Valores Humanos versus Religiões

worlds-religionsEste texto tem por finalidade transmitir aos meus Leitores a minha interpretação sobre esta matéria.

Sobre as Religiões e os Valores Humanos

É meu objetivo traduzir de forma simples, matéria algo complexa, para que não existam confusões entre estes dois importantes referenciais. (Recomendo uma leitura de um artigo muito interessante da Dr.ª Ana Paula Pedro “Ética, moral, axiologia e valores: confusões e ambiguidades em torno de um conceito comum” – Kriterion (vol.55 no.130 Belo Horizonte Dec. 2014) (http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-512X2014000200002))

A meu ver, para se ‘abraçar’ uma Religião é essencial ter fé no Deus ou Divindade respetiva e respeitar os princípios e valores específicos da religião em causa. Portanto a Fé é um Valor indispensável numa Religião. Outro aspeto a ter em consideração é o da espiritualidade. Uma Religião está imbuída de uma espiritualidade específica que a Pessoa sente e aceita.

Por outro lado, a cada Religião corresponde uma cultura própria, relativa à região do mundo onde essa Religião nasceu e se desenvolveu. Ora, de acordo com a definição genérica formulada por Edward B. Tylor, cultura (https://archive.org/stream/primitiveculture01tylouoft#page/n17/mode/2up) é “todo aquele complexo que inclui o conhecimento, as crenças, a arte, a moral, a lei, os costumes e todos os outros hábitos e capacidades adquiridos pelo homem como membro da sociedade”.

Religion_distribution

(https://pt.wikipedia.org/wiki/Principais_grupos_religiosos)

Temos ainda de considerar que dentro de cada Religião existem diferentes vertentes. Por exemplo, na Religião Cristã: o Catolicismo Romano (subordinado ao Papa), a Ortodoxa Oriental (se dividiu da Igreja Católica em 1054 após o Grande Cisma) e o Protestantismo (que surgiu durante a Reforma do século XVI). O Protestantismo é dividido em grupos menores chamados de denominações. No entanto, apesar das divergências o sistema de Valores Humanos é semelhante.

Como já tive oportunidade de escrever num texto anterior (“Os Valores Humanos, os Antivalores e os Desvalores” – (https://saalmeida.wordpress.com/2015/03/30/os-valores-humanos-os-antivalores-e-os-desvalores/)) sobre o Valor Humano é o facto de este ser intrínseco ao Ser Humano e independente da religiosidade assumida pela Pessoa. “Os princípios do Valor Humano são comuns a todas a Religiões, não podendo, portanto, confundir-se com estas. Por outro lado, a fé num Deus não acrescenta nem retira Valor Humano a uma Pessoa. São as atitudes e comportamentos em Sociedade, bem como o estatuto de coerência com a Pessoa em questão, imbuída de determinados Valores, que determina o Valor Humano em causa.”

O mesmo se passa com as nuances culturais, em determinadas regiões do globo. Os Valores Humanos nessas Regiões estarão em consonância com a Cultura dessa Região.

Não nos podemos esquecer, também, que as religiões são seculares e não ‘nasceram’ todas ao mesmo tempo. Para o efeito recomendo a consulta de duas páginas da Wikipédia: 1) “Lista de religiões e tradições espirituais” (https://pt.wikipedia.org/wiki/Lista_de_religiões_e_tradições_espirituais); 2) “História das religiões” (https://pt.wikipedia.org/wiki/História_das_religiões).

Um dos grandes problemas do mundo atual está no facto de, em muitos casos, uma Pessoa religiosa não ser capaz de vislumbrar as semelhanças entre os Valores específicos da sua Religião e os Valores Humanos Universais. Mas uma coisa é certa, os Valores Humanos podem ter influência no compromisso religioso (recomendo uma leitura do artigo “A Influência dos Valores Humanos no Compromisso Religioso” de Walberto Silva dos Santos, et al. – Psicologia: Teoria e Pesquisa (Jul-Set 2012, Vol. 28 n. 3, pp. 285-292) (http://www.scielo.br/pdf/ptp/v28n3/a04v28n3.pdf))

Outro aspeto a ter em linha de conta é o facto de nem todas as Pessoas aceitarem uma religiosidade. Estou a falar do Ateísmo (num sentido amplo, é a ausência de crença na existência de divindades). O que não significa que, eventualmente, não tenham uma componente espiritual. Independentemente disso, o Ateu pode integrar no seu caráter muitos Valores Humanos, devido à Educação que recebeu.

Valores Humanos Universais

Para o efeito recomendo uma leitura do artigo que publiquei neste Blog em 24 de Julho de 2016 – “Declaração Universal de Valores Humanos” (https://saalmeida.wordpress.com/2016/07/24/declaracao-universal-de-valores-humanos/). No entanto, transcrevo aqui o Artigo 2º da Declaração Universal que constituiu uma proposta de resolução para apresentação na Assembleia Geral das Nações Unidas.

“Os valores humanos são os atributos e qualidades que são o coração da humanidade, o que representa a mais alta expressão do espírito humano. Eles são inatos em todas as pessoas e incluem: (1) um carinho profundo por toda a vida, que é a base para todos os outros valores humanos, em última análise, manifestando-se como amor incondicional; (2) a não-violência, que surge espontaneamente a partir de uma consciência da sacralidade de toda a vida; (3) a compaixão, caracterizada pelo desejo de eliminar o sofrimento e miséria para toda a vida; (4) amizade e cooperação, que florescem com a consciência de que nós pertencemos a uma família mundial; (5) generosidade e partilha, qualidades que crescem com a consciência de que a verdadeira prosperidade é o resultado de dar, não de acumulação; (6) um sentimento de pertença e de unidade com toda a vida, o que vem naturalmente com a consciência de que somos todos parte de um só espírito universal; (7) uma atitude eco amigável de cuidar do planeta, decorrente do entendimento de que a terra é nossa mãe, para ser reverenciada e tratada; (8) serviço à sociedade, enraizado na consciência de que estamos aqui para contribuir para algo de valor para a sociedade, e não para obter algo para nós mesmos; (9) um senso de compromisso e responsabilidade, em última análise, que se estende a toda a sociedade e toda a vida; (10) paz e contentamento, parte da nossa natureza mais profunda, a ser alimentada e encorajada, trazendo a paz ao nosso redor e, finalmente, em todo o mundo; (11) entusiasmo, a ser apoiado e nutrido quanto a própria vida; e (12) integridade, honestidade e sinceridade, honrado por todas as tradições espirituais, sem exceção, e formando a base da ordem social e justiça.

Os valores humanos não dependem, e não derivam de qualquer autoridade externa. Os valores humanos, com a potencialidade infinita dentro de todas as pessoas, já estão presentes em todos os seres humanos; Eles só precisam ser impulsionados para prosperar e crescer.

Existe uma estreita relação entre os direitos humanos e os valores humanos. No entanto, apesar do enfoque nos direitos humanos ao longo do último meio século, pouca atenção tem sido dada aos valores humanos. Para que os direitos humanos floresçam, os valores humanos devem ser alimentadas, assim como as raízes de uma árvore deve ser regada para a fruta crescer. Reacender valores humanos em todo o mundo é essencial para alcançar a universalidade dos direitos humanos, a paz e a segurança no planeta, e coexistência harmoniosa entre os diferentes povos e culturas.” (http://www.iahv.org/us-en/wp-content/themes/IAHV/PDF/Universal-Declaration-of-Human-Values.pdf)

Espero ter contribuído para esclarecer a mente dos meus Leitores sobre a relação e diferenças entre Valores Humanos e Religião. Sobretudo realçar algo de muito importante que se refere ao respeito, consideração e tolerância que deve sempre existir sobre a diversidade, o multiculturalismo e o pluralismo religioso ou ideológico, no relacionamento social.

A meu ver os Valores Humanos Universais conseguem aglutinar todas as características de caráter do Ser Humano, independentemente da sua religiosidade e/ou espiritualidade.

Alfredo Sá Almeida                                                                             23 de Outubro de 2017

 

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O Mundo está a perder-se no labirinto que criou!

Ao longo da sua História o Homem e o individualismo criativo desenvolveram vários interesses e negócios dos quais não querem abrir mão para uma mudança em direção ao Futuro Coletivo e Sustentável. Criou, assim, uma rede intrincada na qual acabou por ficar enredado sem poder sair.

Uma miríade de interesses instalados que mina uma vontade coletiva de resolver por outros meios os problemas causados e o nocivo desgaste do bem-comum e da Biosfera. É esse emaranhado de interesses sem foco no futuro, muitos deles antagónicos, mas que se equilibram na estrutura, que eu chamo, conscientemente, de ‘Labirinto’ (mental, económico e social).

Dentro do grande Labirinto tridimensional desenvolveram-se vários cancros malignos:

• Crime organizado de toda a espécie;
• Tráfico de droga e de armas;
• Escravidão Humana;
• Terrorismo;
• Prostituição;
• Jogo;
• Etc.

Em resposta a esses cancros o Homem desenvolveu uma organização e estrutura de Justiça, Educação (mas que na realidade é apenas Ensino) e Segurança, que não só não se tornaram eficazes no combate ‘socio-oncológico’ como, em certa medida, contribuíram para o desenvolvimento canceroso.

Há aqueles que alimentam e fazem crescer o Labirinto, para se nutrirem dos seus resultados, dos seus efeitos sobre a sociedade, dos medos e ansiedades que provocam. Este é um instrumento de terror constante para satisfazer quem não consegue impor-se pelas suas capacidades e, portanto, não consegue convencer a consciência coletiva da razão.

O mundo tornou-se complacente, conformado e conivente com os cancros da sociedade. Prefere desculpá-los a eliminá-los.

A Sociedade evita dar prioridade aos Valores Humanos e à Liberdade com respeito e consideração pelo próximo, para desenvolver o rancor, a dissimulação e a inveja como instrumentos de animosidade e confrontação em vez do apoio e da solidariedade institucionalizada.

Acabamos por ver os incompetentes ‘cavalgarem’ nos resultados do labirinto, que ajudaram a alimentar, para se transformarem em salvadores dos interesses que instalaram.

Instalou-se a hipocrisia como cultura e a prepotência como vontade. O Homem escuda-se na Liberdade abstrata e sem Valor para impedir a introdução sustentada de Valores Humanos na Sociedade, com o argumento falacioso de impedir o desenvolvimento das Liberdades individuais. Ora, a soma de muitas Liberdades individuais não constrói uma Liberdade Coletiva.

Para destruir o Labirinto tridimensional criado pelo Homem só existe uma solução: – Colocar-se mentalmente do lado de fora dessa estrutura aprisionadora e permitir que se desenvolva o Ser Humano com Valor, liberto dos interesses instalados e focado no Futuro sustentável. Em simultâneo reconstruir a Sociedade com base nos Valores Humanos universais e instituir o bem-comum como princípio inabalável de desenvolvimento Humano.

Alfredo Sá Almeida                                                                                   18 de Outubro de 2017

 

Roubar e mentir, as aberrações do SER

Roubar e mentir Conj

Roubar e mentir sempre foram antivalores da Sociedade, ao longo dos séculos. Infelizmente a Educação e a ação policial não têm conseguido eliminar estas duas aberrações. Muito provavelmente por culpa da Educação, que não evoluiu o suficiente para as conter.

Por um lado, a Educação nunca esteve orientada para a formação de Cidadãos de caráter focados no bem comum. Por outro, a ação policial sempre deixou muito a desejar com os métodos utilizados na repressão, sobretudo por falta de pedagogia e contributo para uma melhoria contínua do comportamento dos cidadãos desviantes.

Talvez por isso, temos assistido a uma banalização destas aberrações como comportamentos ‘aceitáveis’, resultantes de um expediente da dinâmica da Sociedade. Sinto que a Sociedade está conformada com estes antivalores. A indiferença latente em muitos aspetos da vivência dos Cidadãos choca com os verdadeiros danos, que minam as estruturas da Sociedade.

É inaceitável, e não deve ser considerado doutro modo. Tudo deve ser feito para corrigir estas aberrações. A Sociedade deve ganhar um novo foco explícito e consistente no BEM COMUM. A Educação formal na Escola Pública deverá assumir uma boa parte da responsabilidade de formar Cidadãos com Valores Humanos e com um caráter global de civismo.

Todos nós sabemos que a Verdade, muitas das vezes, possui uma dimensão não totalmente apreendida pelas Pessoas, mas que isso não deve servir de desculpa para transmitir meias verdades.

Está a fazer muita falta uma idoneidade e uma confiança mútua baseadas num relacionamento saudável em Sociedade. Esta é uma necessidade emergente que deve ter uma repercussão concreta nos programas escolares, sob a forma de Educação em Valores Humanos.

A Human Values Foundation é uma Instituição vocacionada e estruturada para a difusão dos Valores Humanos no mundo. Recentemente, Rosemary Dewan a CEO da Fundação publicou um memorável artigo no seu site, “How does Values Literacy Enhance Young People’s Life Proficiency?” (“Como a alfabetização em valores aumenta a proficiência da vida dos jovens?”) para o qual recomendo a vossa atenção e uma leitura atenta.

Tomo a liberdade de citar Rosemary Dewan num excerto desse artigo:
(https://www.worldvaluesday.com/values-literacy-enhance-young-peoples-life-proficiency-rosemary-dewan/?utm_content=buffer3ed30&utm_medium=social&utm_source=facebook.com&utm_campaign=buffer)

Como uma fluência nos valores afeta a proficiência da vida.
Há uma necessidade constante de avançar a qualidade e eficácia da educação para que todos os alunos possam dominar as habilidades cognitivas, juntamente com as habilidades não-cognitivas e emocionais sociais que lhes permitam florescer plenamente, fazer boas escolhas, alcançar o melhor de suas habilidades e desenvolver-se como indivíduos felizes e satisfeitos, capazes de fazer contribuições positivas para a sociedade.
A instrução regular e estruturada dos valores, incorporada nos curricula e em todos os níveis escolares, com o tempo, nutre nos alunos uma fluência de empoderamento nos valores. Como os participantes aprendem a usar valores positivos para orientar seu pensamento, tomada de decisão e comportamento em todos os contextos de suas vidas cotidianas, o repertório de habilidades adquiridas pode melhorar o seu bem-estar e aprofundar o espectro completo de sua aprendizagem.”

Rosemary-Values-Literacy-3

“Esta transformação de atitudes e competências significa que não só as crianças, mas os professores também podem gerir melhor a sua saúde física e mental, construir e manter as relações gratificantes e aproveitar as oportunidades para o desenvolvimento pessoal e crescimento, de modo a otimizar o seu desempenho, arriscando sair de suas zonas de conforto e serem bem-sucedidos à medida que suas carreiras se desenvolvem.”Rosemary Dewan.

A Sociedade e o mundo global não se podem ‘dar ao luxo’ de desperdiçar oportunidades de transformar o Ensino em Educação e contribuir significativamente para uma difusão dos Valores Humanos, em todos os níveis Escolares.

Alfredo Sá Almeida                                                                                10 de Outubro de 2017

O Mundo Global e as transformações necessárias

Global World

Nas últimas décadas temos assistido a um aumento significativo da dimensão do mundo ‘globalizado’ graças ao incremento notável das comunicações, dos fluxos informativos, dos níveis de escolaridade e formação, do desenvolvimento da internet e suas tecnologias, da mobilidade das Pessoas, entre muitos outros domínios.

A título de exemplo vou mencionar o aumento significativo do número de diplomados em Portugal, nos últimos 25 anos.

No intervalo de uma geração verificou-se um aumento de cerca de quatro vezes no número de estudantes que concluíram licenciatura, mestrado ou doutoramento. Sem dúvida notável.

Diplomados Portugal - Evolução

Sem dúvida que poderemos considerar este caso como uma tendência típica a nível global. Sobretudo no mundo dito ‘ocidentalizado’.

Esta evolução contribui para um aumento dos níveis de desenvolvimento dos Países e Regiões onde ocorrem, e, por consequência, um aumento da dimensão do Mundo Global.
A questão que pretendo colocar para reflexão prende-se com os níveis de consciencialização dos grandes problemas a nível mundial e como os resolver.

Será que este aumento vertiginoso dos níveis de escolaridade, que se verificam em todo o mundo, estão a aumentar a Consciência Coletiva sobre as questões fulcrais que contribuirão significativamente para a dimensão do mundo global?

Entre os problemas prementes do mundo globalizado devemos resolver prioritariamente as grandes ameaças para o Futuro da Humanidade (https://api.globalchallenges.org/static/files/prize-letter-en.pdf) – Laszlo Szombatfalvy:

1. Alterações climáticas, que podem tornar o planeta inabitável;
2. Degradação ambiental em larga escala, que coloca em risco o abastecimento de água e alimentos, reduzindo a resiliência do ecossistema;
3. Conflitos violentos, (guerras civis, genocídios, limpeza étnica) que podem desencadear riscos de utilização de armas nucleares e/ou de destruição em massa;
4. Pobreza extrema, que é uma catástrofe em curso e que afeta mais de 1 bilhão de pessoas;
5. Rápido crescimento populacional em que se torna previsível uma população mundial de 10.000.000.000 de Seres Humanos em 2050;

A resolução destas ameaças é essencial para a ‘saúde’ do Mundo Global.

Simultaneamente foram estabelecidos, pela ONU, os objetivos do Desenvolvimento Sustentável para 2030, na sequência dos objetivos do Milénio (2000 – 2015):

Goals 2030 UN SDG

Significa que é necessária e urgente uma transformação do Mundo Global, para podermos encarar o Futuro com maior otimismo. Mas também se torna necessário um maior conhecimento e consciência das questões coletivas que beneficiarão um maior número de Pessoas de modo sustentável.

Temos de admitir que a Felicidade Social e coletiva contribui para a Felicidade individual e vice-versa.

Assim sendo, preocupam-me vários aspetos que se estão a desenvolver neste nosso mundo globalizado e, aparentemente mais desenvolvido, que têm sido objeto de estudos: o individualismo, o egoísmo e o imediatismo. São três atitudes que em nada contribuem para uma globalização saudável nem para o aumento dos níveis de Consciência Coletiva, em direção a um Futuro Coletivo e sustentável.

Existem aspetos de mudanças positivas, nas atitudes e comportamentos das Pessoas, que se estão a difundir em maior escala, e que contribuem para os desígnios que mencionei. Estou a falar de um artigo muito interessante do Gustavo Tanaka (26/5/2017) “Há algo de grandioso acontecendo no mundo” (http://guiadaalma.com.br/ha-algo-de-grandioso-acontecendo-no-mundo/). Recomendo uma leitura atenta deste texto para se aperceberem das mudanças que estão a ocorrer.

Segundo este autor o mundo está se transformando e menciona um conjunto de motivos que o levam a acreditar nisso. “São os seguintes:

1. Ninguém aguenta mais o modelo de emprego;
2. O modelo do empreendedorismo também está mudando;
3. O surgimento da colaboração;
4. Estamos começando finalmente a entender o que é a internet;
5. A queda do consumismo desenfreado;
6. Alimentação saudável e orgânica;
7. Despertar da espiritualidade;
8. Movimentos de ‘desescolarização’ (hackschooling, homeschooling).”

Termina, dizendo: “Silenciosamente, as pessoas estão acordando, se dando conta da loucura que é viver nessa sociedade. Olhe para todos esses movimentos e tente pensar que tudo está normal. Eu acho que não está. Há algo de muito extraordinário acontecendo no mundo.”

Estas mudanças reativas nas atitudes e comportamentos das Pessoas são importantes. Mas gostaria de lembrar que têm de ganhar sustentabilidade e globalidade para terem um contributo duradouro.

No entanto, outras tendências menos positivas tomam forma e difundem-se rapidamente. Estou a falar do Individualismo e do Imediatismo.

Sobre estas lamentáveis características Humanas, para o Mundo Global, relembro aqui dois artigos muito interessantes sobre estes temas:

“Individualism is Spreading, and that’s Not Good”Derek Beres (24/07/2017) (http://bigthink.com/21st-century-spirituality/individualism-is-spreading-and-thats-not-good?utm_campaign=Echobox&utm_medium=Social&utm_source=Facebook#link_time=1506225659)
“Cultura do imediatismo”Bolívar Torres (11/07/2013) (https://oglobo.globo.com/amanha/tudo-ao-mesmo-tempo-agora-um-fenomeno-da-era-digital-8969361#ixzz2YePd8tLG)

Estes artigos mencionam os estudos e reflexões escritas de Douglas Rushkoff (“Present shock: When everything happens now” – 2013) e de Henri Santos, Igor Grossman e Michael E.W. Varnum (“Global Increases in Individualism”, Psychological Science (13/07/2017) (http://journals.sagepub.com/doi/abs/10.1177/0956797617700622)), matérias importantes para compreendermos os perigos dum Futuro desajustado dos anseios de um Mundo bem Globalizado.

Segundo estes autores “Infelizmente, os seres humanos tendem a notar apenas o que é imediato, o que faz sentido nas tribos, mas cria problemas substanciais nas Nações legisladas por um governo. Promove um impulso para o individualismo em que as preocupações dos poucos se tornam mais importantes do que o bem-estar dos muitos. Torna-se América. E a América está se espalhando.
Mais genericamente, o valor “ocidental” do individualismo está se espalhando, de acordo com a nova pesquisa publicada na Psychological Science. Examinando 51 anos de dados cobrindo 78 países coletados para o levantamento de valores mundiais, os autores Igor Grossman e Michael E.W. Varnum descobriram que não são apenas as culturas ocidentais que se tornam mais individualistas. Como reporta Science Daily.
Em geral, as culturas individualistas tendem a conceber pessoas como autossuficientes e autónomas, e elas tendem a priorizar a independência e a exclusividade como valores culturais. As culturas coletivistas, por outro lado, tendem a ver as pessoas ligadas aos outros e inseridas num contexto social mais amplo – como tal, tendem a enfatizar a interdependência, as relações familiares e a conformidade social.”Derek Beres.

Se pretendemos um Mundo Global onde os Valores Humanos contribuem para um Futuro Coletivo em Paz duradoura e onde as diferenças culturais estão em equilíbrio dinâmico com os anseios dessa Globalização, vamos ter de mudar as nossas atitudes e comportamentos. Vamos ter de melhorar significativamente a nossa Inteligência e Consciência Coletivas e ser capazes de transformar os sistemas educacionais dos Países em algo que esteja consonante com a Globalização e Sustentabilidade que pretendemos no Futuro.

Alfredo Sá Almeida                                                                              26 de Setembro de 2017

Nenhuma provocação possui Valor Humano

Provocações1

Nos dias de hoje é muito frequente vermos, ouvirmos, sentirmos provocações de Pessoas, de Instituições, de Organismos ou de Países. Uma provocação pode ser entendida como um desafio, um repto ou um insulto. Pode ainda ter outras interpretações, como uma tentação, um incitamento ou uma aliciação.

Seja como for, é uma atitude deplorável que não possui qualquer Valor Humano. Os desafios ou os reptos têm caráter positivo e nunca devem assumir uma ‘forma’ provocatória. Não nos podemos esquecer que o Bullying normalmente começa com uma provocação.

Na dialética política e no comentário desportivo, entre outros, é muito frequente assistirmos a provocações mútuas entre forças adversárias. Mais grave ainda é assistirmos a comunicação ‘dita’ social a ‘dar voz’ e tempo de antena às mais diversas provocações, de várias origens. São insultos constantes à inteligência das Pessoas que estão a assistir às notícias ou aos programas.

A meu ver, estas atitudes representam uma enorme lacuna na Educação formal e Escolar. Não preparar os jovens a utilizar as suas capacidades e a evitar a utilização de todo e qualquer tipo de práticas provocatórias. Sobretudo, dar-lhes os meios para ganharem uma resiliência às provocações, não os deixando envolverem-se nessas práticas.
Criou-se indevidamente uma ‘cultura’ da provocação, com requintes maliciosos e doentios, de tal forma que se considera como normal algo que deveria ser abolido.

O que se verifica é uma determinação exacerbada de uns, julgando que condicionam a liberdade de outros com as suas atitudes provocatórias. Na realidade acabam produzindo mal-estar generalizado.

Poderá até haver quem considere que é um direito seu poder provocar o que e quem quer que seja, para seu belo prazer. Normalmente, quem assim pensa tem uma atitude irresponsável sobre as consequências dos seus actos.

Chega-se ao ponto de provocar os provocadores para daí tirar os devidos dividendos. Enfim, uma cascata de acontecimentos, própria de crianças irresponsáveis e sem acompanhamento de entidades arbitrais.

No limite, este é o grande problema que uma provocação pode desencadear – uma cascata de acontecimentos indesejáveis para todas as partes. Um avolumar de incompreensões, de mal entendidos e insultos que só poderão causar raiva e reações negativas, desprovidas de valor Humano.

Num mundo carente de Paz, compreensão e conjugação de esforços para um Futuro melhor, aceitar provocações é um erro que se pagará muito caro.

Fique calmo

“Se pretendemos mudar o mundo necessitamos de mudar o modo como ele funciona”

Alfredo Sá Almeida                                                                              16 de Setembro de 2017

A coexistência de Humanos com Robots Humanoides

Robots Humanoides 6

O Futuro que o Homem empreendedor da atualidade tem em mente, não será porventura o mais adequado ao Ser Humano!
Esta minha afirmação prende-se com o facto de ver frequentemente expresso, em artigos de opinião e de especialistas em robótica, que os Robots Humanoides virão para ficar em coexistência com os Humanos.

(Ex.: http://observador.pt/2017/09/07/um-grande-numero-de-empregos-na-banca-vai-para-os-robos-diz-o-presidente-do-deutsche-bank/) Ver ainda: “La dialectique du maître et du robot”Michel Serres; “Les robots peuvent-ils vraiment être considérés comme nos esclaves?”Martin Legros, Philosophie magazine nº112, Sept. 2017.

Passo a explicar a razão do meu ceticismo.

Um Robot Humanoide é uma máquina articulada, de aparência humana, e com processamento computacional que imita comportamentos Humanos e executa tarefas repetitivas por instruções programáveis. Poderá possuir ou não Inteligência Artificial, o que o tornaria mais autónomo e com maior número de graus de liberdade no ambiente humano.

Na Wikipédia a definição de Robot Humanoide é: “… um robô cuja aparência global é baseada na aparência do corpo humano, permitindo sua interação com ferramentas e ambientes feitos para uso humano. Em geral robôs humanoides possuem um tronco com uma cabeça, dois braços e duas pernas, embora algumas formas de robôs humanoides possam ter apenas parte do corpo, por exemplo, a partir da cintura para cima. Alguns robôs humanoides podem também ter um “rosto”, com “olhos” e “boca”. Androides e ginoides são robôs humanoides construídos para se assemelharem esteticamente a um humano.”

Este conceito é significativamente distinto do robot autómato, que executa tarefas repetitivas de precisão, mas que está confinado a um lugar fixo e não tem uma aparência humanoide. Exemplo disto são os robots que existem nas fábricas de automóveis e realizam uma boa parte da produção e montagem dos veículos, com precisão e fiabilidade, em conjunto com Humanos.

Aparentemente a construção massiva destas máquinas, para apoiar no trabalho e atividades Humanas, não trará grandes complicações à vida das Pessoas, a não ser as relacionadas com determinados postos de trabalho repetitivo e sem necessidade de um pensamento racional realizado por Humanos.

Se, de certo modo, é louvável que o Homem acabe com o ‘trabalho estilo escravo’ de Seres Humanos, fica-nos a preocupação de haver cada vez menos oportunidades para Pessoas, com menos recursos de inteligência racional, ocuparem o seu tempo, ganharem o seu salário e terem uma vida condigna para além do trabalho repetitivo. Não nos esqueçamos que a Inteligência não se confina à dimensão racional. As dimensões Emocional, Espiritual e Social também integram o grande Universo da Inteligência Humana.

Mas, a meu ver, existem outros aspetos a ter em conta nesta ‘equação laboral’.

Se pretendemos um Homem cada vez mais desenvolvido em todos os aspetos, conhecedor e atuante numa Sociedade plural, devemos proporcionar uma Educação e Formação profissional de qualidade, cada vez a maior número de Pessoas. Essa Educação deverá incluir nos curricula a transmissão pedagógica de Valores Humanos, permitindo que um Ser Humano adquira uma dimensão Pessoal, Profissional e Social de maior relevo na Sociedade. Que tenha a capacidade integrada de Inteligência e Consciência Coletivas e a vontade de participar na construção do Futuro Coletivo na Sociedade em que se encontra inserido.

Como sabemos, infelizmente pela História do Homem, houve tempos em que a escravatura de outros Homens era matéria real, legal e económica para quem detinha esses escravos. Ao ponto de poderem decidir da vida ou morte (posse) desses escravos, em ‘perfeita’ legalidade.

Ora este tipo de escravatura, apesar de não ser mais possível no mundo desenvolvido, ainda existe em muitas partes do mundo tal como existiu no passado. Estima-se que existam, ainda, em todo o mundo, cerca de 40 milhões de Pessoas sujeitas a escravidão Humana (http://www.jornaleconomico.sapo.pt/noticias/ha-40-milhoes-de-escravos-no-mundo-oit-pede-mais-empenho-no-combate-211171) (trabalho forçado; tráfico humano; trabalho servil derivado de casamento ou dívida; exploração sexual; exploração infantil, etc.). (https://www.globalslaveryindex.org/)

A minha preocupação e pensamento estão com as Pessoas que sofrem estas indignidades e não possuem a força física e de espírito suficiente para se libertarem destes esclavagistas. O grande problema é que existem ainda muitos homens e mulheres com pensamento, comportamento e atitudes esclavagistas. Normalmente, os estudos que determinam e quantificam a existência de Pessoas em situação de escravidão e ‘trabalho escravo’, não determinam nem quantificam os esclavagistas. Mas infelizmente são mais do que os Seres Humanos merecem. E, ainda, uma parte da Sociedade é tolerante à sua presença! Nem dá para acreditar!

Pois bem, aqui chegados considero que é de louvar que existam robots humanoides para realizar o ‘trabalho dito escravo’. No entanto, considero que a construção massiva destas máquinas não fará desaparecer a atitude humana de esclavagista. Apenas estará desviada para os robots humanoides. Se algo falhar no funcionamento destes, será que o ‘dono’ desses Robots não tomará uma atitude esclavagista com Humanos, de novo?

Significa que o mais importante é o Valor Humano das Pessoas envolvidas em todo o processo e o respeito por Valores Humanos que determinará a evolução da nossa espécie. Os Robots Humanoides deverão ser apenas máquinas que nos ajudam a ir mais longe, mais depressa, controlados por Seres Humanos com Valor.

Robots Humanoides 3

Alfredo Sá Almeida                                                                              12 de Setembro de 2017

Imaginar uma nova realidade

Albert Einstein - Imaginação

A imaginação é uma capacidade Humana de representação mental de coisas reais ou ideias. “Trata-se de um processo que permite manipular a informação criada no interior do organismo (sem estímulos externos) para desenvolver uma representação mental.”
“A imaginação, deste modo, permite ter em mente um objeto que se tenha visto anteriormente ou criar algo novo sem nenhum fundamento real. Ao imaginar, o ser humano manipula informação da memória e converte elementos já percebidos numa nova realidade.” (http://conceito.de/imaginacao)
A imaginação de uma nova realidade tem uma particularidade especial, tem de ser coerente e possível de aplicar em Sociedade. Para todos os efeitos é um processo criativo de Valor, pois nele entram muitos dos sonhos existenciais que possuímos.
Albert Einstein recorda-nos, na frase que apresentei acima, que a imaginação tem uma importância fulcral na construção de qualquer realidade. Mas também nos recorda que “A realidade é apenas uma ilusão, ainda que muito persistente”. Sendo assim, a imaginação de uma nova realidade tem de ter a capacidade de ‘desalojar’ a ilusão persistente.
Processo difícil, sem dúvida, mas possível. Para que tal aconteça tem de convencer de forma permanente a imaginação das outras Pessoas. Tem de representar uma confiança coerente na mente dos que a recebem. E é gratuita!
Como sabem eu tenho vindo a apresentar neste meu blogue, a minha imaginação sobre um novo paradigma para o futuro da Humanidade, baseado no Valor Humano. Não tem sido fácil encontrar argumentos que conduzam a uma coerência de ideias e ideais, mas é genuíno e verdadeiro na representação da confiança nos meus Leitores. Se consegue ‘desalojar’ a atual realidade é outra matéria.
A realidade que atualmente se vive no mundo global, está mais próxima de uma ilusão desagradável para TODOS do que possamos pensar. Basta ler e ouvir as notícias de todos os canais de mídia para ficarmos bem iludidos com tudo o que se passa.
Resta-nos a esperança que tudo dê certo. Mas não será a esperança uma nova forma de imaginação?
O Homem construiu um mundo desmembrado, baseado no medo e na desconfiança, e pretende que as Pessoas sejam capazes de se ‘sintonizar’ com ideias com pouca virtuosidade e de fraco sentido humanista! Não é capaz (ou não pretende) que a Educação que ministra a todas as crianças e jovens, seja construtora de imaginação saudável, pacífica e de valor para o futuro. O Homem quer que exista criatividade mas que esteja direcionada para o lucro e não para o bem comum.
É preferível que o mundo global seja uma utopia humanista e de Valor, que a distopia em que se tornou!
Uma coisa é certa “A realidade deixa muito espaço à imaginação”, como afirmava John Lennon. Resta-nos saber usar esta nossa faculdade de imaginar um mundo melhor, onde TODOS possamos coexistir e ser felizes.

Alfredo Sá Almeida                                                                          6 de Setembro de 2017