformar numa realidade educativa permanente.

Por outro lado, não podemos deixar de considerar que “Durante décadas TODA a Comunicação Social (Jornais, Revistas, Rádio, TV, Internet) tem praticado um modelo comunicacional baseado na satisfação dos desejos primários dos seus Leitores, Ouvintes, Telespectadores e Internautas, do que mais gostariam de ler, ouvir e ver comunicado. Tudo para venderem muita publicidade. Precisamente durante essas décadas de informação orientada para o ‘consumidor’, a Escola passou a ser menos exigente com a Cidadania e os Valores Humanos. O resultado desta conjunção de realidades verifica-se todos os dias em Sociedade. Tem sido uma deseducação continuada e uma aparente Liberdade de comunicação e expressão. Mas a LIBERDADE é um Valor demasiado importante para produzir tão maus resultados! A meu ver, é uma interpretação errónea da Liberdade de expressão, pois era suposto produzir efeitos sociais benéficos.

Programas como Reality Shows, Novelas, Filmes violentos, Notícias ‘Cor-de-rosa’ escabrosas, Notícias ‘bombásticas’, Jogos violentos, etc., têm sido os ‘Reis’ das audiências para TODAS as idades indiscriminadamente. Todos estes programas vendem muita publicidade mas produzem muita (mas muita mesmo) deseducação instantânea, e tornam ainda mais difícil uma Educação correta em Valores Humanos.”Alfredo Sá Almeida in “Comunicação Social sem Responsabilidade Social” (https://saalmeida.wordpress.com/2017/02/02/comunicacao-social-sem-responsabilidade-social/)

“Como afirmava Eduardo Galeano, o mundo está dividido entre os indignados e os indignos. Mas não são apenas indignos os que submetem à sua vontade os outros Seres Humanos. São desumanos, interesseiros, sem escrúpulos, arrogantes e muitos outros adjetivos pouco abonatórios da espécie Humana.

Pois bem, a verdade é que os valores de quem é indigno não possuem a mesma dimensão dos Valores dos Indignados. Por outro lado, e esta é uma razão numérica, os indignos são em menor número que os indignados. Sendo assim só resta aos indignados ‘dominados’ libertarem-se de vez dos valores que os indignos valorizam.

Se tivermos a sabedoria de consolidar os Valores Humanos como valores dos indignados, então tornar-se-á mais difícil algum dos indignos conseguir dominar os outros Seres Humanos. Mas também saber rodear-se dos mecanismos de defesa que não permitam o retorno à situação de indigno.

Veem-me à ideia as palavras de Vergílio Ferreira “Não é por causa dos outros que somos o que somos: é sempre por causa de nós”. Saibamos assim assumir e interiorizar as mudanças que nos conduzem a Seres com Valores Humanos.

Se é verdade que vivemos momentos difíceis e de mudança estrutural, aproveitemos a ocasião para derrubar os ‘muros’ que nos transformam em indignos, e, de indignados passemos a ser uma espécie construtora de futuros prolongados e Humanos. Saibamos assumir de uma vez por todas a nossa razão de ser, Humanos com Valor num mundo sustentado por nós.”Alfredo Sá Almeida in “O Homem e o Futuro” (2013).

Vou deixar o meu Leitor com a minha interpretação de Verdade e permitir-lhe uma reflexão sobre o tema que introduzi.

“A Verdade é o resultado do encontro no tempo, e em equilíbrio dinâmico, entre a Coerência, a Razão e a Justiça.”Alfredo Sá Almeida

Alfredo Sá Almeida                                                                         25 de Outubro de 2017

Valores Humanos versus Religiões

worlds-religionsEste texto tem por finalidade transmitir aos meus Leitores a minha interpretação sobre esta matéria.

Sobre as Religiões e os Valores Humanos

É meu objetivo traduzir de forma simples, matéria algo complexa, para que não existam confusões entre estes dois importantes referenciais. (Recomendo uma leitura de um artigo muito interessante da Dr.ª Ana Paula Pedro “Ética, moral, axiologia e valores: confusões e ambiguidades em torno de um conceito comum” – Kriterion (vol.55 no.130 Belo Horizonte Dec. 2014) (http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-512X2014000200002))

A meu ver, para se ‘abraçar’ uma Religião é essencial ter fé no Deus ou Divindade respetiva e respeitar os princípios e valores específicos da religião em causa. Portanto a Fé é um Valor indispensável numa Religião. Outro aspeto a ter em consideração é o da espiritualidade. Uma Religião está imbuída de uma espiritualidade específica que a Pessoa sente e aceita.

Por outro lado, a cada Religião corresponde uma cultura própria, relativa à região do mundo onde essa Religião nasceu e se desenvolveu. Ora, de acordo com a definição genérica formulada por Edward B. Tylor, cultura (https://archive.org/stream/primitiveculture01tylouoft#page/n17/mode/2up) é “todo aquele complexo que inclui o conhecimento, as crenças, a arte, a moral, a lei, os costumes e todos os outros hábitos e capacidades adquiridos pelo homem como membro da sociedade”.

Religion_distribution

(https://pt.wikipedia.org/wiki/Principais_grupos_religiosos)

Temos ainda de considerar que dentro de cada Religião existem diferentes vertentes. Por exemplo, na Religião Cristã: o Catolicismo Romano (subordinado ao Papa), a Ortodoxa Oriental (se dividiu da Igreja Católica em 1054 após o Grande Cisma) e o Protestantismo (que surgiu durante a Reforma do século XVI). O Protestantismo é dividido em grupos menores chamados de denominações. No entanto, apesar das divergências o sistema de Valores Humanos é semelhante.

Como já tive oportunidade de escrever num texto anterior (“Os Valores Humanos, os Antivalores e os Desvalores” – (https://saalmeida.wordpress.com/2015/03/30/os-valores-humanos-os-antivalores-e-os-desvalores/)) sobre o Valor Humano é o facto de este ser intrínseco ao Ser Humano e independente da religiosidade assumida pela Pessoa. “Os princípios do Valor Humano são comuns a todas a Religiões, não podendo, portanto, confundir-se com estas. Por outro lado, a fé num Deus não acrescenta nem retira Valor Humano a uma Pessoa. São as atitudes e comportamentos em Sociedade, bem como o estatuto de coerência com a Pessoa em questão, imbuída de determinados Valores, que determina o Valor Humano em causa.”

O mesmo se passa com as nuances culturais, em determinadas regiões do globo. Os Valores Humanos nessas Regiões estarão em consonância com a Cultura dessa Região.

Não nos podemos esquecer, também, que as religiões são seculares e não ‘nasceram’ todas ao mesmo tempo. Para o efeito recomendo a consulta de duas páginas da Wikipédia: 1) “Lista de religiões e tradições espirituais” (https://pt.wikipedia.org/wiki/Lista_de_religiões_e_tradições_espirituais); 2) “História das religiões” (https://pt.wikipedia.org/wiki/História_das_religiões).

Um dos grandes problemas do mundo atual está no facto de, em muitos casos, uma Pessoa religiosa não ser capaz de vislumbrar as semelhanças entre os Valores específicos da sua Religião e os Valores Humanos Universais. Mas uma coisa é certa, os Valores Humanos podem ter influência no compromisso religioso (recomendo uma leitura do artigo “A Influência dos Valores Humanos no Compromisso Religioso” de Walberto Silva dos Santos, et al. – Psicologia: Teoria e Pesquisa (Jul-Set 2012, Vol. 28 n. 3, pp. 285-292) (http://www.scielo.br/pdf/ptp/v28n3/a04v28n3.pdf))

Outro aspeto a ter em linha de conta é o facto de nem todas as Pessoas aceitarem uma religiosidade. Estou a falar do Ateísmo (num sentido amplo, é a ausência de crença na existência de divindades). O que não significa que, eventualmente, não tenham uma componente espiritual. Independentemente disso, o Ateu pode integrar no seu caráter muitos Valores Humanos, devido à Educação que recebeu.

Valores Humanos Universais

Para o efeito recomendo uma leitura do artigo que publiquei neste Blog em 24 de Julho de 2016 – “Declaração Universal de Valores Humanos” (https://saalmeida.wordpress.com/2016/07/24/declaracao-universal-de-valores-humanos/). No entanto, transcrevo aqui o Artigo 2º da Declaração Universal que constituiu uma proposta de resolução para apresentação na Assembleia Geral das Nações Unidas.

“Os valores humanos são os atributos e qualidades que são o coração da humanidade, o que representa a mais alta expressão do espírito humano. Eles são inatos em todas as pessoas e incluem: (1) um carinho profundo por toda a vida, que é a base para todos os outros valores humanos, em última análise, manifestando-se como amor incondicional; (2) a não-violência, que surge espontaneamente a partir de uma consciência da sacralidade de toda a vida; (3) a compaixão, caracterizada pelo desejo de eliminar o sofrimento e miséria para toda a vida; (4) amizade e cooperação, que florescem com a consciência de que nós pertencemos a uma família mundial; (5) generosidade e partilha, qualidades que crescem com a consciência de que a verdadeira prosperidade é o resultado de dar, não de acumulação; (6) um sentimento de pertença e de unidade com toda a vida, o que vem naturalmente com a consciência de que somos todos parte de um só espírito universal; (7) uma atitude eco amigável de cuidar do planeta, decorrente do entendimento de que a terra é nossa mãe, para ser reverenciada e tratada; (8) serviço à sociedade, enraizado na consciência de que estamos aqui para contribuir para algo de valor para a sociedade, e não para obter algo para nós mesmos; (9) um senso de compromisso e responsabilidade, em última análise, que se estende a toda a sociedade e toda a vida; (10) paz e contentamento, parte da nossa natureza mais profunda, a ser alimentada e encorajada, trazendo a paz ao nosso redor e, finalmente, em todo o mundo; (11) entusiasmo, a ser apoiado e nutrido quanto a própria vida; e (12) integridade, honestidade e sinceridade, honrado por todas as tradições espirituais, sem exceção, e formando a base da ordem social e justiça.

Os valores humanos não dependem, e não derivam de qualquer autoridade externa. Os valores humanos, com a potencialidade infinita dentro de todas as pessoas, já estão presentes em todos os seres humanos; Eles só precisam ser impulsionados para prosperar e crescer.

Existe uma estreita relação entre os direitos humanos e os valores humanos. No entanto, apesar do enfoque nos direitos humanos ao longo do último meio século, pouca atenção tem sido dada aos valores humanos. Para que os direitos humanos floresçam, os valores humanos devem ser alimentadas, assim como as raízes de uma árvore deve ser regada para a fruta crescer. Reacender valores humanos em todo o mundo é essencial para alcançar a universalidade dos direitos humanos, a paz e a segurança no planeta, e coexistência harmoniosa entre os diferentes povos e culturas.” (http://www.iahv.org/us-en/wp-content/themes/IAHV/PDF/Universal-Declaration-of-Human-Values.pdf)

Espero ter contribuído para esclarecer a mente dos meus Leitores sobre a relação e diferenças entre Valores Humanos e Religião. Sobretudo realçar algo de muito importante que se refere ao respeito, consideração e tolerância que deve sempre existir sobre a diversidade, o multiculturalismo e o pluralismo religioso ou ideológico, no relacionamento social.

A meu ver os Valores Humanos Universais conseguem aglutinar todas as características de caráter do Ser Humano, independentemente da sua religiosidade e/ou espiritualidade.

Alfredo Sá Almeida                                                                             23 de Outubro de 2017

 

O Mundo está a perder-se no labirinto que criou!

Ao longo da sua História o Homem e o individualismo criativo desenvolveram vários interesses e negócios dos quais não querem abrir mão para uma mudança em direção ao Futuro Coletivo e Sustentável. Criou, assim, uma rede intrincada na qual acabou por ficar enredado sem poder sair.

Uma miríade de interesses instalados que mina uma vontade coletiva de resolver por outros meios os problemas causados e o nocivo desgaste do bem-comum e da Biosfera. É esse emaranhado de interesses sem foco no futuro, muitos deles antagónicos, mas que se equilibram na estrutura, que eu chamo, conscientemente, de ‘Labirinto’ (mental, económico e social).

Dentro do grande Labirinto tridimensional desenvolveram-se vários cancros malignos:

• Crime organizado de toda a espécie;
• Tráfico de droga e de armas;
• Escravidão Humana;
• Terrorismo;
• Prostituição;
• Jogo;
• Etc.

Em resposta a esses cancros o Homem desenvolveu uma organização e estrutura de Justiça, Educação (mas que na realidade é apenas Ensino) e Segurança, que não só não se tornaram eficazes no combate ‘socio-oncológico’ como, em certa medida, contribuíram para o desenvolvimento canceroso.

Há aqueles que alimentam e fazem crescer o Labirinto, para se nutrirem dos seus resultados, dos seus efeitos sobre a sociedade, dos medos e ansiedades que provocam. Este é um instrumento de terror constante para satisfazer quem não consegue impor-se pelas suas capacidades e, portanto, não consegue convencer a consciência coletiva da razão.

O mundo tornou-se complacente, conformado e conivente com os cancros da sociedade. Prefere desculpá-los a eliminá-los.

A Sociedade evita dar prioridade aos Valores Humanos e à Liberdade com respeito e consideração pelo próximo, para desenvolver o rancor, a dissimulação e a inveja como instrumentos de animosidade e confrontação em vez do apoio e da solidariedade institucionalizada.

Acabamos por ver os incompetentes ‘cavalgarem’ nos resultados do labirinto, que ajudaram a alimentar, para se transformarem em salvadores dos interesses que instalaram.

Instalou-se a hipocrisia como cultura e a prepotência como vontade. O Homem escuda-se na Liberdade abstrata e sem Valor para impedir a introdução sustentada de Valores Humanos na Sociedade, com o argumento falacioso de impedir o desenvolvimento das Liberdades individuais. Ora, a soma de muitas Liberdades individuais não constrói uma Liberdade Coletiva.

Para destruir o Labirinto tridimensional criado pelo Homem só existe uma solução: – Colocar-se mentalmente do lado de fora dessa estrutura aprisionadora e permitir que se desenvolva o Ser Humano com Valor, liberto dos interesses instalados e focado no Futuro sustentável. Em simultâneo reconstruir a Sociedade com base nos Valores Humanos universais e instituir o bem-comum como princípio inabalável de desenvolvimento Humano.

Alfredo Sá Almeida                                                                                   18 de Outubro de 2017

 

Roubar e mentir, as aberrações do SER

Roubar e mentir Conj

Roubar e mentir sempre foram antivalores da Sociedade, ao longo dos séculos. Infelizmente a Educação e a ação policial não têm conseguido eliminar estas duas aberrações. Muito provavelmente por culpa da Educação, que não evoluiu o suficiente para as conter.

Por um lado, a Educação nunca esteve orientada para a formação de Cidadãos de caráter focados no bem comum. Por outro, a ação policial sempre deixou muito a desejar com os métodos utilizados na repressão, sobretudo por falta de pedagogia e contributo para uma melhoria contínua do comportamento dos cidadãos desviantes.

Talvez por isso, temos assistido a uma banalização destas aberrações como comportamentos ‘aceitáveis’, resultantes de um expediente da dinâmica da Sociedade. Sinto que a Sociedade está conformada com estes antivalores. A indiferença latente em muitos aspetos da vivência dos Cidadãos choca com os verdadeiros danos, que minam as estruturas da Sociedade.

É inaceitável, e não deve ser considerado doutro modo. Tudo deve ser feito para corrigir estas aberrações. A Sociedade deve ganhar um novo foco explícito e consistente no BEM COMUM. A Educação formal na Escola Pública deverá assumir uma boa parte da responsabilidade de formar Cidadãos com Valores Humanos e com um caráter global de civismo.

Todos nós sabemos que a Verdade, muitas das vezes, possui uma dimensão não totalmente apreendida pelas Pessoas, mas que isso não deve servir de desculpa para transmitir meias verdades.

Está a fazer muita falta uma idoneidade e uma confiança mútua baseadas num relacionamento saudável em Sociedade. Esta é uma necessidade emergente que deve ter uma repercussão concreta nos programas escolares, sob a forma de Educação em Valores Humanos.

A Human Values Foundation é uma Instituição vocacionada e estruturada para a difusão dos Valores Humanos no mundo. Recentemente, Rosemary Dewan a CEO da Fundação publicou um memorável artigo no seu site, “How does Values Literacy Enhance Young People’s Life Proficiency?” (“Como a alfabetização em valores aumenta a proficiência da vida dos jovens?”) para o qual recomendo a vossa atenção e uma leitura atenta.

Tomo a liberdade de citar Rosemary Dewan num excerto desse artigo:
(https://www.worldvaluesday.com/values-literacy-enhance-young-peoples-life-proficiency-rosemary-dewan/?utm_content=buffer3ed30&utm_medium=social&utm_source=facebook.com&utm_campaign=buffer)

Como uma fluência nos valores afeta a proficiência da vida.
Há uma necessidade constante de avançar a qualidade e eficácia da educação para que todos os alunos possam dominar as habilidades cognitivas, juntamente com as habilidades não-cognitivas e emocionais sociais que lhes permitam florescer plenamente, fazer boas escolhas, alcançar o melhor de suas habilidades e desenvolver-se como indivíduos felizes e satisfeitos, capazes de fazer contribuições positivas para a sociedade.
A instrução regular e estruturada dos valores, incorporada nos curricula e em todos os níveis escolares, com o tempo, nutre nos alunos uma fluência de empoderamento nos valores. Como os participantes aprendem a usar valores positivos para orientar seu pensamento, tomada de decisão e comportamento em todos os contextos de suas vidas cotidianas, o repertório de habilidades adquiridas pode melhorar o seu bem-estar e aprofundar o espectro completo de sua aprendizagem.”

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“Esta transformação de atitudes e competências significa que não só as crianças, mas os professores também podem gerir melhor a sua saúde física e mental, construir e manter as relações gratificantes e aproveitar as oportunidades para o desenvolvimento pessoal e crescimento, de modo a otimizar o seu desempenho, arriscando sair de suas zonas de conforto e serem bem-sucedidos à medida que suas carreiras se desenvolvem.”Rosemary Dewan.

A Sociedade e o mundo global não se podem ‘dar ao luxo’ de desperdiçar oportunidades de transformar o Ensino em Educação e contribuir significativamente para uma difusão dos Valores Humanos, em todos os níveis Escolares.

Alfredo Sá Almeida                                                                                10 de Outubro de 2017

A coexistência de Humanos com Robots Humanoides

Robots Humanoides 6

O Futuro que o Homem empreendedor da atualidade tem em mente, não será porventura o mais adequado ao Ser Humano!
Esta minha afirmação prende-se com o facto de ver frequentemente expresso, em artigos de opinião e de especialistas em robótica, que os Robots Humanoides virão para ficar em coexistência com os Humanos.

(Ex.: http://observador.pt/2017/09/07/um-grande-numero-de-empregos-na-banca-vai-para-os-robos-diz-o-presidente-do-deutsche-bank/) Ver ainda: “La dialectique du maître et du robot”Michel Serres; “Les robots peuvent-ils vraiment être considérés comme nos esclaves?”Martin Legros, Philosophie magazine nº112, Sept. 2017.

Passo a explicar a razão do meu ceticismo.

Um Robot Humanoide é uma máquina articulada, de aparência humana, e com processamento computacional que imita comportamentos Humanos e executa tarefas repetitivas por instruções programáveis. Poderá possuir ou não Inteligência Artificial, o que o tornaria mais autónomo e com maior número de graus de liberdade no ambiente humano.

Na Wikipédia a definição de Robot Humanoide é: “… um robô cuja aparência global é baseada na aparência do corpo humano, permitindo sua interação com ferramentas e ambientes feitos para uso humano. Em geral robôs humanoides possuem um tronco com uma cabeça, dois braços e duas pernas, embora algumas formas de robôs humanoides possam ter apenas parte do corpo, por exemplo, a partir da cintura para cima. Alguns robôs humanoides podem também ter um “rosto”, com “olhos” e “boca”. Androides e ginoides são robôs humanoides construídos para se assemelharem esteticamente a um humano.”

Este conceito é significativamente distinto do robot autómato, que executa tarefas repetitivas de precisão, mas que está confinado a um lugar fixo e não tem uma aparência humanoide. Exemplo disto são os robots que existem nas fábricas de automóveis e realizam uma boa parte da produção e montagem dos veículos, com precisão e fiabilidade, em conjunto com Humanos.

Aparentemente a construção massiva destas máquinas, para apoiar no trabalho e atividades Humanas, não trará grandes complicações à vida das Pessoas, a não ser as relacionadas com determinados postos de trabalho repetitivo e sem necessidade de um pensamento racional realizado por Humanos.

Se, de certo modo, é louvável que o Homem acabe com o ‘trabalho estilo escravo’ de Seres Humanos, fica-nos a preocupação de haver cada vez menos oportunidades para Pessoas, com menos recursos de inteligência racional, ocuparem o seu tempo, ganharem o seu salário e terem uma vida condigna para além do trabalho repetitivo. Não nos esqueçamos que a Inteligência não se confina à dimensão racional. As dimensões Emocional, Espiritual e Social também integram o grande Universo da Inteligência Humana.

Mas, a meu ver, existem outros aspetos a ter em conta nesta ‘equação laboral’.

Se pretendemos um Homem cada vez mais desenvolvido em todos os aspetos, conhecedor e atuante numa Sociedade plural, devemos proporcionar uma Educação e Formação profissional de qualidade, cada vez a maior número de Pessoas. Essa Educação deverá incluir nos curricula a transmissão pedagógica de Valores Humanos, permitindo que um Ser Humano adquira uma dimensão Pessoal, Profissional e Social de maior relevo na Sociedade. Que tenha a capacidade integrada de Inteligência e Consciência Coletivas e a vontade de participar na construção do Futuro Coletivo na Sociedade em que se encontra inserido.

Como sabemos, infelizmente pela História do Homem, houve tempos em que a escravatura de outros Homens era matéria real, legal e económica para quem detinha esses escravos. Ao ponto de poderem decidir da vida ou morte (posse) desses escravos, em ‘perfeita’ legalidade.

Ora este tipo de escravatura, apesar de não ser mais possível no mundo desenvolvido, ainda existe em muitas partes do mundo tal como existiu no passado. Estima-se que existam, ainda, em todo o mundo, cerca de 40 milhões de Pessoas sujeitas a escravidão Humana (http://www.jornaleconomico.sapo.pt/noticias/ha-40-milhoes-de-escravos-no-mundo-oit-pede-mais-empenho-no-combate-211171) (trabalho forçado; tráfico humano; trabalho servil derivado de casamento ou dívida; exploração sexual; exploração infantil, etc.). (https://www.globalslaveryindex.org/)

A minha preocupação e pensamento estão com as Pessoas que sofrem estas indignidades e não possuem a força física e de espírito suficiente para se libertarem destes esclavagistas. O grande problema é que existem ainda muitos homens e mulheres com pensamento, comportamento e atitudes esclavagistas. Normalmente, os estudos que determinam e quantificam a existência de Pessoas em situação de escravidão e ‘trabalho escravo’, não determinam nem quantificam os esclavagistas. Mas infelizmente são mais do que os Seres Humanos merecem. E, ainda, uma parte da Sociedade é tolerante à sua presença! Nem dá para acreditar!

Pois bem, aqui chegados considero que é de louvar que existam robots humanoides para realizar o ‘trabalho dito escravo’. No entanto, considero que a construção massiva destas máquinas não fará desaparecer a atitude humana de esclavagista. Apenas estará desviada para os robots humanoides. Se algo falhar no funcionamento destes, será que o ‘dono’ desses Robots não tomará uma atitude esclavagista com Humanos, de novo?

Significa que o mais importante é o Valor Humano das Pessoas envolvidas em todo o processo e o respeito por Valores Humanos que determinará a evolução da nossa espécie. Os Robots Humanoides deverão ser apenas máquinas que nos ajudam a ir mais longe, mais depressa, controlados por Seres Humanos com Valor.

Robots Humanoides 3

Alfredo Sá Almeida                                                                              12 de Setembro de 2017

Que Futuro sem o Valor Humano?

Interrogação Humana

O mundo global atual enferma de uma acumulação de problemas, ao longo das últimas gerações, resultantes da rápida expansão de TUDO, por ansiedade do Homem.
No século passado o Homem e a Biosfera sofreram a devastação de duas Guerras Mundiais e de muitas outras regionais. O consequente abrandamento dos conflitos à escala mundial desencadeou uma expansão mercantilista, economicista, financeira e industrial potenciada pelos anseios das populações em ambiente de Paz e de estabilidade no Futuro.
Essa expansão acompanhada de uma explosão demográfica foi o resultado da libertação massiva de muitas ‘amarras’ psicológicas e mentais que o Homem tinha construído indevidamente ao longo da História.
Agora sem esses ‘obstáculos’ e na ausência crescente de uma Educação que valoriza TUDO menos os Valores Humanos, eis-nos chegados a uma ‘montanha’ de problemas complexos que poderão acabar com a nossa espécie em menos de um século.
Muitos de nós, que possuem uma consciência mais apurada e atentos à evolução da Humanidade, nos questionamos se teremos uma palavra a dizer sobre o nosso Futuro Coletivo.
Bombardeiam-nos com imensa informação, talvez demasiada, sobre qual será o nosso Futuro e esperam que possamos aderir voluntariamente, consciente ou inconscientemente, (ou à força) consoante os interesses de alguns poucos, que de Seres Humanos entendem pouco.
1. Temos soluções distópicas para todos os gostos. Aliás, se não fizermos nada, na atual situação do mundo, não demorará muito a que uma dessas distopias nos ‘bata à porta’.
2. Depois temos a introdução massiva dos robots a conviver com os Humanos. Dizem-nos que a automação e a inteligência artificial poderão tirar-nos os empregos, mas vão restaurar-nos a Humanidade. Com o espírito do Homem que nos governou até aqui será um pouco difícil isso acontecer! “Automation may take our jobs – but it’ll restore our humanity” – (https://www.weforum.org/agenda/2017/08/automation-may-take-our-jobs-but-it-ll-restore-our-humanity?utm_content=buffer085ae&utm_medium=social&utm_source=facebook.com&utm_campaign=buffer)
3. Ainda temos o Transhumanismo, não seremos Homens nem máquinas mas algo pelo meio. Com que caráter e com que personalidade? Ao meu caro Leitor para desbravar. “Transhumanismo e pós-humanismo” – (http://www.dn.pt/opiniao/opiniao-dn/anselmo-borges/interior/transhumanismo-e-pos-humanismo-1-5730228.html)
4. Ah! Falta ainda falar naquele movimento que defende a extinção da espécie humana por iniciativa voluntária! Não, não leu mal, é mesmo assim! É uma atitude altruísta para defender a Biosfera. “Líder do movimento pela Extinção da Espécie Humana no Porto” – (https://zap.aeiou.pt/lider-do-movimento-pela-extincao-da-especie-humana-no-porto-170886)
5. Etc.
Eu considero que todas estas soluções, produzidas por Seres Humanos, não acreditam verdadeiramente nas capacidades do Homem Coletivo como Ser integrado na Biosfera. Não só não acreditam nas capacidades e competências do Homem como fazem muito pouco para as desenvolver com Valores Humanos.
É aqui que eu entro! Defendo que o Homem pode e deve transformar-se em Ser Humano através de uma Educação exigente onde os Valores Humanos estarão bem integrados nessa Educação para TODOS. Mas não só. Também defendo em simultâneo a integração sustentável na Biosfera, com sustentabilidade ambiental e de vida. Defendo ainda uma mudança radical de Paradigma da Sociedade Global, terminando com o valor do dinheiro e desenvolvendo uma Sociedade de Valor Humano.
Tudo isto é possível se o Homem o desejar com Consciência e Inteligência Coletivas, apoiado em todos os desenvolvimentos científicos, nas mais diversas especialidades, e no Humanismo como filosofia de vida, sustentado nos Valores Humanos e na sã convivência em Sociedade Global.
Recentemente, o World Economic Forum (19 de Agosto de 2016) publicou um artigo muito interessante “10 skills you need to thrive tomorrow – and the universities that will help you get them” baseado no Relatório “Future of jobs”.
Nele, são mencionadas as 10 principais Competências a desenvolver por profissionais para o ano 2020, comparando com as competências necessárias em 2015. Assim:

2020-2015

De salientar neste estudo para o ano 2020 a ‘entrada’ de competências novas 10) Flexibilidade Cognitiva e 6) Inteligência Emocional, para além de uma nova redistribuição prioritária das outras que já se faziam sentir necessárias em 2015. Convém lembrar que grande parte destas competências requerem a inclusão de Valores Humanos na personalidade e caráter dos futuros Profissionais.
Em 2020 todo o Profissionalismo em exercício que não tiver enraizados os Valores Humanos, terá poucas probabilidades de sucesso e de um Futuro condigno. Aliás, TODA a vida em Sociedade estará dependente de uma boa Educação em Valores Humanos, para podermos ter um Futuro Coletivo duradouro.
Ao meu caro Leitor não lhe peço que acredite em mim, mas que desenvolva o seu conhecimento e a sua Consciência em consonância com o Futuro da Humanidade.

Alfredo Sá Almeida                                                                              24 de Agosto de 2017